{"id":11657,"date":"2016-04-07T09:53:31","date_gmt":"2016-04-07T12:53:31","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=11657"},"modified":"2016-04-28T16:01:49","modified_gmt":"2016-04-28T19:01:49","slug":"dedos-de-prosa-i-44","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-i-44\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa I"},"content":{"rendered":"<p><em>Tom Correia<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11663\" aria-describedby=\"caption-attachment-11663\" style=\"width: 416px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/interna-5.jpg\" rel=\"attachment wp-att-11663\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11663 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/interna-5.jpg\" alt=\"Helena Barbagelata\" width=\"416\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/interna-5.jpg 416w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/interna-5-250x300.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11663\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Helena Barbagelata<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Benguela<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Quando se est\u00e1 preso a um futuro morto perde-se o senso<br \/>\n\u00c9 imposs\u00edvel anotar com exatid\u00e3o a passagem do tempo:<br \/>\nOs s\u00e9culos que conduzem ao ex\u00edlio sem salva\u00e7\u00e3o<br \/>\nAo desterro compuls\u00f3rio que aniquila<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Se h\u00e1 um despertar dos escombros<br \/>\nN\u00e3o se pode mais compensar as milh\u00f5es de horas escoadas<br \/>\nOs milhares de dias melanc\u00f3licos<br \/>\nFebre por respirar coisa morta<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Comida arremessada do c\u00e9u sobre um tronco que navega<br \/>\nIntestinos que se esvaem<br \/>\nLamentos da costa cada vez mais distante,<br \/>\nPe\u00e7as desencaixadas para sempre da pangeia original<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Corrente subterr\u00e2nea que faz oscilar<br \/>\nVidas-dejeto sepultadas em naus fantasmas<br \/>\nFome e sede amontoadas<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Corpos em pus despejados no oceano<br \/>\nTravessia mals\u00e3, cole\u00e7\u00e3o de mol\u00e9stias sob ouro e marfim<br \/>\nTumba flutuante que vomita almas lucrativas<br \/>\nEm portos hostis<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia estrangeira se reunia festivamente et\u00edlica ao redor da mesa posta. Havia comida para alimentar um ex\u00e9rcito, mas em vez de iguaria da terra deles ofereciam algo t\u00edpico da cidade que os acolhera. Comemoravam o anivers\u00e1rio da matriarca, jovial e de sotaque carregado. Ela n\u00e3o parava de falar sobre os costumes e vantagens do seu pa\u00eds. Os convidados, informais, fingiam interesse. N\u00e3o se cansavam de elogiar a comida, alguns repetindo pratos vigorosos. Para manter as panelas sempre cheias, a anfitri\u00e3 sumia por alguns minutos e logo depois retornava carregando por\u00e7\u00f5es fumegantes em utens\u00edlios inox.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu conhecia bem o local da festa, a casa ampla e avarandada que trazia em si uma preciosidade: um quintal com \u00e1rvore e sombra. Quando o patr\u00e3o me disse o roteiro no dia anterior, quase me denuncio, por\u00e9m mantive a frieza profissional. Passei a noite em claro, lendo no meu quarto, e imaginei dar uma desculpa por motivo de sa\u00fade. Por\u00e9m, faltar ao trabalho daquela forma teria sido indigno. Quando chegamos, confirmei o meu eterno estado de invisibilidade em certos ambientes, especialmente quando estou de uniforme. Sentei a um canto para observar os atores principais. Efusivas, as pessoas andavam de um lado para o outro segurando pratinho e copinho cheios. Talheres ca\u00edam no piso produzindo o som met\u00e1lico que trinca os dentes e arrepia o bra\u00e7o. Tamb\u00e9m havia cerveja barata e cacha\u00e7a artesanal. A primeira circulava sem limites; a outra, servida a conta-gotas. Os filhos da aniversariante mantinham dist\u00e2ncia. Comiam pouco e n\u00e3o bebiam. As breves conversas n\u00e3o envolviam hist\u00f3rias engra\u00e7adas de inf\u00e2ncia. O rel\u00f3gio era consultado a intervalos cada vez mais curtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas onde a senhora aprendeu a fazer t\u00e3o bem nossa comida?