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74ª Leva - 12/2012 Janelas Poéticas

Janela Poética IV

A linha reveladora da solidão impressa nos versos de Helena Terra

Helena Terra

 

 

Foto: Catharina Suleiman

 

 

Imperfeito do subjuntivo

 

Tomasse eu o seu eco,
nua ao som do seu corpo,
espalharia por sua saliva
a  ferida presa aos meus lábios.
Tomasse você
o que se esconde
sob os meus olhos fechados,
perceberia os cacos do amor inutilizado
e o quanto guardava esperanças
o indefinido retrato.

 

 

***

 

 

Parapeito

 

Na inevitabilidade
da memória
não há reparo.
O parapeito
do desejo é
como um cárcere
cimentado
em desmedida
solidão.

 

 

***

 

 

A condição indestrutível de ter sido

 

Arranca do interior
a pele do meu livro,
escrita inconstante de um silêncio
incerto como os movimentos de meu corpo,
como as cápsulas guardiãs
dos mitos e dos suspiros,
das linhas que não ultrapassam e
não respiram
a condição indestrutível de ter sido
por alguém
um amor perdido.

 

 

(Helena Terra Camargo é jornalista e escritora. Nasceu em Vacaria, mas mora em Porto Alegre. Participou da Oficina de Criação Literária ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil (com publicação na coletânea Contos de Oficina 23) e participa dos seminários de criação literária de Léa Masina. Participa do blog Falsidade Ideológica e administra o blog coletivo Mínimo Ajuste)

 

 

 

 

9 respostas em “Janela Poética IV”

Maravilha encontrá-la AQUI também. Os poemas mostram a sua maturidade poética. Não me canso de Lê-la, Lena. E os que não a leram, Ou não a leem (sempre), não sabem o que estão perdendo.
Beijoss,
José Carlos
P.S.: A Leila que, por certo, você não a conhece é uma pessoa maravilhosa!

Obrigada, pessoal :)

José Carlos, lamento muito não conhecer vocês pessoalmente. O mundo pequeno às vezes é grande e vice e versa. Mas quem sabe um dia???

Eleo, você é um deleite ambulante!

AC, e eu sua :)

Carlos, obrigadíssima!!!

Tania, o bípede está saindo de cena por uns tempos. Um dia, volta.

beijos a todos :)

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