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	<title>106ª Leva &#8211; 09/2015 &#8211; Diversos Afins</title>
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	<title>106ª Leva &#8211; 09/2015 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 19:58:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 106ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-4.jpg" rel="attachment wp-att-11089"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-4.jpg" alt="Sinisia Coni" class="wp-image-11089" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-4.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-4-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-4-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais uma etapa de encontros consolida-se na Diversos Afins. Nossa missão editorial ganha corpo na medida em que conseguimos expandir as fronteiras do diálogo. Atrair pessoas e fazê-las expressarem as suas epifanias pessoais é algo relevante. Cada colaborador que se une ao nosso projeto ajuda a compor um vasto e incessante mosaico de sensações. Nada é linear. Se somos seres distintos, carregando uma determinada marca de individualidade, é porque no somatório das ações não damos crédito à conformidade das coisas. A concordância plena não passa de um devaneio sem forças para seguir adiante. É na multiplicidade do pensamento que tudo ganha mais vigoroso sentido. Quão fabulosa é a literatura na medida em que consegue fazer desfilar tantas mentes de características diferentes. Ao fim, o que cada autor vem apresentar aqui na revista é a sua capacidade única de vislumbrar a existência. &nbsp;Por vezes, quantos de nós não explicitamos o desejo de construir uma obra semelhante a de alguém? No entanto, essa vontade, movida por um sentimento de identificação, mais uma vez reafirma o poder da diferenciação entre as pessoas. Definitivamente, nenhum criador é igual ao outro. Daí, a grandeza da arte sob os seus mais variados aspectos. Hoje, com a participação valiosa de escritores e artistas, completamos 106 investidas à frente da revista. Importa saber que há o eco singular da voz de poetas do quilate de <strong>Rita Medusa</strong>, <strong>Airton Souza</strong>, <strong>Roberta Tostes Daniel</strong>, <strong>Ana Peluso </strong>e <strong>André Rosa</strong>. Vale a pena contemplar as sutilezas humanas expostas no trabalho da fotógrafa <strong>Sinisia Coni</strong>. É recompensador ouvirmos o que tem a dizer o nosso entrevistado de então, o experiente músico <strong>Sabará</strong>, baterista, professor e verdadeiro símbolo da cultura baiana há mais de meio século. No quesito prosa, <strong>Vanessa Maranha</strong>, <strong>Caio Russo</strong>, <strong>Aden Leonardo </strong>e <strong>Geraldo Lima </strong>vêm fazer do mundo um observatório de ideias e outros tantos contextos. É <strong>Guilherme Preger </strong>quem nos chama atenção para a elaboração do filme “Táxi Teerã”, nova produção do diretor iraniano <strong>Jafar Panahi</strong>. <strong>Larissa Mendes </strong>destaca a marca das sonoridades de “Júpiter”, mais recente disco do cantor e compositor <strong>SILVA</strong>. “O beijo na parede”, romance de <strong>Jeferson Tenório</strong>, é cuidadosamente sondado pelo olhar apurado de <strong>Sérgio Tavares</strong>. No âmago de cada imagem ou palavra que compõe a nossa mais nova Leva, a vida assume contornos próprios. A vocês, caros leitores, ofertamos mais um experimentar de sensações. Boas leituras!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-ii-37/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 19:47:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Russo]]></category>
		<category><![CDATA[Confissão ao pé do caixão]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[prosa poética]]></category>
		<category><![CDATA[Releitura de Caravaggio: Narciso em plástico]]></category>
		<category><![CDATA[Zoom]]></category>
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					<description><![CDATA[Três enlaces da prosa poética de Caio Russo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Caio Russo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/69.jpg" rel="attachment wp-att-11066"><img decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/69.jpg" alt="Sinisia Coni" class="wp-image-11066" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/69.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/69-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/69-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Confissão ao pé do caixão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Murmuras: mamãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sonolenta a cabeça em cadência. Tocas aqueles tecidos turquesa. Toga da matriarca.&nbsp; Tempo teve que desejaste a imobilidade desse superego que bolo de fubá tão bem fazia. Tua vontade era um tanto mais volátil, que fosse dar uma volta por uma semana até a raiva do “Você não vai filha, nem pensar” passar. Folga de filha. Férias da família. Pobre pequena, das Fúrias nada vem que não seja fulminante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Murmuras: mamãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se você ficar de mentirinhas vai ver só, venho puxar teu pé de madrugada depois que morrer, ah se venho, faço questão, moleca”. Ria um riso dúbio, danado de delicado. Sabia ser tácita, tênue, torpe e tenra como tu que dela tascou os traços por atavismo. Não consegues derramar lágrimas. Levanta em ti uma confusão, balbúrdia como se de uma ora para outra passaste a sentir em mandarim. Tua mãe ali tensa, num sono nada tranquilo, parecia o ideograma de um rio em coma. Também os trapezistas ao redor, artistas dos sentimentos, como equilibravam bem tormentos, lágrimas caiam num choro compassado, conivente com a morte, morto, consonante ao ambiente. E tu esturricada como tundra gelada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Gente, que menina estranha, nem chorando está&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Meu Deus, perdeu a mãe e parece que nada aconteceu&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Sempre foi problema essa menina, precisava ver&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Lembro que dava um trabalho para a mãe dela, nossa&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Morreu de desgosto&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Morreu de tanto passar nervoso&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Infarte, nova como era?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Murmuras: mamãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deslizas por entre as difamações ditas entre dentes. Aproxima-te do caixão e confessas ao ouvido de tua mãe o segredo. Sorri e segue em solilóquio com tua confidente, aquela que cobrirá teus pés noite afora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Murmuras: mamãe.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Releitura de Caravaggio: Narciso em plástico</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Ana: esburacas a terra seca ainda que sem unhas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frio lá fora, sobretudo no imo de ti; espelhavas como uma patinadora sob o lago de vidro; encantavas, teu observar espalhavas em teus esporádicos anseios; trepidavas o olvido de quando embrenhavas nas nódoas de teus rastros náuticos. Quem defronte o espelho? Quem és senão tu no vácuo de ti?