A cadência do tempo corrói e aumenta a dor de uma criatura mesmo quando a esvazia. E não adianta o coração bater mais forte, o sangue se derramar, o comprimido mergulhar em um organismo. Quanto mais lenta, mais forte ela se torna. É o processo. É a mecânica. O trucidamento é sua matriz. O útero que a expulsa em milhões de pedaços, em partículas de angústia e de verdades sem amor. E quando tudo isso acontece, quando alguém é escolhido, não há cor que permaneça e não há vida que não exploda em coágulos. E foi, por isso, que no momento em que eles se encontraram no quarto, ele veio correndo até ela com os olhos fixos em um corpo invisível, obcecado pelo reflexo da ausência. E ela, indiferente, não disse nada. Atravessou o espaço, guardando os frascos do sentimento espancado, surda aos movimentos do afeto. Ele parou, surpreso. A mão roçando a cabeça, prevendo as inflexões de uma ruína. Quer tomar um banho? Ela sentou-se na cama. Não tive culpa por essa demora. Só agora liberaram o leito, minha querida. Onde está minha mala?, ela o interrompeu, vasculhando, com os olhos, o ambiente. As paredes se aproximando, perdendo largura, caindo profundas. Irradiando o calor opaco. Transformando os seus restos de fêmea em um concentrado disforme. E ele, ao lado, contínuo, homem ambivalente dos bastidores, estático em sua permanência secundária, incapaz de romper a cena de inércia e desalento. Onde está a minha mala, ela voltou a perguntar, dessa vez, mais alto. Não está vendo o sangue escorrendo por essa roupa horrível? O vermelho revelado na altura do ventre e das coxas. A solidão revelada nas manchas, em seu papel de mãe túmulo, mulher sepultura encarregada de abrir a própria carne e desenterrar, espasmo por espasmo, célula por célula, o filho. Também sinto muito, ele disse, também sintomuito, e, então, encolhendo-se, bombeou uma lágrima e mais outra e mais outra até ela, exausta, deixar-se levar, repousando o sofrimento sobre a água multiplicada, e desdobrando, finalmente, o seu colo destroçado sobre o do marido.
Helena Terra nasceu em Vacaria. Mora em Porto Alegre. Já colaborou em sites, revistas e jornais literários. Publicou, em 2013, o romance A condição indestrutível de ter sido, pela editora Dublinense. É jornalista e ilustradora.
De modo pungente, os caminhos que levam a um entendimento sobre a condição humana nos tomam de assalto. Com eles, algumas cômodas certezas vão sendo questionadas e muitas vezes colocadas numa complexa perspectiva de reformulação. No universo das palavras, o ato primevo e substancial da leitura representa uma experiência impactante sob o ponto de vista da alteridade. O que seria, então, de nós sem essa vigorosa perspectiva de olhar o Outro como uma imprescindível fonte de compreensão das coisas que nos cercam?
O fato é que a Literatura, com seu acentuado caráter de revolver mundos, é capaz de nos dar indícios de que tudo gira ao nosso redor como as imagens de um caleidoscópio. Nesse processo, leituras e escrituras são faces de uma mesma moeda: a do desejo irrefreável de nos vermos com certa dose de profundidade. Por mais libertário que possa parecer, o ato de ler revela também uma necessidade que temos de exercitar um mergulho em nós mesmos. Com isso, se o que buscamos são respostas, as dimensões vividas ganham proporções verdadeiramente abissais.
Sob o ponto de vista de quem escreve, o ofício não é menos ruidoso. E o ato contínuo de vislumbrar os recortes humanos é um elemento deveras motivador da criação. Nesse sentido, autores como Helena Terra parecem nos ofertar uma bússola para algum tipo de orientação. Quem se permite desfolhar as páginas do romance de estreia da moça gaúcha, alcunhado de A condição indestrutível de ter sido (Ed. Dublinense – 2013), pode suspeitar por quais veredas sua criadora transitou. Num tempo em que nos acostumamos a tratar a temática do amor com certa reserva, o livro de Helena nos mostra que, para além da viciada noção efêmera, o terreno das relações não se presta a observações reducionistas. Engana-se quem pensa que o escapismo do outro diante de nossos projetados domínios é a razão de ser da obra. Um lapso temporal da delicadeza move a narrativa de tal modo que flutuamos pelas acepções possíveis da incompletude humana. Especialmente pela atmosfera que emana desse seu rebento literário, Helena acolheu a Diversos Afins para um breve diálogo. Para nós, fica o testemunho de uma autora altamente comprometida com as implicações de seu tempo, vertendo, de modo favorável, suas íntimas imagens em hábeis letras.
