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	<title>99ª Leva &#8211; 02/2015 &#8211; Diversos Afins</title>
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	<description>entre caminhos e palavras</description>
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	<title>99ª Leva &#8211; 02/2015 &#8211; Diversos Afins</title>
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		<title>Ciceroneando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2015 15:10:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[99ª Leva]]></category>
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					<description><![CDATA[Editorial da 99ª Leva]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Alessandra-Bufe-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="401" height="500" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Alessandra-Bufe-1.jpg" alt="alessandra-bufe" class="wp-image-12712" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Alessandra-Bufe-1.jpg 401w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Alessandra-Bufe-1-241x300.jpg 241w" sizes="(max-width: 401px) 100vw, 401px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Alessandra Bufe Baruque</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Novos desdobramentos nos espreitam por aqui. Imagens, diálogos, lampejos, análises, ficções, versos, escutas, tudo o que sugere uma ponte entre um universo íntimo de observação dos criadores e uma dimensão externa das coisas. Até imaginamos o quanto uma obra pode incorporar de sentidos e signos do seu nascedouro até a recepção de um apreciador, mas a questão é que o corpo final terá uma conformação imprevisível. Talvez esteja aí o caráter transformador da arte, tanto para imagens quanto para palavras. Quem mergulha na degustação e leitura do universo artístico, recria mundos a partir do seu. Há limites para isso? Uma criação pode, de fato, sofrer uma profunda alteração em razão de seus múltiplos e possíveis níveis interpretativos? Esse fluxo de indagações também parece se aproximar de outros mais, sobretudo aqueles que se referem ao quesito direcionamento das obras. Assim, perguntaríamos, por exemplo, para quem um autor produz, se para si ou no afã de encontrar abrigo no seio de quem recepciona seus feitos. Parece-nos mais razoável permitir que tudo caminhe no seu curso mais natural possível, evidenciando que as experiências individuais assinalem seu próprio caminho. No nosso terreno atual de expressões, questionamos o poeta <strong>Geraldo Lavigne de Lemos</strong> a respeito desse assunto. As impressões dele estão contidas numa entrevista, bem como epifanias que povoam seus caminhos de escritor. Quem faz par com os textos publicados por aqui é a arte multifacetada de <strong>Alessandra Bufe Baruque</strong>. Nos caminhos da prosa, vemos desfilar as linhas de <strong>Marieli Becker</strong>, <strong>Dênisson Padilha Filho</strong> e <strong>Tere Tavares</strong>. Na seara teatral, <strong>Geraldo Lima</strong> oferta percursos ao livro <em>Zé</em>, do dramaturgo <strong>Fernando Marques</strong>, uma adaptação em versos da peça <em>Woyzeck</em> de Büchner. As janelas poéticas de agora se abrem para as vozes de <strong>Ana Farrah Baunilha</strong>, <strong>Luciane Lopes</strong>, <strong>Geraldo Lavigne</strong>, <strong>Márcia Barbieri</strong> e <strong>Marcelo Benini</strong>. O complexo filme <em>Birdman</em> recebe as percepções de <strong>Larissa Mendes</strong>. O coletivo de expressões poéticas e fotográficas abrigados no livro <em>Profundanças </em>é acolhido pelas sensíveis leituras de <strong>Neuzamaria Kerner</strong>. Na agulha do caderno Gramofone, giram as canções do disco solo do cantor e compositor <strong>Russo Passapusso</strong>. &nbsp;Bem-vindos aos mergulhos da 99ª Leva, caros leitores!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Os Leveiros</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aperitivo da Palavra</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/aperitivodapalavra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2015 15:06:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Aperitivo da Palavra]]></category>
		<category><![CDATA[fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Neuzamaria Kerner]]></category>
		<category><![CDATA[palavras bailarinas na sala de leitura]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Profundanças]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[Neuzamaria Kerner entoa as vozes femininas do livro Profundanças]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras bailarinas na sala de leitura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Neuzamaria Kerner</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna5.jpg"><img decoding="async" width="354" height="500" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna5.jpg" alt="Profundanças" class="wp-image-9515" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna5.jpg 354w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna5-212x300.jpg 212w" sizes="(max-width: 354px) 100vw, 354px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aprofundamento no sentido mais vertical da palavra. Abundância do profundo no mais profundo da alma. Isso deve ser a <strong>Profundança</strong>. A alma aqui é o livro perpassado pelo filtro da poesia que habita nessas páginas de poemas e imagens femininas. As imagens, representações da psique das 13 escritoras que partiram de vários lugares e caminharam até o ponto de encontro: esta antologia. Elas desfilam vestidas de poemas, sendo vistas desde a apresentação do livro feita pela organizadora Daniela Galdino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Profundanças: antologia literária e fotográfica</strong> em sua 1ª edição virtual, Voo Audiovisual, 2014, vindo de Ipiaú (BA), pousa nos campos virtuais para espalhar poesia. &nbsp;Na imagem de abertura uma mulher sobe degraus de uma escadaria como que simbolizando o progresso, a realização de desejo consubstanciado no livro pronto. 13 escritoras desengavetam suas palavras para que povoem o universo; 13 escritoras tratam de recolher as mazelas desaprisionadas da caixa de Pandora para que sejam reconfinadas até elas aprenderem com a Esperança – que havia ficado no fundo da caixa – sobre a importância da arte como elemento que transubstancia palavra em alimento para a alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Belisa, Brisa, Calila, Celeste, Daniela, Fernanda, Lorenza, Márcia, Potira, Raquel, Renailda, Say e Valquíria misturam suas experiências individuais e apresentam um modelo de pertencimento a uma comunidade artística de alto gabarito que interage com um público leitor que lança sua rede no mais profundo mundo virtual para buscar o melhor pescado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição dos textos é feita com mistura de versos e prosas onde as autoras puderam expressar suas <strong>profundanças</strong> com muita leveza e liberdade, incluindo a apresentação de fotografias delas mesmas como extensão da palavra escrita. Elas estão presentes. Os textos têm a cara das donas e é muito interessante observar como cada palavra escrita identifica cada uma delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As fotografias vão como que revelando o cotidiano das moças e ilustrando o espírito do livro na medida em que o olhar dos fotógrafos vai capturando as <strong>profundanças</strong> dos momentos e perpetuando os movimentos das escritoras. Assim acontece o entrelaçamento das palavras e imagens quando Martinho, empunhando a câmera, olha o olhar de Valquíria que fala:</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Empunho o que sou,</em><br />
<em>porque o ser que me habita</em><br />
<em>não quer o que esfria,</em><br />
<em>ao contrário,</em><br />
<em>pede o que borbulha.</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Fafá surpreende Say entre panelas – dispostas no altar para o banquete &#8211; grafites, flores e estampas na saia. Mais uma vez a imagem casa com a poesia:</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Escondo, na parte de dentro,</em><br />
<em>Do estampado florido de minhas saias</em><br />
<em>Um respiro calmo no altar de mim.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Márcia e Jéssica se encontram num diálogo aparentemente desencontrado. Só na aparência mesmo, posto que da cor seca do sertão brota a florada de quem, como num ato de contrição, escreve poemas:</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Meu sertão tem a cor amarela</em><br />
<em>Como as folhas no outono</em><br />
<em>E a minha saudade tem a cor sépia</em><br />
<em>Como numa fotografia</em><br />
<em>uma saudade assim</em><br />
<em>envelhecida.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma árvore prenha guarda águas sertanejas para matar as necessárias sedes. É assim a natureza: resistente e adaptável porque criativa. Como um útero aconchegante carrega dentro de si a poesia que germina e se desenvolve pela palavra forte de Celeste e pelo gatilho da câmera de Ravena. Belo encontro!</p>