\u201d, algu\u00e9m perguntou a certa altura. \u201cAh, filho meu, isto \u00e9 segredo\u201d, disse sorrindo. \u201cE depois de tanto tempo aqui a senhora ainda sente saudades da sua terra?\u201d, outro perguntou. \u201cSinto&#8230; \u00c9 tanta falta que \u00e0s vezes penso que <em>voy<\/em> a morrer sufocada. S\u00f3 vim pra c\u00e1 porque n\u00e3o tive outra sa\u00edda, me <em>arrastaron<\/em> sem me perguntar nada. Quando me <em>despert\u00e9<\/em> estava enfiada dentro de uma lata velha que quase afunda\u201d, respondeu, enquanto se dirigia saltitante em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cozinha. Devido ao \u00e1lcool, todos riram. Menos eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0* \u00a0*<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o era dono do meu tempo. Tinha de esperar quando quisessem ir. Sentei no sof\u00e1 pra ver um pouco de tev\u00ea. A comida pesada me fez cochilar, mesmo com a gritaria hist\u00e9rica. Sonho: eu e Debr\u00ea tom\u00e1vamos cravinho num boteco pr\u00f3ximo ao Parafuso, na Concei\u00e7\u00e3o. A gente bebia e jogava domin\u00f3, enquanto ele explicava a mudan\u00e7a de ramo, que arte n\u00e3o tinha futuro e seus quadros estavam todos encalhados. Resolveu abrir uma ag\u00eancia de cordeiros e uma construtora de camarotes para o Entrudo. Ele bebia v\u00e1rias doses e permanecia s\u00f3brio, enquanto eu tinha a vis\u00e3o cada vez mais emba\u00e7ada. Eu perdia todas as partidas sem conseguir dar nem mesmo um passe. Tamb\u00e9m, pudera. Ele pintava as pedras. No meio do jogo, Debr\u00ea atendeu a uma liga\u00e7\u00e3o do s\u00f3cio. \u201cEra o Rugendas, t\u00e1 vindo pra c\u00e1\u201d, disse ao desligar o aparelho. \u201cN\u00e3o vai demorar\u201d, ele levantou-se e anunciou euf\u00f3rico, \u201cpra esta cidade ser tomada por hordas de imbecis dispostos a pagar fortunas pra pular atr\u00e1s de qualquer geringon\u00e7a bem barulhenta. \u00c9 um fil\u00e3o que precisamos explorar logo, entende, meu nobre?! A flutua\u00e7\u00e3o cambial no mercado de idiotas e espertos est\u00e1 favor\u00e1vel e temos de aproveitar. Hoje, um tolo vale cinco virtuosos, por\u00e9m voc\u00ea n\u00e3o faz ideia de onde isso vai parar, meu bom rapaz!\u201d Quando ele piscou para mim, levantando outra dose de cravinho com a m\u00e3o esquerda, acordei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas falavam cada vez mais alto. Alguns assistiam a um jogo sem import\u00e2ncia, um desses esportes de praia inventados pelos departamentos de marketing dos bancos estatais. Ouvi barulho de copo quebrado em algum lugar vago da resid\u00eancia e fui procurar o meu banheiro. Passei pela fila de mulheres contorcendo as pernas e cheguei ao quintal vazio pra regar rapidamente a \u00e1rvore, uma das minhas mais remotas lembran\u00e7as infantis. Notei o mesmo casebre atr\u00e1s de um muro de plantas, a fuma\u00e7a branca saindo por uma chamin\u00e9 de metal no teto da constru\u00e7\u00e3o. O cheiro n\u00e3o podia ser confundido, n\u00e3o por mim. Antes mesmo de saber onde seria o tal almo\u00e7o, uma coincid\u00eancia desconcertante, eu j\u00e1 ensaiava uma visita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui me aproximando e empurrei a porta entreaberta. Ela estava de c\u00f3coras, soprando as brasas de um fog\u00e3o feito de tijolos e peda\u00e7os de pau. Eu conhecia bem a fonte da comilan\u00e7a na casa-grande: um centen\u00e1rio panel\u00e3o de barro coberto de fuligem que eu lavava todo s\u00e1bado. Uma tarefa detest\u00e1vel. Quando me viu, levantou-se, limpando a m\u00e3o no vestido roto. Parecia esperar eu pedir algo. Estava descal\u00e7a e sua pele azul de t\u00e3o retinta exibia pequenos pontos de suor est\u00e1tico. Cabelos desgrenhados como palhas de a\u00e7o, massa disforme e espessa repuxada a f\u00f3rceps. O fundo branco dos grandes olhos contrastava com o sorriso feito s\u00f3 de gengivas roxas. Ficamos assim, um procurando no outro mudan\u00e7a e perman\u00eancia. Ela tocou meu rosto e ia falar alguma coisa, mas percebeu uma movimenta\u00e7\u00e3o. \u201cEita, que l\u00e1 ev\u00e9m minha patroa&#8230;\u201d, estalou a l\u00edngua e apressou-se em voltar a mexer na panela. Tive de ser r\u00e1pido pra achar um v\u00e3o que me mantivesse oculto. Uma encheu os vasilhames e saiu; a outra respirou fundo e se sentou no ch\u00e3o de terra batida, recostando-se \u00e0 parede. Perguntei se ela