Helena Terra / Foto: Arquivo pessoal
DA – “A condição indestrutível de ter sido” marca sua estreia no romance e traz um tema cuja presença na contemporaneidade é bastante emblemática. O amor, da forma como o percebemos hoje, não lhe parece impregnado de uma substancial volatilidade?
HELENA TERRA – Não. O que me parece é que há uma urgência em encontrá-lo e em se dizer eu estou amando, o que complica as relações afetivas contemporâneas e as torna sujeitas a inúmeros equívocos. Primeiro, porque o amor não é um produto disponível nas melhores lojas do comércio ou em sites de internet. Amor não é algo que se escolhe em uma vitrine, que se digita no google, se diz quero esse modelo e se veste, consome, exibe para depois ser devolvido no setor de produtos com defeitos ou descartado diante de uma nova oferta. E segundo porque o amor é um sentimento exigente, que implica sabedoria emocional, virtudes de caráter e constância, trabalho mesmo. Como a felicidade, o amor exige trabalho. Raduan Nassar e Charles Bukowski escreveram duas frases relevantes sobre ele. Escreveu Raduan, no Lavoura Arcaica: eu que não sabia que o amor requer vigília. E, Bukowski, em o Amor é tudo que nós dissemos que não era: o amor é uma palavra usada muitas vezes e muitas vezes cedo demais. Concordo inteiramente com eles.
DA – A protagonista do seu livro transita pelos, digamos assim, territórios protegidos do amor. Nesse aspecto, há a presença dos mecanismos de defesa proporcionados pelas redomas tecnológicas que tanto nos envolvem. Como você percebe tal questão?
HELENA TERRA – A narradora do livro me parece ser, por natureza, uma pessoa reservada e, até conhecer Mauro, estar intensamente focada em sua relação com as palavras e com os livros. Em algum momento, o leitor sabe que ela esteve dentro de uma relação afetiva com alguém do que entendemos por mundo real, mas não há pistas sobre como esse encontro/desencontro se desenvolveu e porque acabou. E não há de propósito. Não acredito em modelos amorosos e em espaços perfeitos para o amor e para as paixões. Os motivos que levam casais a se unirem e desunirem, não importando o tempo em que permaneçam juntos, fogem da nossa compreensão e fogem também das partes envolvidas. O, digamos, diferencial da internet é que ela permite uma maior ousadia e uma maior velocidade no processo de se conhecer ou desconhecer outra pessoa. Mas essa ousadia e essa velocidade são opções e não uma regra. As pessoas que criam personagens de si mesmas no mundo virtual costumam fazer o mesmo no real. As que tendem a mentir, mentem. As que tendem a exagerar, exageram. As que tendem a enlouquecer, enlouquecem. E as que tendem a amar, amam. Os simulacros não se sustentam a longo prazo. A internet é um dos espaços mais democráticos para a circulação das verdades e da maturidade emocional de cada um.
DA – Ao passo que sua protagonista e o Mauro, objeto da paixão dela, vão estabelecendo aproximações no campo do real, o impacto das sensações se modifica e vai perdendo um tanto do vigor inaugural. Em que medida a intimidade pode ser também um lugar de desconstrução?
