{"id":11925,"date":"2016-06-06T10:04:38","date_gmt":"2016-06-06T13:04:38","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=11925"},"modified":"2016-06-08T17:54:29","modified_gmt":"2016-06-08T20:54:29","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-44","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-44\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz que n\u00e3o cala diante dos improp\u00e9rios do mundo tamb\u00e9m pode ser a mesma que silencia para efeito de necess\u00e1rias contempla\u00e7\u00f5es. Ao poeta, cabe a delicada tarefa de equilibrar imperativos da raz\u00e3o com os apelos do sentimento. Est\u00e1 em jogo a necessidade de que ele se posicione diante do meio que o circunda, fomentando a ideia de que \u00e9 um ser n\u00e3o dissociado dos fatores notadamente hist\u00f3ricos, sociais e pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando vemos desfilar ante nossos olhos a trajet\u00f3ria de um autor como <strong>Alex Sim\u00f5es<\/strong>, percebemos que estar no mundo n\u00e3o \u00e9 um ato acidental. H\u00e1 que se vislumbrar a consci\u00eancia de dois polos de pretens\u00e3o: o observar e o agir. Para Alex, observar \u00e9 olhar detidamente para um tudo que nos abra\u00e7a mesmo involuntariamente. Num outro eixo, agir \u00e9 estar consciente de que a arte \u00e9 ferramenta de mobiliza\u00e7\u00e3o ativa no que tange \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sob as suas mais variadas vertentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Art\u00edfice da palavra, Alex privilegia a forma como mola propulsora da cria\u00e7\u00e3o para depois demarcar os territ\u00f3rios do conte\u00fado. O que resulta dessa conjuga\u00e7\u00e3o \u00e9 uma obra cujos dom\u00ednios posicionam seu criador como um dos mais vigorosos representantes da moderna poesia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, o poeta a quem entrevistamos agora sabe o que dizer. Seus versos configuram uma representa\u00e7\u00e3o de que estar no mundo \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o fundamental de defender pontos de vista. E n\u00e3o esperemos dele o esteta que se deslumbra com os elementos pl\u00e1sticos e superficiais de seu of\u00edcio, aquele bem distanciado do p\u00fablico em geral, como se habitasse um olimpo da cria\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, a afirma\u00e7\u00e3o de uma identidade enquanto sujeito pensante, cr\u00edtico e l\u00facido torna suas vias liter\u00e1rias notadamente mundanas, sobretudo porque tem a consci\u00eancia de sua voz, seu corpo e seu tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em Salvador, Bahia, Alex Sim\u00f5es \u00e9 pungentemente poeta e performer. Especialmente, a fus\u00e3o entre essas duas frentes de atua\u00e7\u00e3o desemboca nas assim chamadas <em>poerformances<\/em>. Nelas, o poeta exp\u00f5e, pelos trajetos da mente e do corpo, o seu valioso desejo de aproxima\u00e7\u00e3o com seus semelhantes, quebrando paradigmas, dessacralizando a poesia e tornando-a um instrumento de partilha social. S\u00e3o de sua autoria os livros \u201cQuarenta e Uns Sonetos Catados\u201d (2013) e \u201c(hai)c\u00e9ufies\u201d (2014). \u00c9 tamb\u00e9m professor e tradutor e, desde os anos 90, integrou v\u00e1rias revistas e antologias liter\u00e1rias dentro e fora do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda sob o efeito do seu mais recente livro, \u201cContrassonetos: catados &amp; via v\u00e2ndala\u201d (Ed. Mondrongo \u2013 2015), Alex dialoga conosco sobre uma vasta gama de temas. Uma conversa que perpassa tamb\u00e9m a sua constru\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica enquanto sujeito que recusa um ideal de poesia que n\u00e3o seja reflexo do mundo no qual vive. Nesse \u00ednterim, h\u00e1 o testemunho do autor diante dos aspectos que atravessam marcantemente sua obra, mas irrompe sobremaneira o olhar de um algu\u00e9m devotado \u00e0s quest\u00f5es que o tornam demasiadamente humano.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_11927\" aria-describedby=\"caption-attachment-11927\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Ricardo-Prado-I.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11927 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Ricardo-Prado-I.jpg\" alt=\"Alex por Ricardo Prado \" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Ricardo-Prado-I.jpg 400w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Ricardo-Prado-I-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Ricardo-Prado-I-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11927\" class=\"wp-caption-text\">Alex Sim\u00f5es \/ Foto: Ricardo Prado<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Na leitura do seu mais recente livro de poemas, chama aten\u00e7\u00e3o a harmonia marcante entre aspectos formais e de conte\u00fado, uma caracter\u00edstica sua. E n\u00e3o h\u00e1 facilidades nesse seu caminho em dire\u00e7\u00e3o ao leitor, tampouco condu\u00e7\u00f5es herm\u00e9ticas. O que dizer desse rumo? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>De fato, \u00e9 uma caracter\u00edstica. Eu parto fundamentalmente da forma, e \u00e9 meio complicado dizer isso, mas parto dela. Esteticamente, penso em termos de poesia. Em projetos est\u00e9ticos em geral, penso a partir de formas. Escrevo coisas muito diferentes de sonetos. Versos livres, haicais, baladas, enfim. Mas eu geralmente penso na forma que vou usar. Essa adequa\u00e7\u00e3o entre forma e conte\u00fado \u00e9 mais do que uma adequa\u00e7\u00e3o. Existe uma organicidade que foi conquistada. E fico muito lisonjeado quando isso \u00e9 reconhecido porque, \u00e0s vezes, quando falam de mim, ressaltam muito essa condi\u00e7\u00e3o de ser expertise, de ser um bom formalista, mas na verdade n\u00e3o \u00e9 o que me interessa. \u00c9 importante, sim, o dom\u00ednio da linguagem, mas me interessa mesmo \u00e9 dizer coisas. Eu procuro pensar de modo muito simult\u00e2neo, ou seja, que h\u00e1 formas adequadas de dizer certas coisas. Esse livro mais recente \u00e9 um livro que tem 23 anos de hist\u00f3ria e voc\u00ea vai encontrar sonetos que dizem coisas lindas, mas que s\u00e3o mais formais, e que havia uma maior facilidade em dire\u00e7\u00e3o ao leitor, al\u00e9m de trabalhos mais recentes, nos quais eu trago tanto um rigor no sentido de pesquisar e trazer a minha l\u00edngua cotidiana para essa forma fixa, tradicional, ao mesmo tempo em que h\u00e1 esse respeito ao leitor. Quando voc\u00ea cria, surge um p\u00fablico e voc\u00ea gera uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade com a forma e a linguagem. Essa harmonia que voc\u00ea definiu \u00e9 reflexo disso, duma rela\u00e7\u00e3o que \u00e9 muito antiga com a poesia e que se reflete em diversas formas e rela\u00e7\u00f5es. A mais antiga e consistente \u00e9 o soneto, mas tamb\u00e9m tenho esse outro lado de experimentar e, quando estou muito confort\u00e1vel, buscar outras maneiras de quebrar essa minha intimidade, de criar disrupturas. N\u00e3o me constituir um poeta de linguagem herm\u00e9tica, ao mesmo tempo em que n\u00e3o facilito, \u00e9 um equil\u00edbrio que est\u00e1 muito na preocupa\u00e7\u00e3o em trazer a l\u00edngua do cotidiano, a mais pr\u00f3xima poss\u00edvel dele. Eu observava que no come\u00e7o tinha um acento muito lusitano, notando que escrevia de uma forma distinta da minha fala. Passou a ser tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que venho trazendo temas e quest\u00f5es as quais criam uma tens\u00e3o nessa busca por uma linguagem mais simples. E, \u00e0s vezes, certas quest\u00f5es n\u00e3o podem ser ditas com total simplicidade. Acho que essa tens\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 produtiva por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Essa quest\u00e3o toda faz pensar sobre uma certa obsess\u00e3o que alguns t\u00eam em dizer que a elabora\u00e7\u00e3o do poema \u00e9 uma mera constru\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, uma disposi\u00e7\u00e3o de arranjos. Ao poeta, h\u00e1 que se deixar transbordar o sentimento? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>Essa discuss\u00e3o \u00e9 antiga e, digamos, eu tendo mais para o lado cabralino, nessa coisa entre poeta possesso e poeta cerebral (nunca lembro ao certo quais categorias s\u00e3o mencionadas por Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto). Eu j\u00e1 escrevi do jeito \u201cvou fazer uma coisa movido\u201d, mas no meu caso chegou um momento em que isso parou de funcionar. Geralmente, penso, fico maturando muito o que vou fazer. E tenho, sim, esse lado matem\u00e1tico, e n\u00e3o sei se serve pra mim, pois sou p\u00e9ssimo em matem\u00e1tica (risos). H\u00e1 uma certa obsess\u00e3o em ter algum controle sobre o processo e ficar maturando. Por exemplo, eu tenho uma encomenda, que \u00e9 entregar uns poemas para uma revista, e n\u00e3o quero pegar coisas j\u00e1 prontas. E fico pensando muito em como vai ser. O sentimento est\u00e1 a\u00ed. Eu sou uma pessoa controlada por ele. Isso me governa. O sentimento tanto vai atravessar isso, porque ele antecede o planejamento, ele me constitui como pessoa, e tamb\u00e9m porque \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o. Essa capacidade de construir sentimentos atrav\u00e9s da linguagem \u00e9 um processo de exerc\u00edcio. Exercitamos a capacidade de dizer coisas. Vou dar um exemplo concreto e relativamente recente. Participei de um processo de sele\u00e7\u00e3o, no qual mandei um projeto de poemas, e tirei uma nota muito baixa na minha avalia\u00e7\u00e3o pessoal. Foi algo abaixo da m\u00e9dia. Foi um poema que escrevi muito puto, chamado \u201cBalada de um poeta ruim para si mesmo\u201d, e ali tem muito de uma frustra\u00e7\u00e3o, uma chatea\u00e7\u00e3o, irrita\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 usando ter\u00e7a rima, fazendo refer\u00eancias a Dante, pensando num mote em que eu desenvolvo, e vou falando nisso ao longo do poema, e que est\u00e1 em \u201cO Dem\u00f4nio da Teoria\u201d, de Antoine Compagnon. Meu sentimento transborda tamb\u00e9m a\u00ed. Tamb\u00e9m tenho uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e erudita, algum conhecimento legitimado que me atravessa, e meu sentimento vai atrav\u00e9s desse repert\u00f3rio. N\u00e3o concordo com a ideia de que h\u00e1 que se controlar o poeta. A poesia \u00e9 permeada por sentimentos, sim, mas em mat\u00e9ria de est\u00e9tica e ci\u00eancia a gente n\u00e3o pode nunca dizer \u201ctem de ser assim\u201d. Tem de se ter liberdade de fazer qualquer coisa, inclusive abrir m\u00e3o desse neg\u00f3cio de sentimento. No meu caso, n\u00e3o preciso ter controle de tudo. J\u00e1 sou essa pessoa transbordada na minha vida pessoal. Ent\u00e3o, nas minhas produ\u00e7\u00f5es, eu tenho minimamente que pensar e planejar, sen\u00e3o \u00e9 muito caos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Voc\u00ea acolhe o termo contrassonetos tamb\u00e9m como uma consci\u00eancia da sua capacidade de transgress\u00e3o enquanto criador? