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	<title>98ª Leva &#8211; 01/2015 &#8211; Diversos Afins</title>
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	<description>entre caminhos e palavras</description>
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	<title>98ª Leva &#8211; 01/2015 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 15:43:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 98ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna3.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="500" height="334" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna3.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9333" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna3.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna3-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É tempo de continuar os caminhos. Levar adiante a primeira investida editorial do ano traz consigo um sentido de renovação de ânimos. Abertas estão as escutas para que outras tantas vozes consolidem por aqui o ideal essencial de diversidade. E assim o maior desejo que rege os instantes é o de promover encontros em torno da arte. Poder harmonizar as energias que atravessam textos e imagens favorecendo um mosaico vivo de expressões múltiplas. Erguer uma edição da revista representa agregar individualidades rumo a um norte coletivo que não se dilui pelo caráter da heterogeneidade. Por mais que cada colaborador traga sua carga pessoal e distinta, algo torna o resultado final curiosamente dotado de um equilíbrio. Nunca houve uma espinha dorsal premeditada quando a intenção era a de solidificar uma determinada leva. Autores e artistas se aproximam ou são convidados e, a partir disso, a convergência de atuações segue fluxos de naturalidade como se um único e permanente tema se apresentasse: a busca pela qualidade. Cada criador que por aqui desfila seus verbos e imagens cristaliza a identidade da revista. Hoje, é tempo de percebermos o que nos dizem as vozes poéticas de <strong>Carla Carbatti</strong>, <strong>Roberto Dutra Jr.</strong>, <strong>Neuzamaria Kerner</strong>, <strong>Alexandre Guarnieri </strong>e <strong>Mariana Fernandes</strong>. Oportunidade de percorrer as densas linhas dos contos de <strong>Márcia Denser</strong>, <strong>Jorge Mendes</strong> e <strong>Lia Beltrão</strong>. Lermos o que o escritor <strong>Rafael Mendes</strong> tem a dizer sobre seu engajamento literário numa entrevista capitaneada por <strong>Sérgio Tavares</strong>. Por seu curso, <strong>Igor Fagundes</strong> resenha o novo livro de poemas de <strong>Alexandre Guarnieri</strong>. A conturbada trama do filme “Garota Exemplar” encontra respaldo nas anotações de <strong>Larissa Mendes</strong>. &nbsp;O escritor <strong>Gustavo Rios</strong> fala de suas impressões sobre o mais novo disco da banda de punk rock <strong>Pastel de Miolos</strong>. Os recentes lançamentos poéticos de <strong>Geraldo Lavigne</strong> recebem a leitura atenta de <strong>Jorge Elias Neto</strong>. Entremeando os trajetos da nova edição, as fotografias de <strong>Pedro Alles </strong>remontam às nossas complexas paisagens humanas. 2015 pede passagem trazendo junto uma vasta gama de perspectivas. E os caminhos apenas estão no seu início. Seja bem-vindo à 98ª Leva, caro leitor!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Leveiros</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-ii-30/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 15:34:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[suíte para amores em estado de ebulição]]></category>
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					<description><![CDATA[Desventuras do amor nas breves narrativas de Jorge Mendes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Jorge Mendes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna2.jpg"><img decoding="async" width="500" height="340" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna2.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9325" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna2.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna2-300x204.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>suíte para amores em estado de ebulição</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">errática</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">o amor tem tudo pra dar errado e você descalça, sem sutiãs, de cabelos curtos, exorcizando a luz do sol. o amor tem tudo pra dar errado e seus olhos grandes e persecutórios sobre mim, a cidade e suas febres, seu corpo por cima do meu. o amor tem tudo pra dar errado e você levitando no vapor, sua voz praticando malabares com as proparoxítonas, os sintomas, os sinais e os arrepios da sua língua. o amor tem tudo pra dar errado e você dança no fogo desconstruindo sombras, apagando as coisas ao redor. o amor tem tudo pra dar errado e mesmo assim o salto, o passo no lugar escuro. mesmo assim sopro no seu ouvido minha palavra brutal, seguro sua mão e você sorri e entende o lance.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&#8230;&#8230;</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">anamnese</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">estou envolvido com essa doença chamada amor. as corais brancas da vodca, a bola oito na caçapa do meio, bar do paraíba às cinco e meia da madrugada. baladas de simon &amp; garfunkel, o silêncio que sai dos corpos. estou envolvido com essa doença chamada amor. a chuva contra o meu rosto, os demônios da demolição trabalhando duro dentro do peito, o medo nos olhos fixos do anjo de vidro, o tifo epidêmico na pele de gesso. estou envolvido com essa doença chamada amor. o calor da febre na ponta da língua, o torpor nas pontas dos dedos, as flores de plástico dentro do copo com água e açúcar, as pedras dentro da cabeça. estou envolvido com essa doença chamada amor. as espirais de fumaça do cigarro, os medicamentos do entorpecimento, as longas horas diante da geladeira, as paredes. estou envolvido com essa doença chamada amor e não sei se tenho cura ou se escapo dessa com vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&#8230;&#8230;</p>



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<p class="wp-block-paragraph">claro enigma</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">o que existe em você que me entorpece? qual palavra elétrica pronunciar? seu corpo salgado e sem sombras aparece dentro de meus sonhos causando erosões. o que existe em você que me paralisa? onde extrair o veneno? você sairá das águas e me fará voar entre os prédios mais altos? irá gritar meu nome na tempestade? sentirei dor? o que existe em você que me seduz e me faz suar frio? onde encontrar o pote de ouro? ouço seu nome no fundo do mar. você irá morder meu desejo, evaporar minhas tristezas? o que existe em você que perverte os sentidos? deixa mudo meu português caótico, invade e destrói territórios e os ambientes tóxicos? serei morto pelos fabulários? morderei do fruto? serei um outro? o que existe em você que me deixa volátil e lírico? o que existe em você que me apaga o medo, me faz voar entre corvos, sorrir prus que me desprezam? o que existe em você que me acalma o incêndio, ilumina as trevas, desanuvia o domingo e me deixa assim quase feliz?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph">&#8230;&#8230;.