{"id":1284,"date":"2012-05-02T17:04:05","date_gmt":"2012-05-02T20:04:05","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=1284"},"modified":"2012-06-04T22:13:11","modified_gmt":"2012-06-05T01:13:11","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-2\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_1411\" aria-describedby=\"caption-attachment-1411\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-Destaquemenor1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1411 \" title=\"Solha Destaquemenor\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-Destaquemenor1.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-Destaquemenor1.jpg 350w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-Destaquemenor1-267x300.jpg 267w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1411\" class=\"wp-caption-text\">W. J. Solha - arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Saber adentrar com maestria as searas do tempo pode significar um atributo deveras valioso a um autor. Na din\u00e2mica das experi\u00eancias vividas, a capacidade de reter instantes significativos em mat\u00e9ria de cria\u00e7\u00e3o e depois lhes emprestar sentido, seja em palavras ou imagens, \u00e9 tarefa especial. \u00c9 ent\u00e3o que o bin\u00f4mio saber e sabor, com a sua magnitude peculiar, perfaz a incerta estrada da cria\u00e7\u00e3o para depois consolidar uma obra que se pretende aut\u00eantica e consistente. Ao pensar numa caracter\u00edstica como esta, logo entendemos porque a trajet\u00f3ria de um algu\u00e9m como <strong>W. J. Solha<\/strong> traduz perfeitamente tudo o que foi dito anteriormente. Esse paulista, radicado na Para\u00edba h\u00e1 alguns bons anos, lapida, a cada passo dado, uma condi\u00e7\u00e3o diferenciada frente ao universo da arte. Verdadeiro multim\u00eddia, Solha assumiu pap\u00e9is diversos no palco da vida, notadamente dentro das fei\u00e7\u00f5es de escritor, artista pl\u00e1stico e ator de teatro e cinema. Em cada um deles, soube extrair do tempo os instrumentos necess\u00e1rios ao seu caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo da escrita, o tra\u00e7o de W. J. Solha \u00e9 inconfund\u00edvel, sendo que a refer\u00eancia a aspectos importantes do percurso vivo de nossas humanas idades pode ser imediatamente reconhecida por quem se permite percorrer os olhos sobre suas letras. O autor de livros emblem\u00e1ticos como <em>Israel R\u00eamora<\/em> (Romance), <em>A Canga<\/em> (Romance), <em>Hist\u00f3ria Universal da Ang\u00fastia<\/em> (Contos) e <em>Relato de Pr\u00f3cula<\/em> (Romance), dentre outros, agora nos oferta <em>Marco do Mundo<\/em>, obra que integra uma trilogia po\u00e9tica iniciada a partir de <em>Trigal com Corvos<\/em>. Assim como seu antecessor, <em>Marco do Mundo<\/em> se utiliza da perspectiva do poema longo, concatenando de modo preciso e envolvente uma estrutura de versos dotados de complexidade. A ideia do poeta face \u00e0 ang\u00fastia da cria\u00e7\u00e3o \u00e9, sem d\u00favida alguma, o grande trunfo do livro. Some-se a esse aspecto o vigoroso painel de acontecimentos ligados \u00e0 hist\u00f3ria da humanidade e que ajudam, sobremaneira, a erigir uma babel de alicerces po\u00e9ticos bastante s\u00f3lidos.