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118ª Leva - 03/2017 Dedos de Prosa Destaques

Dedos de Prosa I

André Timm

 

Foto: Kristiane Foltran

 

Seleção Natural

Quando certa manhã, Ingrid acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseada em uma criatura que não mais enxergava.

Posso trocar Gregor Sansa por Ingrid, certo, Kafka? Posso trocar “inseto monstruoso”, que é um tanto dramático, por “criatura que não mais enxergava”? É isso a literatura, não? Vestir a pele do personagem, se colocar no lugar dele. Ou é Gregor Sansa que veste a minha pele nesse caso? Não sei. Enfim, eu nem precisava pedir autorização, é mais por uma questão de respeito, de consideração. Uma vez no mundo, a história não é mais do autor e cada um faz o que bem entender dela, não é? A premissa também vale para você, Camus.

Hoje, meus olhos morreram. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do meu corpo: “Seus olhos faleceram. Enterro amanhã. Sentidos pêsames”.

Desculpe lhe dizer, Kafka, mas Camus é mais musical que você. Tem mais ritmo. Flui melhor. Eu sei disso pela velocidade com que meus dedos percorrem os relevos, pelos lugares onde preciso parar ou não.

Vocês conseguem ouvir esse som? Sim? Não? O cânone é tão vaidoso. Sou capaz de apostar que ainda que não estejam ouvindo, não irão admitir. Por via das dúvidas, esclareço. Esse tilintar é meu bastão de Hoover sibilando pelos corredores da escola. É como as anteninhas de um inseto, Kafka, apesar de não haver nada de monstruoso nisso. Uma antena adivinhando o que vem pela frente, escaneando o mundo aos meus pés, detectando vibrações em alturas que vocês nem seriam capazes de imaginar.

Mas preciso admitir: no princípio era mesmo o verbo. Diante do breu perene, na condição de estrangeira em minha própria terra, me refugiei em vocês. Depois, quando conheci Tarso, as coisas tornaram-se um tanto menos soturnas. Não que algo em nosso entorno tenha mudado, mas é que já faz uma imensa diferença essa sensação de irmandade, uma cumplicidade tácita que se estabelece simplesmente pelo fato de saber que o outro está precisamente na mesma condição e enfrenta os mesmos problemas, especialmente quando se tem treze anos.

E agora, vocês ouvem? Preciso lhes dizer que essa polifonia às vezes atrapalha. Há momentos em que o silêncio é sine qua non. Estou tentando encontrar Tarso, uma tarefa árdua numa escola com mais de mil indivíduos existindo em toda a sua plenitude e com a máxima intensidade possível. Me desloco incrivelmente rápido, como se acima da minha cabeça houvesse um fio desencapado captando os pensamentos dele. Se vocês colaborarem, posso me concentrar especificamente nas batidas do coração. Vocês não sabem, mas cada coração bombeia sangue de uma maneira singular. Alguma coisa nesse abrir e fechar de válvulas, na forma como o músculo se contrai e relaxa. É como uma assinatura, por isso posso encontrá-lo em meio a uma legião de estímulos, mas é preciso um esforço tremendo. Às vezes parece apenas uma rádio fora de sintonia; estática; chiado; mas então me esforço, bloqueio todo o restante e consigo captá-lo novamente.

