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97ª Leva - 11/2014 Gramofone

Gramofone

Por Larissa Mendes

 

CRIOLO – CONVOQUE SEU BUDA

 

Criolo

‘Eu não venci nada, ninguém vence nada. A gente só passa’.
(Criolo)

 

Três anos se passaram e Criolo – codinome de Kleber Cavalcante Gomes – permanece honrando as raízes africanas do pai (meu lado África, aflorar, me redimir) e subvertendo a candura cearense da mãe (é que eu sou filho de cearense/a caatinga castiga e meu povo tem sangue quente). O álbum com nome de mantra é o terceiro registro de estúdio do rapper e um dos mais aguardados do ano. Lançado em novembro e novamente produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, ambos integrantes de sua banda, o disco está disponível para audição e download gratuito no site do artista. O trabalho comprova o amadurecimento sonoro do homem com olhar de profeta, que quase abandonou a música antes de gravar o impactante Nó Na Orelha (2011).

É preciso lembrar que no ínterim de um álbum e outro, o músico lançou o CD/DVD Criolo & Emicida – Ao Vivo (2013), filmado todo em GoPro (vencedor do 25º Prêmio da Música Brasileira), além de canções para projetos específicos. A exemplo de seu antecessor, as 10 faixas de Convoque Seu Buda (Oloko Records) continuam aproximando o rap aos mais diversos ritmos, como samba, reggae, soul e até mesmo ao baião. Criolo não só imprimiu definitivamente o gênero na música popular brasileira, como dividiu o palco com alguns de seus maiores expoentes, como Caetano Veloso, Ney Matogrosso e Milton Nascimento, comprovando que, de fato, não existem barreiras para sua poesia.

Criolo
Criolo nos trilhos de “Convoque Seu Buda” / Foto: Divulgação

 

A faixa-título, o rap-oriental Convoque Seu Buda (ao trabalhador que corre atrás do pão/é humilhação demais que não cabe nesse refrão) abre o álbum invocando Shiva, Ganesh e demais deuses para que mantenham nossa fé e equilíbrio diante do panorama atual. A letra incisiva de Esquiva da Esgrima (hoje não tem boca pra se beijar/não tem alma pra se lavar/não tem vida pra se viver/mas tem dinheiro pra se contar) mantém a tônica social, tecendo críticas que vão do racismo ao abuso de autoridade: é o ‘céu da boca do inferno esperando você’. O contagiante soul setentista Cartão de Visita – um dos momentos mais ensolarados do álbum –, parceria com Tulipa Ruiz, discorre sobre o consumismo-ostentação e relembra com bom humor a controversa entrevista concedida a Lázaro Ramos no programa Espelho, do Canal Brasil (Lázaro, alguém nos ajude a entender!), que virou meme na internet. Casa de Papelão (prédios vão se erguer/e o glamour vai colher/corpos na multidão) aborda a especulação imobiliária do centro de São Paulo, enquanto o samba Fermento pra Massa (eu que odeio tumulto/não acho um insulto manifestação/pra chegar um pão quentinho/com todo respeito a cada cidadão) – que bem poderia integrar a roda do Pagode da 27, nos domingos do Grajaú –, discute as manifestações populares.

Enquanto o reggae Pé de Breque (o Criolo Doido respeita o rastafári/e pede licença pra poder cantar/essa nossa teoria secular/és responsável por tudo que cativar) celebra o estilo Bob Marley de ser, o baião Pegue Pra Ela tem um quê de Chico Buarque e deixa qualquer um com vontade de puxar seu par para dançar. A densa Plano de Voo (e por mais que eu tente explicar, não consigo/de tornar concreto abstrato que só eu sinto/é como se eu ficasse aqui nesse cantinho/vendo o mundo girar no erro abusivo), que flerta com o hip hop de Ainda Há Tempo (2006), seu primeiro álbum, tem a intervenção do rapper Neto (Síntese) e atinge o clímax do álbum. Duas de Cinco (e eu fico aqui pregando a paz/e a cada maço de cigarro fumado/a morte faz um jaz entre nós), lançada inicialmente em 2013, em EP homônimo, faz as honras para ‘tombar o mal de joelhos’ no experimentalismo regional de Fio de Prumo (Padê Onã), que tem participação de uma onipresente Juçara Marçal e fecha o álbum no melhor estilo africano.

É notável que o discurso de Criolo está cada vez mais contundente e aprimorado para além da crueza periférica. Em sua poesia abstrata, ele responsabiliza a miséria, a inveja, o desamor e principalmente o consumo de drogas pela falência do ser humano. E cita ainda a depressão como “a peste entre os meus”. Os arranjos estão cada vez mais experimentais e ousados, assim como a arte do álbum, que se apropriou do acervo digital liberado pelo Museu Nacional da Holanda (Rijksmuseum) para construir uma bela colagem, onde a figura central é um oficial da Corte da Ilha de Java (Indonésia) de saiote, pintado a óleo, em 1820, por um artista não identificado – e que se assemelha muito ao rapper.

