<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>108ª Leva &#8211; 02/2016 &#8211; Diversos Afins</title>
	<atom:link href="https://diversosafins.com.br/diversos/category/outras-levas/108a-leva/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://diversosafins.com.br/diversos</link>
	<description>entre caminhos e palavras</description>
	<lastBuildDate>Wed, 12 Nov 2025 12:03:10 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0</generator>

<image>
	<url>https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2026/05/cropped-ico-diversos-32x32.png</url>
	<title>108ª Leva &#8211; 02/2016 &#8211; Diversos Afins</title>
	<link>https://diversosafins.com.br/diversos</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Ciceroneando</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/ciceroneando-42/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Feb 2016 13:03:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[108ª Leva]]></category>
		<category><![CDATA[Bolívar Landi]]></category>
		<category><![CDATA[Carol de Bonis]]></category>
		<category><![CDATA[Cazzo Fontoura]]></category>
		<category><![CDATA[ciceroneando]]></category>
		<category><![CDATA[Cinthia Kriemler]]></category>
		<category><![CDATA[Clarissa Macedo]]></category>
		<category><![CDATA[editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Israel Azevedo]]></category>
		<category><![CDATA[Leandro Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Lelita Oliveira Benoit]]></category>
		<category><![CDATA[Maurício de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Nathan Sousa]]></category>
		<category><![CDATA[Reinaldo Azevedo]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Laf]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[Sylvio Fraga]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Mourão e Natalia Borges Polesso]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11552</guid>

					<description><![CDATA[Editorial da 108ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/10-1.jpg" rel="attachment wp-att-11554"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/10-1.jpg" alt="Ricardo Laf" class="wp-image-11554" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/10-1.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/10-1-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/10-1-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Ricardo Laf</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A todo o tempo, flertamos com histórias possíveis. São relatos impregnados do algo real, dum processar de cenários atravessados. Quiçá nosso antigo hábito remonte à memória, esse casulo de ressonâncias vividas e também inventadas. Haveria uma linha a dividir realidade e invenção? Ou será que ambas vertentes não estariam mescladas naturalmente? De todo modo, é muito difícil criar algo de caráter ficcional sem trazer à baila referências que nos constituem em vida. Seria então impossível um deslocamento absoluto daquilo que somos se o intuito é criar outra dimensão a ser apresentada? Quanto mais aprofundamos a questão, as interrogações parecem se multiplicar. Mas é salutar não ter respostas para tudo, principalmente quando o tema é conceber aquilo que se materializa pelo lume do nosso olhar. Quem cria naturalmente estabelece filtros de acordo com suas vivências. Pressupõe-se algo inalienável. Do contrário, pareceria estranho estar fora de tudo e, desse modo, aceitar uma presença criativa de algo que está além de nós e que, ao menos nos domínios mais plausíveis, não nos pertence como referência direta e tangível. E não está aqui a se falar na capacidade de transcendência, recurso de muitos criadores, mas da assunção de energias meramente geradas ao acaso. Talvez a melhor resposta esteja na manutenção da dúvida. Daí, cada autor fica responsável por conduzir métodos que nos ofertem resultados a serem apreciados em forma e conteúdo. E assim vai girando a roda viva das produções em matéria de arte e literatura. Repercutindo identificações e sugestões, desfilamos agora através dos versos de <strong>Cazzo Fontoura</strong>, <strong>Carol de Bonis</strong>, <strong>Leandro Rodrigues</strong>, <strong>Israel Azevedo </strong>e <strong>Lelita Oliveira Benoit.</strong> Apresentando suas impressões sobre o romance de estreia de <strong>Maurício de Almeida</strong>, “A instrução da noite”, <strong>Rafael Gallo </strong>edifica algumas atentas linhas. <strong>Clarissa Macedo </strong>entrevista o poeta piauiense <strong>Nathan Sousa</strong>. Recortes de vida entremeiam as narrativas de autores como <strong>Cinthia Kriemler</strong>, <strong>Thiago Mourão</strong> e <strong>Natalia Borges Polesso</strong>. Descortinando paisagens urbanas, o fotógrafo <strong>Ricardo Laf</strong> expõe um variado painel de seu trabalho. Ainda a descoberta do novo disco do poeta, cantor e compositor <strong>Sylvio Fraga</strong>. Em mais uma sugestão de leitura, <strong>Sérgio Tavares </strong>aponta para “Julho é um bom mês pra morrer”, livro de <strong>Reinaldo Azevedo</strong>. Na sua cinéfila resenha, <strong>Bolívar Landi </strong>escreve sobre a delicada temática presente no filme “O Quarto de Jack”. E assim ergue-se uma nova edição da Diversos Afins, com outros caminhos a serem atravessados. Seja bem-vindo à 108ª Leva, caro leitor!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivopalavraii-8/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Feb 2016 12:13:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Julho é um bom mês para morrer]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Menezes]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[Voz assombrada por fantasmas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11542</guid>

					<description><![CDATA[Sérgio Tavares resenha o novo romance de Roberto Menezes
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Voz assombrada por fantasmas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><em>Por Sérgio Tavares</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-11.jpg" rel="attachment wp-att-11544"><img decoding="async" width="287" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-11.jpg" alt="Julho é um bom mês pra morrer" class="wp-image-11544" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-11.jpg 287w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-11-191x300.jpg 191w" sizes="(max-width: 287px) 100vw, 287px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">É possível definir o procedimento narrativo de “Julho é um bom mês pra morrer”, do paraibano Roberto Menezes, num trecho extraído de suas próprias páginas: “um trem desgovernado tentando governar um trem desgovernado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois, a despeito do argumento central coeso, a contextura tem a diluição de um curso torrencial, “uma enxurrada”, o descompasso de uma voz que, tentando agarrar-se à lucidez, empreende contato com um interlocutor, alguém que talvez não exista, um contato com a própria inexistência. Tal voz pertence à Laura, uma jornalista desempregada, de trinta e cinco anos, que administra um blog em meio à impossibilidade de administrar uma decisão judicial que a obriga a deixar seu apartamento, em razão de o prédio estar em vias de ser demolido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O romance se desenrola nessas últimas horas de resistência, em que, contra a parede, ela decide escrever uma carta para a mãe que a abandonou ainda na infância, compondo um misto de desabafo, condenação e despedida. Por conta do tenso das circunstâncias, o relato acaba por incorporar a urgência e a ameaça do esboroamento, desmontando o tempo cronológico num tempo da memória, a sequência não-linear dos fatos rebobinados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A protagonista, desse modo, persegue culpados e acaba por desencovar culpas. Evoca a presença afetiva da avó, do pai e dos irmãos, e descarrega a voltagem de derrotas e enganos na ausência materna, nos fracassos amorosos de idade e gêneros distintos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso é que, no avançar da tessitura confessional, todos vão se revelando, com mais ou menos gravidade, culpados. Inclusive a própria protagonista, que carrega consigo o fantasma de uma perda insuperável. Laura é um oco, um apartamento vazio, uma voz assombrada por fantasmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Menezes se arrisca ao construir uma narrativa mobilizada pela tensão, em que os fatos se fragmentam e se reencaixam entre saltos de capítulos, porém há no autor um domínio técnico capaz de transformar a desordem numa leitura instigante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que pese o excesso de frases de efeito (“Deus é o vício das coisas”, “Milagre é a poesia do acaso”, “Esperar é o pior jeito de aguentar a dor”), a maioria é bem colocada e funciona na excursão frenética de Laura pela fronteira entre o devaneio e a realidade. De fato, sob esses blocos de escombros, o romance conserva um fino de poesia, um lirismo pego meio de soslaio antes de a palavra chocar-se contra o concreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“&#8217;Eu sou o vento, você é o moinho; eu sou o monho, você é o vento&#8217;. E começava a adormecer, e a voz foi indo indo, e eu só ouvia você dizendo, &#8216;Vou indo baby, vou indo baby, vou indo&#8230;&#8217; O sonho virou um sonho branco. Dormi tranquila.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não, não nascem asas quando se perde o chão. Nascem outros chãos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Menezes ainda demostra habilidade em usar da experiência dramática de sua protagonista para remontar os cenários socioeconômicos que tiveram impacto em determinados momentos de sua vida, numa analogia ao impacto que estes tiveram para o Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da abertura política, na década de 80, que trouxe a reboque a hiperinflação, ao Governo Lula e o sobrepeso de crédito para o mercado imobiliário, a escalada dos anos são como estágios de uma longa queda, uma contagem regressiva rumo a julho, a um inferno que, como classifica a própria narradora, é “o reino das memórias”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao leitor, cabe testemunhar a potência desse inferno, então.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Sérgio Tavares</em></strong><em> nasceu em 1978. É autor de “Queda da própria altura”, finalista do 2º Prêmio Brasília de Literatura, e “Cavala”, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura. Alguns de seus contos foram traduzidos para o inglês, o italiano, o japonês e o espanhol. Participa da edição seis da Machado de Assis Magazine, lançada no Salão do Livro de Paris.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-43/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-43/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Feb 2016 12:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[1915]]></category>
		<category><![CDATA[Espectral XV]]></category>
		<category><![CDATA[Estetino (ou no caminho com Bukowski)]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Leandro Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Metodologia do nada]]></category>
		<category><![CDATA[Mordaça]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Raízes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11533</guid>

