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92ª Leva - 06/2014 Ciceroneando

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Foto: Luiz Navarro

Um tempo que gira sem parar. E cada instante desfrutado tem a capacidade de se manter perene quando as experiências vividas são assimiladas com certa dose de leveza. Mesmo sabendo que frequentemente somos tomados por visões que nos desafiam, ainda assim cabe perceber tudo com serenidade. São bons combates aqueles que travamos na busca pelas palavras. São dignos combates os que mantemos na construção de imagens que representam o mundo em que vivemos. Nos últimos anos, autores e artistas variados fizeram da nossa revista um espaço de convergência de sentimentos de mundo. É como se precisássemos de suas vozes para atestarmos que todos estamos amalgamados pelas mesmas razões. E quando a revelação vem, entendemos que a arte é, sobretudo, uma forma de ultrapassarmos as barreiras dos mistérios. Talvez por isso o ato de criar seja um duradouro processo de reconhecimento não somente daquilo que vislumbramos alcançar, mas também do que nunca dissemos conscientemente a nós mesmos. Há um casamento de particularidades do ponto de vista de quem cria e quem recepciona as obras produzidas. Nesse movimento de dupla via, o grande efeito é supor o que o outro não pensou. É transpor barreiras de interpretação até mesmo como se uma nova obra surgisse a partir do que originalmente nos foi apresentado. Enquanto a tradição nos dá referências, a intuição, somada a nossas revoluções internas, redimensiona nossas percepções sobre as coisas. Assim, vamos tecendo um longo e imprevisível caminho de descobertas, cuja marca maior está sustentada no desejo de conceber a arte como um verdadeiro movimento de autoconhecimento.  Hoje, ao celebrarmos oito anos da Diversos Afins, sentimos que permanece bem vivo o propósito de fazer da revista um território efetivo de aproximações. Seguindo esse fluxo, novos criadores fazem da 92ª Leva seu habitat natural. Gente como o amazonense Luiz Navarro, que com suas fotografias põe em evidência as faces ignoradas de um mundo. Dentro das janelas poéticas aqui apresentadas, vigoram os versos de Regina Azevedo, Paulo Sérgio Lima, Carla Diacov, Inês Monguilhott e Carlos Barbarito. Compartilhando as marcas de sua vivência literária, o editor e poeta Gustavo Felicíssimo é o nosso entrevistado de então. No Aperitivo da Palavra, o livro de Lima Trindade é objeto da leitura sensível e atenta de Sérgio Tavares. O escritor Geraldo Lima celebra o teatro de Ariano Suassuna. Com sua devoção à sétima arte, Larissa Mendes nos conduz até o mais novo filme do diretor espanhol David Trueba. Nos ambientes da prosa, Andréia Carvalho, Lima Trindade e Márcia Barbieri desfilam as densas narrativas de seus contos ante nossos sentidos. Das paragens goianas, o rock lisérgico da banda Boogarins exibe seus acordes em nosso Gramofone. Aos nossos leitores e colaboradores de todas as eras, dedicamos mais uma especial edição. Boas leituras!

 

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91ª Leva - 05/2014 Ciceroneando

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Arte: Marcantonio

 

