Helena Terra

Imperfeito do subjuntivo
Tomasse eu o seu eco,
nua ao som do seu corpo,
espalharia por sua saliva
a ferida presa aos meus lábios.
Tomasse você
o que se esconde
sob os meus olhos fechados,
perceberia os cacos do amor inutilizado
e o quanto guardava esperanças
o indefinido retrato.
***
Parapeito
Na inevitabilidade
da memória
não há reparo.
O parapeito
do desejo é
como um cárcere
cimentado
em desmedida
solidão.
***
A condição indestrutível de ter sido
Arranca do interior
a pele do meu livro,
escrita inconstante de um silêncio
incerto como os movimentos de meu corpo,
como as cápsulas guardiãs
dos mitos e dos suspiros,
das linhas que não ultrapassam e
não respiram
a condição indestrutível de ter sido
por alguém
um amor perdido.
(Helena Terra Camargo é jornalista e escritora. Nasceu em Vacaria, mas mora em Porto Alegre. Participou da Oficina de Criação Literária ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil (com publicação na coletânea Contos de Oficina 23) e participa dos seminários de criação literária de Léa Masina. Participa do blog Falsidade Ideológica e administra o blog coletivo Mínimo Ajuste)