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154ª Leva - 02/2024 Ciceroneando

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Foto: Marcelo Leal

 

Cada edição que desponta no horizonte de nossa caminhada desperta sempre o gosto por ares renovados. São indicativos de que outras escutas seguem abertas e se fazem presentes. Tais inclinações nos levam a conhecer vozes do mundo cultural, subjetividades que, acima de tudo, projetam o desejo de uma existência quiçá mais plena, dado o componente de que provavelmente a arte seja, em suma, vetor de uma consciência mais ampla acerca do mundo e seus fenômenos. E não estamos aqui a falar somente da arte que intenta contemplações ou fruições estéticas das mais variadas, mas também aquela que é capaz de conectar seus protagonistas aos mais difusos anseios contemporâneos. Nesse sentido, cultura e sociedade são um par indissociável, deixando entrever desdobramentos de cunho social, político e econômico, para não mencionar outros aspectos plausíveis. É perceber que todos nós somos agentes de possibilidades vivas de transformação, condição esta que tem como ponto de partida o plano individual de cada sujeito, seu repertório pessoal. Quando essa dimensão particular se espraia na esfera pública, tomamos conhecimento do potencial que cada criador compartilha com o mundo externo. Por isso, ler, ver e sentir as obras é fundamental numa jornada como a da nossa revista, pois esse gesto revela descobertas e norteia direções que oxigenam os caminhos editoriais. É, então, com esse entusiasmo que acolhemos agora toda a expressividade marcante de poetas como Rita Santana, Karine Padilha, Luciana Moraes, Bianca Monteiro Garcia e Jussara Salazar. Nesta nova edição, somos visitados pelas fotografias de Marcelo Leal, numa exposição de imagens que remontam aos detalhes poéticos do mundo. No caderno de teatro, Vivian Pizzinga desfila todas as suas atentas impressões para a peça “A palavra que resta”. Por sua vez, Guilherme Preger traz análises importantes sobre o provocante filme “A Substância”. Com uma resenha sobre “O inquilino das horas”, livro do poeta Nílson Galvão, Maruzia Dultra nos convoca a expandirmos nossos territórios de leitura. Numa entrevista especialmente centrada em seu mais novo livro, o escritor Marcus Vinícius Rodrigues dialoga com Fabrício Brandão sobre seus processos criativos. Nos cadernos de prosa, os contos de Cecília Vieira e Rodrigo Melo denotam diversidades inventivas. O livro de poemas de Kátia Borges, “Dias amenos”, recebe os mergulhos valiosos de Sandro Ornellas. Como não poderia faltar, gira na agulha de nosso Gramofone o mais recente álbum do pianista Amaro Freitas, com um texto que revela as apreciações de Rogério Coutinho para esse importante trabalho do artista pernambucano. Eis a nossa 154ª Leva. Boas leituras e que venham instigantes ventos culturais em 2025!

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151ª Leva - 01/2023 Ciceroneando

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Ilustração: Viola Sellerino

 

