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150ª Leva - 05/2022 Ciceroneando

Ciceroneando

Foto: Yuri Bittar

 

Mais um ano se finda. Com suas tantas epifanias, 2022 inaugurou ciclos e fechou outros tantos. É da dinâmica da vida tais fluxos de vivências e, no caso da Diversos Afins, os cenários foram mobilizados pela descoberta de novos autores e artistas com suas vozes peculiares de expressão. E não há um mundo fechado em si quando o propósito é pensar um projeto editorial desta monta. Mesmo com edições mais espaçadas, o ano foi marcado pela persistência, que faz com que nossa jornada pelo encantador universo das palavras e imagens se mantenha firme. Conduzir uma revista significa, acima de tudo, deixar se guiar pelas surpresas movidas através dos mais diferentes encontros. Assim, poetas, contistas, músicos, artistas plásticos, fotógrafos e outros tantos colaboradores renovam os ares de nossas investidas. Estar no caminho da Arte é a todo tempo aprender com tamanhas e tantas mentes cujo ímpeto criativo é verdadeira chama da vida. É quase impossível enumerar a quantidade de pessoas que estiveram conosco nos 16 anos de trajetória da revista, principalmente os entusiastas permanentes de nossas ações, sejam eles autores ou não. O mais importante é que tudo até aqui valeu muito a pena, cada esforço ou dificuldade enfrentados. E não há nem nunca houve tempo para pensar em retrocessos ou desânimos, pois os caminhos acabam sendo curiosamente autorrenováveis, dada a quantidade de possibilidades, temas e pessoas que somam sempre aos nossos movimentos. Ao falar nesse dinamismo, é que vemos surgir uma nova leva, como novos atores e suas potências narrativas. Senão, vejamos quem adentra agora as nossas janelas poéticas: as presenças instigantes de Marília Rossi, Rita Isadora Pessoa, Rani Ghazzaoui, Julia Bac e Paulo Silva. No campo musical, Larissa Mendes é quem nos apresenta “Um Belo Dia Nesse Inferno”, mais novo disco de Juvenil Silva. O livro de poemas “Ruído nos Dentes”, de Vivian Pizzinga, é tema da resenha de Helena Terra. Por nossas alamedas, também adentram os contos de Adriano Espíndola Santos e Rodolfo Guimarães Neves. Nosso entrevistado da vez é o fotógrafo Edgard Oliva que, numa conversa conduzida por Marcelo Frazão, opinou sobre questões importantes do universo da imagem. De forma sempre aprofundada, Guilherme Preger comenta sobre o filme espanhol “Alcarràs”. Nosso caderno de teatro volta à cena com um texto de Vivian Pizzinga sobre o espetáculo “Realpolitik”, peça que tematiza nossa emblemática atualidade. Na análise de Gustavo Rios, atenções para “Emoções em Trânsito”, o mais novo livro do poeta Ricardo Mainieri. Por todos os recantos de nossa nova edição, as fotografias de Yuri Bittar revelam as marcas especiais da contemplação. Nas vias da Arte, eis a nossa 150ª Leva, queridos leitores!

 

Os Leveiros

 

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147ª Leva - 02/2022 Ciceroneando

Ciceroneando

Ilustração: Bianca Grassi

 

Temos presenciado dias conturbados em nosso planeta. Não bastasse o inimigo mortal e invisível que nos faz companhia desde o principiar de 2020, vamos colecionando tragédias cotidianamente, todas elas marcadas pela insana aptidão humana para a destruição em seus mais variados níveis. Assim, aniquila-se a natureza no mesmo compasso em que eliminamos os nossos iguais pelo gesto irracional da barbárie. O despertar de uma guerra nos relembra nossas mesquinharias mais comezinhas, truculento desejo de dominar o outro por razões esmaecidas. Questão que se impõe é como faremos para descontaminar o nosso caminhar sobre o mundo, agindo num movimento contrário à perspectiva de desolação que sempre teima em aparecer no horizonte quando as crises se mostram cíclicas e persistentes. Há espaço para a libertação das consciências e, assim, para o cultivo de alternativas otimistas? Por certo, a resposta está em nossas mãos, não necessariamente sob nosso pretenso e inteiriço controle. Quiçá os instrumentos da Arte possam nos guiar nessa tarefa longa de reconstrução e ressignificação da nossa história sobre a Terra. E estamos aqui a falar de Arte como potência criadora que não se aparta em momento algum da realidade, seus matizes políticos, econômicos e sociais. Portanto, autores e artistas não estão dissociados do debate maior sobre o seu tempo, da tentativa de compreensão dos fenômenos que afetam nossas humanidades de forma contundente e inalienável. Não se usa camisa de força para tal, o gesto nos pertence por natureza. Diante de um mundo que nos aplica doses constantes de assombro, é bom testemunharmos, por exemplo, o pensamento de um criador como Alex Simões, poeta e performer que é o nosso entrevistado da vez e cuja obra propõe um diálogo com os temas sensíveis de nossa atualidade. Numa linha semelhante, nos deparamos com as ilustrações de Bianca Grassi, as quais nos fazem companhia por todos os recantos de nossa nova edição. São de Kleber Lima, Clarissa Macedo, Elton Uliana, Manuella Bezerra de Melo e Priscila Branco as janelas poéticas que nos ofertam versos pungentes. Foi também pensando questões atinentes ao mundo que nos perturba que Guilherme Preger escolheu para sua análise o filme romeno “Má sorte no sexo ou pornô acidental”, do diretor Radu Jude. Não foi diferente com Larissa Mendes que, ao trazer à tona sua resenha sobre “Preto Sem Acúcar”, novo disco da banda OQuadro, reflete sobre as marcas raciais entranhadas em nossa sociedade, dentre outros temas. Em seu texto sobre “Os vivos (?) e os mortos”, emblemático livro de poemas de Fernando Monteiro, Sandro Ornellas expõe o delicado testemunho que a memória atroz da ditadura militar brasileira evidencia. Nos contos de Susana Fuentes, Adriano B. Espíndola Santos e Ianê Mello, o traçado sensível da vida insiste em se manifestar. É Vinicius de Oliveira quem nos apresenta “Levante”, livro do poeta Henrique Marques Samyn e que evoca a marcante história do povo negro no diapasão África-Brasil. É com grande satisfação que apresentamos aos nossos leitores a 147ª Leva da Diversos Afins. Boas leituras!

Os Leveiros