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67ª Leva - 05/2012 Janelas Poéticas Outras Levas

Janela Poética IV

Desenho: Felipe Stefani

ABREM-SE AS ASAS DOS CABELOS

Mar Becker

 

abrem-se as asas
dos cabelos,

digo-te: rosa

(uma trança a se
desfazer)

-dos-
ventos.

que mãos bordaram-na?,

(o que tu sangras,
sussurro.

digo-te, ave escarlate,

ao pé das pétalas
que encalham

nos meus ombros

como se fossem coágulos
de areia,

conchas: as pérolas
dos brincos).

é outono, meu bem; ouve,
todas as peles

rangem.

 

 

***

 

 

AGOSTO – I

 

respinguei no vidro
da palavra que

fechaste,

da janela que em
tão pouco,

tão perto,

se calou dentro de
ti.

agosto, ainda.
muita chuva,

(mas nenhuma fresta
nos lábios,

um sopro, que
fosse,

nenhum silêncio
entreaberto

para que à noite meu
nome

adormeça no teu).

respinguei no vidro,
no para-

peito,

o coração logo atrás.

 

 

(Marceli Andresa Becker é estudante de filosofia e professora. Publicou poemas nas revistas Zunái, Germina, Pausa e Eutomia, no Portal Cronópios e em diversos blogs. Participou ainda da Miniantologia Poética do Centro Cultural de São Paulo, organizada por Claudio Daniel, da Pequena Cartografia da Poesia Brasileira Contemporânea, organizada por Marcelo Ariel, e do trabalho Canto Ancestral (CD e livro), do cantor nativista Lisandro Amaral. Na área de filosofia, publicou artigos científicos e ensaios em revistas eletrônicas e mídias impressas. Contato: mab_1109@yahoo.com.br)