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>Totalmente. Eu conto essa hist\u00f3ria no livro. Esse termo j\u00e1 existia antes do escritor Ronald Augusto usar. Ele falando do meu livro \u201cQuarenta e Uns Sonetos Catados\u201d, que originou o \u201cContrassonetos: catados &amp; via v\u00e2ndala\u201d, no qual diz que n\u00e3o gosta de sonetos, mas o que aprecia no meu livro est\u00e1 no fato de serem contrassonetos, por eu n\u00e3o encarnar a persona de sonetista. E tem muitos sentidos a\u00ed. Eu me assumo como transgressor em termos pol\u00edticos, identit\u00e1rios. Faz parte da minha vida. Sou contra- hegem\u00f4nico, negro, homossexual, e essas quest\u00f5es aparecem inevitavelmente no que eu falo, nas minhas posi\u00e7\u00f5es, na minha poesia e formalmente. Ao contr\u00e1rio do que pode parecer, esse exerc\u00edcio de dominar a l\u00edngua do colonizador, usando as formas tradicionais, hegem\u00f4nicas, n\u00e3o \u00e9 um fim em si, mas um meio de dizer coisas, e dizer para p\u00fablicos outros, que n\u00e3o s\u00e3o os meus pares apenas. Tamb\u00e9m para minar essa l\u00edngua por dentro, essa forma por dentro. O que me interessa \u00e9 dizer \u201ceu sei fazer um soneto bonitinho, mas isso n\u00e3o \u00e9 o mais importante\u201d. Eu sou poeta. Assim como digo que sou negro e gay, sou poeta. Poeta que pode fazer um soneto, um haicai. Contrassoneto \u00e9 nesse sentido de transgress\u00e3o no qual est\u00e1 tudo misturado: \u00e9tica, est\u00e9tica, pol\u00edtica. Eu uso uma forma tradicional, mas n\u00e3o para conserv\u00e1-la ou dizer assim \u201cgente, com licen\u00e7a, sei fazer\u201d. Foi em um certo momento, n\u00e3o \u00e9 mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; As quest\u00f5es de identidade povoam cada vez mais a literatura. Na medida em que se apoiam em atitudes de afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica, dentre outras, esses posicionamentos s\u00e3o algo fundamentais? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>S\u00e3o fundamentais e sempre existiram. Quando se h\u00e1 um silenciamento, e isso \u00e9 comprovado inclusive atrav\u00e9s de estudos quantitativos nos quais se fazem levantamentos da etnia, da orienta\u00e7\u00e3o sexual, do que s\u00e3o personagens liter\u00e1rios e as refer\u00eancias da literatura brasileira, quando n\u00e3o se menciona certos lugares, a gente est\u00e1 falando de um lugar branco, heterossexual, masculino, de classe m\u00e9dia pra cima. Ent\u00e3o, nesse sentido n\u00e3o h\u00e1 uma novidade. O que existe em termos de novidade \u00e9 que \u00e0 medida que essas discuss\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas internacionalmente, dos anos 60 pra c\u00e1 v\u00eam ganhando corpo, naturalmente isso vem aparecendo mais e s\u00e3o fundamentais desde que n\u00e3o sejam exclusivas, que n\u00e3o virem uma camisa de for\u00e7a. Quando eu digo e repito que sou negro e poeta, n\u00e3o esperem de mim nenhuma performance ou atitude dentro, encarcerada nessas identidades. Temos identidades e identifica\u00e7\u00f5es. Qualquer estere\u00f3tipo, qualquer pris\u00e3o eu recuso e, nesse sentido, cabe meu aspecto transgressor de quebrar expectativas.\u00a0 H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es nas quais \u00e9 fundamental a gente se posicionar politicamente pra que n\u00e3o nos tomem como homem branco, heterossexual. \u00c9 importante mapearmos isso porque falar por falar sem ter um dom\u00ednio de um repert\u00f3rio, sem ter interlocutores dentro de uma linguagem, sem ler outros poetas e n\u00e3o s\u00f3 os poetas que me interessam, sem possuir o m\u00ednimo de conhecimento da linguagem em que estou me metendo, vai virar panfleto puro, e isso n\u00e3o tem valor. Se \u00e9 para dizer \u00e0s pessoas apenas que sou negro e gay, \u00e9 melhor eu escrever um panfleto, e n\u00e3o um poema. Mas poder ter alguma relev\u00e2ncia dentro de uma cena, um discurso, e poder falar de um lugar de opress\u00e3o, denunciar que h\u00e1 um genoc\u00eddio contra a popula\u00e7\u00e3o negra, homossexual, transexual, LGBT, isso \u00e9 importante. Na medida em que eu puder dizer que existe um investimento violento contra segmentos minorit\u00e1rios, vou dizer. Eu sou uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra. Duas vezes. Mas sempre nessa medida de que, enquanto poeta, eu tenho a liberdade de fazer qualquer coisa, inclusive de n\u00e3o querer falar sobre isso. N\u00e3o considero que seja covarde o poeta ser negro e n\u00e3o querer falar sobre isso. Ele tem que ter liberdade. A poeta ou a escritora que seja mulher e n\u00e3o queira discutir isso em sua literatura. N\u00e3o se pode abrir m\u00e3o dessa liberdade. N\u00e3o se pode usar camisa de for\u00e7a nem ser considerada literatura menor aquela que \u00e9 produzida por um poeta que discute isso, inclusive na sua poesia e nos eventos em que participa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_11932\" aria-describedby=\"caption-attachment-11932\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Laura-Castro-II.