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153ª Leva - 01/2024 Ciceroneando

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Arte: Zô

 

Há 18 anos surgia a Diversos Afins. E eis que apareceu dentro de um contexto de efervescência das produções em meio digital. Era o ápice de blogs e sites dedicados a todo tipo de narrativa no front cultural. Muitos espaços personificavam os estilos de novos autores, individualizando condutas de publicação dos textos. Foi importante testemunhar a aparição de um sem fim de expressões da poesia e da prosa, desde iniciantes e até mesmo dos mais consagrados. Igualmente recompensador foi também perceber a chegada de vários portais e revistas dedicados não somente à Literatura, mas a outras artes, apresentando em seu cardápio multifacetado resenhas, ensaios e textos sobre cinema, teatro, música e outras frentes. Cada um com sua identidade própria, com seu jeito de ofertar aos leitores modos peculiares de estruturação dos conteúdos. No meio dessa borbulhante paisagem, nossa revista figurava como uma janela através da qual parte importante desse oceano de produções se fazia adentrar. Definida a sua política editorial, a Diversos Afins manteve desde o início o intuito de acolher novos autores, em grande contingente inclinados a  desengavetar seus escritos pela primeira vez, interessados por oportunidades de publicação. No ofício de se editar uma revista, há muito aprendizado envolvido, sobretudo aquele que decorre das trocas estabelecidas com parceiros, colaboradores e leitores, todos eles, ao fim e ao cabo, se colocando como verdadeiros entusiastas de cada edição. Chegar a mais um ciclo de existência significa muito para nós, pois, mesmo nos hiatos que se impõem à jornada, a vontade de seguir adiante permanece viva. De ânimo sempre renovado, os encontros do presente constroem nossa 153ª Leva. Nela, descortinamos os poemas de gente como Nívia Maria Vasconcellos, Constança Guimarães, Julia Sereno, Camila Passatuto e Christian Dancini. Na cartografia presente pelas alamedas desta edição, as imagens de nos fazem companhia, arte que transborda recortes sutis do cotidiano. Em nosso caderno de cinema, Guilherme Preger nos provoca a ver e sentir “Motel Destino”, filme mais recente de Karim Aïnouz. É Alex Simões quem nos convida à leitura de “onde a água faz a curva”, livro do poeta Matheus dos Anjos. Na entrevista concedida a Gustavo Rios, o escritor Victor Mascarenhas fala sobre os percursos que o levaram à construção de seu último livro, “Sete dias em setembro”. O mais recente livro de Ruy Póvoas, “O Risco e o Laço – traçados do destino nagô”, é tema das apreciações de Tica Simões. Os contos de Neuzamaria Kerner, Adriano Espíndola Santos e Paulo Zan tecem um instigante mosaico de narrativas mundanas. Nas impressões sonoras de Fabrício Brandão, o disco “Milton + esperanza”, fruto da especial parceria entre Milton Nascimento e Esperanza Spalding, agora gira na agulha de nosso Gramofone. É tempo de, com imensa gratidão, celebrar junto a nossos leitores e colaboradores o nascimento de uma outra etapa. Boas leituras e mergulhos!

 

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149ª Leva - 04/2022 Ciceroneando

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Ilustração: Drika Prates

 

