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76ª Leva - 02/2013 Janelas Poéticas

Janela Poética IV

Karinne Santiago

 

Foto: Silvio Crisóstomo

 

As nuvens redesenham o azul

 

a poesia
lambe minha cara
engole a vergonha
e despe a alma
sem espelhos

as cicatrizes
são marcas
do que não me partiu (…)

feriu
em golpes mestres (…)

ou me pariu
num gozo de estrelas (…)

a sobra camufla a falta

não condecoro a dor
aos meus vazios
janela e ventania

 

 

***

 

 

(in)verso da metáfora

 

sua língua
segredo que dissipa
palavras em paladares
antigo diálogo amante

verbos complacentes
ordens sem imperativos
diminutivos ais

ditos sem rima
reinscrevo a estrofe
quando deita em mim
o mote

sou o (in)verso
da metáfora.

 

 

***

 

 

arremato
minha solidão a sua

alinhavo vazios

moldo minha pele
no contorno dos seus braços
dobro o tempo e amasso

ajusto o amor
espeto o dedo
esqueço que esgarça

 

 

***

 

 

não aceitam devolução

 

inexato
traço no lábio
ensaio
esboço de riso

quebrou o grafite
nasceu torto
no rosto

inacabado

porém
expressivo

o riso torto

 

 

(Karinne Santiago é sergipana, mãe de um menino descabelado, poeta e psicóloga. Escreve em redes sociais e em seus blogues: Poeticaria e Poesia Veneno antimonotonia, como colaboradora no Poesia: Falsidade Ideológica. Atualmente, envolvida no projeto de poesia infantil onde convida outros poetas a se aventurarem no universo lúdico das palavras)