Em tempo: assisti o terceiro show de lançamento da nova turnê, no teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, que contou com os convidados especiais Síntese, Tulipa Ruiz e Ricardo Rabelo (Pagode da 27) e afirmo que Criolo continua em perfeita comunhão com seu público. Ao final da celebração como costuma chamar seus espetáculos , o artista recebeu calorosamente os fãs. Posso dizer que o abraço apertado do messias do Grajaú conforta e abençoa. Convoque Seu Buda é o relicário do ano e Criolo não passará tão cedo.

 

 

 

Larissa Mendes não é uma pessoa de muitas crenças, mas ainda acredita no ser humano.

 

 

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96ª Leva - 10/2014 Ciceroneando

Ciceroneando

Foto: Tomás Casares

 

Cantar porque o mistério existe. Assim pode ser também representada a sina de um criador. Quanto mais simples as suas vestes, alijadas do fogo da vaidade inútil, mais próxima e quiçá autêntica será a sua epifania. O sentido de verdade também pode ser tomado como uma expressão honesta daquilo que se sente, algo que, materializado sob a forma de um texto, imagem ou som, ganha autonomia para fundar mundos no mundo. O autor cria personas e as atira aos quatro ventos, sugerindo-nos que também façamos o mesmo a partir do que engendra a nossa imprevisível percepção das coisas. É gozosa a possibilidade de sermos outros, rompendo amarras sedimentadas pela rotina. É fora de série a ideia de que a arte nos propõe um exercício contínuo de libertação. Nesse movimento, consumir a obra de um determinado autor é, possivelmente, amalgamar-se a ele. Essa espécie de pangeia humana, outrora ligada por sentimentos entrelaçados, passa a alimentar uma multiplicidade de expressões que harmonizam tanto o individual quanto o coletivo. Assim, os caminhos da liberdade não significam imposição nem tampouco a pronta concordância com o todo sugerido, mas a mais pura perspectiva de nos edificarmos enquanto sujeitos conscientes e condutores de nossas míopes trajetórias. Tudo isso para dizer que o mistério existe e que por ele somos atraídos pelas razões das mais imponderáveis. Mesmo tendo inclinações prévias a algum tipo de abordagem ou vertente criativa, a sensação é outra quando somos tomados de surpresa por alguma obra. Do mesmo modo, viver à cata disso desavisadamente por ser um bom indicativo. Sinal de que nos desarmamos um pouco para permitir que um outro alguém seja escutado. Como parte dessa despojada atitude, deixamos o canto sensível de poetas como Luciana Marinho, Guilherme Gontijo, Marilia Kubota, Stefanni Marion e Nuno Rau ecoar suas singularidades. No trajeto entre o visível e o invisível, as fotografias do argentino Tomás Casares instauram uma sublime acepção para a existência. Para falar um pouco sobre sua lida com as vias literárias, o escritor Anderson Fonseca responde a uma pequena sabatina de ideias. No Gramofone de Larissa Mendes, toca o mais novo disco da cantora e compositora Tiê. A leitura atenta de Sérgio Tavares nos convida a um deleite sobre o mais novo romance de Marcia Barbieri. Há difusas perspectivas de olhar o mundo nos contos de Marina Ruivo, Vássia Silveira e Caio Russo. O texto de Mayrant Gallo exalta a importância do escritor Patrick Modiano, recentemente agraciado como o Prêmio Nobel de Literatura. O mais novo filme do diretor Jim Jamursch é o centro das anotações de Guilherme Preger. Cá estamos, caro leitor, a sugerir um caminho que consolida sua etapa de número 96. Seja bem-vindo!

Os Leveiros

 

 

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96ª Leva - 10/2014 Gramofone

Gramofone

Por Larissa Mendes

 

TIÊ – ESMERALDAS

 
Esmeraldas

 

Depois de trocar as passarelas pela música, pousar em um independente Sweet Jardim (2009) e dividir-se entre A Coruja e o Coração (2011), eis que a ‘menina-pássaro de rubro passional’ lança seu terceiro voo. Batizado de Esmeraldas – em alusão à cidadezinha mineira que recepcionou suas composições –, as 12 faixas do mais recente trabalho da paulistana Tiê despontam sua verve mais pop e visceral.Produzido por Adriano Cintra (ex-CSS) e Jesse Harris (parceiro de Norah Jones),e gravado entre São Paulo e Nova York, o álbum conta com as participações do músico escocês David Byrne (ex-Talking Heads) e de Guilherme Arantes. Lançado em setembro pela Warner Music, Esmeraldas revela um profundo amadurecimento da cantora de 34 anos, que desta vez transita por distintos estilos musicais – pero sin perder la ternura jamás – com uma despretensiosa segurança. Irônico, se pensarmos que, contrariando a síndrome do segundo disco, Tiê confessa ter entrado em crise criativa em seu terceiro trabalho.