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">das necessidades do amor</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">você precisa de adrenalina e eletricidade pra desobstruir&nbsp; o ar dos pulmões. você precisa mastigar com dentes de fogo a imagem congelada. você precisa sangrar até perder os sentidos e estabelecer paradoxos. você precisa decifrar o gelo e os signos da carnificina. precisa conhecer os homens ocos do t.s elliot. precisa deixar de ser crisálida e virar pássaro em chamas. você precisar deixar de lado os renascentistas de pedra e mergulhar de vez no atlântico. você precisa levar choque térmico nos mamilos adormecidos e acender as luzes do quarto escuro. precisa desligar o automático, entrar em curto-circuito. você precisa virar clave de sol, romper a barreira do espelho, cortar os cabelos, abrir asas e alçar vôo seja lá pra onde for, meu amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8230;&#8230;.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">sim!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">se você esfaqueasse o orgulho numa noite fria e saísse correndo nua na tempestade, se você sorrisse na cara do carrasco, se colocasse na boca e comesse o desejo dos pássaros, se você saísse das águas com flores nos cabelos e ressuscitasse os mortos, se você incendiasse o sangue de todos os poemas, se fizesse explodir os bancos e desaparecesse na cidade em chamas, se você tivesse os olhos vazados pela luz magnífica e dançasse de braços abertos na beira do mundo, se você deixasse de lado sua vaidade de mulher má, me estendesse a mão e dissesse venha, eu juro que iria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://dragoesdejorge.zip.net/%20"><strong><em>Jorge Mendes</em></strong></a><em> é formado em história, “quase” pós-graduado em teoria da comunicação pela eca-usp (abandonou o mestrado pra viajar por aí), avesso a qualquer tipo de glamour, leitor voraz de brautigan, amante do vinho e da cachaça, pede pouco e recebe na cara e nunca tem ninguém por perto quando bate a vontade de cortar os pulsos.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-iii-34/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 15:24:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Como tantos]]></category>
		<category><![CDATA[Contenda]]></category>
		<category><![CDATA[Eva]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Neuzamaria Kerner]]></category>
		<category><![CDATA[O livro-arbítrio das Evas]]></category>
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					<description><![CDATA[Os vestígios da poesia intimista de Neuzamaria Kerner]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Neuzamaria&nbsp; Kerner</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna1.jpg"><img decoding="async" width="500" height="278" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna1.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9316" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna1.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna1-300x167.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Contenda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Eu remo.<br />
Em algum canto hei de chegar.<br />
Meu remo<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;.</span>chicote que espanca o mar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Remo e navio navegam<br />
Sobre um mar que é sem fim.<br />
Remo e navio disputam<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;..</span>quem navega mais em mim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Movimentos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Minhas tempestades<br />
não são cerebrais<br />
&#8211; são na alma&#8230;<br />
chego a sentir<br />
o meu corpo estremecer<br />
todos os dias<br />
a cada disparo do céu!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como Tantos&#8230;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Como tantos<br />
luto para aceitar a carne<br />
que recobre o meu espírito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como tantos<br />
canto mantras para a Lua<br />
que de longe, silente, me escuta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como tantos<br />
vivo entre eus e eu&#8230;<br />
e como dói viver<br />
num mundo que não considero meu!&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Eva</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading"><em>“Não é bom que o homem esteja só;</em><br />
<em>far-lhe-ei uma auxiliar igual a ele.”</em><br />
Genesis 2,18.22-24</h6>



<p class="has-text-align-left wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Disse a Ti um dia o sim.<br />
Disseste a mim: tu és mulher!<br />
Bênçãos me deste<br />
e em todo o teste a mim imposto<br />
saí vitoriosa.<br />
Até reinei num paraíso&#8230;<br />
Pueril, a todo tempo mostrei riso<br />
e nesse riso me fiz rosa.<br />
Explorei o chão que me foi dado<br />
vi tudo o que ali havia<br />
provei até do que não podia<br />
&#8211; não me fora permitido provar.<br />
Tu<br />
Temendo o desabrochar que me possuía<br />
disseste: “pecadora, vai embora,<br />
não serás mais a senhora<br />
do jardim que preparei!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aquele momento de queda<br />
eu nomino salvação para as minhas<br />
descendentes, insubmissas, conscientes,<br />
sacerdotisas guardiãs da fábrica da vida<br />
&#8211; presente sem medida para o mundo do<br />
amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tua cria – Te louvei<br />
Tua alma habitando em mim.<br />
Me deste o conhecimento<br />
da bondade, da malícia, da perícia em parir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não carrego culpa ou dor<br />
dentro ou fora do jardim,<br />
posto que onisciente<br />
me soubeste pura e sã,<br />
e eu Te sei meu conivente<br />
no episódio da maçã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jogo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Jogo com palavras<br />
e elas comigo<br />
no eterno dos espaços.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Opção:<br />
jogar xadrez<br />
no tabuleiro dos textos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando sonolentas e frágeis<br />
eu nelas<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>&#8211; xeque-mate!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando tomam vestes guerreiras<br />
me aprisionam<br />
me checam e matam!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.neuzamariakerner.blogspot.com.br/"><em><strong>Nasci</strong></em></a><em> no século passado com fome de palavras e até hoje vivo desse alimento que ainda me sobra para adornar o espírito de quem tem o peito aberto. O teto que me foi dado para viver é dividido com 7 bilhões de pessoas de todas as cores, de todas as falas, de todas as caras, de todos os credos; com todos os que vivem na carne e os que vivem em forma de fluido cósmico universal. Sou feita&nbsp;à imagem e semelhança da humanidade porque dentro de mim cabe a mais doce ou a mais vil das criaturas.&nbsp;Troquei, doei e recebi saberes com estudantes de vida assim com eu. De certa forma ainda vivo assim porque trocar e doar são atributos da generosidade, menos que da justiça. Dentro desse esquema (trocas, doações, recebimentos) escrevo porque na medida em que faço isso me somo e me divido neste mundo que é nosso.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-33/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 15:05:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Gustavo Rios]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Novas Ideias Velhos Ideais]]></category>
