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83ª Leva - 09/2013 Aperitivo da Palavra

Ciceroneando

 

Ilustração: Denise Scaramai

 

Não há dúvida de que os caminhos da liberdade são os mais caros que possuímos. Diante de possibilidades infindas, dar um norte às escolhas pode representar uma posterior celebração de acertos. Com o tempo, vamos aprendendo que não há respostas para tudo o que supomos essencial em nossa trajetória pela vida. E a arte, de um modo geral, vem nos lembrar isso, tendo em vista que seus personagens frequentemente vestem o manto do insondável. Se o fluxo constante de indagações faz par com a existência, bem sabemos que dessa estreita relação surgem cada vez menos certezas.  Assim, rumamos ao desconhecido, vivenciando um status de deriva que escamoteia alguns vestígios, principalmente se a busca encerra alguma tentativa de retornarmos ao ponto de partida. No conjunto editorial que intenta harmonizar imagens e palavras, recepcionamos vozes de diferentes mundos, todas elas a ecoarem seu canto de vida. A julgar pela proposta contida nos trabalhos da artista plástica Denise Scaramai, temos a sensação de que as virtudes advindas da liberdade conduzem melhor nossos sentidos e percepções.  Tomados por essa atmosfera de cenários ricos em singularidade, testemunhamos os versos de autores como Diego Callazans, Mariana Ianelli, Wilson Nanini, Natacha Santiago e L. Rafael Nolli.  Partilhando de um ritual de mistérios e revelações, o poeta Edson Bueno de Camargo é o entrevistado da vez, conversa que, além de abordar aspectos relevantes de sua obra, nos mostra um autor devidamente engajado com as questões afeitas ao pantanoso terreno da literatura. O escritor Sérgio Tavares mostra sua leitura para o coletivo de contos “82 – Uma Copa l Quinze Histórias”. Larissa Mendes comenta o mais novo filme da diretora Sofia Coppola. No trajeto que redimensiona cenários de vida, nos deparamos com os contos de Mayrant Gallo, Airton Uchoa Neto e José Pedro Carvalho. Na segunda e última parte de seu percurso pela história do Teatro, Fernando Marques arremata suas considerações sobre o livro de Margot Berthold. Também por aqui, toda a leveza presente no segundo disco solo do guitarrista Rodrigo Bezerra. Com a sede por novas vias, uma 83ª Leva nasce primando pelo sentimento de que continuar é algo imperativo.

Os Leveiros

 

 

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83ª Leva - 09/2013 Janelas Poéticas

Janela Poética IV

Natacha Santiago

 

 

Ilustração: Denise Scaramai

 

 

Contraste entre sábanas

 

A un Escorpión

El dulce dolor de tu mordida
– cepo en mi nuca –
compele a la reflexión de los  motivos
Estocadas recibí en el combate
que me enlazan a tu designio
y hacen brotar manantiales de mi sexo
Repliego posiciones
asumo riesgos  necesarios
accedo al parlamento de tu boca   aún sin palabras
cruce de labios o lenguas
Intercambio de fluidos
reclama      sin condiciones
esta víctima feliz
de tus excesos.

 

 

***

 

 

Oda a tus manos

 

Tus manos son braza de contraste heráldico
que preludian el lúbrico camino
arrebato sensorial sin límite en la puesta
traspasando barreras de tiempo y circunstancia.
En fruta jugosa convierten  la alusión
…..con su virtual  beso   al tacto simultáneo
…..en el feroz centro requerido
Tus manos acarician el crepúsculo
sus huellas perduran al albear
y están aquí en las mías       en la fertilidad del ocio
que las suplantan en segundos  de  ardor
………………………………..cuando  tu  figuración
…………………………………mantenida al borde
………………………………………irradia
…………………………..y   colapsa  el  Universo.

 

 

***

 

 

Una tarde     una vida

 

No asombres ni dudes    si ingenua  confieso
vivencias  fabulosas
espíritu y materia del hombre necesario
persistentes      repercuten
…………..sin él saberlo
como eco en lo insondable.

 

 

***

 

 

Natural demente esplendidez

Por la  Magia  marina

Por no enfermar  enfermo
sufro la locura de la no consumación
como si no existieran la hostia y el cádiz
aquí me aculpo         auto-flagelo
me  fustigo
..(Fetichista acaricio el  papel que tuviste entre tus manos)
¿Con que herramientas desentrañar los absurdos del oráculo?
Resulta  incomprensible tu signo de soledad
pende sobre mi cabeza y la colma bajo formas literales
de lo que debiera ser acción
……………………..(te estoy sintiendo dentro)
Por tu influencia magnética
percibí la necesidad de protección
ante  el sello del contagio espiritual
después       fui cediendo sin decirlo
…………………….(te estoy sintiendo dentro)
la inercia conduce hacia tu magia
te debo múltiples caricias
múltiples atrevimientos y hermetismos
la gravitación universal me lleva a ti
inevitable me derramo
por la sobrenatural convergencia que adivino

 

 

(Nascida em Havana (Cuba), Natacha Santiago é poeta, escritora e professora universitária. Atua também como roteirista de tv e rádio, e produtora cultural. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais com sua poesia, além de integrar publicações em países como Argentina, México, Áustria, Espanha, Peru, entre outros. Vários livros seus ainda permanecem inéditos)