Eu e Tarso temos uma ideia recorrente. É bastante ousada e poderia colapsar toda a indústria do entretenimento. Imaginem um espetáculo musical completamente desprovido de qualquer artifício visual. Na entrada, cada um dos espectadores receberia uma máscara, dessas usadas para dormir. No princípio seria estranho. Sem dúvida, desconfortável. Mas tudo que importaria seriam os aspectos sonoros. Um despertar do ouvido, por assim dizer. Um golpe preciso contra a ditadura da estética visual. A indústria pop se debateria como um inseto que, com as patas para cima, não consegue se desvirar. Milhares de “artistas” cujo apelo se dá em grande parte por sua aparência, ruiriam. Estruturas imensas de telões e aparatos de luz e pirotecnia se tornariam sucata. As trocas de figurino perderiam completamente a razão de existir. Os gritos tresloucados de fãs diante de belezas arrebatadoras e efêmeras dariam lugar a um silencioso contemplar de uma paisagem sonora que vai se constituindo dentro de nós, camada por camada. Se houvesse relutantes, aos poucos, seríamos cada vez mais radicais, tirando-lhes a opção da escolha. Uma vez acomodados, apagaríamos todas as luzes. E mais tarde, talvez nem houvesse mais luzes a serem apagadas. Com o tempo, isso se tonaria maior. Cinemas cairiam em desuso, assim como a televisão. O rádio reviveria seu apogeu. Celulares voltariam a diminuir em suas dimensões, visto que não precisaríamos mais de telas enormes e brilhantes. A especialidade de oftalmologia desapareceria dos cursos de medicina. Fabricantes de óculos ou lentes de contato precisariam rever seu nicho de atuação. Utópico, eu sei. Ou melhor, distópico, não?

K. Dick, Huxley, Orwell, vocês estão por aí? Ouçam essa, vocês vão gostar.

Aos poucos, no início por imposição, mas depois pelo simples curso natural das coisas, confiando que Wallace e Darwin estavam certos, pouco a pouco nosso aparelho visual, cada vez menos utilizado, diminuiria de tamanho. Gradualmente, nas raras vezes em que fizéssemos uso dele, nossa visão se tornaria cada vez mais turva e nublada. Aos poucos, os fotorreceptores de nossas retinas se tornariam menos eficientes, levando informações cada vez mais precárias aos nervos ópticos. As células responsáveis por detectar intensidade luminosa morreriam sucessivamente. O córtex visual do cérebro começaria a falhar, minando nossa capacidade de perceber de maneira eficiente profundidade e distância. Bateríamos em objetos que julgássemos estarem mais longe; nossas mãos passariam ao largo de coisas que desejássemos segurar; daríamos passos em falso e dirigir se tornaria impraticável. Esclera, coroide e retina, paulatinamente, se aglutinariam, tornando-se uma coisa só para depois converter-se em um apêndice sem uso e, finalmente, deixar de existir.

Mas esperem, silêncio, por favor. Perdi Tarso outra vez. É engraçado, mas há todo um universo magneto-fantasmagórico que nos afeta mais do que vocês podem supor. São tantas ondas de tantas naturezas nos atravessando que às vezes somos bússolas desmagnetizadas momentaneamente, sem rumo, sem referência de onde está nosso norte verdadeiro. Mensagens, tevê, rádio, wi-fi, ligações, infravermelho, bluetooth, eletricidade, medo, ansiedade, ódio. Não se enganem, está tudo por aí, no ar. Dá pra sentir. Dá pra medir. Mas já devo estar mais perto de Tarso, consigo sentir seu perfume.

Seguindo em nosso pequeno projeto de seleção natural e evolução da espécie, a diminuição do aparelho visual abriria espaço para que outros o ocupassem. Nosso sistema olfativo, por exemplo, se tornaria maior e, assim, muito mais eficaz. Com mais área de contato, os axônios das células olfativas poderiam captar mais partículas. E com células receptoras mais poderosas, uma quantidade maior de sinais elétricos seria enviada aos glomérulos, estimulando com maior intensidade nossos bulbos olfatórios, local em que os impulsos nervosos atingem o córtex cerebral e onde a excitação nervosa é, finalmente, transformada nisso a que chamamos de cheiro. Talvez, para os padrões contemporâneos de beleza, não fossemos considerados os mais belos seres humanos. É provável que tivéssemos orelhas e narizes bem maiores do que os que costumamos ter hoje. Entretanto, lembrem-se, que diferença faria já que não enxergaríamos mais? E aqui começa a beleza dessa hipótese: o valor das coisas por suas funções e capacidades e não por sua aparência. Nossa audição, prosseguindo, seria espetacular. Orelhas maiores implicariam em mais ondas sonoras fazendo os tímpanos vibrarem e impactando o ouvido interno, onde estas ondas transformam-se em impulsos nervosos que são transmitidos ao cérebro pelo nervo auditivo. Não quero me alongar nos pormenores técnicos, mas vocês são capazes de vislumbrar as possibilidades? Não seriam essas capacidades invejáveis a um escritor, visto que o que fazem é justamente transmutar estímulos em histórias?