<p class="wp-block-paragraph">É dispensável neste momento escrever sobre as autoras, posto que no final do livro a organizadora teve o cuidado de apresentá-las numa <em>Mini Bio d@s participantes</em> de um jeito muito mais interessante de forma que o leitor poderá conferir e entender o porquê dessa ausência de explicações nesta resenha. Além da apresentação das escritoras, Daniela Galdino abre espaço detalhado para mostrar quem fotografou e quem ajudou na produção do brilhante material que a partir de agora está no mundo através da boca e da pena das autoras deste livro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Olho-me no espelho nua por dentro</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">porque</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Fui nomeada no esteio do vento.</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Sou eu, ácido, violão sem cordas</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">E me extasiando com sua música surda</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>tenho medo dos sussurros das palavras</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">e</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>começo a pender para direções esquecidas</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">buscando os caminhos que</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>as quinas das portas cortam meus passos.</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Há mofo no teto e gotas de chuva nas cortinas</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>e a minha saudade tem a cor sépia</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">na presença do enxofre envelhecedor de fotografias&#8230; mas</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>prometo gozar o atraso dos dissabores</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>sintomas de precipício/ predicados de botequim</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">Ah!&#8230; O que tenho?</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>Tenho tanto medo de deus / que até fraquejei com esta caneta,</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">porém depois de cada inverno inscrito</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>eu sempre voltarei para o verão dos teus braços</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">porque é neles que</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><em>os meus cabelos / escondem navalhas errantes</em></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph">mas que não podarão a <strong>profundança</strong> de cada palavra poemada.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>* Os textos em itálico são os títulos das falas das autoras deste precioso livro.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Profundanças” está disponível para <a href="http://vooaudiovisual.com.br/projects/profundancas/%20"><strong>download</strong></a> no site Voo Audiovisual.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.neuzamariakerner.blogspot.com.br/%20"><strong><em>Neuzamaria Kerner</em></strong></a><em>, baiana de Salvador, é professora e escritora. Tem publicados os livros: “Fragmentos de Cristal”, “Eu Bebi a Lua”, “A Presença do Mar na Prosa Grapiúna”, entre outras publicações em revistas literárias. Seu mais recente rebento poético é “O Livro-Arbítrio das Evas – Dentro e Fora do Jardim” (Ed. Editus – 2014).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-ii-35/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2015 14:52:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Alguma sinceridade]]></category>
		<category><![CDATA[Amenidades]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Lavigne]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[matéria e antimatéria]]></category>
		<category><![CDATA[o mesmo]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[sentimentos gravados]]></category>
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					<description><![CDATA[Os ambientes lúcidos e serenos da verve poética de Geraldo Lavigne de Lemos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Geraldo Lavigne de Lemos</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna4.jpg"><img decoding="async" width="342" height="500" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna4.jpg" alt="Alessandra Bufe Baruque" class="wp-image-9508" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna4.jpg 342w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna4-205x300.jpg 205w" sizes="(max-width: 342px) 100vw, 342px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Alessandra Bufe Baruque</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>sentimentos gravados</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
meu coração é de pedra<br />
porque o que nele se escreve<br />
não se apaga<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</span>ou, para tanto,<br />
precisa de muita água<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>muita água da rara<br />
da fonte dos olhos<br />
que mine, escorra e lave,<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;</span>lave,<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>lave<br />
até que gaste<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>o escrito<br />
e reste menos uma camada<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>volte a ser liso<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>como em meu primeiro dia<br />
e possa ser reescrito<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>em pedra<br />
com esperança de ser definitivo<br />
pois a cada vez que é polido<br />
meu coração fica menor<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>e<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;.</span>inscreve<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;.</span>diminutas<br />
<span style="color: #ffffff;">..</span>palavras</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>o mesmo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
eu quis renascer.<br />
deitei em posição de feto,<br />
mas não adiantou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">já não caibo mais<br />
no ventre</p>



<p class="wp-block-paragraph">já não tenho mais<br />
a permissão<br />
da inocência</p>



<p class="wp-block-paragraph">não consigo<br />
sequer<br />
prolongar o sono</p>



<p class="wp-block-paragraph">estou cheio de dentes<br />
e de fantasmas</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>chronos e kairós</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
a segunda estrofe<br />
lê-se como se vive:<br />
em um segundo</p>



<p class="wp-block-paragraph">breque<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;</span>capô<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;</span>para-brisa<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;</span>asfalto</p>



<p class="wp-block-paragraph">a quarta estrofe<br />
vive-se como se crê:<br />
o tempo de Deus</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nenhum dos seres<br />
está esquecido<br />
diante de Deus.<br />
E até os cabelos<br />
das nossas cabeças<br />
Estão todos contados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>matéria e antimatéria</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
eu sou assim<br />
porque o mundo ingrato me cuspiu assim<br />
seco, direto,<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>irônico quando preciso<br />
sarcástico ou perscrutador</p>



<p class="wp-block-paragraph">se foi a conjuntura cósmica<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;..</span>eu não sei<br />
o fio de prata, o espírito,<br />
a fumaça lânguida baforada</p>



<p class="wp-block-paragraph">mas tenho a impressão<br />
de ter trazido comigo<br />
esses sentimentos extremados<br />
essa angústia inafastável<br />
e algumas coisas mais<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;..</span>que não compreendo</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
<strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>primeira impressão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<br />
as ditaduras se nutrem<br />
da hegemonia</p>



<p class="wp-block-paragraph">entre as mais cruéis<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;..</span>a da cultura</p>



<p class="wp-block-paragraph">ervas daninhas<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</span>trepadeiras<br />
enramam<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</span>sobre nossas cabeças</p>



<p class="wp-block-paragraph">tirania maior:<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;.</span>a sombra<br />
<span style="color: #ffffff;">&#8230;&#8230;.</span>do conhecimento</p>



