{"id":10772,"date":"2015-11-16T11:01:09","date_gmt":"2015-11-16T13:01:09","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=10772"},"modified":"2018-12-13T12:18:02","modified_gmt":"2018-12-13T15:18:02","slug":"dedos-de-prosa-i-40","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-i-40\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa I"},"content":{"rendered":"<p><em>Dheyne de Souza<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_15857\" aria-describedby=\"caption-attachment-15857\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/INTERNA-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15857 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/INTERNA-1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/INTERNA-1.jpg 400w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/INTERNA-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/INTERNA-1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15857\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Juca Oliveira<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>dos sem\u00e1foros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">hoje eu disse que, se sensibilidade fosse p\u00f3lvora e texto (e n\u00e3o digo qualquer texto, digo daquele que. sabe) fosse fogo, eu explodia. que hoje estou min\u00fasculo e daqui, sabe, as coisas s\u00e3o. obviamente, sim. maiores. eu sei. \u00e0s vezes fico perdido sem voc\u00ea, ana. sem. caio. hoje eu queria escrever um romance de uma personagem que nasceu esses dias no sem\u00e1foro. foi quando ela n\u00f3s ali ante o vermelho que \u00e0s vezes acho que \u00e9 o esp\u00edrito do tr\u00e2nsito tomando aquele f\u00f4lego para uma jornada abrupta rumo ao sucesso ao shopping ao dentista ao caf\u00e9 ao terapeuta ao sexo a noite amanh\u00e3 um dia. e ela havia nela um vinco bem no centro da sua testa que era onde o sol se punha naquele fim de tarde. o c\u00e9u depunha ali n\u00f3doas e eu pude, veja, colher muitas cruas nacas de desejos entre, bem entre, assim como se abaixo dos l\u00e1bios pequenos um pouco \u00e0 esquerda do caos e eu vi do negro o avesso. que, e tamb\u00e9m me impressionei, era escuro. mas o que quis dizer dessas montanhas de areias vincadas ali naquele peda\u00e7o de face que via do meu vidro fum\u00ea a pel\u00edcula que a abra\u00e7ava vinha da sua m\u00e3o escorrendo como quem n\u00e3o esperasse o verde a a\u00e7\u00e3o o futuro em sua parte que \u00e9 breve. e essa m\u00e3o de manchas feito a nuvem quando nada no mar. ela puxava assim t\u00e3o gratuitamente uma mecha do seu cabelo que nem era leve talvez sedoso quando rec\u00e9m-lavado mas ela. ela emaranhada naquele fio suado que me contava do dia da fila do espa\u00e7o do riso quando crian\u00e7a naquele balan\u00e7o. eu quase ofereci um cigarro mas eu tive um medo t\u00e3o grande de romper a sua Verdade. eu tive um medo t\u00e3o grande de roubar dela e de mim aquela sobra do dia que vinha enquanto uma rima um verso branco mas t\u00e3o rosa. feito a fresta do sol que dormia na sua testa. feito o vento que arrumava a cama enquanto o seu cotovelo ali despejado na porta do carro, suspeitando do meu olho feito cinema, decerto, tentava me esconder. ou me falar da lama que pousa nos sapatos. ou me contar da trama que sustenta o passo. ou me livrar do assalto que se tem quando. a vida da gente bate no. sinal aberto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00e0s vezes me preocupo tanto com minha mem\u00f3ria, sabe, Acaso. \u00e9 um duto hieroglifado. assim como se as paredes houvessem fl\u00e2mulas a cada guelra. \u00e9 uma esp\u00e9cie de nado, Nada, isso de transmutar o tempo, veia mem\u00f3ria cond\u00e3o. a cada agora um apocalipse a cada desin\u00eancia pret\u00e9rita um epit\u00e1fio. e o olho que segue no t\u00fanel que era, veja bem, Tudo, era uma era. era uma escada sem step by step. que esse discurso fode-me, se me permite ser um pouco daquilo que vende mais. ou\u00e7a, Todo, miragem p\u00f3 e instante \u00e9 tudo feito de achos. cachos. peda\u00e7os. d\u00ea-me uma pence de som, Sil\u00eancio. d\u00ea-me um soneto de esc\u00f3ria, Mudez. d\u00ea-me uma toalha que n\u00e3o acho a vida l\u00edquida porra nenhuma \u00e9 o meu olho que memora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um osso do verso<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cheiro que acorda a manh\u00e3 tem ra\u00edzes ocres.<br \/>\nE se se esquece a palheta?<br \/>\nE se se perde o hor\u00e1rio?<br \/>\nE se tragando no tr\u00e1fego no r\u00e1dio no atropelamento na lembran\u00e7a na resposta se se des-cobre o olfato? Digo, praquilo que \u00e9 da Verdade, o n\u00e3o dito.<br \/>\nQue \u00e0s vezes aquilo vem feito deus feito orvalho feito o rouco do locutor que erra o erre feito a cor dos pares. A dor dos semblantes. Mas isso tudo \u00e9 muito pequeno, veja: j\u00e1 n\u00e3o se v\u00ea como toca. Como tolhe. Come-se. Sem olhar os dentes. Sem orar os crentes. Sim, senhora. \u00c0s vezes, deveras, v\u00ea-se sorrateiramente, quando a vida em estado comercial, de esguelha. Vezes se se cura com o sinal, vezes n\u00e3o. Que h\u00e1 o atropelo de som e de l\u00edquido e de ins\u00edpido que \u00e9 o. Isso. De ver que seja ins\u00edpido. A sorte \u00e9 que h\u00e1 sempre outros sem\u00e1foros, h\u00e1 passos, h\u00e1 la\u00e7os lassos. Do que se faz alimentar esses \u00f3(s)culos. Pra ver melhor o n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>***<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>sem t\u00edtulo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ah a vida e esse cheiro que vela<br \/>\ncomo um cavalo no escuro no pesadelo da espora<br \/>\ncomo uma grama que acorda molhada pra ser pisada<br \/>\ncomo um ref\u00e9m que habita o esconderijo da porta<br \/>\ncomo uma escolta. paulatina. versando que a vida h\u00e1<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><a href=\"http:\/\/dheyne.wordpress.com\">Dheyne de Souza<\/a><\/em><\/strong><em> \u00e9 poeta, est\u00e1 em Goi\u00e2nia-GO, v\u00ea o fantasma do verbo b\u00eabado. Tem um canal de leitura de poemas prosas prosemas no <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UClF8cx1E7jGjk8sHHYkTRsA\">YouTube: Pequenos Mundos<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A intimista prosa po\u00e9tica de Dheyne de Souza<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10774,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2755,2534,16],"tags":[41,781,2762,2764,2763],"class_list":["post-10772","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-105a-leva","category-dedos-de-prosa","category-destaques","tag-dedos-de-prosa","tag-dheyne-de-souza","tag-dos-semaforos","tag-pequenos-mundos","tag-um-oso-do-verso"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10772"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15858,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10772\/revisions\/15858"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}