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	<title>140ª Leva &#8211; 07/2020 &#8211; Diversos Afins</title>
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	<description>entre caminhos e palavras</description>
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	<title>140ª Leva &#8211; 07/2020 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 15:06:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[140ª Leva]]></category>
		<category><![CDATA[ciceroneando]]></category>
		<category><![CDATA[diversos afins]]></category>
		<category><![CDATA[editorial]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 140ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face08.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="500" height="378" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face08.jpg" alt="" class="wp-image-18203" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face08.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face08-300x227.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Cristiano Xavier</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Passadas 140 edições da revista, cá estamos a contabilizar os efeitos dos encontros promovidos. No decorrer do tempo, o agregar de palavras e imagens consolidou ainda mais os nossos propósitos editoriais, tornando o ambiente de publicações profundamente marcado por expressões bastante distintas. No campo das subjetividades, uma profusão de singularidades vem ganhando corpo e mostrando, a cada nova leva, vozes comprometidas com a criação artística nas mais variadas frentes. Há muitas visões de mundo assinaladas nesse caminho, muitas delas notadamente imbuídas do desejo de transformação das coisas. Transformação que se desdobra em matizes diversos, a exemplo daqueles de natureza social, política e cultural. É quando autores percebem seus trabalhos como instrumentos possíveis de reflexão sobre a realidade. E tal constatação não se mostra contrária a uma noção de fruição do gozo estético que cada obra sugere. Notamos que é perfeitamente possível, por exemplo, harmonizar ideais estéticos com o exercício ativo de uma consciência crítica que emana dos trabalhos artísticos. Ao que nos parece, o grande desafio dos autores é saber lidar com as armadilhas do discurso que movimenta suas criações, afastando-se de qualquer noção de gratuidade, falta de embasamento, desconhecimento do processo histórico ou ímpetos de cunho meramente panfletário. Assim sendo, talvez fosse possível arriscar que ninguém passa incólume aos imperativos do seu tempo, mesmo que se recuse a professar isso na materialização de sua arte. De toda sorte, os sintomas do mundo vão marcando a presença dos autores na Diversos Afins. É o caso agora dos poetas <strong>Alberto Bresciani</strong>, <strong>Milena Martins</strong>, <strong>Alex Simões</strong>, <strong>Sara F. Costa</strong>, <strong>Felipe Fleury </strong>e <strong>Adriana Linhares</strong>, que com seus versos nos atravessam com doses pungentes de realidade e ilusão. Nas reflexões de <strong>Helena Terra</strong>, as marcas do romance “Entre outras mil”, de<strong> Rochele Bagatini</strong>. Percorrendo o terreno das delicadezas da memória afetiva, entre outros afins literários, <strong>Clarissa Macedo </strong>entrevista o poeta <strong>Tiago D. Oliveira</strong>. Nossos cadernos de prosa de agora estão assinalados pelas porções de vida presentes nos contos de <strong>Marcus Vinícius Rodrigues </strong>e <strong>Geraldo Lima</strong>. É <strong>Larissa Mendes </strong>quem desperta nossas escutas para o disco de estreia da banda <strong>Varal Estrela</strong>. Pelas veredas da sétima arte, <strong>Guilherme Preger </strong>analisa “High Life”, o denso e provocante filme de ficção científica da diretora <strong>Claire Denis</strong>. Na resenha de <strong>Rafael M. Fogaça</strong>, atenções voltadas para “O Amor é um abismo furtivo”, livro de<strong> Adriano de Paula Rabelo</strong>. E são as fotografias de <strong>Cristiano Xavier </strong>que transitam em todos os espaços da nossa atual jornada, um trabalho artístico devotado especialmente a registros de verdadeiras raridades da natureza. Eis a 140ª Leva da revista. Seja bem-vinda (o), cara leitora (o)!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-72/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 15:04:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Milena Martins]]></category>
		<category><![CDATA[Os Oráculos dos meus Óculos Milena Martins]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Promessa Vazia]]></category>
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					<description><![CDATA[A intensidade da voz de Milena Martins]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Milena Martins</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-2.jpg"><img decoding="async" width="500" height="354" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-2.jpg" alt="" class="wp-image-18156" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-2.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-2-300x212.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Cristiano Xavier</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes da queda é cárcere.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comida não chega à boca<br />
E o passado não chega ao hoje<br />
Antes da queda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É cárcere<br />
Sangrando a carne nas grades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes do salto da queda<br />
É cárcere<br />
Sob a tutela da incerteza da verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não saber é cela antes da queda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vieram as tochas, a fogueira.<br />
Os versos condenados.<br />
A morte de Hipatia pelo fogo e pela cruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cárcere<br />
Antes da queda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E calou aos que buscaram gritar<br />
O rastro de silêncio do carrasco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes da queda, caíram as folhas,<br />
Morreram os frutos,<br />
Cortaram-se as línguas,<br />
Nasceram os súditos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes do nascimento é morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Hoje há meio sol lá fora<br />
E um estrondo de antecipação.<br />
É hora do risco.<br />
Ponho sapatos apertados<br />
E a dor é mais forte que eu.<br />
Eu nunca fui muito forte.<br />
Cada passo é um esquecimento.<br />
Eu nunca fui muito forte.<br />
Deixei a dúvida dentro do forno talvez ligado<br />
E o propósito em cima da mesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Começou a chover no meio do caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu nunca fui muito forte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Alguém manteve o fogo<br />
Depois que eu fugi.<br />
Outros vieram continuar os trabalhos.<br />
Eu corri até caírem as pernas<br />
E rastejei uns metros mais.<br />
Fui achada morta de bruços com os demônios presos às costas.<br />
O fogo ainda arde na carne de alguém<br />
Com o calor que eu temi um dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Não repara a bagunça.<br />
É que eu enlouqueci de ontem pra hoje<br />
E esqueci de guardar os sapatos.<br />
As cartas acumularam pela metade,<br />
As plantas morreram<br />
E os pulmões agora doem.<br />
A loucura chegou de madrugada,<br />
Me achou sem defesa,<br />
respirando entre os dentes.<br />
E os cravou na carne dos meus braços<br />
Como se eu fosse acordar.<br />
E me bateu com os dedos no crânio<br />
Como se eu ainda<br />
Tivesse<br />
Lágrima.<br />
&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Eu machuco o som<br />
Com as unhas.<br />
Cada gota é um soluço.<br />
Finjo-o num devaneio ruim,<br />
Ferido da minha memória.<br />
E só eu o conhecerei,<br />
No escuro atrás dos olhos.<br />
Morreu na garganta uma letra.<br />
O mundo não terá<br />
Esse castigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada desvio podia ser o último.<br />
Eu tinha sopro demais.<br />
Eu tinha gotas de mágoa,<br />