					<description><![CDATA[Arremessos insones nos versos de Leandro Rodrigues
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Leandro Rodrigues</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-12.jpg" rel="attachment wp-att-11537"><img decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-12.jpg" alt="Ricardo Laf" class="wp-image-11537" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-12.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-12-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-12-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Ricardo Laf</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1915</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">desconheço cada resistência/ os golpes em vão<br />
o grito amargo dos cavalos ao meio-dia<br />
a impressão inexata do que é cáustico<br />
louco<br />
a inexpressiva exatidão do que é risco<br />
sombra/ espasmo<br />
livre ressonância do espelho fragmentado<br />
opressivo/ esfacelado<br />
mil cacos pontiagudos na face do nada<br />
na face do nada</p>



<p class="wp-block-paragraph">e em frente ao rever os cavalos &amp; seus gritos<br />
o meio-dia fragmentado exposto cru entrelaçado<br />
corte recorte sombras opressivas<br />
gritos despojados em arestas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>ESPECTRAL XV</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poucos espelhos se mantêm intactos<br />
e em cada rosto que se quebra<br />
a marca fria da cicatriz disforme<br />
caleidoscópio antigo em que outras faces<br />
se cruzam como espectros soturnos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apunhalei girassóis com minhas palavras trincadas<br />
e os dentes servis degustaram ódios e crimes<br />
com pompas de quem salpica a noite com versos do mais impuro sangue</p>



<p class="wp-block-paragraph">mas estive mesmo pleno &#8211; em vôo e concisão<br />
nessa lua avulsa e desmedida:</p>



<p class="wp-block-paragraph">traga teu punhal para desferirmos juntos os golpes precisos<br />
nessa poça avermelhada em que todo sangue derramado<br />
encarna a luminosidade branca do satélite rústico<br />
que paira inútil sobre nossas ocas cabeças tristes<br />
como a demarcar as imaginárias fronteiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RAÍZES</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrevo torto em desmedida decomposição<br />
Não tarda abreviarmos tudo<br />
Reinvento desenhos com simetrias descentralizadas<br />
Não descendo de nada<br />
Agora apenas traduzo as formigas e o que mais arrastam<br />
Ciprestes imóveis em horas mudas<br />
Descascados túmulos em que os insetos adentram<br />
Para criar raiz nos mortos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>MORDAÇA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem cor, sem tez, sem pulso<br />
Rareiam as palavras<br />
Mas não os golpes/ a tortura<br />
Receio<br />
Cada outro porto que não se atraca<br />
Cordilheiras de um fauno intacto<br />
Despojados de sua carne e vísceras,<br />
Como outras requentadas agonias fúnebres<br />
Homens chegam sedentos, cuspindo fuligens-terçãs<br />
Em San José um mártir recita versos e se cala subitamente<br />
frente ao muro caiado<br />
Em San Martín uma camponesa estende a sopa rala<br />
para quem puder pagar<br />
Depois recolhe a toalha, pois a noite já vem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>METODOLOGIA DO NADA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
estendo as palavras no curtume<br />
as que ainda respingam sangue<br />
servem para o poema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>ESTETINO (OU NO CAMINHO COM BUKOWSKI)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Anoiteço<br />
Com longos versos de bukowski<br />
Num caminho aberto<br />
de chumbo e cipreste,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a boca turva/ calada<br />
mortalha desfiada<br />
pelo uivo da matilha,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos golpes precisos/<br />
aniquilada-<br />
matéria finda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos sabem quem são os ladrões<br />
desse inverno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem furta a noite, o soco<br />
E vomita seu limbo<br />
na fresta da lua às mínguas/<br />
lua restrita/ dura,<br />
exilada no porão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos sabem.<br />
Ou fingem saber<br />
dessa tragédia monótona/ manchada<br />
desprovida de carne/ esfacelada<br />
pelo antepassado açoite de metal,<br />
ranhuras profundas/ espirais de aço<br />
jardins de fuligens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">dos galhos secos enfeitados<br />
o grito aflito-presente/ ressente<br />
poema torto &#8211; em alto-relevo,<br />
desdobrada agonia/<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. ..</span>corrosivo-desprezo,</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>nas obscuras pétalas de óleo<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>improváveis marcas de sangue<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>da cidade muda/ disforme.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Leandro Rodrigues</em></strong><em> nasceu em Osasco, São Paulo, onde reside. Formado em Letras &#8211; Pós-Graduado em Literatura Contemporânea. Professor de Literatura Brasileira. Sua poesia busca traduzir parte da fragmentação e fuligem de uma São Paulo sombria, opressora, mas efervescente. Também é autor do blog poético </em><em>nauseaconcreta, e um dos autores da Revista Zona Da Palavra. Possui poemas publicados em diversos sites e revistas literárias.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-43/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Drops da Sétima Arte</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dropssetimaarte-9/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/dropssetimaarte-9/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Feb 2016 11:52:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Bolívar Landi]]></category>
		<category><![CDATA[Drops da Sétima Arte]]></category>
		<category><![CDATA[O quarto de Jack]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2016]]></category>
		<category><![CDATA[Room]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11529</guid>

