{"id":13466,"date":"2017-04-03T11:55:44","date_gmt":"2017-04-03T14:55:44","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=13466"},"modified":"2017-05-16T22:40:16","modified_gmt":"2017-05-17T01:40:16","slug":"jogo-de-cena-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/jogo-de-cena-17\/","title":{"rendered":"Jogo de Cena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sensorialidade da literatura de Ronaldo Correia de Brito na pe\u00e7a Redemunho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Vivian Pizzinga<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_13483\" aria-describedby=\"caption-attachment-13483\" style=\"width: 333px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-1-Foto-Silvana-Marques-m.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13483 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-1-Foto-Silvana-Marques-m.jpg\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-1-Foto-Silvana-Marques-m.jpg 333w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-1-Foto-Silvana-Marques-m-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13483\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Silvana Marques<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Faca<\/em>. Este \u00e9 o nome do bel\u00edssimo livro de contos de Ronaldo Correia de Brito, lan\u00e7ado em 2003, e que deu origem ao espet\u00e1culo <em>Redemunho<\/em>, com dire\u00e7\u00e3o de Anderson Arag\u00f3n, que esteve em cartaz recentemente na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro. Quatro contos do livro s\u00e3o transpostos para a linguagem dos palcos, com uma dramaturgia carregada de lirismo e que aproveita muito do texto bem cerzido por seu autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os contos escolhidos para compor <em>Redemunho<\/em> s\u00e3o <em>A escolha<\/em>, <em>C\u00edcera<\/em> <em>Cand\u00f3ia<\/em>, <em>Redemunho<\/em> e <em>Mentira de Amor<\/em>, nessa ordem. Apesar de apenas o primeiro carregar explicitamente em seu t\u00edtulo a tem\u00e1tica da escolha, ela permeia os quatro contos encenados, evidenciando que a decis\u00e3o que reside por tr\u00e1s de cada ato de escolher tem muito menos liberdade do que pode parecer a olhos menos atentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro conto, uma mulher deve escolher o homem ao lado do qual levar\u00e1 a vida, o que significa oscilar entre o mart\u00edrio de sustentar at\u00e9 o final um relacionamento violento, mas legitimado pela sociedade e pela fam\u00edlia, e o amor suave e acolhedor que, no entanto, n\u00e3o encontra legitima\u00e7\u00e3o alguma; mas a escolha \u00e9 tamb\u00e9m entre a paix\u00e3o irracional e a tranquilidade de um sentimento apaziguador. No segundo, uma filha dever\u00e1 escolher entre ficar e ir embora, resignar-se a um destino moroso, engessado e amargurado, sem perspectivas, ou a culpa insuport\u00e1vel de deixar para tr\u00e1s a obriga\u00e7\u00e3o moral com a m\u00e3e e sua incapacidade de se cuidar sozinha. No terceiro conto, a escolha envolve segredos familiares e reside em continuar deixando-se enganar ou enfim desenterrar a verdade, no sentido literal do verbo aqui usado. Finalmente, no quarto conto, o mais delicado e po\u00e9tico de todos, o que temos \u00e9 a escolha de uma m\u00e3e de fam\u00edlia entre colocar-se em risco em busca da liberdade ou, novamente, resignar-se a um destino isolado e sem vida. Os la\u00e7os de afeto que unem os personagens e suas (n\u00e3o-) escolhas de vida \u00e9 o que d\u00e1 o tom de cada um dos enredos, com suas esposas e maridos, m\u00e3es e filhas, filhos e m\u00e3es, abandonos e trai\u00e7\u00f5es. Tr\u00eas atores em cena, Ana Carbatti, Claudia Ventura e Alexandre Dantas, d\u00e3o vida a esses personagens curtidos pelo sol, pelo estio e pelo esquecimento do sert\u00e3o do Cear\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso, antes de tudo, apontar