Saltos de susto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu já não conseguia olhar nos olhos<br />
E nunca aprenderia a jogar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E as décadas que vieram eram ainda futuro,<br />
Que tudo pode enquanto não é.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sopro se dissolveu em nota<br />
E os aros ficaram vermelhos.<br />
E a liberdade me caiu pelos ombros quando pude sorrir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O jogo se acabou pela metade.<br />
Ninguém ganhou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Morreu o medo ao espelho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Milena Martins</em></strong><em> &nbsp;é mestre em literatura brasileira pela Uerj e tradutora. Autora dos livros “Promessa Vazia” (2011) e ”Os Oráculos dos meus Óculos” (2014). É também cantora e compositora, autora do EP Flamboyant (2018). Publica poemas, fotografias e pinturas no perfil de Instagram @oraculos_dos_oculos.&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-74/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 15:01:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[álbum]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Itapeva]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Varal Estrela]]></category>
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					<description><![CDATA[O primeiro álbum da Varal Estrela nas linhas sensíveis de Larissa Mendes ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Larissa Mendes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>VARAL ESTRELA – VARAL ESTRELA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/capa-menor.jpg"><img decoding="async" width="350" height="350" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/capa-menor.jpg" alt="" class="wp-image-18195" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/capa-menor.jpg 350w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/capa-menor-300x300.jpg 300w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/capa-menor-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“Da última vez que nos vimos, você disse que visto daqui, do interior, o céu é mais bonito, de um azul-anil-marinho-royal-bic”</em>. Empresto meus próprios versos de <em>Ciclo Curto</em> para tentar definir as nuances da banda que mistura noite estrelada com literatura de cordel e possui cheiro de terra molhada no atual quintal musical brasileiro. Formada há três anos e meio em Itapeva (SP) e radicada em São Paulo, <em>Varal Estrela</em> é composta por Thaís Rolim (vocal), Rodolfo Braga (guitarra), Lucas Silva (guitarra) e Thalles Macedo (contra-baixo). Lançado no final de 2019 através de uma campanha de financiamento coletivo, o disco de estreia possui influências de MPB, <em>indie </em>e<em> pop</em>. Enquanto a vertente dos músicos sempre foi o <em>rock’n’roll </em>(os rapazes integravam o <em>PBB </em>&#8211;<em> Pink Big Balls), </em>Thaís entoava sua voz junto aos batuques de umbanda da<em> Paranambuco</em>, em sua passagem por terras curitibanas. Disponível em todas as plataformas digitais, o álbum homônimo celebra esta mistura sonora de [re]encontro e exalta todos os artistas interioranos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Casarão</em>, assim como sinaliza um de seus versos, “escancara os seus portões” para adentrarmos em toda pluralidade da <em>Varal. Maria</em>, primeiro <em>single</em> lançado, composição da vocalista Thaís Rolim é uma homenagem à filha de um casal de amigos. Se fosse uma canção de ninar, seria daquelas que faz você querer mudar de nome apenas para tê-la um pouco sua. O <em>pop-rock Guri (desfila seus pés de moleque/sobre calçadas e quintais/por aqui te chamam guri/na pedra ao lado te chamam piá), </em>dueto com Hugo Rafael (<em>Sambô</em>), discorre sobre a infância de várzea de tantos meninos (<em>guris ou piás</em>, como chamamos no sul). <em>Primeira Canção de Amor (você me abraçou/e não houve jeito/meu ninho em seu peito/estava feito)</em>&nbsp;— talvez a mais bela canção do álbum — tece sobre amor e liberdade e atinge o ápice da doçura e potência vocal de Thaís, que lembra o timbre de Elis Regina. A instrumental<em> Um Trem pra Capital</em> tem clipe recém-lançado, gravado em plano-sequência no apartamento dos meninos (Thaís gravou de sua casa) e funcionaria tranquilamente na abertura de uma série de TV, comprovando toda a habilidade dos instrumentistas. A explosiva<em> Furacão (sou o olho do furacão/sou movimento que só vai/sou a lava do vulcão/derretendo e escorrendo/dentro de mim)</em> abre uma espécie de lado B do disco flertando com o maracatu, o que deixaria Mestre Salustiano orgulhoso em seu céu de rabeca. Se as doces<em> Seguir (eu sei/você tentou me avisar/deixou a porta aberta/e foi pra não voltar) e Sem Fim são</em> baladas de [des]amores que transmutam, o <em>rock</em> <em>Viagem Astral</em> (<em>aqui nos vemos como somos/sem maquiagens, mentiras ou planos/expandindo nossa consciência/fluindo com a correnteza</em>) simplesmente transcende e arrebata. <em>Passarinho (minha raiz é movediça/estou em casa onde for/eu já me acostumei ao movimento/por onde eu passo/sou onda de amor)</em> finaliza o primeiro vôo da <em>Varal Estrela</em> em grande estilo, ao som de samba e ijexá — ritmo nigeriano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="329" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-1.jpg" alt="" class="wp-image-18144" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-1.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/interna-1-300x197.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Varal Estrela / Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A arte deste primeiro compilado de canções foi produzida em xilogravura por J. Borges, outro interiorano — dessa vez de Pernambuco. O artista ilustrou o álbum em consonância com as dez faixas autorais, dialogando com as lendas e histórias que envolvem Itapeva. O momento de quarentena rendeu ao grupo algumas parcerias em composições e projetos, tais como as canções de “MVB” (Música Virtual Brasileira) <em>A Cura</em> (<em>a curva achatada/a porta fechada/a cabeça aberta/e o coração cheio</em>), com participação de Hugo Rafael, Camilo Macedo, Tiago Giovani e Ítalo Riber, e <em>Camarada (a face do futuro te afrontaria/pra te dizer que os fatos/vão tecendo nós)</em>, parceria com Lucas Gonçalves (<em>Maglore</em>). Além disso, no <a href="https://www.youtube.com/channel/UCh7QjcSg95RlYepUvzkjAOw"><strong>canal</strong></a> oficial da banda no YouTube, encontram-se inúmeros episódios do programa <em>Varal Resenha</em>, divertido bate-papo, onde os convidados abordam suas origens e influências musicais. Como frisa o <em>release</em> do álbum: <em>“Distantes de megalópoles e megalomanias, nós, os artistas enraizados à margem, somos resistentes e sonhadores, em essência. Dar asas às produções para migrá-las aos grandes centros representa um esforço quase que aos moldes de Sísifo, no entanto a recompensa por elevar uma pedra até o cume de uma montanha é imensurável. Sim, nós sabemos, certos mitos existem para serem derrubados”.</em> E é com esse entusiasmo que o grupo pretende disseminar suas mensagens, sonhos e saudades. Para isso, em uma noite qualquer, basta aumentar o som, deitar na grama ou no sofá, olhar para o céu ou para o teto. Com as bênçãos de Salú ou de Sísifo, <em>Varal Estrela</em> é uma constelação inteira, é luz que vem de dentro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/iDtMRFrHFb4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Larissa Mendes</strong> nasceu no interior catarinense, também tem Maria</em> <em>no nome e ainda se pergunta o que é, o que é.&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/apoeritivopalavraii/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 14:51:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Entre outras mil]]></category>
		<category><![CDATA[Helena Terra]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Rochele Bagatini]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
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					<description><![CDATA[Helena Terra e as reflexões para o romance de Rochele Bagatini 