Com o tempo, fica a marcante impressão de que as coisas precisam seguir um curso natural, sem a geração de expectativas demasiadamente projetadas. Vontades existem, isso é fato inegável, mas o bom mesmo é fazer delas uma peça favorável à instigante engrenagem das descobertas até mesmo involuntárias. Em que medida a palavra resistência pode representar o principal mote dos caminhos que norteiam a Diversos Afins? De modo especial, o convívio e, por conseguinte, o aprendizado estabelecido com as pessoas que se aproximam de nosso projeto à frente da revista torna a trajetória um tanto mais serena. A busca pela qualidade é uma meta editorial que não sofre os efeitos de regramentos limitadores da criação. Entendemos que critérios pautados no bom senso, razoabilidade e, sobretudo, sensibilidade são definitivamente aspectos fundamentais em nossa jornada de pesquisa e seleção de materiais publicáveis. E é sempre bom frisar que, nesse ponto, o apego a verdades universais nada contribui para que novos diálogos se consolidem. Então, é preciso rechaçar a imutabilidade do pensamento, principalmente quando ela impede que o entendimento sobre os fenômenos que nos cercam possa se efetivar. Talvez aqui o termo resistência possa ser empregado, tendo em vista a importância de combatermos a mediocridade do pensamento. Sem dúvida alguma, o grande lado benéfico dessa reflexão é sustentar a amplitude da busca pela diversidade sem perdermos os referenciais indispensáveis a uma adequada análise e difusão dos conteúdos. O comprometimento maior que se opera a cada nova publicação está na perspectiva de estreitar laços entre criadores e o público almejado. A partir do momento em que uma obra se lança ao mundo, já não é mais a mesma, pois seus leitores e apreciadores, com suas esferas interpretativas próprias e quiçá singulares, conferem a ela um status de renovação sem a perda do seu ímpeto originário. Nesse exercício permanente e dinâmico de aglutinações, traçamos percursos dotados de certa autonomia quando, por exemplo, contemplamos e também internalizamos as sensações tidas a partir da expressão de Marcantonio, artista que expõe entre nós a espinha dorsal de sua epifania mundana. Compartilhando também desse sentimento libertário, apreendemos as vivências poéticas de gente como Juliana Krapp, Dheyne de Souza, Zeh Gustavo, Madjer de Souza Pontes, Winston Morales Chavarro e Pedro Du Bois. Na entrevista com a escritora Helena Terra, os densos caminhos da palavra atravessam a vida de uma autora que veio fazer morada entre nós. Na seara da música, o mais recente disco dos pernambucanos da Nação Zumbi vira alvo dos apontamentos de Larissa Mendes. Os diferentes modos de usar a vida enredam os contos de Paulo Bono, Thays Berbe e Mariza Lourenço. O mais novo livro do poeta Zeh Gustavo é tema das precisas observações de Leonardo D’Avila. No caderno de cinema, todas as atenções estão voltadas para o intenso Tatuagem, filme dirigido por Hilton Lacerda. O espírito reinante na Leva que agora surge rende homenagens ao saudoso escritor e parceiro Nilto Maciel, autor que dedicou imensa parte de sua vida à sua cumplicidade com as palavras. Com ele, aprendemos, dentre outras coisas, a cultivar a continuidade dos caminhos editoriais. Assim, fundamos mais uma especial edição.

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90ª Leva - 04/2014 Ciceroneando

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Foto: Nathalia Bertazi

 