		<category><![CDATA[Pastel de Miolos]]></category>
		<category><![CDATA[punk rock]]></category>
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					<description><![CDATA[Gustavo Rios visita o novo disco da banda punk Pastel de Miolos
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Gustavo Rios</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>PASTEL DE MIOLOS – NOVAS IDEIAS VELHOS IDEAIS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pasteldemiolos_capa_flockmenor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="350" height="322" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pasteldemiolos_capa_flockmenor.jpg" alt="The Weapons of Mystery" class="wp-image-9311" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pasteldemiolos_capa_flockmenor.jpg 350w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pasteldemiolos_capa_flockmenor-300x276.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não seria coerente falar em longevidade quando o assunto aqui é simplesmente um CD, ainda mais se tratando de uma banda de punk rock baiana surgida numa década em que, ao menos para mim, frequentador raso e esporádico da cena, parecia perder seus melhores representantes. A palavra longevidade, quando metida no contexto do que me proponho a fazer agora, poderia ser citada quando falamos de Stones &#8211; só para ficar no óbvio terrivelmente ululante. Ou seja: ao falar de rock and roll, e vincular tal palavra ou qualquer um de seus sinônimos a esta resenha, corro o risco de converter tudo em exagero e banalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas antes de qualquer coisa, é bom deixar claro que é exatamente nisso que pensava toda vez que tentei escrever (e reescrever) esta resenha: longevidade. Ao falar do mais novo lançamento da <a href="https://pasteldemiolos.wordpress.com/%20"><strong>Pastel De Miolos</strong></a>, <em>Novas Ideias, Velhos Ideais</em>, é impossível não lembrar meu sentimento nas noites em que acompanhei a banda. Era uma sensação nova e incomum, coisa que de quem está acostumado a observar por hábito – situação reforçada pelo fato de que eu era uma espécie de câmera/roteirista de um documentário abortado; ou seja, eu tinha que absorver tudo ao meu redor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minha conclusão, talvez equivocada e muito simplória, foi a de que uma banda se faz com uma mistura de elementos que não são pra qualquer um: vocação artística, paixão, vontade de se expressar, amizades duradouras, muito trabalho e talento. Afinal são 19 anos ININTERRUPTOS e envolvidos numa rotina de ensaios, shows e tudo o mais inserido nesse contexto: plateias ruidosas, casas de show quase desconhecidas ou badaladas, bares, festivais independentes, sessões exaustivas de ensaio, tudo isso desembocando numa recente e merecida turnê por países do velho mundo. Tudo o que uma banda necessita para pensar seriamente num legado consistente e verdadeiro. Na tal longevidade. Como algo possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu novo CD, mixado no Canadá e produzido por Jera Cravo, encontramos tudo aquilo que faz parte do que podemos chamar “grande disco”. E antes que algum de vocês perceba a existência de exageros de minha parte, aqui vai a defesa: o que a PDM nos apresenta em seu novo trabalho não é simplesmente uma obra impecável, tecnicamente falando (incluindo aí a parte gráfica do artista carioca Flávio Flock, que também já trabalhou para a Pitty, entre outros), cheia de qualidade e de “pegada”; não são simplesmente letras corrosivas com imenso poder de fogo e reflexão; nem a combinação certeira de guitarra, bateria e baixo: <em>Novas Ideias, Velhos Ideais</em> é o resultado de um trabalho que surge numa sequência de outros, feitos ao longo desses anos, que foram sendo aperfeiçoados em sua produção sem nunca dever nada em seus shows.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pastel-de-miolos-foto-por-junior-5m.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="351" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pastel-de-miolos-foto-por-junior-5m.jpg" alt="pastel-de-miolos-foto-por-junior-5m" class="wp-image-9310" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pastel-de-miolos-foto-por-junior-5m.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/pastel-de-miolos-foto-por-junior-5m-300x211.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Pastel de Miolos / Foto: Júnior Américo</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Novas ideias, velhos ideais</em>, a primeira faixa, dentro de sua simplicidade absurda, já nos mostra aonde a coisa pode chegar: a frase repetida, o peso – realçado pela presença do novo baixista, André, que trouxe à banda uma maior aproximação com outros estilos de rock and roll, um peso e uma coesão maior -, tudo, enfim, conspira pra uma grande festa, “como antigamente”. Em <em>Desobediência Civil</em>, cujo clipe presente na internet vale ser assistido, a gente pode pensar em cada momento de nossas vidas em que desistimos de agir com alguma coragem: poderia ser uma pedra arremessada ou simplesmente se recusar a votar em qualquer canalha cujo discurso hábil nos enche a paciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na próxima, <em>Insegurança Masculina</em>, com a presença ilustre de Vital Cavalcante (da banda Jason), o que vale é bater de frente com os machos que escondem sua fragilidade doentia nas atitudes violentas que por vezes surgem nos noticiários. <em>A Ilha</em> traz em si uma série de questionamentos sobre para onde finalmente iremos algum dia (se é que isso será possível). E na faixa <em>Sem Nome E Sem Razão</em> a bola da vez é a destruição gradativa que presenciamos todos os dias ao nosso redor, em nome de um sonho equivocado de progresso. <em>Vou Tentar</em>, composição de Tony Lopes, cujo som desacelera um pouco para dar maior sonoridade a outra letra simples, o que vale é o olhar certeiro e sensível do compositor. Já em <em>Hardcore</em> a ordem é pogar, sem deixar de atentar para a mensagem evidente – afinal em todas as letras existe algo a ser captado. <em>Porcos</em>, em minha opinião, a melhor do disco, contém tudo que um punk rock deve ter: coragem, metáforas corrosivas, peso, veemência, inquietação e fúria. Logo depois <em>Homem Ao Mar</em>, com seu estilo surf music, também parece servir de base para outra daquelas mensagens nada subliminares que fazem de Alisson um compositor de respeito. <em>Quarteto II </em>é na verdade uma junção bem feliz de textos, dentre eles o do grande poeta Lupeu Lacerda, e em <em>Quando A Vítima Se Transforma Em Algoz</em> e <em>A.E.P,</em> sincera homenagem a uma banda paraibana, o que vale é enlouquecer. E admitir que a essa altura não se pode mais achar o caminho de volta. <em>Homem Sério,</em> que conta com a participação de Frango Kaos (Banda Galinha Preta), serve como uma crítica aos que de alguma forma entregaram completamente os pontos. <em>Essa Porcaria Que Me Faz Feliz</em> encerra o CD, como uma espécie de celebração aos que ainda hoje – apesar dos cabelos grisalhos e das barrigas proeminentes -, estouram os próprios tímpanos com aqueles clássicos sem ligar para o resto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aí talvez todo esse papo sobre longevidade finalmente não tenha feito sentido algum, apesar de saber que os anos serão generosos com Alisson, André e Wilson; e que a PDM cumprirá com raro louvor seu papel na cena rocker de qualquer lugar do mundo. Mas, sinceramente, pouco importa. A essa altura dos fatos, depois de ouvir o <em>Novas Ideias, Velhos Ideais</em> uma dezena de vezes, o que vale é celebrar. Com algumas cervejas honestas, ou uma dúzia de granadas nos bolsos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/rzm2Q7a3rQw" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Gustavo Rios</em></strong><em> é baiano e escritor.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-33/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>Janela Poética IV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 14:39:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[a pele]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Guarnieri]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Mallarmargens]]></category>
