{"id":11235,"date":"2016-01-29T18:22:06","date_gmt":"2016-01-29T20:22:06","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=11235"},"modified":"2016-02-29T17:57:11","modified_gmt":"2016-02-29T20:57:11","slug":"aperitivopalavraii-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivopalavraii-7\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cinquenta anos em um<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><em>Por Marcos Pasche<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Capa-Alexei-Bueno-m.jpg\" rel=\"attachment wp-att-11280\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11280\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Capa-Alexei-Bueno-m.jpg\" alt=\"Capa - Alexei Bueno \" width=\"307\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Capa-Alexei-Bueno-m.jpg 307w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Capa-Alexei-Bueno-m-205x300.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 307px) 100vw, 307px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que se aponte a heterogeneidade para classificar a poesia contempor\u00e2nea, \u00e9 poss\u00edvel verificar que os mecanismos de legitima\u00e7\u00e3o social da literatura \u2013 as grandes editoras, as feiras do ramo, os pr\u00eamios mais badalados, os suplementos jornal\u00edsticos e as ementas universit\u00e1rias \u2013 tendem a endossar como representantes do presente autores e obras explicitamente herdeiros do Modernismo (o mais festivo e iconoclasta). Por essa perspectiva, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para ver como \u201cde hoje\u201d um poeta que em 1985 publica um volume intitulado <em>Poemas gregos<\/em>, que em tudo parece demonstrar uma op\u00e7\u00e3o pelo passadismo. Esse poeta \u00e9 Alexei Bueno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se olhada de perto, e se o olhar despir-se de preconceitos, a obra de Alexei Bueno se revela densamente moderna, porosa e perme\u00e1vel tanto aos fluidos de cima quanto aos detritos do baixo. E \u00e9 isso o que se verifica em <em>Poesia Completa<\/em>, lan\u00e7ada pela ocasi\u00e3o do cinquenten\u00e1rio do autor. A publica\u00e7\u00e3o re\u00fane os doze livros de versos que Alexei Bueno publicou e manteve em sua bibliografia, aos quais se somam <em>Cinco fugas crom\u00e1ticas<\/em>, volume in\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma quantidade consider\u00e1vel dos t\u00edtulos po\u00e9ticos de Alexei d\u00e1 mostras do quanto sua arte evoca s\u00edmbolos de requinte: <em>As escadas da torre<\/em>, <em>Poemas gregos<\/em>, <em>A decomposi\u00e7\u00e3o de Johann Sebastian Bach<\/em>, <em>Lucern\u00e1rio<\/em> e <em>A juventude dos deuses<\/em> indicam o teor de solene ancestralidade que lhe perpassa a escrita. Passando ao interior dos livros, poemas como \u201cHelena\u201d, de <em>Lucern\u00e1rio<\/em> (1993), confirmam o que os nomes sinalizam:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No c\u00f4modo onde Menelau vivera<br \/>\nBateram. Nada. Helena estava morta.<br \/>\nA \u00faltima aia a entrar fechou a porta,<br \/>\nLevaram linho, unguento, \u00e2mbar e cera.<\/p>\n<p>Noventa e sete anos. Suas pernas<br \/>\nEram dois secos galhos recurvados.<br \/>\nSeus seios at\u00e9 o umbigo desdobrados<br \/>\nCobriam-lhe tr\u00eas h\u00e9rnias bem externas.<\/p>\n<p>Na boca sem um dente os l\u00e1bios frouxos<br \/>\nMurchavam, ralo pelo lhe cobria<br \/>\nO sexo que de perto parecia<br \/>\nUm pergaminho antigo de tons roxos.<\/p>\n<p>Maquiaram-lhe as p\u00e1lpebras vincadas,<br \/>\nCompuseram seus ossos quebradi\u00e7os,<br \/>\nDeram-lhe \u00e0 boca uns rubores posti\u00e7os,<br \/>\nEnvolveram-na em faixas perfumadas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o chamas on\u00edvoras tragaram<br \/>\nA carne que cindiu tantas vontades.