Essa escola é minha Galápagos. Esse ônibus escolar que tomo todos os dias é meu HMS Beagle. Eu deslizo por esses corredores, saguões e reentrâncias captando ecos de um passado remoto. Sinto cheiros, amores e dessabores. Lapido minha capacidade de inferência deduzindo o presente através do que veio antes dele. Entre tartarugas gigantes, tentilhões e adolescentes, eu decifro a vida e as espécies. Sou uma mutante, o próprio vislumbre do futuro, uma antecipação do que vocês podem vir a ser.

E agora já ouço com distinção o átrio direito de Tarso em plena atividade. Agora o esquerdo. Sinto seu perfume almiscarado. Vocês sabiam que antes do almíscar sintético, descoberto em 1888, a essência de almíscar era obtida através de uma glândula existente no cervo-almiscarado, que era morto para que dele pudesse ser extraída a matéria prima para o perfume? Ou ainda, vocês sabiam que a palavra almíscar vem do persa mushk, que significa testículo? Claro que vocês sabem, são escritores, entendedores de toda a etimologia que nos precede como linguagem. Enfim, esqueçam minhas digressões. O fato é que por alguma razão Tarso gosta de usar um perfume almiscarado que eu sou capaz de reconhecer de longe. E conforme avanço, a soma desses fragmentos vai constituindo um Tarso que só eu conheço. O timbre da voz, os odores, o farfalhar único que o ventrículo esquerdo faz ao atritar com a aorta descendente. E na iminência desse encontro, eu já antecipo o toque, quando eu tomo minhas mãos nas dele. Gosto de passar os dedos delicadamente, subindo pelos braços antes de chegar aos ombros e depois ao rosto. No caminho, as pequenas cicatrizes são histórias em braile de uma infância destemida e célere. A queda de cima da árvore no quintal nos fundos da casa, uma bombinha apressada que estourara antes da hora, uma queda de bicicleta na rampa construída coletivamente com os outros meninos do bairro. Nessas horas meus dedos são como a agulha de um disco rígido procurando por informação, impulsos elétricos esperando para serem convertidos em crônicas registradas naquele corpo tênue de treze anos.

Finalmente o encontro. Está na sala de música. Reconheço o ciciar dos dedos ásperos contra as cordas graves do baixo. Ninguém toca como ele. Nesse momento, ou muito antes, minhas polifonias já estão em pleno diálogo com as de Tarso. Meu cânone literário em calorosos debates com seu panteão de grandes jazzistas. Aliterações, digressões e figuras de linguagem em abraços lânguidos com formas sincopadas, polirritmias e improvisações. Somos Miles Hemingway, Franz Coltrane e Charlie Cortázar. Somos Truman Gillespie, Nina Lispector e Dizzy Rubião. Todo nosso amor é uma blue note, dissonante. E em meio a tudo e a todos, eu apenas paro e o sinto. Sei que ele sabe. Num êxtase contemplativo, que está muito além do que apenas ouvir, sinto ele tocar por toda a duração do intervalo de tempo de sua aula. Me aproprio da música que ele faz, seja com o baixo ou com a sua existência, reverberando em lugares que eu quase duvido existirem dentro de mim. Vibramos na mesma altura. E por hora, isso me basta.

 

André Timm é gaúcho, de Porto Alegre, radicado em Santa Catarina. “Insônia” (Design Editora, 2011), seu livro de estreia, foi Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura. “Modos inacabados de morrer”, seu primeiro romance, foi o vencedor da Maratona Literária da editora Oito e Meio na categoria prosa. Mantém o site 2 mil toques, projeto autoral em que convida escritores a compartilharem suas rotinas e processos ligados à produção literária.

