Categorias
142ª Leva - 02/2021 Ciceroneando

Ciceroneando

 

Foto: Joice Kreiss

 

Como a Arte pode colaborar em meio a tempos tão difíceis quanto os que estamos testemunhando agora? Esta talvez seja uma das perguntas mais recorrentes que povoam a mente de quem produz e consome os produtos artísticos. Para nós que respiramos através das vias culturais, estar na arte significa também a busca por um caminho de libertação, que tanto passa por um nível de consciência sobre as coisas quanto por diferentes graus de fruição experimentados. Criadores nos apontam caminhos de reflexão crítica sobre nós mesmos e nosso mundo, mas também nos sugerem que podemos mergulhar em diferentes zonas de contemplação estética das coisas. Libertar-se pelas vias artísticas seria não um gesto de fuga, mas modo de não sucumbir pelas durezas da realidade acessando outras dimensões da experiência humana. Nesta edição que agora surge, trazemos conosco os versos de Marize Castro, Wilton Cardoso, Maitê Rosa Alegretti, Leonardo Bachiega e André Siqueira, todos eles a chacoalhar de algum modo nossas estruturas. No território da prosa, temos a companhia de Marcus Borgón, Julia Sereno e Vivian Pizzinga com suas narrativas eivadas de sintomas do existir. São de André Rosa as impressões sobre “Barroquinha”, romance de Carlos Vilarinho. No nosso Gramofone, giram, através das impressões de Larissa Mendes, as canções de “Espero Que Você Entenda”, mais recente disco da Flerte Flamingo. O emblemático “A Febre”, filme brasileiro dirigido por Maya Da-rin, é tema da resenha de Guilherme Preger. Numa entrevista concedida a Fabrício Brandão, o escritor Renato Tardivo fala dos desdobramentos de seu romance de estreia, “No instante do céu”, bem como outros percursos que remontam ao universo literário. Com seus mergulhos aprofundados na obra “Formas de cair & outros poemas”, de Sandro Ornellas, Rita Santana nos oferta suas mais atentas análises. Nosso 142º caminho editorial com a revista traz as fotografias de Joice Kreiss dialogando também com as palavras dispostas por todos os nossos recantos. De mãos dadas e contra qualquer forma de desprezo à Cultura, seguimos adiante trilhando os caminhos da Literatura e da Arte. Boas leituras!

Os Leveiros

 

Categorias
141ª Leva - 01/2021 Ciceroneando

Ciceroneando

 

Desenho: Geometria da Palavra

 

2021 ensaia suas primeiras investidas. Diante de tudo o que vivemos no ano passado, alguma sombra de desconfiança ainda repousará sobre nossas vidas por certo tempo. É o efeito de uma pandemia jamais experimentada por muitas gerações de pessoas, algo que, além de nos obrigar a encarar perdas humanas vertiginosas e irreparáveis, nos lançou o desafio do isolamento social agudo. Normalidade é uma palavra que há muito não frequenta nossos espaços de convivência e, arriscamos dizer, é incabível se falar em qualquer outro tipo de normalidade e suas falaciosas derivações. Não há lugar para a naturalização de tamanha tragédia humana, ainda  mais quando muitos desprezam os fatos a ponto de negarem tudo o que nos acomete há quase um ano. Pelo mundo afora, muitas vidas se foram, afetando tantas famílias. No Brasil, atingimos por agora a impressionante e avassaladora marca de 200 mil mortes. E muita coisa precisa ainda ser repensada para que tudo não passe de mera estatística a contabilizar os efeitos de um tempo de insensibilidades. Devemos seguir em frente, bem sabemos, mas isso não nos tira a responsabilidade de tentarmos soluções para os males decorrentes do atual estado de coisas com o qual nos deparamos. Há de se recorrer também à preservação da memória de todos os que ficaram pelo caminho. Dedicamos, pois, a nossa primeira edição do ano às pessoas que não mais estão conosco em face do que nos vem ocorrendo em escala global. Nos caminhos literários e artísticos, também encontramos razões para celebrar a vida, acreditando que um dia muitas coisas possam se renovar de algum modo. Nossas janelas poéticas trazem os versos contundentes de Mônica Ribeiro, Marcus Groza, Bruna Mitrano, Mírian Freitas e Cristiano Silva Rato. No território musical, Larissa Mendes nos conduz pelos recantos de “Cinco”, mais novo disco do cantor e compositor Silva. Pela resenha de Gustavo Rios, somos apresentados ao mais recente livro de Pawlo Cidade, o romance “Rio das Almas”. E o olhar cinéfilo de Guilherme Preger está voltado agora para a nova versão de “Berlin Alexanderplatz”, filme do diretor Burhan Qurbani. Nossos dedos de prosa recebem os contos de Cinthia Kriemler e Thaís Fernandes, além da crônica de Kátia Borges. Numa entrevista bastante especial concedida a Fabrício Brandão, a poeta Dheyne de Souza partilha conosco um pouco de suas vivências literárias e seu sensível olhar sobre algumas inquietudes de nossa contemporaneidade. Vinicius de Oliveira nos traz importantes reflexões a partir do livro “O amor como revolução”, do pastor Henrique Vieira. Abrilhantam todos os espaços desta Leva 141 os desenhos de Vinha Oliveira, artista que funda suas criações no que considera ser a geometria da palavra. Bons mergulhos!

Os Leveiros