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115ª Leva - 09/2016 Galeria

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114ª Leva - 08/2016 Ciceroneando

Ciceroneando

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Foto: Milton Boeira

 

Observar o tempo e seus matizes. Passivos ou não, somos parte dele. Na sucessão dos instantes, imagens se coagulam, fatos são esquecidos; outros, lembrados. Na contramão de uma série de sentimentos, flui sorrateiro o gozo dos mistérios. Dentro da explosão de palavras e imagens, a tentativa de se construir pontes com a vida e com o âmago de nós mesmos. A criação é um agora e porvir marcados pela hercúlea tarefa de exprimir algo. Como diria a poeta Hilda Hilst, “O texto é sangue/E hidromel./É sedoso e tem garra/E lambe teu esforço”. Ao autor, artesão da palavra que é, cabe não somente a pena e alguma glória efêmera, mas o sangue derramado nas entrelinhas do esforço. E palavras são curiosos seres acostumados, desses que tramam ardis, falseiam sensações de conquista e põem seus articuladores à beira do abismo. É preciso não se regozijar dos feitos antes da hora certa das coisas, antes da existência plena de um texto, sua janela para algum mundo. O engenho do verbo tem como aliado o ato constante de burilar, o qual é, em melhor instância, permanente estado de desconfiança. Então, vem a pergunta: quando se pode dizer que um texto está definitivamente concluído? Quem primeiro fica pronto, texto ou autor? Eis uma zona de compreensão deveras imprecisa. Fiquemos, pois, com a capacidade de trazer as leituras para dentro de nós mesmos, vê-las crescendo num jardim de percepções regado a infinitos particulares. Na Leva 114, edição que representa nosso atual estado de sensações, observamos a escrita ganhar contornos difusos nos versos de pessoas como Cândido Rolim, Yasmin Nigri, Sândrio Cândido, Liv Lagerblad e Otávio Campos. As construções de mundo e vivências pela palavra são o tema marcante da entrevista do escritor Sidney Rocha concedida a Lima Trindade. Por entre nossos cadernos, está o vigor poético e visual das fotografias de Milton Boeira. Vinte e sete anos depois, Sérgio Tavares celebra “As quatro estações”, álbum antológico da banda Legião Urbana. Mirando “Bastardo”, o novo livro do poeta Victor Prado, Lisa Alves desfila todas as suas impressões. Outros recortes de vida estão presentes nos contos de Márcia Barbieri, Marcus Vinícius Rodrigues e Samantha Abreu. O metafórico filme “The Lobster” agora é tema da resenha de Larissa Mendes. O romance “Vaga queda”, de Caio Russo, vem devidamente apresentado pelas breves incursões de Márcia Barbieri. E assim segue mais uma etapa da celebração dos 10 anos da revista. Que sejam ótimos os percursos!

Os Leveiros

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114ª Leva - 08/2016 Dedos de Prosa

Dedos Prosa II

Samantha Abreu

 

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Foto: Milton Boeira

 

Faz sol

 

Logo agora que a chuva parou e que voltamos a ter vinis na estante. Agora, bem agora que não queremos mais ter tudo pois estamos de folga. Que não precisamos calçar sapatos, que a lua de mel mora no sofá de veludo. Bem agora.

Estava chovendo antes de ser hoje. Antes de ser este cabelo ruivo secando ao vento antes de ser vida acontecendo a partir das dez da amanhã. Mas dormir é sonho que também é noite. Bem agora que dormir é sonho eu escuto esses gritos lá fora e corro pra ver a morte, o ardor, a bomba. Bem agora, bombas. Explosões que não são coloridas e a gente querendo um banho morno seguido de pijama cama pra dois nossa comida. Bem agora que acabou a comida, que o sapato aperta e que a gente desaprendeu a dançar, já não temos cabelos nem sono nem os sonhos.

O que é que a gente vai fazer quando essa guerra acabar?

***

O golpe

 

O tempo entre a pancada e tombo está no cambalear das pernas.

As mesmas que vibram durante o ato – teu dia amanhecendo em mim – são as que cedem diante do fato de que tua ausência seja sempre

passagem.

O teu perfeito golpe

me pega na rigidez das coxas, para o amparo dos braços antes da queda.

Mas o tombo chega

inelutável,

fazendo do susto o sonho sempre depois do nascer do dia

o nocaute, a lona.

***

Guerrilha

 

Simulo que não, ele provoca o sim. Tem fácil acesso, nome na lista, ingresso livre. Entra, carrega as malas, todas as balas e todos os concordantes motivos. Ele me arranca os sorrisos, os suspiros. Arrasa todos os atinos.

Faz que não faz e desfaz a completa certeza do não.

E daí já não sei, já não importa: roupa, brincos e cordas. O banco de trás, o beco e o balcão. Guerra indeclarável pelo território alheio. Língua na boca do outro e cerveja esquentando na mão.

Enquanto ele derrete, eu sua.

Líquido e rubro amor que escorre. Terra invadida que ferve por toda a veia que corre,

briga no escuro, gangue de rua.

 

Samantha Abreu é professora em Londrina/Pr. Já foi publicada em antologias e revistas, além de participar de debates, projetos e eventos literários. Lançou o livro de poemas “Fantasias para quando vier a chuva” (Orpheu, 2011) e o livro de contos “Mulheres sob Descontrole” (Atrito Arte, 2015). Integrou as antologias “O Fio de Ariadne” (Atrito Arte, 2014) e “29 de Abril: o verso da violência” (Ed Patuá, 2015) junto com autores contemporâneos de todo o país. Seus textos poéticos foram adaptados para o teatro na montagem “Trouxe a chave para libertar sua tristeza”, da Cia AARPA.