E pensar que o silêncio é sempre o misterioso senhor a preceder o verbo. Há, por certo, uma carga emblemática nesse intervalo que sugere a criação. Muitas revoluções se processam no interior de quem gesta tanto palavras quanto imagens. Antes que tudo venha à tona, um primeiro estado das coisas emerge enquanto matéria bruta a ser lapidada. Para um autor, nunca é demais fazer operar estágios revisionais de seu pensamento, sobretudo quando está envolto pelo manto da chamada angústia da criação. Nela, ele descobre que deve tentar extrair o máximo de sua possibilidade de visualizar cenários. É algo que se assemelha também a um estado de alerta, no qual aquele mesmo criador tenta, ao máximo, afugentar certezas traiçoeiras. Sendo assim, aquele que se julga pronto é fatalmente trapaceado pelo falsear do tempo. Do mesmo modo, a tentativa, até certo ponto exasperada, de se erguer uma obra monumental também retira de muita gente a capacidade de trilhar os caminhos da naturalidade. E tanto as vias literárias como as da arte necessitam de uma entrega espontânea e pouco projetada das rotas a seguir. Isso não significa suprimir o desejo de se imaginar numa esfera futura da criação, mas apenas conter o ímpeto limitador de alguns devaneios que furtam a mínima noção da existência complexa de um mundo circundante. Tanto no que diz respeito à poesia quanto à fotografia, a obra de um autor como Ozias Filho vem retomar a noção do silêncio à qual nos referimos na introdução destas breves reflexões. E são dois os momentos em que Ozias nos oferta caminhos de compreensão sobre o tema: numa entrevista e nas leituras de alguns de seus poemas agora aqui publicados. Seguindo os novos ventos poéticos instaurados, lemos também Rosane Carneiro, Seh M. Pereira, Fernanda Fatureto, Márcia Abath e Susana Szwarc. No caderno de cinema, Guilherme Preger assume a complexa tarefa de expelir suas impressões a respeito de “Ninfomaníaca”, novo filme do polêmico cineasta dinamarquês Lars von Trier. Múltiplos recortes da existência também vêm se juntar aos contos de Nelson Alexandre, Lisa Alves e Maria Balé. Num convite à leitura, Sérgio Tavares demarca suas impressões sobre “Não Muito”, primeiro romance de Bolívar Torres. O mais recente disco do cantor e compositor SILVA é alvo das pormenorizadas escutas de Larissa Mendes. Pontuando todos os espaços dessa nova edição, o caráter sublime das fotografias de Nathalia Bertazi fala de amplitudes e convergências. Que o produto da criação seja sempre um revelador de espantos e descobertas, caros leitores! A todos, uma 90ª experiência de percepções.

 

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89ª Leva - 03/2014 Ciceroneando

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Arte: Leonardo Mathias

 

De quantas faces é feito um coletivo de expressões? Eis um questionamento sempre complexo de se responder. Tendo em vista o universo particular e significativo que brota de cada indivíduo, poderíamos dizer que uma edição de uma revista como a Diversos Afins é, na verdade, um inventário de vestígios. Nesse processo todo, talvez o que seja mais difícil de projetar é o corpo definitivo das criações, ou seja, a maneira pela qual as vozes se orquestrarão rumo a um sentido final e amalgamado. Como a arte é uma eterna equação sem soluções exatas, cabe-nos sempre a tentativa de harmonizar as diversidades de pensamento que permeiam o mosaico de autores publicados. Assim, pesquisamos, pensamos, idealizamos e, sobretudo, acolhemos aquilo que vislumbramos ser o componente imprescindível de um organismo vivo que é a cultura. O estímulo necessário para a continuidade vem do entendimento tanto de autores quanto dos leitores. Aqui, entendimento significa compreensão dos caminhos e propósitos que norteiam nosso trabalho, isto é, um conjunto de características que consolidam cada vez mais uma identidade para a revista. E mais gente vem se juntar a esse solo comum de andanças. É o caso de Leonardo Mathias que, com o vigor significante de suas entrelinhas poéticas, compartilha conosco uma exposição de seus desenhos e ilustrações. No compasso do mistério que permeia a vida, nossas janelas de versos abrem seus compartimentos para que ecoem as palavras de Leandro Rafael Perez, Marcelo Ariel, Vanessa Carvalho, Luiz Brener, Adriana Aleixo e Luís Filipe Marinheiro. Numa conversa sobre poesia, a escritora Clarissa Macedo entrevista a poeta peruana May Rivas de la Vega.  Num resgate sonoro, Rogério Coutinho escreve sobre um dos discos solo do ex-mutante Arnaldo Baptista. Nos Dedos de Prosa, toda a particularidade narrativa dos contos de Maurício de Almeida, Tere Tavares e Abilio Pacheco. O escritor Luis Benítez esboça um breve panorama da poesia argentina contemporânea. No território da sétima arte, Larissa Mendes anota suas impressões sobre a mais recente produção dos irmãos Coen. Conduzida por novos ímpetos, a 89ª Leva movimenta outros tantos verbos, sentidos e imagens. Mais uma vez, seja bem-vindo, caro leitor!

