Janela Poética VI

 

Pedro Du Bois

 

Arte: Marcantonio

Paredes

 

Ficamos juntos
….na indivisibilidade dos opostos:

………..anéis de casamento
………..filhos da mesma casa.

O corpo banhado sobre a cama
e a janela entreaberta: a justeza
da imaginação prisioneira
entre quatro paredes frágeis.

 

 

***

 

 

Textos

 

Sonâmbulo
…..perambulo textos

…………….navego pessoas
…………….e me oriento
.……………em ícaros
…………….de asas cortadas

tudo feito
na minha passagem.

 

 

***

 

 

Igualdade

 

A igualdade sonhada
.não se revela
.no que mostra.

…..A conquista
…..é passo inicial
…..na desigualdade.

…………O caminho
…………percorrido em entregas
…………e o desmoronar
…………do corpo no ferimento
………………………….aberto.

 

 

***

 

 

Grandeza

 

Fui começo
…….sou metade
….fui princípio
……sou continuação

o final se oferece
em lendas
e o mito
perde sua grandeza
na igualdade do mistério.

 

 

***

 

 

Janela

 

Nada me vale a janela
se não posso
ver as construções
de igualados prédios
em vistas circunscritas
aos arredores: a janela
…………………..do novo prédio
…………………..me contempla.

 

Pedro Du Bois é natural de Passo Fundo e reside em Itapema, SC. Escreve poemas e contos. É editor-autor, com livros feitos em casa, em tiragens mínimas, não comercializáveis. Foi vencedor do 4º Concurso Literário Livraria Asabeça, categoria poesia, com “Os Objetos e as Coisas”. Em 2009, “A Criação Estética” foi publicado pela Editora Corpos, Portugal. Em 2013, seu livro de poemas “O Senhor das estátuas” foi publicado pela Editora Penalux (SP) e “Iguais” pelo projeto Passo Fundo.

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2 Comentários

  1. Caro Fabrício, gratíssimo pelo destaque dado aos poemas. Coloquei o link em meu blog. Apenas uma alteração: agora, residimos em Balneário Camboriú/SC. Abraços. Pedro.

  2. Pedro du Bois é um dos melhores poetas da atualidade. Aliás, são muito poucos os bons. Fico feliz de poder ler seus ótimos poemas.
    Maria Lindgren

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