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74ª Leva - 12/2012 Ciceroneando

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Foto: Catharina Suleiman

VI

Tudo vive em mim. Tudo se entranha
Na minha tumultuada vida. E porisso
Não te enganas, homem, meu irmão,
Quando dizes na noite, que só a mim me vejo.
Vendo-me a mim, a ti. E a esses que passam
Nas manhãs, carregados de medo, de pobreza,
O olhar aguado, todos eles em mim,
Porque o poeta é irmão do escondido das gentes
Descobre além da aparência, é antes de tudo
LIVRE, e porisso conhece. Quando o poeta fala
Fala do seu quarto, não fala do palanque,
Não está no comício, não deseja riqueza
Não barganha, sabe que o ouro é sangue
Tem os olhos no espírito do homem
No possível infinito. Sabe de cada um
A própria fome. E porque é assim, eu te peço:
Escuta-me. Olha-me. Enquanto vive um poeta
O homem está vivo.

(Hilda Hilst em Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão)

***

Mais um ano se prepara para desferir seus últimos golpes. Em seu derradeiro canto, quiçá traga até nós o gosto pelo saber e sabor das coisas fugidias. Não pelo curioso prazer de sermos tentados pelo efêmero que nos espreita permanentemente, mas sim pela ideia através da qual somos impelidos a acreditar que a única coisa que existe de fato é o presente. Já que nos são caros os efeitos da passagem do tempo, convém evitar desperdícios e marcar o solo do mundo com a marca indelével de nossas epifanias. Por isso, necessitamos enxergar além do óbvio. Por isso, urge seguir adiante mesmo com os equívocos que nos assolam os sentidos. Se ainda assim a devastação for sombra constante, é porque uma suposta normalidade nos conduz à margem de precipícios edificantes. Quem serão os arautos das novidades amanhecidas entre nós? Talvez todos aqueles que ousem perpetrar os caminhos pouco convencionais da existência. Qual um balançar de águas que nunca mais tornarão a ser as mesmas, viver pode representar a revelação de notícias pouco confortáveis e, por assim dizer, incompatíveis com nossas minicertezas. E como é bom não brigarmos pela patente da razão. Quem sabe os poetas, muitas vezes tidos como delirantes e loucos, possam nos servir de guia nessa delicada jornada rumo ao centro de nós mesmos. Onde a nostalgia do futuro a nos sorrir em toda sua tirania? A arte, então, vai prolongando nossa espécie, fazendo-nos tatear cada vez mais as paredes pelas quais imaginamos algum resquício de liberdade. Que sejamos, pois, perpetuados pelos ecos incontidos nos versos de gente como Nina Rizzi, Marcelo de Novaes, Helena Terra Camargo, Dheyne de Souza e Marcus Groza. Entre palavras e outros tantos destinos por aqui lançados, há espaço inconteste para os sensíveis registros fotográficos de Catharina Suleiman. Noutro ponto, interpelamos o escritor André de Leones numa conversa sobre suas travessias literárias. No Jogo de Cena, Geraldo Lima promove incursões no teatro de Arthur Miller. Outros enlaces de vida nos são contados por Mariza Lourenço, Rodrigo Novaes de Almeida e Nelson Alexandre. A escritora Adriana Zapparoli nos convida à leitura de Nagasakipanema, livro de poemas do uruguaio Victor Sosa. O olhar atento de Larissa Mendes atravessa a delicada temática de Amor, novo filme de Michael Haneke. Sob a agulha de nosso Gramofone, gira a sonoridade da banda mineira Transmissor. Fecha-se mais um ciclo na Diversos Afins e o gosto por novas descobertas se agiganta. Que 2013 revele-nos, como versificava Hilda Hilst, o escondido das gentes!

