{"id":11466,"date":"2016-02-28T11:26:11","date_gmt":"2016-02-28T14:26:11","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=11466"},"modified":"2016-04-27T22:22:47","modified_gmt":"2016-04-28T01:22:47","slug":"dedos-de-prosa-iii-41","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-iii-41\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa III"},"content":{"rendered":"<p><em>Natalia Borges Polesso<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11725\" aria-describedby=\"caption-attachment-11725\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ricardolaf.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11725 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ricardolaf.jpg\" alt=\"ricardolaf\" width=\"500\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ricardolaf.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/ricardolaf-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11725\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Laf<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Wasserkur<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Se h\u00e1 motivos, eu queria come\u00e7ar te dizendo que odeio dias de chuva, mas n\u00e3o vou. Dias chuvosos me deixam t\u00e3o triste que n\u00e3o tenho nem for\u00e7as para odiar, na verdade, eu s\u00f3 tenho vontade de escrever. N\u00e3o, vontade n\u00e3o, urg\u00eancia. S\u00f3 que acontece de, como hoje, eu estar ilhada em lugares distantes da minha casa, do meu computador, das minhas coisas de escrever, ou impossibilitada de alcan\u00e7ar meu caderninho e minha inspira\u00e7\u00e3o. E me dou conta de que estou com os p\u00e9s encharcados, numa rodovi\u00e1ria, parada de \u00f4nibus, rua alagada, pensando em tudo o que eu poderia estar fazendo que n\u00e3o estar molhada. Ao mesmo tempo, se n\u00e3o acontecesse de chover, eu n\u00e3o teria essa vontade t\u00e3o urgente. A\u00ed eu fico mais triste, porque ou\u00e7o no r\u00e1dio a defesa civil falando sobre alagamentos, resgates, desabamentos, fam\u00edlias perdendo tudo o que mal tinham em casa, beb\u00eas quase se afogando dentro do pr\u00f3prio quarto, idosos que enquanto dormiam foram levados pela correnteza e todas essas calamidades que v\u00eam junto nas enxurradas, anunciadas pela voz muito dram\u00e1tica e bem articulada de um locutor. Hoje, especificamente, estou na rodovi\u00e1ria de Porto Alegre, e tu deve entender a implica\u00e7\u00e3o de caos nesse fato. Estou ilhada. A m\u00e9dia de atraso \u00e9 de tr\u00eas horas. As estradas est\u00e3o alagadas e sofrendo interdi\u00e7\u00f5es intermitentes. Acabo de ver, numa tela ensebada de televis\u00e3o que a rodovia est\u00e1 parcialmente alagada no sentido Porto Alegre-Canoas, o que significa que n\u00e3o vou para casa t\u00e3o cedo, por isso, no momento, eu n\u00e3o sei se h\u00e1 algo para gostar em dias de chuva, mas n\u00e3o quero dizer que os odeio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o gosto do barulho da chuva quando estou nela, nem das vozes que oferecem guarda-chuvas a dez ou cinco reais, esses guarda-chuvas n\u00e3o s\u00e3o honestos e se destroem logo na primeira rajada de vento que quebra na esquina. Eu n\u00e3o gosto do lixo que se acumula mais visivelmente nas cal\u00e7adas e sarjetas, n\u00e3o gosto das pessoas que caminham com o guarda-chuva aberto sob as marquises, sendo que poderiam dar espa\u00e7o para quem n\u00e3o tem um, n\u00e3o gosto de carros que avan\u00e7am sem dar prefer\u00eancia para pedestres ensopados e n\u00e3o gosto do cheiro das pessoas tamb\u00e9m, especialmente aquelas que fumam, o cheiro de cigarro se potencializa na umidade. Eu odeio cheiro de cigarro, mas eu detesto ainda mais cheiro de cigarro molhado. Eu tinha uma colega que chegava de manh\u00e3 cedinho na faculdade com o cabelo lavado e cheiro de cigarro. Cada vez que ela se mexia, na minha dire\u00e7\u00e3o se espalhava uma nuvem meio doce, meio azeda, meio suja talvez com aquele cheiro detest\u00e1vel de cigarro e condicionador de cabelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje o dia est\u00e1 especialmente triste, porque amanheceu sem promessa de sol. Sabe quando tu olha para fora e tem certeza das limita\u00e7\u00f5es do clima, tem certeza que o c\u00e9u n\u00e3o vai te presentear com azuis e dourados, tem certeza que tudo o que vai ver \u00e9 a cor cinza? Pois ent\u00e3o, esse \u00e9 o dia de hoje. Mas eu