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	<title>
	Comentários sobre: Jogo de Cena	</title>
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	<description>entre caminhos e palavras</description>
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		<title>
		Por: Neuzamaria Kerner		</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/jogo-de-cena-12/comment-page-1/#comment-1221</link>

		<dc:creator><![CDATA[Neuzamaria Kerner]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2014 23:52:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fabricio, não resisti e publiquei a carta de Matheus Nachtergaele que Ana Rita me mandou. Espero que seja dele mesmo. Se não for, não tem problema: valeu a homenagem de João Grilo.


&quot;Carta para Ariano,

Quem te escreve agora é o Cavalo do teu Grilo. Um dos cavalos do teu Grilo. Aquele que te sente todos os dias, nas ruas, nos bares, nas casas. Toda vez que alguém,  homem, mulher, criança ou velho, me acena sorrindo e nos olhos contentes me salva da morte ao me ver Grilo. 

Esse que te escreve já foi cavalgado por loucos caubóis: por Jó, cavaleiro sábio que insistia na pergunta primordial. Por Trepliev, infantil édipo de talento transbordante e melancólicas desculpas. Fui domado por cavaleiros de Sheakespeare, de Nelson, de Tchekov. Fui duas vezes cavalgado por Dias Gomes. Adentrei perigosas veredas guiado por Carrière, por Büchner e Yeats. Mas de todos eles, meu favorito foi teu Grilo.

O Grilo colocou em mim rédeas de sisal, sem forçar com ferros minha boca cansada. Sentou-se sem cela e estribo, à pelo e sem chicote, no lombo dolorido de mim e nele descansou. Não corria em cavalgada. Buscava sem fim uma paragem de bom pasto, uma várzea verde entre a secura dos nossos caminhos. Me fazia sorrir tanto que eu, cavalo, não notava a aridez da caminhada. Eu era feliz e magro e desdentado e inteligente. Eu deixava o cavaleiro guiar a marcha e mal percebia a beleza da dor dele. O tamanho da dor dele. O amor que já sentia por ele, e por você, Ariano.

Depois do Grilo de você, e que é você, virei cavalo mimado, que não aceita ser domado, que encontra saídas pelas cêrcas de arame farpado, e encontra sempre uma sombra, um riachinho, um capim bom. Você Ariano, e teu João Grilo, me levaram para onde há verde gramagem eterna. Fui com vocês para a morada dos corações de toda gente daqui desse país bonito e duro. 

Depois do Grilo de você, que é você também, que sou eu, fui morar lá no rancho dos arquétipos, onde tem néctar de mel, água fresca e uma sombra brasileira, com rede de chita e tudo. De lá, vê-se a pedra do reino, uns cariris secos e coloridos, uns reis e uns santos. De lá, vejo você na cadeira de balanço de palhinha, contando, todo elegante, uma mesma linda estória pra nós. Um beijo, meu melhor cavaleiro. 