 

 

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73ª Leva - 11/2012 Ciceroneando

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Arte: Fao Carreira

É recompensador perceber que a unanimidade não combina com o universo da arte e da literatura. Reconhecer isso significa elevar a multiplicidade de expressões a uma potência deveras indefinida. Nesse ínterim, cabe falar de formas distintas, ou melhor, vozes distintas a compor um vasto painel cênico. E certamente a contemporaneidade nos trouxe mais desafios do que algo consolidado. O que construímos hoje é parte ativa de um discurso que parece longe de soar definitivo. Desconfiemos, pois, de qualquer tentativa de universalizar verdades, não perdendo de vista o bonde da história bem como as referências necessárias propostas por ele. Como conceber as criações ante nosso tempo? Ser vanguardista é ainda uma missão necessária e palpável? De qualquer modo, essas são apenas algumas das muitas indagações que podem flutuar por sobre nossas sôfregas trajetórias. Embora uma curiosa e delicada sensação de liberdade possa impregnar os instantes do hoje, criar sempre será um processo complexo e que requer um vigoroso mergulho nos signos do mundo. No girar da ciranda dos feitos, não há como deixar passar certas leituras e apreensões. É quando a voz de gente como Nuno Rau, Vera Lúcia de Oliveira, Cícero Galeno Lopes, Valéria Tarelho e Hilton Valeriano nos recorda da matéria sensível e densa de que somos feitos. Através de sua prosa, Carlos Trigueiro, Tere Tavares e Nilto Maciel redimensionam sentidos para a vida. Em nossa pequena sabatina, a escritora Marilia Arnaud fala sobre seu primeiro romance, Suíte de Silêncios, e revela alguns de seus percursos íntimos pelas letras. Num trajeto que sabe a memórias e reflexões, Yara Camillo promove sua estreia no caderno de teatro. O poeta e editor Gustavo Felicíssimo nos conduz por entre as tramas sensíveis de Rascunhos do Absurdo, livro de poemas de Jorge Elias Neto. O olhar apurado de Larissa Mendes sonda o legado do cineasta Rogério Sganzerla. Em nosso Gramofone, paira toda a suavidade de Presente, disco da cantora e pianista Delia Fischer. Ante as manifestações aqui presentes, reina intensa e harmônica a exposição de desenhos e pinturas de Fao Carreira. Por tudo isso e, principalmente, pelo desejo firme de continuidade, a Diversos Afins celebra uma nova e gratificante Leva.

 

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72ª Leva - 10/2012 Ciceroneando

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Foto: Mercedes Lorenzo

Erguer uma nova edição é, de certa forma, deixar-se conduzir pelos imperativos de um fluxo especial de comunicações. Nessa perspectiva, dois pólos mostram-se intimamente relacionados: a manifestação espontânea dos criadores, através do interesse em terem suas obras apreciadas e, do outro lado, a busca própria da revista pelo conjunto de expressões que melhor se identifiquem com sua linha de publicações. Desse equilíbrio de ações, surgem descobertas significativas as quais reforçam o valor dos encontros, aspecto tido como essencial em nossa jornada editorial. Não haveria sentido em tocar o projeto adiante se, diante de tais convergências, não fosse possível estabelecer uma conexão de linguagens múltiplas e consistentes. Mais do que uma proposta supostamente ordenada de resultados criativos, estamos sempre à procura de epifanias que permitam a transgressão. E transgredir sugere um algo muito além de uma mera quebra de barreiras. Aponta também para a capacidade que uma determinada obra possui de deslocar nossas leituras de mundo para lugares desabitados de obviedade e inércia. Basta observar detidamente a verve poética de gente como Carla Diacov, João Filho e Carolina Caetano para percebermos que o “modus operandi” da criação reflete um teor singular. Contribuem também para o ambiente onde os versos denotam um cuidado valioso com forma e conteúdo as manifestações de Diego Tardivo e Silvério Duque. No campo das imagens, as fotografias de Mercedes Lorenzo retiram da matéria cotidiana os vestígios deixados pelas complexas andanças humanas. Há substância, entrega e domínio textual que roubam a cena na prosa de Alice Fergo e Yara Camillo.  Na Pequena Sabatina ao Artista, o poeta e editor Floriano Martins estabelece um diálogo musical vigoroso com o cantor e compositor Graco Braz Peixoto. Em sua resenha sobre o filme argentino “Elefante Branco”, Larissa Mendes pontua o denso apelo social presente na obra. W. J. Solha nos propõe um percurso pelos ensaios e poemas dispersos em “Psi, a penúltima”, livro de Soares Feitosa. Outro valioso convite à leitura nos é apresentado pelo escritor Geraldo Lima, quando discorre sobre o novo rebento literário de Vera Helena Rossi. O dramaturgo Paulo Afonso de Souza Castro expõe reflexões e perspectivas em torno do teatro. Em nosso gramofone, giram as canções do segundo disco de Tulipa Ruiz. Eis uma nova Leva, caro leitor, coberta de signos e outras tantas vias por descortinar.  