 

Tiê
Tiê / Foto: Divulgação

 

A balada Gold Fish – primeira das duas canções em inglês presentes no álbum – abre Esmeraldas em ritmo sussurrante para desembocar num sofisticado arranjo e funciona como uma prévia do que se verá ao longo de toda a obra: a voz doce de Tiê desfilando por diversas sonoridades. Se o pseudo-blues Par de Ases (nem sempre a gente acerta em tudo/e muitas vezes fala demais/mesmo assim/se você me pedir, eu mudo/e ainda prometo um par de ás) aborda o sempre desgastante jogo de amar, a divertida Máquina de Lavar traz o piano de Guilherme Arantes e a guitarra de Tim Bernardes (O Terno) numa sensual pegada radiofônica. Apesar da letra densa, Urso (errava a dose/errava sempre/erradicava a palavra/e ouvia com o coração) mantém a animação, desta vez, utilizando bases eletrônicas, enquanto o rock de Mínimo Maravilhoso (eu nem vi dezembro passar/tanta coisa boa que aconteceu/destranquei a porta para entrar/o que um dia já foi meu) contrasta com o regionalismo épico da canção-título Esmeraldas (e nesse silêncio/meu sotaque vai mudar/e então meu pensamento vai divagar).

A romântica Isqueiro Azul (e quantos quase cabem num segundo/me vi chegar no fim do mundo/me vi sofrer na solidão/de um jeito que não suportei) dá início a um imaginário lado B do álbum, lembrando a suavidade das composições de Sweet Jardim. Depois de um Dia de Sonho (nunca fugi, nunca escondi/os meus desejos por você/eu sempre fui o seu brinquedo/mas tudo tem um tempo pra durar) – uma das melhores do álbum e os violinos de Vou Atrás (posso fingir/que não mexeu comigo/posso inventar/que sou só seu amigo/mas na verdade/essa canção/é um recado/à solidão) dão uma tônica mais dramática ao disco. A Noite (qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços/me entorta as costas e dá um cansaço/a maldade do tempo fez eu me afastar de você), primeiro single do álbum, é uma versão da balada La Notte, da cantora Arisa, sucesso na Itália e México. Meia Hora – escrita curiosamente em 15 minutos– é um rockzinho de bateria marcante que aponta para o final do álbum em alto astral, junto com All Around You (na minha vida catalogada/podem até me dar um search e coisa e tal/mas ninguém sabe do que eu sinto), cantada em português por Tiê e em inglês por David Byrne e aborda a nossa controversa [falta de] privacidade atual.

Por não se acomodar entre a simplicidade de Sweet Jardim e a alegria de A Coruja e o Coração – que teve até canção executada em novela global –, a compositora firma-se definitivamente no rol da nova geração da MPB, composta por nomes como Tulipa Ruiz, Céu, Marcelo Jeneci e Thiago Pethit. Tiê segue compondo suas próprias histórias de letras simples sobre o cotidiano e o amor, talvez agora de modo ainda mais refinado e liberto: se os instrumentos e arranjos das canções agigantaram-se, o mesmo aconteceu com sua intérprete. Em tempo, a cantora com nome de passarinho ‘reescreveu as memórias, deixou o cabelo crescer’ e já têm sua própria ninhada de três álbuns e duas filhas. A vida ainda é nossa joia mais preciosa.

 

 

Larissa Mendes tem olhos de esmeraldas e só pia no twitter.

 

 

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95ª Leva - 09/2014 Ciceroneando

Ciceroneando

Rebeca Prado
Ilustração: Rebeca Prado

 