					<description><![CDATA[O filme “O quarto de Jack” na ótica de Bolívar Landi ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Bolívar Landi</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Quarto de Jack (Room). Canadá/Irlanda.2015.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/CAPA-M.jpg" rel="attachment wp-att-11561"><img loading="lazy" decoding="async" width="306" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/CAPA-M.jpg" alt="Cartaz- O quarto de Jack" class="wp-image-11561" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/CAPA-M.jpg 306w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/CAPA-M-204x300.jpg 204w" sizes="auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas obras parecem ganhar vida própria e chegam a superar as intenções do artista, produzindo sentidos nem mesmo imaginados por seus criadores. Geralmente, quando isto ocorre, temos como resultado pequenas obras-primas. “O Quarto de Jack” pode enquadrar-se neste perfil. A situação apresentada pelo filme surge apenas como um pretexto para que se exponha todo um universo de percepções e sentimentos que permeiam o espírito dos homens. Ele assume, assim, uma linguagem metafórica, tornando-se uma peça em aberto cujo sentido não cabe mais nos limites de uma tela ou nas quatro paredes que conferem título à película. Ela alcançará uma linguagem universal que falará de uma forma íntima e evocará questionamentos e respostas particulares em cada espectador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A produção começa de forma despretensiosa e, em pouco tempo, assume um clima claustrofóbico e sufocante que vai fluindo até que cada peça do quebra-cabeças venha a se encaixar lentamente. Tudo é feito com grande elegância na condução das câmeras e no enquadramento de cada mínimo objeto disposto em cena. Aos poucos, envolvemo-nos em uma intrigante trama até termos a dimensão do horror a que seus personagens estão submetidos. Contar um pouco da história certamente irá comprometer o caráter surpreendente do roteiro e os completamente desavisados irão aproveitar bem mais as nuances que o filme tem a oferecer. Os que já conhecem a sinopse da trama, contudo, podem seguir a leitura deste texto sem maiores problemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brie Larson, vencedora do Oscar de melhor atriz por seu desempenho neste filme, interpreta uma jovem sequestrada aos 17 anos e vive, há sete, confinada em um minúsculo cativeiro que divide com seu filho de 5 anos. O garoto, representado por Jacob Tremblay, traz as mais tocantes cenas do filme. O exíguo quarto é o único mundo que ele conhece e, através do seu olhar, somos convidados a considerar que as limitações do espaço e das circunstâncias não são suficientes para eliminar a magia e beleza de cada coisa. Isto não serve, contudo, de artifício para apresentar uma visão romanceada dos acontecimentos. A realidade é mostrada em toda a sua crueza e complexidade, demonstrando que não há soluções simples para casos assim e marcas profundas estarão sempre expostas na vida dos personagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Brie-Larson-e-Jacob-Tremblay-em-cena-de-O-quarto-de-Jack-1.jpg" rel="attachment wp-att-11567"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="282" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Brie-Larson-e-Jacob-Tremblay-em-cena-de-O-quarto-de-Jack-1.jpg" alt="Brie Larson e Jacob Tremblay em cena de O quarto de Jack" class="wp-image-11567" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Brie-Larson-e-Jacob-Tremblay-em-cena-de-O-quarto-de-Jack-1.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Brie-Larson-e-Jacob-Tremblay-em-cena-de-O-quarto-de-Jack-1-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Brie Larson e Jacob Tremblay em cena do filme &#8220;O quarto de Jack&#8221;/ Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra é baseada no romance homônimo, lançado em 2010, pela irlandesa Emma Donoghue, também responsável pela adaptação do roteiro para o cinema e, embora este não seja fundamentado&nbsp;em fatos reais, inspira-se em casos similares amplamente noticiados pela mídia. Lenny Abrahamson, compatriota da escritora, realiza uma direção segura e consegue fazer um filme muito eficiente com um custo relativamente baixo para os padrões atuais da indústria cinematográfica. Tanto a autora quanto a direção receberam a indicação para o Oscar em 2016 e a produção concorreu à categoria principal de melhor filme.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A película traz questões caras ao nosso tempo como o isolamento, a construção de laços afetivos, o sentimento de inadequação, a busca pela essência e, em algum ponto, acabamos por nos identificar com os seus personagens. Enfim, deparamo-nos com sentimentos à flor da pele em uma das obras mais contundentes dos últimos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/IeM5qJp2v8Y" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Bolívar Landi</strong> é formado em Comunicação Social e História, permanentemente encantado com a capacidade do cinema de reunir em um só espaço múltiplas linguagens e expor confidencialmente as minúcias da alma humana.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://diversosafins.com.br/diversos/dropssetimaarte-9/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética IV</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iv-45/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Feb 2016 01:02:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[aurora e crepúsculo]]></category>
		<category><![CDATA[em abismos de ser outro]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Lelita Oliveira Benoit]]></category>
		<category><![CDATA[o oculto]]></category>
		<category><![CDATA[oco do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[sem asas]]></category>
		<category><![CDATA[sentido oposto]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11512</guid>