<br \/>\nQuando sua sombra idosa entrou no Hades<br \/>\nAs sombras dos her\u00f3is todas choraram (p. 279-80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, n\u00e3o deixa de haver na confirma\u00e7\u00e3o uma nota dissonante.\u00a0 Num poeta supostamente passadista, orgulhoso da heran\u00e7a cl\u00e1ssica, s\u00f3 \u00e9 pens\u00e1vel encontrar devo\u00e7\u00e3o a essa heran\u00e7a, o que, nos textos, se ratificaria pela total evita\u00e7\u00e3o do que pudesse manchar est\u00e1tuas e templos. Em \u201cHelena\u201d, o discurso \u00e9 plataforma de uma protagonista mitol\u00f3gica (de uma mitologia protagonista na cultura ocidental), alicer\u00e7ada em quadras decassil\u00e1bicas e tomada por carga imag\u00edstica de alta voltagem. Mas, como se constata em cada uma das suas cinco estrofes, o poema trata do monumento em estado de ru\u00edna. Helena, eternizada como a mais bela das mulheres, \u00e9 apresentada nas duas pontas de seu decl\u00ednio: uma \u00e9 a decrepitude do corpo e o fim da vida; a outra, a vida em estado de fim mesmo ap\u00f3s a morte, com o choro das sombras dos her\u00f3is. Em \u201cHelena\u201d, portanto, o discurso \u00e9 plataforma de antagonismos: o precioso apuro formal relata o avesso do esplendor, e, por extens\u00e3o, o poeta, ao revelar uma Helena com destino at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido, insere na tradi\u00e7\u00e3o uma sombra corrosiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em Alexei Bueno h\u00e1 n\u00edtida assimila\u00e7\u00e3o de matrizes hel\u00eanicas, h\u00e1 que se perceber em sua po\u00e9tica a forma como se manifesta o homem de uma era desprovida de deuses e amputada de helenismos. Nisso se inscrevem os <em>Poemas gregos<\/em>, livro em que <em>mimesis<\/em> e <em>poiesis<\/em> se d\u00e3o em propor\u00e7\u00e3o equ\u00e2nime. Se nele tudo contribui para que seja percebida convictamente a escrita de um aut\u00eantico aedo do per\u00edodo cl\u00e1ssico ou helen\u00edstico, em nada, por\u00e9m, deixar\u00e1 de haver ind\u00edcios de um poeta em particular:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, contr\u00e1rio ao geral dos outros homens,<br \/>\nMuito pouco respeito por v\u00f3s, deuses,<br \/>\nTenho, e nem temo que em castigo um raio<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>Divida-me a cabe\u00e7a (p.180).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed n\u00e3o reside um protesto unilateral ou mesmo a nega\u00e7\u00e3o absoluta de concep\u00e7\u00f5es culturais consagradas pelos anos. A poesia de Alexei Bueno tem na coexist\u00eancia de contr\u00e1rios sua carne e seu esp\u00edrito, dando ao termo \u201catualidade\u201d um sentido t\u00e3o amplo quanto intrincado. Se \u00e9 acertado constatar a inser\u00e7\u00e3o que o poeta faz da mat\u00e9ria cl\u00e1ssica na poesia atual, n\u00e3o menos correto \u00e9 apontar a maneira moderna como trabalha elementos ancestrais, inserindo na dic\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica elementos pr\u00f3prios do homem contempor\u00e2neo, \u201cPois ser um \u00e9 ser morto\u201d (p. 175), como diz o primeiro dos <em>Poemas gregos<\/em>. Assim, se a estrutura padronizada foi suporte para a elegia de uma divindade, tamb\u00e9m o ser\u00e1 para a ode \u201cSilvia Saint\u201d, consagrada \u00e0 tcheca Silvie Tom\u010dalov\u00e1 Stodowa (1976 &#8211; ), esp\u00e9cie de Helena p\u00f3s-moderna, visto ser apresentada em seu <em>site<\/em> oficial como \u201cthe most beautiful pornstar\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>Teu santo nome veste<br \/>\nA quintess\u00eancia bruta<br \/>\nDa arquet\u00edpica puta,<br \/>\nV\u00eanus baixa e celeste.<\/p>\n<p>\u00c1urea cachorra, vaca,<br \/>\nPor que \u00e9 que os l\u00e1bios tremem<br \/>\nVendo em teu rosto o s\u00eamen<br \/>\nComo uma v\u00edtrea laca?<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p>Cadela de ouro, gl\u00f3ria<br \/>\nPueril, s\u00f3rdida e santa,<br \/>\nAsco que envulta e encanta<br \/>\nDeusa auto-entregue \u00e0 esc\u00f3ria.