{"id":13592,"date":"2017-05-15T08:09:21","date_gmt":"2017-05-15T11:09:21","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=13592"},"modified":"2017-05-19T17:45:48","modified_gmt":"2017-05-19T20:45:48","slug":"aperitivo-da-palavra-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivo-da-palavra-21\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra"},"content":{"rendered":"<p><strong>A busca de si e as formas fixas, a Mec\u00e2nica Aplicada de Nuno Rau<\/strong><\/p>\n<p><em>Por Roberto Dutra Jr.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/MEC\u00c2NICA-APLICADA-NUNO-RAU-int.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13594\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/MEC\u00c2NICA-APLICADA-NUNO-RAU-int.jpg\" alt=\"\" width=\"313\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/MEC\u00c2NICA-APLICADA-NUNO-RAU-int.jpg 313w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/MEC\u00c2NICA-APLICADA-NUNO-RAU-int-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Veio o p\u00f3s-modernismo e n\u00f3s nos fragmentamos em tantos peda\u00e7os quanto uma tela cubista comporta. Surgiu a <em>world wide web<\/em> e nos fragmentamos mais ainda em avatares e perfis, redes sociais, <em>raves<\/em> cibern\u00e9ticas e encontros virtuais. Uma nova realidade abra\u00e7a a todos n\u00f3s e a cidade em que circulamos circula em cada dispositivo m\u00f3vel em n\u00edveis que nos viciam sugando o nosso tempo como vampiros instalados nos chips.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas imagens e outras povoam irremediavelmente a minha mente quando carrego as p\u00e1ginas de <em>Mec\u00e2nica aplicada<\/em>, o novo livro de Nuno Rau, que saiu recentemente pela Editora Patu\u00e1. Fa\u00e7amos o <em>reload.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nuno Rau faz uma mescla de imagens e narrativas versificadas, surgindo r\u00e1pidas como <em>flashes<\/em> entre um fluxo de consci\u00eancia que tamb\u00e9m engloba <em>samplers<\/em> de outros poetas e compositores. A desapropria\u00e7\u00e3o de um verso alheio \u00e9 a identidade de um novo poema. O indiv\u00edduo entre estas p\u00e1ginas, que vaga numa polis <em>cyber-punk<\/em> perdeu as ilus\u00f5es e dialoga ora com um outro, que pode ser ele mesmo ou um <em>sampler<\/em> de um poeta (ele mesmo se constr\u00f3i? Ou uma voz do c\u00e2none?). N\u00e3o temos certeza de quem est\u00e1 l\u00e1, \u00e0 solta; quem \u00e9 este observador do fluxo de informa\u00e7\u00f5es, desolado em reflexos de si mesmo que n\u00e3o reconhece. \u00c9 preciso quebrar os espelhos: \u201c&#8230; erradicar \/ os artefatos \/ da ilus\u00e3o\u201d. Fica no ar sempre a pergunta se o indiv\u00edduo \u00e9 o sintoma ou a doen\u00e7a de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma m\u00e1quina do mundo revisitada n\u00e3o seria uma leitura extrapolada de <em>Mec\u00e2nica aplicada<\/em>. Entretanto, os poemas de Nuno Rau, com um ritmo ainda mais fragmentado, comunicam-se com suas refer\u00eancias drummondianas e haroldianas (de Campos) e revelam uma profunda ang\u00fastia de ser no s\u00e9culo XXI um homem (po\u00e9tico) sampleado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora com modos de <em>graphic novel<\/em>, algum desvio surrealista e certamente impregnado de distopia, os poemas de <em>Mec\u00e2nica aplicada<\/em> n\u00e3o encontram caminhos nessa <em>cyber-cidade<\/em>, a \u00fanica fuga \u00e9 a para dentro de si, como nos versos de \u201cpor dentro, por fora\u201d: \u201cvivendo pela margem, neste ex\u00edlio \/ de uma p\u00e1tria que n\u00e3o existe, a n\u00e3o \/ ser na mais absurda alucina\u00e7\u00e3o, \/ nenhum dia me abre o seu sentido; \/ &#8230; \/ al\u00e9m do corpo, \/ &#8230; \/ as coisas seguem normais \/ &#8230; \/ sob a pele das coisas arde um tal inc\u00eandio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mec\u00e2nica aplicada<\/em> tem uma unidade conceitual dividida em cinco partes, sendo <em>Subversio machine<\/em>, <em>Imago mundi, <\/em>Fenomenologia dos materiais, <em>Opera mundi<\/em> e Mec\u00e2nica aplicada. Os poemas \u201cFragmenta\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cRomantismo <em>mode on mode off<\/em>\u201d e \u201cArs poetica\u201d s\u00e3o o ponto de converg\u00eancia deste eu fragmentado do poeta (sua consci\u00eancia dentro da m\u00e1quina do mundo) e dividem o livro em uma tomada de estilo e de forma.