Teu,
Matheus Nachtergaele]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fabricio, não resisti e publiquei a carta de Matheus Nachtergaele que Ana Rita me mandou. Espero que seja dele mesmo. Se não for, não tem problema: valeu a homenagem de João Grilo.</p>
<p>&#8220;Carta para Ariano,</p>
<p>Quem te escreve agora é o Cavalo do teu Grilo. Um dos cavalos do teu Grilo. Aquele que te sente todos os dias, nas ruas, nos bares, nas casas. Toda vez que alguém,  homem, mulher, criança ou velho, me acena sorrindo e nos olhos contentes me salva da morte ao me ver Grilo. </p>
<p>Esse que te escreve já foi cavalgado por loucos caubóis: por Jó, cavaleiro sábio que insistia na pergunta primordial. Por Trepliev, infantil édipo de talento transbordante e melancólicas desculpas. Fui domado por cavaleiros de Sheakespeare, de Nelson, de Tchekov. Fui duas vezes cavalgado por Dias Gomes. Adentrei perigosas veredas guiado por Carrière, por Büchner e Yeats. Mas de todos eles, meu favorito foi teu Grilo.</p>
<p>O Grilo colocou em mim rédeas de sisal, sem forçar com ferros minha boca cansada. Sentou-se sem cela e estribo, à pelo e sem chicote, no lombo dolorido de mim e nele descansou. Não corria em cavalgada. Buscava sem fim uma paragem de bom pasto, uma várzea verde entre a secura dos nossos caminhos. Me fazia sorrir tanto que eu, cavalo, não notava a aridez da caminhada. Eu era feliz e magro e desdentado e inteligente. Eu deixava o cavaleiro guiar a marcha e mal percebia a beleza da dor dele. O tamanho da dor dele. O amor que já sentia por ele, e por você, Ariano.</p>
<p>Depois do Grilo de você, e que é você, virei cavalo mimado, que não aceita ser domado, que encontra saídas pelas cêrcas de arame farpado, e encontra sempre uma sombra, um riachinho, um capim bom. Você Ariano, e teu João Grilo, me levaram para onde há verde gramagem eterna. Fui com vocês para a morada dos corações de toda gente daqui desse país bonito e duro. </p>
<p>Depois do Grilo de você, que é você também, que sou eu, fui morar lá no rancho dos arquétipos, onde tem néctar de mel, água fresca e uma sombra brasileira, com rede de chita e tudo. De lá, vê-se a pedra do reino, uns cariris secos e coloridos, uns reis e uns santos. De lá, vejo você na cadeira de balanço de palhinha, contando, todo elegante, uma mesma linda estória pra nós. Um beijo, meu melhor cavaleiro. </p>
<p>Teu,<br />
Matheus Nachtergaele</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Regina Machado		</title>
		<link>https://diversosafins.com.br/diversos/jogo-de-cena-12/comment-page-1/#comment-1143</link>

		<dc:creator><![CDATA[Regina Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Jul 2014 15:04:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Obrigada pelos belos esclarecimentos que desvelam os horizontes universais das recriaçoes enraizadas de Suassuna. Quanto aos recursos comuns com as obras de Homero,lembro apenas que antes de terem registro escrito, estas foram disseminadas pela memoria oral de um povo em cuja cultura elas se inspiravam e à qual davam a mais ampla e adequada sonoridade. 
A linguagem comum aos personagens oficialmente &quot;cultos&quot; por serem alfabetizados e aos considerados &quot;incultos&quot; por terem sido excluidos da educaçao oficial é um formidavel achado de Ariano Suassuna, que lhe permite evitar o que Antonio Candido ja classificara como &quot;centauro estilistico&quot;. Isto para ele designava
 « a injustificavel dualidade na notaçao do discurso, que so pode ser explicada por razoes ideologicas. Se nao, por que adotar uma notaçao fonética rigorosa para o falar rustico e aceitar para a do narrador culto o critério aproximativo normal?”  (« A literatura e a formação do homem”, Remate de males - Revista do Departamento de Teoria Literária – Antonio Candido - n° especial – 1999, Campinas, UNICAMP - Instituto de Estudos da Linguagem)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigada pelos belos esclarecimentos que desvelam os horizontes universais das recriaçoes enraizadas de Suassuna. Quanto aos recursos comuns com as obras de Homero,lembro apenas que antes de terem registro escrito, estas foram disseminadas pela memoria oral de um povo em cuja cultura elas se inspiravam e à qual davam a mais ampla e adequada sonoridade.<br />
A linguagem comum aos personagens oficialmente &#8220;cultos&#8221; por serem alfabetizados e aos considerados &#8220;incultos&#8221; por terem sido excluidos da educaçao oficial é um formidavel achado de Ariano Suassuna, que lhe permite evitar o que Antonio Candido ja classificara como &#8220;centauro estilistico&#8221;. Isto para ele designava<br />
 « a injustificavel dualidade na notaçao do discurso, que so pode ser explicada por razoes ideologicas. Se nao, por que adotar uma notaçao fonética rigorosa para o falar rustico e aceitar para a do narrador culto o critério aproximativo normal?”  (« A literatura e a formação do homem”, Remate de males &#8211; Revista do Departamento de Teoria Literária – Antonio Candido &#8211; n° especial – 1999, Campinas, UNICAMP &#8211; Instituto de Estudos da Linguagem)</p>
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