<p class="wp-block-paragraph">aplicam:<br />
quem pouco lê,<br />
ao ler o primeiro livro que o impressiona,<br />
toma-o como dogma</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Geraldo Lavigne de Lemos</em></strong><em> é natural de Itabuna-Ba e radicado em Ilhéus-Ba, bacharel em Direito e escritor, membro da Academia de Letras de Ilhéus. Em 2011, publicou o livro “À Espera do Verão” (Mondrongo), inserido na série Diálogos. Os poemas aqui selecionados fazem parte dos seus novos livros, “Alguma Sinceridade” e “Amenidades”, ambos lançados pela Editora Mondrongo em 2014.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Dedos de Prosa II</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-ii-31/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2015 15:27:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Dênisson Padilha Filho]]></category>
		<category><![CDATA[O herói está de folga]]></category>
		<category><![CDATA[vai por mim baby]]></category>
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					<description><![CDATA[Tramas cotidianas no conto inédito de Dênisson Padilha Filho]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Dênisson Padilha Filho</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/internaiii.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="465" height="465" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/internaiii.jpg" alt="Alessandra Bufe Baruque" class="wp-image-9502" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/internaiii.jpg 465w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/internaiii-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/internaiii-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 465px) 100vw, 465px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Alessandra Bufe Baruque</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>VAI POR MIM, BABY</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma rua de bares, uma massa de gente feliz à tardinha. No ar uma luz âmbar coloria os olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Veja uma <em>longneck</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Pra mim um Campari.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― O que vai fazer agora, que saiu de mochila?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Sinceramente? Pensei em ir morar com você.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Já falamos sobre isso&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Já sei o que vai dizer: “espere ao menos completar dezoito”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Sempre falei isso, mas acho que você não entendeu.&nbsp; Queria dizer que você deve ter dezoito pra sair de casa, não pra morar comigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Ah é? E que idade eu devo ter pra morar com você?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Paula, não dificulte; você está entendendo.&nbsp; Você tem a idade da minha filha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Mas não sou sua filha!</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Aqui pode fumar charuto?&#8230; Pode? ― ao garçom ― O senhor tem isqueiro?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― O que você sugere então?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Acho que você deve voltar pra casa de seus pais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Você deve estar brincando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Sério&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">― É assim que você me ama?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Não é questão de amar ou não; é bom senso. Não faça isso com seus pais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Você tá pensando mais neles do que em mim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Um pai morre de culpa com uma coisa dessa; vai por mim, baby, de culpa eu entendo. E depois&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Sua ex!&#8230; Eu sabia!</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Ela não é apenas uma ex; é mãe da minha filha! É tão difícil entender? Tô até vendo ela me chamar de Polanski, Woody Allen&#8230; E você de Lolita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Quer saber?! Pra mim chega!</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Calma, termina o Campari, pelo menos&#8230;. Chega o quê?&nbsp; Aonde vai, vai viver de quê?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Não lhe interessa&#8230; vou virar puta, pronto..</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Paula, sente aqui, vamos conversar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Aliás, virar não; porque sempre fui sua puta; mas agora pelo menos vou saber quanto custo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Paula, fale baixo, venha cá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Fale baixo uma ova! Pra mim deu!</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Putz!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8230;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">― Garçom! Traz outra? &#8230; Conhece?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― De vista; mas não acredito que vai fazer o que falou. Sei que é de boa família. O pai vem sempre aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― O pai vem sempre aqui? Sério?!</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Vem. Senta sempre nas mesas de fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Putz! Nunca vi aqui! Nunca coincidiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― O senhor conhece o pai dela?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Conheço demais!&nbsp; Amigo de mais de vinte anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― A menina, então, o senhor viu nascer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Ah vi. E digo mais, aquela ali é como se fosse minha filha! O senhor pode trocar o cinzeiro?</p>



<p class="wp-block-paragraph">― Pois não, senhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No bar em frente, uma música feliz, a massa de gente crescendo, e a mesma luz eufórica dançava na curva de cada rosto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Dênisson Padilha Filho</em></strong><em> (1971) é baiano. Escritor e roteirista de audiovisual. É mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia. Publicou “Menelau e os homens” (2012, contos e novelas), “Carmina e os vaqueiros do pequi” (2003, romance) e “Aboios celestes” (1999, contos). Em 2014, lançou “O herói está de folga”, volume de contos publicado pela Editora Kalango.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Janela Poética IV</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2015 16:07:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[A Puta]]></category>
		<category><![CDATA[Anéis de Saturno]]></category>
		<category><![CDATA[As mãos mirradas de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Escamas]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Manhãs em migalhas]]></category>
		<category><![CDATA[Márcia Barbieri]]></category>
		<category><![CDATA[o desencaixe do Sol]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Os ritos desconcertantes dos poemas de Márcia Barbieri]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Márcia Barbieri</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/bloco-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="321" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/bloco-2.jpg" alt="" class="wp-image-15752" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/bloco-2.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/bloco-2-300x193.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Alessandra Bufe Baruque</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O desencaixe do Sol</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há milênios a pedra descansava embaixo do seu nariz<br />
sem desgaste, sem musgo, sem vinco,<br />
uma memória esquecediça<br />
Mas Estela estava ocupada demais<br />
desacoplando seus membros<br />
Desencaixava pacientemente peça por peça<br />
Levantava e abaixava as pernas<br />
Escutava atenta os ruídos da rótula<br />
Escondia os olhos das luzes da tarde</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu a observava da janela verde e seu corpo não passava<br />
de uma carcaça adormecida pelo tempo<br />
Ela repetia esse ritual todo domingo<br />
O crânio era deixado em cima do ventre vazio<br />
As bifurcações do cérebro eram confundidas<br />
com os pensamentos<br />
Ela continuava lindamente viva</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tentei alcançar sua mão, no entanto, eu era só um velho<br />
Pelancas despencavam das minhas extremidades<br />
E a carne de Estela não possuía nem riscos<br />
nem linhas nem ranhuras<br />
Sobre a cabeça de Estela repousavam nuvens,<br />
Sobre a minha, pássaros moribundos de origami</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há milênios a pedra descansava embaixo do seu nariz,<br />
Sem desgaste, sem musgo, sem vinco,<br />
uma memória esquecediça<br />
Estela sussurrava para seu crânio<br />
Haverá um tempo em que a pedra será irmã do homem<br />
E toda substância disputará um sol sobre a mesma pele</p>