		<category><![CDATA[mecânica dos fluidos]]></category>
		<category><![CDATA[o átomo de carbono (i)]]></category>
		<category><![CDATA[o crânio humano]]></category>
		<category><![CDATA[os órgãos internos]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[versos entranhados]]></category>
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					<description><![CDATA[Os versos entranhados de Alexandre Guarnieri]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Alexandre Guarnieri</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9303" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/02/interna-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>o átomo de carbono (i)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
toda a vida contida numa exígua partícula,<br />
– desdobrável de si própria –, equilibrada<br />
sobre a mesma progressão desenfreada;<br />
<em>deuses</em> ferveram-na numa caldeira aquecida<br />
ante o clarão do <em>big bang</em> / cozendo-a por milênios,<br />
lenta, nas tripas da mais velha estrela / e lá, aprisionada,<br />
como o maior espetáculo da <em>via láctea</em>, além do limbo<br />
centígrado dos organismos bioquímicos,<br />
replicou-se a enzima de sua fina<br />
(e elástica) matematicidade<br />
// até que [&#8230;]</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>|( os órgãos internos )|</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
\ ( persegue as vértebras a massa<br />
dos sangues coligidos / ( dentre os quais<br />
há indício, de que alguns ( mais ou menos<br />
líquidos ) \ cada qual a seu tempo, distintos,<br />
consolidem sacos do caldo biológico,<br />
coagulados \ ( carnes que existem da diferença<br />
entre si de seus tecidos / ( se especializaram<br />
as células, em aparelhos e sistemas ) /<br />
delas monta-se um <em>puzzle</em> cujas lacunas<br />
se completam ) \ o corpo expande,<br />
tanto quanto se destrói ( por escasso o cálcio )<br />
no rígido osso que esfacela / ( conforme<br />
a vida lhe habita, o conjunto luta<br />
sob o mesmo pulso \ ( o mesmo insumo bruto<br />
lhe insufla a labuta / ( plantada já<br />
na samambaia dos nervos \ ( enclausura-lhe<br />
a elástica amarra dos músculos / ( a obstrução<br />
sob medida de uma única fornalha viva<br />
) \ trocam fluidos entre si tantas partes<br />
aparentemente separadas \ ( interno<br />
o mar hemorrágico, apenas visitável numa<br />
viagem fantástica / ( mas quando lhe autopsiam<br />
a frio \ (<em> sangria &amp; bisturis</em> / ( se mostra,<br />
um monstro sob as próprias ataduras \ (<br />
o <em>frankenstein</em> exposto, que, apenas por medo<br />
do escuro, só morto poderiam demonstrá-lo ) \</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>(| o crânio humano |)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
compósito ósseo por sobre cujos orifícios inteiramente<br />
desobstruídos, encaixam-se os módulos dos olhos,<br />
narinas, da boca, e ouvidos; a tampa de louça calcinada<br />
pelo couro (marfim fissurado sob cabelo) um trono<br />
ocupa o topo desta cúpula; uma armadura de juntas,<br />
parcialmente recoberta por ranhuras em cruz, pelas quais,<br />
de sua furna interna (o antro intracraniano), escapam-lhe<br />
tantos juízos &#8211; são pássaros em fuga deste recep<br />
táculo craquelado; lacrado sob a caixa manchada do<br />
crânio humano, jaz, moldado aos miolos, à forma de uma<br />
noz que alucina e racionaliza, o gerador unigênito – razão<br />
pela qual congelam o cérebro de um gênio –, de cada<br />
inédita <em>eureka</em>, e de todas as idéias velhas, de séculos,<br />
de décadas, guardadas em antiquíssimas bibliotecas; sob<br />
o palato, escondida, esteve a língua quase retilínea (um<br />
único músculo infatigável para modular todos os dialetos),<br />
a dentição se encaixava, cobrindo-a, esta fila de lanças<br />
fincadas, abaixo das maxilas, e na base da mandíbula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>[| a pele |]</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
homem-bomba vestindo roupa de escafandrista, seu<br />
<em>neoprene</em> pressurizado capta estímulos, e por entre<br />
pêlos mínimos, válvulas regulatórias fazem-na suar<br />
ou ressecar, contra as condições do<em> habitat</em> (algo<br />
se interpõe aos poros, ou impermeabiliza as fibras);<br />
seus sensores de calor vigiados de uma<br />
torre de comando, enquanto é mantida viva, (hidratado<br />
adequadamente cada intrincado recanto)<br />
como a máxima peça, de uma alfaiataria das mais<br />
complexas: seria tão errado reduzi-la ao tato costurando<br />
ao tecido apenas um, dos cinco sentidos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>mecânica dos fluidos</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">/ o suor</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">c a d a &nbsp; p o r o<br />
u m &nbsp; &nbsp; &nbsp; e s c o a d o u r o<br />
p e l o &nbsp; q u a l<br />
c a d a &nbsp; &nbsp; g l â n d u l a<br />
s u d o &nbsp; r í p a r a<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>r e s p i r a</p>



<p class="wp-block-paragraph">s e &nbsp; &nbsp;r e &nbsp; p e l e<br />
s e u &nbsp; &nbsp; &nbsp;l í q u i d o<br />
s e &nbsp; &nbsp;r e &nbsp; &nbsp; m o v e<br />
s e u &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; v i s g o</p>



<p class="wp-block-paragraph">é &nbsp; &nbsp; o &nbsp; q u e<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;.</span>p e r &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; m i t e<br />
q u e &nbsp; &nbsp; &nbsp;a<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>e p i d e r m e<br />
s e &nbsp; &nbsp; l i m &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;p e<br />
e&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;t r a n s p i r e</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Alexandre Guarnieri</em></strong><em> (carioca de 1974) é poeta e historiador da arte. Atualmente pertence ao corpo editorial da revista eletrônica Mallarmargens e integra (desde 2012), com o artista plástico, músico, ator e poeta, Alexandre Dacosta, o espetáculo mutante [versos alexandrinos]. Casa das Máquinas (Editora da Palavra, 2011) é seu livro de estreia e está disponível online (no issuu.com). Publicou poemas em revistas e jornais. Em 2014, participou das antologias “Essas águas” (Org. Vagner Muniz, 2014 [ebook]) e “Hiperconexões: realidade expandida, volume 2” (poemas sobre o pós-humano; Org. Luiz Bras, Patuá). Seu mais recente livro, “Corpo de Festim” (Confraria do Vento) será lançado em breve.&nbsp;Email: alex.guarni@gmail.com.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dedos de Prosa III</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 00:22:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[A coisa]]></category>