Atravessar 2023, com o trilhar de seus dias, é matéria de continuidade da vida e dos feitos que aqui se entrecruzam. Gira a roda dos pensamentos assim como também o eco de todas as vozes a demarcar estradas que devem seguir adiante. Resultado de encontros não programados, a Diversos Afins vai bordando o tecido múltiplo das expressões, conjunto de uma obra viva que sempre demandará de todos nós coragem para enfrentar as adversidades. Afinal, o painel das humanidades é feito também da substância da tenacidade e da mistura de muitas crenças que coexistem entre si. Mas é na diferença que um projeto editorial como o nosso consegue ampliar suas bases de permanência, pois a soma de contribuições demonstra maior importância quando decorre de mentes que trazem para perto da gente seus universos peculiares de criação. O que somos hoje é fruto da participação de autores que não cessam de se reinventar, seja pelos artifícios das palavras, seja pelos apelos das tantas imagens sugeridas. Há sempre uma safra de novos saberes e sabores dispostas a serem ofertadas para deleite dos leitores e apreciadores das artes visuais. É o que temos testemunhado com os caminhos percorridos até então. Para o agora, aproximam-se de nós os poemas de gente como Maraíza Labanca, Fábio Pessanha, Tom Santos, Thaís Campolina e Alexandre Guarnieri, todos eles prenhes de sentidos provocadores e espantados. Não seria diferente tomarmos em consideração os atravessamentos de vida que fazem parte dos contos de Leandro Damasceno Leal, Wellington Amâncio da Silva e Geraldo Lavigne de Lemos, pois tais narrativas são a representação possível ou imaginada do mundo no qual estamos mergulhados até o pescoço. No centro de nossa entrevista, temos a presença marcante da escritora Vivian Pizzinga, que, além de falar sobre a atmosfera do seu novo livro, compartilha conosco instigantes olhares sobre a contemporaneidade, dentre outros temas dignos de nota. As escutas sensíveis de Larissa Mendes nos transportam para o ambiente do mais novo disco da banda Maglore. Por seu curso, Viviane de Santana Paulo nos apresenta “A mais secreta memória dos homens”, emblemático livro do senegalês Mohamed Mbougar Sarr. Quando o assunto é cinema, Guilherme Preger chama nossa atenção para a qualidade que habita “Marte Um”, filme de Gabriel Martins. São de Sandro Ornellas as impressões para “O Deus do Trovão” e “No Chão”, livros do capixaba Ivan Castilho. Não bastasse o vasto e rico panorama de textos constantes em nossa mais nova edição, há a marca valiosa das ilustrações de Viola Sellerino, artista italiana que nos brinda com sua sensível habilidade de revelar a poesia abrigada no cotidiano. Aqui está, queridos leitores, a nossa 151ª Leva!

 

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135ª Leva - 02/2020 Ciceroneando

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Ilustração: Ana Luiza Tavares

 

Nestes tempos sombrios e catastróficos de pandemia, nunca foi tão necessário um mergulho quiçá mais aprofundado em nós mesmos. A ideia de confinamento acaba por sugerir uma dedicação maior de nossa parte sobre temas que abraçam nossas indivualidades, nosso íntimo espaço de abstrações pessoais. Há quem leia mais livros, ouça mais discos, veja mais filmes, intercambie ideias com outras pessoas no ambiente virtual, seja nas enxurradas de lives ou prosas em vídeo privadas. Alguns hábitos foram remodelados diante de tamanha limitação do ir e vir humano, mas talvez o aspecto mais difícil dessas mudanças seja lidar com a desaceleração dos ritmos habituais. No campo da criação literária e artística, por exemplo, poderíamos até supor que o isolamento compulsório nos levaria a um estado garantido e deveras frutífero de produção. Mas as coisas não são bem assim. Há quem se queixe de certa apatia diante da realidade trágica do mundo a ponto de nada conseguir pensar, quanto mais criar. De repente, somos tomados pelo medo de imaginar o futuro, já que o presente é devastador. A paúra do amanhã obriga muitos a supor que talvez não haja um refúgio garantido. E a imposição do recolhimento acaba por flertar com dificuldades até certo ponto extremas para muita gente. Uma delas é a condição de ter que silenciar, emudecer por alguns momentos, o que certamente viabilizará combates dos mais diferentes sujeitos com as suas próprias mentes e consciências. De todo modo, cada um irá elaborar sua própria estratégia de sobrevivência para não sucumbir diante de um cenário nunca experimentado pelas mais distintas gerações que aí estão. Enquanto a tormenta global não passa, é possível descortinarmos mundos e seres sem sairmos de nossas moradas. Mesmo quem não está habituado pode se permitir um percurso por livros, discos, filmes, fotografias, desenhos, pinturas, enfim, sensações das mais diversas. O vasto território da Literatura e da Arte possui um acervo capaz de abarcar as mais diferentes procuras. Suportes como a Diversos Afins, mais do que nunca, são pontes para descobertas, para aproximações, a partir do ambiente cultural. Nosso caminhar segue em frente, sugerindo alternativas para atravessar um estado de coisas que tende à imobilidade das trajetórias. Assim, trazemos à tona conexões com a vida nos versos de poetas como Jennifer Trajano, Carla Diacov, Wesley Correia, Lílian Almeida e Maria Clara Escobar. São de Vivian Pizzinga as linhas que debatem os temas presentes no espetáculo teatral “Pá de Cal”. É Vinicius de Oliveira quem nos recomenda a leitura de “O corpo encantado das ruas”, livro de ensaios de Luiz Antônio Simas. Nossos cadernos de prosa de agora, estão marcados pela poética de Priscilla Menezes e pelos contos de Rodrigo Melo e Alê Motta. Seguindo as trilhas cinéfilas, Guilherme Preger analisa criticamente o filme “O Poço”, instigante produção espanhola. “Gigaton”, novo álbum da banda Pearl Jam, está na mira detalhada das abordagens de Wilfredo Lessa Jr. Numa entrevista concedida a Fabrício Brandão, o escritor Paulo Bono fala sobre seu novo livro e outros provocantes temas literários e mundanos. Durante toda a nossa atual edição, os desenhos de Ana Luiza Tavares compõem uma valiosa exposição que se volta com vigor para o universo feminino. Isole-se bem, cara leitora, caro leitor! Isole-se com mergulhos culturais. Eis a nossa 135ª Leva!