<p class="wp-block-paragraph">E eu gaguejo para Ninguém:<br />
Não creio na onipotência da pedra<br />
não creio em neutrinos<br />
não creio em quarks<br />
não creio no bóson de Higgs<br />
não creio na nanomemória das coisas<br />
E ainda assim a existência enferruja<br />
igual a um parafuso espanado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sou homem<br />
sou uma matilha<br />
dividindo-destroçando o mesmo fêmur</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sou nem esse lobo<br />
que crava os dentes no osso<br />
nem esse osso perfurado<br />
estou entre um e outro<br />
sou essa membrana, essa baba branca, esse órgão acoplado,<br />
essa partitura de mandíbulas desencaixadas<br />
&#8211; caótica e ruidosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Escamas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ressoa a pele verde e incrustada de mágoas &#8211; clave de sol &#8211;<br />
um verme se espreme entre as circunvoluções do meu cérebro<br />
Respiro aliviada porque meus pelos têm a cor dos cachorros magros<br />
Respiro aliviada porque minha alma tem a candura das tardes longas de solstício<br />
Respiro aliviada porque minha boca perdeu o fel de antigamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A língua salivante de lagarto passeia abstrata nas minhas gretas<br />
Geme meu quadril curva desalinhada<br />
Quero desentristecer<br />
mas olho de soslaio as venezianas<br />
e vejo-me encarando seu sorriso entre muralhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong> Manhãs em migalhas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Só por hoje<br />
Rasgarei meu peito<br />
E arrancarei flores de vidro,<br />
pássaros de origami e velhas mágoas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Picaretas dançam entre minhas vértebras<br />
E eu toco calma a flauta de MAIAKÓVSKI<br />
Nunca acreditei que gangrenas devorariam meu corpo<br />
Pedaços de sorrisos caem desconexos da minha boca<br />
E eu que imaginei morrer um dia de cada vez – Morte Súbita.<a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-login.php?action=logout&amp;_wpnonce=d49343ceaa">Sair</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Caminho sobre os muros e observo pipas<br />
Losangos e ilusões em perfeita sintonia<br />
O sol explode amarelo em minha mente<br />
E eu penso: deixa-me tocar os lírios – Só por hoje&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Márcia Barbieri</em></strong><em>&nbsp;</em><em>é paulista, mestranda em Filosofia (Unifesp) e formada em Letras (Unesp). Publicou os livros de contos&nbsp;Anéis de Saturno, As mãos mirradas de Deus, e os romances Mosaico de rancores (no Brasil pela editora Terracota, e na Alemanha pela editora Clandestino Publikationen) e A Puta. Participou de várias antologias e tem textos publicados nas principais revistas literárias.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
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		<title>Jogo de Cena</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/jogo-de-cena-15/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2015 15:51:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Marques]]></category>
		<category><![CDATA[Georg Büchner]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Jogo de Cena]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Woyzeck]]></category>
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					<description><![CDATA[Geraldo Lima discorre sobre a obra “Zé”, do dramaturgo Fernando Marques]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>WOYZECK EM VERSOS EM TERRAS BRASILEIRAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Geraldo Lima</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-ii.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="249" height="450" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-ii.jpg" alt="capa-ii" class="wp-image-12707" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-ii.jpg 249w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-ii-166x300.jpg 166w" sizes="auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Georg Büchner nasceu em Goddelau, Alemanha, em 17 de outubro de 1813, e, acometido de tifo, faleceu em Zurique, Suíça, em 19 de fevereiro de 1837. Tinha apenas 23 anos de idade, mas já havia defendido tese sobre o Sistema Nervoso dos Peixes, iniciado a carreira como professor universitário na Universidade de Zurique, escrito o drama de época <em>A Morte de Danton,</em> a comédia <em>Leonce e Lena</em>, o fragmento (ou esboço) do drama <em>Woyzeck</em>, que iria imortalizá-lo e influenciar outros dramaturgos mundo afora, e uma novela inacabada: <em>Lenz</em>. Além disso, deixou também o histórico de uma atividade política intensa, de crítica feroz à realidade social do seu país, tendo amargado, por isso, alguns anos de exílio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fernando Marques nasceu no Rio de Janeiro e, atualmente, reside em Brasília, Distrito Federal. É professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, jornalista, escritor, dramaturgo e compositor. É Doutor em Literatura Brasileira pela UnB com a tese sobre teatro musical. Tem algumas obras publicadas, dentre elas <em>Retratos de Mulher</em> (poesia, Varanda), <em>Contos Canhotos</em> (contos, LGE), <em>A Comicidade da Desilusão: O Humor nas Tragédias Cariocas de Nelson Rodrigues</em> (ensaio, Editora UnB/Ler Editora), o livro-CD <em>Últimos: Comédia Musical</em> (Perspectiva). Além disso, tem textos publicados em jornais e revistas impressas e eletrônicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dito isso, resta indagar: o que une então esses dois artistas separados no tempo e no espaço?&nbsp; O que justifica o fato de serem colocados, lado a lado, neste texto? Que ponto de contato há entre ambos, já que suas obras são originárias de culturas e épocas bem diferentes?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta, embora simples, demanda uma explanação mais ampla, expondo afetos e meios que possibilitaram essa aproximação entre o dramaturgo alemão e o brasileiro. Fernando Marques, num lance ousado, empreendeu a árdua tarefa de adaptar em versos metrificados e rimados a peça-fragmento <em>Woyzeck</em> de Büchner.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ideia de adaptar em verso (“Reiteiro, afinal, não se tratar aqui de tradução em verso”, avisa logo o autor) essa peça de Büchner surgiu em 1996 quanto Fernando participava, compondo três canções, da sua montagem em Brasília, sob a direção de Túlio Guimarães. Desse primeiro instante em que lhe brotou na mente a ideia-desejo até a sua colocação em prática, com a primeira redação do texto em 1999, passaram-se mais de dois anos.&nbsp; <em>Zé</em> (esse é o título da adaptação feita por Fernando Marques) passou por uma última modificação em 2013 ao ser reeditado pela É Realizações Editora. Todas as reescrituras que o texto sofreu ao longo desses anos foram feitas tendo por base obras de referência sobre a peça do jovem autor alemão, como “Büchner”, artigo de Anatol Rosenfeld publicado no livro <em>Teatro Moderno </em>(2. ed., São Paulo, Perspectiva, 1985), <em>Georg Büchner e a Modenidade</em>, livro de Irene Aron (São Paulo, Annablume, 1993), entre outras. Em busca de rigor técnico e fidelidade ao texto do autor de <em>A Morte de Danton</em>, Fernando consultou ainda, para a revisão feita em 2003, as três traduções integrais de <em>Woyzeck</em> então disponíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vê-se, com isso, que a tarefa que Fernando Marques se impôs não foi fácil e custou-lhe anos de leituras comparativas e reelaborações na busca do texto mais próximo ao do dramaturgo alemão. Há em todo esse percurso criativo um labor e uma seriedade que resultaram num texto que traduz, de modo fiel e denso, a mesma realidade de opressão e lirismo trágico que desnorteia e esmaga o personagem Franz Woyzeck.