&nbsp; Quem formula essas perguntas? Quem senão a agrilhoada consciência de si, encarcerada numa das tantas salas de tua íntima morada&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enluarado teu dia é de uma noite imperturbável; num átimo tua face escorrega do congelado espelho, no lugar a vala translúcida da ausência de ti; emoldurada uma diáfana porta ao nada; eras inteiramente nariz, quem organizava tua face senão esse imenso olfato físico, adunco, herança em caídas moedas de um bolso judeu&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rapinar transbordavas tua arguta inteligência, teu narigão, esse quem impunha tua presença, caneta que assinava o espaço por onde passavas; Lírio da paz, dependurado níveo em teu rosto angular, depois da cirurgia tomou-lhe o lugar essa desenxabida margarida; tiritas a cavar na face um oco de cartilagem, eras inteiramente nariz&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Narciso foste num livre índigo agreste, hoje ninfeia a boiar no estranho licor especular, não afundas, não afundas em ti, soterrada de ficares fora d’água; impressa na tua cara dois ofídicos buracos em catálogos comprados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eras nariz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda nariz: respiravas hélio acima das nebulosas: de ora em diante carbono fluente nos escapes dos autos&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Zoom</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fulgura Ibirapuera no verão: sob verde acobertam asfaltado esgoto: menino lambe prazer absorto em sorvete: favor compensatório do pai no poro: embaixo do músculo fraturada infância: engole difícil: lodoso escuro esôfago.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Caio Russo</em></strong><em> é escritor, autor do livro “Delicado desespero de beija-flor em voo” (Chiado, 2015), pesquisador na área de Estética, História da Arte, Nova Música do século XX e Rugas em Rostos de Velhas. Tece seu tricô numa cadeira de balanço embaixo d&#8217;água. É iminente afogado ao longo do tempo em pausa.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-41/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 14:43:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Retrato]]></category>
		<category><![CDATA[Roberta Tostes Daniel]]></category>
		<category><![CDATA[Sede em frente ao mar]]></category>
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					<description><![CDATA[As mais recentes sutilezas poéticas de Roberta Tostes Daniel]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Roberta Tostes Daniel</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/42.jpg" rel="attachment wp-att-11057"><img decoding="async" width="500" height="358" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/42.jpg" alt="Sinisia Coni" class="wp-image-11057" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/42.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/42-300x215.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deus me abre a corcova de pregador<br />
esqueço parábolas.<br />
O ódio acumula no tempo, nos móveis pesados.<br />
Tudo perdi. No entanto, o amor das coisas breves.<br />
No entanto, a ancestralidade.<br />
Com os olhos desfolhados, as mãos cheias de feitiço<br />
póstumas as mãos, a rondar o real além do real.<br />
A neve suja do sol, Simenon, três vidas<br />
a mancha o eixo infinito<br />
do homem ordinário.<br />
Quisera esvair o deserto<br />
chamar de norte o começo<br />
traficar palavras.<br />
Tornei-me a arma<br />
que me cala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Uma casa perto<br />
de um vulcão<br />
pode ser<br />
um rastro da gente<br />
jamais extinto<br />
a ciência nega<br />
mas a lógica subvulcânica<br />
do povo sustenta<br />
evidências de nós<br />
uma casa-oferenda<br />
há quarenta milhões de anos<br />
lava oceanos<br />
e um barco de orixá<br />
faz a vez de vaso<br />
de planta<br />
subvertemos o risco:<br />
imergir e germinar<br />
são movimentos<br />
inerentes às casas<br />
às gentes<br />
e aos vulcões<br />
um subúrbio ou iguaçu<br />
nada é novo no epicentro<br />
desse rio<br />
que não nos suplanta<br />
somos o alicerce<br />
a planta da casa<br />
nasce dos pés.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Rio-Niterói, 1973</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os senhores me veem derrubando pistas<br />
como se desmonta estrada<br />
como se inventa ponte<br />
emerjo de nada a nada<br />
cresço com minha surdez.<br />
Feita desaparecida<br />
santa metálica<br />
dos lábios de esterco<br />
baía, vem me dizer<br />
por caminhos de resvalo:<br />
uma mulher ou uma cidade<br />
se arrastam por enigmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Retrato</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algo da dureza dos séculos<br />
lança sobre meu rosto<br />
os faunos da tarde.<br />
Lívido ante laranja<br />
mágicos, incautos<br />
traços – traçantes.<br />
Sabem sazonalidades<br />
zonas de sombreamento<br />
contornam o queixo<br />
regam a fome –<br />
entorta a boca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrevo para satisfazer o desejo de Deus.<br />
Este que aponta – Nonada.<br />
Escrevo para ser Deus.<br />
Com a fortaleza dos dedos fracos.<br />
Dos dedos sós, dedos de vício<br />
dedos brincantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Roberta Tostes Daniel</em></strong><em> é carioca nascida em 1981, cursou jornalismo, mas se formou em Letras. Escreve em blogs há mais de uma década. Já colaborou com diversas revistas literárias pela internet e participou de algumas antologias. Não tem livro publicado. Mantém o blog <a href="http://sedemfrenteaomar.wordpress.com"><strong>Sede em frente ao mar</strong>.</a></em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-41/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 14:34:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Júpiter]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[SILVA]]></category>
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					<description><![CDATA[Larissa Mendes escuta “Júpiter”, novo disco de SILVA
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Larissa Mendes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SILVA – JÚPITER</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/capa-m-1.jpg" rel="attachment wp-att-11041"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/capa-m-1.jpg" alt="Silva - Capa" class="wp-image-11041" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/capa-m-1.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/capa-m-1-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/capa-m-1-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se em <strong><em><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-12/">Claridão</a></em></strong> (2012) eu já afirmava que o capixaba Lúcio da Silva Souza não pretendia soar elitista, apesar de sua formação erudita, é em seu terceiro álbum,<em> Júpiter</em>, que minha “profecia” se confirma. Lançado no Dia da Consciência Negra (20 de novembro), novamente pelo selo SLAP (<em>Som Livre</em>), SILVA recolhe seus sintetizadores, despe-se de preconceitos e apresenta um “planeta” <em>pop</em> e acessível a todos seus habitantes. Algo até certo ponto esperado depois de seu flerte com Lulu Santos &amp; Don L (pseudônimo do <em>rapper</em> Gabriel Linhares Rocha) na canção <em>Noite,</em> já com alguns lampejos espaciais, lançada no primeiro semestre. Nas 11 faixas<em>, </em>todas assinadas por SILVA e pelo irmão Lucas, exceto a regravação de <em>Marina</em>, o músico gravita mais romântico do que nunca, versando sobre o amor e seus contratempos, porém não teme em explorar/conquistar novos ritmos e públicos. Concebido na estrada, durante a turnê de <strong><em><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-25/">Vista Pro Mar</a></em></strong> (2014), entre voos e quartos de hotéis, o artista revela-se minimalista e atual, como confessa em carta divulgada em sua <strong><a href="https://www.facebook.com/listentosilva/?fref=ts">página</a></strong> do Facebook.</p>