Do lastro da imaginação, emanam cenários, personagens, espectros emblemáticos de nossa condição sobre a Terra. Divisamos o que foi e o que será em tênues fronteiras de percepção. Cada um sabe de si no complexo desafio de apreender os caminhos da arte. Interpretar é, antes de tudo, viver o que está sendo ofertado aos nossos olhos e sentidos difusos. É banhar-se em águas que já não são as mesmas de quem criou. É trazer a si mesmo para um território antes estrangeiro. Ao cruzar os acessos, traduzir-se como protagonista de enredos por vezes inusitados. Ler é aceitar convites, embora nem sempre tal ato represente um sinal de concordância com o que nos é proposto. E também as recusas e negativas podem encerrar alguma espécie de reinvenção. No hiato que constitui a alteridade, cruzamos bem mais do que desertos. Ali, podemos também estabelecer aproximações como quando alguém nos sugere trilhar veredas nunca antes forjadas de alguma coragem. E o termo coragem vem dotado de um ato de se permitir experimentar o que está situado além de domínios certeiros e controláveis. Diante desse ponto específico e à medida que caminhamos, parecemos buscar algo que seja capaz de proporcionar algum arrebatamento em termos de originalidade e emoção. Sob a ótica do receptor, indagamos se a visão autêntica das coisas não estaria na percepção de quem lê ou observa os produtos artísticos. Caberia tão somente ao criador o ímpeto do novo? A questão só não se perderá embalada por algum vento aleatório caso alguém ouse também a aceitar que, sob a pele de um leitor, habitam camadas passíveis de criação autônoma. Assim sendo, vamos cruzando novas zonas de vivência no que tange à articulação de conteúdos. Para saber se poderemos de fato manipulá-los conforme nossa conveniência, só a fluidez dos enredos será capaz de atestar. Acima de tudo, esse caráter, digamos assim, libertário funda instâncias potencialmente criativas, redimensionando os tradicionais papéis de criadores e receptores. E a arte com seu movimento constante de signos nos revela entendimentos sobre nós mesmos, desses muitas vezes revestidos de instigantes descobertas. É tal como ocorre com as narrativas de Mariel Reis, Helena Terra e Yara Camillo, a nos mostrarem cenários alternativos de vida. Num caminho sedimentado em sutilezas, a arte da ilustradora e desenhista mineira Rebeca Prado abre passagem por todos os recantos dessa nova edição. Num trabalho de refinada pesquisa musical, a escritora Daniela Galdino chama atenção para o disco “Acorde”, registro precioso da cantora baiana Roze. Entre versos e destinos, os poetas Patrícia Porto, Willian Delarte, Lourença Bella, Jorge Augusto da Maya e Cleberton Santos. Numa entrevista que promove reflexões sobre o fazer literário, o poeta Roberval Pereyr é o centro dos questionamentos de Clarissa Macedo. O mais novo livro de contos de Anderson Fonseca é tema das apreciações de Sérgio Tavares. A inusitada produção “Boyhood”, novo filme do diretor Richard Linklater, aparece marcada pelas percepções de Larissa Mendes. O poeta Gustavo Felicíssimo recorda seu último encontro com o saudoso escritor João Ubaldo Ribeiro. Atingimos 95 levas, certos de que você, caro leitor, é nosso principal protagonista. Boas leituras!

Os Leveiros

 

 

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95ª Leva - 09/2014 Destaques Drops da Sétima Arte

Drops da Sétima Arte

Por Larissa Mendes

 

Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood). EUA. 2014.

 

Cartaz Boyhood

“– Sabe quando dizem ‘aproveite o momento’?
Não sei, mas acho que é ao contrário.
Como se o momento nos aproveitasse”.

 

Você recebe um telefonema. O interlocutor pergunta:

“– O que você vai fazer nos próximos 12 anos?”

Se tal questão já seria suficientemente inusitada num diálogo qualquer, saiba que o autor da ligação era o cineasta Richard Linklater convidando a atriz Patricia Arquette para um verdadeiro experimento cinematográfico. O diretor que idealizou rodar um filme por década com o casal Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy), em Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes da Meia-Noite (2013), desta vez propunha algo ainda mais audacioso: acompanhar a vida de um garoto (e de sua família), dos 6 aos 18 anos (ou da infância à juventude, como reitera o redundante subtítulo nacional). O processo – mantido em sigilo – teve início em 2002 e a cada ano os atores se reuniam para alguns dias de filmagem (um total de 39 dias em 12 anos). Apenas o argumento de Linklater já valeria um Oscar, uma Palma, um Urso, porém Boyhood vai além de qualquer premiação plausível.

Durante quase três imperceptíveis horas, acompanhamos cronologicamente o crescimento de Mason Evans Jr. (Ellar Coltrane) e de sua família, formada pela irmã mais velha Samantha (Lorelei Linklater, filha do cineasta e dona de algumas pérolas do filme quando pequena) e pelos pais Olivia (Patricia Arquette) e Mason (novamente Ethan Hawke), que já estão separados desde o início da trama. O garoto precisa lidar com a distância do pai, que tenta reestabelecer o vínculo com os filhos, com os relacionamentos amorosos da mãe (por que diabos escolhemos sempre o mesmo tipo de parceiro?), com as mudanças de cidade e escola, as primeiras paixões, entre outras agruras do viver. É bem verdade que o cabisbaixo Mason não é uma pessoa qualquer, é observador, introspectivo e sensível como poucos. Sua vida é tão comum quanto a minha ou a sua, e é exatamente essa magia da banalidade que Linklater consegue retratar. A narrativa faz uma ode ao tempo, com todos seus pormenores cotidianos e [in]significantes. É a vida como ela é: uma sucessão de dias bons e ruins, com transformações internas e externas, ora sutis, ora arrebatadoras.

