{"id":11412,"date":"2016-02-27T20:00:22","date_gmt":"2016-02-27T23:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=11412"},"modified":"2016-04-27T22:34:54","modified_gmt":"2016-04-28T01:34:54","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-42","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-42\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p><em>Por<\/em> <em>Clarissa Macedo<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nathan Sousa<\/strong> (Teresina, 1973), \u00e9 poeta, escritor, professor, tecn\u00f3logo em Marketing e letrista. E poeta, mais que qualquer outra coisa, j\u00e1 que \u00e9 da costura l\u00edrica de seu verbo de onde nascem poesia, prosa e m\u00fasica \u2013 esta, ali\u00e1s, que j\u00e1 lhe rendeu mais de 30 composi\u00e7\u00f5es gravadas em parceria, dentre outros, com o maestro Beetholven Cunha, e que j\u00e1 foram interpretadas em Portugal e na Inglaterra. Radicado em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Piau\u00ed, ele \u00e9 autor dos livros <em>O percurso das horas<\/em> (Edi\u00e7\u00f5es do Autor, 2012), <em>No limiar do absurdo<\/em> (LiteraCidade, 2013), <em>Sobre a Transcend\u00eancia do Sil\u00eancio<\/em> (Pr\u00eamio LiteraCidade 2013), <em>Um esbo\u00e7o de nudez<\/em> (Penalux, 2014), <em>Mosteiros<\/em> (Penalux, 2015) e um romance: <em>Nenhum Aceno Ser\u00e1 Esquecido<\/em> (Penalux, 2015). Mais que t\u00edtulos exuberantes, que j\u00e1 revelam um pouco do perfume que exala de suas linhas, os livros do autor referido s\u00e3o fortes e bem regados; pois ele tem o cuidado que a palavra exige para os que dela bebem. \u00c9 Ivan Junqueira quem nos alerta: \u201cN\u00e3o sou eu que escrevo o meu poema: \/ ele \u00e9 que se escreve e que se pensa, \/ como um polvo a distender-se, lento, \/ no fundo das \u00e1guas, entre an\u00eamonas \/ que nos abismos do mar despencam.\u201d. E \u00e9 esta a sensa\u00e7\u00e3o que desabrocha durante a leitura de um livro como <em>Mosteiros<\/em>, por exemplo: uma autonomia, porque, depois de sentirmos, inst\u00e2ncia primeira que se despe durante a contempla\u00e7\u00e3o de um artefato art\u00edstico, mesmo com os protestos da arte conceitual, notamos a palavra erguida de sua pr\u00f3pria mat\u00e9ria, sem aquele zelo excessivo que deixa o verso raqu\u00edtico e o poema sem corpo de t\u00e3o insosso. O que se desvela \u00e9 uma literatura sem arestas, mas proeminente de golpes e p\u00e9talas:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Destilado<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>n\u00e3o mais poderia aquela imagem<\/em><br \/>\n<em>flagrar o espanto em que meus olhos<\/em><br \/>\n<em>armou suas persianas de \u00e1gua.<\/em><br \/>\n<em>e agora que correr \u00e9 um exerc\u00edcio<\/em><br \/>\n<em>de luz e c\u00f3rnea (um desentranhar<\/em><br \/>\n<em>de sonho e acervo) aparo as gotas<\/em><br \/>\n<em>de meu precip\u00edcio para destilar<\/em><br \/>\n<em>a sede de outras intemp\u00e9ries,<\/em><br \/>\n<em>burladas entre o vermelho e o len\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identidade de sua escrita \u00e9 a beleza, em seu sentido mais vivo e carnal; \u00e9 o l\u00edrico destilado, fecundado, cheio de imagens que pescam o leitor de um s\u00f3 arranque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Integrando 20 antologias e sendo vencedor de 23 pr\u00eamios liter\u00e1rios, dentre eles o Assis Brasil 2013, o II Pr\u00eamio de Literatura da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, o Pr\u00eamio Machado de Assis 2015, da Confraria Brasil-Portugal, e o Pr\u00eamio Jos\u00e9 de Alencar 2015, da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores \u2013 UBE, Nathan tem poemas publicados em algumas das principais revistas de literatura do Brasil, \u00e9 membro da Academia de Letras do M\u00e9dio Parna\u00edba e membro-correspondente da Academia de Letras de Te\u00f3filo Otoni-MG. Seus livros est\u00e3o em 36 bibliotecas espalhadas por 12 pa\u00edses. <em>Mosteiros<\/em> est\u00e1 na lista do projeto de tradu\u00e7\u00e3o da Universidade de Santiago, no Chile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que um vasto curr\u00edculo para um escritor que vem publicando h\u00e1 pouco tempo, Nathan Sousa \u00e9 poeta. E sua obra sussurra plenitudes e coer\u00eancias, com o esp\u00edrito daqueles que elegem a literatura como <em>o<\/em> <em>percurso das horas<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_11747\" aria-describedby=\"caption-attachment-11747\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natan.