		<category><![CDATA[Covardia]]></category>
		<category><![CDATA[Dedo de Moça]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Escritoras Suicidas]]></category>
		<category><![CDATA[Lia Beltão]]></category>
		<category><![CDATA[minicontos]]></category>
		<category><![CDATA[O estranho que me visita]]></category>
		<category><![CDATA[Pés]]></category>
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					<description><![CDATA[A teia cotidiana dos minicontos de Lia Beltrão
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Lia Beltrão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna8.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9289" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna8.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna8-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>A coisa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em algum lugar uma coisa se esconde esperando minha mão. Um dia, o acaso me levará para um canto sombrio da casa, onde uma caixa de sapato ou a gaveta de uma antiga cômoda guarda a coisa que me espera. Vago pelas sombras da casa e minha pele eriçada me avisa da proximidade da coisa. Então me afasto até que a pele sossegue e me permita caminhar sem sobressaltos. Mas o caminho oposto também me leva a sombras e novamente sinto o arrepio. A coisa é móvel. Pisca para mim de sombra em sombra. Não sei o que quer de mim nem o que tem para me dar. Sei que me atrai e me repulsa. E é grande o medo que tenho de encontrá-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Covardia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">A única vez que ele mentiu pra mim foi quando disse que não me amava. Amava, sim. Do jeito que amam os covardes. Amava a casa arrumada, a roupa limpa, bem passada, o cheiro dos lençóis. Amava a comida de todos os dias e amava mais o almoço dos domingos. Mas dizer que me amava, nunca disse. Também nunca me chamou de meu amor. Nem mesmo antes ou depois do gozo, muito menos nos meus tempos de agonia. Quem visse de fora, podia pensar que era dureza de macho. Mas eu sabia que era pura covardia. Porque se dissesse que me amava, eu podia querer mais coisas dele. Que se casasse comigo, que me desse filhos, que me pagasse as contas. Mas eu nunca dei esse gosto a ele. Sempre tive meu dinheiro. Costuro pra fora, faço bolos, vendo avon. Ele é que um dia chegou mais calado do que de costume. Tomou banho, jantou, ligou a televisão e ficou ali, um mortovivo. Quando perguntei o que se passava, disse com voz de choro: preciso de dinheiro pra pagar uma dívida de jogo. Era pouco, eu tinha, entreguei a ele dentro de um envelope. Ele pegou o dinheiro, levantou-se do sofá e disse que ia embora e não voltava mais. Eu não te amo, disse. E eu vi nos seus olhos e ouvi na sua voz que ele mentia.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pés</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Por muito tempo, meus pés serviram para caminhar. Levar-me pra lá e pra cá, pisar na lama, torrar nas pedras quentes do meio-dia. Sempre tive muitas cócegas nos pés. Você descobriu por acaso e passou a me torturar com os dedos leves. Depois vieram os beijos e depois a língua. Aos poucos, meus pés não queriam mais caminhar. Desejavam a boca que os tinham desviado dos antigos caminhos. Hoje, meu corpo começa pelos pés.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong><strong>&nbsp;</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>O estranho que me visita</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sei quando ele chega. Gosta de me pegar distraída dentro de um livro, aparando as unhas ou bordando com meus bastidores. Quando me dou conta, ele já sumiu lá para os fundos do corredor. Nas primeiras vezes, tremia de medo e me distraía ligando a tv, cantando alto, telefonando para qualquer pessoa. Até que ele sumisse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas teve um dia em que criei coragem e fui caçá-lo pela casa. Entrei no quarto, ele deu sinal de estar no banheiro. Abri de um brusco a porta do banheiro, ele mexeu na torneira da cozinha. Acendi a luz da cozinha, ouvi o seu suspiro lá na sala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o tempo, aprendi que ele não queria ser visto. Me acostumei com a sua presença pela casa. Quando ele chega, finjo que não percebo. Continuo presa no livro, na serrinha de unhas ou na agulha que passa de um lado a outro do tecido esticado nos bastidores. Faço falsas poses distraídas, sabendo que ele gosta de me ver assim, vivendo a vida, passando o tempo, pensando coisas. Gosto desse estranho que me quer assim, na mais banal intimidade. Gosto que vasculhe minha casa, que me vasculhe por fora e por dentro. Gosto que me mostre a estrangeira que eu sou dentro do meu próprio território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Já fui do lar. Hoje faço doces para lares alheios. Faço textos, também. Mas não os envio aos lares. Prefiro que andem pelas ruas e encontrem ao acaso quem os leia. Entreguei vinte e três anos de minha vida a um homem, uma casa e uma filha. Só depois que o homem se foi e a filha se casou, pude ler o que quis, escrever o que quero. E algumas pessoas gostam do que escrevo. Por isso, sou teimosa e vou aos poucos construindo um olhar novo sobre as coisas do mundo. Às vezes dói, mas sempre me dá prazer. Tive alguns textos publicados em Dedo de moça – uma antologia das escritoras suicidas (São Paulo: Terracota Editora, 2009). Já é um bom começo.</em></p>
</blockquote>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>



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]]></content:encoded>
					
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		<title>Aperitivo da Palavra II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 00:14:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Alguma sinceridade]]></category>
		<category><![CDATA[Amenidades]]></category>
		<category><![CDATA[Ameno e sincero]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Lavigne]]></category>
		<category><![CDATA[grapiúna]]></category>