Cena do filme Boy Hood
Mason filho (Ellar Coltrane) e Mason pai (Ethan Hawke) / Foto: Divulgação

Com roteiro e direção impecáveis, Linklater constrói uma história universal e de uma simplicidade ímpar, sempre calcada em longos diálogos – sua marca registrada – e atuações seguras e carismáticas. A passagem dos anos se dá de modo natural, pontuada discretamente por um novo corte de cabelo de Mason ou uma canção da época. Aliás, a trilha sonora funciona como um personagem à parte, que vai de Coldplay à Arcade Fire, de Paul McCartney à Family of the Year, assim como referências culturais e políticas, como Harry Potter, Star Wars, Bush e Obama. Boyhood é um daqueles clássicos modernos que visitam memórias e tomam chá com nossa nostalgia. Impossível não esboçar um sorriso ou uma lágrima cúmplice com o protagonista ou qualquer outro personagem. Somos todos da família de Mason – às vezes fazendo escolhas, outras sendo surpreendidos por elas –, narradores desse enigmático acaso chamado viver.

 

 

 

Larissa Mendes deve parte de sua ‘girlhood’ à Linklater e sua trilogia do Antes.

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94ª Leva - 08/2014 Ciceroneando

Ciceroneando

Luciana Bignardi
Foto: Luciana Bignardi

Brindemos ao poder de condensação e síntese do espírito poético que ronda o mundo. Saudemos essa capacidade de expansão pela qual as mais variadas formas de expressão artística perfazem seus caminhos mais genuínos. Ousamos levantar uma questão aqui: será a poesia a gênese de todos os campos da criação? Suponhamos que sim. E o que faremos com tal constatação? Levar a cabo a raiz motivacional de cada produto em matéria de arte. Tudo ficaria mais simples ao admitirmos a concepção há pouco proferida? Talvez. Discordâncias à parte, o fato é que não é pela ótica pura e simples da contemplação ou da leveza que iremos conduzir o entendimento, mas pelo caráter da inquietude que perpassa o ânimo poético. Com toda a sua carga de complexidades, estar no mundo nem sempre representa uma boa nova sob o ponto de vista do inventariar de temas. Talvez para evitar a suposta gratuidade do ofício, nalgum ponto imaginada, seja importante entendermos um criador como alguém que se esmera com cuidado e apuro na sua empreitada. Ao harmonizar certo método com os ímpetos intuitivos, o artista pode estar mais próximo de driblar percursos mais escorregadios. Desse modo, a criação de imagens e palavras apoia-se numa perspectiva na qual as coisas não transcorrem deliberadamente. Aos autores, cabe um discernimento crítico a respeito de tal condição, sobretudo para que a falsa ideia de uma obra reluzente não lhes embriague os sentidos e o despertar de outras investidas. No trabalho de pesquisa com a Diversos Afins, as revelações sobre esse íngreme caminho aparecem a todo o momento. Sem pretensões de delimitar classificações estéticas ou estilísticas, seguimos em frente no fomentar de novos encontros. É dessa maneira, com os apelos indescritíveis da poesia, que nos deparamos com as epifanias de gente como Myriam de Carvalho, Charles Marlon, Alessandra Cantero, Marina Tadeu e Simone Teodoro. No território da prosa, os contos de Munique Duarte, Pedro Reis e Anderson Fonseca reproduzem o delicado fio da seara ficcional. O entrevistado da vez é o cantor e compositor pernambucano Ricardo Chacon, que nos conta um pouco da sua trajetória, destacando a atmosfera do seu novo disco. Larissa Mendes fala dos efeitos que o primeiro álbum da Banda do Mar causou aos seus ouvidos. Num mergulho aprofundado no novo livro de poemas de Oleg Almeida, o escritor Marcelo Moraes Caetano constrói sua leitura crítica. “O Grande Hotel Budapeste”, filme de Wes Anderson, é o foco da resenha de Bolívar Landi. Pedro Reis comenta as suas impressões acerca de “Pequod”, romance de Vitor Ramil. Entrecortando as múltiplas vozes aqui presentes, as fotografias de Luciana Bignardi compõem um rico painel de observações de mundo. Seja bem-vindo a nossa 94ª Leva, caro leitor!

Os Leveiros

 

 

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94ª Leva - 08/2014 Gramofone

Gramofone

Por Larissa Mendes

 

BANDA DO MAR – BANDA DO MAR

 

Banda do Mar

 

2008: a música une o casal Fabrizio Moretti e Binki Shapiro ao hermano Rodrigo Amarante para formar o Little Joy, uma das “bandas de um álbum só” mais promissoras do universo musical da década.

2014: a música (re)úne o casal Marcelo Camelo e Mallu Magalhães ao baterista português Fred Ferreira para formar a Banda do Mar e lançar seu primeiro álbum, quiçá um dos mais fofos do ano.

Se, na ocasião, afirmei que o Little Joy “parecia perfeito para ser ouvido numa tarde ensolarada na estrada, rumo à praia ou à cachoeira mais próxima”, o mesmo reitero em relação à Banda do Mar.

