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	<title>91ª Leva &#8211; 05/2014 &#8211; Diversos Afins</title>
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	<description>entre caminhos e palavras</description>
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	<title>91ª Leva &#8211; 05/2014 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 15:09:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 91ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA11.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="500" height="377" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA11.jpg" alt="" class="wp-image-7851" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA11.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA11-300x226.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Marcantonio</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o tempo, fica a marcante impressão de que as coisas precisam seguir um curso natural, sem a geração de expectativas demasiadamente projetadas. Vontades existem, isso é fato inegável, mas o bom mesmo é fazer delas uma peça favorável à instigante engrenagem das descobertas até mesmo involuntárias. Em que medida a palavra resistência pode representar o principal mote dos caminhos que norteiam a Diversos Afins? De modo especial, o convívio e, por conseguinte, o aprendizado estabelecido com as pessoas que se aproximam de nosso projeto à frente da revista torna a trajetória um tanto mais serena. A busca pela qualidade é uma meta editorial que não sofre os efeitos de regramentos limitadores da criação. Entendemos que critérios pautados no bom senso, razoabilidade e, sobretudo, sensibilidade são definitivamente aspectos fundamentais em nossa jornada de pesquisa e seleção de materiais publicáveis. E é sempre bom frisar que, nesse ponto, o apego a verdades universais nada contribui para que novos diálogos se consolidem. Então, é preciso rechaçar a imutabilidade do pensamento, principalmente quando ela impede que o entendimento sobre os fenômenos que nos cercam possa se efetivar. Talvez aqui o termo resistência possa ser empregado, tendo em vista a importância de combatermos a mediocridade do pensamento. Sem dúvida alguma, o grande lado benéfico dessa reflexão é sustentar a amplitude da busca pela diversidade sem perdermos os referenciais indispensáveis a uma adequada análise e difusão dos conteúdos. O comprometimento maior que se opera a cada nova publicação está na perspectiva de estreitar laços entre criadores e o público almejado. A partir do momento em que uma obra se lança ao mundo, já não é mais a mesma, pois seus leitores e apreciadores, com suas esferas interpretativas próprias e quiçá singulares, conferem a ela um status de renovação sem a perda do seu ímpeto originário. Nesse exercício permanente e dinâmico de aglutinações, traçamos percursos dotados de certa autonomia quando, por exemplo, contemplamos e também internalizamos as sensações tidas a partir da expressão de <strong>Marcantonio</strong>, artista que expõe entre nós a espinha dorsal de sua epifania mundana. Compartilhando também desse sentimento libertário, apreendemos as vivências poéticas de gente como <strong>Juliana Krapp</strong>, <strong>Dheyne de Souza</strong>, <strong>Zeh Gustavo</strong>, <strong>Madjer de Souza Pontes</strong>, <strong>Winston Morales Chavarro </strong>e <strong>Pedro Du Bois</strong>. Na entrevista com a escritora <strong>Helena Terra</strong>, os densos caminhos da palavra atravessam a vida de uma autora que veio fazer morada entre nós. Na seara da música, o mais recente disco dos pernambucanos da <strong>Nação Zumbi</strong> vira alvo dos apontamentos de <strong>Larissa Mendes</strong>. Os diferentes modos de usar a vida enredam os contos de <strong>Paulo Bono</strong>, <strong>Thays Berbe </strong>e <strong>Mariza Lourenço</strong>. O mais novo livro do poeta <strong>Zeh Gustavo</strong> é tema das precisas observações de <strong>Leonardo D’Avila</strong>. No caderno de cinema, todas as atenções estão voltadas para o intenso <strong>Tatuagem</strong>, filme dirigido por Hilton Lacerda. O espírito reinante na Leva que agora surge rende homenagens ao saudoso escritor e parceiro <strong>Nilto Maciel</strong>, autor que dedicou imensa parte de sua vida à sua cumplicidade com as palavras. Com ele, aprendemos, dentre outras coisas, a cultivar a continuidade dos caminhos editoriais. Assim, fundamos mais uma especial edição.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Leveiros</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
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		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-26/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 15:05:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Science]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
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		<category><![CDATA[resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[Larissa Mendes apresenta o novo disco da Nação Zumbi]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Larissa Mendes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NAÇÃO ZUMBI – NAÇÃO ZUMBI</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/capa-m.jpg"><img decoding="async" width="450" height="407" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/capa-m.jpg" alt="" class="wp-image-7792" title="Nação Zumbi" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/capa-m.jpg 450w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/capa-m-300x271.jpg 300w" sizes="(max-width: 450px) 100vw, 450px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Veias, coração, desejos, legado</em>. O trecho de <em>Cuidado, </em>faixa do oitavo álbum da Nação Zumbi parece sintetizar a capa e o sentimento presente no mais recente trabalho da banda. Vinte anos depois do icônico <em>Da Lama Ao Caos </em>(1994), o sexteto pernambucano afaga as cicatrizes deixadas pela prematura morte de seu idealizador Chico Science, em 1997, e lança um disco calcado nos primórdios do <em>manguebeat. </em>Com uma roupagem solar e dançante, <em>Nação Zumbi </em>(2014) traz 11 faixas inéditas, depois de um intervalo de 7 anos desde <em>Fome de Tudo</em> (2007) – hiato este marcado por projetos paralelos de seus integrantes, pelo lançamento do DVD <em>Ao Vivo no Recife</em> (2012) e do duelo <em>Mundo Livre vs. Nação Zumbi</em> (2013), no qual a trupe comandada por Fred 04 canta músicas do grupo de DuPeixe e vice-versa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Produzido por Kassin e Berna Ceppas, o conceito do novo álbum parece inspirado na passionalidade narrativa de Nelson Rodrigues. Isso talvez explique a visceralidade que permeia toda a obra. A matriz <em>manguebeat</em> eternizada por Science é mantida, porém, vez ou outra, pop e rock se fundem de maneira exótica, o que pode causar certa estranheza aos fãs mais radicais, ávidos pelo compasso dos tambores. Como frisou o vocalista em uma entrevista, ‘<em>é um caminho diferente para a mesma casa</em>’. Distribuído pelo selo <em>Natura Musical/SLAP</em> (<em>Som Livre</em>), o trabalho está disponível em diversas plataformas digitais, incluindo o canal oficial da banda no <em>YouTube</em>. Todas as composições são assinadas por Jorge DuPeixe (vocais), Lúcio Maia (guitarra), Dengue (baixo), Pupillo (bateria) e pelos percussionistas Gilmar Bola 8 e Toca Ogan.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/foto-interna-m1.jpg"><img decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/foto-interna-m1.jpg" alt="" class="wp-image-7794" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/foto-interna-m1.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/foto-interna-m1-300x199.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Nação Zumbi / Foto: Divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Cicatriz, </em>faixa de abertura e primeiro <em>single</em> do disco, fala das marcas estampadas na derme da nossa vida (<em>fica bem desenhado só pra ser bem lembrado/risco do erro malvisto, malquisto e mau-olhado</em>). Os versos crus de <em>Bala Perdida</em> relatam a fração de segundo que separa a vítima do sobrevivente (<em>vi quando você passou/pra se esconder em outro alguém/senhora bala, me deixe passar/logo eu que sou pacífico/senhora bala, me dê licença/eu não sirvo pro seu destino não</em>). <em>Defeito Perfeito</em> tem uma levada <em>funk</em> e os sempre potentes <em>riffs</em> das guitarras de Lúcio Maia. <em>O Que Te Faz Rir </em>ensina, entre outras coisas, a manter<em> ‘a leveza num dia de cão’ </em>e conta com os <em>backing-vocals</em> de Laya Lopes (cantora da banda cearense <em>O Jardim das Horas</em>) e de Lula Lira, filha de Science.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As três canções seguintes compõem o momento mais suave do álbum. A primeira delas é a ‘ciranda que não para’, <em>A Melhor Hora da Praia, </em>balada com arranjos de cordas e participação de uma onipresente Marisa Monte. A cereja do bolo (ou o caranguejo do mangue) fica a cargo da onírica <em>Um Sonho </em>(<em>estão comendo o mundo/ pelas beiradas/roendo tudo/quase não sobra nada</em>), onde DuPeixe empresta toda sua verve melódica, até então pouco explorada, para cantarolar sobre um doce devaneio. Os versos de <em>Novas Auroras</em> (<em>feliz pelo que ainda não veio/saudades do que nem foi/esperando o melhor dos agoras/nem temos o antes e já queremos o depois</em>) encerram o bloco analisando nossa insatisfação com o tempo, ou com o ‘<em>Hoje, Amanhã e Depois</em>’, parafraseando a canção de <em>Futura</em> (2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se<em> Nunca Te Vi </em>(<em>vivo na promessa de encontrar você/me perco na incerteza disso acontecer</em>) aborda a busca por alguém idealizado, a intensa e belíssima <em>Foi de Amor</em> – já presente em shows da banda antes do lançamento do álbum, inclusive em sua apresentação na edição brasileira do <em>Lollapalooza</em> deste ano –, compara o amor a ‘<em>uma droga mais que letal/quando não mata, aleija/faz esse temporal/não tem nem contraindicação/dependendo da dose/acelera e racha o coração</em>’. As sirenes de <em>Cuidado (quando você não ouve seus passos/você perde o chão) </em>anunciam uma espécie de<em> indie-rock </em>preventivo que deságua na explosiva <em>Pegando Fogo, </em>encerrando o álbum com todo o amor e fúria dos <em>mangue-boys</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É bonito de ver que, duas décadas depois, como profetiza <em>Mateus Enter</em>, faixa que abre <em>Afrociberdelia</em> (1996), o coletivo permanece ‘com Pernambuco embaixo dos pés e a mente na imensidão’, fazendo um som vibrante, renovado e sem síndrome de <em>underground</em>. E se ‘você dá um passo à frente e não está mais no mesmo lugar’, nada mais justo que todos os caminhos levem à Nação Zumbi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="//www.youtube.com/embed/OhNKpgwQPJ0" width="560" height="315" frameborder="0"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Larissa Mendes</em></strong><em> é uma mangue-girl do oeste catarinense</em>.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética IV</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iv-28/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 14:45:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
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		<category><![CDATA[Editora Substânsia]]></category>
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		<category><![CDATA[O núcleo selvagem do dia]]></category>
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		<category><![CDATA[Revista Pechisbeque]]></category>
		<category><![CDATA[truque]]></category>
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					<description><![CDATA[A face poética de Madjer de Souza Pontes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Madjer de Souza Pontes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="314" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA6.jpg" alt="" class="wp-image-7783" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA6.jpg 314w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA6-188x300.jpg 188w" sizes="auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Marcantonio</figcaption></figure>
</div>


