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119ª Leva - 04/2017 Galeria

Arte: Samuel Luis Borges

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118ª Leva - 03/2017 Ciceroneando

Ciceroneando

Foto: Kristiane Foltran

Há o mundo sempre a nos ofertar suas complexidades. E não nos interessa reivindicar verdades universalizadas, pois a cristalização de ideias pode representar a imobilização de um tempo, de toda uma era. O que chamamos por novidade é, sobretudo, fruto de uma transformação das coisas existentes, embora haja sempre modos distintos de se comunicar algo. Alguém já disse reiteradas vezes que não há nada novo sob o sol que nos aquece e alimenta. Rejeitemos, então, as fórmulas que declaram em uníssono a visão essencialista das coisas. Somos muito mais que isso. Fazemos parte de um intercruzamento de papéis que hoje já não encontra muitas razões para justificar a demarcação de fronteiras. Mesmo as individualidades, certamente virtuosas ferramentas da criação artística, não são capazes de rechaçar a perspectiva de sermos tomados numa concepção social orgânica. Mas estaríamos falando aqui de uma espécie de utopia quando mencionamos uma organicidade a guiar nossos impulsos de coesão social? Talvez. Quem sabe a capacidade que temos de transgredir e transcender em matéria de arte possa espelhar efetivas mudanças no campo das relações humanas cotidianas. Daí, qual seria o papel da cultura no que se refere a pensar o modelo de sociedade sobre o qual nos achamos imersos? Sempre a dúvida a se fazer senhora de alguma tentativa de resposta. Quando atuamos nas trincheiras artísticas, somos também um corpo efetivamente político na medida em que as expressões construídas delineiam atitudes pautadas na exposição das identidades. Cada sujeito criador sai de seus domínios, indo ao encontro de um outro que ressignifica sua obra. Assim, é perfeitamente possível crer no (res)surgimento de uma obra a partir dessa amálgama de sujeitos. Desse modo, a espiral da vida gira e tornamos a frequentar pontos permanentes de recomeço. Nessa roda viva de aparições humanas, testemunhamos as expressões que tomam os espaços de uma nova edição da Diversos Afins. Eis que temos por aqui agora a presença marcante das imagens da fotógrafa Kristiane Foltran, a qual instaura diferenciadas perspectivas de olhar o mundo em que estamos misteriosamente mergulhados. Há peculiares recortes da existência nos contos de André Timm, Nicolau Saião e André Mellagi. Contando com uma instigante análise sobre a delicada temática do filme brasileiro “Era o Hotel Cambridge”, Guilherme Preger envereda novos percursos críticos. Numa cuidadosa seleção, vemos passar ante nossos olhos os poemas de Ingrid Morandian, Nuno Rau, Sel, Iolanda Costa e Muna Ahmad. Na pequena sabatina, a escritora Claudia Nina dialoga com Sérgio Tavares sobre importantes aspectos do universo literário. Evidenciando a peça “Tom na Fazenda”, Vivian Pizzinga empreende suas minuciosas análises. “Mecânica Aplicada”, novo livro de poemas de Nuno Rau, é tema das precisas leituras de Roberto Dutra Jr. Ao girar em nosso gramofone, “Círculo”, mais recente disco do cantor e compositor Helton Moura, apresenta o renovado momento de um artista. E assim, caras leitoras e leitores, surge o novo palco de expressões da revista, nossa 118ª Leva. Sejam bem-vindos!

Os Leveiros

 

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118ª Leva - 03/2017 Janelas Poéticas

Janela Poética III

Sel

 

Foto: Kristiane Foltran

 

 

há tempos
teu nome não
soa em mim
ressumbrando
dores, reabrindo
feridas; o dorso
distante não
abriga mais o
delírio
das mãos que
hoje
apenas
se esquecem no ar
onde tudo me
escapa de ti e
o amor não
forja a lâmina

 

 

 
***

 

 

 
Silêncio

 
Percorri corredores
observando tumbas
com ossos cariados
vislumbrei súplicas
em faces que não se
moviam; carreguei
os mortos e o aroma
pútrido lambia minha
calma. Limpei os seus
dejetos e os dos que
ainda agonizavam
esperando a sua vez…

 

 

 
***

 

 

 
lou.cu.ra. s. f. 1. ferrete, óleo
pedra. 2. ave-langue-sorriso. 3. a
gengiva dura. 4. fulgor que apenas
conserva o hálito aquecido das orações
5. tua voz calma diluída sobre um
tempo queimante

 

 

 
***

 

 

 
Eu caminhei buscando um coração
Desviando-me de pedras e tentando manter meus olhos abertos em meio à poeira
Entretanto, não compreendia que tudo já havia se corrompido
Meus dedos, minha boca, meu corpo
Nada mais sem o fardo essencial daquele que eternamente procura

As luzes piscaram, prenunciando a minha morte
E eu rezei para que alguém me salvasse nestas noites impuras
Mas o que eu apenas pude ver foi a minha própria imagem
Eu em fragmentos, enquanto meus pés seguiam tortuosamente…

 

 

 

***

 

 

 

O cabelo, a princípio, não revelara nada
Fino e negro rio, escondia o marfim e o fruto
Eram apenas linhas que rutilavam na fraca luz
Silhuetas das dunas do Maranhão, eternas fugidias
Névoas e sódio, o grande mistério de Anticítera
Eram membros, tênues movimentos, o tronco
A delgada geografia de sua terra revestida de neve
Era somente um sussurro branco sob véu de chumbo
O revérbero de um astro distante, lânguida paisagem
Eram mãos pequenas, duas conchas à espera do mar infinito

 

 

 
***

 

 

 
é cedo… e tudo ainda arde
a dor não é física, ainda que física
a angústia, a solidão, não são corpóreas, ainda que corpóreas
o vazio, ainda que vazio, é cheio de algo que não tem nome

 

Sel é poeta e artista visual. Possui textos publicados nas revistas literárias euOnça e Benfazeja. É autor dos livros: Autopse (ed. Multifoco – 2012) e [Sel]vageria (ed. Urutau – 2016). Ambos de poesia.