os perigos da empreitada de <em>Redemunho<\/em>, que n\u00e3o se configura como adapta\u00e7\u00e3o. A transposi\u00e7\u00e3o de linguagens n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, e a\u00ed j\u00e1 se pode encontrar um elemento de complexidade do espet\u00e1culo, sobretudo em se tratando de um texto bem trabalhado como \u00e9 o de <em>Faca<\/em>: o desafio exige um cuidado para que n\u00e3o se percam as caracter\u00edsticas de cada um dos tipos de linguagem, sem, no entanto, desrespeitar o que se pode chamar, na falta de palavra melhor, de natureza de cada um deles. A literatura permite a imagina\u00e7\u00e3o livre e solta do leitor a partir da habilidade do escritor de tecer um texto imag\u00e9tico que guia o enredo e que cria personagens com o poder de cativar quem os acompanha. O teatro, por outro lado, oferece suporte imag\u00e9tico atrav\u00e9s da dramaturgia que constr\u00f3i, ou seja: as cenas, os gestos e os personagens j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1 e t\u00eam cara, cor e forma, mas essa oferta deixa, ainda assim, brechas para a mesma imagina\u00e7\u00e3o do espectador, que, a partir de recursos criativos e c\u00eanicos muitas vezes inesperados (e simples, no melhor sentido do termo), tamb\u00e9m deve ser capaz de imaginar objetos, personagens e acontecimentos que n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_13485\" aria-describedby=\"caption-attachment-13485\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-2-Foto-Silvana-Marques-m.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13485 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-2-Foto-Silvana-Marques-m.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-2-Foto-Silvana-Marques-m.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-2-Foto-Silvana-Marques-m-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13485\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Silvana Marques<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para citar alguns pequenos exemplos no espet\u00e1culo em quest\u00e3o, o ru\u00eddo de gr\u00e3os de areia levemente salpicados pelo ch\u00e3o do cen\u00e1rio remetem \u00e0 chuva que cai insistente; uma cadeira tran\u00e7ada de palha faz as vezes de venezianas atrav\u00e9s das quais se pode espiar o mundo que teima em acontecer l\u00e1 fora, separado do c\u00e1rcere que s\u00f3 oferece sons para os prisioneiros em cativeiro; pedras dependuradas em um canto do cen\u00e1rio evocam a floresta, o quintal, a moita e o ambiente exterior em cada um dos contos dramatizados; um banco redondo assume a fun\u00e7\u00e3o de piano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato \u00e9 que <em>Redemunho<\/em>, espet\u00e1culo composto com um cuidado que salta aos olhos, ficando \u00e0 altura do cuidado presente no texto liter\u00e1rio de Ronaldo Correia de Brito, caminha, ainda assim, na fronteira tensa entre o que poderia ser uma pe\u00e7a atordoante, dif\u00edcil de acompanhar, e o que pode ser uma pe\u00e7a primorosa, em termos de lirismo expresso em todos os elementos que comp\u00f5em um espet\u00e1culo teatral. Sorte a do espectador, pois a bamba caminhada na fronteira perigosa n\u00e3o resvala para o atordoamento. Mas <em>Redemunho<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma pe\u00e7a f\u00e1cil, exigindo uma oscila\u00e7\u00e3o entre a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o da plateia e o deixar-se levar por algo que se assemelha \u00e0 aten\u00e7\u00e3o flutuante freudiana, meio atrav\u00e9s do qual o psicanalista n\u00e3o se prende a cada detalhe do conte\u00fado trazido por seu analisando, deixando-se, ao contr\u00e1rio, \u00e0 deriva para captar aquilo que realmente importa, aquilo que merece ser pontuado e que far\u00e1 diferen\u00e7a no processo (e, neste caso, na analogia aqui proposta, sem preju\u00edzo da frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que