{"id":12173,"date":"2016-07-06T17:45:10","date_gmt":"2016-07-06T20:45:10","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=12173"},"modified":"2016-08-25T17:34:34","modified_gmt":"2016-08-25T20:34:34","slug":"dedos-de-prosa-iii-45","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/dedos-de-prosa-iii-45\/","title":{"rendered":"Dedos de Prosa III"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Anderson Fonseca <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_12175\" aria-describedby=\"caption-attachment-12175\" style=\"width: 414px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/LUMA-FLORES-dois.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12175 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/LUMA-FLORES-dois.jpg\" alt=\"LUMA FLORES\" width=\"414\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/LUMA-FLORES-dois.jpg 414w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/LUMA-FLORES-dois-248x300.jpg 248w\" sizes=\"auto, (max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12175\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Luma Fl\u00f4res<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A caixa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caro Williams, se porventura notar que a literatura como a conhece est\u00e1 assumindo outra forma, a culpa \u00e9 minha. A raz\u00e3o que me levou a fazer certa escolha de valor amb\u00edguo deve-se a um anseio natural de contemplar um universo ruir para outro nascer, como tamb\u00e9m a uma inclina\u00e7\u00e3o da alma para a desobedi\u00eancia \u2013 como sabe, n\u00e3o sou afei\u00e7oado por ordens -, sobretudo, pela curiosidade, talvez de natureza infantil, em conhecer os mist\u00e9rios que nos cercam. Creio que fa\u00e7a parte disso minha hist\u00f3ria com jogos de azar. Ainda lembro, quando com 17 anos, voc\u00ea deu-me um dado chin\u00eas do s\u00e9culo XVIII e advertiu-me a respeito da sorte, o quanto ela possui duas faces &#8211; como Jano &#8211; e s\u00f3 vemos no momento em que \u00e9 feito o lance. De l\u00e1 para c\u00e1, meu esp\u00edrito inclinou-se a crer que a sorte \u00e9 a lei constituinte do mundo. A todo instante jogamos dados e alteramos a ordem dos eventos. Somos uma esp\u00e9cie de deus preso \u00e0s pr\u00f3prias leis que criou. Mal da onipot\u00eancia? Quem sabe. Por isto, reafirmo que a curiosidade aliada \u00e0 paix\u00e3o pelo acaso levou-me a imaginar as in\u00fameras possibilidades que cerceavam minha escolha t\u00e3o funesta. Eu a fiz. Este \u00e9 meu crime.\u00a0 Mas a fiz por desejar, &#8211; como j\u00e1 afirmei -, que este universo ru\u00edsse para outro de suas cinzas emergir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente n\u00e3o est\u00e1 a entender nada do que lhe digo, e com isso pergunta-se do qu\u00ea exatamente conto. Antes de esclarecer suas d\u00favidas, quero agradecer por ter sido meu mentor, pai e her\u00f3i. N\u00e3o me esque\u00e7o do pequeno ladr\u00e3o que fui um dia, e, ao encontr\u00e1-lo, no bibli\u00f3filo reconhecido em que voc\u00ea me tornou.\u00a0 E venho desculpar-me pela escolha que fiz, estou arrependido, talvez se eu n\u00e3o tivesse olhado, se eu n\u00e3o tivesse aberto a caixa, se n\u00e3o tivesse desobedecido \u00e0 ordem do senhor Barrington, talvez&#8230; talvez tudo permanecesse o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi na noite de ter\u00e7a-feira, 23 de abril, logo ap\u00f3s ter sa\u00eddo do bistr\u00f4 do Pa\u00e7o Imperial, mal ter entrado em casa, aberto o Cabernet Sauvignon, derramado em uma ta\u00e7a, umedecido os l\u00e1bios, e deitado no sof\u00e1, o telefone tocou. Quando atendi, ouvi uma voz seca dizer: &#8211; Senhor Xavier? \u00c9 o senhor Xavier?