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<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-2.jpg" rel="attachment wp-att-11042"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-2.jpg" alt="Silva" class="wp-image-11042" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-2.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/interna-2-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">SILVA em performance do clipe Eu Sempre Quis, primeiro single de Júpiter / Foto: divulgação.</figcaption></figure>
</div>


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<p class="wp-block-paragraph"><em>Júpiter (Júpiter pode ser começar de novo/se por lá não houver esse mesmo povo /que só quer controlar o que a gente quer/e o que a gente só quer/é amar), </em>faixa-título<em>, </em>convida o ouvinte a fugir para o maior planeta do Sistema Solar, talvez numa alusão à mudança sonora que o álbum se propõe. A faixa conselheiro-amorosa <em>Sufoco (ninguém é de ninguém/pare pra pensar/o amor pra existir têm que respirar) </em>adverte que é uma canção sobre desapego e não sobre desamor. <em>Eu Sempre Quis (querer não é amar/mas é sempre um bom começo/amor, eu sempre quis/desde quando te conheço) </em>– primeiro <em>single </em>lançado <em>– </em>é uma balada tão envolvente quanto a malemolência de SILVA e sua dancinha no videoclipe da canção.<em> Feliz e Ponto</em> surge com um suingue provavelmente herdado da viagem do músico à Luanda (que rendeu o clipe de <em>Volta, </em>canção de <em>Vista Pro Mar </em>e um curta-metragem denominado <strong><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Cw0tpEinck">Angola</a></em></strong>, narrado pelo artista e voltado ao ritmo <em>kuduro)</em>. <em>Io, </em>espécie de vinheta instrumental do álbum<em>, </em>confirma todo o fascínio de SILVA pela música clássica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo bloco do álbum tem início com as reflexivas <em>Sou Desse Jeito (um dia eu percebi que era o meu jeito/tão diferente assim do seu conceito/é o que existe em mim/não é defeito) </em>e<em> Nas Horas (a gente faz tudo ser real/você e eu noite a clarear/há quem duvide do verbo amar/eu já rezo o verbo todo). </em>Na sequência, <em>Se Ela Volta (se o nosso amor foi mais que amizade/vou te ouvir abrir o portão), </em>talvez seja interpretada como a continuação da letra de <em>Janeiro</em>, canção do álbum anterior que abordava o amor platônico entre amigos<em>.</em> Um dos pontos altos do disco fica a cargo de <em>Marina, </em>regravação do clássico samba-canção de 1947, de Dorival Caymmi, que ganha uma roupagem eletrônica, refletindo o SILVA que conquistou a todos em <em>Claridão</em>. A sensual <em>Deixa Eu Te Falar (eu tenho tanta coisa pra dizer/habitar você/é meu plano A) </em>dá a deixa para <em>Notícias (eu vou seguir pra onde houver ar puro/junto de uma gente que quer encontrar/algum lugar, um rumo/se eu ficar aqui eu vou desatinar), </em>que encerra a obra em ritmo cadenciado de secretas boas novas (<em>quando eu chegar/não vou mandar notícias</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seus 36 minutos de execução<em>, Júpiter </em>surge como uma obra minimalista, visceral e libertadora, onde o multi-instrumentista supera a timidez e dá vazão a toda sua verve de intérprete, algo também evidenciado na série de shows intitulados “SILVA canta Marisa Monte”. Misturando pop, eletrônico, MPB e <em>R&amp;B</em>, SILVA mostra sua maturidade simplificando arranjos e <em>samples</em> e versando sobre o amor e suas agruras sem soar piegas. E como enfatiza a mesma carta publicada no Facebook, <em>Júpiter</em>, “<em>trata-se não de um espaço, lugar ou planeta definido, e sim uma alegoria: é um lugar onde o amor tem a possibilidade de vencer, sem adiamentos ou desculpas</em>”. Boa viagem a todos nós.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/ne7xMq2kN4c" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Larissa Mendes</em></strong><em> é sagitariana, também regida por Júpiter.</em></p>
</blockquote>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética IV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 14:11:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[70 Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Peluso]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[O sopro dos sentidos nos versos de Ana Peluso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Ana Peluso</em></p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/59.jpg" rel="attachment wp-att-11095"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/59.jpg" alt="Sinisia Coni" class="wp-image-11095" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/59.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/59-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto teces maledicências<br />
e enredas as saliências dos rumores nos teus cantos</p>