HELENA TERRA – A intimidade, paradoxalmente, pode ser a nossa zona de conforto e também a de confronto. Fantasia e realidade ganham dimensões diferentes com o convívio com outra pessoa. Ela, de certa forma, funciona como um filtro em que o incompatível com a natureza de cada um e com suas expectativas é eliminado ou purificado. Na relação da narradora com Mauro, o impacto das sensações se modifica porque, apesar da sintonia virtual, eles não esperam o mesmo um do outro e, porque, como é comum na internet, a sedução se estabelece por meio da literatura e das palavras. Os dois não deixam de ser uma ficção, mesmo depois do encontro na cidade em que ele mora, porque fazem o recorte de si mesmos, selecionam as facetas e o que desejam que o outro saiba quando se escrevem mais por impulso que por tempo de maturação do relacionamento.
DA – Há algum aspecto marcante desse turbilhão chamado pós-modernidade que moveu fundamentalmente suas escolhas narrativas?
HELENA TERRA – Não, creio que não. Não optei por uma narradora em terceira pessoa porque queria dar a sua voz o máximo de carga dramática e optei por ter como pano de fundo desse discurso o ambiente virtual porque ele se constrói a partir da palavra. Na internet, ela é o carro chefe. Por mais que imagens possam contribuir para o desenvolvimento de qualquer tipo de relacionamento, sem a linguagem escrita não se tomam decisões nem se avança em direção alguma.
DA – A afirmação de algumas bandeiras de gênero parece tomar significativa proporção no debate literário moderno. É o caso, por exemplo, de se considerar a existência de distinções como literatura gay, feminista e etc. Essa territorialização limita as possibilidades criativas na medida em que volta suas atenções para focos de resistência?
HELENA TERRA – Não compactuo com essas distinções e considero qualquer uma delas como uma forma de auto-exclusão. Essa ideia de se encaixar em um grupo é redutora e alimenta preconceitos. Não me considero uma escritora de literatura feminina por ser do sexo feminino, não me considero uma escritora gaúcha por ter nascido no Rio Grande do Sul. Sou uma escritora de língua portuguesa por ser essa a minha língua mãe. E é dentro dessa circunstância, livre dentro do imenso vocabulário e de todos os recursos gramaticais que o nosso idioma nos oferece, que exerço meu potencial criativo e a minha sensibilidade. Literatura implica humanidade e humanidade está acima de rótulos.
Helena Terra / Foto: Arquivo pessoal
DA – Quais aspectos você julga serem os mais importantes na composição do atual cenário literário brasileiro?
HELENA TERRA – Não sei exatamente pontuar o que é mais importante. Mas o cenário atual me parece mais generoso no sentido em que hoje há uma série de instrumentos a favor da profissionalização de um escritor e da divulgação de um livro. Na última década, surgiu uma quantidade significativa de cursos, oficinas, laboratórios etc., buscando a qualificação dos textos; surgiram novos prêmios, alguns com incentivo financeiro; o interesse estrangeiro pela literatura brasileira se confundiu um pouco com o interesse pelo próprio Brasil, criando um novo público de leitores e um novo mercado editorial fora do país; e também houve uma abertura maior, uma curiosidade maior de público e de editoras em conhecer o que está sendo produzido agora. Isso não significa que esteja tudo em ordem. A cultura no Brasil está, como nós todos, buscando cidadania.
DA – Uma outra feição sua é a que lhe faz trilhar os caminhos das artes plásticas. De que modo você vislumbra o mundo a partir desse lugar?
HELENA TERRA – Por natureza, sou uma criatura estética. Procuro e vejo beleza, expressão, força, emoção, mesmo que em um recorte pequeno de algo, em tudo. Tenho no olhar e na linguagem os meus dois interesses mais desenvolvidos, e os dois se misturam. Vejo uma imagem configurando-a em som e palavras. Escuto palavras e sons atribuindo a elas imagens. Do ponto de vista profissional, são universos, embora artísticos, diferentes, em que as carreiras seguem com completa autonomia.
DA – Gabriel García Márquez dizia que, para escrever, um autor deve saber muito bem quais rumos sua narrativa vai tomar. Há pouco tempo, você deu indícios de que um novo livro já faria parte de seus planos. Nesse futuro trajeto da criação, como você engendra a arquitetura da obra?