precisava de alguma coisa, mas a mulher permaneceu alheia, de cabe\u00e7a baixa, dividida entre lavar os pratos numa bacia e manter o fogo aceso. V\u00e1rias vezes pensei em lev\u00e1-la comigo. Teria sido um grande erro. Al\u00e9m disso, ela queria ficar s\u00f3. Eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando retornei, o pessoal acompanhava a m\u00fasica aos berros. Dei uma olhada no banheiro imundo. Eu sabia quem limparia tudo mais tarde. Evitei colaborar com a sujeira. A anfitri\u00e3 estava meio anestesiada, devia ser o cansa\u00e7o. Assistia a tudo com um rosto oleoso, incapaz de esbo\u00e7ar reprova\u00e7\u00e3o. Improvisaram um bloco carnavalesco no meio da sala, subindo nos estofados e rindo de tudo, at\u00e9 um deles chegar com a m\u00e1 not\u00edcia: a bebida terminara. Sob protesto, foram se recompondo, chaves de carros sendo recolhidas uma a uma. Tamb\u00e9m tive de sair, por\u00e9m n\u00e3o podia deixar meu patr\u00e3o ali naquele estado alco\u00f3lico. Fui obrigado a carreg\u00e1-lo, ajeitando seu corpanzil no banco de tr\u00e1s. Tirei seus sapatos e meias, guardei sua carteira de c\u00e9dulas e \u00f3culos no porta-luvas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, ainda trazia comigo as imagens do encontro. Caminhando pelo Vale de Nazar\u00e9, vi uma aglomera\u00e7\u00e3o ao redor de um caixote de papel\u00e3o. As pessoas apostavam para descobrir sob qual das tr\u00eas tampinhas um sujeito escondia uma bola de pl\u00e1stico. Nervosos, homens e mulheres exibiam as c\u00e9dulas que desejavam multiplicar facilmente. Tentei identificar golpistas e v\u00edtimas, mas todos eram iguais em suas ambi\u00e7\u00f5es e trapa\u00e7as. Recordei o sonho com Debr\u00ea. Existem infinitos meios de explorar o mercado de idiotas nos tempos de hoje. Eu tinha vergonha de pegar minha parte do lucro. Quase todos os anos vividos nos subterr\u00e2neos de um quarto min\u00fasculo s\u00f3 foram dissipados com uma carteira de motorista, alforria conseguida a muito custo, s\u00f3 eu sei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada mais era importante. A n\u00e3o ser o fato de eu sentir um aperto no peito toda vez que eu via o nome daquela negra na parte de tr\u00e1s do meu RG. Somente o nome dela, carregando nas costas cansadas o branco da outra linha vazia nos meus dados de filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/acavernadoescriba.wordpress.com\"><strong><em>Tom Correia<\/em><\/strong><\/a><em> nasceu em Salvador. Jornalista, iniciou a carreira liter\u00e1ria em 2002, quando ganhou o Pr\u00eamio Braskem com <\/em><em>\u201c<\/em><em>Memorial dos med\u00edocres<\/em><em>\u201d<\/em><em>. Publicou <\/em><em>\u201c<\/em><em>Sob um c\u00e9u de gris profundo<\/em><em>\u201d<\/em><em> (2011) e participou das colet\u00e2neas <\/em><em>\u201c<\/em><em>As baianas<\/em><em>\u201d<\/em><em> (2012) e <\/em><em>\u201c<\/em><em>82: Uma copa, quinze hist\u00f3rias<\/em><em>\u201d<\/em><em> (2013). Integrou ainda a antologia <\/em><em>\u201c<\/em><em>Wir sind bereit<\/em><em>\u201d<\/em><em> (2013), a convite da editora alem\u00e3 Lettr\u00e9tage. Em 2014, foi selecionado para o segundo volume de Autores baianos: um panorama, publica\u00e7\u00e3o em quatro idiomas promovida pela Secretaria da Cultura e pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Estado da Bahia. Em 2015, lan\u00e7ou <\/em><em>\u201c<\/em><em>Ladeiras, vielas &amp; farrapos<\/em><em>\u201d<\/em><em> e ganhou um pr\u00eamio de resid\u00eancia art\u00edstica para escritores no Instituto Sacatar, Itaparica. A resid\u00eancia proporcionou seu retorno \u00e0 Fotografia. <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Indel\u00e9veis legados do tempo num conto de Tom Correia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11659,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2972,2534,16],"tags":[2985,81,41,1980,2984],"class_list":["post-11657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-109a-leva","category-dedos-de-prosa","category-destaques","tag-benguela","tag-conto","tag-dedos-de-prosa","tag-salvador","tag-tom-correia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11657"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11657\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11667,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11657\/revisions\/11667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}