<p class="wp-block-paragraph">entôo cantiga antiga, versejo mil idiomas<br />
não te vejo e não te sinto<br />
há muito o nada não existe</p>



<p class="wp-block-paragraph">tua essência arrefece ante o tentáculo que suga<br />
e sorve a si<br />
as insossas tortillas de amora<br />
deferidas no ontem após o jantar</p>



<p class="wp-block-paragraph">enquanto a distância que te sucumbe em êxtase<br />
e que ecoa em catedrais de gesso<br />
te faz face</p>



<p class="wp-block-paragraph">te vês são<br />
no grande espelho invertido</p>



<p class="wp-block-paragraph">pelo hábito<br />
monge<br />
que a ti consagras<br />
nesses dias em<br />
que não amas</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Você sabe o amor<br />
quando ama o ruído<br />
o abalo<br />
o obstáculo<br />
a falta de sentido</p>



<p class="wp-block-paragraph">e ainda é amor</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Filosofia da seca<br />
metafísica das rochas<br />
um punhado de sal<br />
no éter<br />
oito sóis apagados de Andrômeda<br />
uma mulher vestida de seda<br />
só<br />
a palavra amor enterrada<br />
na areia, no coito<br />
um camaleão cinza<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;.</span>a ciência do abandono</p>



<p class="wp-block-paragraph">outro dia te vi<br />
absorto<br />
fazendo as contas do teu pessoal<br />
dando baixas no teu pessoal<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;</span>porque o coração é um músculo breve</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">A fera<br />
detalhe incômodo<br />
em abrigo tímido<br />
sufoca<br />
todas as ilusões a respeito da calmaria</p>



<p class="wp-block-paragraph">da infinita falta<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>do ar de outra fera</p>



<p class="wp-block-paragraph">do atrito do ontem que cisma com hoje<br />
desalinha o agora<br />
dissolve a cor, a forma, o cheiro</p>



<p class="wp-block-paragraph">de dentro de tudo que é a alma da fera<br />
de tudo que é o coração da fera<br />
que é a vontade da fera<br />
os dentes da fera<br />
é o sal da fera</p>



<p class="wp-block-paragraph">assola sua boca<br />
seca sua baba<br />
e soçobra a carcaça<br />
ressoando falta</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Um barco<br />
uma nau sem leme<br />
o mundo todo aberto e sem paredes<br />
o infinito fazendo arruaça<br />
um medo desgraçado da desgraça<br />
a espera sentada por um príncipe-peixe<br />
o céu sem recortes e sem redes<br />
o real estampado sem escrúpulos<br />
a solidão dos pescadores e dos brutos<br />
e uma âncora do tamanho do mergulho</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Ser ousado como vento<br />
destelhar ideias<br />
forjar rumores<br />
varrer as águas<br />
confundir os olhos<br />
conduzir o fogo<br />
multiplicar palavras<br />
separar amantes<br />
exaurir a terra<br />
esquecer o homem<br />
libertar um deus</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Autora do livro 70 poemas, <strong>Ana Peluso,</strong> 1966, abandonou Letras e Psicologia pelo Desenho Publicitário. Não deu certo. Aos treze anos sonhava ser Alquimista. Aos cinco, Bailarina, Pianista, Pintora. Aos sete, Professora. Costumava reescrever Novelas mentalmente. Livros, jamais. Catalogava Folhas colhidas na Rua. Esculpia Bonecos em borracha, Papel e batata. Imaginava um mundo feito de Palitos de Fósforo. Escrevia Diários. Hoje faz Sites em html1, retrô-total. Sempre foi Pisciana, só Parece que não. Os versos aqui publicados são do livro “70 poemas” (Ed. Patuá).</em></p>
</blockquote>