		<category><![CDATA[Ilhéus]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Elias Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Mondrongo Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[Jorge Elias Neto escreve sobre os novos versos de Geraldo Lavigne]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>GERALDO LAVIGNE – Ameno e sincero</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Jorge Elias Neto</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Alguma-Sinceridade-M.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Alguma-Sinceridade-M.jpg" alt="Alguma Sinceridade " class="wp-image-9282" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Alguma-Sinceridade-M.jpg 300w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Alguma-Sinceridade-M-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">ALGUMA SINCERIDADE</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual a idade do poeta Geraldo Lavigne? Pergunta que fiz a Gustavo Felicíssimo ao receber esses dois livros que se embrincam.&nbsp; Pergunto-me por quê? Talvez por achar necessário alguma intimidade com o autor para quem se aventura a escrever uma orelha de livro. Talvez pela surpresa da promessa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A poesia atual, em sua vertente mais celebrada pelas mídias do eixo Rio-São Paulo, se embriaga com o concretismo paulistano. Uma poética que brinca com as palavras, poética da forma, poesia da desilusão, do nada, egoísta, despida do deslumbramento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a poesia de Lavigne ―&#8230; ―, ele mesmo a define “com alguma sinceridade” ao nos dizer suas meias verdades, já não escondidas atrás de uma máscara. E vai dizendo que “é no âmago que reside a centelha”, na “seiva que corre o motivo do visgo”. Lembra-nos que vivificamos o mito de Sísifo e nos avisa sobre a falácia de quem joga o bilboquê de pedra neste “mito de democracia”. E é enorme a generosidade do poeta ao nos alertar da “tirania maior” – o que nos faz recordar de Montaigne quando disse do medo dos homens que leem sempre um único livro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o “eu lírico” se percebe diferente, pois ser afeito ao silêncio e a contemplação é ser um transgressor, ser anacrônico, neste Mundo multimidiático. O homem não se irmana na globalização e sim no reconhecimento de que o “normal é diferente”. Compreende leitor?</p>



<p class="wp-block-paragraph">E que bela imagem, a do coração, palimpsesto de pedra, onde é preciso “muita água da rara fonte dos olhos” para apagar o já escrito. Vejam a seriedade de um poeta jovem que se propõe buscar a síntese, o esmero técnico, sem que para isso necessite prescindir do coração. Um “eu lírico” que mantém a esperança de na busca ilusória do poema definitivo, perpetuar um coração minúsculo onde seja possível se escrever “com diminutas palavras”. Que bela imagem poética!</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o que dizer da ironia em Lavigne ― algo raro e necessário no enfrentamento das verdades ― quando no poema “aturdido” nos diz que “quando a água do chuveiro afaga meu corpo, posso ver, através da densa cortina, a minha vida com você é um filme de Hitchcock”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, a vida também é feita de perdas, e como emociona – e este é o maior objetivo da poesia – o poeta ao nos dizer da dor, no poema “meu velho”: “Faltam poucos dias para quatro anos nesse tempo dos homens que meu coração não reconhece”. E, consciente diante do absurdo do nada ― “a morte te espreita vereda por vereda” ―, ensaia o renascimento, um retorno mal sucedido ao ventre da inocência, pois já se impregnou com a verdade e se encontra “cheio de dentes e fantasmas”. Ressurge mais forte dessa viagem pela introspecção por ter “o gérmen do verde que brota quando o céu desaba”. Após o processo necessário de desconstrução, entende o silêncio, ergue os braços, toca as nuvens e “conversa com os anjos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já no lúdico poema “Ocaso” Lavigne se questiona: “será que cupins alados pousarão sobre o lastro que me sustenta?”. Mas rebate, agudo, “ talvez seja mais um poente, talvez o ocaso seja o acaso em mim”. E acaba por definir ser o poeta o “tutor das plumas solúveis, que pousou altivo no patronato das aves domesticadas” e atinge a perfeição ao reconhecer que “a gota d´água não se sustenta nas asas do pássaro silvestre”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o poeta desafia os “borbotões de vento” que nos desfolham e nos tombam, ensaiando a transcendência “desafiando a longevidade dos ciprestes milenares”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, só nos resta tratar das amenidades &#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Amenidades-M.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Amenidades-M.jpg" alt="Amenidades " class="wp-image-9283" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Amenidades-M.jpg 300w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/Amenidades-M-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">AMENIDADES</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O poeta do ameno deixa aqui seus fragmentos luminosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda singularidade do olhar lançado sobre o cotidiano pessoal traduz seu povo e sua terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poemas imagéticos, sem dúvida; poemas de uma lentidão contemplativa, de saber de sua insignificância relativa e da importância de prosseguir no sem sentido, pois, “perfeição na terra – não há exceto o amor”. Para o ser imperfeito e portador do “fardo da consciência” o amor é “semidivino porque tem um quê de pecado” no lado debaixo do Equador&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O “chegar e partir, são dois lados da mesma viagem” nos diz Bituca, e também o fez Lavigne, autêntico poeta Grapiúna (confesso aqui minha admiração por esse nome e seus poetas) ao apreciar o entardecer neste “paraíso dos anjos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como disse Ildásio Tavares: “Nada penso. Estendo os braços e curvo no meu joelho minha linha do horizonte”. Não será também esta atitude de Geraldo Lavigne nessa Ilhéus onde o céu se abre imenso, idílico, onde o “carvão abraçava a lua. A lua fogo abrasava o céu”?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dá vontade, poeta, de apreciar esta “primeira claridade da manhã, com sabor de fruta madura, café coado em pano e tapioca”. Ver “as gotas caírem qual sais de banho” e, por saber-se nada, caminhar descalço sobre os seixos na ilha da Pedra Furada. Pois Cipango fica logo ali, onde aportou o sonho, que persiste e “cresce ao redor” e, apesar “do Mundo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabe, Lavigne, já “bebi menino as águas frias da mata” e meu mundo “era tão curto e tão vasto”&#8230; “mas o tempo dissipa as palavras como a aura dissipa a fumaça da lenha”. E por isso, também, sinto saudades de Senô, pois desejo a benção com água de coco, para quem sabe, também tornar-me doce&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É isso, leitor, já que me foi dado o privilégio de recebê-lo, o convido a entrar. O poeta é generoso, lhe oferece duas portas – dois livros: um que diz do homem como objeto refletido e repisado; outro mais ameno e bucólico, impregnado de memórias e imagens da bela região grapiúna.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em><a href="http://jeliasneto.blogspot.com.br/"><strong>Jorge Elias Neto</strong></a> é poeta, médico, ensaísta e membro da Academia Capixaba de Letras. São de sua autoria os livros: Verdes Versos (Flor&amp;cultura ed. – 2007), Rascunhos do absurdo (Flor&amp;cultura ed. – 2010), Os ossos da baleia (Secult &#8211; 2013). Recentemente, lançou seu mais novo rebento poético, Glacial (Editora Patuá &#8211; 2014).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-31/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2015 00:01:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[colheita]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[outra e nada]]></category>
		<category><![CDATA[percurso]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[recorte]]></category>
		<category><![CDATA[sobeviventes]]></category>
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					<description><![CDATA[Nas entrelinhas de Mariana Fernandes, a serenidade de algum percurso