<br \/>\n(&#8230;)<\/p>\n<p>Louro v\u00e9u do universo,<br \/>\nSacra est\u00e1tua e cadela,<br \/>\nPisa esta alma que vela<br \/>\nTeu sonho \u00e1ureo e perverso (p. 589-90).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se radiografar a poesia brasileira atual, \u00e9 inevit\u00e1vel \u2013 e procedente \u2013 o diagn\u00f3stico de um quadro multifacetado. O receio da rotula\u00e7\u00e3o numa camisa-de-for\u00e7a estil\u00edstica impulsiona os poetas a procurarem caminhos pr\u00f3prios, o que encontra largo respaldo numa \u00e9poca de apelo individualista, como \u00e9 a presente. Ao lado dos poetas, tem recebido maior prest\u00edgio a cr\u00edtica que, ao visitar o passado, identifica a idiossincrasia em meio \u00e0 massa convencional. Por extens\u00e3o, essa cr\u00edtica age para demonstrar as estreitezas das tomadas de posi\u00e7\u00e3o grupais, o que chega aos contempor\u00e2neos como alerta e impulso a um destino independente, isento de obriga\u00e7\u00f5es coletivas. Assim o coro cede vez ao canto solo, e de diversos cantos solos comp\u00f5e-se o fragmentado repert\u00f3rio geral. Considerando isso, Alexei Bueno empreende um advent\u00edcio modo de afirma\u00e7\u00e3o da contemporaneidade. Se o panorama se faz diversificado pela assembleia (laica) das individualidades, no autor de <em>Os resistentes<\/em> encontra-se a unidade constitu\u00edda e potencializada por uma comunh\u00e3o conflitante e pelo conflito comungante das partes que desejam ser na companhia de suas ant\u00edteses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As sirenes da cartilha politicamente correta t\u00eam latejado incautas, e nesse sentido o poeta revela outro modo de pertencimento oponente ao seu tempo (o tempo do <em>marketing<\/em> ub\u00edquo e das declara\u00e7\u00f5es em tudo calculadas). O pronunciamento aberto e r\u00edspido na dire\u00e7\u00e3o do que repreende n\u00e3o escolhe perfis, e admoesta o que v\u00ea como est\u00fapido e esp\u00fario: \u201cCansei-me dos pobres\/ Como antes dos ricos\u201d (p.551), diz o ir\u00f4nico \u201cHumanitarismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conflu\u00eancia de itens irreconcili\u00e1veis tamb\u00e9m se processa na estrutura\u00e7\u00e3o textual. Se Alexei Bueno \u00e9 frequentemente rotulado como \u201cneoconservador\u201d, \u00e9 porque nele praticamente s\u00f3 se nota a apar\u00eancia tradicionalista. No entanto, h\u00e1 em sua escrita um s\u00f3lido entrecruzamento de formas consagradas pela tradi\u00e7\u00e3o e pela modernidade. Em sua bibliografia, por entre os livros em que a forma fixa \u00e9 dominante \u2013 <em>As escadas da torre<\/em> (1984), <em>Poemas gregos<\/em> (1985), <em>Livros dos haicais<\/em> (1989), <em>Lucern\u00e1rio<\/em> (1993), <em>Em sonho<\/em> (1999), <em>A \u00e1rvore seca<\/em> (2006) e <em>As desapari\u00e7\u00f5es<\/em> (2009) \u2013 apresentam-se outros integralmente compostos com versilibrismo e polirritmia hegem\u00f4nicos, caso de <em>A decomposi\u00e7\u00e3o de Johann Sebastian Bach<\/em> (1989), <em>A via estreita<\/em> (1995), <em>A juventude dos deuses<\/em> (1996), <em>Entusiasmo<\/em> (1997), <em>Os resistentes<\/em> (2001) e <em>Cinco fugas crom\u00e1ticas<\/em>, trazido ao p\u00fablico com a edi\u00e7\u00e3o desta <em>Poesia Completa<\/em>. Nesses volumes, de forte carga simbolista (a estabelecer entre eles evidente conex\u00e3o), a voz l\u00edrica, \u201cComo de uma crian\u00e7a que n\u00e3o se conforma de n\u00e3o ter os mundos\u201d (p. 233), traduz a convuls\u00e3o de um esp\u00edrito que, aflito pelos limites da unidade, em tudo se v\u00ea e a tudo deseja tocar: \u201cRo\u00e7am-se em mim, incontadas, as vidas todas \u2013 e as vidas de cada vida \u2013\/ Como um turbilh\u00e3o de p\u00e1ssaros que o vento assopra ao mar queixoso\u201d (p. 391).