<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>[estrema]</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">no poema não cabe a vida<br />
é mais um talho preciso<br />
que se grava em cada face<br />
no crispar de cada ricto</p>



<p class="wp-block-paragraph">uma coisa que essencial:<br />
é de uma fratura a quota –<br />
do laminar-se da faca<br />
da alma ferida nas costas –</p>



<p class="wp-block-paragraph">renúncia – por algum tempo –<br />
da vida cotidiana:<br />
é a reserva do silêncio<br />
quando a voz tudo abocanha –</p>



<p class="wp-block-paragraph">hiato eterno de relógio<br />
com a medida que cresça<br />
no pulso de cada homem<br />
a liberdade que o expressa</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[alheio]</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">o estranho se reconhece<br />
no que de estranho em nosso olho<br />
como quando um turvo espelho<br />
cruza num outro o seu rosto:</p>



<p class="wp-block-paragraph">face a face dois espelhos<br />
gera-se mais um abismo<br />
e sejam turvos ou limpos<br />
não se calcula preciso:</p>



<p class="wp-block-paragraph">é que num semblante alheio<br />
pretendemos qualquer fim:<br />
um reflexo que no espelho<br />
soe semelhante há dois sins –</p>



<p class="wp-block-paragraph">são dois mares desiguais<br />
dimensão sob dimensão:<br />
se água límpida ou toldada<br />
mergulha fundo a visão</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[outra parte]</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">dentro em pouco serei cinza<br />
que volve ao leito primeiro<br />
como se dentro de casa<br />
duma vez puxado – inteiro –</p>



<p class="wp-block-paragraph">ou o arcabouço de uma imagem:<br />
restos de fotografia<br />
para quem ali os visse:<br />
é esse que há pouco vivia –</p>



<p class="wp-block-paragraph">talvez só me reste o nome<br />
quiçá dito em certa prece<br />
que o precário que se deixa<br />
tem o silêncio que merece –</p>



<p class="wp-block-paragraph">ou nem o nome sequer<br />
só uma coisa transparente:<br />
como uns resmungos à noite<br />
feito um eco inconsequente</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[o poeta sonâmbulo]</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">cedo vieram bater à minha porta<br />
perturbaram-me o já baldado sono<br />
prenunciaram-me sem chances de fuga<br />
tudo que pelo dia vário serei</p>



<p class="wp-block-paragraph">na rua interrompe-me a cada degrau:<br />
homens sedentos vasculham os bolsos<br />
à procura de um ímpeto de vida<br />
e sempre cedo – minha dor é cedo –</p>



<p class="wp-block-paragraph">passeiam na confusão de meus braços<br />
minhas mãos gravam seus sonhos em mim<br />
e quando ausentes chaves recupero<br />
é uma nota que incha na garganta –</p>



<p class="wp-block-paragraph">a janela me abre à rua-do-dia-curvo<br />
e o mundo afora me pesa no lápis –<br />
mas quando me virem beijando a noite<br />
permitam-me o delírio das essências</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[truque]</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">logro: medida precisa<br />
que no ouvido do traído<br />
concretiza-se na língua<br />
do paladar corrompido:</p>



<p class="wp-block-paragraph">a fala dá um passo a frente<br />
mas um passo cauteloso<br />
que o ouvido do outro se feche<br />
ao que o verbo leva no bojo –</p>



<p class="wp-block-paragraph">e a palavra realizada<br />
assenta pedras precisas<br />
e quando o outro se depara<br />
não credita ao passo ferida –</p>