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11932 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Laura-Castro-II.jpg\" alt=\"Alex por Laura Castro \" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Laura-Castro-II.jpg 400w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Laura-Castro-II-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Laura-Castro-II-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11932\" class=\"wp-caption-text\">Alex Sim\u00f5es \/ Foto: Laura Castro<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Na transi\u00e7\u00e3o entre o mundo fragmentado em que vivemos e o papel, de algum modo sua apreens\u00e3o das coisas \u00e9 marcada pelo caos? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>De todos os modos, o que eu produzo \u00e9 marcado pelo caos, inclusive nessa necessidade de tentar controlar minimamente esse caos que me constitui. Eu sou nietzschiano. Entendo que o caos, a disrup\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia s\u00e3o constitutivos da humanidade, da hist\u00f3ria. S\u00e3o aspectos que nos constituem, e h\u00e1 um esfor\u00e7o hist\u00f3rico em apagar essas quest\u00f5es que s\u00e3o nossas e que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente ruins. Tem duas coisas na sua pergunta que me chamam aten\u00e7\u00e3o e que talvez precise demarcar em algum momento. \u00c9 quando voc\u00ea fala em trazer para o papel. Sou um poeta que tamb\u00e9m vai para o papel, mas que tamb\u00e9m, cada vez mais, est\u00e1 buscando formas e suportes que s\u00e3o, a princ\u00edpio, n\u00e3o tradicionais para a poesia. Esse caos \u00e9 minimamente controlado na unidade livro. Quando a gente pensa em livro, sumariza, topicaliza, d\u00e1 uma sequ\u00eancia, reflete em termos de g\u00eanero. Eu escrevo poesia e isso tem uma repercuss\u00e3o at\u00e9 na forma como a mancha escrita se imp\u00f5e no texto. \u00c9 diferente da prosa. Tem um caos que \u00e9 constituinte, mas que \u00e9 minimamente organiz\u00e1vel quando se escreve dentro dele. A outra quest\u00e3o com o caos \u00e9 a que passa por outras linguagens, como eu disse antes, e que passa tamb\u00e9m por um evento chamado <em>Dominicaos<\/em>, idealizado por Orlando Pinho e Heitor Dantas, e que eu ajudo a desorganizar. Orlando, que \u00e9 poeta, diz que o caos opera. Eu assumo esse caos e acho que ele \u00e9 importante, pois \u00e9 o caos criativo que possibilita as coisas acontecerem com um m\u00ednimo de controle para que justifique o fato de eu assinar as coisas que publico, performo e realizo esteticamente. \u00c9 essa minha capacidade de lidar organicamente e disciplinadamente (risos) com esse caos que justifica minha assinatura. A gente vai aprendendo a conviver com esse caos. Estou falando como artista, mas isso \u00e9 a vida, pois ela \u00e9 ca\u00f3tica. Tenho, como qualquer pessoa com 43 anos de idade, tido experi\u00eancias com o acaso. Vivemos um momento pol\u00edtico ca\u00f3tico, tive mortes de familiares. E assim vem o caos e tomamos a consci\u00eancia de que n\u00f3s somos desgovernados por excel\u00eancia. Somos ocidentalmente condicionados \u00e0 ideia de que a vida tem uma sequ\u00eancia, que as coisas est\u00e3o minimamente organizadas. \u00c9 s\u00f3 uma inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Uma outra linha de express\u00e3o sua est\u00e1 nas performances po\u00e9ticas. Que papel elas assumem, sobretudo na sua rela\u00e7\u00e3o com o externo? <\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>Digamos que de quatro anos pra c\u00e1 isso tem aparecido cada vez mais. O que eu chamo disso \u00e9 o cruzamento com outras linguagens, inclusive a performance, n\u00e3o s\u00f3 ela. Costumo chamar de poerformance por covardia, por n\u00e3o me assumir como performer, pois est\u00e1 num entrelugar entre performance e poesia, al\u00e9m do que convivo o tempo inteiro com performers, com o pessoal da dan\u00e7a, do teatro, das artes visuais. Meu cotidiano est\u00e1 muito permeado pela conviv\u00eancia com pessoas de linguagens diversas. Sempre tive um pouco de vergonha de me assumir como performer. Tem uma rela\u00e7\u00e3o, claro, com o externo, mas tem um movimento que \u00e9 muito relacionado com alguns eventos que eu frequento. Falei do <em>Dominicaos<\/em>, que n\u00e3o s\u00f3 frequento como tamb\u00e9m integro o n\u00facleo de produ\u00e7\u00e3o. Tem tamb\u00e9m o <em>Sarau Bem Black<\/em>, <em>P\u00f3s-Lida<\/em>, enfim, uma s\u00e9rie de eventos aqui em Salvador que frequento e comecei a falar poesia. Esses tr\u00eas que cito s\u00e3o lugares em que eu via uma vibra\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 poesia, com a performance, com o modo de falar, que tem muito a ver com o cruzamento de linguagens, caso do <em>P\u00f3s-Lida<\/em> e do <em>Dominicaos<\/em>, algo que apresenta um olhar mais arejado e contempor\u00e2neo da poesia. No caso do <em>Sarau Bem Black<\/em>, tamb\u00e9m contempor\u00e2neo e ligado a essas quest\u00f5es identit\u00e1rias que falamos, \u00e9 um movimento mais internacional, que \u00e9 do <em>Slam Poetry<\/em>.