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Mariana Fernandes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="325" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna7.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9274" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna7.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna7-300x195.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Colheita</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aquieta-te,<br />
ainda é tempo de molhar a terra<br />
Das raízes ascender<br />
para desafogar-te<br />
em mar de espera<br />
De pastorar os lobos<br />
que correm em teu peito<br />
Inundar-te do sabor afável<br />
que é esvair-se<br />
De amar-te<br />
como se outra fosse<br />
Apressa-te,<br />
enquanto a água não seca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Percurso</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Premido pela falsa couraça do corpo<br />
inutilmente domável<br />
entre labirintos singelos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Prepara incessantemente,<br />
em que pesem os festejos da carne,<br />
o sumo que conduz em fragilidade<br />
o fio da vida</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escorrem-te pelas frestas,<br />
ávidas pelo encontro tardio,<br />
lágrimas tingidas em vermelho ocre</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois divido contigo o grande fardo<br />
que me trazes a cada ausência vivida<br />
A longa espera do silêncio absoluto<br />
em que te firmas e consome o todo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>Sobreviventes</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Espesso,<br />
grita o vento a galope<br />
envoltos de orvalho<br />
talvez cinzas<br />
deitamos sobre a terra<br />
nossos sonhos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Noite densa, pungente<br />
corta a carne, estanca a fala<br />
no olho do silêncio<br />
dividimos a escassez<br />
de nós mesmos</p>



<p class="wp-block-paragraph">O riso, a cólera<br />
e o estatelar dos ossos<br />
contra o mundo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fomos tanto de nós</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somos outros<br />
Somos os muros<br />
e queremos ser água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Recorte</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
Como um sopro frio<br />
que se prolonga por tempo demais<br />
Da tua companhia<br />
ficaram os copos vazios, lírios<br />
Os punhos suaves cerrados em prata<br />
estendendo-se timidamente<br />
à noite branda que se inicia<br />
Adivinhamo-nos invisíveis<br />
e cedemos em vertigem<br />
às estrelas<br />
do caos a complacência<br />
da língua a mudez<br />
dos pés o cansaço<br />
da lucidez o desatino<br />
dos olhos caleidoscópios<br />
no canto da memória<br />
giram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Outra e Nada</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Debruçada sobre<br />
as águas de vidro,<br />
vejo-me turva<br />
Borrões não<br />
decifrados em traços</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ilusionista, o corpo<br />
Dentro do vazio constrói<br />
a tua casa para desmoroná-la<br />
sem alarde</p>



<p class="wp-block-paragraph">Restam dezenas de mim,<br />
mas nenhum pedaço<br />
me veste com agrado</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sou aquela de quem falas,<br />
Não vejo o que vês<br />
Fui lapidada na tua mente</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pluma sobre a água<br />
ou pedra lançada</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que se faça esquecer<br />
a memória de mim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Meu nome é <strong>Mariana Fernandes</strong>, tenho 27 anos, nascida em 22/01/1987, na cidade do Rio de Janeiro, onde vivo até hoje. Sou estudante de Direito, graduada em Letras – Português/Inglês, funcionária pública, tradutora e ex-professora de língua inglesa. Escrevo para preencher silêncios, vazios, abafar vozes e enfeitar a realidade.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-33/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Jan 2015 23:51:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[bailarina]]></category>
		<category><![CDATA[Carla Carbatti]]></category>
		<category><![CDATA[diálogos íntimos]]></category>
		<category><![CDATA[diário do silêncio: a jardinheira]]></category>
		<category><![CDATA[diário do silêncio: a palavra]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[todos os átomos]]></category>
		<category><![CDATA[tremulações do azul]]></category>
		<category><![CDATA[unreal letter]]></category>
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					<description><![CDATA[Os diálogos íntimos de Carla Carbatti]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Carla Carbatti</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="340" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna6.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9268" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna6.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna6-300x204.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>t<em>r</em>emula<em>ç</em>ões <em>d</em>o a<em>z</em>ul</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
os carros e os pensamentos passam<br />
tão ilógicos<br />
agora demoro o corpo numa canção do Miles<br />
<em>all blues</em><br />
bebo água viva<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>para flu<em>i</em>r<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;</span>sua presença<br />
escorre pelos órgãos<br />
pelas avenidas<br />
os carros e os pensamentos passam<br />
na contramão<br />
dobrar a esquina exige uma força extraordinária<br />
sentir o tempo, fibra por fibra, muscular a solidão<br />
mas eu pertenço a uma geografia frágil<br />
às modulações de calor dos seus braços<br />
às nuvens, aos orgasmos,<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>ao húmus, aos ismos<br />
a todas as viscosidades e inconsistências da carne<br />
não defino, não explico,<br />
compartilho<br />
o outro não é meu objeto<br />
aquilo que digo e domino<br />
ao contrário<br />
o outro é o que me expande<br />
que faz outros mundos possíveis<br />
<em>kind of blues</em><br />
têm tons que só existem nos seus olhos:<br />
love: agitation: tremulações do azul</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>b</em></strong><strong>aila<em>r</em>ina</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">antes que eu ponha meu exército intelectual<br />
para invadir e sitiar um texto<br />
antes mesmo de capturar e enclausurar o sentido<br />
o próprio texto me envolve<br />
num exercício respiratório e <em>r</em>ítmico<br />
como se soltasse pássaros nas minhas artérias<br />
como se elas<br />
as palavras<br />
fossem m<em>ú</em>sica</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>d</em></strong><strong>i</strong><strong>ário do silêncio: a <em>p</em>alavra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><br />
[ ]: penso na primeira vez que alguém disse: palavra. o silêncio seco do seu sopro sussurrando a solidão. o cheiro vermelho do nascimento. havia um abismo pintado sobre um mapa. um espaço infinito aberto pela curva. aos poucos, os pássaros e as crianças ocuparam as praças, as esquinas e uma mulher montada num cavalo negro estilhaçou a vidraça: ¡palavra!:<br />
