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155ª Leva Ciceroneando

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Ilustração: Nicole Marra

 

A Diversos Afins é puro movimento, dinâmica que teima em render frutos que nos impulsionam adiante. Seu projeto editorial vem se consolidando e renovando cada vez que nos deparamos com instigantes expressões do campo artístico. E como é importante saber que os caminhos não se esgotam por si só, pois habitamos um mundo onde as vozes se mostram plurais e dotadas de acordes próprios. Aliás, o emblema da singularidade sempre foi uma marca de nossas edições, pois, a cada etapa de publicações, percebemos que surgem outros tantos olhares sobre o mundo, essa grande plataforma através da qual os sentidos emanam e se fazem presentes. Imersos em leituras das mais variadas, por vezes somos surpreendidos positivamente com o efeito que os autores imprimem a seus textos e imagens. Ao fim e ao cabo, são distintos modos de se narrar a persistente aventura humana sobre a Terra. Escritores, artistas plásticos, ilustradores e fotógrafos, dentre outros, são verdadeiros provocadores quando nos tomam de assalto com suas investidas. Mais parecem desacomodar nossas pequenas e frágeis certezas diante da vida e seus fenômenos todos. E é salutar quando a Arte atinge esse ponto de se balançar antigas estruturas e nos propõe fôlegos alternativos para saborearmos nossas andanças mundanas, pois o objeto artístico não se desvincula do ato espantado do existir. Do equilíbrio entre convites e aproximações espontâneas, brota uma nova Leva de expressões que remontam a universos pessoais bastante contundentes em seus propósitos. Pelas veredas das nossas janelas poéticas de agora, por exemplo, despontam os versos emblemáticos de gente como Marianna Perna, Marlos Degani, Ramayana Vargens, Anna Lúcia Maestri e Lisandra Crespi. São de Gustavo Rios as impressões acerca dos contos de “Gosto de Amora”, obra de Mário Medeiros. Na seara do teatro, Vivian Pizzinga nos apresenta uma abordagem sensível e convidativa sobre o monólogo “Traidor”, interpretado por Marco Nanini. Por ora, somos bem servidos de prosa com os contos de Whisner Fraga e Ailton Lima, cada um com seus horizontes peculiares. Em sua verve cinéfila habitual, Guilherme Preger incursiona pelos aspectos relevantes do filme “Anora”. O disco de estreia do rapper Yago Oproprio é destaque das apreciações sonoras e aguçadas de Larissa Mendes. O entrevistado da vez é ninguém menos que o escritor baiano Paulo Bono, que dialoga com Fabrício Brandão sob o impacto dos desdobramentos de seu mais recente livro de contos, “Pepperoni”. É Roberto dos Santos quem nos conduz pelas alamedas de “Quem falou?”, romance de André Cunha. E todos os espaços aqui aparecem abrilhantados pela exposição das ilustrações de Nicole Marra, artista que nos oferta uma possibilidade especial de mergulho na dimensão feminina das formas. Com toda essa reunião de valiosas contribuições, nasce a Leva 155. Boas leituras!

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154ª Leva - 02/2024 Ciceroneando

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Foto: Marcelo Leal

 

