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99ª Leva - 02/2015 Galeria

Arte: Alessandra Bufe Baruque

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98ª Leva - 01/2015 Ciceroneando

Ciceroneando

 

Foto: Pedro Alles
Foto: Pedro Alles

 

É tempo de continuar os caminhos. Levar adiante a primeira investida editorial do ano traz consigo um sentido de renovação de ânimos. Abertas estão as escutas para que outras tantas vozes consolidem por aqui o ideal essencial de diversidade. E assim o maior desejo que rege os instantes é o de promover encontros em torno da arte. Poder harmonizar as energias que atravessam textos e imagens favorecendo um mosaico vivo de expressões múltiplas. Erguer uma edição da revista representa agregar individualidades rumo a um norte coletivo que não se dilui pelo caráter da heterogeneidade. Por mais que cada colaborador traga sua carga pessoal e distinta, algo torna o resultado final curiosamente dotado de um equilíbrio. Nunca houve uma espinha dorsal premeditada quando a intenção era a de solidificar uma determinada leva. Autores e artistas se aproximam ou são convidados e, a partir disso, a convergência de atuações segue fluxos de naturalidade como se um único e permanente tema se apresentasse: a busca pela qualidade. Cada criador que por aqui desfila seus verbos e imagens cristaliza a identidade da revista. Hoje, é tempo de percebermos o que nos dizem as vozes poéticas de Carla Carbatti, Roberto Dutra Jr., Neuzamaria Kerner, Alexandre Guarnieri e Mariana Fernandes. Oportunidade de percorrer as densas linhas dos contos de Márcia Denser, Jorge Mendes e Lia Beltrão. Lermos o que o escritor Rafael Mendes tem a dizer sobre seu engajamento literário numa entrevista capitaneada por Sérgio Tavares. Por seu curso, Igor Fagundes resenha o novo livro de poemas de Alexandre Guarnieri. A conturbada trama do filme “Garota Exemplar” encontra respaldo nas anotações de Larissa Mendes.  O escritor Gustavo Rios fala de suas impressões sobre o mais novo disco da banda de punk rock Pastel de Miolos. Os recentes lançamentos poéticos de Geraldo Lavigne recebem a leitura atenta de Jorge Elias Neto. Entremeando os trajetos da nova edição, as fotografias de Pedro Alles remontam às nossas complexas paisagens humanas. 2015 pede passagem trazendo junto uma vasta gama de perspectivas. E os caminhos apenas estão no seu início. Seja bem-vindo à 98ª Leva, caro leitor!

Os Leveiros

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98ª Leva - 01/2015 Dedos de Prosa

Dedos de Prosa II

Jorge Mendes

 

Foto: Pedro Alles
Foto: Pedro Alles

 

suíte para amores em estado de ebulição

 

errática

o amor tem tudo pra dar errado e você descalça, sem sutiãs, de cabelos curtos, exorcizando a luz do sol. o amor tem tudo pra dar errado e seus olhos grandes e persecutórios sobre mim, a cidade e suas febres, seu corpo por cima do meu. o amor tem tudo pra dar errado e você levitando no vapor, sua voz praticando malabares com as proparoxítonas, os sintomas, os sinais e os arrepios da sua língua. o amor tem tudo pra dar errado e você dança no fogo desconstruindo sombras, apagando as coisas ao redor. o amor tem tudo pra dar errado e mesmo assim o salto, o passo no lugar escuro. mesmo assim sopro no seu ouvido minha palavra brutal, seguro sua mão e você sorri e entende o lance.

……

anamnese

estou envolvido com essa doença chamada amor. as corais brancas da vodca, a bola oito na caçapa do meio, bar do paraíba às cinco e meia da madrugada. baladas de simon & garfunkel, o silêncio que sai dos corpos. estou envolvido com essa doença chamada amor. a chuva contra o meu rosto, os demônios da demolição trabalhando duro dentro do peito, o medo nos olhos fixos do anjo de vidro, o tifo epidêmico na pele de gesso. estou envolvido com essa doença chamada amor. o calor da febre na ponta da língua, o torpor nas pontas dos dedos, as flores de plástico dentro do copo com água e açúcar, as pedras dentro da cabeça. estou envolvido com essa doença chamada amor. as espirais de fumaça do cigarro, os medicamentos do entorpecimento, as longas horas diante da geladeira, as paredes. estou envolvido com essa doença chamada amor e não sei se tenho cura ou se escapo dessa com vida.

……

claro enigma

o que existe em você que me entorpece? qual palavra elétrica pronunciar? seu corpo salgado e sem sombras aparece dentro de meus sonhos causando erosões. o que existe em você que me paralisa? onde extrair o veneno? você sairá das águas e me fará voar entre os prédios mais altos? irá gritar meu nome na tempestade? sentirei dor? o que existe em você que me seduz e me faz suar frio? onde encontrar o pote de ouro? ouço seu nome no fundo do mar. você irá morder meu desejo, evaporar minhas tristezas? o que existe em você que perverte os sentidos? deixa mudo meu português caótico, invade e destrói territórios e os ambientes tóxicos? serei morto pelos fabulários? morderei do fruto? serei um outro? o que existe em você que me deixa volátil e lírico? o que existe em você que me apaga o medo, me faz voar entre corvos, sorrir prus que me desprezam? o que existe em você que me acalma o incêndio, ilumina as trevas, desanuvia o domingo e me deixa assim quase feliz?

…….

das necessidades do amor

você precisa de adrenalina e eletricidade pra desobstruir  o ar dos pulmões. você precisa mastigar com dentes de fogo a imagem congelada. você precisa sangrar até perder os sentidos e estabelecer paradoxos. você precisa decifrar o gelo e os signos da carnificina. precisa conhecer os homens ocos do t.s elliot. precisa deixar de ser crisálida e virar pássaro em chamas. você precisar deixar de lado os renascentistas de pedra e mergulhar de vez no atlântico. você precisa levar choque térmico nos mamilos adormecidos e acender as luzes do quarto escuro. precisa desligar o automático, entrar em curto-circuito. você precisa virar clave de sol, romper a barreira do espelho, cortar os cabelos, abrir asas e alçar vôo seja lá pra onde for, meu amor.

…….

sim!

se você esfaqueasse o orgulho numa noite fria e saísse correndo nua na tempestade, se você sorrisse na cara do carrasco, se colocasse na boca e comesse o desejo dos pássaros, se você saísse das águas com flores nos cabelos e ressuscitasse os mortos, se você incendiasse o sangue de todos os poemas, se fizesse explodir os bancos e desaparecesse na cidade em chamas, se você tivesse os olhos vazados pela luz magnífica e dançasse de braços abertos na beira do mundo, se você deixasse de lado sua vaidade de mulher má, me estendesse a mão e dissesse venha, eu juro que iria.

 

Jorge Mendes é formado em história, “quase” pós-graduado em teoria da comunicação pela eca-usp (abandonou o mestrado pra viajar por aí), avesso a qualquer tipo de glamour, leitor voraz de brautigan, amante do vinho e da cachaça, pede pouco e recebe na cara e nunca tem ninguém por perto quando bate a vontade de cortar os pulsos.