\u00a0 Na conversa que agora segue, Solha fala sobre seu novo rebento liter\u00e1rio, a op\u00e7\u00e3o por uma certa independ\u00eancia editorial, o porqu\u00ea de ter deixado a pintura, al\u00e9m de alguns outros assuntos que permeiam suas andan\u00e7as pelo terreno cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Logo em seu princ\u00edpio,\u00a0 &#8220;Marco do Mundo&#8221; prepara o leitor para uma verdadeira incurs\u00e3o na complexa tarefa do fazer po\u00e9tico. A sensa\u00e7\u00e3o ali \u00e9 de que o escritor, antes de parir seus versos, se depara com um fosso abismal de propor\u00e7\u00f5es gigantescas, qual seja o mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o em carne viva. Quem escreve \u00e9, de fato, um atormentado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; Criar, para mim, \u00e9 um tormento. Renoir dizia que somente pintaria enquanto isso lhe trouxesse alegria. Feliz dele. Sofri tanto com os pinc\u00e9is, que acabei por abandon\u00e1-los. Deixei de fazer teatro pelo mesmo motivo. E sofri como o diabo para interpretar meus pap\u00e9is em O Som ao Redor &#8211; de Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a Filho &#8211; que est\u00e1 fazendo bela carreira no exterior, desde a estreia no come\u00e7o de fevereiro, no festival de Roterd\u00e3, e sofri do mesmo modo no Era uma Vez Ver\u00f4nica, de Marcelo Gomes, ambos rodados no Recife. N\u00e3o sei se d\u00f3i mais assumir outra alma,\u00a0 como ator, ou criar uma nova, escrevendo. Porque \u00e9 aquilo que diz Fernando Pessoa: <em>S\u00ea todo em cada coisa. P\u00f5e quanto \u00e9s No m\u00ednimo que fazes<\/em>. A diferen\u00e7a \u00e9 que a literatura, a poesia, exige isolamento. Com a vantagem de que voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel apenas por voc\u00ea mesmo, quanto ao resultado que ir\u00e1 alcan\u00e7ar. No cinema, n\u00e3o: tem-se que pensar coletivamente. Atr\u00e1s da c\u00e2mera que faz um close seu, h\u00e1 quarenta pessoas trabalhando. No filme de Marcelo ainda havia um agravante: o apartamento de meu personagem ficava na Conselheiro Aguiar, a segunda\u00a0 rua\u00a0 depois da avenida Boa Viagem, com um tr\u00e2nsito enorme. E cada vez que eu e Hermila Guedes t\u00ednhamos uma cena em casa, o Detran parava o tr\u00e1fego l\u00e1 fora, pense no que significa isso. E o ator n\u00e3o s\u00f3 se arrisca, como arrisca a obra de algu\u00e9m que \u00e9 maior que ele, naquele momento: o diretor. Mas voc\u00ea percebeu bem: quando resolvi escrever o Marco do Mundo senti o salto que teria de dar. Tenho um quadro meu, antigo, em que se v\u00ea uma paisagem enorme, com um despenhadeiro alt\u00edssimo, e, l\u00e1 em cima, inebriado pela beleza do que v\u00ea, um menino d\u00e1 um salto, completamente nu, no imenso vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Aos poucos, \u201cMarco do Mundo\u201d vai edificando cada andar de uma tresloucada Babel, aglutinado uma profus\u00e3o de seres das mais distintas eras. Como tecer a trama dos versos face a tais provocantes humanas idades?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W.J. SOLHA<\/strong> &#8211; Eu ainda n\u00e3o tinha a ideia de fazer um poema longo tipo marco, na linha de cordelistas como Ata\u00edde e o Leandro Gomes de Barros, quando vi, mentalmente, a cena em que um cont\u00eainer se aproxima de uma torre em constru\u00e7\u00e3o, trazido por um guindaste, e dele sai para ela, a fim de lhe ser um dos andares, uma noturna e esfuziantemente iluminada Quinta Avenida, de Nova Iorque, com todo seu tr\u00e2nsito e arranha-c\u00e9us, ao som do clarinete da Rhapsody in Blue, do Gershwin. A essa imagem espont\u00e2nea seguiram-se outras, como a de outro cont\u00eainer chegando, este trazendo uma manada de baios &#8220;sob uma nuvem que a bombardeia de raios&#8221;, outro vindo com o Arthur Bispo do Ros\u00e1rio e suas centenas de obras de arte, ele no Manto da Apresenta\u00e7\u00e3o que criou para seu encontro com Deus, &#8220;que l\u00e1 vem, Deus, apesar dos ateus, com tutti quanti angeli et archangeli&#8221;. A\u00ed