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11747 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natan.jpg\" alt=\"nathan\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natan.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natan-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11747\" class=\"wp-caption-text\">Nathan Souza \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Nathan, iniciando por uma pergunta clich\u00ea: como come\u00e7ou isso de escrever literatura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA &#8211;<\/strong> Fiquei realmente encantado com a literatura ainda na adolesc\u00eancia, com os livros de uma tia (Tia Nileide). Depois, aos 14 anos, em Teresina, eu conheci a Biblioteca Desembargador Cronwell de Carvalho e fiquei encantado com todo aquele universo. Acabei me tornando, e digo sem mod\u00e9stia, um leitor compulsivo. Mas, decidir escrever, alimentando a ideia de um dia ter um livro publicado, isso s\u00f3 me ocorreu em 2010, quando eu j\u00e1 tinha 36 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211;<\/strong> <strong>De onde parte o que voc\u00ea escreve?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA <\/strong>&#8211; Parte da combina\u00e7\u00e3o entre a minha experi\u00eancia de vida (meu contato com o mundo real, minhas perspectivas, meus anseios, minhas perdas e ganhos), o ac\u00famulo verbal que eu consegui ao longo de todos esses anos dedicados aos encantos da literatura, somando-se a isso o olhar automatizador que sempre me perseguiu e que est\u00e1 sempre muito afeito ao meu processo de maturidade. Este \u00edmpeto pelo dizer que n\u00f3s n\u00e3o sabemos mensurar, nem dizer para onde vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211;<\/strong> <strong>A literatura \u00e9, por excel\u00eancia, criadora de uma zona discursiva marginal, que trabalha com sentidos mais amplos e imagin\u00e1rios. Como voc\u00ea mencionou, somado a isso, a cria\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria literatura s\u00e3o um &#8220;\u00edmpeto pelo dizer que n\u00f3s n\u00e3o sabemos mensurar, nem dizer para onde vai.&#8221;. Em que medida \u00e9 poss\u00edvel &#8220;utilizar&#8221; a literatura? O que ela vale numa sociedade como a que vivemos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA <\/strong>&#8211; H\u00e1 um &#8220;modo continuum&#8221; na natureza humana que direciona nossas a\u00e7\u00f5es para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades em seus avan\u00e7ados graus. Mas, pegando de empr\u00e9stimo um termo do genial Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto &#8220;isso ainda diz pouco.&#8221;. A literatura serve, antes de tudo, para nos fazer compreender melhor essa complexidade desenfreada de rela\u00e7\u00f5es a que chamamos de sociedade. Impulsiona o homem para o mergulho na subjetividade e, de l\u00e1, abre seu campo de vis\u00e3o. H\u00e1 centenas ou talvez milhares de livros, por exemplo, a respeito do sul dos EUA. No entanto, quando o leitor se depara com os romances de Faulkner, passa a ter uma compreens\u00e3o maior desse am\u00e1lgama de vidas, de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, enfim&#8230;. do conjunto que formou aquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211;<\/strong> <strong>E voc\u00ea acha que ela \u00e1 apontada como &#8220;dif\u00edcil\u201d, \u201ccansativa&#8221; por um p\u00fablico por ser um mergulho t\u00e3o intenso na subjetividade? Por perfurar mais que acolher?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA <\/strong>&#8211; Literatura \u00e9, antes de tudo, uma devo\u00e7\u00e3o. \u00c9 subir ladeiras sem se importar com as dores. E esse ato, para os verdadeiros escritores e poetas, traz sensa\u00e7\u00f5es que passam despercebidas, tendo em vista que a leitura e escrita sempre ser\u00e3o atos da mais pura exist\u00eancia. Depois \u00e9 que v\u00eam a m\u00eddia, os holofotes, os pr\u00eamios, as badala\u00e7\u00f5es&#8230; mas se n\u00e3o vierem, a devo\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 a mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que significa, em seu \u00edntimo, chegar aos lugares por onde a literatura tem te levado? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; Significa um reencontro. Sim, eu me reencontro de forma consciente nos momentos de experi\u00eancias de leitura, de releitura, quando vou aos saraus, quando sou homenageado, quando lan\u00e7o livros, quando falo, incansavelmente, de literatura, desta necessidade inexplic\u00e1vel de ler, de escrever, de revelar e se deixar levar pelos mist\u00e9rios que a pr\u00f3pria literatura arrasta consigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DA &#8211; O que \u00e9 para Nathan Sousa ser premiado pela UBE e finalista do Jabuti?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; Os pr\u00eamios ajudam, principalmente, a divulgar a obra. Sabemos que a literatura n\u00e3o recebe um tratamento caloroso aqui no Brasil. Ser premiado, e em romance, pela UBE, seguido de estar entre os finalistas (em poesia) do mais destacado pr\u00eamio das nossas letras, o Jabuti, \u00e9 afirmar que tudo o que eu fiz at\u00e9 aqui, em mat\u00e9ria de arte liter\u00e1ria, valeu a pena. J\u00e1 valeria sem os pr\u00eamios. D\u00e1-me tamb\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o de que as minhas escolhas (mergulhar nos cl\u00e1ssicos e me refrescar com o que h\u00e1 de mais significativo na produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea) est\u00e3o me levando para onde eu verdadeiramente quero, ou seja, para aprender a escrever melhor, sempre melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DA &#8211; E al\u00e9m de escrever melhor, at\u00e9 onde voc\u00ea quer ir com\/na literatura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; At\u00e9 onde minhas \u00faltimas for\u00e7as puderem me permitir pensar, debater, ler e escrever, mergulhar nesse universo. Eu n\u00e3o conseguiria fazer outra coisa na vida. Portanto, ainda penso no mundo, na minha raz\u00e3o de viver, no sentido dessa caminhada, como uma grande biblioteca. Sou, assumidamente, borgiano, nesse aspecto. Ainda tenho muitas aspira\u00e7\u00f5es como poeta e escritor (a de continuar buscando novas experi\u00eancias de linguagem com a poesia; a de escrever um grande romance (uma grande novela), a de ler muito, mas muito mais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_11437\" aria-describedby=\"caption-attachment-11437\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/INTERNA-II.jpg\" rel=\"attachment wp-att-11437\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11437 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/INTERNA-II.jpg\" alt=\"Nathan Sousa\" width=\"500\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/INTERNA-II.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/INTERNA-II-300x206.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11437\" class=\"wp-caption-text\">Nathan Sousa \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Voc\u00ea fala sobre escrever um grande romance. O romancista e o poeta se encontram em algum momento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; Sim, a todo momento. Eu costumo dizer que o que enriquece a minha poesia \u00e9 a suposta afina\u00e7\u00e3o com a prosa de fic\u00e7\u00e3o e vice-versa (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Voc\u00ea saberia definir sua obra? Elegeria algum tema central?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; Certa vez, Garcia M\u00e1rquez disse que todo escritor est\u00e1 sempre escrevendo o mesmo livro. Ele disse que o dele era o livro da solid\u00e3o. Seguindo essa concep\u00e7\u00e3o do mestre do realismo m\u00e1gico, eu diria que a minha escrita tem enveredado pela estrada da transcend\u00eancia e do sil\u00eancio. N\u00e3o sei definir com clareza a minha literatura, mas sei muito bem que eu realizo o ato de escrever para alargar a minha identidade, e n\u00e3o somente para me reconhecer existencialmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Conte-nos sobre sua experi\u00eancia como mais novo membro da Academia Luminesc\u00eancia Brasileira &#8211; ALUBRA. \u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; Fui indicado \u00e0 Academia Luminesc\u00eancia Brasileira &#8211; ALUBRA, por dois membros de l\u00e1. A institui\u00e7\u00e3o tem sede em Araraquara-SP. As academias s\u00e3o clube e n\u00e3o sele\u00e7\u00e3o, como quer a maioria. Eu sou membro e atual secret\u00e1rio geral da Academia de Letras do M\u00e9dio Parna\u00edba. Entrei aos 39, mais para representar o orgulho de minha m\u00e3e, que faleceu um m\u00eas antes da minha posse, no come\u00e7o de 2013. Pelo menos no meu caso, a academia me aproximou de outros escritores e poetas de uma forma mais intensa e harmoniosa. Eu ainda acredito que muito pode e