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa fidelidade, no caso, não significa que o autor brasiliense tenha se esquivado de impor, em algumas passagens, a sua marca pessoal. Em alguns casos, ele procurou, por exemplo, tornar mais legíveis algumas passagens do original. Diz ele: “Do ponto de vista da legibilidade, vale dizer que visei tornar mais claras certas passagens caracteristicamente lacônicas ou obscuras do original”. Esse seu procedimento vai, no entanto, de encontro à opinião de Sábato Magaldi, segundo o qual “O hermetismo de certas passagens engrandece a peça com uma gama infindável de sugestões”. Mas essa busca de maior legibilidade não adultera em nada o texto-esboço de Büchner, pois não o despe do que Sábato Magaldi chama de “descarnamento essencial” nem lhe tira o sentido de dramaticidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora mantenha o cenário original da peça de Büchner, a Alemanha do século XIX, Fernando Marques faz algumas intervenções bem próprias na tentativa de aproximar a realidade de <em>Woyzeck</em> da realidade brasileira. Podemos citar, em primeiro lugar, o próprio título <em>Zé</em> que o autor deu à sua adaptação. Sendo Woyzeck um zé-ninguém, um soldado raso explorado e oprimido por todos, o título dado por Fernando mostra bem, do ponto de vista da nossa cultura, esse apequenamento do protagonista diante da realidade opressora. No texto “Recomposição Versificada”, publicado em <em>Zé</em> (São Paulo, É Realizações Editora, 2013), Valmir Santos afirma que “De fato, os milhões de miseráveis que contracenam pelo país, embarcados no século XXI, enxergariam facilmente um irmão no Zé büchneriano de Marques”. Ainda nesse processo de aproximação da nossa realidade, há a referência hiperbólica ao Lago Paranoá numa das falas do 1º Aprendiz: “O mundo é bonito – ou parece,/mas vou chorar um Paranoá!”. E pode-se ver ainda referência a Nelson Rodrigues num trecho como este, na fala do Judeu: “Vai ter uma morte batata,/mesmo que não seja de graça”. Ao final, Fernando faz um acréscimo ao texto original (em algumas versões a peça termina com a cena “na floresta, junto ao rio”), acrescentando-lhe uma espécie de “adendo ou epílogo”. Na fala do Velho, essa cena, cantada, reforça o caráter provisório da nossa vida terrena: “No mundo não há consistência/Todos vamos morrer/Sabemos muito bem/Vamos morrer/Sabemos bem”. Porém, enquanto o Velho canta, expondo a precariedade da vida, a Criança dança ao som da sanfona, como que apontando para o sentido de renovação e resistência dessa mesma vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda que se possam apontar todas essas marcas pessoais do autor na adaptação do <em>Woyzeck</em>, ele expõe enfático os limites da sua intervenção: “Com pequenas alterações, a história é a de Büchner; minha contribuição se dá no plano dos versos e das quatro canções incorporadas à peça”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>A peça Woyzeck e as variações possíveis na sua estrutura dramática.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na obra <em>Georg Büchner – A Dramaturgia do Terror</em> (São Paulo, Brasiliense,1983) Fernando Peixoto informa que “Woyzeck é formado por 27 cenas curtas e em certa medida autônomas (&#8230;). Cada instante vale por si mesmo, aprofundando uma situação ou uma relação”. São cenas que se articulam de forma autônoma, justapostas, como no teatro épico que será desenvolvido por Brecht. Já Sábato Magaldi, no texto “Woyzeck, Büchner e a condição humana”, publicado no livro <em>Büchner na Pena e na Cena </em>(São Paulo, Perspectiva, 2004, organização de J. Guinsburg e Ingrid D. Koudela), diz que “Woyzeck compõe-se de vinte e cinco cenas, que não guardam unidade de lugar e tempo”. Nesse mesmo livro, há uma versão composta por vinte e sete cenas, iniciando-se com a cena “campo aberto. A cidade à distância. Woyzeck e Andres cortam varas nas moitas”. Na sua adaptação em verso da peça de Büchner, Fernando Marques optou pela versão com vinte e seis cenas, tendo ele tomado como texto-base a tradução feita por João Marschner e publicada pela Ediouro. Nessa versão, inicia-se com a cena “Quarto”, em que Woyzeck faz a barba do Capitão. Vale lembrar ainda que Fernando cria um epílogo, finalizando a peça (se é que se pode afirmar isso) com a cena do Velho e da Criança. Em algumas versões, entende-se que Franz Woyzeck morre afogado. Pode-se dizer que teria se suicidado. Noutras, ele continua vivo. Em <em>Zé</em>, o trágico personagem de Büchner morre afogado, ou pelo menos é o que se pode depreender da sua ação de ir cada vez mais para o meio do rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas essas variações são possíveis porque o texto deixado por Büchner ficou inacabado e sem a indicação da organização sequencial das cenas. Desse modo, cada encenador pode fazer o arranjo que achar mais pertinente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Woyzeck/Zé – dramaturgia universal.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Woyzeck</em> é um caso único na história da dramaturgia universal: inacabado, ainda um esboço, tornou-se, no entanto, um texto capaz de influenciar dramaturgos como Bernard Shaw, Bertolt Brecht, Beckett e Artaud. “Do naturalismo em diante, e mais especificamente do expressionismo, desenvolve-se um processo ininterrupto de recepção da obra büchneriana que se faz sentir sobremaneira no panorama literário e cultural da Alemanha”, declara Irene Aron no texto “Georg Büchner e a Modernidade Extemporânea”, publicado em <em>Büchner na Pena e na Cena </em>(São Paulo, Perspectiva, 2004, organização de J. Guinsburg e Ingrid D. Koudela). O alemão Georg Büchner, embora tenha morrido tão jovem, tornou-se precursor do teatro moderno ao conceber uma obra do porte de <em>Woyzeck</em>, em que a crítica social mescla-se, perfeitamente, à indagação metafísica, ao mesmo tempo em que rompe com a estrutura do teatro aristotélico, impondo a necessidade de que se conceba um novo espaço cênico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Fernando Peixoto, <em>Woyzeck</em> “constitui o instante histórico em que o proletariado surge na qualidade de protagonista na dramaturgia universal”. Nesse caso, ele assume o primeiro plano para viver o drama de uma existência marcada pela exploração, pela miséria e pela humilhação. O soldado Woyzeck, por exemplo, sofre sob o comando do Capitão, a quem presta pequenos serviços, é usado por um médico inescrupuloso como cobaia num experimento inútil, além de ser agredido e humilhado pelo Tambor-mor, amante da sua mulher. A Woyzeck resta deixar-se dominar pelo ciúme ou pelo desejo de vingança, no caso, contra a parte mais fraca ou tão desprotegida quanto ele, Marie, sua companheira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No <em>Zé</em> de Fernando Marques, todo esse ambiente opressivo e dilacerante continua a afligir o protagonista, só que agora expresso em versos metrificados, ora em redondilha maior, ora em redondilha menor, ora em decassílabo, ora misturando um e outro. “A métrica varia de cena para cena ou no interior de cada uma delas, como se vai perceber (&#8230;)”, informa-nos o autor. A cena “O quarto”, por exemplo, que abre a peça, é toda em redondilha menor. Diante do estado sempre aflitivo do Capitão em relação à passagem do tempo ou ao que fazer com o tempo que lhe sobra após concluída uma tarefa, esse ritmo acelerado acentua ainda mais esse seu pavor metafísico: “Calma, José, calma!/Assim fico tonto./O bigode pronto/em tempo tão curto/não vale uma palma./Calma, homem, calma! Ganhei dez minutos/exatos, enxutos./Pra que tanta pressa?/Mais vale é a alma&#8230;/Pensa, José, pensa:/só tens trinta anos,/trinta lindos anos,/horas, dias, meses&#8230;/A vida é imensa!”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como outras obras de vanguarda, <em>Woyzeck</em> não encontrou espaço nem interlocutores em sua época, tendo sido encenada somente cem anos depois do nascimento do seu autor. Isso em 1913, em Munique. De lá para cá, o texto-fragmento do jovem autor alemão ganhou novas encenações, dentro e fora da Alemanha, e adaptações, tanto para a ópera quanto para o cinema.