inventa-me este lugar, esta distância. cria-me o mundo a partir deste vazio: [ ]</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>diário do silêncio: a <em>ja</em>rdin<em>h</em>eira</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8230; então o rio. a solidão fluindo no mês de junho, em tudo. eu sei, escrever é isso, este infinito diálogo íntimo. talvez, entre uma sílaba e um desconforto, pudesse sentir suas mãos narrando o silêncio no meu corpo. as digitais desenhando nuvens no mapa da existência. o amor é uma tênue penumbra presente na película da palavra. inventou o rio e noite que molham meus olhos. por onde andávamos antes das margens e o medo indicarem o caminho? agora passam aves e frases no descampado do pensamento. dilatam o tempo, os objetos, os lugares. eu construo janela para estender o olhar e as viagens. é verdade que somos só uma tremura na entranha de deus? noite alta, vejo o vento esvoaçar a saia da madrugada. um relâmpago fugaz fulminar o verso. cato as fuligens vermelhas e deixo as azuis para os vermes. as águas da chuva iniciam seu percurso pela memória do rio.<br />
eu remo rimo regresso, rego as raízes das plantas</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>un</em></strong><strong>real <em>l</em>e<em>tt</em>er</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">escrever a palavra cansada<br />
o amor em cartas registradas<br />
nos abismos da pele</p>



<p class="wp-block-paragraph">trago na boca<br />
borboletas e vermes – selados em saliva<br />
numa caligrafia de haver reticências<br />
cartão-postal<br />
rascunho de poesia<br />
viagem pro Nepal<br />
disco do Pixinguinha</p>



<p class="wp-block-paragraph">tome nota: [nasce um pedaço de eternidade]:</p>



<p class="wp-block-paragraph">é preciso catar parafusos em noites de chuva<br />
e nem me venha com sombrinha!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>sou qualquer, <strong>carla</strong>, como tantas Carlas que há, filhas de Marias. nasci onde brilham as estrelas de Três Pontas e jorram luz até BH. disse amor e atravessei o Atlântico.&nbsp; hoje habito um Campus Stellae. amo, amo demais duas menininhas de olhos acastanhados, mais brilhantes que o sol. nos feriados solto pipas e escrevo com <a href="http://www.todosatomos.blogspot.com.es%20"><b>todos os átomos</b></a></em><em>. nos dias de feira faço um mapa&nbsp;losing steps&nbsp;das heterotopias de Clarice, pra isso que chamam de tese, mas eu chamo mesmo é de saltar no abismo com um verbo infinitivo nos lábios &#8230;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
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		<title>Olhares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Jan 2015 23:38:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[98ª Leva - 01/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Olhares]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Alles]]></category>
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					<description><![CDATA[Os reflexos humanos nas fotografias de Pedro Alles
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>As humanas idades de Pedro Alles</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Fabrício Brandão</em></p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-I.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="352" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-I.jpg" alt="" class="wp-image-15742" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-I.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-I-300x211.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">São os tais percursos deixados pelo homem. As frontes expostas diante da sinceridade dos dias. As marcas do tempo, os semblantes abrigados num recanto qualquer. Travestidas de rotina, as figuras humanas trapaceiam os efeitos do óbvio, negando-lhe a condição de seres aborrecidos por uma suposta falta de novidade ou pelas marcas da repetição. Mas eis que há, sim, a descoberta do novo ante os fragmentos da realidade. Sentir-se vivo é, antes de mais nada, constatar que a poesia dos instantes não é sufocada por uma espécie de ceticismo universal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim o faz <strong>Pedro Alles</strong>, quando deixa brotar de suas imagens elementos exaltadores da condição humana. Uma pluralidade de rostos, corpos e lugares encontra abrigo no atento registro do artista. Miramos os caminhos propostos e, na maior brevidade possível, sentimo-nos testemunhas dos cenários. &nbsp;Ao passo que cada captar da luz instaura em nós alguma identificação, percebemos que somos cúmplices ativos de uma realidade abrangente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As fotografias de Pedro não esperam pela hora mágica. Chamam atenção pelo vigor da simplicidade que permeia nossa trajetória de mortais. As coisas acontecem diante dos nossos olhos sem que para tanto sejam profetizadas de modo apoteótico ou apocalíptico. Não há início, meio e fim. Apenas o puro transcurso do olhar que deseja apresentar epifanias da existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-II.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-II.jpg" alt="" class="wp-image-15743" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-II.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/INTERNA-II-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja uma ponta de mar, uma expressão facial ou o gestual encerrado na rotina dos nossos iguais, tudo carrega em si o emblema dos difusos percursos de vida. Diferentes mundos se intercruzam, compondo histórias de um complexo tecido social. Aí reside a riqueza dos flagrantes do fotógrafo, seu trunfo por trazer à tona o coletivo enquanto agregado de células subjetivas. Nesse fluido de individualidades, estão misturados sonhos, gozos, gestos e algumas poucas certezas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedro Alles fala de suas origens como alguém que sempre buscou aventurar-se pelos caminhos sem pretender verdades universais. Nasceu em Salvador e morou no Rio Grande do Sul, Maranhão e Rio de Janeiro. Fez de tudo um pouco. Foi restaurador de museu, roteirista de quadrinhos, trabalhou com fotografia de moda, publicidade, além de também ter sido editor jornalístico. Escreveu dois livros: um de poemas (Micrices Adestradas, 1993); outro de aforismos (As Mínimas do Marquês do Herval, 1997). Depois de muitas andanças, deixou para trás um mestrado em filosofia para se dedicar a sua pousada no litoral de João Pessoa, na Paraíba.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por visar a conjunção entre contemplação e reflexão, a arte de Pedro não ignora os desvãos do mundo. Do mesmo modo como sua estética propõe uma abordagem sutilmente crítica das coisas, uma menção à beleza faz alusão a uma tão necessária manutenção da esperança. Mesmo que sejamos reconhecidamente imperfeitos e repetitivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna-iii.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna-iii.jpg" alt="Foto: Pedro Alles" class="wp-image-9262" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna-iii.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/01/interna-iii-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Pedro Alles</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>* As fotografias de Pedro Alles são parte integrante da galeria e dos textos da 98ª Leva</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
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