Cada edição que desponta no horizonte de nossa caminhada desperta sempre o gosto por ares renovados. São indicativos de que outras escutas seguem abertas e se fazem presentes. Tais inclinações nos levam a conhecer vozes do mundo cultural, subjetividades que, acima de tudo, projetam o desejo de uma existência quiçá mais plena, dado o componente de que provavelmente a arte seja, em suma, vetor de uma consciência mais ampla acerca do mundo e seus fenômenos. E não estamos aqui a falar somente da arte que intenta contemplações ou fruições estéticas das mais variadas, mas também aquela que é capaz de conectar seus protagonistas aos mais difusos anseios contemporâneos. Nesse sentido, cultura e sociedade são um par indissociável, deixando entrever desdobramentos de cunho social, político e econômico, para não mencionar outros aspectos plausíveis. É perceber que todos nós somos agentes de possibilidades vivas de transformação, condição esta que tem como ponto de partida o plano individual de cada sujeito, seu repertório pessoal. Quando essa dimensão particular se espraia na esfera pública, tomamos conhecimento do potencial que cada criador compartilha com o mundo externo. Por isso, ler, ver e sentir as obras é fundamental numa jornada como a da nossa revista, pois esse gesto revela descobertas e norteia direções que oxigenam os caminhos editoriais. É, então, com esse entusiasmo que acolhemos agora toda a expressividade marcante de poetas como Rita Santana, Karine Padilha, Luciana Moraes, Bianca Monteiro Garcia e Jussara Salazar. Nesta nova edição, somos visitados pelas fotografias de Marcelo Leal, numa exposição de imagens que remontam aos detalhes poéticos do mundo. No caderno de teatro, Vivian Pizzinga desfila todas as suas atentas impressões para a peça “A palavra que resta”. Por sua vez, Guilherme Preger traz análises importantes sobre o provocante filme “A Substância”. Com uma resenha sobre “O inquilino das horas”, livro do poeta Nílson Galvão, Maruzia Dultra nos convoca a expandirmos nossos territórios de leitura. Numa entrevista especialmente centrada em seu mais novo livro, o escritor Marcus Vinícius Rodrigues dialoga com Fabrício Brandão sobre seus processos criativos. Nos cadernos de prosa, os contos de Cecília Vieira e Rodrigo Melo denotam diversidades inventivas. O livro de poemas de Kátia Borges, “Dias amenos”, recebe os mergulhos valiosos de Sandro Ornellas. Como não poderia faltar, gira na agulha de nosso Gramofone o mais recente álbum do pianista Amaro Freitas, com um texto que revela as apreciações de Rogério Coutinho para esse importante trabalho do artista pernambucano. Eis a nossa 154ª Leva. Boas leituras e que venham instigantes ventos culturais em 2025!

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153ª Leva - 01/2024 Ciceroneando

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Arte: Zô

 

Há 18 anos surgia a Diversos Afins. E eis que apareceu dentro de um contexto de efervescência das produções em meio digital. Era o ápice de blogs e sites dedicados a todo tipo de narrativa no front cultural. Muitos espaços personificavam os estilos de novos autores, individualizando condutas de publicação dos textos. Foi importante testemunhar a aparição de um sem fim de expressões da poesia e da prosa, desde iniciantes e até mesmo dos mais consagrados. Igualmente recompensador foi também perceber a chegada de vários portais e revistas dedicados não somente à Literatura, mas a outras artes, apresentando em seu cardápio multifacetado resenhas, ensaios e textos sobre cinema, teatro, música e outras frentes. Cada um com sua identidade própria, com seu jeito de ofertar aos leitores modos peculiares de estruturação dos conteúdos. No meio dessa borbulhante paisagem, nossa revista figurava como uma janela através da qual parte importante desse oceano de produções se fazia adentrar. Definida a sua política editorial, a Diversos Afins manteve desde o início o intuito de acolher novos autores, em grande contingente inclinados a  desengavetar seus escritos pela primeira vez, interessados por oportunidades de publicação. No ofício de se editar uma revista, há muito aprendizado envolvido, sobretudo aquele que decorre das trocas estabelecidas com parceiros, colaboradores e leitores, todos eles, ao fim e ao cabo, se colocando como verdadeiros entusiastas de cada edição. Chegar a mais um ciclo de existência significa muito para nós, pois, mesmo nos hiatos que se impõem à jornada, a vontade de seguir adiante permanece viva. De ânimo sempre renovado, os encontros do presente constroem nossa 153ª Leva. Nela, descortinamos os poemas de gente como Nívia Maria Vasconcellos, Constança Guimarães, Julia Sereno, Camila Passatuto e Christian Dancini. Na cartografia presente pelas alamedas desta edição, as imagens de nos fazem companhia, arte que transborda recortes sutis do cotidiano. Em nosso caderno de cinema, Guilherme Preger nos provoca a ver e sentir “Motel Destino”, filme mais recente de Karim Aïnouz. É Alex Simões quem nos convida à leitura de “onde a água faz a curva”, livro do poeta Matheus dos Anjos. Na entrevista concedida a Gustavo Rios, o escritor Victor Mascarenhas fala sobre os percursos que o levaram à construção de seu último livro, “Sete dias em setembro”. O mais recente livro de Ruy Póvoas, “O Risco e o Laço – traçados do destino nagô”, é tema das apreciações de Tica Simões. Os contos de Neuzamaria Kerner, Adriano Espíndola Santos e Paulo Zan tecem um instigante mosaico de narrativas mundanas. Nas impressões sonoras de Fabrício Brandão, o disco “Milton + esperanza”, fruto da especial parceria entre Milton Nascimento e Esperanza Spalding, agora gira na agulha de nosso Gramofone. É tempo de, com imensa gratidão, celebrar junto a nossos leitores e colaboradores o nascimento de uma outra etapa. Boas leituras e mergulhos!