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Entre outras mil: nós iguais e diferentes </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><em>Por Helena Terra</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Entre-outras-mil.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="255" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Entre-outras-mil.jpg" alt="" class="wp-image-18149" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Entre-outras-mil.jpg 255w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Entre-outras-mil-170x300.jpg 170w" sizes="auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No livro “Sobre a literatura”, Umberto Eco explica que as obras literárias nos convidam à liberdade de interpretação por oferecerem um discurso aberto a diferentes planos de leitura ao mesmo tempo em que pontuam o que nelas deve ser assumido como relevante e à prova de dúvidas. Pois bem, no romance “Entre outras mil”, da escritora Rochele Bagatini, lançamento da Diadorim Editora, há um ponto de partida indiscutível: a educação sentimental e cultural das mulheres brasileiras por meio das telenovelas nas décadas de 70, 80 e 90. Quem passou horas e horas semanais, de segunda a sábado, diante de uma televisão nesses anos, ainda que não tenha parado para refletir, testemunhou e absorveu a organização e condução de modelos e estereótipos femininos. Às vezes, tendo à frente uma protagonista chamada Raquel, como a que dá nome a do livro “Entre outras mil”; outras vezes, tendo uma Helena, como eu que agora desenvolvo esse texto, as telenovelas impuseram valores e comportamentos. Em grande parte, nocivos. Registre-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A protagonista do “Entre outras mil”, por exemplo, batizada de Raquel por ter nascido no dia da morte de um ator e em homenagem à atriz central da novela “Sol de Verão”, tal como nessa trama televisiva, subitamente, vê-se frágil e desamparada diante da partida de uma mulher, sua mãe, que não suporta mais a rotina com o marido. Não sabe, a Raquel menina, as razões que a levaram a deixá-lo e a incluí-la no pacote do abandono. Não sabe, também, a Raquel adulta:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Minha mãe sempre foi calada dentro de casa, mas com as pessoas na rua era simpática, falante. Eu tinha ciúmes quando se abria com outras pessoas e contava coisas que eu não sabia sobre ela. Era carinhosa comigo, embora distante. Nunca falava o que pensava sobre a vida. Algumas pistas eu identificava em comentários sobre as novelas, pistas essas que bem podiam ser fruto da minha imaginação.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa Raquel literária, de fato, é imaginativa e dada a devaneios tanto quanto é dada ao enfrentamento do mundo. Oscila dentro de um pêndulo de ingenuidade e de lucidez, recapitulando a própria história e o vínculo com os pais, em especial com a mãe, como se estivessem todos atrelados ao horário nobre da programação de uma emissora de TV sem, no entanto, simplificá-los e desumanizá-los. Sua percepção, senso de justiça, espírito crítico e sua capacidade de narrar, apesar das memórias conectadas com as telenovelas, são apuradas e trabalham a favor de seu despertar e amadurecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Raquel dedica-se ao bem-estar do companheiro e revende cosméticos para melhorar o orçamento do casal enquanto sonha com sua independência financeira e prepara-se para uma carreira jurídica. Em um primeiro momento, parece exagerado e paradoxal ela questionar o papel social e doméstico para que foi programada, querendo fazer parte de uma estrutura conservadora e masculina como é a do Poder Judiciário. Mas querer ser juíza e atuar fora do universo estético e subserviente das mulheres que conhece desde criança está de acordo com o seu processo de ruptura de padrões. Raquel não está mais sentada no sofá em frente à televisão decorando textos. Ela não quer mais ser manipulada. Tampouco manipular. Portanto, não manipula. E não se afunda em culpas, temores e condenações. Quer é entender:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não sinto falta do meu pai. Sentia pena. Talvez tenha sido vítima dele mesmo, por ter escolhido para vida uma mulher acima do que ele poderia suportar, ou que poderia suportá-lo. Não sei por qual motivo coloco ambos em níveis diferentes, e sequer sei dizer de que substância é feita essa diferença. Talvez ele seja superior a ela, porque não fugiu da vida que lhe foi dada, porque não quis ser outro. No caso do pai, não querer ser outro deu errado. Será que, no caso dela, deu certo?”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como saber o que deu, o que não, no romance, nas novelas, na vida? Eu li e reli o “Entre outras mil” em uma espécie de “vale a pena ver de novo” sem controle, mesmo o remoto. Penso ter encontrado algumas respostas e muitas perguntas. Um livro é uma interrogação fincada na mente. E é, voltando a citar o Umberto Eco, uma máquina preguiçosa que pede a quem o lê que faça parte do seu trabalho. Você tem feito o seu?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Helena Terra</em></strong><em> é escritora e jornalista. O seu interesse, despertado na infância, por literatura a levou a cursar a Oficina de Criação Literária, do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUC/RS, e a frequentar os grupos de produção e de leitura crítica da professora Lea Masina. Em 2013, publicou o seu primeiro romance: “A condição indestrutível de ter sido”. De lá para cá, participou de antologias, organizou, com o escritor Luiz Ruffato, a antologia “Uns e outros” e é coautora na novela “Bem que eu gostaria de saber o que é o amor”. Atualmente, ela coordena o grupo de leitura “A literatura tem nome de mulher”, que se propõe a ler, a pesquisar e a pensar os livros escritos por mulheres em Porto Alegre.</em></p>
</blockquote>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-i-76/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 14:42:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Lima]]></category>
		<category><![CDATA[nanocontos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=18141</guid>