HELENA TERRA – Não sei até que ponto esse saber muito bem quais rumos uma narrativa vai tomar é realmente importante. Os processos criativos são inúmeros. No meu caso, preciso saber sobre o que quero escrever, saber qual o ponto a ser carregado por toda a narrativa. No A condição indestrutível de ter sido, meu foco era a confiança tanto nas pessoas quanto nas palavras, mas eu não tinha um projeto definido que envolvesse início, meio e fim. Tinha o título em mente como um fio condutor. Nesse novo livro, a escrita está se construindo de outra forma. Escrevi, em uma caderneta, uma espécie de mapa e de quebra-cabeça da narrativa e algumas instruções em causa própria de como proceder para manter a disciplina. Aparentemente, a Helena que está escrevendo esse novo livro não é a mesma que escreveu o outro. Mas é. E o interessante em ser gente é exatamente isso: ser um podendo crescer, se transformar e ser quem se é sendo também outro.
DA – Na fluidez de palavras e imagens, o quanto Helena Terra conhece Helena Terra?
HELENA TERRA – Bastante. Dois caminhos me conduziram nesse sentido: a literatura e a análise psicanalítica. Na literatura, lendo mais que escrevendo, ainda que o processo de escrita exija muita reflexão. Lendo autores de várias gerações, geografias, estilos, ampliei minha visão de mundo. Com Dostoiévski, por exemplo, compreendi que os homens nunca sentem da mesma maneira, então, os castigos a eles impostos serão sempre desiguais. Temos de levar em conta o significado de cada sanção para cada espírito. Os livros, e aqui me refiro aos livros corajosos que servem à vida e não às vaidades, nos provocam, sacodem e reconfiguram.
Superado o queixume sobre a disseminação irrefreável da tecnologia portátil, o escritor norte-americano Jonathan Franzen chega ao baú onde guarda as velhas cartas de amor compartilhadas por seus pais, no terço final do ensaio ‘Só liguei para dizer que te amo’, abrigado na coletânea ‘Como ficar sozinho’ (Companhia das Letras, 2012). Para ele, os registros dos vocábulos sedimentares para a edificação do amor de que foi resultado servem para confrontar o uso indiscriminado do ‘eu te amo’ ao término de uma chamada telefônica, um tipo de código vulgar do século XXI para dar fim a uma conversa. Franzen questiona a qualidade do sentimento. Se há, em sua manifestação pública e suplementar, a mesma textura conservada naqueles papéis enviados com a carga de quem, debruçado sobre as margens, perdeu-se em horas a fio, exilado num universo bidimensional, para condensar em poucos parágrafos a imensidão dos desejos, das angústias, da vontade incessante de estar junto. O amor a sério, conclui-se findada a leitura, carece de pertencimento. Ocorre num grau sobrelevado de intimidade necessário para projetar no outro a mesma voltagem que pulsa em si.
Em seu magnífico romance de estreia, a escritora e artista plástica gaúcha Helena Terra trata da complexa gestação do amor enquanto privacidade. Narrado em primeira pessoa, ‘A condição indestrutível de ter sido’ (Dublinense, 2013) traz a lume a amostra de um movimento nato da era hipertecnológica: os flertes firmados no mundo virtual que, justamente por prescindir de pessoalidade, acabam por minguar sem culpados e feridos. A protagonista, de quem não se sabe o nome, entretanto, vai além. Depois de criar um blogue com conteúdo munido por postagens coletivas, ela se atrai por um participante em especial, Mauro, um sujeito que se apresenta bem letrado e cativante, propondo um diálogo privado, uma troca rotineira de e-mails suscitada à base de elogios correntes e versos de Baudelaire. A narradora de pronto se envolve e, à medida que o interlocutor virtual vai trazendo à tona aspectos da sua vida real, um estreitamento de afeto se consolida, bombeando, interações após confissões, combustível necessário para rutilar um sentimento incapaz de ser expresso apenas com a ortografia computadorizada. A maneira de lidar com essa emoção sem freio é o ponto de partida da trama.