foi inevit\u00e1vel fazer vir com Arthur o Poeta do Absurdo, Z\u00e9 Limeira, e me atrever a uns versos na linha dele. Na verdade, s\u00f3 a fascina\u00e7\u00e3o que tenho pela poesia do Limeira (ou dos que a criaram com seu nome) poderia me deflagrar a grande liberta\u00e7\u00e3o po\u00e9tica que \u00e9 o Marco do Mundo, como ele acabou se tornando uma esp\u00e9cie de repto aceito para superar os cordelistas, embora sem me servir do cordel, na loucura criativa que foram suas pr\u00f3prias bab\u00e9is, publicadas em 1915 e 16 &#8211; o Marco do Meio do Mundo e Como Derribei o Marco do Meio do Mundo. Evidentemente, isso acarretou uma desenfreada farra de rimas de todos os tipos imagin\u00e1veis, dentro de um ritmo alucinat\u00f3rio, com a inten\u00e7\u00e3o de induzir o leitor a acompanhar tudo como num filme &#8211; sem interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_1412\" aria-describedby=\"caption-attachment-1412\" style=\"width: 341px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-1menor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1412\" title=\"Solha 1menor\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-1menor.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-1menor.jpg 341w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-1menor-275x300.jpg 275w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1412\" class=\"wp-caption-text\">W. J. Solha - arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Dentro do percurso escolhido por voc\u00ea, \u00e9 interessante pensar na no\u00e7\u00e3o de poema saga, fundada desde &#8220;Trigal com Corvos&#8221;. De que modo esse racioc\u00ednio consolida o prop\u00f3sito da trilogia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; A ideia \u00e9 que em Trigal com Corvos centrei o mundo em mim. O poema longo foi gerado por\u00a0 minha ang\u00fastia ante a obra a ser feita e que n\u00e3o me sa\u00eda, de modo algum, satisfat\u00f3ria. O Marco do Mundo \u00e9 uma vis\u00e3o da Hist\u00f3ria que ocorre mesmo com a minha aus\u00eancia. E agora estou trabalhando no Homem, da\u00ed o Ecce Homo, que \u00e9 um t\u00edtulo provis\u00f3rio. No entanto, assim como o Marco do Mundo n\u00e3o come\u00e7ou com a ideia que dominou depois, nele, n\u00e3o fiz o Trigal j\u00e1 pensando em tr\u00eas poemas longos formando um complexo po\u00e9tico. Como tamb\u00e9m n\u00e3o fiz as partes que comp\u00f5em minha Hist\u00f3ria Universal da Ang\u00fastia (Bertrand Brasil, 2005) pensando numa colet\u00e2nea. Tinha feito meus romanceamentos do \u00c9dipo e do Hamlet, um conto longo sobre o Rei Saul, outro sobre o menino Parsifal, e percebi, de repente, que estava trabalhando apenas com grandes angustiados. Da\u00ed a lembran\u00e7a da Hist\u00f3ria Universal da Inf\u00e2mia do Borges e o t\u00edtulo que enfeixou tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Algo serviu de modelo para \u201cMarco do Mundo\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; Sempre tive fasc\u00ednio pelo making of de um grande filme, pela an\u00e1lise como a que Ernest Jones faz do Hamlet, ou da cria\u00e7\u00e3o de O Corvo, feita pelo pr\u00f3prio Poe, ou das tradu\u00e7\u00f5es deste poema, feita por Ivo Barroso.