 

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152ª Leva - 02/2023 Ciceroneando

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Foto: Magali Abreu

 

Será que o tempo que não cessa de transcorrer nos torna meros colecionadores de passados? É uma questão instigante se pensarmos que tudo o que realizamos até hoje agrega memórias, afetos e construções de caminhos, todos eles envoltos em recortes marcados por escolhas e predileções. E talvez a cronologia dos passos dados seja apenas um indicador de que a vida, sobretudo em seus entreatos, não seja passível de uma mensuração linear das coisas, ordenada dentro de uma lógica que destoa das sensações concretamente experimentadas. Apreender o tempo, pois, parece mais plausível se considerarmos que dentro dele o efeito que mais importa é o de tudo aquilo que implica em transformação. Impactados pelas provocações saboreadas ao longo da jornada, já não somos mais os mesmos a cada estação que se apresenta. Tudo pode ser motor de pequenas e incessantes revoluções particulares. Na caminhada com a Diversos Afins, há muito desse dinamismo que vem a reboque de um universo múltiplo de expressões, cada uma delas propondo ventos de mudanças, acusando que nada se assenta em bases estáveis quando quem conduz as vias são os ímpetos demasiadamente humanos. Agora, a revista contempla seus 17 anos de estrada pelas vias editoriais, jamais esquecendo de olhar o passado como uma fonte inesgotável de estímulos e perspectivas de reinvenção dos caminhos posteriores. É necessário manter a chama acesa para que o projeto siga seu curso e se deixe mobilizar pelo fator mais importante: o resultado dos encontros. Sim, fazer a revista é estar com o Outro, estabelecer conexões com ele, aprender, assimilar e acolher sua contribuição autoral. É essa soma que torna a continuidade dos caminhos algo possível. Nada disso seria viável se não fosse o interesse dos colaboradores em trilhar conosco as veredas delineadas pela Arte. Em cada recanto delas, saberes e sabores engendram palavras e imagens a serviço dos olhares sensíveis sobre a vida e os fenômenos que nos afetam. Nesse universo oceânico de compartilhamento de sensações, o momento pede que celebremos o feito atual com as marcas contidas nos versos de gente como Aline Aimée, Vivian Pizzinga, Wesley Peres, Samara Belchior e Tallýz Mann. Por todos os lados desta nova edição, desfilam as fotografias de Magali Abreu, cujas imagens primam pela força que emana do indecifrável. Entrevistado por Jussara Azevedo, o escritor Gustavo Rios percorre as vias do seu novo livro, além de abordar outras reflexões sobre os afins literários. Nossa sempre atenta resenhista Larissa Mendes se deixa embalar pelas escutas de “Jesus Ñ Voltará”, disco de Mateus Fazeno Rock. Em seu texto, Sandro Ornellas nos convida à leitura de “Quando deixamos de entender o mundo”, livro de crônicas do chileno Benjamín Labatut. Com seu olhar sensível e apurado, nosso cinéfilo Guilherme Preger analisa “Mato seco em chamas”, filme brasileiro que volta suas atenções para recortes que vêm da periferia. Nos cadernos que privilegiam a prosa, há porções instigantes de mundo nos contos de Kátia Borges, Rodolfo Guimarães Neves e Adriano Espíndola Santos. Em seus mergulhos literários, Gustavo Rios nos mostra por que é uma experiência valiosa ler “Antipática Lira”, livro do poeta Santiago Fontoura. É com tantas e tamanhas colaborações especiais que festejamos a etapa alcançada, agradecendo a todos os autores, artistas e leitores de ontem e de hoje. Eis a nossa 152ª Leva!