Semelhanças e coincidências à parte, o grupo apresentou no final de agosto o primeiro registro do encontro, disponível na loja virtual do iTunes. O álbum físico será lançado em setembro pelo selo Zé Pereira (de Camelo) e distribuído pela Sony Music. O trio luso-brasileiro, que tem turnê agendada para os próximos meses nas principais capitais, acaba de lançar o videoclipe oficial da canção Mais Ninguém, cantada por Mallu e “dançada” por Fezinho Patatyy e toda trupe do mar, filmado numa grafitada Lisboa, onde Mallu e Camelo viveram por mais de um ano (para manter as comparações, o vídeo lembra vagamente a sátira brasileira de One Way Trigger, do The Strokes, banda de Moretti, no clipe com os bonecos de festa infantil).

 

Camelo, Fred e Mallu/Foto: Divulgação
Camelo, Fred e Mallu / Foto: divulgação

 

Camelo abre os trabalhos com a faixa Cidade Nova, onde brada “eu não deixo o tempo parar” e enfatiza a proposta de sua nova aventura musical: “eu só trago o mar de algum lugar comigo”. Mais Ninguém (preciso me fazer só/pra me fazer maior), um dos singles pré-divulgados antes do lançamento do álbum, juntamente com o pop-rock Hey Nana – que lembra muito um Camelo nos áureos tempos de Los Hermanos –, têm bateria marcante e suingue suficiente para tornarem-se hits. Se em Muitos Chocolates Mallu avisa que além do doce, precisa de cafuné e massagem no pé, na marchinha Mia, ela conta a história de outra manhosa gata de hábitos peculiares. O folk quase autobiográfico Me Sinto Ótima (cansei de carregar milhões de medos/das pessoas que me cercam e me pesam de agonia/eu já tenho lá os meus anseios, os meus receios/que eu perco com a luz do dia) e a destemida Seja Como For (não tenho medo de rato nem barata/meu bem, você pra mim é privilégio/sorte grande de uma vez na vida) nem lembram a menina tímida que cantava em inglês em 2008, por julgar mais sonoro.

É inegável que as melhores canções do álbum ficam a cargo das sempre inspiradas composições de Camelo, sobretudo nos versos das mansas Pode Ser (pode ser o seu tamanho/ou o jeito que você erra/no momento em que eu te ganho/ou no barco que te leva) e Dia Clarear (se você jurar eu posso até te acostumar/numa vida mais à toa/é só você querer que tudo pode acontecer/no amor de outra pessoa/base de um descanso milenar). Na libertária Faz Tempo, o compositor procura um lugar ‘na cidade ou no litoral’ e termina com um versinho em ritmo de Jovem Guarda. Solar, outro ponto alto do álbum, é uma daquelas canções-hino que se tem vontade de cantarolar na autoestrada, rumo à mesma praia do Little Joy. E a Banda do Mar(celo) despede-se literalmente com Vamo Embora, “que eu tenho meu encontro feito com um mar de pérola” e “o tempo que eu tenho é pra voar”.

Se os músicos não inovam esteticamente nas 12 faixas e soam como continuidade de Sou (2008) e Toque Dela (2011), de Camelo, e Pitanga (2011), de Mallu, ao menos eles trazem o seu melhor – e isso não é pouco. Fred Ferreira completa o trio cedendo toda a experiência percussiva e eletrônica dos coletivos Buraka Som Sistema e Ovelha Negra, num frutífero intercâmbio Brasil-Portugal. A capa do álbum é assinada pela fotógrafa Bruna Valença e traz um negativo vencido da modelo Camilla Baldin. Decididamente, a Banda do Mar não tem prazo de validade. É som que não morre na praia.

 

 

 

Larissa Mendes não sabe nadar, mas se amarra em surf music e Iemanjá.

 

 

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93ª Leva - 07/2014 Ciceroneando