<p class="wp-block-paragraph">é dizer não como sim<br />
ou sim embutindo o não<br />
na balança o dito posto<br />
a alma se põe noutra mão</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Madjer de Souza Pontes</em></strong><em> nasceu na cidade de Pedra Branca, Sertão Central do Ceará. Editor da <a href="http://revistapechisbeque.blogspot.com.br/">Revista Pechisbeque</a> e da Editora Substânsia. “o núcleo selvagem do dia” é o seu primeiro livro de poemas.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivopalavra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 14:35:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo D’Avila]]></category>
		<category><![CDATA[Memória e rasura]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia do suprimido]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Verve]]></category>
		<category><![CDATA[Zeh Gustavo]]></category>
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					<description><![CDATA[Leonardo D’Avila escreve sobre os novos versos de Zeh Gustavo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Memória e rasura: a “Pedagogia do Suprimido” de Zeh Gustavo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Leonardo D’Avila</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="305" height="450" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA7.jpg" alt="" class="wp-image-7818" title="CAPA" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA7.jpg 305w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA7-203x300.jpg 203w" sizes="auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Um poeta não se forma sozinho. Ao mesmo tempo, não há pedagogia ou maneira de ensino que dê conta dessa tarefa. Não apenas por uma questão de intersubjetividade, mas principalmente porque, paradoxalmente, a poesia não surge das conclusões, porém das passagens, das metamorfoses. Assim, a artimanha poética precisa de algum tipo de fetiche para que alguém se coloque nas fronteiras do funcionamento da linguagem. Quando o poeta não conta mais com alguma aura de heroísmo ou prestígio social, atividades muito mais corriqueiras podem ser o impulso inicial da escrita para o <em>vates</em> contemporâneo. A cena do escritor perante a máquina de escrever para ver o que simplesmente “sai de dentro dela” é clássica, mesmo ao se saber que a máquina em si seja vazia de conteúdo. Suponhamos, pois, que o poeta tenha perdido seu objeto-oráculo, esteja ele no teclado do computador, no papel A4 ou na caneta “bic”. Sim, a poesia é queda, mas que se tente imaginar por um momento o que acontece quando o poeta já não está tão afinado com seu instrumento de trabalho, isto é, toda a sua parafernália, que já era frágil. A “Pedagogia do Suprimido”, livro mais recente de Zeh Gustavo, põe o leitor diante dessa tentativa. Enquanto em seu trabalho anterior, intitulado “A Perspectiva do Quase”, havia uma boa dose de recursos que demonstravam erudição, metaliguagem e experimentalismo, em uma tentativa de evidenciar a potência vazia que tece o fazer poético, em “A pedagogia do Suprimido”, editado pela Verve no final de 2013, o foco não é mais esse. Pelo contrário, nota-se um menor comprometimento formal acompanhado de coloquialismos e pensamentos que fluem de maneira direta até serem violentados com as palavras, a exemplo da proliferação viral de neologismos, e da impressão forçada de sons rompendo com o sentido que seria esperado, como já se anuncia no título.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A supressão que nomeia o livro não cabe na dialética entre oprimido-opressor (com uma alusão clara a Paulo Freire), pois não persiste a esperança de sujeito emancipado, formado, lúcido ou qualquer coisa do gênero para sustentar utopias como a emancipação ou a desalienação. Os prefixos são extremamente significativos para entender essa mudança de sujeito oprimido para suprimido. Na (<em>ob</em>)pressão ainda existe olho no olho, combate frontal no qual um leva a pior. Na (sub)pressão, não existem dois sujeitos de mesmo nível num confronto. Há apenas o resto da tentativa de formação do impossível, um vestígio de sujeito que nunca consegue se estabelecer, que nunca se forma de maneira definitiva. Na verdade, diferentemente da opressão, na supressão já não há nem mesmo confronto, senão uma miríade de pisadas tão vertiginosa que já torna impossível a separação daquilo que pisa daquele que sofre. Em suma: quando o tédio ou a descrença chegaram em palavras e em coisas, “neste giro sem sina / sem sal nem viço”, não há mais um privilegiado: principalmente a função “poeta”, afinal, o artifício já se emancipou. A face daquele que escreve está na perda dos dispositivos (de máquinas de escrever a princípios poéticos) e não mais apenas na do sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CONTO FUNESTO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Perdi um som quando ele tava a se encostar<br />
Na ponta da minha língua<br />
Perdi depois a língua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perdi uma palavra quando ela pendia já do traseiro<br />
Para a ponta de minha caneta.<br />
Perdi depois a caneta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achei um cinzeiro desbarafutado de utilidades.<br />
(Eu que achara tão-cedo as inutilidades!)<br />
Despejei as minhas cinzas<br />
Que não havia visíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achei minha face.&nbsp; (p. 47)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zeh Gustavo demonstra que o desespero de um mundo pré-governado por dispositivos só não é maior do que o de um mundo no qual já nem mesmo haja a interação com os dispositivos. A perda da língua, da caneta e da urna funerária para depositar as cinzas chegam a dar um tom nostálgico do momento em que as coisas tinham função, seja a palavra para escrever ou o caixão para sepultar. Contudo, o poeta não quer uma volta à funcionalidade. Apenas constata que, por mais que as coisas continuem a fazer sofrer, pois talvez até não tenham nunca deixado de operar, não é mais possível interagir com elas. Por isso, neste seu último livro já não há um escrever sobre o escrever ou um escrever sobre o não-escrever, como acontecia em “A Perspectiva do Quase”, já que os instrumentos, se não se perderam, estão completamente desafinados. E não há nem corpo, nem linguagem nem inconsciente suficientes para acalentar o suprimido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O principal gesto que se destaca em “A Pedagogia do Suprimido”, diante dessa condição da supressão, está no fato de que quem perde a sua caneta “bic”, seu mecanismo de escrita, arranha com prego mesmo. A grande força da lírica de Zeh Gustavo está na rasura, procedimento indeterminado, porém teimoso daquilo que descreve como “ânimo-vândalo”. Se são observados traços da inventividade de Paulo Leminski no autor, este, ao brincar concomitantemente com o som e a escrita das palavras, já não causa a mesma liberação de tensão típica do cômico. Neologismos como “teimoazia” ou “autoboicorte” imiscuídos em variações de tons menores, expressam-se na recorrência do grito, do rabisco. Rasuras insistentes de um livro de poemas com um forte teor autobiográfico, sem velar sua ficcionalidade, sendo, possivelmente, “desmemorialístico”, à maneira de Manoel de Barros. Nesse sui-gênero, o autor até consegue prender a atenção do leitor a ponto de fazê-lo acreditar brevemente, como em um sonho, na investida introspectiva, fazendo jus a uma pedagogia apenas por um lapso, em uma prosa-poética de formação. Isso se reforça ainda mais pela coloquialidade e pelo descompromisso de muitos pensamentos, os quais, muitas vezes fazem parecer que há perante o leitor um sábio contador de histórias. Porém, o próprio texto se assume eventualmente como nada mais que um texto, e todo um hermetismo que parecia surgir entre os poemas sem mais nem menos vai ser comparado, de uma hora para outra e sem aviso prévio, por exemplo, a uma tela de pintura, uma justa superfície mais a ser observada do que propriamente lida. Eis que surge para aquele que lê um autoarremeter, uma troca de olhar para destacar a pura tipografia, meros caracteres sobre uma tela, antes de ser um fluir da imaginação proustiano sobre papel A4 ao qual o leitor fora previamente induzido. É o que discretamente se declara no poema “Na gare, com Delirium Tremens”: “Eu me exprimo em papel-tela / Qual prosa já sem contador nem / Personagem / Só fatos tortos jorrados em borro tarde morta / Tetos em desabares sob picotes-edifício do céu / Texto surrupiado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fatos tortos e desafinados porque estão borrados pela superposição de sílabas a surrupiar o texto a todo momento. É bem notável a esse respeito que o título convidativo do livro já na contracapa vem como “Pedagogia do <span style="text-decoration: line-through;">Suprimido</span>”, o que também acontece na subdivisão interna, onde os capítulos aparecem tachados. Essa rasura, também mostra seu incômodo e sua força, desmontando um fluir lírico, nos inúmeros neologismos e paronomásias, através dos quais o poeta é pródigo ao rabiscar sufixos e prefixos constantemente. Como ele mesmo superpõe, a escrita da rasura no “ânimo-vândalo” vem em conjuntos notáveis de experimentação, por exemplo, quando o autor aproxima as palavras <em>des</em>calamento, <em>des</em>recalcado, <em>des</em>supressão, <em>des</em>vio, <em>des</em>afogo e <em>des</em>abrigo. O uso do prefixo des-, entre muitos exemplos, prova que aquele que escreve não se interessa mais tanto pela linguagem como promessa de desconstrução (diferença e adiamento), tendo em vista que faz dela um vírus, uma des-qualquer coisa. No vaivém de cair no poema e grifá-lo, para logo acordar do sonho, é provocada uma imersão em uma experiência expressionista que parte de uma autobiografia declaradamente ficcional, mas muito envolvente, que é logo marcada pelas repetições dessas rasuras, em que os sentidos são concentrados até a estafa sem que se consiga fazer uma transubstanciação. Qualquer tentativa de heroísmo se esvai quando Zeh Gustavo arranha o disco com suas repetições de um experimentalismo despretensioso, porém de extrema sensibilidade, algo que se relaciona com o que o autor chama de “alto exaustão”. &nbsp;Paralelamente ao rumo da introspecção que não chega nunca a formar um personagem, manifesta-se o gesto deformador (mas não formalista) da rasura, como de um vândalo que descobriu que todo objeto à sua volta lhe pode lhe ser útil como projétil quando abre mão de encontrar a marreta perdida. O risco de prego, a escrita que grita com o rabiscar sobre o sentido, é capaz de concentrar toda a dúvida, a agressividade e a impulsão dos que assumem que já perderam a caneta ou o papel, isto é, que há força, mesmo quando se põe em dúvida a formação, esteja ela em entusiasmo ou em procedimentos poéticos.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Doutorando em literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina, <strong>Leonardo D’Avila</strong> é tradutor da poesia latina de Arthur Rimbaud, publicação do editorial Cultura e Barbárie (no prelo).</em></p>