					<description><![CDATA[Dez nanocontos de amor e outros casos de Geraldo Lima
 
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Geraldo Lima</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ghost-Town.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ghost-Town.jpg" alt="" class="wp-image-18153" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ghost-Town.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ghost-Town-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Cristiano Xavier</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DEZ NANOCONTOS DE AMOR E OUTROS CASOS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Atração</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim que adentrou a sala, tudo começou a gravitar em torno dela. Nunca mais serei o mesmo, ele pensou, já preso à sua órbita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fugaz</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A fumaça do incenso forma galáxias no centro da sala. Ana cruza esse universo e evapora-se sem dizer adeus.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Expectativa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vai esperar por ela até tarde. O pensamento armado até os dentes.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conto de fada I</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Beijou e esperou pela metamorfose. Mas o príncipe apenas coaxou, escorregou-lhe das mãos e mergulhou novamente no lodo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conto de fada II</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Matou o dragão, salvou a princesa e casou-se com ela. Tempos depois, arrependeu-se: a princesa era uma megera.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amor estrangeiro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na noite de núpcias, descobriu a verdadeira natureza do marido. Tarde demais: na rota de fuga, teria que cruzar um oceano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Crime perfeito</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes a fatalidade só precisa de uma ajuda: no dia seguinte, o marido passou desta para melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Onírico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Encontrou, enfim, a mulher dos seus sonhos. Ironia do destino: perdeu-a assim que acordou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lenda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">– Mãe, tô pegando uma sereia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mãe nem deu ouvidos: o filho fantasiava demais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Coisas do coração</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O marido abriu a porta e deparou-se com a cena devastadora. Os amantes? Salvos por um ataque cardíaco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Geraldo Lima</em></strong><em> é escritor, dramaturgo e roteirista. Tem alguns livros publicados, entre eles, Uma mulher à beira do caminho (contos, Editora Patuá), Tesselário (minicontos, Selo 3&#215;4) e UM (romance, LGE). Contato: </em><a href="mailto:gerallimma@gmail.com"><em>gerallimma@gmail.com</em></a></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética IV</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iv-76/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 14:22:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Simões]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=18135</guid>

					<description><![CDATA[Os versos despertos e insubmissos de Alex Simões ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Alex Simões</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Lenºois-from-above.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Lenºois-from-above.jpg" alt="" class="wp-image-18137" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Lenºois-from-above.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Lenºois-from-above-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Cristiano Xavier</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>cama de gato</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">nas voltas<br />
que a poesia<br />
nos dá<br />
nos laços<br />
e<br />
nos nós<br />
nas amarras<br />
e<br />
nos desenlaces<br />
nas cordas<br />
e<br />
nas codas<br />
eu faço versos como quem<br />
faz uma cama<br />
de gato</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>o albatroz brasileiro</strong></p>



<pre class="wp-block-preformatted"><em>para Paquito</em></pre>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">um albatroz-de-sobrancelha-negra é o mais<br />
brasileiro albatroz porque é tão malandro,<br />
a ponto de ganhar a alcunha por meandros<br />
tais, que coloca em xeque se irracionais<br />
são eles ou se somos nós. senão, vejamos:<br />
ele plana o litoral de Sul ao Sudeste,<br />
mas jamais pousa no solo do Brasil, este<br />
belo animal alado e baudelairiano.<br />
talvez por precaução à fama de trollagem<br />
que dão aos brasileiros em outras paisagens,<br />
o pássaro sambou na rixa com a Argentina.<br />
ganhou fama de ser o Albatroz do Brasil<br />
de onde só se vê riscando o céu de anil,<br />
mas só relaxa e pousa nas Ilhas Malvinas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>aquele que convoca uma assembleia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">não há nada de novo sob o sol.<br />
depois do coronavírus nos dar</p>



<p class="wp-block-paragraph">tantos golpes, ceifar tantas possíveis<br />
uniões afetivas, reuniões</p>



<p class="wp-block-paragraph">fraternais, festas de tantas linguagens<br />
artísticas, estamos nós aqui,</p>



<p class="wp-block-paragraph">os que sobrevivemos, recontando<br />
histórias dos que nos antecederam</p>



<p class="wp-block-paragraph">para que nos iluminem, apesar<br />
do horror, a memória e um inclemente sol.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>QU4DR1LHA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">João marcava Teresa que enviava a Raimundo<br />
Num direct pra Maria que zapeava Joaquim que tuitava para Lili<br />
Que não dava match com ninguém.<br />
Raimundo, Maria, Joaquim e Lili estão em isolamento social<br />
Marcando nas publicações e enviando para o zap que marcaram J. Pinto Fernandes<br />
Que não tinha visualizado o Stories.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>sonetos metidos a ingleses I</strong></p>