a pe\u00e7a permite). Digo isso porque o texto de Ronaldo Correia de Brito avan\u00e7a por met\u00e1foras e descri\u00e7\u00f5es prenhes de sensorialidade. \u201cSono abandonado de macho\u201d e \u201cs\u00edtios de desejo e terror\u201d s\u00e3o alguns dos in\u00fameros exemplos em que o lirismo une sensa\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o: imposs\u00edvel n\u00e3o entender de imediato o que \u00e9 um sono abandonado de macho, percep\u00e7\u00e3o, curiosamente, mais feminina do que masculina, sendo esta uma express\u00e3o que faz sentido prontamente, que coloca em palavras aquilo que sempre entendemos como tal, mesmo que nunca tiv\u00e9ssemos nos apercebido da ideia. Mas algumas outras express\u00f5es, quando aparecem em texto impresso, permitem a releitura para uma melhor frui\u00e7\u00e3o ou um melhor entendimento. Ao ganhar roupagens dramat\u00fargicas, contudo, a literatura de <em>Faca<\/em> acaba concorrendo com o movimento dos atores pelo palco, a musicalidade que permeia a vida mon\u00f3tona dos personagens, a ilumina\u00e7\u00e3o e o cen\u00e1rio que situam em terras firmes personagens antes imaginados. E \u00e9 exatamente o concatenar de todas essas informa\u00e7\u00f5es (e a impossibilidade da releitura de uma cena que est\u00e1 sendo encenada agora) o que pode causar certo atordoamento, que n\u00e3o chega a acontecer, mas que est\u00e1 \u00e0 espreita; h\u00e1, por\u00e9m, uma exig\u00eancia de trabalho e talvez uma demora para o espectador se encontrar no texto encenado. Nada, entretanto, que impe\u00e7a o ineg\u00e1vel enlevo est\u00e9tico que o espet\u00e1culo proporciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Redemunho<\/em>, para n\u00e3o ser atordoante e fazer jus \u00e0 beleza do texto do qual faz parte, conta com uma cenografia, assinada por Doris Rollemberg, que prima pela discri\u00e7\u00e3o sem abrir m\u00e3o de delicados detalhes. Os figurinos de Fl\u00e1vio Souza seguem a mesma l\u00f3gica, compondo com o cen\u00e1rio. Em ambos, temos a preval\u00eancia de tons past\u00e9is, mas encontramos pequenos bordados e retalhos coloridos, linhas vermelhas entrela\u00e7adas nas cadeiras, no ch\u00e3o e nas roupas. Essas min\u00facias fazem todo o sentido. Tanto para n\u00e3o mergulhar o espet\u00e1culo em excesso de informa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m servindo de paralelo formal com o conte\u00fado das quatro hist\u00f3rias, cujo fio condutor \u00e9 o v\u00ednculo asfixiante e desgastante entre personagens presos \u00e0 pr\u00f3pria sorte e uns aos outros, presos num destino que n\u00e3o sabem muito bem se constru\u00edram ou se foram por ele determinados. H\u00e1 uma vida de rotina claustrof\u00f3bica e poucas op\u00e7\u00f5es de sa\u00edda, labirinto que roda e roda e roda em torno de um cerne mofado. Todavia, as brechas de paix\u00e3o que mal podem ser contidas est\u00e3o l\u00e1. Existem, e \u00e9 poss\u00edvel alarg\u00e1-las ou ignor\u00e1-las. S\u00e3o brechas t\u00e3o pequenas quanto os fios coloridos aqui e ali no vestu\u00e1rio dos atores. \u00c9 o caso da mulher enclausurada com as filhas na pr\u00f3pria casa, aprisionada pelo marido que det\u00e9m a chave guardada sempre em um bolso sem fim, figura amea\u00e7adora que aparta a mulher do mundo, casal que \u00e9 terreno deserto de di\u00e1logos. Malgrado tamanha resigna\u00e7\u00e3o, a mulher n\u00e3o se impede de usufruir lampejos de vida e desejo (tais quais os fios coloridos entrela\u00e7ados nas cadeiras de palha do cen\u00e1rio), quando acompanha a vida da cidade atrav\u00e9s dos ru\u00eddos que v\u00eam de fora, at\u00e9 a chegada do circo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_13486\" aria-describedby=\"caption-attachment-13486\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-3-Foto-Silvana-Marques-m.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13486 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-3-Foto-Silvana-Marques-m.