</blockquote>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-24/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 14:34:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[A Eva En El Destierro]]></category>
		<category><![CDATA[Abel]]></category>
		<category><![CDATA[Carta de Un Escriba a Magdalena]]></category>
		<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
		<category><![CDATA[Huila]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Lázaro]]></category>
		<category><![CDATA[místico]]></category>
		<category><![CDATA[Neiva]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poeta colombiano]]></category>
		<category><![CDATA[Winston Morales Chavarro]]></category>
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					<description><![CDATA[O canto místico do poeta Winston Morales Chavarro]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Winston Morales Chavarro</em></p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="356" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA8.jpg" alt="" class="wp-image-7827" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA8.jpg 356w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA8-213x300.jpg 213w" sizes="auto, (max-width: 356px) 100vw, 356px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ABEL</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caín<br />
Hermano de vientos, nubes, diluvios y ríos<br />
Un mar de luces opalinas gravita en los guáimaros de la ciénaga<br />
Y se aglutina en mi espejo<br />
Como un prisma que nos dice:<br />
La muerte es una puerta<br />
Y el tiempo una ventana<br />
Por donde nuestros pasos presurosos<br />
Perciben otras cosas, otros mundos.<br />
Bello Caín<br />
La quijada de burro con la cual me mataste<br />
Tenía el olor de las encinas y los pinos,<br />
De tus labios venían hasta mi norte<br />
Unos chopos amarillos<br />
Que enhilaban mis pétalos melancólicos<br />
En el hilo de la muerte.<br />
Hermano profanado por los cielos<br />
El dolor de tu hacha cavernoso<br />
Penetraba mi topografía más remota<br />
Mi geografía y mi valle más sagrado.<br />
Ante el golpe subceleste<br />
Que yo he encontrado sutil y generoso<br />
Y que tú asestaste con una sabiduría infinita<br />
Yazgo en la orilla de tu río, pensativo.<br />
Oh, amado Caín<br />
Tus huellas de madreselva<br />
Van decorando mis entrañas,<br />
Van vistiendo de semillas, de hiedras y resinas olorosas<br />
Mi cuerpo fatigado por los viajes.<br />
Mi sudor se impregnaba de tus frutas;<br />
Tus piñas, toronjas y zapotes<br />
Decoraban mi cabeza<br />
Con coronas tejidas por cientos de cuchillos.<br />
Nada soy sin tu golpe<br />
Herrero milenario;<br />
Tus manos son el yunque<br />
Que moldean, a la sombra de estas islas misteriosas,<br />
La herradura, los cristales y los cuarzos<br />
De otras Islas en el hado de la muerte.<br />
Caín<br />
Hermano de mis antepasados<br />
Hay en ti un pretexto para silenciar la historia<br />
Como si la memoria de las dagas<br />
No aceptaran la muerte de Goliat<br />
Como una templanza de David,<br />
Mi muerte es una templanza tuya.<br />
Amado Caín<br />
Por tu golpe y tu palabra<br />
He conocido el paraíso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>A EVA EN EL DESTIERRO</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Qué hermosa es Eva<br />
Qué hermosa la serpiente que le rodea<br />
El árbol que crece en su talle<br />
El fruto carnoso que despliegan sus labios<br />
Al posar sobre la ocarina<br />
Su música en las orillas del bosque.<br />
Qué hermoso su cabello<br />
-Grajillas oscuras que caen sobre sus hombros perfumados-<br />
su nariz que respira otros mundos<br />
y crea para tantos laberintos<br />
el azahar y las guirnaldas que los sustituya.<br />
Qué hermosa es Eva<br />
Qué hermosos sus tobillos<br />
Las huellas que dibuja sobre la arena<br />
Para marcar el camino hacia la luz y hacia las sombras.<br />
Qué hermosos los hijos que le ha arrojado al mundo<br />
El río que desciende por las colinas de su vientre<br />
El volcán de sus ojos de fuego.<br />
Qué hermosa esta costilla pensante<br />
Este polvo sagrado<br />
Esta caña aromática<br />
Que guarda en sus pechos fragantes<br />
Otra manzana para las épocas de lluvia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>CARTA&nbsp; DE UN ESCRIBA A MAGDALENA</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Yo no sé de dobleces de campanas<br />
De sanear o purificar sepulcros<br />
Pero un torbellino de hojas secas me conduce hacia tu vientre<br />
Y alguna parte de esa música secreta<br />
Que tú reinventas y traduces.<br />
Yo no sé de multiplicación de pájaros y peces<br />
Ni siquiera escanciar las ánforas de vino<br />
Pero busco tu cuerpo Magdalena<br />
Como si fuera ese santuario<br />
Donde redimir mis carnes y mis velas<br />
Agobiadas por los golpes de las sombras.<br />
Yo no sé de resurrecciones<br />
-Acaso mi carne no soporte tantas instancias-<br />
No se perdonar las querellas con el polvo<br />
Pronosticar las épocas de lluvia<br />
Pero estoy seguro Magdalena<br />
Que mi amor te reivindica de las culpas<br />
Y talla en tu ofertorio<br />
Una parvada de pájaros azules<br />
Donde sopesar tus deudas y tus vinos.<br />
Yo no sé de estrellas y ovellones<br />
De esferas cuyo fin esté más allá del cosmos,<br />
Pero mi conocimiento en tu cabello<br />
Quiebra los mapas<br />
Y mis manos no poseen otro lenguaje<br />
Que el mismo que tú diagramas<br />
En el río de la muerte.<br />
Desde las selvas sirias<br />
Hasta el mar occidental,<br />
Desde el monte Nebo<br />
Hasta el río Rogitama<br />
Irá mi ancho y dulce amor, bella Magdalena,<br />
Revestido de luz para tus hombros<br />
Y un collar de caracolas<br />
Hará tejido con peces de distintas geografías<br />
Para adornar tu pubis<br />
Y tus cabellos crispados por los astros.<br />
Yo no sé de oratorias y viejas enseñanzas<br />
Mi lenguaje no supera los silencios de la tierra<br />
Pero acaso me domina la palabra<br />
Y un Te Amo<br />
No sea otra respuesta<br />
Que el peso enamorado de esta cruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>LÁZARO</strong></p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>A Jader Rivera Monje.</em></h6>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ahora que soy tantas cosas al tiempo<br />
Ahora que asumo mis vidas pretéritas<br />
Y las lanzo a la carne o al barro<br />
para que se vuelvan poemas<br />
o pequeñas hojas que se enfrenten<br />
al aire rizado del Zaire<br />
me llaman Lázaro.<br />
Soy Lázaro<br />
El hijo de Betania<br />
El hermano de Martha y de María<br />
He conocido la muerte<br />
Su río de rosas, gladiolos, violetas, mirtos y lirios<br />
Que he transitado, navegado y respirado<br />
En los cuatro días que duró<br />
Esa odisea por el mundo fascinante de las sombras.<br />
Soy Lázaro<br />
Tengo setenta nombres<br />
Música, viento, pájaro, buey, lluvia<br />
Son algunos de ellos<br />
Creo en la resurrección<br />
En la pervivencia<br />
En el soplo cálido que trasciende<br />
Más allá de estas tribus.<br />
Me he levantado del barro nueve veces<br />
Y ahora<br />
Soy el polvo que no vuelve al polvo.<br />
Mis manos y pies<br />
Todavía están atados con envolturas de entierro<br />
Pero también es cierto<br />
Que bajo mi cuerpo crece la hierba<br />
Circundan el gusano, el ciempiés, las calambrinas olorosas,<br />
La gaviota que remonta su vuelo<br />
En busca de otras corrientes de aire.<br />
Soy Lázaro<br />
Habitante de Betania<br />
Amigo de las sinagogas<br />
De Canaám, de Cafarnaum, de Nazaret, de Galilea<br />
Y de otras tierras lejanas<br />
Cuyos nombres no entenderían<br />
Tengo el rostro cubierto con un paño<br />
Pero cada vez que me levanto a la vida<br />
Cada vez que una mariposa<br />
Me recuerda que he nacido de nuevo<br />
El paño va cediendo paso<br />
A otras estrellas, a otras luces, a nuevas especies de animales,<br />
A otros caminos.<br />
Soy Lázaro<br />
Y en este viaje al final de la vida<br />
Me sentaré sobre otra roca<br />
A hilar el cordón sagrado<br />
El pedazo de río<br />
Que me devuelva a otra corriente<br />
En donde todas las voces clamen,<br />
Todos los músicos canten,<br />
Todas las lluvias digan:<br />
“Lázaro, levántate!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Winston Morales Chavarro </em></strong><em>nasceu na Colômbia, em Neiva. É jornalista e professor universitário. Seu trabalho poético logrou vários prêmios dentro e fora de seu país. Dentre outras obras, publicou: </em><em>Aniquirona (Trilce Editores, 1998), De regreso a Schuaima (Ediciones Dauro, Granada-España, 2001), Memorias de Alexander de Brucco (Editorial Universidad de Antioquia, 2002), Camino a Rogitama (Trilce Editores, 2010) e La Douce Aniquirone et D&#8217;autres Poemes, Somme Poétique (Editorial Gente Nueva, 2014). </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-ii-24/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-ii-24/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 14:33:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[A Herança]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Escritoras Suicidas]]></category>
		<category><![CDATA[Germina]]></category>
		<category><![CDATA[Mariza Lourenço]]></category>
		<category><![CDATA[Terror Noturno]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://diversosafins.com.br/diversos/?p=7772</guid>