\u00a0 Da\u00ed que resolvi que faria parte do Marco do Mundo a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o do Marco &#8211; fict\u00edcia, \u00e9 claro &#8211; com o Poeta aparecendo como seu pr\u00f3prio personagem, que n\u00e3o sou eu, declarando sua po\u00e9tica e a luta para superar os cordelistas autores de marcos anteriores, luta que faz parte, ali\u00e1s, das caracter\u00edsticas dos marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos disseram que o Marco do Mundo \u00e9 inanalis\u00e1vel &#8211; Ivo Barroso,\u00a0 Ruy Espinheira, Nilto Maciel &#8211; pelo que adianto a informa\u00e7\u00e3o de que fiz o poema longo motivado pelo surrealismo que sempre existiu, independentemente de Breton-Dali, como no caso de nossos cordelistas Ata\u00edde e Leandro Gomes de Barros com seus marcos, de Bosch e Brueghel com seus quadros no\u00a0 s\u00e9culo XV, de Apuleio com seu Asno de Ouro no s\u00e9culo II, e todas as religi\u00f5es e\/ou mitologias, em que Merc\u00fario voa, Mois\u00e9s abre o Mar Vermelho, Jesus anda sobre as \u00e1guas e multiplica p\u00e3es e peixes, ressuscita os mortos, enquanto em nossas matas pululam sacis, curupiras e mulas sem cabe\u00e7a. Jung dizia que as artes, religi\u00f5es e sonhos prov\u00eam da mesma regi\u00e3o de nossas mentes. Acredito nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Seus dois \u00faltimos livros s\u00e3o fruto de uma postura editorial independente, atrav\u00e9s da qual voc\u00ea mesmo driblou poss\u00edveis amarras e bancou a publica\u00e7\u00e3o de ambos. Foi melhor assim?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; O que voc\u00ea acha? Estou pagando para escrever. Desde meu romance Relato de Pr\u00f3cula &#8211; que s\u00f3 saiu pela editora A Girafa quando me comprometi a comprar, dela, 500 exemplares, isso vem acontecendo. Ganhara a bolsa da Funarte com ele, para produzi-lo, ganhei, depois, um dos pr\u00eamios da UBE-Rio, mas nada disso adiantou. O fato \u00e9 que W. J. Solha somente \u00e9 ator de cinema, somente foi artista pl\u00e1stico, somente foi dramaturgo, somente \u00e9 poeta&#8230; Porque existe um prosaico Waldemar Jos\u00e9 Solha, que trabalhou no Banco do Brasil por 28 anos para &#8211; como um mecenas &#8211; sustent\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Dada a confiss\u00e3o que voc\u00ea fez agora, o que mais o impele a prosseguir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; A certeza de que o mecenas &#8211; o banc\u00e1rio aposentado Waldemar Jos\u00e9 Solha &#8211; sabe o que est\u00e1 fazendo, ou a Para\u00edba n\u00e3o teria, at\u00e9 hoje, seu primeiro longa-metragem, nem a UFPB teria um painel de 7,20 m de largura, composto de 36 telas &#8211; homenageando Shakespeare, nem o teatro de Jo\u00e3o Pessoa teria tido, entre os anos 86 e 90, nenhum espet\u00e1culo com texto e dire\u00e7\u00e3o de W. J. Solha. O que pode n\u00e3o ser grande coisa, mas era o que havia para ocupar um vazio enorme enquanto n\u00e3o chegava Luiz Carlos Vasconcelos pra escrever e dirigir &#8220;O Vau de Sarapalha&#8221;, que repercutiu Brasil afora e nas estranjas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O cinema tem feito parte especial de sua vida h\u00e1 muito tempo. Muito do que voc\u00ea escreve tem, por sinal, um forte apelo imag\u00e9tico. Que balan\u00e7o voc\u00ea faz dessa sua \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com a s\u00e9tima arte?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; Hemingway dizia que frequentava os museus para aprender a escrever. Realmente, como me dediquei \u00e0 pintura desde menino, a imagem tem sempre uma forte presen\u00e7a em tudo o que escrevo. Muitos, muitos de meus versos prov\u00eam de fotos de quadros ou simplesmente de fotos, pois tenho muitos livros sobre Arte e Fotografia. Mas a din\u00e2mica de meus poemas e romances derivam do cinema, sim. Eisenstein d\u00e1 o texto de Leonardo com o projeto de um quadro sobre o dil\u00favio (que faz parte do Marco do Mundo) como nada mais nada menos do que um roteiro