					<description><![CDATA[O lirismo acolhedor dos versos de Lelita Oliveira Benoit]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Lelita Oliveira Benoit</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-10.jpg" rel="attachment wp-att-11517"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-10.jpg" alt="Ricardo Laf" class="wp-image-11517" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-10.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-10-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-10-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Ricardo Laf</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>O OCULTO</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">terras sob terras ocultadas de mim<br />
se alçam à magia do visível<br />
sem aviso sem aviso</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">de você olho paisagens por mim ignoradas<br />
tingidas de luz fervescente em indecifrável brilho<br />
espetáculo do oculto secreto segredo<br />
agora desvelado aos meus olhos<br />
em inacreditável fulgir<br />
desde sempre para sempre</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">ah me cegam! cegam tanto!<br />
os meus vacilantes olhos desavisados<br />
de tais ondulações frenéticas luz enigma<br />
a habitar em terras de você subsolo longínquo<br />
por mim dantes nunca visitadas</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>AURORA E CREPÚSCULO</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">sou eu a aurora plena de luz<br />
o iluminado dia sou eu<br />
poucos segredos guardo<br />
olhar aberto ao mundo<br />
acolher o outro espero</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">o crepúsculo é você percebo<br />
em penumbras e horas silenciosas<br />
noites chegando sem fim<br />
em sombrias névoas esvoaçantes<br />
segredos secretos segredos<br />
nebulosas esquinas ocultas</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">vezes há que percebo intuindo<br />
escura nuvem sorrateira invadindo<br />
entrando em porta da solar luz<br />
não quero resisto suplico<br />
aurora é o meu iluminar penumbras<br />
aurora é acolher o crepúsculo em belos dias</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OCO DO MUNDO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">era você aquele anjo escondido atrás da porta envenenando minhas horas tão encoberto parece que era esse anjo assustado fugindo de mim talvez me querendo ainda escondido atrás da porta me olhando em fugas em retornos no tempo que escorre pelas paredes da vida do anjo enfeitiçado vindo de algum inferno detrás de outras portas ocultando de mim maléfico segredo nem sei nem sei ainda nem sei se saberei algum dia se era você aquele anjo de asas vermelhas a voar a voar voando até se perder em mim até o oco do mundo</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>SEM ASAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">há palavras assim saudades<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>lá nem sei onde é<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>longe sempre muito longe<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>lá ficam<br />
as saudades sentidas<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>aqui no meu coração pulsam apressadas saudades feitas de<br />
carne e sangue<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>sendo a eternidade que insiste em ficar parada<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>qual qualquer nada<br />
me envolvendo em vazios ofegantes<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>saudades de você confundem atropelos dos<br />
meus pés alados<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>assim estando sem voos<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>sem asas</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>SENTIDO OPOSTO</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">enquanto escrevem pedra<br />
corpo eu escrevo<br />
enquanto escrevem morte<br />
asas eu escrevo<br />
enquanto escrevem vazio<br />
coração eu escrevo</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">corpo asas coração<br />
a vida resistindo persistente<br />
no sentido oposto à vaga frieza<br />
e vazia e endurecida e morta<br />
do mundo petrificado em múltiplos nadas</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>EM ABISMOS DE SER OUTRO</strong></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">a dança dos meus leves poemas livres velas ao vento<br />
aporta em distantes países enigmas de você!<br />
azul seta a levar suave meus estilhaços poéticos a teu triste coração ferido<br />
em alegrias jubilosas em graciosas palavras doces<br />
assim são acolhidos os meus líricos versos<br />
no regaço do teu intenso coração<br />
e sei bem que isso acontece<br />
para mim porém o teu coração em melancolias desfeito está<br />
eis você inalcançável em abismos de simplesmente ser outro<br />
ah amado amor desconheço como caminhar para bem pertinho<br />
até tocar o teu sensível coração solitário<br />
desejo tanto lá aportar hora qualquer em madrugadas talvez<br />
igual aos meus românticos versos</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Lelita Oliveira Benoit</strong></em><em>&nbsp;</em><em>aproximou filosofia e poesia. Escreveu tese de Doutorado na Universidade de São Paulo &#8211;&nbsp;</em><em>Sociologia comteana: gênese e devir,</em>&nbsp;publicada no Brasil (Discurso Editoral, 1999), com indicação ao Prêmio Jabuti e vertida ao francês (Harmattan, 2007). Publicou o&nbsp;<em>Livro da Madrugada</em>&nbsp;(e de outras enigmáticas horas amorosas) (Iluminuras, 2013). As incursões na filosofia e na poesia resultaram em estudos no Instituto Sedes Sapientiae e na formação em psicanálise na Clínica Lacaniana de Atendimento e Pesquisas em Psicanálise<em>(Clipp).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-42/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2016 15:16:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Dose fatal]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Mourão]]></category>
		<category><![CDATA[Tim tim]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11492</guid>