					<description><![CDATA[Refúgios cotidianos nas narrativas de Mariza Lourenço]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Mariza Lourenço</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="278" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA5.jpg" alt="" class="wp-image-7774" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA5.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA5-300x166.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A HERANÇA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pequenos olhos de Lúcio ficaram ainda menores quando viu a mulher pendurar cuidadosamente na parede, e em lugar de honra, o enorme retrato de seu tio-avô Aurélio, morto recentemente.&nbsp; Feio demais, pensou o marido. A boca, no entanto, salivou, quando pensou que a feiúra nada significava se comparada à fortuna do velho.&nbsp; Após a leitura do testamento, que foi presenciada por meia dúzia de gatos pingados escolhidos a dedo, a mulher não deu um pio. Ele esperou pacientemente por uma boa notícia, mas o tempo passou e nada. A conta bancária continuava da mesma maneira. E ele em queda vertiginosa rumo a mais absoluta miséria. Rico jamais havia sido, é bem verdade, mas nunca, como agora, precisara tanto de dinheiro. Questão de vida ou de morte, mais de morte, se computadas as ameaças dos agiotas a quem devia uma boa quantia. Resolveu perguntar a ela o que, afinal, o velhote lhe deixara. “Ora, o retrato e a coleção de armas brancas. Ele sabia que eu adorava polir suas facas.” “Estúpida! Em que mato sem cachorro fui me meter!” Ela não deu um pio. Em homenagem ao tio, escolheu as segundas para polir as armas. Lúcio observava a mulher desembainhar as facas, limpá-las e, novamente, guardá-las dentro das bonitas caixas de madeira. O ritual exasperava Lúcio. Ela sabia. E gostava. Ela sabia dos jogos, das mulheres, das dívidas, da ganância, do desprezo. E do coração fraco, além do caráter. Ela sabia. Tão pequena e serena. Tomou gosto. Todas as segundas desembainhava e polia. Todas as segundas experimentava o fio e o corte. Às vezes, nos dedos, outras, nas coxas. O sangue ralo gotejava como uma mísera torneira sem conserto. E a tudo ele espreitava. Com irritação, de início. Depois, com pavor. Pior era a calmaria dos olhos de Emma, a placidez medonha da satisfação. O coração era fraco, ela sabia. Mais fraca e providencial, porém, foi a veia partida, esmigalhando a razão. Melhor tivesse morrido. “Adonaldo, por favor, apronte Lúcio, vista-lhe um terno bem bonito. Hoje, às dez, vem aqui um retratista argentino, o mesmo que pintou o quadro de meu falecido tio. Não sei se já lhe contei, Lúcio, mas conheço muitos artistas e o retrato de titio foi um presente meu, pouco antes de sua morte. Ficou tão feliz, o pobrezinho. Tão vaidoso.” “Senhora, será que ele a compreende?” Ela não respondeu. Colocou-se cara a cara com o homem na cadeira de rodas. Olhou-o demoradamente e, com satisfação, percebeu os olhinhos apequenarem-se ainda mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TERROR NOTURNO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acordou suado à hora de sempre. Nessa noite, no entanto, além do suor, sobreveio o sufocamento. Não aguentou, cutucou a mulher. Ela abriu um olho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Na festa do nosso casamento você me perguntou quem era aquele &#8216;cara estranho e triste&#8217;, e eu respondi que não sabia, lembra?</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Não&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Mas eu sabia, ele era bacana demais. Bem mais do que um amigo. Inseparáveis: cama, mesa e banho. E eu sacaneei. Arrependimento, se matasse&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela abriu o outro olho. Não fez questão de conhecer o resto da história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Peça desculpa a ele, ué.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Nem sei por onde ele anda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Peça perdão a Deus, dá no mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Você sabe que eu não acredito em Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Então não encha a minha santa paciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltaram a dormir. Pela manhã, à mesa do café, ele estava recomposto e ela, absolutamente encantadora, enfiada num vestidinho lilás.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Mariza Lourenço</em></strong><em>, advogada e escritora, é coeditora da <a href="http://www.germinaliteratura.com.br">Germina – Revista de Literatura &amp; Arte</a> e do site <a href=" http://www.escritorassuicidas.com.br">Escritoras Suicidas</a>.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética VI</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 14:29:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[Grandeza]]></category>
		<category><![CDATA[Iguais]]></category>
		<category><![CDATA[Igualdade]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Janelas]]></category>
		<category><![CDATA[Paredes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Du Bois]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>
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					<description><![CDATA[A experiência ímpar dos versos de Pedro Du Bois]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Pedro Du Bois</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA10.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="331" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA10.jpg" alt="" class="wp-image-7843" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA10.jpg 331w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA10-198x300.jpg 198w" sizes="auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Marcantonio</figcaption></figure>
</div>