 

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88ª Leva - 02/2014 Ciceroneando

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Foto: Ozias Filho

 

Caminhar com o tempo, e não ao largo dele. Sentir o vento investir em nossos rostos suas rajadas sem rumo. Entender tudo o que nos cerca com um sentimento de dinamismo e alguma ponta de mistério. Entre passados inalteráveis e futuros projetados, melhor ficarmos com o que agora explode diante de nossos olhos vacilantes. Fora do presente, tudo são instantes em suspensão, emoldurados no coágulo de eras internas. O tempo que nos rege é inquilino assaz de nossos silêncios, um sorrateiro habitante das entranhas que nos são caras e indomáveis. O novo, falseando a mutabilidade das coisas, usa máscaras para sair às ruas. Acaso existirá o ainda não-dito? Sempre fomos os mesmos por mais sedutoras que possam parecer as transformações mundanas? Perguntar ou responder mais? E quanto ao exercício das escutas, o que fazer? Ao passo que nos achamos pretensamente munidos de certezas, percebemos o quão frágil é nossa espinha dorsal. Subliminarmente e em doses terapêuticas, vamos provando o gosto indefinido de tudo aquilo que não temos domínio aparente. Será o invisível que nos impele? Ante tamanhas indagações, é preferível viver em suspensão, supondo ritmos próprios e não profetizando auroras. Assim, testemunhando o curso imprevisível da existência, compartilhamos da mesma substância que impregna a arte do fotógrafo Ozias Filho, cujas imagens curvam-se diante do ritual indomável das horas. Nessa mesma trajetória de mistérios, as janelas poéticas de Tadeu Renato, Ana Peluso, Caco Pontes e Vagner Muniz convergem em densidade. Revivendo uma porção fundamental do legado do cineasta Eduardo Coutinho, a jornalista Claudia Rangel fala sobre o documentário Jogo de Cena. Numa aproximação com a ótica de Jorge Luis Borges, o escritor Anderson Fonseca caminha filosoficamente pelas complexas apreensões do nome de Deus. A entrevista com a escritora Ana Peluso traça painéis em torno do intricado mundo das palavras. Cenários difusos de vida compõem as estruturas narrativas dos contos de Isabela Penov, Alberto Pucheu e Sérgio Tavares. O poeta Gustavo Felicíssimo discorre sobre a crônica em consonância com a obra de José Saramago. Os olhos apaixonadamente cinéfilos de Larissa Mendes voltam suas atenções para a odisseia familiar do longa Nebraska. Somos todos ouvidos ao mais novo álbum da banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico. Assim, o contar do tempo nos fala de 88 Levas vividas. E, a cada edição que surge, permanece a sensação de que olhamos tudo como se fosse a primeira vez. Que você, caro leitor, também possa desfrutar de tal perspectiva!

 

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87ª Leva - 01/2014 Ciceroneando