Caminhos longevos são aqueles que, mais do que meros índices de contagem do tempo, servem como constatação de que algo de fato foi construído. Dar sequência a um projeto como a Diversos Afins é sentir que aos poucos as coisas vão acontecendo, os cenários vão se modificando, algo fica pela estrada, antigas parcerias se reafirmam e novos encontros se manifestam. Viver as trilhas da cultura é também respirar ares de impermanência, pois os ventos da mudança sempre teimam em bater à nossa porta. E mudar é gesto de abertura para o novo, momento em que outros saberes e sabores podem se tornar reais diante da lei natural dos encontros. Acima de tudo, são pessoas que movem a nossa revista, não somente a figura de seus editores, mas todos aqueles que se sentem atraídos pelas veredas aqui ofertadas. De colaboradores, entusiastas, amigos, parceiros e chegando até nossos leitores, uma dinâmica cheia de vida toma corpo e impulsiona ideias e toda sorte de ímpetos pela Arte. Somos tantas mentes afinadas no coro possível da palavra, das imagens e dos sentidos múltiplos que emanam do mais íntimo que há no laço humano. Não estamos sozinhos: eis a constatação mais recompensadora que há. Os caminhos travestidos de literatura, cinema, música, artes plásticas, teatro, fotografia e outras artes são representações do que vai por dentro de tantas e tamanhas existências que percebem na revista um porto onde podem fazer ecoar suas vozes. Não temer o que está por vir pode ser a chave para qualquer iniciativa que se pretenda continuada no tempo das possibilidades. A crença que nos mobiliza é a de que outros olhares sobre o mundo são a razão de ser das nossas investidas. Ao mesmo tempo, é desejo de reconhecer o quanto um imenso painel de singularidades surge ante nossos olhos, cada uma delas imprimindo um tom vigoroso às criações de autores e artistas dos mais diversos matizes. Por tudo isso, a aproximação de poetas como Geraldo Lavigne de Lemos, Cristina de Souza, Letícia Carvalho, Marcelo Benini e Leonardo Bachiega adentra com novos sentidos as nossas janelas poéticas de agora. Em cada canto da nova edição, as ilustrações de Drika Prates dialogam com as porções interna e externa de nossas humanidades. No Gramofone de Gustavo Rios, gira o novo disco de André Lissonger. Numa entrevista concedida a Larissa Mendes, o músico Leonardo Passovi, vocalista da banda Flerte Flamingo, desfila algumas reflexões sobre seu trabalho e a cena musical brasileira contemporânea. Nas linhas de Lorraine Ramos Assis, impressões para “Ainda ancora o infinito”, livro de poemas de Roberta Tostes Daniel. Pelos contos de Lorena Grisi, Catharina Azevedo e Marciel Cordeiro, espraiam-se peculiares e instigantes cenários da vida. O filme russo “A Febre de Petrov” ganha olhares especiais na análise de Guilherme Preger. Os atentos olhares de Sandro Ornellas sondam as alamedas de “Danny”, livro de Maria Elvira Brito Campos. Todas essas vozes aqui reunidas, queridos leitores, são para celebrar 16 anos de estrada editorial. Eis a 149ª Leva!

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145ª Leva - 05/2021 Ciceroneando

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Ilustração: Paula de Aguiar

 