\u00a0 Sempre me incomodou muito um certo desinteresse, aquele modo poesia declamat\u00f3ria, como o Wally Salom\u00e3o gosta de falar ironicamente. A poesia declamat\u00f3ria n\u00e3o desperta, n\u00e3o consigo mais ver uma poesia mais ou menos gritada.\u00a0 \u00c9 parte de minha pesquisa ver o trabalho dos performers e me sentir afetado, e ter a necessidade de trazer isso para o corpo. Existiam quest\u00f5es que eu via que n\u00e3o eram resolvidas apenas na poesia e, durante muito tempo, eu sofri muito com isso porque demorei muito a me assumir como poeta e artista. Tamb\u00e9m n\u00e3o entendia direito como era isso de querer fazer coisas diferentes ao mesmo tempo, pois a gente ainda tem uma forma\u00e7\u00e3o disciplinar de ver isso como um problema. Com o tempo e convivendo com certos artistas, linguagens e olhares, fui percebendo que isso n\u00e3o \u00e9 um problema necessariamente. A performance \u00e9 um modo de se relacionar com o externo. No meu caso, estou muito interessado no cruzamento entre poesia e m\u00fasica. Isso n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o minha nem desse tempo, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o milenar, mas que tem ganhado for\u00e7a. Fa\u00e7o performances em que cruzo m\u00fasica popular massiva com poesia can\u00f4nica, cruzo artes visuais com poesia. Tudo isso tem muito a ver como minhas refer\u00eancias. Tem uma s\u00e9rie de pessoas, algumas vivas, outras n\u00e3o, que foram impactantes na minha forma\u00e7\u00e3o. Para falar de um autor vivo e que est\u00e1 muito nessa pegada e pr\u00f3ximo de mim \u00e9 Ricardo Aleixo. Tamb\u00e9m Joan Brossa, poeta catal\u00e3o que morreu na virada dos anos 2000, e alguns artistas visuais. Z\u00e9 M\u00e1rio, um performer daqui e que hoje est\u00e1 em Bras\u00edlia, foi extremamente importante nessa minha forma\u00e7\u00e3o. No <em>P\u00f3s-Lida<\/em>, tem o James Martins, que possui um modo de dizer poesia que me interessa. Karina Rabinowitz, que tem essa coisa do cruzamento de linguagens. Daqui da Bahia ainda tem Laura Castro. Para completar as refer\u00eancias, tem Daniela Galdino, que \u00e9 de Itabuna, Morgana Poiesis, de Vit\u00f3ria da Conquista, que s\u00e3o pessoas da performance. Ainda nessa rela\u00e7\u00e3o com o externo, nesses eventos que tenho participado, dando oficina, sobretudo, tenho tido oportunidade de ver que \u00e9 um privil\u00e9gio lidar com o p\u00fablico, que n\u00e3o s\u00e3o p\u00fablicos t\u00edpicos de literatura, pois n\u00e3o s\u00e3o de eventos estritamente liter\u00e1rios, n\u00e3o s\u00e3o da minha faixa et\u00e1ria. Vejo com muita alegria quando esse esfor\u00e7o de fazer o cruzamento de linguagens e de trazer a poesia para o corpo da gente chega de forma impactante, viva, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a um p\u00fablico que n\u00e3o \u00e9 t\u00edpico de literatura. E cada vez mais me interessa estar com esse p\u00fablico porque a\u00ed tamb\u00e9m tem uma quest\u00e3o pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o. A gente lida com um p\u00fablico muito restrito e tendemos (n\u00f3s da literatura) a correr o risco de acreditar que n\u00e3o precisamos fazer esse esfor\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o, de chegar junto, de criar estrat\u00e9gias para difundir o que fazemos. Eu estou cada vez mais em outra proposta. O que fa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 poesia, mas acredito que minha poesia ganhou muito. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de troca porque \u00e9 poesia viva. Internacionalmente, \u00e9 o que o <em>Slam Poetry<\/em> tem feito e que reverbera nos saraus de periferia. O que tenho feito \u00e9 muito afetado por essa vibra\u00e7\u00e3o. Sempre ficava me questionando o que \u00e9 que o m\u00fasico popular tem que faz a gente vibrar. A maioria dos poetas n\u00e3o tem. E eu n\u00e3o estou dizendo que eu tenha. O <em>Slam Poetry<\/em> consegue, os saraus de periferia tamb\u00e9m. Para ficar nos daqui de Salvador, voc\u00ea v\u00ea o <em>Sarau da On\u00e7a<\/em>, no qual percebe as pessoas vidradas no que os artistas dizem. Sempre fiquei numa bronca porque sou super f\u00e3 de shows de transformistas e pensava como \u00e9 que a gente faz para em poesia fazer as pessoas ficarem vidradas tamb\u00e9m. Hilda Hilst deixa as pessoas pulsando, Drummond tamb\u00e9m. A performance tem sido um lugar onde isso tem se tornado poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_12063\" aria-describedby=\"caption-attachment-12063\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-Sim\u00f5es-na-performance-A-Capella-de-Waly-Foto-Daniel-Guerra-M.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12063 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-Sim\u00f5es-na-performance-A-Capella-de-Waly-Foto-Daniel-Guerra-M.jpg\" alt=\"Alex Sim\u00f5es na performance A Capella de Waly - Foto - Daniel Guerra M\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-Sim\u00f5es-na-performance-A-Capella-de-Waly-Foto-Daniel-Guerra-M.