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71ª Leva - 09/2012 Ciceroneando

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Pintura: Sylvana Lobo

Imprimir ritmo ao tempo, extraindo dele a noção de liquidez necessária às palavras e imagens elaboradas pelo olhar. Eis um ponto de convergência impulsionador dos percursos da arte como um todo. Pensar assim é fazer com que o substrato das coisas sirva de norte para as criações como um todo. Aquele que escreve, por exemplo, leva a cabo um processo particular de buscas tanto pessoais quanto coletivas. Diante disso, a questão é pensar sobre a importância de se fazer convergir tais universos, colocando em eventos paralelos a perspectiva da alteridade. Indo mais a fundo, é atraente imaginar que a arte evoca um desafio permanente de externar os papéis do ser e do não-ser. Nossa ambiguidade sugere uma inquietação permanente frente a tais estados de atuação no mundo, mobilizando-nos ao nível de um sadio inconformismo. Então, como pensar um motor que move o pensamento artístico sem sentir correndo nas veias a fluidez do estranhamento? De certo, parece impossível conviver com a criação apenas no aspecto da estética ou de uma mera representação do real. Mesmo o gosto pelos mistérios que nos atravessam não serve como pretexto para uma profusão de elaborações sem sentido. É como nos diz nosso entrevistado da vez, o poeta José Geraldo Neres: como inventarmos a roda sem beber na tradição? Nesta conversa, o escritor pontua aspectos que fazem parte de uma concepção bastante especial do ato de criar, qual seja o fato de entender a obra que está por nascer como sendo um grande deserto a se cruzar, sabendo-se a todo instante passível à queda. Aqui, um ato de cair que pode significar um mergulho noutra dimensão útil da consciência. Há, por sinal, incursões dessa natureza nos versos de autores como Mariana Ianelli, Jorge Elias Neto, Ian Lucena, Bruno Gaudêncio, José Carlos Souza, Floriano Martins e Viviane de Santana Paulo. Entre as linhas tecidas pelas mais distintas expressões de agora, temos o arremate sensível da pintura de Sylvana Lobo a integrar os espaços. E quem nos guia pelos olhares em torno da artista plástica é Renata Azambuja. Seguindo em frente, o lado existencialista das palavras impera nos contos de Marcia Barbieri, Fábio de Souza e Frederico Latrão. O escritor W. J. Solha prenuncia o novo, e ainda inédito, “O Autor da Novela”, romance do paraibano Tarcísio Pereira. Nosso gramofone reproduz a qualidade do novo disco do saxofonista Leo Gandelman. A paixão de Larissa Mendes pela sétima arte traz à tona reflexões sobre o longa francês “Intocáveis”. No terreno da arte, caro leitor, há sempre muito por trilhar. A 71ª Leva mantém aceso o desejo desse pacto.

 

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70ª Leva - 08/2012 Ciceroneando