 

 

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118ª Leva - 03/2017 Destaques Janelas Poéticas

Janela Poética II

Iolanda Costa

 

Foto: Kristiane Foltran

 
sortilégio

 
Um geômetra dos sólidos, vago
gira, embaraçado
à linha, ao diâmetro da carne:
suas figuras vazadas de plano e espaço.

Não vê a mulher, a ruína
a doce espádua nua e coruscante
das que copulam
as sete luas que lhe fulguram o pescoço.

Ela quer o testículo, o seminal
o esfero contíguo e providencial
das Causas Primeiras
transubstanciado.

O colo ungido em ceia mística.

 

 

 

***

 

 

 

brasil

 
A rã do ar invertido
de teu nome não salta:
coaxa como rãs, anãs
a fêmea muda que não coaxa
a língua longa que não alcança
o acento, o inseto, o insulto.

Teme o enxame, órbita-cócora
de brejo em brasa:
sapo sapa sepo
ipiranga tímida que não asa
itininga fúlgida que não flora.

 

 

 
***

 

 

 
ófris

 
do aéreo ao mediterrâneo
sibila a orquídea
seu voo de sépalas.

também a palavra
tem formato de moscas
e zune

sibila em sépia poesia tinta
sua escritura rumorosa:

asa-fulva-flor
de céu interior.

 

 

 
***

 

 

 
ceifa

 
não pinta tanto o lábio
a morte desfaz a boca, a cor
a escarlata do fruto
o rosa encarnado nos sexos

cuida da mortalha, do feno
a vida, bem se vê
não é uma gramínea
de flores nuas
abertas ad infinitum

arranca, do quadril
o colar de absinto

 

 

 
***

 

 

 
outono

 
arde em folha
seus degredos:
casco fóton salso
ulvas-vulva
céu sargaços

quisera do amor
a mão sobre o sexo
a textura do véu
a blusa florada
o indie folk de sais

renascidos ares, abril
onde a pele propulsa
encardida
e a tudo o sol ilumina

 

 

 
***

 

 

 

tear

 
meada
entre
meada

o algodão em flor

gosma, do liço
seu amarume
de estames

 

Iolanda Costa (Itabuna-BA), graduada em Filosofia, é arte-educadora e especialista em História Regional. Editou, artesanalmente, folhetos de poesia “Às Canhas as Palavras Realizam Mil Façanhas” (1990), “A Óleo e Brasa” (19991) e “Antese” (1993). Tem poemas editados em jornais, antologias, revistas eletrônicas e blogs. Participou do Livro da Tribo (2013). É autora de “Cinema: Sedução, Lazer e Entretenimento no Cotidiano Itabunense” (2000), “Poemas Sem Nenhum Cuidado” (2004), “Amarelo Por Dentro” (2009), “Filosofia Líquida” (2012) e “Colar de Absinto”, no prelo. Coordena a Coleção de plaquetes “Pedra Palavra” (2012 -2017).

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118ª Leva - 03/2017 Aperitivo da Palavra Destaques

Aperitivo da Palavra

A busca de si e as formas fixas, a Mecânica Aplicada de Nuno Rau

Por Roberto Dutra Jr.

 

Veio o pós-modernismo e nós nos fragmentamos em tantos pedaços quanto uma tela cubista comporta. Surgiu a world wide web e nos fragmentamos mais ainda em avatares e perfis, redes sociais, raves cibernéticas e encontros virtuais. Uma nova realidade abraça a todos nós e a cidade em que circulamos circula em cada dispositivo móvel em níveis que nos viciam sugando o nosso tempo como vampiros instalados nos chips.

Estas imagens e outras povoam irremediavelmente a minha mente quando carrego as páginas de Mecânica aplicada, o novo livro de Nuno Rau, que saiu recentemente pela Editora Patuá. Façamos o reload.