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151ª Leva - 01/2023 Ciceroneando

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Ilustração: Viola Sellerino

 

Atravessar 2023, com o trilhar de seus dias, é matéria de continuidade da vida e dos feitos que aqui se entrecruzam. Gira a roda dos pensamentos assim como também o eco de todas as vozes a demarcar estradas que devem seguir adiante. Resultado de encontros não programados, a Diversos Afins vai bordando o tecido múltiplo das expressões, conjunto de uma obra viva que sempre demandará de todos nós coragem para enfrentar as adversidades. Afinal, o painel das humanidades é feito também da substância da tenacidade e da mistura de muitas crenças que coexistem entre si. Mas é na diferença que um projeto editorial como o nosso consegue ampliar suas bases de permanência, pois a soma de contribuições demonstra maior importância quando decorre de mentes que trazem para perto da gente seus universos peculiares de criação. O que somos hoje é fruto da participação de autores que não cessam de se reinventar, seja pelos artifícios das palavras, seja pelos apelos das tantas imagens sugeridas. Há sempre uma safra de novos saberes e sabores dispostas a serem ofertadas para deleite dos leitores e apreciadores das artes visuais. É o que temos testemunhado com os caminhos percorridos até então. Para o agora, aproximam-se de nós os poemas de gente como Maraíza Labanca, Fábio Pessanha, Tom Santos, Thaís Campolina e Alexandre Guarnieri, todos eles prenhes de sentidos provocadores e espantados. Não seria diferente tomarmos em consideração os atravessamentos de vida que fazem parte dos contos de Leandro Damasceno Leal, Wellington Amâncio da Silva e Geraldo Lavigne de Lemos, pois tais narrativas são a representação possível ou imaginada do mundo no qual estamos mergulhados até o pescoço. No centro de nossa entrevista, temos a presença marcante da escritora Vivian Pizzinga, que, além de falar sobre a atmosfera do seu novo livro, compartilha conosco instigantes olhares sobre a contemporaneidade, dentre outros temas dignos de nota. As escutas sensíveis de Larissa Mendes nos transportam para o ambiente do mais novo disco da banda Maglore. Por seu curso, Viviane de Santana Paulo nos apresenta “A mais secreta memória dos homens”, emblemático livro do senegalês Mohamed Mbougar Sarr. Quando o assunto é cinema, Guilherme Preger chama nossa atenção para a qualidade que habita “Marte Um”, filme de Gabriel Martins. São de Sandro Ornellas as impressões para “O Deus do Trovão” e “No Chão”, livros do capixaba Ivan Castilho. Não bastasse o vasto e rico panorama de textos constantes em nossa mais nova edição, há a marca valiosa das ilustrações de Viola Sellerino, artista italiana que nos brinda com sua sensível habilidade de revelar a poesia abrigada no cotidiano. Aqui está, queridos leitores, a nossa 151ª Leva!