					<description><![CDATA[Dois inéditos contos de Thiago Mourão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Thiago Mourão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-6.jpg" rel="attachment wp-att-11493"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="375" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-6.jpg" alt="Ricardo Laf" class="wp-image-11493" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-6.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-6-300x225.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Ricardo Laf</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tim tim</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixei minha covardia alimentar-se das decepções; não fui mulher pra te encarar, fazer de ti o homem que eu queria. Na cama e fora. Porque eu adoro quando seguras firme meu quadril e entras em mim, deixando que eu sinta cada milímetro do seu pau enrijecido e babado, num incontrolável desejo de ir além e gozas dentro ou em cima de mim, e, com a cara vermelha, dás um lindo sorriso despencando ao meu lado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E você me dizia coisas doces no ouvido e me fazia surpresas, me deixando a mulher mais encantada e encantadora do mundo. Ficava segura quando pegavas em minha mão pra atravessar a rua. Assim, atravessaria cegamente qualquer avenida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas meu orgulho não pode ser ferido desta forma, Lelo. Sou, como você chama com seu machismo, descontrolada. Faço qualquer loucura em autodefesa. Mas quando a lucidez do passional volta, Lelo, ela chega como uma ressaca moral sem remédio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Você era a ponte da felicidade, o problema de todas as razões e a solução de todos meus distúrbios. A cura de feridas antigas, e a abertura da cárie do amor. Duvido se, onde estiver, não sentirá falta das minhas lembranças sobre os horários dos remédios, saber se você tinha lanchado de acordo com o que recomenda uma vida saudável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E deves, neste exato momento, sentir falta da minha mão acariciando levemente seu braço, suas costas, te dando a certeza que há uma mulher de verdade ao seu lado. Eu sinto saudade da sua pele, dos seus pelos, do cheiro do seu perfume no pescoço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas eu não sou submissa, por mais que ame e por mais que tenha te amado. Eu não aceito certos desmandos, de homem nenhum. Nunca aceitei, Lelo. E olhe que te amei e assim continuo. Tenho meus olhos cheios d´água e não sei exatamente porquê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por alguns milésimos, o arrependimento vem e, junto com ele, lágrimas salgadas de derrota, de covardia. Mas, por outros milésimos, penso que foi melhor assim, pra que não haja mais machucado na alma, nem sangue na mão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não quero fazer deste momento um drama, nem uma comédia, nem uma terapia mórbida, isto não é do meu feitio. Mas, enquanto te falo algumas palavras, meu coração se enche e eu tenho um imenso desejo de que me ouça. Ao menos, uma vez na vida, me ouça, Lelo, perceba o mal que você me faz em poucos minutos; em comentários desnecessários; em condenáveis faltas de atitude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas além de tudo, quero muito que saiba de uma coisa: você vai estar dentro de mim, sempre. Dos meus gestos, da minha cabeça, da minha alma, da minha pele, de tudo que dirá respeito a mim como mulher. Porque assim me fizeste e me tornaste uma dama com seu cavalheirismo e companheirismo. Mas tudo se acaba em segundos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o momento de eu olhar seus olhos fechados, descansados, sua expressão de dor, e pensar nos bons tempos, pra achar alguma piedade em meio a esta cratera no meu orgulho. E encontro. Facilmente encontro, Lelo. Encontro bons tempos na nossa história. E tudo isto me faz sorrir. E é um sorriso diferente de todos que já experimentei. Do orgulho de mulher bem amada e o sorriso de mulher bem vingada. Eu vejo um anjo neste momento, que há pouco era um demônio algoz da minha feminilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saudade virá de tempos em tempos, arrebatadora como um tufão. Mas logo logo algum cavalheiro macho dará mais áurea a meu orgulho feminino e me fará ainda mais mulher, deixando-te apenas como especial. Alguém especial na minha trajetória. E nada mais. Talvez, Lelo, eu nem pense mais em você como homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E como sei que estará para sempre dentro de mim, vais ver os homens bonitos com os quais dormirei em Bali. Vais se banhar comigo nas praias paradisíacas, beber drinks com guarda-chuvinhas na borda do copo e azeitona. Se algum dia pensar em você com muito carinho, Lelo, prometo fazer-te a graça que sempre quiseste e deitarei com outra mulher. Que achas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É estranho não sentir suas mãos acariciando as minhas de volta. Cada passo sem você, pelo menos neste início, vai ser muito estranho, tudo se tornará opaco, vazio&#8230; falta seu delicado toque de dedos em minhas mãos agora e falta sua voz em meus ouvidos e seu pau na minha buceta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Você está quase gelado. Sinto seu dedo duro. O sangue está secando e fazendo uma gosma nojenta e eu esfrego em meu nariz, numa tentativa de colocar pra dentro seu cheiro, seus nutrientes, seus anticorpos &#8211; a química que equacionou com a minha e resultou em cumplicidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A temperatura do seu corpo alcança meu coração e me traz uma sensação de medo horrorosa. Eu queria de verdade era ficar ao lado do seu corpo pelo resto da minha vida. Mas com você assim, Lelo, sempre quieto e enrijecido. Frio, pra não ferir meu orgulho de mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sei se tenho forças pra continuar, não sei se estou mesmo a fim de ver o mar de Bali ou tsunamis da Indonésia sem você fisicamente comigo. Meus desejos estão postos à prova, sendo encurralados, interpelados pelo machismo que carregas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não vou sozinha pra Bali, Lelo. Eu vou me entregar aqui mesmo. Tenho que engolir o sangue do meu orgulho, respirar fundo e voltar à vida real. Preciso olhar-te nos olhos e encostar minha taça na sua, respondendo-te <em>a nós</em>, selando ainda mais minha condição ao seu lado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sinto-me livre nestes pensamentos que insistem em cercar meu universo interno cada vez que vejo seu olhar cínico; sua arrogância machista. Imagino o que o destino teria nos reservado, caso estas cenas de despedidas, que insistem em rondar meu cérebro, fossem reais. Bom, o seu futuro não seria difícil de adivinhar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Busco em você tudo que não podes me dar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, eu saio destes pensamentos loucos que se fazem e desfazem em segundos da sua arrogância e brindo com você, Lelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu homem. Meu companheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Aos dez anos de casados. E que venha a segunda lua de mel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bali!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Tim tim</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dose Fatal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu havia pedido apenas uma xícara, algo leve, o suficiente para me manter de pé e seguindo adiante, não tinha tempo para marcha ré. Foi meu amigo Grático quem me serviu dizendo que eu tomasse cuidado, pois era uma dose pequena, mas era uma dose forte. Eu falei a ele que estava acostumado com xícaras daquele tamanho e ele me disse que o problema não era a xícara, era a colher. A colher era pequena por demais, bonita até, quase sumia na mão dele antes de me entregar. Eu sorri quando a vi e perguntei que mal algo tão diminuto poderia provocar, até porque quando eu a usasse ela sumiria de vez e junto com o conteúdo da xícara e com a própria xícara, tudo entraria em mim e faria parte de mim, eu absorveria aquilo tudo e manteria meu caráter. Meu amigo riu e disse que não era bem assim porque eu não estava acostumado com a concentração de palavras, letras, ciências, astrologias e orgias que tinha ali naquele recipiente. Na hora, eu levantei a sobrancelha, peguei na colher fazendo-a sumir entre meus dedos e rodei, lentamente, a xícara. Vi aquele emaranhado de dizeres e regras e verdades misturar-se, pronto para encarar meu suco gástrico e meu amigo disse novamente que aquela pitada de matemática poderia me deixar infeliz, mas eu o tranquilizei porque disse que cinco mais cinco era vinte. Mas logo ele ficou nervoso de novo porque quando coloquei a ponta da porcelana na minha boca, ela era tão ácida, que queimou um pouco do meu lábio e meu amigo Grático mandou eu ir mais devagar e eu disse que não tinha tempo para marcha ré nem para paradas muito longas e deveria tomar aquele conteúdo de uma só vez para continuar andando, prosperar e nunca parar. E foi então que tomei a decisão, sem rima nenhuma me atrapalhando, de virar de vez para imaginar aquela acidez, que não tinha tempo para rima, digladiando com a acidez do meu ácido gástrico que chamam de suco, mas me faz mais mal que suco de laranja. E o conteúdo ácido e humano brigaria com meu suco ácido e biológico, transformando-me num homem desumano e cartesiano. Imaginei gregos e troianos, e me vi diferente e foi então que virei a xícara perdendo todo meu lábio, engolindo minha língua, minha acidez e o conteúdo quente que, imediatamente, esfriou-se dentro de mim, deixando-me uma estátua gelada e repleta de acidez, letras, ciências, astronomias, matemáticas e brochadas orgásticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Thiago Mourão</em></strong><em> é redator e escritor. Tem artigos assinados no Brasil Post, Gazeta dos Búzios e Jornal O Globo. Cursou cursos de pré-admissão para o mestrado em Literatura e Escrita Criativa da Harvard Extension School e está com o caminho trancado devido à alta do dólar. É especialista em Divulgação de Ciência pela Fiocruz RJ e é autor do livro <strong><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivodapalavraii/">Java Jota</a></strong> (ed. Patuá).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-40/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2016 15:09:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Béla Tarr]]></category>
		<category><![CDATA[Bern]]></category>
		<category><![CDATA[Israel Azevedo]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Réquiem para Paul Cellan]]></category>
		<category><![CDATA[Tallin]]></category>
		<category><![CDATA[Tuareg]]></category>
		<category><![CDATA[Yao Chen]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11484</guid>

					<description><![CDATA[Peculiaridades da poética de síntese de Israel Azevedo
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Israel Azevedo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-8.jpg" rel="attachment wp-att-11487"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-8.jpg" alt="Ricardo Laf" class="wp-image-11487" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-8.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-8-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Ricardo Laf</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TALLINN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>The XX, Intro</em></h6>



<p class="wp-block-paragraph">manhã onde ao sul o sol se abole<br />
revoam folhas ao rastro frio dos teus pés<br />
chuva amarga, acinzentada, ziguezagueia<br />
de perfil, teu rosto, austero sob a marquise<br />
espera a volta de horas perdidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BÉLA TARR</strong><br />
A Torinói Ló</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>para Attila Szalmás</em></h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">teu filme<br />
é uma foto<br />
que para o vento<br />
acena<br />
um lance<br />
de claro-escuro<br />
e carbono<br />
as cenas<br />
como cinzas<br />
apenas<br />
no tempo<br />
se espalham.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>RÉQUIEM PARA PAUL CELAN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
outrora ou agora<br />
teu silêncio encerra meu canto<br />
para sempre, e além do antes<br />
socorro, te rogo<br />
suplico:<br />
dá-me a flor<br />
que das cinzas renasce<br />
fênix.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>TUAREG</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
atai aos lábios,<br />
<span style="color: #ffffff;">..</span>o silêncio de mil desertos</p>



<p class="wp-block-paragraph">moldai aos ventos,<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>dois olhos de areia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>YAO CHEN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
— labora<br />
a flor, que desfaz-se<br />
em melífluas<br />
pétalas, tua<br />
face.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>BERN</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
prenhes de neve<br />
iluminados<br />
ora, estreitos<br />
ora, largos<br />
seus telhados<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>perfilados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Israel Azevedo</strong> (São Paulo &#8211; SP, 1979). Integra as antologias: Seis Poetas Jovens no Papel de Rascunho (Lumme Editor, 2006) e QASAÊD ILA FALASTIN &#8211; Poemas para a Palestina (Selo Zunái Edições, 2012). Publicou a plaquete Breves Postais do Oriente (Lunar Books, 2013). Prepara seu primeiro livro, Dragão de Rá.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-43/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2016 14:55:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Cigarra no trovão]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Fabrício Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Sylvio Fraga]]></category>
		<category><![CDATA[Sylvio Fraga Quinteto]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11477</guid>