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Foto: Viviane Rodrigues

O quanto de nós vem, de fato, impregnado nas leituras que realizamos? Até que ponto nossos anseios estão dispersos por entre as mais difusas formas de expressão artística? Tais questionamentos são plausíveis quando procuramos associar as representações mais variadas de mundo àquilo que sentimos ou projetamos de algum modo. Experimentar pela arte é atestar a impossibilidade de se negar a própria existência, por mais passiva que seja a conduta. Entre sujeitos ativos, partícipes e os que se enquadram numa mera e distante perspectiva de observação das coisas, há um hiato que jamais pode ser desprezado. Tênue ou não, este intervalo prenuncia que, na grande teia de nossas relações, o trunfo da arte é o de preencher espaços de aproximação. E campos como o da literatura e das artes visuais podem ser importantes aliados desse mecanismo de convergência humana.  As dimensões atingidas por este processo revelam-se amplas, sobretudo no que se refere aos aspectos sociais e quiçá também políticos. Logo, é ingênuo pensar numa perspectiva de criação alheia à influência de tais características. Dessa enorme teia de interações, brota toda uma sorte de percursos dotados de uma individualidade que, para efeito de permanência das obras, se faz necessária.  Poder testemunhar como o fluxo das palavras e imagens transita pelas mais diferentes mentes para depois se converter em objeto de apreciação dos nossos sentidos é algo fabuloso. Então, surge a pergunta: será que tudo realmente já foi dito? Busquemos, talvez, a resposta contemplando as fotografias de Viviane Rodrigues, cujo trabalho remonta a uma exaltação da essência das coisas. Trilhemos as vias transmutadas em versos por Daniel Gonçalves, Adriana Zapparoli, L. Rafael Nolli, Davi Araújo, Gabriel Resende Santos e Luiz Otávio Oliani. Numa pequena sabatina, ouçamos o artista plástico português Rui Cavaleiro num diálogo com o poeta Hilton Valeriano, entrevista regada a percursos pelos signos da arte. Pelas narrativas de Gladson Dalmonech, Marcia Denser e Maurício de Almeida, restam-nos algumas pistas sobre complexos itinerários humanos. Larissa Mendes ousa-nos atrair, em dose dupla, a viagens cinéfilas e musicais. O escritor W. J. Solha penetra com avidez no primeiro romance de Marília Arnaud. Andemos, pois, a desatar nós, estabelecendo conexões, cedendo espaços no entendimento da alteridade e privilegiando a escuta. Quem sabe daí não derivem, mesmo que desavisadamente, algumas preciosas respostas. Hoje, 70 Levas se traduzem numa busca sublime pela compreensão do que é estar no mundo.

 

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69ª Leva - 07/2012 Ciceroneando

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Desenho: Rui Cavaleiro

Seis anos nos separam dos primeiros passos dados por aqui. Nossa primeira infância revelava, mesmo que timidamente, um desejo de alcançar e fomentar espaços em torno das palavras e imagens. Erguer cada edição sempre foi algo visto por nós como uma tarefa deveras especial, agregando expectativas e uma salutar ansiedade pelo modo como o coletivo de expressões mensais pudesse vir a ganhar corpo e alma. Com o passar do tempo, aprendemos que os passos editoriais, por mais que sejam minuciosa e previamente arquitetados, acabam por revelar gratas conformações ao jogo dinâmico do presente. É recompensador saber que existe sempre uma vastidão de leituras há serem feitas, todas elas atraídas pela jornada que conseguimos construir até então. Congregar manifestações dos mais diversos tipos de colaboradores nunca deixou de ser nosso lema maior. Para que tudo isso ocorresse sem gerar uma falsa ideia de incorporação aleatória de expressões, nosso perfil editorial sempre norteou as escolhas com critérios coerentes de seleção, pontuando aspectos que julgamos vitais em termos de publicação. Durante todos os anos de existência da revista, as trocas humanas foram o mote de nossas ações, permitindo-nos não apenas conhecer um pouco mais das obras de inúmeros criadores, mas também perceber neles uma necessária fonte de aprendizado. Os instantes passaram e o melhor de tudo é saber que solidificamos um caminho no qual atraímos, sobretudo, o respeito e a adesão de muita gente verdadeiramente interessada nos feitos culturais. Completar mais um ano de realizações significa louvar o nome de cada pessoa que, sem exceção alguma, por aqui um dia passou. Mais do que celebrar um rito novo de passagem, interessa-nos reafirmar a missão, chamando atenção para aquilo que hoje implica na continuação dos caminhos. E seguimos, contemplando agora os traços marcantes dos desenhos do artista português Rui Cavaleiro, muito bem apresentados por Hilton Valeriano. Nas veredas da poesia, deparamo-nos com Mercedes Lorenzo, Clarissa Macedo, Marra Signoreli, Raquel Gaio e Helena Barbagelata. É deveras especial perceber que gente como a poetisa Daniela Galdino, nossa entrevistada de agora, sabe dotar a vida de uma inquietude criativa vigorosa. Larissa Mendes, com suas precisas escolhas cinematográficas, aponta atrativos em torno do filme “God Bless America”. Intensos percursos da existência resvalam dos contos de José Geraldo Neres, Roberta Simoni e Teofilo Tostes Daniel. O personagem Sinvaldo Júnior, espécie de heterônimo do escritor Rogers Silva, revisita parte significativa da obra de Álvares de Azevedo. A atriz Ivana Luckesi testemunha sobre a sua vivência na arte de contar histórias. A Leva de agora é erguida e dedicada a todos os nossos leitores e colaboradores, em especial a Neuzamaria Kerner, Héber Sales e Valéria Freitas, importantes precursores de nossas andanças editoriais.

