{"id":13173,"date":"2017-02-07T12:54:54","date_gmt":"2017-02-07T15:54:54","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=13173"},"modified":"2017-02-15T16:22:06","modified_gmt":"2017-02-15T19:22:06","slug":"aperitivo-da-palavra-i-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivo-da-palavra-i-20\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra I"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>B\u00edfida, o poema na multiplica\u00e7\u00e3o da vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Helena Terra <\/em><em><br \/>\n<a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/15219649_1275992679130242_1833592581954177413_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13175\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/15219649_1275992679130242_1833592581954177413_n.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/15219649_1275992679130242_1833592581954177413_n.jpg 347w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/15219649_1275992679130242_1833592581954177413_n-208x300.jpg 208w\" sizes=\"auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 o de estreia na poesia, mas os versos se apresentam encorpados dentro de uma rota em que a linguagem, a subjetividade e o imponder\u00e1vel, da delicadeza \u00e0 brutalidade, clarificam-se em uma express\u00e3o pessoal e em uma est\u00e9tica representativa do que nos \u00e9 universal e inesgot\u00e1vel em confronto com o que nos \u00e9 singular e finito e vice-versa.\u00a0 <em>B\u00edfida e outros poemas<\/em>, de Alexandra Lopes da Cunha, uma das vozes mais originais da nova poesia brasileira contempor\u00e2nea, concilia, em sua dic\u00e7\u00e3o ora coloquial ora sofisticada, a escalada e a queda, n\u00e3o necessariamente nessa ordem, dos sentimentos e das inquieta\u00e7\u00f5es peculiares a todos os seres humanos, em especial, \u00e0s mulheres, suas nuances e seus espa\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo do livro n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3rio. B\u00edfida, feminino de b\u00edfido, vem do latim b\u00edfidu, aquele que est\u00e1 fendido em duas partes, que foi partido ou separado. \u00a0\u201cDividida de nascen\u00e7a, \/ bipartida na origem,\u201d s\u00e3o os versos que abrem o poema que leva o mesmo nome da obra e que serve tamb\u00e9m como ind\u00edcio, quem sabe porto seguro, da vis\u00e3o de mundo complexa, reflexiva e dial\u00e9tica da autora. Seu pensamento \u00e9 l\u00facido, autoconsciente, cr\u00edtico. Suas emo\u00e7\u00f5es, viscerais.\u00a0 Se por um lado, h\u00e1 pondera\u00e7\u00e3o, quase medita\u00e7\u00e3o, sobre o sentido da vida, por outro, h\u00e1 indisciplina, quase revolta, sobre o desconcerto de estar no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desdobramentos dos poemas, quarenta e nove organizados em ordem alfab\u00e9tica, s\u00e3o diversos. O corpo na multiplica\u00e7\u00e3o da vida: \u201cNa nudez do meu \u00fatero \/ acumula-se o p\u00f3 dos anos.\u201d; as obriga\u00e7\u00f5es do narcisismo culturalmente impostas: \u201cSou mulher sem qualidades \/ Desqualificam-me os adjetivos \/ e os adv\u00e9rbios ignoram-me \/ solenemente.\u201d; e a puls\u00e3o sexual em constante combate com as intimida\u00e7\u00f5es da sociedade patriarcal: \u201cPenetra meu corpo pelos poros de minha pele, \/ imprime em minhas retinas tua onipot\u00eancia.\u201d s\u00e3o tr\u00eas temas recorrentes do mosaico po\u00e9tico inaugurado por uma das quest\u00f5es mais presentes, sen\u00e3o a maior, da humanidade: a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas, repetindo-se e reproduzindo-se, funcionam como uma esp\u00e9cie de trip\u00e9 ou de paradigma social e emocional para as invas\u00f5es e desenvolvimento dos demais assuntos e para a consuma\u00e7\u00e3o do todo po\u00e9tico, do mesmo modo, pol\u00edtico, filos\u00f3fico e ideol\u00f3gico, n\u00e3o havendo um maior ou mais impactante. Por detr\u00e1s das fragmenta\u00e7\u00f5es e da discreta falta de nitidez, comunicam-se e convergem-se identidades que nos traduzem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada disso, entretanto, nos permite desvendar ou dominar o <em>B\u00edfida e outros poemas<\/em>. A abrang\u00eancia e o significado mais profundo de cada poema se ampliam a cada releitura, renovando o campo sem\u00e2ntico e as possibilidades de apropria\u00e7\u00e3o e de frui\u00e7\u00e3o dos leitores. Uma experi\u00eancia ressignifica a outra e a outra e assim por diante assim como, tamb\u00e9m, ressignifica a heran\u00e7a liter\u00e1ria e cultural das gera\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 cita\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar influ\u00eancias, rastros; \u00e9 poss\u00edvel estabelecer conex\u00f5es e di\u00e1logos do <em>B\u00edfida e outros poemas<\/em> com a produ\u00e7\u00e3o de outras mulheres poetas: Marina Tsvet\u00e1ieva, \u201c n\u00e3o serei animal ferido que se \/ arrasta\u201d; Wislawa Szymborska,\u00a0 \u201chabitualmente, acordo na condi\u00e7\u00e3o da testemunha atrasada, \/ com o milagre j\u00e1 consumado\u201d; e Emily Dickinson, certeira com o seu \u201cuma palavra morre \/ quando falada \/ algu\u00e9m dizia. \/ Eu digo que ela nasce \/ exatamente \/ nesse dia\u201d, s\u00e3o alguns exemplos da subst\u00e2ncia contagiante e libertadora da poesia, que se for de verdade, n\u00e3o h\u00e1 por que duvida, j\u00e1 nasce assim de p\u00e9 e inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Helena Terra<\/em><\/strong><em> \u00e9 ga\u00facha, escritora e ilustradora. Publicou contos, poemas e textos em antologias e revistas liter\u00e1rias e o romance A condi\u00e7\u00e3o indestrut\u00edvel de ter sido.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cB\u00edfida e outros poemas\u201d, primeiro livro de Alexandra Lopes da Cunha, pelas impress\u00f5es de Helena Terra <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13174,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3238,2533,16],"tags":[3224,11,3239,1673],"class_list":["post-13173","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-116a-leva","category-aperitivo-da-palavra","category-destaques","tag-alexandra-lopes-da-cunha","tag-aperitivo-da-palavra","tag-bifida-e-outros-poemas","tag-helena-terra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13173"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13177,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13173\/revisions\/13177"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}