Ciceroneando

Neuza Ladeira
Pintura: Neuza Ladeira

Dizer que não nos banhamos mais de uma vez nas mesmas águas implica prontamente no reconhecimento da nossa necessidade de mudança. Se pudermos alterar o curso das coisas, ainda assim muito do que supomos reter ficará disperso nalgum ponto de nossa trajetória. O que então poderia representar a ideia de um legado de nossas ações? Em sua natural condição de imutabilidade, o passado poderia ser vislumbrado como um ponto de partida para a busca de algum norte. Quiçá a vontade de minimizar equívocos acostumados ao longo da jornada. No entanto, a acepção do que signifique um legado não está em simplesmente inventariar um aglomerado de feitos, mas sobretudo em imaginar como presente e futuro podem se abrir para vias também nunca dantes exploradas. Numa referência ao jogo de palavras de uma das composições de Gilberto Gil, a mudança seria algo semelhante a um perene deus que dança e celebra seus caprichos ante nossos narizes perplexos e contestadores. No vasto e complexo reino das palavras, testemunhamos a presença vigorosa da procura por novos lugares. Muitas vezes, sem negar os atributos da tradição, notamos a aparição de vozes que fazem ecoar entre nós um sentido muito próprio de expressão. Apresentam-se como formas transmutadas de se perceber o mundo a partir de uma ótica marcada pelo teor da individualidade. A partir daí, ganha força a noção da unicidade de cada criador, principalmente pela perspectiva de, ao final das contas, celebrarmos tudo na inquietante arena das diferenças. Certamente, são as peculiaridades de artistas e escritores que tornam a existência um lugar sempre passível de descoberta e reinvenção. É com esse gosto especial por algo até certo ponto imprevisível e inusitado que nos deparamos com os enlaces poéticos de autores como Marília Garcia, Gustavo Petter, Lucas Perito, Ehre e Juliana Amato. De maneira semelhante, apreendemos as densas incursões de vida proporcionadas pelas narrativas de Claudio Parreira, Marcelo Novaes e Sérgio Tavares. Quando o tema é cinema, Guilherme Preger revisita a intricada trama da produção turca “Era uma vez na Anatólia”. Larissa Mendes deixa seus ouvidos se guiarem pelas canções do mais novo álbum de Fernanda Takai. Numa entrevista especial, intermediada por Angelo Mendes Corrêa e Itamar Santos, a atriz Sandra Vargas fala sobre sua trajetória à frente do importante grupo paulistano de teatro Sobrevento. O escritor Marcos Pasche elabora uma breve, porém incisiva, reflexão sobre a obra do poeta capixaba Jorge Elias Neto. Promovendo um diálogo entre uma obra do dramaturgo Sêneca e outra do cineasta Peter Greenway, Rafael Peres faz sua estreia no caderno Jogo de Cena. Diante de todas as epifanias presentes na mais nova edição, as pinturas de Neuza Ladeira traduzem uma atmosfera marcada substancialmente pelo incansável potencial da imaginação. Assim sendo, ofertamos a você, caro leitor, as alamedas da 93ª Leva, todas elas cuidadosamente pensadas e sentidas!

Os Leveiros

 

 

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93ª Leva - 07/2014 Destaques Gramofone

Gramofone

Por Larissa Mendes

 

FERNANDA TAKAI – NA MEDIDA DO IMPOSSÍVEL

 

Na medida do impossível

 

A voz continua meiga e os cabelos curtos, mas as companhias… quanta diferença! A amapaense mais mineira do Brasil, Fernanda Takai, apresenta seu quarto trabalho solo mesclando regravações e canções inéditas, com parcerias inusitadas que vão de Zélia Duncan a Pitty, Padre Fábio de Melo a George Michael. Novamente produzido pelo marido e companheiro de Pato Fu, John Ulhoa, as 13 faixas de Na Medida do Impossível (2014) sucedem os aclamados Onde Brilhem Os Olhos Seus (2007), tributo à Nara Leão; Luz Negra (2009), registro ao vivo da turnê e Fundamental (2012), bossa nova eletrônica em dupla com Andy Summers, ex-guitarrista do The Police. O amor e o tempo dão a tônica do novo álbum – tudo com o cuidado e capricho que lhes são peculiares –, sob uma aura melódica, ensolarada e genuinamente pop.

O disco abre com a romântica Doce Companhia (sua doce companhia/não me canso de querer/me sinto ressuscitada/perto de você), versão para Dulce Compañia, da cantora mexicana Julieta Venegas, presente em seu álbum Limón y Sal (2006). Como Dizia o Mestre, samba-canção dos anos 70, de Benito di Paula, ganha uma roupagem contemporânea para ‘o fim da valentia de um homem quando a mulher que ele ama vai embora’. A bela De um Jeito ou de Outro, música presente no trabalho solo de Marcelo Bonfá, lançado no início dos anos 2000, fala da relação afeto x distância e talvez seja uma das melhores faixas do trabalho. A Pobreza (Paixão Proibida) é mais uma regravação – conhecida na voz de Leno, que fazia dupla com Lilian na Jovem Guarda – e aponta para as dificuldades amorosas entre as classes sociais. Seu Tipo, a mais radiofônica da obra, é uma parceria com a cantora Pitty, e aborda, provavelmente, o estilo Fernanda Takai de ser. Se You and Me and the Bright Blue Sky – única canção em inglês presente no álbum –, celebra o espírito folk e encarna o ponto de vista de um cão, Mon Amour, Meu Amor, Ma Femme, dueto com Zélia Duncan, une o ‘jeito de menina’ de uma e ‘o gosto de mulher’ de outra e traz um trecho incidental de La Vie en Rose, de Edith Piaf, talvez para glamourizar a música originalmente brega de Reginaldo Rossi.