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-Sim\u00f5es-na-performance-A-Capella-de-Waly-Foto-Daniel-Guerra-M-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12063\" class=\"wp-caption-text\">Alex Sim\u00f5es na performance &#8220;A Capella de Waly&#8221; \/ Foto: Daniel Guerra<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Aproveitando um dos seus arremates, \u00e9 preciso dessacralizar tanto o poeta quanto a poesia? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>\u00c9 fundamental. Temos algumas heran\u00e7as lindas. Sou um devoto da tradi\u00e7\u00e3o. Um transgressor disciplinado. N\u00e3o jogo tudo que est\u00e1 na tradi\u00e7\u00e3o fora. Mas a gente tem umas heran\u00e7as complicadas do Arcadismo, do Romantismo, do Neoclassicismo e da poesia moderna tamb\u00e9m. Uma delas \u00e9 essa ideia do poeta da Torre de Marfim e do poeta herm\u00e9tico. Isso tem feito muito mal para a poesia porque a gente ficou num lugar solit\u00e1rio, de pouca penetra\u00e7\u00e3o. Isso se reflete em muitas situa\u00e7\u00f5es. Eu estava num evento important\u00edssimo discutindo esse momento pol\u00edtico horroroso que estamos vivendo, debatendo a destrui\u00e7\u00e3o do MinC, essa falsa reintegra\u00e7\u00e3o desse minist\u00e9rio. E durante duas horas e meia que eu estava l\u00e1, praticamente n\u00e3o vi refer\u00eancias de literatura e poesia. Isso n\u00e3o \u00e9 culpa das pessoas que est\u00e3o l\u00e1. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 apenas culpa dos profissionais da palavra do Brasil de hoje. Tem muito a ver com essa perda de penetra\u00e7\u00e3o que o poeta tem nas massas. O \u00faltimo grande poeta das massas que a gente teve foi Maiakovski, durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. No s\u00e9culo vinte, a gente perdeu esse lugar. A poesia moderna criou um lugar de hermetismo. Acho que esse lugar foi ocupado. Os m\u00fasicos populares, e alguns deles s\u00e3o poetas de fato, exercem essa fun\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 preciso dessacralizar, e tem gente fazendo isso. Vou dar um exemplo de dessacraliza\u00e7\u00e3o: os poetas em geral da gera\u00e7\u00e3o Mime\u00f3grafo t\u00eam feito isso. Tem um vivo que continua fazendo isso, o Ricardo Chacal. Dessacralizar, inclusive, em termos de linguagem, de uma preocupa\u00e7\u00e3o em falar para os que n\u00e3o s\u00e3o seus pares, para os que n\u00e3o apenas est\u00e3o interessados no exerc\u00edcio de ler poesia, mas tamb\u00e9m na demonstra\u00e7\u00e3o daqueles que querem que isso chegue junto deles. Ricardo Chacal tem um livro, \u201cMurundum\u201d, que ele diz que escreveu para estudantes de ensino m\u00e9dio de escola p\u00fablica. Ali ele se dessacraliza. \u00c9 importante porque a gente precisa falar de um lugar mais terreno. Poetas e pessoas de literatura. E eu fa\u00e7o essa distin\u00e7\u00e3o a la Ezra Pound. \u00c9 fundamental a gente que faz literatura e poesia no Brasil entender que esse lugar sagrado que alguns de n\u00f3s falamos \u00e9 um tiro no p\u00e9. Estamos falando para ningu\u00e9m. Precisamos dessacralizar at\u00e9 pra poder chegarmos nas pessoas. \u00c9 importante para a sociedade que o que esteja sendo produzido de poesia contempor\u00e2nea chegue junto das pessoas. Vou dar mais um exemplo que tem a ver com performance. Mais recentemente, eu estava na ocupa\u00e7\u00e3o do Minc, fiz uma performance, que \u00e9\u00a0 \u201cA Capella de Waly\u201d, e ouvi um depoimento de uma jovem que disse que teve uma oportunidade rara de olhar no olho de um poeta. \u00c9 uma performance que n\u00e3o digo nada meu, falo coisas de Waly Salom\u00e3o durante trinta minutos, digo poemas e canto can\u00e7\u00f5es com letras dele. Acho que isso diz muito, esse depoimento dela. Ela p\u00f4de olhar no olho de um poeta. \u00c9 um lugar que tamb\u00e9m me coloco, de olhar no olho das pessoas, de n\u00e3o falar do alto para baixo. Estou trocando coisas e esse \u00e9 um exerc\u00edcio de dessacralizar esse lugar. H\u00e1 uma tend\u00eancia, muito marcada por essas tradi\u00e7\u00f5es, em falar poesia ainda muito de cima para baixo. Tem gente muito legal fazendo. Por exemplo, Ang\u00e9lica Freitas quando faz um \u00fatero do tamanho de um punho, e que pega poemas que s\u00e3o googlados, desmascara o machismo que est\u00e1 presente no inconsciente coletivo e que se reproduz nas nossas formas discursivas contempor\u00e2neas, est\u00e1 dessacralizando esse lugar do poeta. Baudelaire falou, h\u00e1 cem anos, sobre a perda da aura do poeta. Infelizmente, parece que alguns e algumas colegas ainda n\u00e3o entenderam que acabou. Nossa aura caiu num loda\u00e7al. T\u00e1 na lama e a gente precisa assumir. Nossa \u00fanica possibilidade de exist\u00eancia, penetra\u00e7\u00e3o e relev\u00e2ncia \u00e9 assumir a sujeira do cotidiano, do contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Com que olhos o Alex educador vislumbra a forma\u00e7\u00e3o de leitores? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>Com olhos de lince (risos). Eu, al\u00e9m de dar aula em institui\u00e7\u00e3o formal, faculdade, sempre estou preocupado com essa quest\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o. Acho que isso \u00e9 muito importante porque d\u00e1 uma consci\u00eancia de realidade, uma no\u00e7\u00e3o mais p\u00e9 no ch\u00e3o de como temos poucos leitores porque estou nesse outro front, o da sala de aula. Tenho cada vez mais dado oficina de poesia, que pra mim tem sido uma alegria. Gostaria muito de dar mais e estar menos em sala de aula formal, pois eu me sinto, inclusive, mais efetivo. Essa minha preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o de leitores est\u00e1 cada vez mais voltada em criar pontes. Falando de performance, \u00e9 entender que esse leitor contempor\u00e2neo, foi formado e tem menos de 30 anos, com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, vai se sentir mais conclamado a conhecer a poesia atrav\u00e9s de outras linguagens. Tenho 43 anos e tive o privil\u00e9gio de chegar \u00e0 poesia, sobretudo pela m\u00fasica. Sou de uma gera\u00e7\u00e3o que via na rede Globo Vin\u00edcius de Moraes sendo interpretado em programas especiais para crian\u00e7as. Ainda tem gente muito massa fazendo isso. Adriana Calcanhoto, por exemplo. Essa ponte \u00e9 fundamental para formar, e n\u00e3o apenas crian\u00e7as, claro. Esse meu olhar de educador est\u00e1 muito interessado em buscar pontes n\u00e3o s\u00f3 entre linguagens, mas pontes que vislumbrem pertin\u00eancias entre as origens das pessoas, pois empurrar qualquer tipo de poesia para qualquer p\u00fablico \u00e9 est\u00e9ril. Voc\u00ea tem que entender que h\u00e1 lugares. Da\u00ed, a gente volta para aquela quest\u00e3o das express\u00f5es identit\u00e1rias, ou seja, voc\u00ea falar para um p\u00fablico que \u00e9 majoritariamente negro, adolescente, sem trazer essas quest\u00f5es, e empurrar Baudelaire ou um c\u00e2none europeu ou estaduninense goela abaixo, \u00e9 um olhar n\u00e3o formativo. Falo tamb\u00e9m de quem fez gradua\u00e7\u00e3o em Letras e teve muita dificuldade porque passou por alguns professores que n\u00e3o tiveram esse cuidado. Felizmente, tive essa boa experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o de leitura, mas vi muita gente se perder no caminho por conta de educadores que n\u00e3o tiveram esse olhar de entender que a forma\u00e7\u00e3o de leitor passa pela hist\u00f3ria da pessoa, seu contexto social. Voc\u00ea tem que criar iscas. Existe um caminho longo a se percorrer. Se n\u00e3o me engano, 8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 proficiente em leitura. Isso \u00e9 grave. Quando junto m\u00fasica com poesia, estou muito interessado em fisgar o p\u00fablico, faz\u00ea-lo se interessar pela leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_11931\" aria-describedby=\"caption-attachment-11931\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Eric-Jenkins-Sahlin-III.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11931 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Eric-Jenkins-Sahlin-III.jpg\" alt=\"Alex por Eric Jenkins-Sahlin\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Eric-Jenkins-Sahlin-III.jpg 400w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Eric-Jenkins-Sahlin-III-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Alex-por-Eric-Jenkins-Sahlin-III-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11931\" class=\"wp-caption-text\">Alex Sim\u00f5es \/ Foto: Eric Jenkins-Sahlin<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que \u00e9 o seu pa\u00eds hoje?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>\u00c9 a pergunta mais dif\u00edcil e a que menos vou ter certeza. Primeiro, porque preciso dizer que qualquer no\u00e7\u00e3o de pa\u00eds e na\u00e7\u00e3o \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, problem\u00e1tica, pois implica muitos silenciamentos, muitos apagamentos para que exista um pa\u00eds, uma na\u00e7\u00e3o, uma bandeira. Mas o Brasil em que a gente vive \u00e9 um pa\u00eds que passa por um momento muito delicado. Estamos sofrendo um golpe numa democracia que nunca foi muito amadurecida, num contexto pol\u00edtico em que a gente ainda n\u00e3o tem maturidade pol\u00edtica para discutir, para se colocar e se posicionar, mas que est\u00e1 sofrendo um golpe. A despeito dessa polariza\u00e7\u00e3o que \u00e9 constru\u00edda, que n\u00e3o \u00e9 inocente nem ing\u00eanua, \u00e9 muito triste ver o sil\u00eancio de algumas pessoas. Eu at\u00e9 acredito que, durante certo tempo, algumas delas foram movidas por boa inten\u00e7\u00e3o e contra a corrup\u00e7\u00e3o, que \u00e9 constitutiva de qualquer governo (e n\u00e3o estou justificando nenhuma corrup\u00e7\u00e3o). Temos provas muito contundentes de que estamos num momento delicado e que se trata, indiscutivelmente, de um golpe. Uma persegui\u00e7\u00e3o a uma pessoa, uma estadista, que \u00e9 travestida de machismo e misoginia. Temos muitos avan\u00e7os importantes que foram conquistados e que est\u00e3o sendo amea\u00e7ados. Isso me afeta diretamente. Meu corpo, minha hist\u00f3ria est\u00e3o sendo amea\u00e7ados. Estou num lugar de contesta\u00e7\u00e3o a isso tudo. Ao mesmo tempo, \u00e9 um momento de reflex\u00e3o, de possibilidade, de revers\u00e3o dessa falta de articula\u00e7\u00e3o nossa. Quando falo nossa, trato desses segmentos minorit\u00e1rios, da esquerda (sou uma pessoa de