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sim. \u00c9 ele quem fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Boa noite. Perdoe-me o inc\u00f4modo a essa hora t\u00e3o tarde. Sou o Dr. Barrington, creio j\u00e1 ter escutado a meu respeito. Venho de uma fam\u00edlia nobre, reconhecida por preservar artefatos hist\u00f3ricos. H\u00e1 dias estou em busca de um bibli\u00f3filo a quem conferir um objeto de inestim\u00e1vel valor, pertencente \u00e0 minha fam\u00edlia, at\u00e9 descobrir seu nome. Sua fama o precede, senhor Xavier, n\u00e3o somente por seus feitos, como por sua \u00e9tica, por isso, quero muito seus servi\u00e7os e ser\u00e1 bem remunerado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Agradecido, senhor Barrington, por solicitar meus servi\u00e7os. Estarei em sua casa na quinta-feira, pois amanh\u00e3 preciso com urg\u00eancia resolver uma quest\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Dr. Xavier, n\u00e3o tenho tempo para esperar. Meu chofer j\u00e1 se encontra em frente \u00e0 sua casa. Por favor, venha logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembra-se da vez em que voc\u00ea deu-me um soco t\u00e3o forte no rosto que ca\u00ed? Foi assim que me senti quando Barrington desligou o telefone. E como um gato perseguindo o fio de l\u00e3 puxado pelo dono, segui aquele misterioso convite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mordomo abriu a pesada porta de madeira maci\u00e7a entalhada em flores; contei 12 passos at\u00e9 o sal\u00e3o principal. No centro, sentado \u00e0 mesa de mogno retangular, o Sr. Barrington mantinha os olhos sobre a pequena caixa de ferro. Sentei-me ao seu lado, ele levantou os olhos voltando-se para mim, e disse com a voz tr\u00eamula: &#8211; Dr. Xavier, estava ansioso pela sua chegada. Agora, sinto-me aliviado ao v\u00ea-lo aqui \u00e0 minha frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c9 um prazer estar aqui, Sr. Barrington. Mas, at\u00e9 o momento, n\u00e3o entendi o motivo do convite. Estou ansioso a respeito do trabalho que ir\u00e1 me designar. Por favor, diga-me por que estou aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Direito e lac\u00f4nico&#8230; Agirei do mesmo modo. \u2013 E sorriu. \u2013 V\u00ea essa caixa? Ela \u00e9 o tesouro de minha fam\u00edlia. H\u00e1 s\u00e9culos protegemos seu conte\u00fado. E jamais algum de n\u00f3s ousou abri-la. Esclare\u00e7o: Nessa caixa est\u00e1 o texto original de O Fausto de Wolfgang Goethe. Sim, Xavier, a grande obra que influenciou a literatura moderna. Como sabe, Goethe escreveu duas partes da obra, a primeira publicada em 1808, e a outra em 1832. Ao menos \u00e9 isso que sabem os especialistas. Na verdade, h\u00e1 uma terceira, intermedi\u00e1ria entre as duas edi\u00e7\u00f5es. Esta obra chamada por Goethe de Fausto &#8211; a trag\u00e9dia humana ficou apenas como rascunho da segunda publica\u00e7\u00e3o. Nela encontravam-se resqu\u00edcios da primeira edi\u00e7\u00e3o e o projeto da segunda. Tratava-se, portanto, de uma obra intermedi\u00e1ria. Diz a lenda que Goethe levou os rascunhos a um feiticeiro para lan\u00e7ar sobre as folhas um encantamento. Dali em diante, as duas publica\u00e7\u00f5es estariam entrela\u00e7adas a esta, de forma que qualquer interven\u00e7\u00e3o alteraria os tra\u00e7os das duas edi\u00e7\u00f5es e, assim, a literatura alem\u00e3. Um efeito no tempo. Ciente do poder que continha os rascunhos, Goethe os guardou em uma caixa de ferro e ordenou que jamais fosse aberta. Dr. Xavier, o senhor j\u00e1 ouviu, sem d\u00favida, falar na mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. H\u00e1 duas teorias bastante interessantes propostas por essa mec\u00e2nica. Uma delas \u00e9 conhecida como entrela\u00e7amento qu\u00e2ntico. Imagine voc\u00ea dois objetos, digamos duas ma\u00e7\u00e3s t\u00e3o fortemente ligadas entre si que se torna imposs\u00edvel que uma seja descrita sem mencionar a outra. Ou seja, suponha que eu pegue uma dessas ma\u00e7\u00e3s e gire para a esquerda, a outra ir\u00e1 girar subitamente para a direita. Eu poderia separ\u00e1-las, colocando uma distante da outra por milhares de quil\u00f4metros, e ainda assim, ao girar uma para a esquerda, a outra se mover\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. De um modo maravilhoso a informa\u00e7\u00e3o viajou mais r\u00e1pida que a luz rompendo com as leis da f\u00edsica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; E se eu morder um lado da ma\u00e7\u00e3? \u2013 perguntei para distrair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barrington riu escandaloso, depois olhou-me firme e disse: &#8211; Ora, Xavier, a outra ma\u00e7\u00e3 perderia sua parte. Agora n\u00e3o me pergunte se estaria no est\u00f4mago ou n\u00e3o, pois ignoro a resposta.