<pre class="wp-block-preformatted"><em>para Natan Barreto</em></pre>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">falava 26 nesse teu sonho nosso.<br />
talvez não fosse só dos meus alunos em<br />
viagem além-mar em direção à Ítaca<br />
saxônica. talvez fosse eu balbuciando<br />
que o afeto, uma vez instaurado, jamais<br />
se degenerará. se se perdeu, não houve.<br />
e sinto que aqui há. o canto das sereias<br />
da Ilha de Avalon tentou nos encantar.<br />
mas não cantaram em vão, porque as escutamos<br />
e dançamos a sós, cada um em seu sonho,<br />
copiando em log books as notas dos solfejos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>astrolábio de sete faces (6a face)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">fórmula: sangue, saliva, fio de cabelo ou sêmen, líquido amniótico, ossos, face, cu, dentre outros tecidos, entulho de amante, musa, silêncio, problemas, oxigênio, tapa-buraco, permissão progressiva, triz, sigilo, troca de segredos, treda ao lado, tecnologia, contas para viver melhor, conexos e conexões, odum, incêndio, puta dor, fúria e alta tensão no mundo, todos temos. no meu corpo, o canto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://toobitornottoobit.blogspot.com/"><strong><em>Alex Simões</em></strong></a><em> é poeta e performer. Tem quatro livros publicados e uma série de poemas em antologias, coletâneas, revistas e sites nacionais e internacionais. Participa de importantes saraus, festivais literários e eventos multilinguagens na Bahia e fora dela desde os anos 90. No dia 5 de dezembro vai lançar “no meu corpo o canto: #experimentoscomletrasurbanas”, livro de artista em coautoria com o Coletivo Tanto Criações Compartilhadas. </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivopalavraii-19/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 13:16:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Fleury]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[quantos players hoje – poemas do árcade ao console]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=18126</guid>

					<description><![CDATA[Os versos inquietantes de Felipe Fleury]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Felipe Fleury</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/K2A3584.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/K2A3584.jpg" alt="" class="wp-image-18132" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/K2A3584.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/K2A3584-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Cristiano Xavier</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Esta manhã que não finda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando o dia<br />
tem sede</p>



<p class="wp-block-paragraph">sorve o eclipse rubro<br />
da manhã<br />
em cálice de pedra</p>



<p class="wp-block-paragraph">enquanto espera com paciência<br />
balas escavarem epígrafes escarlates<br />
nos seus olhos inflamados</p>



<p class="wp-block-paragraph">é tiro e queda<br />
antes do fim da tarde<br />
choverá vinagre</p>



<p class="wp-block-paragraph">sobre as terrinas<br />
dispostas nos cemitérios<br />
&#8211; o que nem sempre sacia a sua sede &#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">até as trombetas soarem<br />
mais alto que as sirenas</p>



<p class="wp-block-paragraph">anunciando o funeral<br />
da mãe do natimorto</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando o dia tem sede<br />
até o silêncio se tinge<br />
de vermelho</p>



<p class="wp-block-paragraph">não<br />
não é o fim do mundo<br />
ainda</p>



<p class="wp-block-paragraph">É só esta manhã<br />
que não finda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sem sombra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso nas pequenas deslembranças<br />
para esconder as grandes demais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faço este verso mais longo só para ocupar minhas mãos:<br />
que não escavem sob as raízes<br />
memórias que não procuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A noite, embora escura,<br />
não é seara do esquecimento,</p>



<p class="wp-block-paragraph">é onde a memória trabalha em silêncio,<br />
é quando a poeira da consciência<br />
se amontoa sobre os meus ombros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ando então até ser de manhã,<br />
&#8211; para cegar-me à luz do sol e enxergar<br />
apenas o que os meus dedos tateiam &#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">pisando sem deixar rastros<br />
chegando sem fazer sombra,</p>



<p class="wp-block-paragraph">sem me saber,<br />
nem sabendo o que se perdeu<br />
antes do último passo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Amniótico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagina a palavra,<br />
se não grita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagina se entala<br />
no cimo da garganta,<br />
entre o céu da boca e a língua,<br />
no silêncio claustrofóbico<br />
e úmido da saliva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagina um paralelepípedo.<br />
Imaginou? É isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagina agora por que chora<br />
o recém-nascido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ubíquo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mundo já aconteceu<br />
e o indestrutível é só o que passou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Torres erguidas são escombros à meia-noite<br />
e o amanhã, mero adiamento do caos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada o impede ou controla.<br />
Vem grasnando pela frincha das horas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caos me sabe entre os dentes<br />
e me devora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apneia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre um poema e outro,<br />
o que me aflige é a lucidez da cena muda:<br />
o mato crescendo nos seus espaços,<br />
onde tudo é silêncio e desperdício.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Prendo o fôlego dentro do poema<br />
sem desistir de respirar, no entanto<br />
&#8211; até o fim da apneia,<br />
meus pulmões serão líquidos -.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Expelirei somente<br />
o que não for algum delírio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Colapso</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que vive<br />
é o que me inspira:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a mosca, voo interrompido<br />
no aço da teia invisível;</p>



<p class="wp-block-paragraph">o cotidiano da formiga<br />
sob o passo apressado;</p>



<p class="wp-block-paragraph">o peixe, espasmos de prata<br />
no cabo de guerra invencível;</p>



<p class="wp-block-paragraph">o inocente sobre o chão de corpos,<br />
alvo fixo na parede de chumbo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que me inspira vai<br />
até ao vão da vida</p>