 

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150ª Leva - 05/2022 Ciceroneando

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Foto: Yuri Bittar

 

Mais um ano se finda. Com suas tantas epifanias, 2022 inaugurou ciclos e fechou outros tantos. É da dinâmica da vida tais fluxos de vivências e, no caso da Diversos Afins, os cenários foram mobilizados pela descoberta de novos autores e artistas com suas vozes peculiares de expressão. E não há um mundo fechado em si quando o propósito é pensar um projeto editorial desta monta. Mesmo com edições mais espaçadas, o ano foi marcado pela persistência, que faz com que nossa jornada pelo encantador universo das palavras e imagens se mantenha firme. Conduzir uma revista significa, acima de tudo, deixar se guiar pelas surpresas movidas através dos mais diferentes encontros. Assim, poetas, contistas, músicos, artistas plásticos, fotógrafos e outros tantos colaboradores renovam os ares de nossas investidas. Estar no caminho da Arte é a todo tempo aprender com tamanhas e tantas mentes cujo ímpeto criativo é verdadeira chama da vida. É quase impossível enumerar a quantidade de pessoas que estiveram conosco nos 16 anos de trajetória da revista, principalmente os entusiastas permanentes de nossas ações, sejam eles autores ou não. O mais importante é que tudo até aqui valeu muito a pena, cada esforço ou dificuldade enfrentados. E não há nem nunca houve tempo para pensar em retrocessos ou desânimos, pois os caminhos acabam sendo curiosamente autorrenováveis, dada a quantidade de possibilidades, temas e pessoas que somam sempre aos nossos movimentos. Ao falar nesse dinamismo, é que vemos surgir uma nova leva, como novos atores e suas potências narrativas. Senão, vejamos quem adentra agora as nossas janelas poéticas: as presenças instigantes de Marília Rossi, Rita Isadora Pessoa, Rani Ghazzaoui, Julia Bac e Paulo Silva. No campo musical, Larissa Mendes é quem nos apresenta “Um Belo Dia Nesse Inferno”, mais novo disco de Juvenil Silva. O livro de poemas “Ruído nos Dentes”, de Vivian Pizzinga, é tema da resenha de Helena Terra. Por nossas alamedas, também adentram os contos de Adriano Espíndola Santos e Rodolfo Guimarães Neves. Nosso entrevistado da vez é o fotógrafo Edgard Oliva que, numa conversa conduzida por Marcelo Frazão, opinou sobre questões importantes do universo da imagem. De forma sempre aprofundada, Guilherme Preger comenta sobre o filme espanhol “Alcarràs”. Nosso caderno de teatro volta à cena com um texto de Vivian Pizzinga sobre o espetáculo “Realpolitik”, peça que tematiza nossa emblemática atualidade. Na análise de Gustavo Rios, atenções para “Emoções em Trânsito”, o mais novo livro do poeta Ricardo Mainieri. Por todos os recantos de nossa nova edição, as fotografias de Yuri Bittar revelam as marcas especiais da contemplação. Nas vias da Arte, eis a nossa 150ª Leva, queridos leitores!

 

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149ª Leva - 04/2022 Ciceroneando

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Ilustração: Drika Prates

 