Nuno Rau faz uma mescla de imagens e narrativas versificadas, surgindo rápidas como flashes entre um fluxo de consciência que também engloba samplers de outros poetas e compositores. A desapropriação de um verso alheio é a identidade de um novo poema. O indivíduo entre estas páginas, que vaga numa polis cyber-punk perdeu as ilusões e dialoga ora com um outro, que pode ser ele mesmo ou um sampler de um poeta (ele mesmo se constrói? Ou uma voz do cânone?). Não temos certeza de quem está lá, à solta; quem é este observador do fluxo de informações, desolado em reflexos de si mesmo que não reconhece. É preciso quebrar os espelhos: “… erradicar / os artefatos / da ilusão”. Fica no ar sempre a pergunta se o indivíduo é o sintoma ou a doença de si.

Uma máquina do mundo revisitada não seria uma leitura extrapolada de Mecânica aplicada. Entretanto, os poemas de Nuno Rau, com um ritmo ainda mais fragmentado, comunicam-se com suas referências drummondianas e haroldianas (de Campos) e revelam uma profunda angústia de ser no século XXI um homem (poético) sampleado.

Ora com modos de graphic novel, algum desvio surrealista e certamente impregnado de distopia, os poemas de Mecânica aplicada não encontram caminhos nessa cyber-cidade, a única fuga é a para dentro de si, como nos versos de “por dentro, por fora”: “vivendo pela margem, neste exílio / de uma pátria que não existe, a não / ser na mais absurda alucinação, / nenhum dia me abre o seu sentido; / … / além do corpo, / … / as coisas seguem normais / … / sob a pele das coisas arde um tal incêndio”.

Mecânica aplicada tem uma unidade conceitual dividida em cinco partes, sendo Subversio machine, Imago mundi, Fenomenologia dos materiais, Opera mundi e Mecânica aplicada. Os poemas “Fragmentação”, “Romantismo mode on mode off” e “Ars poetica” são o ponto de convergência deste eu fragmentado do poeta (sua consciência dentro da máquina do mundo) e dividem o livro em uma tomada de estilo e de forma.  As duas seções finais são compostas de sonetos. O caminho para dentro de si é o encontro de uma forma fixa tradicional da literatura. Seria um retorno à infância ou à infância cultural de um ser poético desiludido num mar de informações e referências, impossível de ser filtrado?

Nuno Rau não reinventa o soneto, mas utiliza o recurso como uma oposição à fragmentação. Se havia uma busca, esta deveria ser por concisão e a aplicação da mecânica surge no verso e sua prática. Versos como: “a forma fixa: o conteúdo, não. / A mente é livre, o pensamento inquieto, / e exposto a mais esta contradição / cometo – extemporâneo – outro soneto”, demonstram o jogo metalinguístico montado.  Tendo a língua como referência na busca de uma possível identidade, este indivíduo, que pode não se perceber na polis cibernética e sampleada, encontra dentro de si uma sample anterior e nela tenta se elaborar, reconhecer-se como tal. A reflexão seria um questionamento constante de muitos autores: existimos apenas enquanto linguagem?

O emprego do soneto dá um frescor no texto, embora fique também outra pergunta latente na leitura dos poemas de Mecânica aplicada: o pós-pós da linguagem literária é a forma fixa? Ainda: a resposta da fragmentação de si na linguagem é o retorno ao cânone? Incluso das alegorias da infância, do amor, do encontro do outro e demais temas que podemos considerar como universais. Creio que faço perguntas demais nessa resenha, isso me intriga, mas também elucida algo muito claramente: uma das funções da arte é nos compelir ao questionamento, além de conformismos, certezas e confortos. Tendo isto em mente quero finalizar dizendo que Mecânica aplicada, de Nuno Rau, acima de tudo, deixa claro que: reload>code = poesia.

Boas leituras.

Roberto Dutra Jr. é um carioca, suburbano e deslocado. Escritor em resistência, mestre em Letras; foi editor da Revista Escrita e contribuiu para o jornal Panorama da Palavra, e escreveu artigos acadêmicos. Atualmente oferece consultorias literárias, e leciona quase na clandestinidade. É colunista regular do blog literário Zonadapalavra, resenhista da revista de artes Mallarmargens e usa o Instagram para experimentos fotopoéticos. Foi recentemente publicado na antologia Escriptonita (Patuá).

 

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Foto: Kristiane Foltran

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