\u00a0 \u2013 E voltou a rir. Depois emendou: &#8211; A outra teoria \u00e9 o famoso paradoxo de Schrodinger. Trata-se de uma incoer\u00eancia, uma incerteza que s\u00f3 \u00e9 abolida mediante a interfer\u00eancia de um observador humano. Dessa vez, imagine um gato dentro de uma caixa lacrada. Nessa caixa h\u00e1 um frasco contendo veneno ligado a um contador Geiger que acionar\u00e1 um martelo para quebrar o frasco, caso seja detectada a presen\u00e7a de radia\u00e7\u00e3o. Para Schrodinger h\u00e1 duas realidades: uma em que o frasco est\u00e1 quebrado e o gato morto; noutra, n\u00e3o. No entanto, segundo ele, estas realidades existem simultaneamente, isto \u00e9, o gato tanto est\u00e1 vivo como morto. Acontece que, quando a caixa \u00e9 aberta por um observador humano, a dualidade \u00e9 desfeita e o gato aparece vivo ou morto. Isso depende do observador, ele decidiu a vida ou a morte do pobre felino. Se n\u00e3o fosse ele, se n\u00e3o tivesse aberto a caixa, o gato permaneceria nos dois estados. \u00c9 uma grande surpresa. S\u00f3 saberemos se ganhamos ou perdemos depois de olharmos para dentro do abismo. Voc\u00ea entendeu, Dr. Xavie<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sim, entendi completamente. O senhor explica de forma t\u00e3o clara que faz um assunto complexo parecer um jogo infantil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Quem sabe n\u00e3o seja isso o que diz&#8230; ser a verdade. Quem sabe n\u00e3o seja tudo o que vemos um jogo na m\u00e3o de deuses. \u2013 refletiu. \u2013 Mas, veja, estas duas teorias explicam a import\u00e2ncia de n\u00e3o abrir a caixa. Para tornar ainda mais \u00f3bvio esse valor, acrescento a teoria da causa retr\u00f3grada. Ela afirma, em poucas palavras, que um observador ao medir o estado qu\u00e2ntico de uma part\u00edcula no presente est\u00e1 alterando seu estado no passado. Nessa linha de pensamento, \u00e9 poss\u00edvel que o efeito seja anterior \u00e0 causa. Assim, duas part\u00edculas entrela\u00e7adas podem desobedecer \u00e0s leis da f\u00edsica. Se eu medir uma part\u00edcula no presente, estarei alterando a outra part\u00edcula a qual est\u00e1 entrela\u00e7ada e que existe no passado. A informa\u00e7\u00e3o viajou no tempo. Isso \u00e9 paradoxal, mas poss\u00edvel. Da mesma forma, as duas edi\u00e7\u00f5es de Fausto est\u00e3o entrela\u00e7adas \u00e0 terceira, a que se encontra nessa caixa. Este livro a\u00ed guardado existe tanto no passado quanto no presente, e, enquanto ele n\u00e3o for observado por ningu\u00e9m, as duas edi\u00e7\u00f5es se manter\u00e3o inalter\u00e1veis. Contudo, se a caixa fosse aberta, a dualidade desapareceria e a informa\u00e7\u00e3o do presente viajaria ao passado alterando as edi\u00e7\u00f5es emaranhadas \u00e0 terceira. Isto afetaria toda a hist\u00f3ria da literatura e o mundo como conhecemos se tornaria outro. Portanto, escuta-me. Jamais&#8230; jamais&#8230; jamais abra a caixa e olhe para o livro. Estou morrendo, faltam poucos dias para eu partir. Ao contr\u00e1rio dos meus antecessores, n\u00e3o tive filhos. Ent\u00e3o me perguntei a quem passaria este legado, e a\u00ed descobri voc\u00ea. Espero que aceite o convite. Ser\u00e1 bem recompensado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Eu aceito, senhor Barrington.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levantamos e apertamos as m\u00e3os, assinei um contrato de confidencialidade e voltei para casa. Quatro dias depois, Barrington falecia em seu leito. No dia seguinte recebi a caixa e toda a fortuna da fam\u00edlia Barrington. Para manter meu novo <em>status quo<\/em> e a boa qualidade de vida, era preciso apenas n\u00e3o descumprir o acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dias seguintes, as semanas, os meses&#8230; foram os mais terr\u00edveis que vivi, Williams. O que voc\u00ea teria feito em meu lugar? Aceitado aquela caixa de Pandora? Ou teria rejeitado? Para mim foi como receber das m\u00e3os do Diabo um maldito presente. N\u00e3o sei por qual motivo aceitei o trabalho, quem sabe, insanidade. Ao longo de oito meses