Fernanda Takai / Foto: Bruno Senna

 

A baladinha inédita e melancólica Quase Desatento, parceria com Marina Lima para o poema de Climério Ferreira, avisa que ‘será preciso se engajar no amor/sentir saudade, alguma dor’. A grande surpresa fica a cargo da canção-catequese eternizada na voz de Padre Zezinho, Amar Como Jesus Amou, onde Fernanda divide os vocais com Padre Fábio de Melo, numa versão eletrônica – que mais parece trilha de videogame – comandada pelo produtor japonês Toshiyuki Yasuda. A doce Liz, canção do repertório do Trio Ternura, fala da mesma ausência provocada por Partida (vou, quanto mais eu vou/menos mal fica a vida sem você). Em Pra Curar Essa Dor, versão de John Ulhoa para Heal The Pain, de George Michael, Fernanda faz dueto com seu pseudo-conterrâneo Samuel Rosa. A propósito, a faixa acabou de ganhar um clipe com cenas das gravações no estúdio do Pato Fu. A densa Depois que o Sol Brilhar (Mary), encerra o álbum ao som de violinos e melodia inspirada em And I Love Her, dos Beatles.

Lançado em março – a linguagem gráfica do encarte é um deleite à parte: apresenta um quê de realismo fantástico e exprime o ecletismo das canções –, distribuído pela Deck Discos e patrocinado pela Natura Musical, Na Medida do Impossível firma Fernanda Takai como uma das grandes vozes femininas da MPB em paralelo a sua carreira à frente do Pato Fu. Se no título do álbum a artista sintetiza a dificuldade em realizar uma ‘obra dos sonhos’, reunindo nomes tão distintos, na realidade, ela conjuga o verbo experimentar de maneira bastante peculiar e positiva. Como confidencia em seu site (que, aliás, disponibiliza o áudio na íntegra): ‘Tudo à primeira vista parece meio caótico musicalmente, mas foi pelas arestas que encontrei o encaixe de mundos tão distintos. Não pelo insólito’. Feliz ela já está.

 

 

 

Larissa Mendes, na medida do possível, compartilha do mesmo jeito takainiano e meigo de ser.

 

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92ª Leva - 06/2014 Ciceroneando

Ciceroneando

 

Foto: Luiz Navarro

Um tempo que gira sem parar. E cada instante desfrutado tem a capacidade de se manter perene quando as experiências vividas são assimiladas com certa dose de leveza. Mesmo sabendo que frequentemente somos tomados por visões que nos desafiam, ainda assim cabe perceber tudo com serenidade. São bons combates aqueles que travamos na busca pelas palavras. São dignos combates os que mantemos na construção de imagens que representam o mundo em que vivemos. Nos últimos anos, autores e artistas variados fizeram da nossa revista um espaço de convergência de sentimentos de mundo. É como se precisássemos de suas vozes para atestarmos que todos estamos amalgamados pelas mesmas razões. E quando a revelação vem, entendemos que a arte é, sobretudo, uma forma de ultrapassarmos as barreiras dos mistérios. Talvez por isso o ato de criar seja um duradouro processo de reconhecimento não somente daquilo que vislumbramos alcançar, mas também do que nunca dissemos conscientemente a nós mesmos. Há um casamento de particularidades do ponto de vista de quem cria e quem recepciona as obras produzidas. Nesse movimento de dupla via, o grande efeito é supor o que o outro não pensou. É transpor barreiras de interpretação até mesmo como se uma nova obra surgisse a partir do que originalmente nos foi apresentado. Enquanto a tradição nos dá referências, a intuição, somada a nossas revoluções internas, redimensiona nossas percepções sobre as coisas. Assim, vamos tecendo um longo e imprevisível caminho de descobertas, cuja marca maior está sustentada no desejo de conceber a arte como um verdadeiro movimento de autoconhecimento.  Hoje, ao celebrarmos oito anos da Diversos Afins, sentimos que permanece bem vivo o propósito de fazer da revista um território efetivo de aproximações. Seguindo esse fluxo, novos criadores fazem da 92ª Leva seu habitat natural. Gente como o amazonense Luiz Navarro, que com suas fotografias põe em evidência as faces ignoradas de um mundo. Dentro das janelas poéticas aqui apresentadas, vigoram os versos de Regina Azevedo, Paulo Sérgio Lima, Carla Diacov, Inês Monguilhott e Carlos Barbarito. Compartilhando as marcas de sua vivência literária, o editor e poeta Gustavo Felicíssimo é o nosso entrevistado de então. No Aperitivo da Palavra, o livro de Lima Trindade é objeto da leitura sensível e atenta de Sérgio Tavares. O escritor Geraldo Lima celebra o teatro de Ariano Suassuna. Com sua devoção à sétima arte, Larissa Mendes nos conduz até o mais novo filme do diretor espanhol David Trueba. Nos ambientes da prosa, Andréia Carvalho, Lima Trindade e Márcia Barbieri desfilam as densas narrativas de seus contos ante nossos sentidos. Das paragens goianas, o rock lisérgico da banda Boogarins exibe seus acordes em nosso Gramofone. Aos nossos leitores e colaboradores de todas as eras, dedicamos mais uma especial edição. Boas leituras!

 

Os Leveiros