					<description><![CDATA[Alguma escuta para o novo disco do cantor e compositor Sylvio Fraga]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Fabrício Brandão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SYLVIO FRAGA QUINTETO – CIGARRA NO TROVÃO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Capa-Cigarra-no-Trovão.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="350" height="350" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Capa-Cigarra-no-Trovão.jpg" alt="Capa - Cigarra no Trovão" class="wp-image-11750" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Capa-Cigarra-no-Trovão.jpg 350w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Capa-Cigarra-no-Trovão-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/Capa-Cigarra-no-Trovão-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong> </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Som, palavra, imagem. Tudo amalgamado a um surgimento de novas dimensões. Outros territórios onde os sentidos avançam e a percepção atenta conduz a experimentados cenários. Eis o grande espaço de vivências tidas a partir da música, lugar preenchido com nuances, detalhes, sabores e, principalmente, arremessos da alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É artífice dos sentimentos quem se atira ao desafio de vislumbrar canções. Trajeto que permeia momentos difusos da existência numa tentativa de captar o que está em suspensão diante dos instantes todos. Como materializar a conjunção entre letra e música diante do dissipado turbilhão de janelas que dão para o mundo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez um artista como <strong><a href="http://www.sylviofraga.com.br/">Sylvio Fraga</a></strong> possa nos trazer algo a lume, tendo em vista que suas abordagens sonoras erguem um consistente universo de possibilidades. De início, importa dizer que um delicado filtro reveste os olhares sobre todas as coisas circundantes. Uma capacidade de conferir evidência a pequenos grandes gestos cotidianos, muitos deles espalhados por uma rotina que julgamos acostumada pelos matizes do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Sylvio Fraga, verbo e som redimensionam a ciranda da vida. Um mergulhar nas imagens que se perdem despercebidas por nossos sentidos quando estamos mais preocupados em reter coisas que estão muito além do nosso mero alcance.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Andamos bem se tomamos <em>Cigarra no trovão </em>como sendo uma verdadeira ode às coisas simples da existência. Nele, Sylvio, na esmerada companhia de seus músicos, acerta em cheio quando formula um ambiente diferenciado de sonoridades. Por todos os cantos do disco, o conteúdo das letras vem fazer par com um cuidadoso aparato instrumental. Se o discurso fala por si e prima pela sugestão, tudo ganha ainda mais relevância diante dos arranjos e melodias ali presentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-4.jpg" rel="attachment wp-att-11482"><img loading="lazy" decoding="async" width="327" height="500" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-4.jpg" alt="Sylvio Fraga - Foto: João Atala" class="wp-image-11482" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-4.jpg 327w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-4-196x300.jpg 196w" sizes="auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Sylvio Fraga / Foto: João Atala</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com um álbum autoral nas mãos, Sylvio mostra que suas letras têm uma aproximação muito grande a outro ofício seu: a poesia. Podemos observar isso em canções como <em>Quartinho</em>, <em>Pedras Brancas</em> (parceria com o poeta Eucanaã Ferraz), <em>Samba da Cigarra</em> e <em>Fiquem calmas as senhoras</em>. Há ritmo, síntese e profundidade bem próprios do labor poético. Numa faixa como <em>Ciclotímica</em>, por exemplo, a escolha das palavras, seu fluxo e encaixe dão vida ao que é cantado com dinamismo, bem típico do andamento de um trem que passa e nos conduz adiante dentro dum cenário de alternância de sensações. É tradução da existência em si, com seus altos e baixos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo sabendo que há uma forte influência jazzística dando conformação ao disco, é difícil determinar um gênero específico para ele. E muito provavelmente isso nem ocupe as preocupações do quinteto, tampouco do seu mentor em si. Assim, o sublime curso do álbum também flui pelas vias de vertentes como o samba e MPB, configurando um resultado equilibrado e notadamente orgânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental destacar o papel do trompete de José Arimatéa, o piano de Lucas Cypriano, a bateria de Mac William Caetano e o baixo de Bruno Aguilar, músicos que, juntamente com Sylvio, estão harmoniosamente entrosados em torno de um projeto que ganhou um definido corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O título do disco em si já nos permite vislumbrar significados. O principal deles pode nos remeter à conclusão de que ainda existe e resiste certa ternura e leveza na vida. Diante da dispersão e dos ruídos a que estamos submetidos incessantemente, todos eles formas de opressão nalguma medida, também será possível buscarmos a serena experimentação dos sentimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/UL3mnj_s1Bo" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Fabrício Brandão</em></strong><em> é um dos editores da Revista Diversos Afins. Cultua livros, discos e filmes com amor táctil e espiritual.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-41/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2016 14:26:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Molotov]]></category>
		<category><![CDATA[Natália Borges Polesso]]></category>
		<category><![CDATA[Wasserkur]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11466</guid>