Caminhos longevos são aqueles que, mais do que meros índices de contagem do tempo, servem como constatação de que algo de fato foi construído. Dar sequência a um projeto como a Diversos Afins é sentir que aos poucos as coisas vão acontecendo, os cenários vão se modificando, algo fica pela estrada, antigas parcerias se reafirmam e novos encontros se manifestam. Viver as trilhas da cultura é também respirar ares de impermanência, pois os ventos da mudança sempre teimam em bater à nossa porta. E mudar é gesto de abertura para o novo, momento em que outros saberes e sabores podem se tornar reais diante da lei natural dos encontros. Acima de tudo, são pessoas que movem a nossa revista, não somente a figura de seus editores, mas todos aqueles que se sentem atraídos pelas veredas aqui ofertadas. De colaboradores, entusiastas, amigos, parceiros e chegando até nossos leitores, uma dinâmica cheia de vida toma corpo e impulsiona ideias e toda sorte de ímpetos pela Arte. Somos tantas mentes afinadas no coro possível da palavra, das imagens e dos sentidos múltiplos que emanam do mais íntimo que há no laço humano. Não estamos sozinhos: eis a constatação mais recompensadora que há. Os caminhos travestidos de literatura, cinema, música, artes plásticas, teatro, fotografia e outras artes são representações do que vai por dentro de tantas e tamanhas existências que percebem na revista um porto onde podem fazer ecoar suas vozes. Não temer o que está por vir pode ser a chave para qualquer iniciativa que se pretenda continuada no tempo das possibilidades. A crença que nos mobiliza é a de que outros olhares sobre o mundo são a razão de ser das nossas investidas. Ao mesmo tempo, é desejo de reconhecer o quanto um imenso painel de singularidades surge ante nossos olhos, cada uma delas imprimindo um tom vigoroso às criações de autores e artistas dos mais diversos matizes. Por tudo isso, a aproximação de poetas como Geraldo Lavigne de Lemos, Cristina de Souza, Letícia Carvalho, Marcelo Benini e Leonardo Bachiega adentra com novos sentidos as nossas janelas poéticas de agora. Em cada canto da nova edição, as ilustrações de Drika Prates dialogam com as porções interna e externa de nossas humanidades. No Gramofone de Gustavo Rios, gira o novo disco de André Lissonger. Numa entrevista concedida a Larissa Mendes, o músico Leonardo Passovi, vocalista da banda Flerte Flamingo, desfila algumas reflexões sobre seu trabalho e a cena musical brasileira contemporânea. Nas linhas de Lorraine Ramos Assis, impressões para “Ainda ancora o infinito”, livro de poemas de Roberta Tostes Daniel. Pelos contos de Lorena Grisi, Catharina Azevedo e Marciel Cordeiro, espraiam-se peculiares e instigantes cenários da vida. O filme russo “A Febre de Petrov” ganha olhares especiais na análise de Guilherme Preger. Os atentos olhares de Sandro Ornellas sondam as alamedas de “Danny”, livro de Maria Elvira Brito Campos. Todas essas vozes aqui reunidas, queridos leitores, são para celebrar 16 anos de estrada editorial. Eis a 149ª Leva!

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148ª Leva - 03/2022 Ciceroneando

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Foto: Gilucci Augusto

 

E lá vamos nós pelos caminhos, trilhando percursos e encontros pelas palavras e imagens. São 148 Levas através das quais a vida se manifesta em seu poder de nos encantar pelo trabalho feito na jornada editorial. E não há dúvida de que o motor central desse movimento recompensador é a contribuição das muitas vozes que passam pela revista com suas singulares feições. Cada uma delas, marcadas por universos particulares de expressão, nos diz de mundos no mundo, sugerem rotas, denotam desejos de toda ordem. Tudo isso assinalado pela vontade de comunicar, de compartilhar ideias, visões e sentidos que atravessam muito do que vai por dentro de cada ser. Mergulhar e viver a Arte é sentir o outro, aquele que nos propõe outras múltiplas vias até mesmo quando nossa visão parece um tanto aborrecida e carece de renovação. É, por assim dizer, um efeito dialógico, através do qual nossa presença no mundo resta acrescida em larga escala pelo olhar que emana de outras mentes. Editar uma revista como a Diversos Afins é, permanentemente, buscar escutas, abrindo as alamedas para que outras tantas pessoas se aproximem e tragam consigo perspectivas de apreensão no campo sensível da existência. Nesse sentido, palavras e imagens correspondem a um potente agregado de possibilidades, dando mostras de que estar no mundo é se deixar tocar por aquilo que também semeia delicadezas do olhar humano sobre as coisas. Com esse espírito a nos mover, nos rendemos a grandiosas descobertas. Uma delas é o sublime trabalho do fotógrafo baiano Gilucci Augusto, que nos presenteia com uma exposição de algumas de suas imagens agora em nossa nova edição, sendo que a temática evidenciada pelo artista promove belos e instigantes percursos evocados pelo corpo. Não menos diferente é o impacto que os poemas de Laura Assis, Lucio Carvalho, Patricia Porto, Julia Sereno e Drika Prates proporcionam em nós. Um dos nossos pontos altos fica por conta da entrevista que Larissa Mendes fez com o cantor e compositor pernambucano Juvenil Silva, artista cuja sensibilidade areja os novos ambientes da música brasileira. Nosso Gramofone contempla a resenha de Marcelo Frazão para o novo disco do Projetomacabéa, álbum capitaneado pela expressão de Alisson Lima. São de Wilton Cardoso as atentas linhas de análise para “O corpo de uma voz despedaçada”, livro de poemas de Wesley Peres.  No território da prosa, estamos muito bem servidos com os contos de Wellington Amâncio da Silva, Adriana Vieira Lomar e Rodrigo Melo. Com seus mergulhos sempre precisos, Guilherme Preger chama nossa atenção para o premiado filme japonês “Drive My Car”. Por seu curso, Sandro Ornellas, com suas valiosas percepções, nos convida à leitura de “1/6 de laranjas mecânicas, bananas de dinamite”, mais novo livro do poeta e multifacetado artista W. J. Solha. Nossa estrada segue adiante, cara leitora, caro leitor, certos de que o melhor de tudo é contar com sua companhia. Boas leituras e imersões!