&nbsp; A mais famosa adaptação para ópera desse texto de Büchner foi realizada pelo jovem compositor Alban Berg, com a obra-prima <em>Wozzeck</em> (a grafia do título deve-se a um erro cometido pelo escritor alemão Karl Emil Franzos, na primeira edição da peça de Büchner, em 1879, e na qual o compositor alemão se baseou). No cinema, ganhou também uma versão impactante. Trata-se do filme <em>Woyzeck</em>, do diretor alemão Werner Herzog (1979). Na magnífica interpretação de Klaus Kinski, podemos visualizar a figura delirante e frágil de Franz Woyzeck em sua jornada cotidiana de perdedor. No Brasil, foi adaptado (ou recriado) em 2002 com dramaturgia do escritor e roteirista Fernando Bonassi e direção de Cibele Forjaz, tendo Matheus Nachtergaele como intérprete do personagem-título. Nessa recriação, ganhou o sugestivo título de <em>Woyzeck, O Brasileiro</em> e apresentou o protagonista não como um soldado, mas sim como um sofrido trabalhador de uma olaria. O <em>Zé</em> de Fernando Marques aguarda ainda por uma montagem que o apresente de fato ao grande público. Até o momento, foram feitas apenas leituras dramáticas e montagens acadêmicas dessa bela e ousada adaptação do texto do jovem dramaturgo alemão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos já uma tradição de textos teatrais compostos em versos, como as peças <em>Se Correr o Bicho Pega, se Ficar o Bicho Come,</em> de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gular; <em>Gota d’Água,</em> de Chico Buarque e Paulo Pontes; <em>A Farsa da Boa Preguiça</em>, de Ariano Suassuna, entre outras. A adaptação feita por Fernando Marques do texto de Büchner filia-se a esse veio de boa dramaturgia nacional e, por isso, faz-se urgente que seja levada aos palcos. Não precisamos esperar um século para que isso aconteça; façamos então coro às palavras do autor: “Os versos condensam também, no caso das peças brasileiras citadas, a intenção de articular de maneira lúdica e empática, em tom popular, a fábula, as personagens, os conceitos que o dramaturgo queira transmitir ao público. <em>Zé</em> também quer – por que não? – ser popular”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Geraldo Lima </em></strong><em>é escritor, dramaturgo e roteirista. Tem algumas obras publicadas, entre elas Baque (contos), Tesselário (minicontos) e UM (romance).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Gramofone</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/gramofone-34/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2015 15:49:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[BaianaSystem]]></category>
		<category><![CDATA[Bemba Trio]]></category>
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		<category><![CDATA[Gramofone]]></category>
		<category><![CDATA[Ministéreo Público]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíso da Miragem]]></category>
		<category><![CDATA[Russo Passapusso]]></category>
		<category><![CDATA[Salvador]]></category>
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					<description><![CDATA[As escutas para o primeiro disco solo de Russo Passapusso]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Fabrício Brandão</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>RUSSO PASSAPUSSO – PARAÍSO DA MIRAGEM</strong></p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-Paraíso-da-MiragemM.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="350" height="350" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-Paraíso-da-MiragemM.jpg" alt="capa-paraiso-da-miragemm" class="wp-image-12683" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-Paraíso-da-MiragemM.jpg 350w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-Paraíso-da-MiragemM-150x150.jpg 150w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Capa-Paraíso-da-MiragemM-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong> </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver jamais será algo linear e predeterminado. Não é demais pensar que nossa existência é semelhante a uma colcha de retalhos, na qual vamos juntando fragmentos de nossa passagem por esse estranho planeta chamado Terra. A própria construção ocidental da felicidade não passa de uma imagem desbotada, uma frágil quimera. E é bom que seja assim, pois desse modo o desafio de tocar os dias adiante pode contar com um componente a menos no quesito zona de conforto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas por que falar de nossos vestígios e de duma volátil visão de felicidade? Talvez para manter a mente mais voltada aos sentimentos no modo espontâneo como eles se apresentam. Significa afugentar previsões, abandonar planos perfeitos, respirar e apenas seguir em frente, sem bússolas ou outros artefatos similares. A consequência imediata disso será, no mínimo, a de saborear uma experiência denominada de presente, esse estado de coisas que ainda permanece estranho a muitos mortais. No caso do cantor e compositor <a href="http://www.russopassapusso.net/"><strong>Russo Passapusso</strong></a>, os tais sinais do hoje fazem sentido e justificam a construção do seu primeiro disco solo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Paraíso da Miragem</em> é um instante particular na carreira do músico baiano. Acostumado às intensidades vocais, textuais e instrumentais de sua trajetória à frente de investidas como o BaianaSystem, Bemba Trio e o coletivo Ministéreo Público, Russo agora se volta para suas observações intimistas de mundo. Se por um lado há uma espécie de desaceleração do lado tradicionalmente efusivo do artista, dadas as peculiaridades de suas outras experiências musicais, por outro, emerge a feição daquele que discorre sobre a vida, o amor, as questões sociais do país e outros temas a partir de uma pessoalidade caracterizada por pungência e alguma serenidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O álbum é marcado por canções que mesclam letras precisas com arranjos multifacetados de brasilidade. De cara, faixas como <em>Paraquedas</em>, <em>Flor de Plástico</em> e <em>Sem Sol </em>são verdadeiros destaques do disco e representam com vigor o momento do artista. Reúnem pontos de delicadeza e um sentido poético e contemplativo diante da existência, aspectos que pontuam muito bem o caráter introspectivo do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Russo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="333" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Russo.jpg" alt="russo" class="wp-image-12684" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Russo.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Russo-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Russo Passapusso / Foto: Fábio Bitão</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como de costume, o discurso é algo inalienável em Russo Passapusso. E isso se dá de modo especial no samba de <em>Sangue do Brasil</em>, através do qual os olhares estão voltados para emblemáticas mazelas de nosso país. &nbsp;“Vai adiando a tristeza enquanto a morte não vem”, diz o canto de <em>Matuto</em>, outro ponto forte do disco. Nos apelos instrumentais de <em>Areia</em>, há uma valiosa sensação de flerte com os preciosos afrosambas de Vinicius de Moraes e Baden Powell.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em matéria de produção, é possível perceber de que modo a atuação de parceiros como Curumin é determinante para o resultado da obra. Uma escuta atenta já confirma isso. Há um quê do mano paulista na concepção do álbum. Somam-se ao time de produtores os nomes de Lucas Martins e Zé Nigro. Contando também com as participações de gente do quilate de Edgar Scandurra, BNegão, Marcelo Jeneci e Anelis Assumpção, <em>Paraíso da Miragem </em>tem coerência e unidade, exaltando formas de se lidar com a imensa lista de sentimentos que fazem morada em nossas mentes e corações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Russo Passapusso tem o que dizer e cantar. O saldo das escutas fica por conta de cada ouvido. Enquanto o fim não vem, que tal podermos arriscar que o paraíso não existe e que tudo é apenas uma questão de estado de espírito?</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph"><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/k89euZVojDE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dedos de Prosa III</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/dedos-de-prosa-iii-31/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2015 15:48:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dedos de Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[O colorista]]></category>