					<description><![CDATA[As vias confessionais da prosa de Natalia Borges Polesso
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Natalia Borges Polesso</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/ricardolaf.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/ricardolaf.jpg" alt="ricardolaf" class="wp-image-11725" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/ricardolaf.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/ricardolaf-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Ricardo Laf</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Wasserkur</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se há motivos, eu queria começar te dizendo que odeio dias de chuva, mas não vou. Dias chuvosos me deixam tão triste que não tenho nem forças para odiar, na verdade, eu só tenho vontade de escrever. Não, vontade não, urgência. Só que acontece de, como hoje, eu estar ilhada em lugares distantes da minha casa, do meu computador, das minhas coisas de escrever, ou impossibilitada de alcançar meu caderninho e minha inspiração. E me dou conta de que estou com os pés encharcados, numa rodoviária, parada de ônibus, rua alagada, pensando em tudo o que eu poderia estar fazendo que não estar molhada. Ao mesmo tempo, se não acontecesse de chover, eu não teria essa vontade tão urgente. Aí eu fico mais triste, porque ouço no rádio a defesa civil falando sobre alagamentos, resgates, desabamentos, famílias perdendo tudo o que mal tinham em casa, bebês quase se afogando dentro do próprio quarto, idosos que enquanto dormiam foram levados pela correnteza e todas essas calamidades que vêm junto nas enxurradas, anunciadas pela voz muito dramática e bem articulada de um locutor. Hoje, especificamente, estou na rodoviária de Porto Alegre, e tu deve entender a implicação de caos nesse fato. Estou ilhada. A média de atraso é de três horas. As estradas estão alagadas e sofrendo interdições intermitentes. Acabo de ver, numa tela ensebada de televisão que a rodovia está parcialmente alagada no sentido Porto Alegre-Canoas, o que significa que não vou para casa tão cedo, por isso, no momento, eu não sei se há algo para gostar em dias de chuva, mas não quero dizer que os odeio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu não gosto do barulho da chuva quando estou nela, nem das vozes que oferecem guarda-chuvas a dez ou cinco reais, esses guarda-chuvas não são honestos e se destroem logo na primeira rajada de vento que quebra na esquina. Eu não gosto do lixo que se acumula mais visivelmente nas calçadas e sarjetas, não gosto das pessoas que caminham com o guarda-chuva aberto sob as marquises, sendo que poderiam dar espaço para quem não tem um, não gosto de carros que avançam sem dar preferência para pedestres ensopados e não gosto do cheiro das pessoas também, especialmente aquelas que fumam, o cheiro de cigarro se potencializa na umidade. Eu odeio cheiro de cigarro, mas eu detesto ainda mais cheiro de cigarro molhado. Eu tinha uma colega que chegava de manhã cedinho na faculdade com o cabelo lavado e cheiro de cigarro. Cada vez que ela se mexia, na minha direção se espalhava uma nuvem meio doce, meio azeda, meio suja talvez com aquele cheiro detestável de cigarro e condicionador de cabelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje o dia está especialmente triste, porque amanheceu sem promessa de sol. Sabe quando tu olha para fora e tem certeza das limitações do clima, tem certeza que o céu não vai te presentear com azuis e dourados, tem certeza que tudo o que vai ver é a cor cinza? Pois então, esse é o dia de hoje. Mas eu sempre tento me enganar com alguma coisa boa, como meias secas, almoços ou um programa tosco de televisão. Tomei dois cafés e dois canos hoje e a culpa foi da chuva. Assim como é culpa da chuva que todos os ônibus, que me levariam para casa, passem pelo box de embarque número três sem menção de parar. Acho que fico mais do que três horas por aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrevo essas frustrações úmidas nas margens de um jornal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesses dias de chuva, tudo fica meio bagunçado dentro e em derredor, e é difícil para mim, já que sou meio triste naturalmente, digo, não sou uma pessoa alegre, sou engraçada, mas isso é diferente, mesmo quando seca e quente, tenho esse tipo de humor melancólico que dizem combinar mais com dias chuvosos e por isso talvez eu os despreze tanto, por conta das potências. De qualquer maneira, é difícil para mim controlar essa espécie de choro que vem. Na verdade, são só umas lágrimas silenciosas que nem chegam a escorrer até o fim da minha cara, ficam ali paradas, pelas pálpebras e apenas marejam nas bordas. Algumas descem pelos cantos ou avançam pelas bochechas, mas acabam secando antes de fazer a curva final. Não pingam como choro de verdade. Por fora é só uma tristeza baça. O grosso do desânimo com a vida fica dentro, e me cava no coração uma força de melancolia, que eu tento cobrir com outras mentiras. Talvez eu não devesse ter dito isso assim tão meramente, tão explicado, mas é assim que acontece. Tudo o que meus olhos enxergam fica borrado como numa lente que tenta amaciar a realidade, mas não cumpre a fantasia, apenas borra. Nesses dias de chuva, tudo fica meio bagunçado dentro e ao redor, como disse. Talvez eu te entregue esse jornal, talvez eu jogue fora, talvez eu faça um barco e largue sarjeta abaixo até que ele entupa uma boca de lobo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tu me disse que em dias de chuva não consegue ficar lendo e bebendo café e eu acrescento, nem fumando cigarros ou esperando encontros fortuitos. Nos dias de chuva, eu existo, porque não posso não fazê-lo. Não quero morrer num dia de chuva. Não posso morrer em todos os dias de chuva e voltar apenas nos dias de tempo seco, nos quais os pés estão sempre quentes. Então eu imagino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu imagino que em dias de chuva tu pensa no desenho que o parquet faz no chão da sala de aula e de longe ouve a voz monótona do professor, imagino que deseja estar mergulhada, imersa nas poças que se formam caudalosas lá fora, ou talvez, num bloco de chuva espessa que cai de uma só gorda nuvem, uma tromba d’água. Eu imagino que o professor fala de <em>wasserkur</em>, e tu perde o fim da frase, porque se distraiu com a vidraça, mas sabe que a frase era sobre arte e transitoriedade. Pensa. Não existe. Te imagino numa conversa sobre dentes e paredes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu me sinto triste quando longe de ti, mas hoje, mesmo mais perto, continuo me sentindo triste. Eu não sei se é culpa da chuva agora, deve ser ainda. Mas por um momento me passa pela cabeça que tu mandou chover no nosso encontro. Eu sou meio desconfiada mesmo. Mais ainda quando sinto sono e dor de cabeça, talvez por isso o pessimismo todo e a desconfiança. É que eu passei a noite em claro pensando se nos veríamos e tive vontade de te encontrar porque gosto de ti como se há muito fizesse parte de mim. E a minha preocupação é criar um amor no espaço dessa distância que hoje, por conta da chuva, não se comprimiu. Agora eu olho para o chão embarrado da rodoviária sem ideia de como farei isso. Eu sei que essas coisas acontecem, talvez já estejam acontecendo. Eu não quero te proteger de nada, mas não quero que nada de ruim aconteça com teus dentes, como paredes em lugares errados. Só que eu sei que em dias de chuva, com o campo de visão diminuto, a gente pode muito bem dar de cara com algum empecilho, seja buraco, parede ou negativa para convite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É que essa chuva me atrapalha as urgências. Isso é engraçado, né? Porque, se não fosse a chuva não haveria nem vontade e nem tristeza em potência, e aí está o paradoxo: ao que ela impede, também propicia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais que um lugar seco e silencioso agora, eu queria ter os pés dentro d’água, talvez porque tenha lembrado de longe a voz monocórdia do professor dizendo que isso é um tipo de cura. Pés na água curam ansiedade, gripe e saudade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amanhã já é dezembro, depois outro ano e em setembro volta a chover e eu vou ficar sozinha. Então eu tenho vontade de mergulhar para me curar do amor que ainda não tenho e não sentir a saudade que nem existe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, eu desisto de ir embora. Vou fazer dessas folhas de jornal um barco e das outras folhas um abrigo. Vou comprar cigarros para fumar debaixo de uma marquise, soprando fumaça nos apressados. Vou encharcar as meias para depois ver meus pés brancos e murchos. Vou inventar razões para amar e odiar a chuva, e o dia de hoje e, talvez, te odiar também. Até te encontrar naquele café que, em todos os dias chuvosos, tu vai para que ninguém te veja lendo e tomando um pingado, porque saberiam que tu mentiu quando disse que não conseguia fazer essas coisas em dias de chuva. E eu, eu vou te desmascarar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Molotov</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Que pena. É uma pena mesmo que esse encontro tenha acontecido assim tarde, assim tão tarde da noite. Já com os copos vazios e as cabeças cheias, que pena. Vai e vem de bilhetes inconsequentes, ou melhor, com consequências trágicas, não fossem patéticas. Essas ninfas, essas musas, essas mentes – torço meus dedos e suspiro pensando no coquetel molotov que veio a propósito de beijo de boa noite. Quando me dei conta, a garrafa já tinha explodido e o quarto pegava fogo – labaredas entre nós – senti os cacos de vidro me cortarem a cara. Abri a boca para respirar, os cacos na minha boca, mastigo. Vidro quente. Lábios, dentes e língua machucados. Fico com a boca cheia de sangue, engulo tudo. Pedaço de dentes, língua, lábio, vidro, gasolina e fogo e tento te alcançar com as pontas dos meus dedos. Tu está queimando. Tua pele arde e teus cabelos tomam um negror de carvão antes de ser brasa. Tu está imóvel, impassível, impenetrável. Vejo um homem surdo que sorri e me estende a mão, e por ser surdo não se afeta nem com o barulho do fogo, nem com o que em mim se faz mais estridente. O homem me abraça, eu me desvencilho, corro na tua direção, enlaço teu corpo que, abrasivo, me faz bolhas. Meu corpo dói inteiro. Sou carne, estou viva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://ainerciadealice.blogspot.com.br/"><strong><em>Natalia Borges Polesso</em></strong></a><em> é escritora, professora e doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS. É autora de “Coração a corda” (2015) e “Recortes para álbum de fotografia sem gente”, obra vencedora do Prêmio Açorianos (2013) na categoria contos, e também da tirinha tosca “A Escritora Incompreendida”, publicada via facebook.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-43/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-43/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Feb 2016 23:29:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[108ª Leva - 02/2016]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Carol de Bonis]]></category>
		<category><![CDATA[contornar o fino fio]]></category>
		<category><![CDATA[Estrangeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Monotonia submersa]]></category>
		<category><![CDATA[Passos ao redor do teu canto]]></category>
		<category><![CDATA[uma espécie de perda]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=11429</guid>