<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>Paredes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ficamos juntos<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>na indivisibilidade dos opostos:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;..</span>anéis de casamento<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;..</span>filhos da mesma casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O corpo banhado sobre a cama<br />
e a janela entreaberta: a justeza<br />
da imaginação prisioneira<br />
entre quatro paredes frágeis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Textos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sonâmbulo<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>perambulo textos</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>navego pessoas<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>e me oriento<br />
<span style="color: #ffffff;">.</span><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>em ícaros<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>de asas cortadas</p>



<p class="wp-block-paragraph">tudo feito<br />
na minha passagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Igualdade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A igualdade sonhada<br />
.não se revela<br />
.no que mostra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>A conquista<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>é passo inicial<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>na desigualdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>O caminho<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>percorrido em entregas<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>e o desmoronar<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>do corpo no ferimento<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>aberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Grandeza</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fui começo<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;.</span>sou metade<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>fui princípio<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;</span>sou continuação</p>



<p class="wp-block-paragraph">o final se oferece<br />
em lendas<br />
e o mito<br />
perde sua grandeza<br />
na igualdade do mistério.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Janela</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada me vale a janela<br />
se não posso<br />
ver as construções<br />
de igualados prédios<br />
em vistas circunscritas<br />
aos arredores: a janela<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>do novo prédio<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>me contempla.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Pedro Du Bois </strong>é natural de Passo Fundo e reside em Itapema, SC. Escreve poemas e contos. É editor-autor, com livros feitos em casa, em tiragens mínimas, não comercializáveis. Foi vencedor do 4º Concurso Literário Livraria Asabeça, categoria poesia, com “Os Objetos e as Coisas”. Em 2009, “A Criação Estética” foi publicado pela Editora Corpos, Portugal. Em 2013, seu livro de poemas “O Senhor das estátuas” foi publicado pela Editora Penalux (SP) e “Iguais” pelo projeto Passo Fundo.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Dedos de Prosa III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-23/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 14:28:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Cousa]]></category>
		<category><![CDATA[Espalitando]]></category>
		<category><![CDATA[irreverência]]></category>
		<category><![CDATA[Jaca]]></category>
		<category><![CDATA[Lapinha]]></category>
		<category><![CDATA[os peitinhos e a galinha]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Bono]]></category>
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					<description><![CDATA[O despojamento irreverente da prosa de Paulo Bono]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Paulo Bono</em><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA9.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="380" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA9.jpg" alt="" class="wp-image-7832" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA9.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA9-300x228.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jaca, os peitinhos e a galinha</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Noite fria. Eu esperava na padaria da esquina. Olhei as horas. Precisava de um cigarro. Se pelo menos eu fumasse. Passavam das dez quando Jaca apareceu. Entrei no carro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; E a cachaça? – Jaca disse.<br />
&#8211; Tá aqui – eu disse.<br />
&#8211; Tranquilo, então. Eu trouxe a galinha.<br />
&#8211; Que galinha?<br />
&#8211; Roque da Lua foi claro. Uma garrafa de cachaça e uma galinha.<br />
&#8211; Porra, acho melhor deixar a galinha de fora.<br />
&#8211; E o bode?<br />
&#8211; Que bode, caralho?<br />
&#8211; O bode que enterram em seu quintal?<br />
&#8211; Ok. Cadê a galinha?<br />
&#8211; Na mala.<br />
&#8211; Na mala?<br />
&#8211; Lavei o carro hoje.<br />
&#8211; A porra vai morrer sufocada.<br />
&#8211; Fique tranquilo. A galinha tá na dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jaca era um amigo dos tempos de escola. Daqueles meninões idiotas que levavam a culpa de tudo. Seu apelido naquele tempo era peitchola, por causa dos seus peitos grandes e pontudos. Ficava puto. Hoje trabalha como segurança de loja. Acontece que eu andava numa fase daquelas. Havia deixado a velha agência, e Regina era coisa do passado. Para os diretores de criação, eu não tinha o menor talento. As mulheres pensavam a mesma coisa. Nada dava certo. Sem dinheiro, sem trabalho, só na punheta. Então eu estava por aí, na merda, quando encontrei Jaca. Contei minha situação. Jaca teimou que aquilo devia ser praga de Regina. Macumba, essas coisas. E disse que esse tal Roque da Lua podia me ajudar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando chegamos, convenci Jaca a pegar leve com a galinha. Primeiro, daríamos uma conferida no terreno. E se fosse necessário, pegaríamos o animal. Parecia um lugar agradável. Só aquele som de tambores que arrepiava os cabelos mais crespos do meu ovo. Havia essa figura no portão de entrada. Negro, alto, jovem. Não sei o que esperava da vida, mas segurava uma vela com as duas mãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Boa noite – disse Jaca – o Roque da Lua está?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O garoto não respondeu. Só olhava para frente. Reto. Ele e a porra da sua vela. Parecia um rapaz determinado. Pelo menos a não dar as boas vindas a Jaca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Boa noite, amigo – Jaca insistiu – Eu marquei com Roque da Lua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nenhuma resposta. Somente o som dos malditos tambores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Esse merda não vai falar nada – eu disse.<br />
&#8211; Será que é doente?<br />
&#8211; Quero que ele se foda.<br />
&#8211; Ô maluco! Tá me ouvindo? EU QUERIA FALAR COM ROQUE DA LUA!<br />
&#8211; Vamos sair daqui, caralho!<br />
&#8211; Tô quase metendo a porra nesse moleque.<br />
&#8211; Cuidado, esses caras manjam de capoeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então surge do nada esse baixinho todo de branco segurando a porra de um cacho de bananas. Pelo jeito que rebolava, eu não tinha mesmo certeza por onde ele ia ingerir aquelas bananas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Jaquinha! – disse o mestre das bananas – chegou bem na hora.<br />
&#8211; Seu Roque – disse Jaca – o garoto aqui não queria colaborar.<br />
&#8211; Ah, esse é Tico-Tico. Tico-Tico tá de castigo. Pra aprender a se comportar.<br />
&#8211; Esse é Paulo – disse Jaca – o amigo que lhe falei.<br />
&#8211; Ah, o que tá desempregado e não consegue trepar.<br />
&#8211; É, tô no cu da cobra – eu disse.<br />
&#8211; Vem, vamos entrar, vamos entrar. Tico-Tico, você se comporte.<br />
&#8211; Aguente firme, Tico-Tico – eu disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lá dentro, havia esse pátio de terra. Cercado de uma varanda com portas e de algumas árvores. Havia também essa roda de gente. Vestidos de branco. Aquela batucada. “Cadê Roque da Lua?” – Jaca perguntou. O danadinho das bananas desapareceu do nada. Então ficamos por ali como dois imbecis. Volta e meia alguém pulava no meio da roda e arriscava alguns passinhos. Até que veio essa morena. Começou a sambar. Nova, pele escura e os dentes mais brancos da noite. Seu corpo? Bem, digamos que eu saberia o que fazer com seu corpinho num quarto escuro. A moleca dançava. Girava. Levantava a saia, ia até o chão, revelava as pernas e, por milésimos de segundo, sua calcinha. Não é por nada não, mas eu já estava de pau duro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Será que ela toca berimbau? – perguntei a Jaca.<br />
&#8211; Ham?<br />
&#8211; Tá sentindo o quê, porra?<br />
&#8211; Calor da porra!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então aumentaram a batucada e a morena enlouqueceu. Começou a revirar os olhos e a retorcer o corpo. Em um desses solavancos, seus peitinhos saltaram da blusa. Como se gritassem por liberdade e quisessem participar da festa. Eram peitinhos firmes, santos e loucos. Eu pensava, por que essas porras parecem mais gostosas quando estão dando santo? Aliás, o santo devia saber que havia um gordo por perto que estava doido pra cair de boca naqueles peitinhos. Eu estava em pânico. Tentava não pensar em sacanagem. Mas só conseguia pensar naquela xoxota em chamas. Nessa hora, algum escroto que gosta de ver o circo pegar fogo soltou uma galinha no meio da roda. Vou dizer uma coisa. Nunca havia visto nada mais inocente do que aquela galinha. Querendo aparecer. Caminhando para o meio da putaria. Balançando a cabeça. No ritmo dos tambores. Pelos olhinhos, estava drogada. Parecia sorrir. Quando a morena a pegou pelo pescoço e ZAP! Passou a faca no animal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Puta que pariu – eu disse a Jaca – esquece a galinha.<br />
&#8211; O quê?<br />
&#8211; Porra, você tá suando pra caralho.<br />
&#8211; É o calor, porra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adivinhe quem apareceu do nada. Sim, ele mesmo. Roque da Lua. Dessa vez, sem as bananas. Mas com um charuto que não tinha mais tamanho. Dançando, se remexendo e dizendo coisas que eu não conseguia entender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; O que é que esse porra tá falando? – perguntei a Jaca.<br />
&#8211; Não sei. Entendi, não sei o quê Paca Capim, Paca Capim, Paca Capim&#8230;<br />
&#8211; Jaca, você tá branco.<br />
&#8211; Dor de cabeça&#8230;<br />
&#8211; Porra, será que você tá dando santo?<br />
&#8211; Eu tô tranquilo&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso a roda pegava fogo. A morena, os peitinhos e Roque da Lua. A galinha perdeu o melhor da festa, fazer o quê? E do nada, Roque da Lua largou o charuto e começou a dar saltos. Grandes saltos. Saltava e girava rapidamente para todos os lados, fazendo o Mestre Yoda em ação parecer uma velha tartaruga manca. Roque da Lua pulava sobre as pessoas na roda, dizendo coisas e dando gargalhadas. De repente, esse merda veio em minha direção, com os olhos ardentes. Pensei, fudeu. Só deu tempo de pensar isso mesmo, porque logo depois Roque da Lua me empurrou para o lado, apertou os peitos de Jaca e berrou com uma voz fininha “PEITCHOLA! PEITCHOLA! PEITCHOLA!”. Jaca tentou se defender empurrando Roque da Lua, que saltou para trás, dando um desses golpes de capoeira e raspando o pé no queixo do meu amigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três minutos depois, Roque da Lua seguia seu show, enquanto Jaca e eu nos despedíamos de Tico-Tico e entrávamos no carro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; FOI VOCÊ QUE DISSE! – Jaca berrava<br />
&#8211; Vai tomar no cu, Jaca!<br />
&#8211; FOI VOCÊ QUE DISSE!<br />
&#8211; Como é que eu ia dizer alguma coisa? Eu nem conhecia aquele viado. Você que me trouxe aqui, porra!<br />
&#8211; E como é que ele sabia desse negócio de peitchola?<br />
&#8211; Sei lá, esses caras sabem tudo da nossa vida.<br />
&#8211; Ele me pegou desprevenido.<br />
&#8211; Mas você viu aqueles peitinhos?<br />
&#8211; Jesus é mais forte!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem, o que resta contar é que passei um bom tempo ainda sem trabalho e sem mulher. Que Jaca segue sua vida como Segurança. E que a galinha na mala do carro sobreviveu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Paulo Bono</em></strong><em> é baiano e nasceu na Lapinha, tradicional bairro do centro antigo de Salvador. Formou-se em relações públicas, é pós-graduado como roteirista, trabalha como redator publicitário e escreveu o blog de contos e crônicas Espalitando Dente durante 6 anos. Em 2013, lançou o livro de contos Espalitando (Editora Cousa).&nbsp; </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Drops da Sétima Arte</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dropssetimaarte-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 13:55:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[Chão de Estrelas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinema nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Drops da Sétima Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Fabrício Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Hilton Lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[Irandhir Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Jesuíta Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo García]]></category>
		<category><![CDATA[Tatuagem]]></category>
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					<description><![CDATA[Um olhar para Tatuagem, filme de Hilton Lacerda]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Fabrício Brandão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tatuagem. Brasil. 2013.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Cartaz-m.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="321" height="480" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Cartaz-m.jpg" alt="" class="wp-image-7759" title="Tatuagem" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Cartaz-m.jpg 321w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Cartaz-m-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 321px) 100vw, 321px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ano era 1978. No Brasil, experimentava-se um cenário de ditadura ainda inglório e obtuso. Nem o que se convencionou chamar de “abertura lenta e gradual” serviria como motivo para amenizar o efeito altamente negativo que tal estado de coisas causou à nação. A cidade de Recife abrigava em seu seio tradicionalmente cultural um coletivo de seres impactados pelas vias da arte. Em seu microuniverso, pautado por uma expressão marcantemente libertária, a trupe do cabaré “Chão de Estrelas” afirmava-se como sendo muito mais do que um espaço de expressão artística.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comandados por Clécio Wanderley, personagem vivido por Irandhir Santos, os artistas daquele espaço ousavam ser algo além do seu ofício natural. Com seus espetáculos críticos e sarcásticos, intentavam resistir a um tempo no qual as liberdades individuais há muito estavam minadas. Diga-se de passagem, essa noção de liberdade possui uma dimensão especial, pois vai tocar no delicado terreno das amarras do corpo e da mente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Olhando por esse prisma inicial, <em>Tatuagem</em> até poderia aparentar ser um filme motivado pelas torpezas da ditadura militar oriunda do Golpe de 1964. Mas logo fica claro que esse não é o mote da obra. O período negro de nossa história é mero coadjuvante diante da necessidade que a produção traz de evocar a temática da liberdade em sua acepção mais vasta possível. A um só tempo, o filme engendra temas complexos como homossexualidade, amor, crítica social e política, dentre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O romance que se estabelece entre Clécio e Fininha (interpretado por Jesuíta Barbosa) opera aproximações entre dois mundos fundamentalmente opostos. Enquanto Clécio representa um símbolo de irreverência e contestação, utilizando-as como ferramentas de difusão artística, Fininha, um jovem soldado do exército, traduz um universo até certo ponto pueril, cuja inocência aponta para a afirmação de suas descobertas pessoais em meio aos primeiros passos da fase adulta. Quando se encontram pela primeira vez, os dois correspondem à paixão numa fluidez de entrega que só respeita à lei do desejo irrefreável. A questão da homossexualidade é muito mais uma aspiração libertária e genuína do que qualquer outra coisa. Longe de trabalhar com rótulos, o filme explora a relação de amor entre dois homens da forma mais natural possível, sem levantar inúteis tensões de gênero.</p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Fininha-e-Clécio-em-cena-de-Tatuagem-Foto-Divulgação-menor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="480" height="320" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Fininha-e-Clécio-em-cena-de-Tatuagem-Foto-Divulgação-menor.jpg" alt="fininha-e-clecio-em-cena-de-tatuagem-foto-divulgacao-menor" class="wp-image-12679" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Fininha-e-Clécio-em-cena-de-Tatuagem-Foto-Divulgação-menor.jpg 480w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/Fininha-e-Clécio-em-cena-de-Tatuagem-Foto-Divulgação-menor-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Fininha e Clécio em cena de Tatuagem / Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