\u00a0 As duas se\u00e7\u00f5es finais s\u00e3o compostas de sonetos. O caminho para dentro de si \u00e9 o encontro de uma forma fixa tradicional da literatura. Seria um retorno \u00e0 inf\u00e2ncia ou \u00e0 inf\u00e2ncia cultural de um ser po\u00e9tico desiludido num mar de informa\u00e7\u00f5es e refer\u00eancias, imposs\u00edvel de ser filtrado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nuno Rau n\u00e3o reinventa o soneto, mas utiliza o recurso como uma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o. Se havia uma busca, esta deveria ser por concis\u00e3o e a aplica\u00e7\u00e3o da mec\u00e2nica surge no verso e sua pr\u00e1tica. Versos como: \u201ca forma fixa: o conte\u00fado, n\u00e3o. \/ A mente \u00e9 livre, o pensamento inquieto, \/ e exposto a mais esta contradi\u00e7\u00e3o \/ cometo \u2013 extempor\u00e2neo \u2013 outro soneto\u201d, demonstram o jogo metalingu\u00edstico montado.\u00a0 Tendo a l\u00edngua como refer\u00eancia na busca de uma poss\u00edvel identidade, este indiv\u00edduo, que pode n\u00e3o se perceber na polis cibern\u00e9tica e sampleada, encontra dentro de si uma <em>sample <\/em>anterior e nela tenta se elaborar, reconhecer-se como tal. A reflex\u00e3o seria um questionamento constante de muitos autores: existimos apenas enquanto linguagem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O emprego do soneto d\u00e1 um frescor no texto, embora fique tamb\u00e9m outra pergunta latente na leitura dos poemas de <em>Mec\u00e2nica aplicada<\/em>: o p\u00f3s-p\u00f3s da linguagem liter\u00e1ria \u00e9 a forma fixa? Ainda: a resposta da fragmenta\u00e7\u00e3o de si na linguagem \u00e9 o retorno ao c\u00e2none? Incluso das alegorias da inf\u00e2ncia, do amor, do encontro do outro e demais temas que podemos considerar como universais. Creio que fa\u00e7o perguntas demais nessa resenha, isso me intriga, mas tamb\u00e9m elucida algo muito claramente: uma das fun\u00e7\u00f5es da arte \u00e9 nos compelir ao questionamento, al\u00e9m de conformismos, certezas e confortos. Tendo isto em mente quero finalizar dizendo que <em>Mec\u00e2nica aplicada<\/em>, de Nuno Rau, acima de tudo, deixa claro que: <em>reload&gt;code = <\/em>poesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boas leituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Roberto Dutra Jr.<\/em><\/strong><em> \u00e9 um carioca, suburbano e deslocado. Escritor em resist\u00eancia, mestre em Letras; foi editor da Revista Escrita e contribuiu para o jornal Panorama da Palavra, e escreveu artigos acad\u00eamicos. Atualmente oferece consultorias liter\u00e1rias, e leciona quase na clandestinidade. \u00c9 colunista regular do blog liter\u00e1rio <a href=\"https:\/\/www.zonadapalavra.wordpress.com\"><strong>Zonadapalavra<\/strong><\/a>, resenhista da revista de artes <a href=\"http:\/\/www.mallarmargens.com\"><strong>Mallarmargens<\/strong><\/a> e usa o Instagram para experimentos fotopo\u00e9ticos. Foi recentemente publicado na antologia Escriptonita (Patu\u00e1).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Dutra Jr. resenha o mais novo livro do poeta Nuno Rau<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13593,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3305,2533,16],"tags":[11,2116,3306,696,159,189,2366],"class_list":["post-13592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-118a-leva","category-aperitivo-da-palavra","category-destaques","tag-aperitivo-da-palavra","tag-livro","tag-mecanica-aplicada","tag-nuno-rau","tag-poemas","tag-resenha","tag-roberto-dutra-jr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13592"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13592\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13735,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13592\/revisions\/13735"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}