<p class="wp-block-paragraph">e desaparece no lapso<br />
do instante inexorável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver é sobreviver<br />
até ao colapso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Felipe Fleury</em></strong><em> é formado em Direito, funcionário público, reside na cidade de Petrópolis/RJ. Tem poemas publicados no e-book do concurso de poesias da Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ-2018), nas Revistas Literárias Contempo, Contexto, Mallarmargens e Ruído Manifesto, além de ter sido selecionado para integrar a antologia, “quantos players hoje – poemas do árcade ao console”, organizada pelas Editoras Patuá e Fractal. Coorganizador dos saraus poéticos: Saracura e Sarauema. Instagram: @felipefleuryffc.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-73/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-73/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 13:12:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[O amor é um abismo furtivo]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael M. Fogaça]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[Rafael M. Fogaça visita “O Amor é um abismo furtivo”, livro de Adriano de Paula Rabelo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Do amor e seus abismos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Rafael M. Fogaça</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/CAPA.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="304" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/CAPA.jpg" alt="" class="wp-image-18127" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/CAPA.jpg 304w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/CAPA-203x300.jpg 203w" sizes="auto, (max-width: 304px) 100vw, 304px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um amor começa, nunca pensamos que ele pode acabar. Tornamo-nos tão envolvidos pelo charme, a beleza, a conversa, as promessas do alvo de nossos afetos que partilhamos com ela ou ele um tempo aparentemente situado fora da história, um tempo mítico em que experimentamos uma sensação intensa de felicidade. É durante essa suspensão do tempo que acreditamos ter sido bafejados pela eternidade: o amor não acabará jamais. O universo mítico, porém, é habitado por deuses, heróis e outros seres extraordinários. Como a condição humana nos torna seres enredados na história, tudo em nossa existência sujeita-se a um processo marcado por início, desenvolvimento e fim. Somos perecíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode-se dizer que <em>O amor é um abismo furtivo</em>, novo livro de contos de Adriano de Paula Rabelo, é composto justamente por histórias sobre a perecibilidade do amor ou histórias de desamor. Nas oito narrativas que o compõem, o autor mostra como este sentimento tão decantado e tão aspirado por tantos de nós se desgasta e se desfaz. São histórias às vezes tristes, às vezes carregadas de ironia e humor, escritas em linguagem clara e fluente, com parágrafos curtos e frases precisas, sem malabarismos retóricos a sobrecarregá-las. A propósito, vale a pena prestar atenção nas diversas formas que os contos assumem. Alguns são compostos à maneira tradicional, com apresentação linear do entrecho num só bloco narrativo. Outros se apresentam na forma de um quebra-cabeça de mensagens telefônicas trocadas pelos membros de um casal, marcações das etapas do desenvolvimento de uma relação ao longo dos meses que ela durou, mini-histórias de amor reunidas numa coletânea representativa de variadas separações, o fim de um amor apresentado pelo crivo dos dois ex-amantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se em <em>Desabraçar</em>, seu primeiro livro de contos, Rabelo utilizou apenas o foco narrativo em primeira pessoa, com o protagonista relatando e avaliando eventos nos quais tomou parte, agora há uma mescla dos dois pontos de vista clássicos, com algumas histórias sendo contadas em terceira pessoa. Isso acontece quando o narrador busca maior objetividade. Entretanto, esse narrador é sempre modesto, nunca se mostrando onisciente a ponto de saber o que se passa na interioridade dos personagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fato notável é que os textos do escritor se tornaram mais extensos, com mais detalhes e mais desdobramentos, apesar de seguirem buscando uma concentração expressiva que valorize o essencial em termos do enredo, ritmo e linguagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O brilhante conto que abre o volume, intitulado “Penicilina”, é muito significativo das qualidades técnicas do autor, bem como da comoção sutil provocada por seus textos. Com linguagem depurada de construções frasais empoladas e de vocabulário exibicionista, Adriano Rabelo põe em cena uma mulher de 34 anos e um homem de 33 que viveram juntos um marcante primeiro amor durante sua adolescência, numa cidade do interior. Possuidora de grande talento intelectual, ela prometia se realizar como profissional de sucesso na idade adulta. Ele, por sua vez, se possuía uma inteligência mais limitada, tinha aptidão para os esportes. Quando o rapaz deixa a cidade natal para frequentar uma universidade na capital, em pouco tempo eles encerram um relacionamento que lhes proporcionou as experiências fundamentais – a primeira experiência amorosa, as primeiras experiências sexuais, planos entusiasmados para o futuro –, ficando muitos anos sem se encontrar. Quando ele volta ao interior, por ocasião de um problema de saúde do pai, os ex-namorados se encontram casualmente. Acabam tendo uma frustrada noite de amor. Eles mesmos não são mais nem sombra dos adolescentes promissores que foram um dia. Em meados de sua terceira década de vida, não realizaram nada do que suas capacidades prometiam. Frustrados, ele volta para a capital, a fim de retomar uma vida e um trabalho que não o satisfaziam, e ela permanece no interior, a cuidar sozinha da filha que teve num casamento fracassado. Dias depois, porém, ambos começam a sentir os sintomas de uma blenorragia. Vão ao médico, se tratam com a penicilina do título, e cada um pensa que a doença lhe foi passada pelo outro, num prolongamento ainda mais melancólico do desfecho de sua história. Ao final, saímos com a sensação da mais absoluta fragilidade dos laços afetivos que estabelecemos com outras pessoas, por mais que acreditemos na resistência do amor aos efeitos do tempo e das transformações na sensibilidade dos amantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o seu primeiro livro de contos, numa espécie de antirromantismo de forma e fundo, o autor vem primando pela criação de personagens reais num mundo real, reduzidos a sua estatura humana. Trata-se de apresentar ao leitor uma fatia da vida humana nestes tempos inseguros em que vivemos. Em certo sentido, por sua fixação em aspectos pungentes da vida real, Adriano de Paula Rabelo tem se mostrado um escritor de “pouca” imaginação. Se a força de sua literatura tem se sustentado justamente em personagens e situações reconhecíveis na realidade, recortados no que têm de mais significativo, eu gostaria de testemunhar sua imaginação expandindo-se a ponto de ponto de retratar seres e mundos para além destes que encontramos todos os dias em nossas casas e nas ruas da cidade. Esta é talvez a única restrição que se possa fazer aos rumos que o escritor vem dando a sua criação literária. Lembremos que mesmo um Flaubert mesclava trabalhos mais colados à realidade, como <em>Madame Bovary</em> e <em>A educação sentimental</em>, com outros mais imaginativos, como <em>Salambô</em> e <em>A tentação de Santo Antão</em>, ampliando o espectro de sua criatividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De todo modo, dentro do que Rabelo se propôs fazer, este seu novo livro de contos realiza-se como uma evolução em relação a <em>Desabraçar</em>, publicado há dois anos, e parece anunciar, para breve, voos mais altos e mais ousados do autor, que já está maduro para a escrita de romances.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, vale uma observação sobre essa nova literatura brasileira de autores mais jovens, lançados por editoras pequenas. Justamente por não produzirem para o mercado literário, tais autores, que vêm publicando alguns dos trabalhos mais interessantes da literatura brasileira contemporânea, encaram as letras como uma manifestação do espírito, não como uma carreira. Daí a preciosa liberdade que possuem para experimentar com enredos, linguagens, temas em ebulição no momento. As reuniões de contos em torno de um tema específico, que têm sido marca das criações de Adriano de Paula Rabelo, contêm essa liberdade, embora utilizada somente até onde ela contribui para a força de sua expressão. <em>O amor é um abismo furtivo</em> mostra um escritor em plena evolução para obras que em breve terão um público e um reconhecimento maior, em virtude de suas qualidades. Quem viver, verá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Rafael M. Fogaça </em></strong><em>é mestre em Estudos Literários pela Unicamp. </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética VI</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-69/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 13:10:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Adriana Linhares]]></category>
		<category><![CDATA[Atrás do não-dito]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[A busca do não-dito na profusão da poesia de Adriana Linhares