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]]></content:encoded>
					
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		<title>Dedos de Prosa III</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 13:39:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Aden Leonardo]]></category>
		<category><![CDATA[Autópsias de flores. Ou por uma causa mortis]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dançava na terceira lua cheia do ano]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Tenho segredos guardados no escaninho da sala]]></category>
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					<description><![CDATA[Os arremates confessionais de Aden Leonardo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Aden Leonardo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/20.jpg" rel="attachment wp-att-11029"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/20.jpg" alt="Sinisia Coni" class="wp-image-11029" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/20.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/20-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/20-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><strong>Autópsias de flores. Ou por uma causa mortis.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há flores colhidas que resistam ao sol. Colhidas são a pré-morte. Uma espécie de carimbo “frágil” bem ralo, mal batido numa repartição pública mofada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há outras maneiras de deixá-las bem mais mortas. Fazendo confete, carnaval, um segundo de festa com nome polido: homenagem. Sim é possível matar bem mais se você despetalar. Despetalar é autópsia. Descobrir a&nbsp;<em>causa mortis.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acha que é cuidado colher flor em diagonal nas hastes? É lindo campo de flores programadas para datas? É uma carnificina agendada, meu caro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela floreou meu terreno. Meticulosamente ordenou linhas e talas às hastes. Foi ensinando o caminho reto de ser flor. Flor ensinada: assim pode, assim não pode. Nesse dia você venha, no outro se afaste. Tratou como tempestade uma nuvem banal. Deu uma cobertinha coberta de insegurança. Furos por toda parte. Estufa de calor. Água às vezes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adubou, cortou folhas. Fez da flor muito menos que outra. Num dia comercial qualquer vendeu um caminhão bem cheio. Jogou lá como coisa reciclada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pela estrada foram as mortes, cada uma com véu branco na cabeça segurando a decadência da leveza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Única beleza, disse o motorista, como se elas existissem: todas exalam medo silencioso e parecem coração solto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda flor que foi trocada por volta de meio-dia sofre. Quando o telefone tocou e ficou dito “não venha” foi o sol quem cegou e estragou a esperança. Lembrou da sua condução em hastes eretas. Doeu demais ser flor correta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi o sol de meio dia.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dançava na terceira lua cheia do ano.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi vista andando pela cidade novamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela que tentou tanto o não, guardando todas as mazelas debaixo das dúvidas já sofridas e escarnecidas. Falou docemente de nenhuma expectativa, querendo sempre o não, o nunca. Aplicou não nascer. Cobriu sua casa com os mantos das benzedeiras. Deu machadadas na porta para o mal colar e ficar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dava pena&#8230; Dizem que dava pena. Não sei bem. Dançava no vento junto com as sacolinhas plásticas. Abraçava aos sussurros nos muros chapiscados a sua imaginação. Sangrava toda tarde de segunda-feira. Já foi vista à meia noite correndo pela rua. Capturando e bebendo no seu ser a mistura da razão com coisa nenhuma. Foi assunto de dona de casa de cidade pequena. Um boato corria que fazia mensalmente dois vodus com muitas agulhas. Satanicamente dançava na terceira lua cheia do ano. Disse sempre uns berros doidos e roçava seu rosto no chão da dor. Embruteceu sem mais desejos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não houve mais luz do dia, nem distração à toa, nem corrida matutina, nem dia de nada, sequer três de janeiro&#8230; oito, nada&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não impediu. Ficou uma pedra no meio de tantas cores, tanto nada jogado fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Triste ver hoje sua dança ao som de um bandolim imaginário, recitando a história do limbo humano. Canta ela num lirismo antigo: sua papoula de vícios guardados foi colhida inadvertidamente por um encanto, que tolheu seus sentidos. Queimou-se na poção errada. Morreu aos gritos de pavor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobrevive hoje fazendo reza para tirar brabeza de criança. Ri e conta graça. Como todas as flores, essa mulher foi flor colhida, morta, simplesmente ignorada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São raras as replantações de flor. Hoje os vales têm capim. Uma armadura leve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não acha viver ilusão. Acha ilusão o que vê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tenho segredos guardados no escaninho da sala&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quis miseravelmente sua ausência. Sombreei meus olhos com cor de quadro negro antigo. Desenhei duas funções de x. Como me decifraria? Está sempre tão longe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tenho segredos guardados no escaninho da sala dos professores. Alunos obcecados por pontos planejam copiar as chaves. Mas somente eu tenho as provas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sonho aplicar a medonha e fatídica prova final. Escrever bem de vermelho para seus pais verem sua vagabundagem: excesso de faltas. Mas vou te obrigar a ficar horas teimando em resolver. E no fim, bem no fim, quando tocar o sinal, sua súplica será rasgada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada rasgo vai cortar seu coração. A princípio se sentirás injustiçado. Recorrerás aos gritos injuriosos das mais mal amadas das