cinematogr\u00e1fico. Claro, pois a pintura, ao contr\u00e1rio do que se sup\u00f5e, n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica. Se voc\u00ea n\u00e3o d\u00e1 ao espectador o chamado &#8220;caminho do \u00f4lho&#8221;, ele vai se perder na &#8220;leitura&#8221;. A viv\u00eancia do cinema d\u00e1 ao poeta e ao romancista uma aprendizagem nova: a de panor\u00e2micas, zooms, cortes, closes, slow-motions. Usei a c\u00e2mera lenta at\u00e9 no teatro. Em minha pe\u00e7a A B\u00e1talha de OL contra o G\u00edgante FERR, ante o problema de uma cena de duelo com espadas enormes, medievais, portanto perigosas, fiz a coisa toda como uma vagarosa dan\u00e7a que culmina com a morte de FERR. As cenas do Marco do Mundo &#8211; h\u00e1 uma fuzilaria dela, no poema &#8211; s\u00e3o todas como que de cinema. Deu-me muito trabalho, por sinal, o trecho em que chega \u00e0 torre a cena de E o Vento Levou, em que Scarlet O\u2019Hara vai \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de estrada de ferro de Atlanta, atr\u00e1s de socorro m\u00e9dico para a cunhada, e d\u00e1 com aquela multid\u00e3o de agonizantes e feridos da Guerra da Secess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; H\u00e1 alguma raz\u00e3o em especial para voc\u00ea ter deixado de se dedicar \u00e0 pintura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; H\u00e1 duas: desde adolescente, vejo a rejei\u00e7\u00e3o que se faz ao figurativismo, que sempre me foi muito caro. Em 89,\u00a0 pintei meu painel A Ceia, no Sindicato dos Banc\u00e1rios, de cuja diretoria eu fazia parte, com Marx ,o lugar de Cristo, dizendo Um de v\u00f3s me trair\u00e1, provocando aquela como\u00e7\u00e3o leonardesca nos &#8220;disc\u00edpulos&#8221; Mao, Allende, Che, St\u00e1lin, Tr\u00f3tski, L\u00eanin, Fidel, Ho Chi Minh e Gorbatchev. Pois bem: lembro-me disso porque algu\u00e9m, ao me ver pintando a tela de 3 metros e 60 de largo, mostrou-me uma reportagem da Folha de S\u00e3o Paulo dando conta de que uma exposi\u00e7\u00e3o das obras de Lucian Freud &#8211; figurativista &#8211; estava com uma fila de virar quarteir\u00e3o, em torno do Moma de Nova Iorque. Foi o \u00faltimo espasmo de &#8220;minha \u00e9poca&#8221;, que se esva\u00eda entre meus dedos. Claro, fui a uma mostra de esculturas de Rodin no Recife, mas aquilo j\u00e1 encarado como coisa do passado, como uma\u00a0 sinfonia de Brahms. A outra raz\u00e3o foi essa ang\u00fastia de que falamos no come\u00e7o da entrevista. Passei seis meses trabalhando numa tela de dois metros e tanto de altura, em que atualizava o Jardim das Del\u00edcias, de Bosch. Passei nove meses fazendo um painel de sete metros e vinte de largura, que est\u00e1 na reitoria da UFPB, homenageando Shakespeare, mas&#8230; a insatisfa\u00e7\u00e3o sempre enorme, sufocante. Van Eyck escrevia sempre, abaixo da assinatura, nas telas dele: &#8220;Fa\u00e7o o que posso&#8221;. Eu tamb\u00e9m fazia. Mas n\u00e3o era o suficiente. A\u00ed, em 2004, fiz uma exposi\u00e7\u00e3o com cerca de duzentos quadros e, sozinho no sal\u00e3o imenso, entre aquele mundo de esfor\u00e7o in\u00fatil, tomei a decis\u00e3o: &#8220;N\u00e3o pinto mais&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Voltando a &#8220;Marco do Mundo&#8221;, \u00e9 poss\u00edvel perceber que o poeta, diante de um mundo eivado de informa\u00e7\u00f5es, busca lapidar ao m\u00e1ximo o que pode lhe servir de instrumento criativo. Chama aten\u00e7\u00e3o nesse momento uma certa obsess\u00e3o pela perfei\u00e7\u00e3o, pelo algo supremo. Para um escritor, de modo geral, tentar erguer uma obra monumental n\u00e3o constitui tarefa \u00e1rdua demais e qui\u00e7\u00e1 