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<p class="wp-block-paragraph">De modo especial, <em>Tatuagem</em> é uma obra que se impõe pelo seu caráter fortemente teatral. Assim, os espetáculos do “Chão de Estrelas” parecem transbordar para o mundo circundante, instaurando uma estética muito voltada para os apelos da representação. Nesse ínterim, vida e arte se confundem e proporcionam a compreensão de mundos através duma atitude encenada da existência. E o que parece favorecer esse ambiente de criações é justamente o espírito de comunidade que permeava a trajetória do grupo. Todos eles moravam num mesmo casarão do Recife, compartilhando os territórios de uma verdadeira república das artes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dirigido por Hilton Lacerda, a obra merece destaque por enaltecer o saber e o sabor da experiência coletiva das sensações. Os movimentos de câmera são soltos e mergulham nos ambientes de forma a conferir um sentido de naturalidade aos cenários abordados. A própria câmera, ao flagrar as ações teatralizadas, deixa de ser um corpo estranho e invasivo para se tornar um componente intrínseco da obra. &nbsp;E é justamente nesse ponto que <em>Tatuagem</em> revela um comportamento híbrido quando propõe uma valiosa interposição entre teatro e cinema. &nbsp;O resultado dessa zona de convergência aparece muito bem pontuado pela forma como a narrativa, nalguns momentos, é dividida em esquetes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto forte do filme é a utilização do corpo como instrumento máximo de representação, seja sob a forma de resistir à ordem sócio-política do contexto, seja na afirmação das potencialidades de construção dos diálogos da arte. As apresentações do “Chão de Estrelas” serviam como um painel vivo para as expressões corporais de seus artistas, sobretudo porque simbolizavam um rico cenário de expansão da consciência. &nbsp;Para os membros da trupe, o ato de estar no palco significava ir mais além duma aparição exaustivamente ensaiada. Servia também como uma perspectiva de integração ao mundo através de um prisma notadamente ideológico. Tudo isso bem longe de qualquer atitude panfletária.</p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/A-trupe-do-Chão-de-Estrelas-em-ação-Foto-Divulgação-m.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="480" height="319" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/A-trupe-do-Chão-de-Estrelas-em-ação-Foto-Divulgação-m.jpg" alt="a-trupe-do-chao-de-estrelas-em-acao-foto-divulgacao-m" class="wp-image-12680" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/A-trupe-do-Chão-de-Estrelas-em-ação-Foto-Divulgação-m.jpg 480w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/A-trupe-do-Chão-de-Estrelas-em-ação-Foto-Divulgação-m-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">A trupe do Chão de Estrelas em ação / Foto: divulgação</figcaption></figure>
</div>