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147ª Leva - 02/2022 Ciceroneando

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Ilustração: Bianca Grassi

 

Temos presenciado dias conturbados em nosso planeta. Não bastasse o inimigo mortal e invisível que nos faz companhia desde o principiar de 2020, vamos colecionando tragédias cotidianamente, todas elas marcadas pela insana aptidão humana para a destruição em seus mais variados níveis. Assim, aniquila-se a natureza no mesmo compasso em que eliminamos os nossos iguais pelo gesto irracional da barbárie. O despertar de uma guerra nos relembra nossas mesquinharias mais comezinhas, truculento desejo de dominar o outro por razões esmaecidas. Questão que se impõe é como faremos para descontaminar o nosso caminhar sobre o mundo, agindo num movimento contrário à perspectiva de desolação que sempre teima em aparecer no horizonte quando as crises se mostram cíclicas e persistentes. Há espaço para a libertação das consciências e, assim, para o cultivo de alternativas otimistas? Por certo, a resposta está em nossas mãos, não necessariamente sob nosso pretenso e inteiriço controle. Quiçá os instrumentos da Arte possam nos guiar nessa tarefa longa de reconstrução e ressignificação da nossa história sobre a Terra. E estamos aqui a falar de Arte como potência criadora que não se aparta em momento algum da realidade, seus matizes políticos, econômicos e sociais. Portanto, autores e artistas não estão dissociados do debate maior sobre o seu tempo, da tentativa de compreensão dos fenômenos que afetam nossas humanidades de forma contundente e inalienável. Não se usa camisa de força para tal, o gesto nos pertence por natureza. Diante de um mundo que nos aplica doses constantes de assombro, é bom testemunharmos, por exemplo, o pensamento de um criador como Alex Simões, poeta e performer que é o nosso entrevistado da vez e cuja obra propõe um diálogo com os temas sensíveis de nossa atualidade. Numa linha semelhante, nos deparamos com as ilustrações de Bianca Grassi, as quais nos fazem companhia por todos os recantos de nossa nova edição. São de Kleber Lima, Clarissa Macedo, Elton Uliana, Manuella Bezerra de Melo e Priscila Branco as janelas poéticas que nos ofertam versos pungentes. Foi também pensando questões atinentes ao mundo que nos perturba que Guilherme Preger escolheu para sua análise o filme romeno “Má sorte no sexo ou pornô acidental”, do diretor Radu Jude. Não foi diferente com Larissa Mendes que, ao trazer à tona sua resenha sobre “Preto Sem Acúcar”, novo disco da banda OQuadro, reflete sobre as marcas raciais entranhadas em nossa sociedade, dentre outros temas. Em seu texto sobre “Os vivos (?) e os mortos”, emblemático livro de poemas de Fernando Monteiro, Sandro Ornellas expõe o delicado testemunho que a memória atroz da ditadura militar brasileira evidencia. Nos contos de Susana Fuentes, Adriano B. Espíndola Santos e Ianê Mello, o traçado sensível da vida insiste em se manifestar. É Vinicius de Oliveira quem nos apresenta “Levante”, livro do poeta Henrique Marques Samyn e que evoca a marcante história do povo negro no diapasão África-Brasil. É com grande satisfação que apresentamos aos nossos leitores a 147ª Leva da Diversos Afins. Boas leituras!