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66ª Leva - 04/2012 Ciceroneando

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Foto: Kenia Vartan

Depois de um longo caminho trilhado, a Revista Diversos Afins volta suas atenções para a concepção de um novo espaço de publicações. Se é certo que, através dos tempos, a perspectiva de mudança ergue-se como companheira inseparável de muitas iniciativas desse porte, não seria diferente com o trabalho contemplado por nós. A vontade de ofertar aos leitores possibilidades, cada vez mais profundas de experimentar os signos aqui sempre exalados, fez-nos arrumar a casa em direção a novos rumos. Uma outra estrutura afigura-se agora bem diante de nossa trajetória, reportando-nos ao incessante desafio de mantermos a tônica viva de nossos propósitos. E esse é um caminho que nunca encerra bases definitivas, pois, a cada edição erguida, lidamos com a complexa tarefa do aprendizado. Seja em critérios formais ou subjetivos, a busca pela qualidade segue como sendo nosso objetivo principal. Dentro dela, a oportunidade de estabelecer uma conexão entre as expressões dos autores e artistas e os leitores constitui verdadeira missão, muitas vezes calcada em valiosas revelações criativas. A nova etapa de vida da revista contempla um vasto panorama visual, reforçando ainda mais o diálogo entre imagens e palavras expostas. Como forma necessária e inalienável de preservação de nossa memória editorial, nossas Levas anteriores permanecem vivas dentro do antigo site, proporcionando aos visitantes um autêntico percurso histórico pelo que já publicamos. Sendo o marco de um nascente tempo, a 66ª Leva aponta descobertas valiosas. Exemplo disso está na exposição fotográfica da amazonense Kenia Vartan, que traz um olhar especial sobre pessoas e lugares.  Nossas janelas poéticas abrem-se aos versos de Wesley Peres, Ana Vieira, Roberta Tostes, Felipe Stefani, Alice Macedo e Anna Apolinário. Falando sobre improvisação, o ator e diretor Rafael Morais promove a estreia do Jogo de Cena, caderno que aborda reflexões sobre teatro. Numa entrevista, o fotógrafo Márcio Vasconcelos fala sobre sua trajetória em torno da fotografia documental. Larissa Mendes apresenta sua mais nova dica cinéfila, o longa Medianeras. A pungência dos contos de Gerusa Leal e Jorge Mendes atravessa recortes de vida. O escritor Jorge Elias Neto traduz o poeta espanhol Ángel González. Por aqui, também as escutas do mais novo disco da banda Mundo Livre S.A. Com ânimo redobrado e brilho nos olhos, seguimos adiante. Agradecemos a todos os leitores e colaboradores por tudo o que trilhamos até hoje, em especial a Ana Peluso e Antonio Paim, parceiros responsáveis pela materialização deste novo ambiente.

Saudações sempre culturais,

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