pessoas. Sorrindo sentirei todo rancor dos meus lábios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dizendo silenciosamente que foi ausência. Ausência quem matou todas as aulas. De amor. Nenhuma lágrima. Apenas a dura, fria e calculada reprovação de seus atos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que cresça em outras bandas. Beba e enlouqueça. Que eu já me cobri no inverno infinito para que nada de bom me aconteça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Aden Leonardo</em></strong><em>:</em> <em>pessoa engolidora de choros, por isso sofre de derrames por extensos quase todas as noites. Os assuntos que ela escreve referem-se ao enorme mundo à volta de seu umbigo. Adora escrever e fazer andanças, sobe morros e picos. Suspeita que a felicidade é algo tão difícil de alcançar que deve estar no mais alto ponto do Himalaia. Por isso escala em MG e RJ, vai que existem felicidadezinhas nas montanhas menores? Não suspeita que é escritora, é uma atrevida mesmo.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Aperitivo da Palavra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 13:18:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Jeferson Tenório]]></category>
		<category><![CDATA[O beijo na parede]]></category>
		<category><![CDATA[Quando Deus não está olhando]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[romance social]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Tavares]]></category>
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					<description><![CDATA[“O beijo na parede”, romance de Jeferson Tenório, é o centro das reflexões de Sérgio Tavares
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quando Deus não está olhando</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><em>Por Sérgio Tavares</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/bjonaparede.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/bjonaparede.jpg" alt="bjonaparede" class="wp-image-11861" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/bjonaparede.jpg 300w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/bjonaparede-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Penso que é papel do resenhista analisar um livro onde nem mesmo há literatura. Assim, chama atenção o fato de que, dois anos depois de lançado, “O beijo na parede”, do carioca, radicado em Porto Alegre, Jeferson Tenório, já se achar em sua terceira edição. A despeito da influência (negativa ou positiva) que tal informação carrega, a explicação está exatamente onde há literatura. Tenório resgata, em sua estreia no texto longo, um gênero soterrado nos anos 80: o romance social. Em meio à ditadura do eu, dos enredos autocentrados, autoficcionais, sua trama rebate no outro, no expediente dos desvalidos, daqueles que existem abaixo da linha de visão da soberba. Enquanto a grande maioria dos novos autores brasileiros interioriza seus passos, Tenório caminha mundo afora, pelas vielas do desamparo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O comando da narrativa cabe a João, um menino de 11 anos “meio precoce”, que, embora puxe uma fieira de desgraças e de mortes, aprendeu que “chorar não resolve muita coisa”, pois, “de uma forma ou de outra, temos sempre que carregar alguma dor”. Depois de perder a mãe de maneira fulminante devido a um câncer desconhecido, tem de viver pelos caminhos tortuosos do pai alcoólatra, pela rotina suja dos bares, na qual a negligência e o desafeto impõem a ferocidade do dia que engole o próximo com fome e sem cerimônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do Rio de Janeiro, então muda-se para Porto Alegre, morando de favor na casa de parentes. A rescindência da embriaguez do pai, no entanto, irrompe conflitos e não tarda a serem expulsos, migrando para um quarto alugado, um “muquifo terrível”, em seguida para uma casa velha. Ali é que, depois de voltar da escola, descobre o pai enforcado e que, a partir daquele instante, não teria “mais tempo para ter infância”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passa a contar com a própria sorte, driblando os apuros do abandono com pequenos atos de resistência, até parar num abrigo para crianças. Dessa parte em diante, Tenório filia seu personagem-narrador a uma realidade crua e desesperançosa, antes explorada, na literatura brasileira, pelos olhos de Pixote, de José Louzeiro; Querô, de Plínio Marcos; e Pedro Bala, de Jorge Amado, em “Capitães da areia”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da orfandade, João vai recompondo sua família com despojos sociais; criaturas solitárias, marginalizadas, cuja vida “é feita para passar sem perceber que já se está vivendo”. Vai morar num cortiço, onde é “adotado” pela prostituta Estela. Lá começa a interagir com o travesti Verônica, a senil dona Dinorah e seu Ramiro, com o qual mais se apega. Do tempo em que seus pais ainda eram vivos, protege o fantasma do amor da mãe e um exemplar de &#8216;Dom Quixote&#8217;, que servia de calço para uma mesa. Nessa saga em busca “do responsável pela fraqueza dos homens”, na qual a percepção por vezes ingênua de mundo ainda conserva um risco de esperança, o velho Ramiro faz o papel de um tipo amargurado de Sancho Pança. ”Deus não gosta dos fracos, João”, sentencia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De fato, Tenório deixa muito implícito sob essa camada epidérmica, mais dura e fria tal o concreto da parede que beija o narrador, pois “não tem ninguém para amar”. Por detrás desta voz convincentemente infantil, há ferrões pontiagudos que vão cutucando o leitor para questões como o racismo nos estados do Sul, a crença em pequenas epifanias e o descaso do sistema público para com os menores abandonados. “O beijo na parede” concentra uma existência incapaz de produzir heróis, pois também não consegue criar vilões. Quando Deus não está olhando (e me permito também utilizar de metáfora), todos são seres invisíveis.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Sérgio Tavares</em></strong><em> nasceu em 1978. É autor de “Queda da própria altura”, finalista do 2º Prêmio Brasília de Literatura, e “Cavala”, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura. Alguns de seus contos foram traduzidos para o inglês, o italiano, o japonês e o espanhol. Participa da edição seis da Machado de Assis Magazine, lançada no Salão do Livro de Paris.</em></p>
</blockquote>