O agora longínquo ano de 2006 lançava as bases iniciais da nossa caminhada com a Diversos Afins. Àquela época, ainda se percebia certa efervescência em torno dos blogs pessoais de autores e artistas dos mais variados. Eram espaços que se propunham a exprimir conteúdos demarcadores de liberdade criativa e que também alimentavam trocas entre os seus articuladores. Por seu curso, havia um quê de incipiência nas redes sociais de então, pois estas não possuíam a pujança informacional e interativa de que hoje são as mais alvissareiras representantes. As possibilidades de leitura não desfrutavam ainda dos inúmeros aparatos tecnológicos tão típicos da era da mobilidade. Certamente, também não vivenciávamos ali o estado de hiperconexão ao qual estamos enredados no tempo presente. Uma vastidão de coisas se processou de lá para cá. Na seara eletrônica, vimos surgirem projetos editoriais de fôlego, envolvendo gente com garra suficiente para trilhar caminhos valiosos em torna da Literatura e das Artes. Testemunhamos um sem fim de autores e artistas se aproximando do nosso convívio, ofertando para a revista não somente a qualidade de sua potência criativa, seus textos e imagens, mas principalmente um rico diálogo de vida. Todos eles foram e são responsáveis pela Diversos Afins que construímos. Celebrar 15 anos de existência é lembrar travessias e encontros, todos eles movidos pelo encantamento em se percorrer as vias culturais. Nesse momento, nossa memória editorial evoca a pluralidade de vozes que por aqui compartilharam conosco a expressividade de suas visões de mundo. As veredas da arte são arrebatadoras quando nos propõem visitas a lugares outros, desarmados de certezas, dotados de irreverência, tomados pela beleza e também pela inquietude. O saldo do presente é imensurável aos olhos e sentidos, sendo que a gratidão se faz tamanha. A revista é verdadeira família edificada ao longo dos anos, gesto coletivo que engendra existências, gira mundos no mundo. E não seria possível nunca esquecer quão importantes são os laços estabelecidos e as pessoas que desejam seguir adiante conosco, viabilizando cenários de atuação em benefício de outras palavras e imagens mais. Nossa edição atual é dedicada à memória de Vicente Franz Cecim, escritor das paragens amazônicas que em muitas ocasiões descortinou andanças míticas e especiais entre nós. Assim, chegamos a 145 levas pensando um menu de arroubos de vida. E no traçado poético de tal celebração, estão presentes agora os versos de Roberta Tostes Daniel, Gabrielle Dal Molin, Jéssica Iancoski, Constança Guimarães e Sílvia Barros. Numa entrevista bastante especial, o poeta capixaba Jorge Elias Neto acentua aspectos importantes sobre o seu modo de pensar a Literatura e a contemporaneidade. São de Sandro Ornellas as impressões atentas sobre “Pulsares”, livro da poeta Lílian Almeida. Desbravando novos territórios sonoros, contamos com a resenha de Larissa Mendes para o disco “Lonjura”, do cantor e compositor pernambucano Juvenil Silva. Adentram conosco os bem elaborados nichos da prosa os contos de André Mitidieri, Adriano B. Espíndola Santos e Marcus Vinícius Rodrigues. Com suas escolhas sempre aguçadas, Guilherme Preger traz à baila o seu olhar para “Druk”, longa dinamarquês que ousa tocar em delicados pontos da condição humana. Com riqueza habitual de detalhes, Gustavo Rios mergulha habilmente no universo de “Riviera”, romance de Rodrigo Melo. Como é de costume em todas as nossas edições, as artes visuais tomam conta dos recantos da nossa leva de aniversário. Desta feita, estão conosco as poéticas ilustrações de Paula de Aguiar, contemplando nossos espaços com seu peculiar olhar sobre a vida. E assim debutamos na estrada cultural desejando que, mais uma vez, nossos leitores sejam abraçados pelos diálogos aqui propostos. Bons mergulhos a todos!

 

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137ª Leva - 04/2020 Ciceroneando

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“Diálogo”: Claudio Parreira

 

Eis que a Diversos Afins completa 14 anos de existência. De lá para cá, navegamos muitas águas, movidos sempre pelos atrativos da palavra e da imagem. Acostumamo-nos ao flerte constante com todas as possibilidades narrativas que dialogam com nosso projeto editorial. Por ser um território difusor de expressões do pensamento através da arte, a revista tem logrado êxito porque, acima de tudo, conseguiu fomentar encontros. Sempre é bom lembrar que, por trás de cada colaboração presente em nossas páginas e galerias, há rostos que subscrevem suas criações, gente de carne e osso que nos conduz pelas alamedas de suas obras. A riqueza maior do nosso trabalho tem sido a construção de uma valiosa memória coletiva de textos e imagens, todos eles tributários de diversos segmentos culturais, tais como a literatura, o cinema, o teatro, a música e as artes visuais. Desde a fundação da revista, em 2006, um grande e plural acervo foi sendo construído e contempla, ao fim e ao cabo, registros de tempos, de movimentos internos dos escritores e artistas que foram sendo expostos voluntariamente ao longo dos anos. Todo o conjunto de publicações advoga pela defesa incontestável da manifestação do pensamento através da criação artística, e é sempre bom reafirmar isso, ainda mais no momento em que vivemos, o qual traz consigo a energia de algum obscurantismo a tentar nos devassar. De todo modo, não cederemos ao ideário de destruição que, por exemplo, teima em dinamitar o campo cultural brasileiro. Seguir adiante é mais do que resistir, significa exaltar vidas, mostrar que cada uma delas tem algo a nos dizer. Por isso, seguimos, prestando atenção nas vozes que se aproximam. E o momento traz até nós os poemas de gente como Ricardo Thadeu, Elizabeth Hazin, Galvanda Galvão, Wesley Peres e Ângela Coradini. É especial a entrevista que Sérgio Tavares fez com a escritora Ana Paula Lisboa, cujo pensamento nos instiga a refletir sobre demandas urgentes de nosso tempo, como é o caso do racismo. Girando no nosso Gramofone, está “Cinzento”, o novo disco de Marcos Valle pelas impressões de Pérola Mathias. Nas linhas de Geraldo Lima, uma leitura para “Cinevertigem”, livro de Ricardo Soares. Nossos cadernos de prosa, são embalados pelas narrativas de Jonatan Magella, Maria Lutterbach e Aleilton Fonseca. Com todo seu apreço pela sétima arte, Guilherme Preger nos brinda com uma atenta análise sobre o filme brasileiro “Piedade”, do diretor Claudio Assis. Nas reflexões de Gabriel Morais Medeiros, a temática da necrocidade perpassa a poesia contemporânea. São as colagens digitais de Claudio Parreira que, com o brilhantismo das inquietações, povoam todos os recantos de nossa nova jornada editorial. Dedicamos a 137ª Leva a todos aqueles que tiveram suas vidas ceifadas pela covid-19, pois para nós essas existências jamais serão meras estatísticas. Nosso muito obrigado a todos os leitores e colaboradores das mais distintas eras. Salve!

