Karinne Santiago

As nuvens redesenham o azul
a poesia
lambe minha cara
engole a vergonha
e despe a alma
sem espelhos
as cicatrizes
são marcas
do que não me partiu (…)
feriu
em golpes mestres (…)
ou me pariu
num gozo de estrelas (…)
a sobra camufla a falta
não condecoro a dor
aos meus vazios
janela e ventania
***
(in)verso da metáfora
sua língua
segredo que dissipa
palavras em paladares
antigo diálogo amante
verbos complacentes
ordens sem imperativos
diminutivos ais
ditos sem rima
reinscrevo a estrofe
quando deita em mim
o mote
sou o (in)verso
da metáfora.
***
arremato
minha solidão a sua
alinhavo vazios
moldo minha pele
no contorno dos seus braços
dobro o tempo e amasso
ajusto o amor
espeto o dedo
esqueço que esgarça
***
não aceitam devolução
inexato
traço no lábio
ensaio
esboço de riso
quebrou o grafite
nasceu torto
no rosto
inacabado
porém
expressivo
o riso torto
(Karinne Santiago é sergipana, mãe de um menino descabelado, poeta e psicóloga. Escreve em redes sociais e em seus blogues: Poeticaria e Poesia Veneno antimonotonia, como colaboradora no Poesia: Falsidade Ideológica. Atualmente, envolvida no projeto de poesia infantil onde convida outros poetas a se aventurarem no universo lúdico das palavras)