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Adriana Linhares</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face03.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="450" height="479" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face03.jpg" alt="" class="wp-image-18159" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face03.jpg 450w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/face03-282x300.jpg 282w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Cristiano Xavier</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Haverá um tempo de linhas imprecisas<br />
onde não importa o princípio e a saída<br />
e tudo se arranjará tão bem<br />
como num embrulho de quereres<br />
amplo e desorganizadamente eficaz.<br />
O outro será descomplicado como você<br />
qualquer outro será o seu amor<br />
como num bloco de carnaval<br />
sem interrupções</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que pretendeu encontrar sentidos<br />
passou a se esgueirar ao sol<br />
sem pressa, pouca ânsia<br />
horas desmarcadas<br />
terreno, terreira<br />
trinta e tantas luas novas.<br />
Uma vez que não desviou veredas<br />
foi levada avalanche<br />
vendo, absorvendo, umedecendo<br />
resrespirando<br />
grão de areia e pétala<br />
queda d’água sem método.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Subterrâneo</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">as minúcias que sua cidade vomitava, a deixava de boca aberta<br />
é talvez um acerto não ter postura ereta<br />
diante da síndrome dos mais vendidos clássicos,<br />
da argamassa de história que chapisca os prédios de mais de 200 anos,<br />
diante das formas de vida que transitam atônitas,<br />
em correrias irrecuperáveis<br />
ela ainda se admirava de ter terra em que gostasse de pisar</p>



<p class="wp-block-paragraph">para não atropelar a si mesma escrevia:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; busque compreender o crescimento do manjericão<br />
&#8211; beba licor a cada vez que o cachorro do vizinho de solidão chorar<br />
&#8211; entenda que a entrega é a fisiologia do presente</p>



<p class="wp-block-paragraph">despejar anotações nos olhos era como ter um santuário nas mãos</p>



<p class="wp-block-paragraph">na cidade que late nervos e bengalas, o subterrâneo também é sustento</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">adormecer como fuga da monotonia agreste dos súbitos enganos<br />
o repouso das ansiedades encardidas, dos despreparos de ser e estar</p>



<p class="wp-block-paragraph">incumbir-se do real era algo escorregadio como fruta que ao cair se mistura no solfejo dos insetos<br />
ampliar-se no real era como diluir-se em si mesmo<br />
paisagem de tropeço e pequenas glórias trêmulas</p>



<p class="wp-block-paragraph">aranhas fazem trilhas sobre a sacada<br />
há quem ache desnecessário reparar nelas<br />
no entanto elas arrancam minha atenção em confraria<br />
mostrando que a vida miúda também hipnotiza</p>



<p class="wp-block-paragraph">há algo dentro que ainda não sei definir ou nunca saberia<br />
algo que às vezes ouso perfurar<br />
que às vezes precisaria dizer a mim mesma mas esqueço pois tenho aquela compra do mês pra fazer</p>



<p class="wp-block-paragraph">autoqueixa translúcida<br />
organismo penitente e selvagem<br />
gama de enigma que não cessa<br />
que não sabe converter brevidades<br />
e pôr em punho disfunções</p>



<p class="wp-block-paragraph">quem haverá de me tecer ou o quê?<br />
o que há de regular ou revirar?<br />
não caibo nesses dias letivos repletos de filtros</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">aglomerava seus segredos ao relento<br />
eles às vezes entupiam sua espinha<br />
silêncios substanciais<br />
ancorados na couraça da ausência</p>



<p class="wp-block-paragraph">se sentia só quando escutava os sons de jogos na antessala da memória<br />
quando anunciavam seu nome completo pra participar de algo<br />
e no exato momento que terminava a música do Milton,<br />
sentia uma solidão tão alucinada<br />
como se nada mais concedesse respiro<br />
apenas os trechos extensos e sacanas dos poetas beatniks<br />
o jeito rústico de quando a lua se alinhava com sua vênus no mapa astral<br />
ou a maneira agridoce que aquela confidência atravessava certeira sua procissão de pensamentos</p>



<p class="wp-block-paragraph">parecia que nada mais merecia castigo do que esses tempos em que as pessoas não se enviam mais cartas</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">A vida reconciliada<br />
potencialmente desvairada<br />
às vezes no banco de trás<br />
explodida nossa<br />
lançada sem disfarce<br />
no subúrbio dos ímpetos<br />
desmemoriada e fatal<br />
sequestrada do rebanho<br />
contrariada no afeto<br />
organizada sem autoridade<br />
ofuscada com detalhes</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida exatamente não literal</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Adriana Linhares</em></strong><em> nasceu no Rio de Janeiro em 1982. É poeta, arte-educadora e mãe da Selena. Publica seu primeiro livro de poesias&nbsp;“Atrás do não-dito”&nbsp;em 2019 pela Fólio digital e participa da organização de saraus e do editorial do Fanzine Poesia Espiral desde 2005. Atualmente é mestranda no Programa de Pós-graduação em artes na UERJ.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Janela Poética I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-75/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 12:58:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[140ª Leva - 07/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[A Transfiguração da fome]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Sara F. Costa]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=18112</guid>