Helena Terra propõe acompanhar o erguimento de uma construção que, a qualquer instante, inevitavelmente se demolirá. Por certo, desdobramentos malconformados para relacionamentos não são nenhuma novidade na literatura contemporânea. Basta escolher um livro do Ian McEwan, a seu gosto. O diferencial (e o brilho) fica por conta da visão sobre o tema. Nesse caso, a tessitura da relação compete efetivamente ao relato de apenas um dos envolvidos, fornecendo um ponto de vista, senão suspeito, ao menos desfalcado. O outro, enxergado sob um anteparo, se desenvolve a partir das qualidades e dos defeitos que se convencionam a ele, portanto uma projeção dos próprios desejos e aflições daquele que narra, o produto idealizado de um processo psíquico. Ao situar o despertar dessa paixão no plano virtual, a autora potencializa o mergulho às cegas na experiência de amar. As veracidades das palavras e da própria afeição, a armadilha do anonimato, perdem atenção diante da ansiedade do próximo contato, do piscar do novo e-mail na caixa de entrada, uma espécie de dependência que ocorre de um sentimento transtornado já sem nome, uma condição intratável.
O resultado é a quebra de todas as regras, a perda das rédeas do próprio domínio. Em dado momento, a narradora condiciona que não trocariam imagens, não obstante a promessa será desfeita por ela mesma numa decisão extrema. Mauro conta ser casado, com dois filhos. Fato moralmente questionável diante do rumo do envolvimento, mas ela frivolamente não leva em conta. O mundo inventado para ambos, que se deslinda à redoma que a protege em frente ao monitor, é sustentado por uma sobrecarga sensorial, ou melhor, unicamente pela idolatria. Tanto que, ao surgir uma pausa na comunicação, o efeito é de abstinência, uma avalanche de autoquestionamentos sobre o motivo do sumiço que a arrasta para fora dos limites interiores, numa viagem tomada em revide para o mais longe possível daquilo tudo (um país insular espertamente escolhido pela autora, cujo acesso a internet é caso de censura). Em território estrangeiro, a narradora interage com outro homem, porém Mauro, o seu Mau, é uma sombra constante, dado que, apesar da distância geográfica e da escolha de não ligar o computador, o mundo segue funcionando dentro de si, um mundo imantado pela carência. Não por menos, quando retorna, ela resolve agir de forma contundente, derrubando a barreira dos caracteres na tomada da tal decisão extrema com o uso de fotografias.
Sem precisar recorrer a centenas de páginas para dar profundidade e alcance ao enredo, Helena Terra demonstra habilidade e segurança ao ir fundo na análise da vulnerabilidade humana. O risco de dar voz a uma personagem definida por uma confusão de emoções, aferrada numa busca indomável pela completude em outro corpo, é anulado por uma prosa delicada e bem polida, que recorre a paralelos e metáforas sem derrapar na pieguice, encontrando, em capítulos curtos, a dinâmica perfeita para provocar no leitor o interesse pelo desdobramento até a última página. A escritora propõe o amor como uma reação incendiária dentro de uma cápsula que, ao entrar em contato com o exterior, não queima, sofre desnaturação ao alcançar intimidade. Se existe uma cumplicidade em seus atos, a narradora dessa história de (des)amor é cúmplice exclusivamente de si.
No passado visitado por Franzen, sua mãe questiona o grau de afeição do seu futuro esposo, dado que este nunca tinha assinado uma carta com ‘eu te amo’; fato contestado pelo filho-escritor diante de outros gestos do pai que igualmente exprimiram amor de uma forma particular. Antes e depois do advento da internet, quando alguém tenta conformar um outro a ser amado, paixão e ilusão se confundem.
Sérgio Tavares é jornalista e escritor, autor de “Cavala” (Record, 2010), vencedor do Prêmio Sesc Nacional de Literatura. Também foi premiado no Concurso Literário da Fundação Escola do Serviço Público (Fesp/RJ) e tem textos publicados nas revistas “Cult”, “Arte e Letra: Estórias M”, e no jornal “Cândido”, entre outros. O livro de contos “Queda da própria altura” (Confraria do Vento, 2012) é sua obra mais recente.