					<description><![CDATA[As paisagens internas entremeando os versos de Carol de Bonis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Carol de Bonis</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-5.jpg" rel="attachment wp-att-11460"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="400" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-5.jpg" alt="Ricardo Laf" class="wp-image-11460" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-5.jpg 400w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-5-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2016/02/interna-5-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Ricardo Laf</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Uma espécie de perda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Foi-te uma espécie de perda<br />
Começo como se perderam os dias<br />
De uma infância. Falo-te assim como<br />
Quem se despe do corpo e chega<br />
Recém-nascida. Aprendestes a respirar</p>



<p class="wp-block-paragraph">Debaixo d’água e anos depois<br />
Quando as folhas mudaram as estações<br />
Mesmo emergisses dos ares<br />
Para pousarmos em teu abstrato<br />
Tudo que fosse relativo –</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os segredos encolhiam-se nas areias<br />
&#8211; o mar inteiro dentro da voz – Se venho<br />
De uma espécie terrestre, é por conhecer a terra<br />
Se me confundo com as ostras, é por guardar<br />
Demasias de sentimentos. Mudos e silêncios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma longa história de pirâmides e desertos<br />
Furtos às montanhas. Mas nas ruas todos seguiam<br />
Acontecimentos decadentes, quando a ciência morria<br />
Outra espécie de perda, você disse<br />
Nos fica uma assombração<br />
Uma disritmia respira sobre os pântanos<br />
Essas botas enlameadas a efêmera partida<br />
Hoje, voltaríamos com as chaves para a casa<br />
Pela rua do sol da infância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Monotonia submersa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Entrar no teatro pelas portas dos fundos<br />
Esperar até que as cortinas se fechem<br />
Sentar-se numa cadeira detrás do palco<br />
Baixar os olhos e soletrar um verso<br />
Heroico com as formas de adeus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o que queríamos era antes acreditar<br />
Saber que detrás do palco se encenam outro<br />
Espetáculo: vida, suas<br />
Guelras sanguíneas em separações</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entrar pela casa sem que a soleira<br />
Conte-lhe a presença de seu ranger noturno<br />
Os objetos tão presentes querem ser olhados<br />
Pela ausência e ter nome de pertencimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A carnadura dos móveis estala<br />
É um estar em si<br />
Que já é de si esse saber<br />
De estar inteiro<br />
Diante de nossa presença</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o que queríamos eram seres abissais<br />
Abismos, no corpo<br />
Filamentos imemoriais<br />
Que sem voz estalam</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feito a lenha seca, o fogo da lareira<br />
Essas coisas falam e destravam<br />
Os porões da memória</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ir até a parede de azulejos frios e suspirar<br />
Roucamente sem que fosse você<br />
Que pronunciasse a perda<br />
Antes que os olhos estivessem partidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entrar pela casa como se fosse todo dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><br />
<strong> ***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Estrangeiro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em mim o outro lado<br />
Metade enigma quando do atlas<br />
Os países me acobertam em ruas<br />
Embandeiradas de meus refúgios<br />
O gosto de nata nas algas de alguns sonhos<br />
Como se ao abrir a janela as neblinas fossem<br />
Respostas das antigas máscaras da sinceridade<br />
Amanhecendo azul e alguma ilusão de calma<br />
Recordasse a expressão branca do último personagem<br />
Que morreu em mim. Antes da gaveta aberta o outono<br />
Quase-memória escorrendo por tudo que ainda não fui,<br />
Mas é vida esse elo perdido, dentro de mim o rosto<br />
A espera da mão que adormecerá meu sonho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contornar o fino fio</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Eu não sou o que digo<br />
Mas é como se fosse<br />
Digo gaivotas asas feridas<br />
Em queda dentro de duas brancas<br />
Pupilas ao vento. Elas voam.<br />
Num ato de deslocamentos<br />
Entre o instante e o antigo<br />
Entre a terra e o céu<br />
Como se dizer estivesse fora do que eu digo<br />
Como se quando eu falasse<br />
Algum recorte de mim<br />
Fosse um fio sobreposto de imagens<br />
E fosse esse céu<br />
Onde avisto gaivotas<br />
Regressando dentro da língua<br />
Essa espécie de duplicidade<br />
Presentes em duas asas abertas<br />
Presentes ao dizer assim contornar<br />
As sílabas pelo fino fio<br />
Será um jogo de alegrias<br />
Seria jogo de tristezas<br />
Ou um jogo de alma e corpo<br />
Prévia anunciação<br />
A algum recorte que fita<br />
Dentro desse meu olhar, teu olhar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>As dádivas entregues</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Quando pensas no mundo<br />
Aonde levas o destino de delírios<br />
Ou curva-te serenamente<br />
Às dádivas entregues?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Amanhece como a forma condensada<br />
Em chão de terra vermelha<br />
Segue a orfandade<br />
Espelhada pelo mapa</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde fumaças de nuvens como mísseis<br />
Eram países entre um oceano<br />
A linguagem destituída da origem<br />
Em que se apreende<br />
No teu próprio corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desterro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Teu canto<br />
Território de raiz<br />
No arquejo das estações.<br />
Em pousos irregulares<br />
Ouço o murmurar<br />
Encosto a face ao solo ancestral<br />
Ressoando a língua<br />
Tateando no escuro<br />
A terra morada<br />
Gruta de movimentos<br />
Ondulantes no céu da boca.<br />
No corpo, entre fogos e canções,<br />
O rapto das danças selvagens<br />
Incessantes passos erigem ruídos<br />
Nos refúgios da noite.<br />
Entre o gesto e o risco no ar<br />
Aparição do instante<br />
Moldado ao barro,<br />
A espera do nascer de um sol<br />
Uma ilha sem rota sem mapa<br />
Desliza ao centro<br />
Onde se ilumina,<br />
O canto, alquimia remota<br />
Um mar indiviso rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Maria Carolina De Bonis</strong> é autora do livro Passos ao redor do teu canto (Editora Patuá, 2015).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-43/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