					<description><![CDATA[As mais recentes percepções da escrita de Sara F. Costa]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Sara F. Costa</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ice-Diamond.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="334" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ice-Diamond.jpg" alt="" class="wp-image-18114" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ice-Diamond.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2020/12/Ice-Diamond-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Cristiano Xavier</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">deixa o sol curar as cicatrizes de inverno<br />
o céu cinzento verte das veias,<br />
abre golpes nos poemas suburbanos.<br />
olhos sem fogo engolidos em noites<br />
que são rastos, que são desordem<br />
que são pictogramas imóveis<br />
na linguagem corporal.<br />
deixa o silêncio relatar as memórias,<br />
os poemas que surgem em sonhos<br />
e que surgem nos bares, oferecem um cigarro<br />
oferecem uma cerveja caseira<br />
num fôlego sem pátria, sem fronteira,<br />
sem bandeiras hasteadas na existência.<br />
sentamo-nos numa ponta da eletricidade<br />
e acabamos a comer shaobing<br />
a ayi tem um rosto claro,<br />
ilumina a escuridão do pensamento<br />
trago os dedos gelados à boca<br />
em breve acordarei em casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">***<br />
&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Portugal é um segredo escondido na garganta,<br />
é um licor muito forte entre os músculos e o poema.<br />
livros enevoados desdizem a lógica subterrânea do medo.<br />
um homem que amei encontra-me em espírito ainda viva<br />
como o Genji encontrou a Sra. Rokujo.<br />
voa em direções contrárias à minha personalidade.<br />
o poeta organiza os enigmas em forma de dorso<br />
para manter o segredo<br />
mas a Murasaki escreveu a história da minha vida há um milénio.<br />
a viagem do espírito fez-se num Boeing 777.<br />
acima das nuvens, não vejo horizontes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">tenho um animal sentado entre as sílabas,<br />
ruge pela estética<br />
trouxe-o no avião comigo para a China.<br />
caminha pelos anéis da cidade,<br />
fareja o nevoeiro de agosto,<br />
pontua os poemas.<br />
cresce silencioso no ventre cego<br />
até à Cidade Proibida<br />
onde vai dilacerar impérios<br />
e invadir noites inteiras.<br />
trago um animal que lateja pelo esgotamento<br />
abre-se em forma de esfinge,<br />
esconde-se entre as fissuras urbanas do poema.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">ela deita-se todos os dias contra a própria boca<br />
como um arquipélago imóvel,<br />
o nome ancorado ao desafio,<br />
as pernas abertas em forma de espelho.<br />
todos os clientes são válvulas:<br />
deixam-na abrir-se ou obrigam-na a fechar-se<br />
deixam-lhe no quarto turbulências &#8211;<br />
por vezes não sabe se é carne ou se é um contentor.<br />
quartos inteiros de sémen em todos os pesadelos<br />
corpos mergulhados em si mesmos<br />
é um crime definitivo<br />
que não sai com as lavagens,<br />
mesmo que se lave sete vezes por dia.<br />
“vagina de betão”, descreve-se, como ao resto da cidade.<br />
por vezes fala de uma criança que lhe mora na garganta<br />
nascida numa vila em Sichuan,<br />
garante que é ela quem chora convulsivamente antes de dormir.<br />
da janela do motel lê “Crescimento Pacífico”<br />
e é assim que se deixa estar,<br />
crescendo apenas<br />
até desaparecer.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">entro na biografia das ruas,<br />
desaperto o vocabulário,<br />
falo um mandarim rouco<br />
como a forma do sino na torre.<br />
Gulou dança elétrica nos nervos dos forasteiros,<br />
artistas nas veias da noite<br />
olhos violentos no êxtase vagaroso<br />
das linhas de metro.<br />
um velho come uma chuanr<br />
enquanto outro velho a cospe, audível<br />
cuspo também o peso sinistro<br />
da mulher que vende cigarros,<br />
há uma claridade que se desaperta do seu rosto<br />
é um néon sinográfico,<br />
hutongs gravitam em torno das árvores<br />
que gravitam em torno da confusão dos turistas.<br />
um Bentley bloqueia o estreito caminho<br />
que vai dar à casa onde o poeta se embebeda.<br />
ainda não é meia noite, mas já há música<br />
endireitamos a cobra que nos desce da respiração<br />
e lembramos que ainda é dia no país de onde viemos.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">fala mais alto acerca das estratégias de sobrevivência<br />
para que a criança te possa ouvir.<br />
fala da forma como os dedos de prata genéticos<br />
podem ajudá-lo em dias confinados<br />
às ambições das outras pessoas.<br />
nós somos tão fortes quanto a repetição<br />
dos dias que aceitamos.<br />
tu estavas a brincar com os teus amigos<br />
e o pequeno Xu bloqueou-te passagem &#8211;<br />
ele achava que era uma cortina.<br />
ora, se ele fosse realmente uma cortina,<br />
ficavas assim tão zangado?<br />
anda para a mesa da cozinha<br />
antes de nos começarmos a conhecer<br />
e não tenhas inveja:<br />
somos muito menos estrangeiros do que<br />
o homem à porta com as encomendas.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Sara F. Costa</em></strong><em> nasceu em 1987 na Vila de Cucujães. Licenciou-se em Línguas e Culturais Orientais pela Universidade do Minho e tirou o mestrado em Estudos Interculturais: Português/Chinês pela Universidade do Minho em parceria com a Universidade de Línguas Estrangeiras de Tianjin.&nbsp;O seu último livro “A Transfiguração da Fome” obteve o Prémio Literário Internacional Glória de Sant’Anna para melhor obra de poesia publicada em países de língua portuguesa em 2018. Tem poemas traduzidos e publicados em publicações literárias um pouco por todo o mundo.&nbsp;Faz crítica literária e traduz poesia chinesa para português.&nbsp;Coordena eventos literários no coletivo artístico internacional Spittoon.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
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