algo desnecess\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; \u00c1rdua, sim. Desnecess\u00e1ria, de modo algum. Pelo contr\u00e1rio, somos carentes de obras monumentais. Em todos os campos. E de perfei\u00e7\u00e3o em pequenas coisas, tamb\u00e9m. Foi o que Ariano Suassuna fez com o grandioso romance A Pedra do Reino e com a com\u00e9dia nordestina Auto da Compadecida. A It\u00e1lia se orgulha da Sistina, da Divina Com\u00e9dia, como do Ladr\u00f5es de Bicicletas e Amarcord. A busca da perfei\u00e7\u00e3o me incomoda, sim, mas porque \u00e9 preciso ser g\u00eanio para consegui-la: trabalho, s\u00f3, n\u00e3o resolve. E, evidentemente, de g\u00eanio n\u00e3o tenho nada. Por isso deixei de fazer teatro e de pintar. Continuo com a literatura porque \u00e9 onde me sinto\u00a0 menos limitado. Havia jurado, tamb\u00e9m, n\u00e3o mais me meter em cinema. Houve insist\u00eancia para que fizesse os testes para os filmes do Kleber e do Marcelo, j\u00e1 tive o al\u00edvio de ver que O Som ao Redor est\u00e1 se dando muito bem no exterior, apesar de minha presen\u00e7a. Sofro o suspense de como vai se sair o Era uma vez Ver\u00f4nica&#8230; e trabalho na terceira parte da trilogia de poemas longos. Como estou mandando de gra\u00e7a o Marco do Mundo a quem se interessar por ele, pelo menos ningu\u00e9m poder\u00e1 reclamar que perdeu dinheiro com o que escrevi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_1414\" aria-describedby=\"caption-attachment-1414\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-2menor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1414\" title=\"Solha 2menor\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-2menor.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-2menor.jpg 260w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Solha-2menor-224x300.jpg 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1414\" class=\"wp-caption-text\">W. J. Solha - arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA- A certa altura de \u201cMarco do Mundo\u201d, o poeta manipula o tempo, atravessa-lhe as entranhas para ver fluir o incorrig\u00edvel esp\u00edrito humano. Voc\u00ea acredita que o imediatismo \u00e9 nosso equ\u00edvoco maior?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; Tenho a maior admira\u00e7\u00e3o pelos repentistas paraibanos. Oliveira de Panelas \u00e9 assombroso, nisso. Em cima do ponteio da viola faz um discurso rimado em que menciona as flores do vestido de uma senhora presente, os olhos verdes de fulana de tal, tamb\u00e9m ali, ousando servir-se at\u00e9 do martelo agalopado, que s\u00e3o estrofes em dez versos com dez s\u00edlabas cada, todos acentuados na terceira, sexta e d\u00e9cima s\u00edlabas, com rimas obrigat\u00f3rias do primeiro com o quarto e quinto versos, do segundo com o terceiro, do sexto com o s\u00e9timo, e do oitavo com o nono. Pense na cabe\u00e7a desse cara enquanto ao mesmo tempo procura gra\u00e7a e beleza na composi\u00e7\u00e3o. E isso tudo \u00e9 &#8230; ef\u00eamero. Quem viu, viu, quem n\u00e3o viu&#8230; &#8211; rime voc\u00ea. Os autores de novelas de TV tamb\u00e9m t\u00eam de ser imediatistas, pois a cr\u00edtica que recebem vem do IBOPE. J\u00e1 os impressionistas foram, todos, mestres do vapt-vupt, mas C\u00e8zanne dizia querer a arte dos museus. E a conseguiu, o que \u00e9 juntar a fome com a vontade de comer. O perigoso \u00e9 o imediatismo que vive embarcando em &#8220;ondas&#8221;. Portinari sai do Brasil acad\u00eamico, volta da Fran\u00e7a cubista. O C\u00edcero Dias, daqui do Recife,\u00a0 chagallizando. O que acredito \u00e9 naquilo que voc\u00ea SENTE que tem de fazer. Meus