deve ser feio por essas institui\u00e7\u00f5es, principalmente no que diz respeito \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o da literatura de seus membros e da comunidade que cada uma delas representa. Ainda n\u00e3o vimos isso, mas eu n\u00e3o me sentiria bem em negar o convite e ficar do lado de c\u00e1, resmungando. Ainda sou membro correspondente da Academia de Letras de Te\u00f3filo Otoni-MG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu digo sempre o seguinte: Assis Brasil, O G R\u00eago de Carvalho, H Dobal e Da Costa e Silva, quatro dos mais destacados nomes da literatura piauiense, fazem e faziam parte da Academia Piauiense de Letras. Guimar\u00e3es Rosa, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto e Jorge Amado faziam parte da ABL. Por que, ent\u00e3o, eu me recusaria a ser membro de uma institui\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que deseja ter meu humilde nome entre os seus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A respeito disso, \u00e9 interessante pontuar a postura de alguns escritores que alegam n\u00e3o sentirem desejo de publica\u00e7\u00e3o, mas publicam, ou afirmam sua obra como irrelevante, embora aceitem convites para eventos liter\u00e1rios. Como voc\u00ea v\u00ea este tipo de postura? Como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com a \u201cfama liter\u00e1ria\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; Com rela\u00e7\u00e3o aos que se posicionam dessa maneira, a meu ver, querem conservar uma posi\u00e7\u00e3o de eleg\u00e2ncia pela aus\u00eancia, pela despretens\u00e3o, por uma simplicidade que \u00e9 t\u00edpica dos que querem ser lembrados, mas n\u00e3o querem ser vistos. Tenho convivido com certa proje\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria em tempo muito curto de carreira, n\u00e3o nego. Eu tenho procurado aproveitar essa proje\u00e7\u00e3o para tentar realizar dupla fun\u00e7\u00e3o: promover a minha escrita\/despertar o gosto pela leitura e a coragem para publicar. Tenho me deparado, ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos, com poetas de boa qualidade, enclausurados na redoma do receio. Eu digo a que vim no meu primeiro poema (Combate, vide <em>O percurso das horas<\/em> &#8211; 2012): &#8220;Escrever poemas \/ \u00e9 como rasgar a camisa \/ mostrar o peito \/ se armar com uma faca cega \/ olhar no olho do mundo \/ e autorizar: \/ pode vir&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Rasgar a camisa exige coragem. E al\u00e9m de coragem, como uma esp\u00e9cie de mensagem, o que mais voc\u00ea gostaria de dizer aos leitores da <em>Diversos Afins<\/em>? (desde j\u00e1 registro o meu muito obrigada pela sua disposi\u00e7\u00e3o em responder essas perguntas).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NATHAN SOUSA<\/strong> &#8211; Eu agrade\u00e7o imensamente por essa entrevista t\u00e3o rica e t\u00e3o amig\u00e1vel, o que n\u00e3o poderia ser diferente, em se tratando de uma entrevistadora\/poeta com a sua compet\u00eancia e afina\u00e7\u00e3o com as palavras, e gostaria de dizer aos leitores da <em>Diversos Afins<\/em> que intensifiquem cada vez mais o gosto pela leitura. Ningu\u00e9m sair\u00e1 perdendo com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Clarissa Macedo<\/em><\/strong><em> nasceu em Salvador e vive em Feira de Santana, Bahia. \u00c9 licenciada em Letras Vern\u00e1culas (UEFS), mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela mesma institui\u00e7\u00e3o e doutoranda em Literatura e Cultura pela UFBA. Atua como revisora e professora. Ministra oficinas de escrita criativa. \u00c9 autora de \u201cO trem vermelho que partiu das cinzas\u201d (2014) e \u201cNa pata do cavalo h\u00e1 sete abismos\u201d (Ed. 7 Letras).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clarissa Macedo entrevista o poeta piauiense Nathan Sousa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11695,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2913,16,2539],"tags":[414,63,2914,8],"class_list":["post-11412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-108a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-clarissa-macedo","tag-entrevista","tag-nathan-sousa","tag-pequena-sabatina-ao-artista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11412"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11749,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11412\/revisions\/11749"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}