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A po\u00e9tica de Alexei Bueno op\u00f5e-se \u00e0s diversas maneiras com que a cultura ocidental estabelece segrega\u00e7\u00f5es acerca do pensar e do ser. Especificamente na era do apogeu tecnol\u00f3gico, a celeridade imp\u00f5e-se como valor e modelo, e suas ramifica\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas alcan\u00e7am os homens da arte. Potentado \u00faltimo e ub\u00edquo, o mercado dissemina a mensagem da troca imediata e irrefre\u00e1vel, e mesmo na poesia, a barrada no baile das grandes vendas, o t\u00e1cito decreto se instala e por vezes baralha-se ao lema da originalidade e da renova\u00e7\u00e3o. Nesse estado de coisas, n\u00e3o poderia ser outra a (repelente) recep\u00e7\u00e3o da poesia que se conecta a um pret\u00e9rito t\u00e3o morto quanto ainda enigm\u00e1tico e sabedor de novidades \u2013 algumas de car\u00e1ter duvidoso, a ponto de n\u00e3o despertarem qualquer olhar de surpresa fora dos que as anunciam:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 no passado que caminhamos.<br \/>\nSomos hist\u00f3ria, somos hist\u00f3rias.<br \/>\nJ\u00e1 faz mil\u00eanios que aqui passamos<br \/>\nTais nossas roupas, tais nossas gl\u00f3rias.<\/p>\n<p>Mais que os eg\u00edpcios, mais que os sum\u00e9rios,<br \/>\nNum lapso o tempo nos fez distantes.<br \/>\nS\u00e3o l\u00edngua arcaica vossos dit\u00e9rios,<br \/>\nHomens modernos. Todo hoje \u00e9 antes (p. 555).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a poesia \u00e9 recusa e rea\u00e7\u00e3o: recupera para a comunidade o que n\u00e3o pode se perder, e pelo j\u00e1 havido reinventa os modos de permanecer e de falar aos homens, convidando-os \u00e0 evas\u00e3o e convocando-os \u00e0 presen\u00e7a. O dizer inaugural se reporta \u00e0 interpenetra\u00e7\u00e3o dos tempos, e d\u00e1 a dimens\u00e3o ativa do que se mostra est\u00e1tico, pois o <em>isso<\/em> guarda em si algo de <em>aquilo<\/em>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deito-me ao lado da est\u00e1tua marm\u00f3rea,<br \/>\nAlva, branca, lavada de alegria,<br \/>\n\u00c9 a alba, a alvorada, a aurora, o dia,<br \/>\nQue se abre j\u00e1, desnudo e sem hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 de hoje, saqueada de mem\u00f3ria,<br \/>\nEsta deusa, ela nasce, limpa, fria,<br \/>\nAgora, e, ao lado meu, pura, inicia<br \/>\nO mundo neste alvor, o instante, a gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Beijo-a virgem na relva, aqui, a vida,<br \/>\nS\u00f3 tem hojes, abra\u00e7o-a, nova, clara,<br \/>\nSecularmente p\u00e9trea e ora nascida.<\/p>\n<p>Sorrindo na manh\u00e3, gelada, ampara<br \/>\nMeu corpo ext\u00e1tico, \u00e1lgida, estendida<br \/>\nNo sempre, no surgir que urge e n\u00e3o para (p. 446).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Marcos Pasche<\/em><\/strong><em> \u00e9 professor adjunto de Literatura Brasileira da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e cr\u00edtico liter\u00e1rio, autor de De pedra e de carne (Confraria do Vento, 2012).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u201cPoesia Completa\u201d de Alexei Bueno na vis\u00e3o de Marcos Pasche<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11279,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2854,2533],"tags":[2880,11,2882,1276,2881,189],"class_list":["post-11235","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-107a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-alexei-bueno","tag-aperitivo-da-palavra","tag-cinquenta-anos-em-um","tag-marcos-pasche","tag-poesia-completa","tag-resenha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11235","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11235"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11235\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11333,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11235\/revisions\/11333"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}