n\u00e3o dormi, meus olhos permaneciam fixos no objeto misterioso. Perguntava-me sobre as possibilidades ocultas na abertura da caixa. E se&#8230; e se&#8230; e se&#8230; Estava seduzido pela ideia do fim da literatura e o surgimento de outra. Obsessivo, paranoico, doente, tornei-me pela ideia. Nada me salvaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 22 de maio, recebi o convite para uma conversa de Carlos Pinheiro, famoso cr\u00edtico liter\u00e1rio, ex-colega de faculdade. Precisava sair, respirar. Nos encontramos no bistr\u00f4 do Pa\u00e7o Imperial. O prato: bolo de chocolate amargo acompanhado de caf\u00e9 sem a\u00e7\u00facar. Em meio \u00e0 conversa, Pinheiro, declara: &#8211; Xavier! Vou deixar a carreira de cr\u00edtico liter\u00e1rio e me dedicar \u00e0 pintura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Por que essa decis\u00e3o brusca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bastante simples o motivo. Cansei-me de buscar a obra que fosse o esp\u00edrito de nossa na\u00e7\u00e3o no presente s\u00e9culo. Nada encontrei. Desde 1980 que n\u00e3o se v\u00ea um autor cuja obra carregue essa alma. Estou arrependido, ali\u00e1s, vencido pelo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sei que voc\u00ea, Williams, j\u00e1 sabe o final. J\u00e1 deves ter conclu\u00eddo minha decis\u00e3o. No fim daquela tarde, escolhi olhar o livro, gra\u00e7as ao infort\u00fanio da conversa. Embora n\u00e3o concordasse com Pinheiro, partilhava de sua tristeza. At\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha visto obra compar\u00e1vel a de Goethe, t\u00e3o impactante a ponto de influenciar os s\u00e9culos. Sa\u00ed da conversa, emotivo, abalado; destru\u00eddo pela falta de esperan\u00e7a, de uma obra que contivesse em suas p\u00e1ginas o drama humano. Durante nove horas fiz-me a pergunta: \u201cE se Goethe n\u00e3o tivesse escrito Fausto, ser\u00e1 que outra obra surgiria em seu lugar &#8211; quem sabe neste s\u00e9culo &#8211; e salvaria a hist\u00f3ria?\u201d Pergunta est\u00fapida. De repente, uma palavra que significa incerteza e possibilidade, invadiu minha consci\u00eancia. E se&#8230; E se Goethe tivesse sua obra alterada? B\u00eabado e abatido, levantei-me da cadeira, peguei a caixa, joguei-a sobre a mesa, apanhei a chave guardada no criado-mudo, e, diante dela por uns instantes, hesitei. Depois pensei: \u201cDane-se, vou abrir\u201d. E assim que abri a caixa e olhei, vi os pap\u00e9is que ali estavam subitamente desaparecerem. Neste preciso instante, compreendi que havia destru\u00eddo a literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois, se agora Williams sente o mundo em ru\u00ednas e algo novo surgindo, a culpa \u00e9 minha. E, apesar de estar profundamente arrependido, n\u00e3o posso fazer nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\">X.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Anderson Fonseca\u00a0<\/em><\/strong><em>nasceu em 1981, no Rio de Janeiro (RJ). Professor ensa\u00edsta, \u00e9 tamb\u00e9m um dos editores da revista de contos Flaubert. Publicou \u201cNotas de Pensamentos Incomuns\u201d (contos, 2011) e \u201cSr. Bergier &amp; Outras Hist\u00f3rias\u201d (contos, 2016, Penalux). Organizou a antologia \u201cVeredas \u2013 Panorama do conto contempor\u00e2neo brasileiro\u201d (2013). \u00c9 autor de \u201cO que eu disse ao General\u201d (contos, 2014), considerado pela revista Literatsi um dos melhores livros de 2014.\u00a0\u00a0Vive atualmente na cidade de Brejo Santo (CE), com sua esposa e filha.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os efeitos do mist\u00e9rio num conto in\u00e9dito de Anderson Fonseca<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12174,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3067,2534],"tags":[2091,251,81,41,2211],"class_list":["post-12173","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-111a-leva","category-dedos-de-prosa","tag-a-caixa","tag-anderson-fonseca","tag-conto","tag-dedos-de-prosa","tag-misterio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12176,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12173\/revisions\/12176"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}