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Ilustração: Vera Lluch

A primeira Leva de 2014 assinala a reunião de novos personagens ao redor da mesa que partilha os feitos culturais. Como não poderia deixar de ser, a busca por outros atores que movem o surpreendente mundo das palavras e imagens é tarefa das mais complexas, porém jamais algo desanimadora. À medida que nos aproximamos de artistas e autores das mais variadas orientações, percebemos que as possibilidades de diálogos formam um rico painel de renovação. Nesse intervalo, pensamos caminhos, tentando promover um frequente exercício de escutas. Todo esse trajeto remonta a mergulhos necessários no microuniverso contido em cada voz que tenciona estar conosco desfrutando dos anseios comuns da arte. Sem as diferenças trazidas pelas peculiaridades de cada um, não seria possível vislumbrar um painel de diversidade pretendido desde sempre pela revista. É justamente através dos traços da individualidade que cada autor encontra morada no meio de nós. Sendo assim, é impensável tencionarmos qualquer espécie de avaliação preliminar das expressões que dê força a aspectos meramente objetivos. Pelo contrário, interessa-nos perceber o quão estimuladoras e sensíveis podem ser as criações, sobretudo que tipo de aproximação efetiva elas podem gerar junto aos leitores. Arte e palavra precisam muito mais do que uma couraça hermética e superficial a lhes adornar a face. Necessitam de alma, de algo que faça parte de um universo notadamente amplo de apreensões. Daí não ser nada fácil tentar definir o comportamento imprevisível da subjetividade.  Autores como Carina Castro, Ana Elisa Ribeiro, Danilo Gusmão, Fernanda Pacheco, Caio Carmacho e Beatriz Bajo, que por aqui desfilam agora seus versos, são a prova viva dessa jornada rumo a outras paragens literárias possíveis. Em meio a estes e outros verbos dispersos nesta edição, as ilustrações de Vera Lluch inundam com sua vastidão de cenários os espaços habitáveis pela sensibilidade. No terreno dos contos, Mariel Reis, Jorge Mendes e Larissa Mendes nos apresentam suas visões particulares de mundo. Numa entrevista, a cantora Selmma Carvalho fala sobre o seu novo disco e de como o tempo tem sido seu aliado na evolução da carreira. O escritor Sérgio Tavares apresenta suas impressões sobre “A condição indestrutível de ter sido”, primeiro romance de Helena Terra. O mais novo disco da banda carioca Tono roda em nosso Gramofone. Em mais uma de suas investidas cinéfilas, Larissa Mendes percorre as vias da produção “Her”. O ano que se inicia reafirma os impulsos editoriais da Diversos Afins, cuja missão maior é a de promover encontros. Que você, caro leitor, possa trilhar conosco mais uma caminhada pelos ventos da arte e da literatura. Boas leituras!

 

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86ª Leva - 12/2013 Ciceroneando

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Foto: Bruno Kepper

 

Na transição de um ano para outro, é inevitável a feitura de algumas reflexões. No caso da Diversos Afins, não poderia ser diferente, tendo em vista a grande quantidade de pessoas que caminham por aqui traçando as linhas de suas mais difusas expressões artísticas. De novos a experientes, não foram poucos os autores que compartilharam conosco suas visões de mundo. Seja na construção de palavras, seja na composição e concepção de imagens, vislumbrou-se muito além do que um mero exercício do ato de criar. O que cada um traz em si é a tal perspectiva de despertar em nós lugares adormecidos ou ofuscados pela névoa dos dias. E é tão significativo quando um criador nos surpreende com viagens a espaços inimagináveis e nunca dantes habitados. Por vezes, a racionalidade excessiva ofusca-nos a possibilidade de darmos força aos rumos mais promissores da subjetividade, afastando-nos do mergulho no lago íntimo das coisas que são deveras especiais. Nesse sentido, a arte e a literatura são capazes de nos resgatar do marasmo encerrado na rotina aborrecida do mundo, promovendo encontros e engendrando vias diferenciadas de percepção. Com o findar de 2013, um ciclo importante de publicações se completa e a busca por outros caminhos se torna verdadeiro desafio. A edição atual corrobora com tal sentimento ao procurar mesclar um conjunto de vozes expressivas da seara cultural. Em toda a sua extensão, a 86ª Leva aparece entrecortada pelas imagens do fotógrafo Bruno Kepper, jovem artista que nos apresenta seu traço de leveza ante os densos contornos propostos pela vida. Saberemos também um pouco sobre histórias que nos atravessam ao pisarmos o solo dos contos de Anderson Fonseca, Yara Camillo e Pedro Costa Reis. As paisagens poéticas de Leonardo Mathias, Lou Vilela, Inês Monguilhott, Nydia Bonetti e Marília Miranda Lopes evocam odisseias intimistas. O escritor Marcos Pasche traz à tona algumas observações sobre as Novas Cartas Chilenas de José Paulo Paes. Rogério Coutinho celebra escutas em torno do primeiro disco de , Rodrix e Guarabyra. O olhar inquietante do fotógrafo Silvio Crisóstomo é tema de uma virtuosa entrevista. Larissa Mendes aposta suas fichas em “A Grande Beleza”, novo filme do diretor Paolo Sorrentino. O poeta Jorge Elias Neto reflete sobre alguns lampejos da pós-modernidade. Tomados pelo sentimento de continuidade dos percursos, compartilhamos com você, querido leitor, essa celebração de vida. Que em 2014 outras tantas alamedas se configurem sólidas. Boas leituras!