		<category><![CDATA[prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Sub-reptício]]></category>
		<category><![CDATA[Tere Tavares]]></category>
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					<description><![CDATA[Um delicado manto recobre os contos de Tere Tavares]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong><em>Tere Tavares</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="361" height="500" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna6.jpg" alt="Alessandra Bufe Baruque" class="wp-image-9524" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna6.jpg 361w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna6-217x300.jpg 217w" sizes="auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Alessandra Bufe Baruque</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O colorista</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De costas à insígnia do dever – em sua paixão havia também compaixão – eliminou o íngreme degrau. Na produção dos últimos meses colocara o prazer acima de outros princípios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jamais se curvaria com vergonha do que fizera. Muitos em seu lugar teriam optado pelo contemporâneo insosso e suspeito. O que é arte afinal? Repugnava-o sentir-se obrigado a admirar estilos desagradáveis. Era consciencioso – nenhum pecado até esse ponto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Longe de representar a totalidade do que é nobre ou bom, relutando entre egoísmo e amor, por mais abjeto que lhe parecesse, seguiu somente o que sentia. O cinismo arruinado pela pouca idade também não foi impeditivo ao mais raro atributo de qualquer homem: o bom senso, a coragem de não ultrajar o que realmente é para si mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <em>marchand </em>decepcionou-se. Os críticos o ignoraram. Perguntou-se como pudera ser tão inquestionável em sua agonia emocional. Ali acontecera um crime, cujo corpo desaparecera sem rastros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frente ao inevitável não há delírios. Voltou para casa com os pacotes pesando-lhe nos braços. Guardou tudo numa caixa e foi para o sótão.&nbsp; Com a luz indecisa contrariando-o, redescobriu as brumas das imagens. Ultrapassou o triângulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No reverso do espelho um rosto antigo lembrava-lhe a irmã e a desordem. A Terra ainda era o planeta que lhe circundava a visão. A Lua continuava ali perfumando os lençóis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aprimorou a forma de confrontar o próximo inimigo. Com sua urgência fremente, continuaria a fazer justiça ao arco-íris com a fidelidade das próprias mãos – <em>Wabi-sabi.</em>&nbsp; Sem reparos envelhecidos. Sem sustos. Sem mortes dessa vez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sub-reptício</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Notas de um dia de outono que despertou ainda entregue ao sono porque a vida também é um filho, a mudez dos sargaços, o <em>iphone,</em> a mulher, o indivíduo, utopias de outrora –&nbsp; o ar não pesava quando perfumava a maresia e a profundeza das fontes, nas imagens cruas entregues ao pó, sono e respiração descansadas sobre a estação,&nbsp; para o que havia de desperto, a engrenagem na concha da consciência, singela vigília de avenida no botão do esplendor solar, a sério por outro lado a voz do corpo e a consciência, <em>salut d’amour,</em> num complexo retalhado de penumbra. Estou aqui, pormenor, não continue a evadir entre velar e adormecer abraços.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que sim. Respondeu-lhe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destinos sem vocação, nossos fantoches em praias filosofais, nós, iludidos de não sermos&#8230; dilúvio de ilusões, rosas de um rumo lento e voluptuoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobrava-lhe o olhar de Gioconda, chuvas confusas que prometiam sentidos inesquecíveis, caminhos talhados na estranheza das poças deslizando sobre a alma em seixos ressequidos. “Não imagines oh velha juventude onde hoje caiu-te o senso das tantas que és”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O disparate estalou a tempestade que coube em si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Confissão refém da certeza, além daquilo que faria derramar as águas num lugar qualquer, um frasco amargoso de mel, o sonho triunfante em menos um alvor – não o danifique, decifra bem o humor das seivas e dos líquidos – perdia-se no agravo discreto, nítido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que não. Retornou-lhe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando coubermos úmidos entre dois instantes de respirações espumantes – entre o enlevo do encontro e a hirteza rutilante da busca por outra realidade sem pausa – somos o que aqui vagueia, só Lua e Sol.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://m-eusoutros.blogspot.com.br"><strong><em>Tere Tavares</em></strong></a><em>, escritora e artista plástica, autora de quatro livros publicados &#8220;Flor Essência&#8221; ( poesia 2004), &#8220;Meus Outros&#8221; &nbsp;(poesia e prosa 2007), &nbsp;&#8220;Entre as Águas&#8221; (prosas 2011) e&nbsp; “A linguagem dos Pássaros” (poesia Editora Patuá, 2014). Integra a Academia Cascavelense de Letras. </em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética V</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-v-32/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2015 12:56:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[a caminho da luz]]></category>
		<category><![CDATA[a vida dos obscuros]]></category>
		<category><![CDATA[fazenda de cacos]]></category>
		<category><![CDATA[funcionária pública]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Benini]]></category>
		<category><![CDATA[O capim sobre o coleiro]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[As andanças peculiares do poeta Marcelo Benini]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Marcelo Benini</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="347" height="500" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna3.jpg" alt="Alessandra Bufe Baruque" class="wp-image-9470" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna3.jpg 347w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/interna3-208x300.jpg 208w" sizes="auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Alessandra Bufe Baruque</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fazenda de cacos (o tempo)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Andemos perdidos por esses campos de flores<br />
Onde a pele roça as pétalas no caminho estreito<br />
O semeador de cacos fez um bom trabalho aqui<br />
Nós, os desfigurados, corremos livres pelas plantações<br />
Pisamos as pontas lavradas pela chuva<br />
A mulher velha se abaixa para colher um souvenir<br />
Em cada casa há um jarro com uma flor da fazenda<br />
Belo mesmo é quando as gotas represam nas arestas<br />
Onde o sol faz seu trabalho de secagem<br />
E a plantação extensa ofusca os olhos<br />
Miríades de pontas verdes, vermelhas, amarelas e azuis<br />
Mar de coisas que já foram obra e adorno<br />
Mas que na próspera fazenda agora semeadas<br />
Aguardam a colheita diária dos cacos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong> ***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fazenda de cacos (o trabalho)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas primeiras horas da manhã<br />
Chegam para trabalhar os colhedores de cacos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vão aos poucos silenciando</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto trabalham<br />
Permanecem com os olhos no chão</p>