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146ª Leva - 01/2022 Ciceroneando

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Foto: Fátima Soll

 

Por entre palavras e imagens, a tessitura da vida se anuncia. São formas e formas de se conceber o mundo em suas possibilidades de expansão dos sentidos todos. A experiência do ontem e a estimativa do futuro que não sabemos como será ao certo atravessam linhas, moldam versos, irrompem na profusão de cores abrigadas em telas e fotografias. E o agora está sempre a nos pedir atenção quando tenta nos mostrar que a pulsação da existência é algo inadiável, está bem diante de nossos insones olhos sempre ávidos pela novidade. Nesses interstícios, escritores e artistas ousam ir além, posto que tendem a captar aquilo que se abriga nos recônditos da rotina. Tais artífices nos devolvem o produto de suas inquietações, percepções sobre as andanças num solo que também pode estar compreendido em nossos domínios e expectativas. Ainda assim, a surpresa causada pelo inusitado também pode fazer morada entre nós, provocando e nos fazendo desacomodar lugares acostumados. A partir de estados de efusão, contemplação, silêncio, dor e outros tantos mais, a própria vida demanda dos criadores que movimentem suas obras. Dentro dessa lógica, não há uma ordenação fixa para o pensamento e cada traço autoral desafia sua recepção a vislumbrar significados com certa autonomia. Aqui na revista, as vias literárias não se cansam de servirem de ilustração dessas constatações que atuam à semelhança de um encontro não marcado com o outro. Abrir-se para a leitura de textos como os de Helena Terra e Gabriele Rosa, por exemplo, é desvelar o quiçá insondável território de nossas humanidades, transitando por paisagens que divisam ficção e realidade. Sob o manto da poesia, agora temos a companhia dos versos de Bruno Oggione, Jorge Elias Neto, Vitória Terra, Bianca Grassi e Duda Las Casas. Nosso sabatinado da vez é o dramaturgo e diretor Paulo Atto, que nos oferta um recorte valioso sobre a sua trajetória com o teatro. É Sandro Ornellas quem aprecia e nos apresenta “Assim na terra como no selfie”, mais novo livro do poeta e performer Alex Simões. Na sua estrada de mergulhos musicais, Larissa Mendes visita “De Lá Até Aqui”, mais recente disco do cantor e compositor Silva, que celebra 10 anos de carreira. Com suas cirúrgicas escolhas cinéfilas, Guilherme Preger analisa o filme sueco-polonês “Sweat”, obra que debate a controvertida exposição da subjetividade no universo digital. Por seu curso, Gustavo Rios empreende leituras em torno de “Quando a luz do sol desaparecer nada vai se alterar no universo”, livro de crônicas de João Mendonça. Retomando nosso caderno Jogo de Cena, Zuca Sardan e Floriano Martins nos ofertam um texto do seu assim batizado “teatro automático”. Eivados de sentidos de liberdade, todos os recantos da nossa atual edição foram contemplados com as fotografias de Fátima Soll, artista que sugere percursos especiais em face da simbologia do corpo. Sejam todos muito bem-vindos à nossa 146ª Leva!

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