sempre tento me enganar com alguma coisa boa, como meias secas, almo\u00e7os ou um programa tosco de televis\u00e3o. Tomei dois caf\u00e9s e dois canos hoje e a culpa foi da chuva. Assim como \u00e9 culpa da chuva que todos os \u00f4nibus, que me levariam para casa, passem pelo box de embarque n\u00famero tr\u00eas sem men\u00e7\u00e3o de parar. Acho que fico mais do que tr\u00eas horas por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevo essas frustra\u00e7\u00f5es \u00famidas nas margens de um jornal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses dias de chuva, tudo fica meio bagun\u00e7ado dentro e em derredor, e \u00e9 dif\u00edcil para mim, j\u00e1 que sou meio triste naturalmente, digo, n\u00e3o sou uma pessoa alegre, sou engra\u00e7ada, mas isso \u00e9 diferente, mesmo quando seca e quente, tenho esse tipo de humor melanc\u00f3lico que dizem combinar mais com dias chuvosos e por isso talvez eu os despreze tanto, por conta das pot\u00eancias. De qualquer maneira, \u00e9 dif\u00edcil para mim controlar essa esp\u00e9cie de choro que vem. Na verdade, s\u00e3o s\u00f3 umas l\u00e1grimas silenciosas que nem chegam a escorrer at\u00e9 o fim da minha cara, ficam ali paradas, pelas p\u00e1lpebras e apenas marejam nas bordas. Algumas descem pelos cantos ou avan\u00e7am pelas bochechas, mas acabam secando antes de fazer a curva final. N\u00e3o pingam como choro de verdade. Por fora \u00e9 s\u00f3 uma tristeza ba\u00e7a. O grosso do des\u00e2nimo com a vida fica dentro, e me cava no cora\u00e7\u00e3o uma for\u00e7a de melancolia, que eu tento cobrir com outras mentiras. Talvez eu n\u00e3o devesse ter dito isso assim t\u00e3o meramente, t\u00e3o explicado, mas \u00e9 assim que acontece. Tudo o que meus olhos enxergam fica borrado como numa lente que tenta amaciar a realidade, mas n\u00e3o cumpre a fantasia, apenas borra. Nesses dias de chuva, tudo fica meio bagun\u00e7ado dentro e ao redor, como disse. Talvez eu te entregue esse jornal, talvez eu jogue fora, talvez eu fa\u00e7a um barco e largue sarjeta abaixo at\u00e9 que ele entupa uma boca de lobo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tu me disse que em dias de chuva n\u00e3o consegue ficar lendo e bebendo caf\u00e9 e eu acrescento, nem fumando cigarros ou esperando encontros fortuitos. Nos dias de chuva, eu existo, porque n\u00e3o posso n\u00e3o faz\u00ea-lo. N\u00e3o quero morrer num dia de chuva. N\u00e3o posso morrer em todos os dias de chuva e voltar apenas nos dias de tempo seco, nos quais os p\u00e9s est\u00e3o sempre quentes. Ent\u00e3o eu imagino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu imagino que em dias de chuva tu pensa no desenho que o parquet faz no ch\u00e3o da sala de aula e de longe ouve a voz mon\u00f3tona do professor, imagino que deseja estar mergulhada, imersa nas po\u00e7as que se formam caudalosas l\u00e1 fora, ou talvez, num bloco de chuva espessa que cai de uma s\u00f3 gorda nuvem, uma tromba d\u2019\u00e1gua. Eu imagino que o professor fala de <em>wasserkur<\/em>, e tu perde o fim da frase, porque se distraiu com a vidra\u00e7a, mas sabe que a frase era sobre arte e transitoriedade. Pensa. N\u00e3o existe. Te imagino numa conversa sobre dentes e paredes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu me sinto triste quando longe de ti, mas hoje, mesmo mais perto, continuo me sentindo triste. Eu n\u00e3o sei se \u00e9 culpa da chuva agora, deve ser ainda. Mas por um momento me passa pela cabe\u00e7a que tu mandou chover no nosso encontro. Eu sou meio desconfiada mesmo. Mais ainda quando sinto sono e dor de cabe\u00e7a, talvez por isso o pessimismo todo e a desconfian\u00e7a. \u00c9 que eu passei a noite em claro pensando se nos ver\u00edamos e tive vontade de te encontrar porque gosto de ti como se h\u00e1 muito fizesse parte de mim. E a minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 criar um amor no espa\u00e7o dessa dist\u00e2ncia que hoje, por conta da chuva, n\u00e3o se comprimiu. Agora eu olho para o ch\u00e3o embarrado da rodovi\u00e1ria sem ideia de como farei isso. Eu sei que essas coisas acontecem, talvez j\u00e1 estejam acontecendo. Eu n\u00e3o quero te proteger de nada, mas n\u00e3o quero que nada de ruim aconte\u00e7a com teus dentes, como paredes em lugares errados. S\u00f3 que eu sei que em dias de chuva, com o campo de vis\u00e3o diminuto, a gente pode muito bem dar de cara com algum