<p class="wp-block-paragraph">As rudes mãos escarafuncham a terra<br />
Colhendo flores hialinas azuis, verdes e róseas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob o sol a pino se vê um mar de cacos<br />
E alguns homens curvados com os olhos no chão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Funcionária pública</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ninguém entendeu quando a moça da seção<br />
Começou o concerto para piano número 3, de Prokofiev<br />
No meio da tarde só ela ouvia clarinetes e violinos<br />
Batia os dedos violentamente no teclado<br />
Tremulando a melodia nos lábios<br />
E jogando os cabelos no ar<br />
As cortinas esvoaçavam na janela<br />
Não houve pausa para o café<br />
No dia seguinte os processos publicados no D.O.U.<br />
Estavam todos em russo<br />
E a moça digitava feliz uma carta de amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A caminho da luz</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Arrancaram tua roupa de carne<br />
E já não tinhas mais corpo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eras apenas um olor de jasmim<br />
Perambulando sem pressa</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foste visto no bar de sempre<br />
Mas para espanto de todos<br />
Pediste apenas que te deixassem em paz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong> A vida dos obscuros</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os obscuros entram em casa pela fresta da porta<br />
Instalam-se perto dos livros<br />
E só saem às três da manhã<br />
Os obscuros estão sempre atrás das portas entreabertas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao moverem-se pela casa<br />
Sabemos que o fazem, pois ouvimos o ruído dos tacos<br />
E muitas vezes sentimo-lhes a respiração<br />
Sobre nossas costas</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tempo todo parecem observar-nos do escuro<br />
Diverte-os que pensemos em coisas como<br />
Vidas passadas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os obscuros têm a respiração lenta e profunda<br />
Adquirida em incontáveis noites nas bibliotecas públicas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os obscuros podem ser vistos apenas durante o dia<br />
Sentam-se normalmente na parte de trás dos ônibus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quadros em exposição</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É sempre noite neste quarto<br />
Onde se cometem crimes de adultério<br />
Mas se da mesma insegura certeza somos feitos<br />
Quem de nós fechará primeiro os punhos?<br />
Se já sabíamos das paredes de caliça<br />
E dos pesados retratos em exibição<br />
Pranteemos não as ruínas<br />
Pois como as tintas derramadas sobre o cômodo secreto<br />
Os laivos também perdem força<br />
Lamentemos apenas a exaustão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Marcelo Benini</em></strong><em> nasceu em 1970 na cidade de Cataguases, Minas Gerais, e hoje vive em Brasília. Lançou seu primeiro livro em 2010: O Capim Sobre o Coleiro (poesia / edição do autor). Em 2012 lançou O Homem Interdito (crônica / editora Intermeios – SP). Foi publicado na Alemanha pela fundação Lettrétage, na antologia Wir sind bereit. Tem poemas e crônicas publicados em diversos sites de literatura do Brasil, América Latina, Portugal e Espanha. Em 2014 lançou Fazenda de Cacos (poesia / editora Intermeios–SP).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&nbsp;</em></p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Janela Poética I</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-34/</link>
					<comments>https://diversosafins.com.br/diversos/janela-poetica-i-34/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leveiros]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2015 12:30:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[99ª Leva - 02/2015]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Baunilha]]></category>
		<category><![CDATA[Boneca quebrada]]></category>
		<category><![CDATA[falta]]></category>
		<category><![CDATA[http://diversosafins.com.br/diversos/wp-login.php?action=logout&_wpnonce=2d20af2aa3]]></category>
		<category><![CDATA[Janela Poética]]></category>
		<category><![CDATA[odisséia para diacov]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma entrega irreverente permeando os versos de Ana Farrah Baunilha]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Ana Farrah Baunilha</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Arte-Alessandra-Bufe-Baruque.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="175" role="presentation" aria-hidden="true" src="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Arte-Alessandra-Bufe-Baruque.jpg" alt="" class="wp-image-15757" srcset="https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Arte-Alessandra-Bufe-Baruque.jpg 500w, https://diversosafins.com.br/diversos/wp-content/uploads/2015/03/Arte-Alessandra-Bufe-Baruque-300x105.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Arte: Alessandra Bufe Baruque</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>falta</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">quase morro (e não vejo tudo) tenho uma síncope uma febre delirante culpa dessa fome uma fome maior que a do jejum uma secura desértica que é sede de gente um oco buraco negro que ultrapassa a borda desse corpo o meu tão incompleto e aleijado sobra de vazios e partes faltantes (o corpo do outro) pra tapar o sol das minhas carências todas com uma peneira mais que furada.<br />
Eu não me basto.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>odisséia para diacov</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Ela diz ser ela mesma. Ninguém acredita mais.<br />
Acordou, se olhou no espelho e percebeu-se de ser ela, sem surpresas.<br />
Mas aconteceu de ninguém mais lhe acreditar.<br />
E já nem os documentos lhe creditam identidade. Perdeu-se.<br />
Sabe de si. Sabe bem quem é, de onde veio, de quê se alimenta.<br />
Os outros é que duvidam&#8230;<br />
Em crise de identidade, questionou<br />
as próprias<br />
digitais.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">Eu me mostro assim, um tanto,<br />
por ser tão<br />
fratura exposta<br />
a me sangrar toda<br />
é a minha verve<br />
assim, de se esvair<br />
tenho pressa, sou urgente<br />
derrame sem estanque.<br />
Agradeço a ti, pela coragem de ter<br />
andado por aqui<br />
sem se cortar.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>praga</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">eu vou estar na costura do teu bolso,<br />
na barra daquela calça<br />
no desfiado da bermuda que nunca arrumei<br />
dentro dos teus potes de becker<br />
na ferrugem da furadeira de mesa<br />
no furo aberto da acetona<br />
na composição do nootrópico<br />
na semente da Argyreia<br />
no rasgo da orelha do gato<br />
no estrago da mesa de plástico<br />
na unha torta do teu pé.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">a vida arranha,<br />
esfola a gente<br />
esfrega nossa cara<br />
no asfalto e depois<br />
abraça, limpa, cura</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>***</strong></p>



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<p class="wp-block-paragraph">um abuso<br />
a minha gargalhada<br />
o meu escracho<br />
a minha indiscrição no falar<br />
um escândalo<br />
a minha roupa, o meu batom<br />
meu jeito de andar</p>



<p class="wp-block-paragraph">acham tudo muito chocante<br />
[eu dançar sozinha sem música chega a ser um ultraje!]<br />
a falta do sutiã, minha fome de dragar<br />
o esquecimento das unhas<br />
a exagerada alegria</p>



<p class="wp-block-paragraph">me querem como zumbi, igual a tudo<br />
ao meu redor<br />
morto, tristemente morto<br />
irremediavelmente</p>



<p class="wp-block-paragraph">sem graça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://bonecaquebrada.blogspot.com.br/"><strong><em>Ana Farrah</em></strong></a><em><a href="http://bonecaquebrada.blogspot.com.br/">&nbsp;<strong>Baunilha</strong></a> é gaúcha da leva de 81, ano do Galo. Leu muita bula de remédio, vê poesia onde não tem e escreve desde sempre. Escorpiana caverninha, tem um autismo brando. E isto avança.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&nbsp;</em></strong></p>
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