dois \u00faltimos romances &#8211; Relato de Pr\u00f3cula e Ark\u00e1ditch &#8211; foram os primeiros,\u00a0 suponho,\u00a0 a abordar a classe m\u00e9dia urbana, nordestina, contempor\u00e2nea. E o que me levou a participar dos dois longas pernambucanos &#8211; O Som ao Redor e Era uma vez Ver\u00f4nica, de Kleber Mendon\u00e7a e Marcelo Gomes &#8211; foi justamente o fato de que foram os dois primeiros filmes a tomar o mesmo tema: classe m\u00e9dia urbana nordestina, contempor\u00e2nea. H\u00e1, em todas\u00a0 as gera\u00e7\u00f5es, t\u00f4nicas dominantes. Como os ciclos do cacau e da cana de a\u00e7\u00facar. A arte tem de se sintonizar ao seu espa\u00e7o e ao seu tempo, para deixar, deles e neles, a sua marca d\u00b4\u00e1gua. Ou n\u00e3o ter\u00e1 feito nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Com que olhos voc\u00ea acompanha a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria na contemporaneidade? Costuma manter um di\u00e1logo aproximado com novos autores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; Vivo alguma dificuldade para encontrar tempo suficiente para acompanhar o que se faz no Brasil e no mundo. Escrevo praticamente o dia todo, com a urg\u00eancia a que a idade me obriga, pois n\u00e3o tenho a menor ideia de quanto tempo, ainda, disponho, com tanto que ainda tenho para\u00a0 dizer. Al\u00e9m do mais, escreve-se muito na Para\u00edba. Leio muita coisa in\u00e9dita. H\u00e1 pouco escrevi textos para orelhas e quartas capas de tr\u00eas autores premiados em concurso do Estado. H\u00e1 um excelente romance de Tarc\u00edsio Pereira, O Autor da Novela, que obteve Bolsa de Incentivo \u00e0 Literatura da Funarte h\u00e1 dois anos, ainda sem editor. Tamb\u00e9m li os originais de um bom livro de Marilia Arnaud, contista que se aventurou com sucesso no romance. Tirei um atraso, recentemente, comprando um lote de obras do Affonso Romano de Sant\u00b4Anna, a quem admiro muito. Fiz a quarta capa, tamb\u00e9m, h\u00e1 pouco tempo, de um belo romance do Carlos Trigueiro &#8211; Libido aos Peda\u00e7os &#8211; que saiu pela Record. Fiz uma resenha alentada do \u00faltimo romance do Esdras do Nascimento, A Rainha do Cal\u00e7ad\u00e3o. Li os originais de um romance de primeira, do Hugo Almeida, mineiro l\u00e1 de S\u00e3o Paulo, com t\u00edtulo ainda provis\u00f3rio. Acabo de ler o maravilhoso O Corvo e suas tradu\u00e7\u00f5es, do Ivo Barroso.\u00a0 Fiz uma entusi\u00e1stica resenha da recente colet\u00e2nea de poemas de Ruy Espinheira Filho, que saiu pela Global, etc, etc. Al\u00e9m do mais, meu modo de escrever exige muita pesquisa, e \u00e9 no que dedico mais tempo, al\u00e9m da escrita propriamente dita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O mundo est\u00e1 mesmo dividido entre os que leem e os que n\u00e3o leem? N\u00e3o acha que, nesse aspecto, subestimamos em demasia potencialidades humanas de apreens\u00e3o da realidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; Nunca dividi o mundo assim. Vivi oito anos no alto sert\u00e3o paraibano, quatro dos quais como chefe da Carteira de Cr\u00e9dito Agr\u00edcola, quando tive a oportunidade de conhecer de perto matutos altamente \u201cintiligentes\u201d. Fiz, inclusive, uma com\u00e9dia &#8211; Curicaca &#8211; a partir de vinte livros de Jos\u00e9 Cavalcanti, em que o grande personagem era, sempre, o cabra tremendamente esperto, como o Jo\u00e3o Grilo do Auto da Compadecida. Por outro lado, conheci muita gente culta, l\u00e1 e em toda parte, que n\u00e3o criava absolutamente nada e era um eterno enrolado. Eu mesmo adoro deixar de lado minha face &#8220;intelectual&#8221;, de &#8220;escritor&#8221;, pra representar, quando me entrego completamente ao instinto. Jamais fiz escola de arte dram\u00e1tica e n\u00e3o lamento isso. Melhor ainda \u00e9 que nunca fiz papel de nenhum &#8220;intelectual&#8221;, de &#8220;escritor&#8221;. Meu trabalho mais marcante no cinema, at\u00e9 agora, tinha sido o de um velho campon\u00eas embrutecido pela mis\u00e9ria &#8211; em A Canga, um curta de Marcus Vilar, baseado num trecho de minha novela hom\u00f4nima. Agora, a\u00ed est\u00e1 O Som ao Redor, o primeiro longa do pernambucano Kleber Mendon\u00e7a Filho, bombando em Roterd\u00e3, Nova Iorque, S\u00e3o Francisco, j\u00e1 com presen\u00e7a em mais vinte e tantos festivais internacionais, incluindo o de Washington, Londres e Jerusal\u00e9m, em que fa\u00e7o um velho rica\u00e7o afoito, em cujo apartamento n\u00e3o se v\u00ea nenhum livro. Acho \u00f3timo sair de mim. Deixar, pelo menos temporariamente, de ser o que sou. Qual foi o livro que o Lula j\u00e1 leu, mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Afinal, por que escrever?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>W. J. SOLHA<\/strong> &#8211; Veja bem: trabalhei a maior parte de meu primeiro poema longo &#8211; Trigal com Corvos, lan\u00e7ado em 2004 &#8211; quando ainda era obrigado a meus expedientes no Banco do Brasil. Inclu\u00eddas a\u00ed, tamb\u00e9m, v\u00e1rias retomadas, desist\u00eancias ou trabalhos em outras \u00e1reas, o livro me tomou doze anos. Para o Marco do Mundo -aposentado &#8211; precisei de apenas quase quatro, inclu\u00eddas aventuras no cinema e retoques finais em meus romances Relato de Pr\u00f3cula e Ark\u00e1ditch. O que acontece, ent\u00e3o, na fatura de um Trigal, na de um\u00a0 Marco? Voc\u00ea produz uma leitura que consome por volta de uma hora de um bom leitor. Uma leitura que custou a seu autor anos de esfor\u00e7o, uma concentra\u00e7\u00e3o enorme de\u00a0 camadas e camadas e camadas de escrita. O resultado \u00e9 que nunca me sinto \u00e0 vontade quando algu\u00e9m diz que quer me conhecer pessoalmente, porque nessa hora em que a pessoa estar\u00e1 comigo n\u00e3o ter\u00e1 absolutamente nada do que ela encontrou nesta ou naquela obra. Sou um sujeito sem carisma, sem nada de especial. E isso, evidentemente, vale tamb\u00e9m para a rela\u00e7\u00e3o que tenho com meu livro pronto: reduzi a montanha de pedra bruta que foi esse eu-no-tempo, a um quilate ou dez de diamante ou de ouro. A enorme quantidade gestou uma min\u00fascula qualidade que passa n\u00e3o s\u00f3 a me dar sentido \u00e0 exist\u00eancia, como a me fornecer&#8230; respostas com a profundidade m\u00e1xima, com a beleza m\u00e1xima que me foi poss\u00edvel alcan\u00e7ar, a respeito de mim mesmo,\u00a0 pois, como dizia o or\u00e1culo de Delfos, <em>Conhece-te a ti mesmo, e conhecer\u00e1s os deuses e o universo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>\u00a0<a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Capa-do-Livro-menor3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-1413\" title=\"Capa do Livro menor\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Capa-do-Livro-menor3.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"358\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>* Quem se interessar pela leitura de Marco do Mundo, poder\u00e1 receber gratuitamente, pelo correio, um exemplar do livro.\u00a0 Basta entrar em contato com o autor, fornecendo nome e endere\u00e7o, atrav\u00e9s do e-mail<strong><span style=\"color: #0000ff;\"> wjsolha@superig.com.br<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor W. 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