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<p class="wp-block-paragraph">Por se tratar de uma produção na qual a expressão teatral é traço abundante, era de se esperar que o trabalho do elenco tomasse o centro das atenções. E isso ocorre com a maioria dos atores. No entanto, é impossível não mencionar as destacadas atuações de Irandhir Santos e Jesuíta Barbosa, na pele de protagonistas cujas sinas pessoais sustentam densamente os polos de tensão principal da história. Outro ator que se destaca por sua relevante aparição é Rodrigo García, ao encarnar o espalhafatoso personagem Paulete.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com seu enredar de delicadezas, <em>Tatuagem </em>é uma obra atemporal, sobretudo porque privilegia o exercício ativo e consistente do pensamento. Dentro de nós, é bem provável que tenhamos alguma dificuldade em saber lidar com toda a vastidão de um horizonte que sempre se delineia complexo, o da liberdade. E isso o filme nos lembra a todo o tempo. Então, resta a pergunta: se marcadas a ferro e fogo, até onde nos levam nossas aspirações e desejos?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">
<iframe loading="lazy" src="//www.youtube.com/embed/UwSX2SlHpEg" width="560" height="315" frameborder="0"></iframe>
</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-26/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 13:20:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[91ª Leva - 05/2014]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Krapp]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[tipografia]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>
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					<description><![CDATA[A poesia insone de Juliana Krapp]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Juliana Krapp</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="320" height="500" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA2.jpg" alt="" class="wp-image-7742" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA2.jpg 320w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2014/06/INTERNA2-192x300.jpg 192w" sizes="auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px" /></a></figure>
</div>


<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"><strong>casa</strong></p>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">no teto um alçapão<br />
madeirame entrecortado de conduítes<br />
onde o escuro nasce<br />
e os ratos passeiam</p>



<p class="wp-block-paragraph">a noite exibe as evidências<br />
não há fantasias não haverá mais<br />
reviravoltas possíveis<br />
sobre nossas cabeças sob a cumeeira<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>em casa<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;.</span>vibra<br />
a clausura dos ratos</p>



<p class="wp-block-paragraph">não estão em nós<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>&#8211; vivem além<br />
de nossos crânios<br />
à revelia<br />
dos emaranhados de beleza ou pavor que se enroscam ao sono</p>



<p class="wp-block-paragraph">entretanto nossas coisas são suas coisas<br />
e delas fazem ninhos<br />
onde se embaralham<br />
e proliferam</p>



<p class="wp-block-paragraph">sobre nossas cabeças<br />
sem asas sem remédio<br />
respiram conosco<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;.</span>guincham<br />
e permanecem</p>



<p class="wp-block-paragraph">não estão como nós<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>baratinados<br />
porém sua verdade<br />
é nossa verdade – mesmo eles<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>têm um corpo quente<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>a carne magra o esqueleto oblíquo que guarda um único coração<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>exausto ao cair da manhã</p>



<p class="wp-block-paragraph">mesmo eles<br />
morrem e então fedem<br />
sobre nossas cabeças</p>



<p class="wp-block-paragraph">quando isso acontece<br />
em alguns domingos<br />
abre-se a portinhola<br />
e a pá retira do escuro um volume flácido<br />
<span style="color: #ffffff;">..</span>&#8211; a infância estranha<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>a falta de sangue</p>



<p class="wp-block-paragraph">à noite voltamos a mergulhar<br />
juntos<br />
na viscosidade cada um em seu avesso<br />
da casa apartados<br />
pela irmandade impossível</p>



<p class="wp-block-paragraph">um pai uma mãe tentam ordenar<br />
que torne surdos os ouvidos<br />
que estanque a todo custo<br />
a corrosão da pureza</p>



<p class="wp-block-paragraph">querem dizer<br />
que há simultaneamente<br />
o alheio que é o do outro<br />
e o alheio que nos é<br />
indiferente<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>&#8211; ante a opressão das paredes<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>sobre nossas cabeças<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>a alteridade se excita</p>



<p class="wp-block-paragraph">os ratos passeiam<br />
e vem a época de nos caírem os dentes<br />
estranhos inexplicáveis núcleos sem dor<br />
que precisam ser jogados para o alto<br />
para o teto da casa<br />
como indica<br />
a etiqueta doméstica<br />
e o folclore desta parte do mundo</p>



<p class="wp-block-paragraph">ainda estão úmidos<br />
mas não parecem<br />
saídos de uma boca<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>&#8211; talvez de uma fenda ou concha de alguma<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;..</span>cavidade morta</p>



<p class="wp-block-paragraph">serão lançados<br />
à zona secreta onde agora prevalece<br />
o silêncio<br />
após o êxtase desconhecido<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;</span>&#8211; e para sempre irá nos assombrar a extravagância<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>dessa inútil oferenda</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>tipografia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">às vezes<br />
em geral domingo<br />
eu o vejo: coágulo<br />
escuro massa estanque que se instaura<br />
pedra singrando<br />
ao redor da qual o dia vai crescendo<br />
e apodrece</p>



<p class="wp-block-paragraph">porque no centro da verdade há um viço<br />
e eu olho simplesmente olho impossível não reparar camada<br />
após camada a casca reluz seu calcário arregalado e já não somos mais<br />
eu e você mas sim espessuras<br />
singulares silhuetas de arvoredo passando em velocidade difícil<br />
distinguir as formas por trás do vidro quando somos apenas<br />
duas melodias ou melhor duas<br />
ênfases de melodia como se disséssemos sempre<br />
um píer não é uma margem um píer é o ponto<br />
de ver o estuário de esperar o espalhafato<br />
com que a água ameaça a membrana que é este domingo um posto<br />
de observação onde a ideia de arbítrio extingue os procedimentos<br />
familiares a esta cama e você se torna fantasmagórico com sua espessura tão<br />
diferente da minha já que estou só<br />
com esse coágulo na mão uma substância órfã que aninho enquanto<br />
temo o viço da verdade a mentira que não se insinua apenas passa<br />
em sua marcha secreta um novo ponto agora talvez mais claro<br />
não o coágulo em si só outra fruta<br />
inútil apodrecendo na correnteza</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Roteiro</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O vaivém das galés contracenando com os diques<br />
A emboscada da neve ao redor das vidraças<br />
As nervuras da pedra<br />
que enregelam o olho da atriz<br />
&#8211; Essencial mesmo é o cenário<br />
onde tudo acontece<br />
foi o que ele nos disse<br />
antes de partir</p>



<p class="wp-block-paragraph">Arranje um lugar<br />
para que o salto das feras<br />
fuja aos radares<br />
Para que as escarpas acobertem<br />
a possibilidade do crime<br />
&#8211; A cidade, muito ao longe<br />
apenas reluz</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para contar uma história<br />
uma savana<br />
deve parecer um insulto:<br />
arvoredos esparsos<br />
sob o risco constante de incêndio<br />
O incômodo do barro contrastando<br />
com a arruaça da topografia</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma nevasca<br />
é sempre um bom começo<br />
Por detrás da janela há uma garota<br />
mordiscando o próprio coração<br />
Um bicho dorme, uma tevê<br />
silencia. A paisagem inibe os loops</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou um lugar conveniente pode ser apenas<br />
massa de negrume condensado<br />
Um buraco no meio da testa<br />
Uma angra escura<br />
onde a sujeira<br />
se enrodilha à superfície<br />
e o herói morre<br />
num tenebroso acidente</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Juliana Krapp</em></strong><em> é jornalista e vive no Rio de Janeiro. Publicou poemas em revistas como Inimigo Rumor e Modo de Usar&amp;co. Teve poemas incluídos na antologia espanhola Otra línea de fuego. Quince poetas brasileñas ultracontemporáneas, com organização de Heloísa Buarque de Hollanda.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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