Silvério Duque

RAZÃO VERSUS FELICIDADE
– Minha vida com Maria? Uma desgraça!
Desconchavo de amor e de tormento.
O espaço que ocupei em sua massa
cinzenta? Grande quão seu “pensamento”.
Que, aliás, bem poderia dá-lo às traças
p’ro seu orgulho e meu contentamento.
(Qual um Kierkegaard carente de chalaças
elas adoram um péssimo argumento…)
Cheinho de razão e de ateísmos
eu (um dia) a contestei com um carinho
digno dos mais sinceros Neomarxismos…
Ela se foi – com uma cara de Tom Berenger –
e aqui fiquei (tão sábio), mas sozinho
e bruto como um clone do Schwarzenegger.
***
SONETO CAFAJESTE…
De mim não saberás o quanto eu te amo
por não querer do amor a morte exata
nem importa do amor verdade ou engano
“se o mesmo amor que cura é amor que mata”…!?
Piegas, não!? Mais do que isso é amor confesso
tanto mais imbecil se mais se mostra
contido de paixão e tempo egresso
onde tudo, no fim é a mesma bosta.
Mas se me amas no instante em que me vens
amar-te é o que mais sinto e o que mais vejo
pois quanto mais te negas mais me tens
neste amor que é nutrir-se de sobejo…
Num jogo de intenções e de desdém
apenas quero eterno o meu desejo.
(Silvério Duque nasceu em Feira de Santana-BA. É licenciado em Letras Vernáculas, pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Além de poeta, é músico, clarinetista. Já coordenou a Escola de Música da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense. É autor de O crânio dos Peixes (Ed MAC, 2002), Baladas e outros aportes de viagem (Edições Pirapuama, 2006) e A pele de Esaú (Via Litterarum, 2010). Seu mais novo livro, Ciranda de sombras, está no prelo…)