Janela Poética III

 

Pintura: Sylvana Lobo

 

Impassível

Ian Lucena

 

quando deixei de ser
hipócrita algumas ampulhetas
foram embora
à busca das ampolas da memória

quando deixei de
morrer afora
a clepsidra da mágoa
trouxe tudo de volta
às águas da minha vida inócua

 

 

***

 

Chuva

 

numa noite movimentada
os fios de prata – tecidos – deslizam
atrapalham as vistas das mentes
pequenas
noutras noites os pingos
grossos metalizam a fina umidade
e se tornam tempestade às mentes
criadoras

apenas num dia árido
muito árido
como aqueles que nem é possível sonhar
a chuva acaba
e a minha visão aguçada
perdura

 

(Ian Lucena, natural de Cascavel – PR, é poeta, empresário e universitário do curso de Economia)

 

 

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1 comentário

  1. Oi, Diversos!
    Gostei muitíssimo dos poemas de Ian.
    Parabéns!

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