empecilho, seja buraco, parede ou negativa para convite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que essa chuva me atrapalha as urg\u00eancias. Isso \u00e9 engra\u00e7ado, n\u00e9? Porque, se n\u00e3o fosse a chuva n\u00e3o haveria nem vontade e nem tristeza em pot\u00eancia, e a\u00ed est\u00e1 o paradoxo: ao que ela impede, tamb\u00e9m propicia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que um lugar seco e silencioso agora, eu queria ter os p\u00e9s dentro d\u2019\u00e1gua, talvez porque tenha lembrado de longe a voz monoc\u00f3rdia do professor dizendo que isso \u00e9 um tipo de cura. P\u00e9s na \u00e1gua curam ansiedade, gripe e saudade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amanh\u00e3 j\u00e1 \u00e9 dezembro, depois outro ano e em setembro volta a chover e eu vou ficar sozinha. Ent\u00e3o eu tenho vontade de mergulhar para me curar do amor que ainda n\u00e3o tenho e n\u00e3o sentir a saudade que nem existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, eu desisto de ir embora. Vou fazer dessas folhas de jornal um barco e das outras folhas um abrigo. Vou comprar cigarros para fumar debaixo de uma marquise, soprando fuma\u00e7a nos apressados. Vou encharcar as meias para depois ver meus p\u00e9s brancos e murchos. Vou inventar raz\u00f5es para amar e odiar a chuva, e o dia de hoje e, talvez, te odiar tamb\u00e9m. At\u00e9 te encontrar naquele caf\u00e9 que, em todos os dias chuvosos, tu vai para que ningu\u00e9m te veja lendo e tomando um pingado, porque saberiam que tu mentiu quando disse que n\u00e3o conseguia fazer essas coisas em dias de chuva. E eu, eu vou te desmascarar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Molotov<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Que pena. \u00c9 uma pena mesmo que esse encontro tenha acontecido assim tarde, assim t\u00e3o tarde da noite. J\u00e1 com os copos vazios e as cabe\u00e7as cheias, que pena. Vai e vem de bilhetes inconsequentes, ou melhor, com consequ\u00eancias tr\u00e1gicas, n\u00e3o fossem pat\u00e9ticas. Essas ninfas, essas musas, essas mentes \u2013 tor\u00e7o meus dedos e suspiro pensando no coquetel molotov que veio a prop\u00f3sito de beijo de boa noite. Quando me dei conta, a garrafa j\u00e1 tinha explodido e o quarto pegava fogo \u2013 labaredas entre n\u00f3s \u2013 senti os cacos de vidro me cortarem a cara. Abri a boca para respirar, os cacos na minha boca, mastigo. Vidro quente. L\u00e1bios, dentes e l\u00edngua machucados. Fico com a boca cheia de sangue, engulo tudo. Peda\u00e7o de dentes, l\u00edngua, l\u00e1bio, vidro, gasolina e fogo e tento te alcan\u00e7ar com as pontas dos meus dedos. Tu est\u00e1 queimando. Tua pele arde e teus cabelos tomam um negror de carv\u00e3o antes de ser brasa. Tu est\u00e1 im\u00f3vel, impass\u00edvel, impenetr\u00e1vel. Vejo um homem surdo que sorri e me estende a m\u00e3o, e por ser surdo n\u00e3o se afeta nem com o barulho do fogo, nem com o que em mim se faz mais estridente. O homem me abra\u00e7a, eu me desvencilho, corro na tua dire\u00e7\u00e3o, enla\u00e7o teu corpo que, abrasivo, me faz bolhas. Meu corpo d\u00f3i inteiro. Sou carne, estou viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/ainerciadealice.blogspot.com.br\/\"><strong><em>Natalia Borges Polesso<\/em><\/strong><\/a><em> \u00e9 escritora, professora e doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS. \u00c9 autora de \u201cCora\u00e7\u00e3o a corda\u201d (2015) e \u201cRecortes para \u00e1lbum de fotografia sem gente\u201d, obra vencedora do Pr\u00eamio A\u00e7orianos (2013) na categoria contos, e tamb\u00e9m da tirinha tosca \u201cA Escritora Incompreendida\u201d, publicada via facebook.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As vias confessionais da prosa de Natalia Borges Polesso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11725,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2913,9],"tags":[81,41,2934,2511,2933],"class_list":["post-11466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-108a-leva","category-janelas-poeticas","tag-conto","tag-dedos-de-prosa","tag-molotov","tag-natalia-borges-polesso","tag-wasserkur"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11466"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11743,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11466\/revisions\/11743"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}