esquerda). Mas n\u00e3o tenho certezas. Acho que \u00e9 muito importante dizer que n\u00e3o d\u00e1 pra ter certezas. Sou uma pessoa extremamente politizada, durante toda a minha vida, venho de movimento estudantil e nunca deixei de fazer pol\u00edtica. N\u00e3o tenho certezas. S\u00e3o conting\u00eancias, circunst\u00e2ncias nas quais a gente precisa se posicionar. Eu consigo dormir porque estou me posicionando contra um golpe que est\u00e1 acontecendo. O pa\u00eds que vivo \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 sendo golpeado por uma corja. E temos um n\u00e3o governo com sete ministros investigados por uma opera\u00e7\u00e3o que \u00e9 a mesma que falsamente teria sido motivo para tirarmos uma presidenta. Por outro lado, temos que reconhecer, h\u00e1 erros no governo que foi deposto. Na minha avalia\u00e7\u00e3o, erros por n\u00e3o ter se assumido como um governo de esquerda, que radicalmente deveria extirpar ou diminuir ao m\u00e1ximo poss\u00edvel as diferen\u00e7as, a desigualdade social. Eu vivo num pa\u00eds em que vejo todos os dias na minha rua, em todos os cantos, as pessoas comendo lixo. Morro de vergonha disso. Isso \u00e9 lament\u00e1vel. \u00c9 um pa\u00eds que mata um jovem entre 15 e 25 anos, negro, a cada dois dias. \u00c9 um pa\u00eds que espanca e comete viol\u00eancia contra a mulher a cada 15 minutos provavelmente. Pa\u00eds que estupra, que mata mais de mil mulheres por aborto porque \u00e9 criminalizado hipocritamente. \u00c9 o pa\u00eds que mais mata homossexuais e transexuais no mundo. E \u00e9 o pa\u00eds que eu vivo e amo com todas essas contradi\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 um pa\u00eds do qual n\u00e3o tenho muitas certezas. Realmente, \u00e9 a pergunta mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Diante de tantas coisas que nos oprimem, voc\u00ea acha que a arte \u00e9 um instrumento de liberta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>Sim. A arte \u00e9 um instrumento de liberta\u00e7\u00e3o, de esclarecimento. Desconfio que se n\u00e3o fosse um artista, n\u00e3o fosse poeta, provavelmente seria um terrorista (risos). A arte pelo menos tem essa fun\u00e7\u00e3o no mundo. Ela evitou um terrorista. Fa\u00e7o guerrilha com a arte. Defendo pacificamente a revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da linguagem. Acredito que a arte possibilita nossa transforma\u00e7\u00e3o. Ela mudou minha vida. Tenho afeto pelo mundo, acredito na possibilidade de transform\u00e1-lo. A revolu\u00e7\u00e3o passa pela est\u00e9tica, por um olhar est\u00e9tico sobre o mundo. A arte liberta porque educa, transforma, cria possibilidades de novos mundos. Ela, com certeza, me livrou de ser um terrorista. Eu poderia estar fazendo coisas terr\u00edveis se n\u00e3o fosse a possibilidade de dizer coisas com meu corpo, com meu texto, atrav\u00e9s da poesia.\u00a0 Ela me faz ficar nesse mundo e criando essas possibilidades de dizer coisas que n\u00e3o s\u00e3o ut\u00f3picas porque se concretizam atrav\u00e9s de palavras e formas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; \u00c9 poss\u00edvel escrever sem morrer um pouco a cada dia? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALEX SIM\u00d5ES \u2013 <\/strong>\u00c9 imposs\u00edvel viver sem morrer um pouco a cada dia (risos). Sartre ou Kierkegaard, acho, falava que o sentido da vida \u00e9 a morte, que morremos a cada dia, enfim. Viver antecede, \u00e9 uma quest\u00e3o maior do que escrever. A gente escreve porque vive, mas talvez quando a gente escreve todo dia, e felizmente \u00e9 meu caso, criamos a ilus\u00e3o de dar sentido para essa vida, pois ela n\u00e3o tem sentido. Escrever todo dia \u00e9 fazer a vida mais poss\u00edvel, mais pulsante. \u00c9 um modo de enfrentar, pois a morte \u00e9 inevit\u00e1vel, vai circundando a gente. A escrita, para mim, tem sido cada vez um modo de enfrentar a morte. N\u00e3o s\u00f3 a minha, mas a morte que est\u00e1 cada vez mais ao meu redor. Tenho cada vez mais pensado nisso. J\u00e1 vou fazer 43 anos e fico pensando n\u00e3o s\u00f3 na minha, mas no fato de que cada vez mais as pessoas ao meu redor est\u00e3o ficando mais velhas, adoecendo e morrendo por motivos diversos. Ent\u00e3o, escrever \u00e9 tamb\u00e9m um modo de enfrentar isso, me deixa mais forte.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/strong><em> edita a Revista Diversos Afins, al\u00e9m de buscar abrigo em livros, discos e filmes. \u00a0<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre versos e vias v\u00e2ndalas, uma entrevista com o poeta e performer Alex Sim\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3021,16,2539],"tags":[2860,1111,63,137,8,127,1980,3022],"class_list":["post-11925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-110a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-alex-simoes","tag-bahia","tag-entrevista","tag-fabricio-brandao","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-poeta","tag-salvador","tag-vias-vandalas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11925"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12066,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11925\/revisions\/12066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}