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		<title>Dedos de Prosa IV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 13:06:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Lima]]></category>
		<category><![CDATA[lama]]></category>
		<category><![CDATA[Rejeitos]]></category>
		<category><![CDATA[uma palavra e sua sina]]></category>
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					<description><![CDATA[O legado de uma indignação nas linhas de Geraldo Lima]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Geraldo Lima</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/54.jpg" rel="attachment wp-att-11016"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/54.jpg" alt="Sinisia Coni" class="wp-image-11016" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/54.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/54-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;REJEITOS, UMA PALAVRA E SUA SINA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De repente a palavra REJEITOS, feito um monstro de pesadelo, invadiu nosso sono tranquilo, nossa consciência cansada de batalhas vãs, nosso universo cultural saturado de tudo e nada, nosso cotidiano de uma aflição contínua e mórbida. Veio na enxurrada dos acontecimentos imprevistos e indesejados. Saltou dos manuais técnicos das mineradoras e dos órgãos de fiscalização ambiental, dos calhamaços da legislação brasileira, dos discursos vazios e inoperantes, das páginas amarelecidas de jornais e revistas semanais, para o palco do embate verbal que, pelo menos por enquanto, nos lembra da nossa humanidade e do nosso compromisso com a preservação do planeta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então a palavra REJEITOS sempre esteve aí, porém confesso que havia me esquecido da sua existência de coisa nociva e latente, acreditando que uma barragem, por sua musculatura de concreto, rocha e terra, pudesse mantê-la presa <em>ad aeternum.</em> Mas sua presença a partir de agora, sinistra e incômoda, parece-me impossível de ser ignorada, pois sabemos da tragédia que se instala quando ela atinge o pulmão de rios e oceanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra REJEITOS camufla em sua semântica as palavras MORTE e DESTRUIÇÃO. Nela a palavra ESTÉRIL encontra um ventre que lhe dá vida e força. É irmã do ESGOTO e da LATRINA. Mistura-se à LAMA em concubinato suspeitíssimo. Não é palavra em que floresçam o sonho e a esperança. No seu espelho opaco não se reflete a “aurora de dedos róseos” de Homero nem o rosto de Diadorim após um dia inteiro de luta e amor inconfesso. Não há limpidez no seu sentido, não há humanidade no seu emprego. Nela cabem coisas como dinheiro e lucro, poder econômico e descaso, exportação e divisas, negócios e frieza, política e corrupção. Nela só não cabem coisas como oxigênio e cardumes de peixe, crianças nadando no remanso e lavadeiras entoando cantos de labor e festa, bichos saciando a sede e humanos se refrescando do calor. Nela não cabe, enfim, a água límpida (doce ou salgada) em que a vida, na sua multiplicidade, cresce em abundância e alegria.&nbsp; Ela rima (rima pobre, é bem verdade) com DESLEIXO e DEFEITO. Bem poderia ser expulsa de todos os dicionários, mas, em tempos democráticos, não seria de bom-tom uma atitude tão extrema. Então conviveremos com ela, desassossegados sempre? Ou, num gesto de basta, a rejeitamos com tudo que há nela de ferro, alumínio e manganês?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Geraldo Lima </em></strong><em>é escritor, dramaturgo e roteirista. É autor de “Um” (romance), “Baque” (contos) e “Tesselário” (minicontos). </em></p>
</blockquote>



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]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-38/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 12:23:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[André Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[Cristal extremo]]></category>
		<category><![CDATA[Feltro do universo]]></category>
		<category><![CDATA[Flor e Espinho]]></category>
		<category><![CDATA[fragmento]]></category>
		<category><![CDATA[Hegel]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Pedras e Quintais]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Quintais do tempo]]></category>
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					<description><![CDATA[O traço intenso dos poemas de André Rosa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>André Rosa</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/67.jpg" rel="attachment wp-att-11008"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="357" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/67.jpg" alt="Sinisia Coni" class="wp-image-11008" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/67.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/67-300x214.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Flor e espinho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
E vem o amor com seus rompantes<br />
Suas ausências, seus sofrimentos<br />
Trazendo seus zelos, suas impaciências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E vem o amor, martelo agalopado,<br />
Estragos irreparáveis<br />
Com seus olhos de redenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E vem o amor, como se pétala,<br />
Flor e espinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E vem o amor, como se desejado hóspede<br />
De farta mesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E vem o amor, então.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Hegel</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Minto para tecer palavras,<br />
Inventar dialetos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minto como um livro édito<br />
E sua tradução de cogumelos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minto como a noite insuspeita<br />
No alvorecer dos instintos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Cristal extremo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
O algo tranquilo e pérfido<br />
Jantar que esfria, asséptico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O vinil estanque no risco,<br />
Estrofes de um mesmo ruído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O copo, cristal intrépido,<br />
No muro que insiste extremo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tapa que não levo, mas percebo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Feltro do universo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Eu,<br />
Absurdo concreto,<br />
Findo-me em camas<br />
De feltro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minhas mulheres,<br />
As abduzo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu,<br />
Universo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedras e quintais</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Toco a tua pele esquecida nos quintais<br />
E alcanço os teus gestos inatingíveis<br />
Que habitavam a minha rua de pedras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Beijo o teu ouvido aberto em rosas surpresas<br />
E em páginas escritas a vinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conjugo o teu verbo peculiar<br />
E amasso entre meus dedos<br />
O barro escuro do teu olhar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desfaço os pedaços do Cristo<br />
Suspenso e trajado, imagem de madeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Fragmento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Quando os versos do equilíbrio soam<br />
Nos degraus rangentes<br />
As imagens quebram-se.<br />
Imenso gesto solar de um dia público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fragmento arqueja<br />
Ávidos e únicos,<br />
Seus instintos de pedaço sobejam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>André Rosa</em></strong><em> nasceu em Ilhéus-Ba. É &nbsp;graduado em História com Pós-Graduação em História regional (UESC). Fez Mestrado e Doutorado em História social (UFBA). Autor dos livros: “Ilhéus: tempo, espaço e cultura” ; “Família, poder e mito” ; “Memória e identidade”; “Quintais do tempo”.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-41/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Dec 2015 15:40:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[106ª Leva - 09/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[A identidade das mãos]]></category>
		<category><![CDATA[Cadernos de esgrima]]></category>
		<category><![CDATA[Infâmia escarlate]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Lâmina para o menino nu]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Rita Medusa]]></category>
		<category><![CDATA[Uma cama para ninar teus colapsos]]></category>
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					<description><![CDATA[A atmosfera instigante dos poemas de Rita Medusa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Rita Medusa</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/sinisiaconi-in.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/sinisiaconi-in.jpg" alt="sinisiaconi in" class="wp-image-11863" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/sinisiaconi-in.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/12/sinisiaconi-in-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Sinisia Coni</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lâmina para o menino nu</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Doura um colar de ossos<br />
Na tua tormenta</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o trânsito desta fome<br />
Desola jugulares</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ranger da tua arquitetura<br />
arruinou meu sorriso</p>