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-3-Foto-Silvana-Marques-m.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Imagem-3-Foto-Silvana-Marques-m-300x211.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13486\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Silvana Marques<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A dire\u00e7\u00e3o de Anderson Arag\u00f3n consegue intercalar os contos de modo harmonioso e retom\u00e1-los ao final, aproveitando o cl\u00edmax que vem aos poucos e rompendo com a linearidade sugerida \u00e0 primeira vista. Mas ouso apontar que talvez essa n\u00e3o tenha sido a melhor ordem dos contos. A escolha, que, dos quatro contos selecionados, \u00e9 o mais complexo, poderia n\u00e3o ter sido o primeiro. Isso porque \u00e9 preciso contar com o fato aqui j\u00e1 mencionado de que, pela complexidade do texto liter\u00e1rio em pauta e pela aproxima\u00e7\u00e3o formal com a leitura dramatizada, a plateia talvez demore a se situar, e quem sabe um conto \u201cmais f\u00e1cil\u201d, que permita a entrada mais imediata do espectador na proposta do espet\u00e1culo, funcione melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o musical de Aldredo Del-Penho consegue introduzir a musicalidade ausente no texto liter\u00e1rio (musicalidade apenas evocada), e s\u00e3o belas as m\u00fasicas escolhidas. Entretanto, em alguns momentos, dificultam o acompanhamento do texto, o que pode prejudicar a compreens\u00e3o da hist\u00f3ria. Menos m\u00fasica talvez fosse uma boa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, finalmente, os atores, fant\u00e1sticos, que conseguem carregar de emo\u00e7\u00e3o e vida o drama de cada um dos personagens. Destaque para Ana Carbatti e Claudia Ventura, cujas vozes e entona\u00e7\u00f5es parecem modular exatamente as emo\u00e7\u00f5es vividas e contidas, os ressentimentos envelhecidos, comunicando quase que de modo imediato o interior devastado de seus personagens aos espectadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Redemunho<\/em> trata disso: emo\u00e7\u00f5es e ressentimentos que tomaram idade, destinos aprisionados, vidas sem sa\u00edda, obriga\u00e7\u00f5es morais aniquiladoras, tiranias disfar\u00e7adas de boas inten\u00e7\u00f5es, v\u00ednculos de amor e \u00f3dio, sangue derramado em tormentas familiares sem sentido. Trata de segredos prontos a serem revelados, de esperas insuport\u00e1veis. \u00c9 a paix\u00e3o estancada em um quotidiano tedioso, no qual as poucas op\u00e7\u00f5es de fuga e rompimento s\u00e3o escassas e t\u00e3o discretas quanto os fios coloridos dos figurinos dos atores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Vivian Pizzinga<\/em><\/strong><em> lan\u00e7ou os livros de contos Dias Roucos e Vontades Absurdas (Oito e meio, 2013) e A primavera entra pelos p\u00e9s (Oito e meio, 2015), al\u00e9m de ter participado de algumas colet\u00e2neas, sendo as mais recentes Cada um por si e Deus contra todos (Tinta Negra, 2016) e Escriptonita (Patu\u00e1, 2016). Trabalha tamb\u00e9m com psican\u00e1lise e Sa\u00fade do Trabalhador. <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pe\u00e7a \u201cRedemunho\u201d pelo esmerado olhar de Vivian Pizzinga<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13484,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3269,2537],"tags":[12,3289,3290,96,2716],"class_list":["post-13466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-117a-leva","category-jogo-de-cena","tag-jogo-de-cena","tag-redemunho","tag-ronaldo-correia-de-brito","tag-teatro","tag-vivian-pizzinga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13466"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13487,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13466\/revisions\/13487"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}