 

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68ª Leva - 06/2012 Ciceroneando

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Foto: Juh Moraes

 

 

 

No ofício de travar o combate pelos terrenos culturais, quiçá o imprevisível seja o que de melhor possa acontecer. No caso específico da Diversos Afins, pensamos em tal perspectiva, sobretudo quando temos de fazer convergir signos oriundos de imagens e palavras. Nunca há uma fórmula exata para promover a harmonia entre estas duas linguagens. A ciranda das colaborações gira alheia a critérios herméticos de classificação das perspectivas, e o melhor de tudo é podermos aproveitar cada autor e artista num processo de “cumplicidade involuntária”. Tentar perceber o que criadores trazem em si enquanto elemento fomentador de diálogo com outras expressões é, certamente, o que mais perseguimos em termos de conjunto. E é só depois de entrever os horizontes vislumbrados pela obra de cada colaborador que é possível consolidar um desejável caminho de unidade na diversidade. Hoje, a 68ª Leva é regida pelos arremates delicados contidos nas fotografias de Juh Moraes. Através delas, um bailar de signos convida os textos para a composição de um cenário no qual viver é mais do que urgente. E assim, tomados por tal ânimo, vamos descortinando sabores pelos versos de Fabiana Turci, Aline Aimeé, Vitor Nascimento Sá, Viviane de Santana Paulo e Helena Figueiredo. Numa entrevista, o poeta José Inácio Vieira de Melo fala sobre seus sensíveis percursos literários. Os dedos de prosa da vida andam intensos nas linhas de Daniel Faria e Regina M. A. Machado. Depois de alguns anos de espera, a banda OQuadro lança seu primeiro disco, e os efeitos disso giram nas agulhas do nosso Gramofone. Com propriedade, o escritor Jorge de Souza Araújo enreda caminhos em torno do novo livro de Antonio Nahud Júnior. Noutro ponto, os poemas de “Sísifo desce a montanha”, a mais recente obra de Affonso Romano de Sant’Anna, são tema das densas observações de W. J. Solha. A percepção cada vez mais aguçada de Larissa Mendes nos conduz até a produção cinematográfica “O Futuro”. O ator e diretor Rafael Morais relata os desafios envolvidos na montagem de um espetáculo teatral, enaltecendo a arte do encontro com o público. Munidos pelos imperativos da diversidade, abrimos as veredas de uma nova edição. Seja bem-vindo, caro leitor!

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67ª Leva - 05/2012 Ciceroneando Outras Levas

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Desenho: Felipe Stefani

 