 

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83ª Leva - 09/2013 Aperitivo da Palavra

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Ilustração: Denise Scaramai

 

Não há dúvida de que os caminhos da liberdade são os mais caros que possuímos. Diante de possibilidades infindas, dar um norte às escolhas pode representar uma posterior celebração de acertos. Com o tempo, vamos aprendendo que não há respostas para tudo o que supomos essencial em nossa trajetória pela vida. E a arte, de um modo geral, vem nos lembrar isso, tendo em vista que seus personagens frequentemente vestem o manto do insondável. Se o fluxo constante de indagações faz par com a existência, bem sabemos que dessa estreita relação surgem cada vez menos certezas.  Assim, rumamos ao desconhecido, vivenciando um status de deriva que escamoteia alguns vestígios, principalmente se a busca encerra alguma tentativa de retornarmos ao ponto de partida. No conjunto editorial que intenta harmonizar imagens e palavras, recepcionamos vozes de diferentes mundos, todas elas a ecoarem seu canto de vida. A julgar pela proposta contida nos trabalhos da artista plástica Denise Scaramai, temos a sensação de que as virtudes advindas da liberdade conduzem melhor nossos sentidos e percepções.  Tomados por essa atmosfera de cenários ricos em singularidade, testemunhamos os versos de autores como Diego Callazans, Mariana Ianelli, Wilson Nanini, Natacha Santiago e L. Rafael Nolli.  Partilhando de um ritual de mistérios e revelações, o poeta Edson Bueno de Camargo é o entrevistado da vez, conversa que, além de abordar aspectos relevantes de sua obra, nos mostra um autor devidamente engajado com as questões afeitas ao pantanoso terreno da literatura. O escritor Sérgio Tavares mostra sua leitura para o coletivo de contos “82 – Uma Copa l Quinze Histórias”. Larissa Mendes comenta o mais novo filme da diretora Sofia Coppola. No trajeto que redimensiona cenários de vida, nos deparamos com os contos de Mayrant Gallo, Airton Uchoa Neto e José Pedro Carvalho. Na segunda e última parte de seu percurso pela história do Teatro, Fernando Marques arremata suas considerações sobre o livro de Margot Berthold. Também por aqui, toda a leveza presente no segundo disco solo do guitarrista Rodrigo Bezerra. Com a sede por novas vias, uma 83ª Leva nasce primando pelo sentimento de que continuar é algo imperativo.

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81ª Leva - 07/2013 Ciceroneando

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Ilustração: Mario Baratta

 