<p class="wp-block-paragraph">[Meu coração<br />
no retrato 3&#215;4<br />
lambe tua porta]</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Uma cama pra ninar teus colapsos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
você é o sonho dentro do sonho<br />
uma pérola te cuspiu depois de uma viagem de ácido<br />
Banido dos alarmes<br />
já não pode contrabandear usinas internas<br />
e maquiar formigas<br />
Teu lençol canonizado é a casa dos aflitos<br />
Bebem da tua cicuta os desavisados<br />
exalam da tua doçura uma espécie de ferida<br />
e fazem da tua língua uma lança</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caem na tua cilada os lascivos<br />
e eu que não sou diferente, decorei os passos até o oráculo<br />
fui tomada por um êxtase cego<br />
Contornando fantasias de tigres com os cílios<br />
enquanto as aves de rapina te observam<br />
envenenando a gravidade dos meus sonhos<br />
Me preparo para o próximo salto<br />
nas escadarias da saída de emergência<br />
Não finjo indiferença<br />
prolongo a tessitura solar<br />
com devoção maníaca<br />
é o que me restou de essência<br />
pra te cantarolar as delicias terríficas<br />
enquanto você deita no colo da tempestade<br />
pra parar de me sonhar</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>A identidade das mãos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
somos bombas ambulantes que adoram<br />
.detectar a identidade das mãos<br />
nossa cama de colapso<br />
a inspiração das ruínas que nos protege<br />
somos belas catástrofes cativando um odor de esquadros<br />
com nossas armas e delírios de controle<br />
arrastando corações sombrios e uma forma de amar inconveniente<br />
instrumentos musicais, trapos sujos com orações, apelos e a violência do nosso olhar<br />
a identidade das mãos pode ser um borrão avermelhado<br />
que não sabe dormir<br />
porque o hoje é um cansaço que o sono não cura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Infâmia escarlate</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
exausta<br />
de não ser lida<br />
de não ser despida<br />
estranhamente interpretada<br />
cuspida e desastrada<br />
fermentada na tua bebida<br />
cultivando línguas inventadas<br />
era escândalo e desabamento do carrossel das injúrias:<br />
atropela-me novamente com teu desejo<br />
não me deixa dizer mais nada</p>



<p class="wp-block-paragraph">colecionadora de fracassos<br />
e dos céus inflados<br />
da lascívia roubada<br />
antes de lavar a carne<br />
para não dormir</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cadernos de esgrima</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">imagina enquanto costura danos no papel<br />
a ausência da carne, da água, do amor, das armadilhas<br />
das ilhas que surgiam entre eles quando as portas se fechavam<br />
havia janelas por onde a corda os enlaçava<br />
havia porões onde esconder as meias verdades<br />
mas nunca mais houve saída<br />
e eles exerciam o amor ao som da grande desolação<br />
com seus serrotes e violinos e batuques coronários<br />
o verbo da pele empurrando os nervos<br />
escada abaixo<br />
para o mistério da espiral<br />
na sombra da estrada paradisíaca<br />
pela profundidade do canto das cordilheiras<br />
no soco que transformamos em medalhas<br />
e os beijos que se revelam chagas<br />
depois que o livro fecha<br />
e eles escorrem como tinta<br />
andando desencarnados nas fronteiras<br />
entre a palavra e o silêncio<br />
um hiato de desejo<br />
desatina</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Rita Medusa</em></strong><em>, paulistana, nascida em 1980, formada em Psicologia. Escreve para sobreviver a si mesma. Os poemas selecionados fazem parte do seu primeiro livro de poesias, “Hipnose para um incêndio”;&nbsp;a ser lançado futuramente. </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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