Criar é estar diante de um espelho e mirar detidamente nossos próprios mistérios. Mesmo o plano da imaginação, gênese de um tudo, por vezes se defronta com aquilo que podemos chamar de angústia da criação. A sensação é a de se estar diante de um marco divisor de tempos: um da inquietação pelo algo a dizer; o outro, da efetiva e consistente materialização do objeto pretendido. O desafio inicial do autor parece ser o de atravessar precipícios sem se deixar intimidar pelas profundezas contornadas.  Em boa medida, a obstinação serve de virtude ao criador, sobretudo porque instaura um salutar estado de alerta em torno dos rumos a serem percorridos. E foi pensando em questões como esta que travamos uma conversa com o escritor W. J. Solha, cujo novo rebento literário, intitulado “Marco do Mundo”, pontua precisamente as legiões de desafios que se agigantam diante da missão de um autor. Entrecortando as expressões de agora, está o traço sensível dos desenhos de Felipe Stefani, alvo preciso das reflexões de Hilton Valeriano. Em matéria de poesia, somos conduzidos pelos densos signos de Edson Bueno de Camargo, Elizabeth Hazin, Ronaldo Cagiano, Mar Becker e Wender Montenegro. No quadro Jogo de Cena, o ator Rafael Morais mergulha com propriedade no fascinante universo dos palhaços.  O escritor Geraldo Lima nos convida à leitura do novo livro de minicontos de Anderson Fonseca. As linhas de Marcus Vinícius Rodrigues, Homero Gomes e Priscila Miraz tecem as tramas contistas dos Dedos de Prosa. O cinema argentino é, novamente, tema da devoção cinéfila de Larissa Mendes. No Gramofone, reproduzimos em alto e bom som alguns percursos sobre o primeiro disco solo de Gui Amabis. Através das trilhas da 67ª Leva, uma nova lavra de publicações se anuncia. Evoé, caro leitor!

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66ª Leva - 04/2012 Ciceroneando

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Foto: Kenia Vartan

Depois de um longo caminho trilhado, a Revista Diversos Afins volta suas atenções para a concepção de um novo espaço de publicações. Se é certo que, através dos tempos, a perspectiva de mudança ergue-se como companheira inseparável de muitas iniciativas desse porte, não seria diferente com o trabalho contemplado por nós. A vontade de ofertar aos leitores possibilidades, cada vez mais profundas de experimentar os signos aqui sempre exalados, fez-nos arrumar a casa em direção a novos rumos. Uma outra estrutura afigura-se agora bem diante de nossa trajetória, reportando-nos ao incessante desafio de mantermos a tônica viva de nossos propósitos. E esse é um caminho que nunca encerra bases definitivas, pois, a cada edição erguida, lidamos com a complexa tarefa do aprendizado. Seja em critérios formais ou subjetivos, a busca pela qualidade segue como sendo nosso objetivo principal. Dentro dela, a oportunidade de estabelecer uma conexão entre as expressões dos autores e artistas e os leitores constitui verdadeira missão, muitas vezes calcada em valiosas revelações criativas. A nova etapa de vida da revista contempla um vasto panorama visual, reforçando ainda mais o diálogo entre imagens e palavras expostas. Como forma necessária e inalienável de preservação de nossa memória editorial, nossas Levas anteriores permanecem vivas dentro do antigo site, proporcionando aos visitantes um autêntico percurso histórico pelo que já publicamos. Sendo o marco de um nascente tempo, a 66ª Leva aponta descobertas valiosas. Exemplo disso está na exposição fotográfica da amazonense Kenia Vartan, que traz um olhar especial sobre pessoas e lugares.  Nossas janelas poéticas abrem-se aos versos de Wesley Peres, Ana Vieira, Roberta Tostes, Felipe Stefani, Alice Macedo e Anna Apolinário. Falando sobre improvisação, o ator e diretor Rafael Morais promove a estreia do Jogo de Cena, caderno que aborda reflexões sobre teatro. Numa entrevista, o fotógrafo Márcio Vasconcelos fala sobre sua trajetória em torno da fotografia documental. Larissa Mendes apresenta sua mais nova dica cinéfila, o longa Medianeras. A pungência dos contos de Gerusa Leal e Jorge Mendes atravessa recortes de vida. O escritor Jorge Elias Neto traduz o poeta espanhol Ángel González. Por aqui, também as escutas do mais novo disco da banda Mundo Livre S.A. Com ânimo redobrado e brilho nos olhos, seguimos adiante. Agradecemos a todos os leitores e colaboradores por tudo o que trilhamos até hoje, em especial a Ana Peluso e Antonio Paim, parceiros responsáveis pela materialização deste novo ambiente.

Saudações sempre culturais,

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