Passadas as celebrações de 7 anos da revista, um questionamento se faz presente: quais expectativas nutrimos em relação ao que está por vir? Por mais que projetemos o futuro de nossas ações da forma mais positiva possível, nada terá mais sentido do que valorarmos o que nos acontece por agora. Mesmo sabendo que uma boa espera governa os objetivos dum amanhã, estamos certos de que a poética dos bons encontros e descobertas atua a cada instante. É, por exemplo, o que vislumbramos quando organizamos uma nova edição em meio às perspectivas criadas pela exposição dos trabalhos de Mario Baratta, artista que nos cativa pela singularidade e simplicidade de seus registros. Suas ilustrações, por sua vez, estruturam pontes de diálogo com os versos de Iolanda Costa, Elizabeth Hazin, Alberto Lins Caldas, Mônica Mello e João Urubu. Noutro ponto dessa jornada, há também a interação das imagens com as prosas de Lizziane Negromonte Azevedo, Rosa Pena e Tere Tavares. Para falar um pouco sobre outras especiais e poéticas dimensões propiciadas pela fotografia, entrevistamos Peterson Azevedo. Sob os olhares atentos de Guilherme Preger, testemunhamos as complexas reflexões do filme francês “Augustine”. O livro de poemas “Memórias de um hiperbóreo”, de Oleg Almeida, é objeto das sensíveis observações de Rejane Machado. Dentro do novo panorama da música brasileira, Larissa Mendes destaca os predicados de Vazio Tropical, mais recente disco do cantor e compositor Wado. A resenha de Luciana Oliveira percorre as vias obscuras de “Os encantos do sol”, segundo romance de Mayrant Gallo. E assim surge a 81ª Leva, marcada pelo ritual das esperas que se fazem algo concreto e palpável quando você, caro leitor, deitar olhos sobre tudo e conduzir as leituras a partir de seu lugar no mundo, condição esta que nos impulsiona adiante, rumo a uma saborosa sensação de misterioso devir. Evoé!

 

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80ª Leva - 06/2013 Ciceroneando

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Foto: Peterson Azevedo

 

 

Realizações e projeções fazem parte de qualquer trajetória. Não é diferente com o projeto levado a cabo pela Diversos Afins. Hoje, perfazer a marca de 80 Levas é uma conquista que se deve a inúmeros fatores. De todos eles, talvez a persistência, travestida em teimosia, seja um atributo mais adequado. São 7 anos de uma jornada trilhada especialmente pela reunião de desejos e expectativas harmonizadas em torno de um propósito: descobrir e propagar vozes. Durante esse tempo, chegamos à conclusão de que tudo aponta para um exercício de aprendizado constante. Certezas são questionadas e outras visões de mundo se apresentam. Atestar a qualidade desse ou daquele autor, tanto no terreno das palavras quanto no das imagens, não vem necessariamente de pontos de vista cristalizados. Sem deixar de lado os aspectos que robustecem, de fato, uma determinada obra, tentamos privilegiar o modo como ela pode ser interessante aos olhos dos leitores. É algo complexo de conduzir, mas a experiência tem demonstrado que temos conseguido aproximações importantes. Para quem edita, é recompensador, vez ou outra, ser surpreendido por alternativas diferenciadas de criação. O universo de colaboradores que estão dispersos por todas as edições da revista é nosso maior legado. Sem eles, não seria possível falar em continuidade. A Leva de agora é marcada pela reinvenção de territórios trazida pelos olhos do fotógrafo Peterson Azevedo. Em matéria de poesia, juntam-se a nós as expressões de Neuzamaria Kerner, Leonardo B., Ana Peluso, Edson Bueno de Camargo e Maria da Conceição Paranhos. Nossa sabatinada da vez, a poeta, atriz e professora Rita Santana, tem muito a dizer de suas andanças literárias e da sua lúcida condição de mulher. Os contos de Jorge Mendes, Márcia Denser e José Aloise Bahia chacoalham nossa zona de conforto. Em suas pesquisas musicais, Larissa Mendes descobre o disco do cantor e compositor Baia. O escritor Marcos Pasche nos convida a conhecer o novo livro do poeta cearense Assis Lima. Em meio ao panorama teatral de Brasília, Geraldo Lima destaca a trajetória do Grupo Cena. Noutro ponto, uma leitura para o aclamado “O Som ao redor”, filme de Kleber Mendonça Filho. Como todas as outras, essa edição comemorativa de aniversário celebra o desejo de se prolongar caminhos. É com muita alegria e disposição que agradecemos a todos, leitores e colaboradores, por nos ajudarem a construir essa história. Sejam sempre bem-vindos!

 

 

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