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132ª Leva - 04/2019 Ciceroneando

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Foto: Luiz Bhering

 

Numa recompensadora jornada que sabe a encontros, leituras e expressões da palavra e da imagem, a Diversos Afins completa 13 anos de existência. Poderia ser um mero marco temporal e numérico, não fosse o impacto grandioso que o conteúdo veiculado em nossas páginas e cadernos produziu. Todo esse conjunto de realizações virou realidade a partir da extensa colaboração de autores e artistas das mais variadas vertentes. Desde a sua fundação, em 2006, a revista vem experimentando cenários múltiplos de potência criativa. Com o decorrer do tempo, inúmeras vozes ajudaram a consolidar um projeto que sempre visou divulgar expressões culturais que tivessem como marca fundamental o transitar sensível pelos enlaces de nossas humanidades. Daí, as descobertas, revelações e surpresas foram se manifestando ao longo do caminho, trazendo até nossas levas o gosto perene do aprendizado. O ideal de diversidade pretendido e alcançado é um dos pontos de êxito da revista e, a cada edição que surge, a certeza de que contemplamos vozes peculiares e singulares vai se consolidando. Estar em permanente contato com criadores e suas produções renova a perspectiva do aprendizado com o engenho editorial, pois nos faz prestar especial atenção para todo um universo não apenas de obras, mas, principalmente, de construção e representação de subjetividades. Por trás do artista ou escritor, há o sujeito, com suas experiências, repertórios de vida, modos de pensar, idiossincrasias, sua bagagem identitária e, o que é melhor, sua verdade pessoal, esta última forjada pelo ato impreciso de existir. A identidade editorial da revista contempla também o exercício da resistência na medida em que viabiliza espaços para novos autores e para aqueles que margeiam o chamado mainstream. E falar do exercício de uma resistência implica também em assinalar a presença de vozes minoritárias marcadas tradicionalmente por pressões de apagamento e exclusão, as quais veem na literatura e nas artes uma ferramenta inalienável de sobrevivência das suas subjetividades. Aliás, o próprio ímpeto de tocar a Diversos Afins adiante pode ser tomado como um ato de resistência na medida em que territórios humanos visitados desacomodam expectativas desbotadas. Assim, cada leva aqui delineada serve de impulso para celebrar os encontros servidos a palavras e imagens, gente que se aproxima e nos ajuda a pavimentar as veredas culturais. Pensando nas aproximações humanas do presente, é, por exemplo, o caso da escritora Rita Santana, poeta cuja entrevista revela a potência feminina de uma criadora em estado constante de poesia e enfrentamentos diante dos desafios do viver. Tomados por ventos provocadores dos sentidos, vemos também agora circular entre nós os versos de Alberto Bresciani, Bruna Mitrano, Stefano Calgaro, André Merez e Mell Renault. Relatando sua experiência à frente do Projeto Profundanças, a poeta e performer Daniela Galdino faz um breve balanço do coletivo que privilegia a produção artístico-literária de mulheres das mais distintas regiões do Brasil. Mantendo uma pertinente assiduidade de questionamentos que transitam entre o social e o político, Guilherme Preger discorre sobre o instigante filme brasileiro No Coração do Mundo. No conto inédito de Sérgio Tavares, o denso e provocativo retrato de uma nação e seus equívocos. W.J. Solha comenta o impacto do livro de contos Espantos para uso diário, de Mário Baggio. Na prosa de Ana Blue, corre solta a ironia que recobre nossos movimentos cotidianos. No caderno de música, Wilfredo Lessa Jr. se depara com o resultado de suas escutas para Jesus Is King, novo e emblemático disco do rapper Kanye West. É Geraldo Lima quem nos conduz pelas incursões narrativas contidas no mais novo livro de Lima Trindade, o romance As margens do paraíso. E coroados estão todos os recantos da nossa edição de aniversário com as fotografias de Luiz Bhering, artista que percebe sentido em cada território sobre o qual seu olhar repousa. Dedicada a todos os nossos colaboradores e leitores das nossas mais distintas eras, eis a 132ª Leva!

 

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92ª Leva - 06/2014 Ciceroneando

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Foto: Luiz Navarro

Um tempo que gira sem parar. E cada instante desfrutado tem a capacidade de se manter perene quando as experiências vividas são assimiladas com certa dose de leveza. Mesmo sabendo que frequentemente somos tomados por visões que nos desafiam, ainda assim cabe perceber tudo com serenidade. São bons combates aqueles que travamos na busca pelas palavras. São dignos combates os que mantemos na construção de imagens que representam o mundo em que vivemos. Nos últimos anos, autores e artistas variados fizeram da nossa revista um espaço de convergência de sentimentos de mundo. É como se precisássemos de suas vozes para atestarmos que todos estamos amalgamados pelas mesmas razões. E quando a revelação vem, entendemos que a arte é, sobretudo, uma forma de ultrapassarmos as barreiras dos mistérios. Talvez por isso o ato de criar seja um duradouro processo de reconhecimento não somente daquilo que vislumbramos alcançar, mas também do que nunca dissemos conscientemente a nós mesmos. Há um casamento de particularidades do ponto de vista de quem cria e quem recepciona as obras produzidas. Nesse movimento de dupla via, o grande efeito é supor o que o outro não pensou. É transpor barreiras de interpretação até mesmo como se uma nova obra surgisse a partir do que originalmente nos foi apresentado. Enquanto a tradição nos dá referências, a intuição, somada a nossas revoluções internas, redimensiona nossas percepções sobre as coisas. Assim, vamos tecendo um longo e imprevisível caminho de descobertas, cuja marca maior está sustentada no desejo de conceber a arte como um verdadeiro movimento de autoconhecimento.  Hoje, ao celebrarmos oito anos da Diversos Afins, sentimos que permanece bem vivo o propósito de fazer da revista um território efetivo de aproximações. Seguindo esse fluxo, novos criadores fazem da 92ª Leva seu habitat natural. Gente como o amazonense Luiz Navarro, que com suas fotografias põe em evidência as faces ignoradas de um mundo. Dentro das janelas poéticas aqui apresentadas, vigoram os versos de Regina Azevedo, Paulo Sérgio Lima, Carla Diacov, Inês Monguilhott e Carlos Barbarito. Compartilhando as marcas de sua vivência literária, o editor e poeta Gustavo Felicíssimo é o nosso entrevistado de então. No Aperitivo da Palavra, o livro de Lima Trindade é objeto da leitura sensível e atenta de Sérgio Tavares. O escritor Geraldo Lima celebra o teatro de Ariano Suassuna. Com sua devoção à sétima arte, Larissa Mendes nos conduz até o mais novo filme do diretor espanhol David Trueba. Nos ambientes da prosa, Andréia Carvalho, Lima Trindade e Márcia Barbieri desfilam as densas narrativas de seus contos ante nossos sentidos. Das paragens goianas, o rock lisérgico da banda Boogarins exibe seus acordes em nosso Gramofone. Aos nossos leitores e colaboradores de todas as eras, dedicamos mais uma especial edição. Boas leituras!

 

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