{"id":13606,"date":"2017-05-15T09:49:16","date_gmt":"2017-05-15T12:49:16","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=13606"},"modified":"2017-05-16T22:36:55","modified_gmt":"2017-05-17T01:36:55","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-51","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-51\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por S\u00e9rgio Tavares<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A carreira liter\u00e1ria de <strong>Claudia Nina<\/strong> se ramifica em g\u00eanero e categoria. Desde sua estreia com o trabalho acad\u00eamico sobre a fic\u00e7\u00e3o de Clarice Lispector, a jornalista e escritora carioca d\u00e1 forma a uma obra heterog\u00eanea, composta por cr\u00f4nicas, contos, ensaios, perfis e romances, destinados tanto ao p\u00fablico adulto quanto ao infantil. \u201cAmor de longe\u201d marca, agora, seu debute na literatura para jovens. A trama \u00e9 protagonizada por Clarice, uma menina com 13 anos que, por conta do trabalho do pai, tem de abandonar a vida no Rio de Janeiro e se mudar para Porto Alegre. Do n\u00e3o pertencimento \u00e0 cidade fria, ela vai ter de se adaptar \u00e0s novas amizades e aprender a lidar com o primeiro amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua ess\u00eancia, \u00e9 um romance de forma\u00e7\u00e3o; por\u00e9m, acima de tudo, um livro \u201cp\u00e9 no ch\u00e3o\u201d. Num tempo em que o leitor infantojuvenil se mostra cada vez interessado num universo habitado por seres fant\u00e1sticos e sobrenaturais, Claudia Nina trata dos dramas reais: das transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e emocionais que moldam a adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista exclusiva \u00e0 Diversos Afins, a autora fala sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o do novo livro, suas refer\u00eancias, a liga\u00e7\u00e3o entre a personagem Clarice e a escritora Clarice Lispector, o mercado do livro infantojuvenil, e em como \u201cAmor de longe\u201d se encaixa num projeto mais amplo voltado para os jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, comenta sobre a cena contempor\u00e2nea brasileira, os eventos liter\u00e1rios, o crescimento das pequenas editoras, e, na condi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica liter\u00e1ria, d\u00e1 opini\u00f5es firmes e interessantes sobre a ascens\u00e3o de jovens autores e a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no meio liter\u00e1rio. \u201cPenso que os homens poderiam abrir mais a rodinha e tentar conhecer mais de perto os livros das autoras que ainda n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o conhecidas, mas que est\u00e3o a\u00ed construindo nosso contempor\u00e2neo\u201d, defende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_13608\" aria-describedby=\"caption-attachment-13608\" style=\"width: 333px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-4Int1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13608 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-4Int1.jpg\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-4Int1.jpg 333w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-4Int1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13608\" class=\"wp-caption-text\">Claudia Nina \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Seu livro mais recente, \u201cAmor de longe\u201d, \u00e9 um romance adolescente. No mapa da literatura brasileira, autores cl\u00e1ssicos j\u00e1 se aventuraram no g\u00eanero juvenil, contudo a impress\u00e3o que fica \u00e9 que tais livros n\u00e3o recebem o mesmo n\u00edvel de considera\u00e7\u00e3o que os classificados como literatura adulta. Voc\u00ea percebe que h\u00e1 algum tipo de menosprezo, por parte da cr\u00edtica especializada, para com os livros feitos para adolescentes? Que s\u00e3o vistos, invariavelmente, como um trunfo mercadol\u00f3gico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Temos que entender o que seja hoje &#8220;cr\u00edtica especializada&#8221;. N\u00e3o tenho visto espa\u00e7o cr\u00edtico no pa\u00eds, apenas a persist\u00eancia de alguns leitores mais atentos que se debru\u00e7am sobre os t\u00edtulos, s\u00e3o curiosos, querem conhecer de fato a produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. E s\u00f3. Algumas clareiras nos jornais se abrem, \u00e9 verdade. Temos o Rascunho. Mas \u00e9 tudo t\u00e3o rarefeito no cen\u00e1rio geral&#8230; N\u00e3o vejo onde uma literatura de forma\u00e7\u00e3o possa se inserir neste contexto &#8220;cr\u00edtico&#8221;. E, claro, tudo \u00e9 colocado na mesma fornada. O que se escreve para o adolescente n\u00e3o \u00e9 avaliado de maneira alguma. Me diz: qual cr\u00edtico se prop\u00f5e a abrir os parcos espa\u00e7os cr\u00edticos para falar do juvenil? N\u00e3o vejo nenhum! \u201cAmor de longe\u201d \u00e9 um trabalho de intertextualidade com Clarice Lispector, que dialoga abertamente com \u201cUma aprendizagem ou O livro dos prazeres\u201d. De certa forma, \u00e9 um livro de forma\u00e7\u00e3o. Isso acontece tanto do ponto de vista da forma\u00e7\u00e3o emocional de uma menina dos 13 aos 14 anos, e todo o processo de transforma\u00e7\u00e3o a\u00ed envolvido, como tamb\u00e9m de forma\u00e7\u00e3o da leitura\/escrita como aprendizagem. Sem abrir m\u00e3o da linguagem envolvente, que precisa capturar esse leitor em busca de si mesmo. Repetir f\u00f3rmulas de sucesso n\u00e3o \u00e9 um erro. Apenas eu acho que o caminho n\u00e3o precisa excluir a necessidade de uma escuta mais atenta ao liter\u00e1rio e \u00e0s engrenagens da l\u00edngua. \u00c9 o que eu proponho. Espero que mais leitores como voc\u00ea, em sua luta t\u00e3o bonita pelo liter\u00e1rio, surjam com interesse e curiosidade por um trabalho como este.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Diante disso, em algum momento do contato com a editora, voc\u00ea pensou em tirar esse r\u00f3tulo de \u201cjuvenil\u201d da obra? A leitura de o \u201cAmor de longe\u201d revela justamente o que disse: um romance de forma\u00e7\u00e3o, como h\u00e1 muitos na literatura contempor\u00e2nea, sem que estejam localizados numa categoria. Nesse caso, penso, \u00e9 papel do leitor conviver com a hist\u00f3ria e, independente da idade, absorv\u00ea-la segundo o tempo concentrado no livro. Seja uma linguagem mais ou menos culta. E, por falar nisso, uma das coisas que me chamaram mais aten\u00e7\u00e3o no texto foi a linguagem. \u00c9 uma narrativa em terceira pessoa, bastante informal, mas que, em nenhum momento, apela para um tom infantilizado. Durante o preparo, houve uma preocupa\u00e7\u00e3o sua em falar com o adolescente, sem que soasse excessivamente como um texto escrito por um adolescente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Eu busquei uma voz interna para compor a Clarice capaz de dialogar com minha adolesc\u00eancia e ao mesmo tempo com os dias de hoje. N\u00e3o queria parecer fora do tempo contempor\u00e2neo nem do meu pr\u00f3prio tempo. Foi bem dif\u00edcil encontrar esta concilia\u00e7\u00e3o, pois venho de uma \u00e9poca sem celular nem tablets. As conquistas, as conversas e os medos eram confrontados olho no olho, palavra viva. \u201cAmor de longe\u201d n\u00e3o tem r\u00f3tulo na capa. Tem a cataloga\u00e7\u00e3o de juvenil imprescind\u00edvel. \u00c9 uma hist\u00f3ria para todas as idades. Para a fam\u00edlia. Para qualquer tempo. Eu n\u00e3o conseguiria escrever um texto exclusivamente voltado para o adolescente assim como n\u00e3o conseguiria escrever um exclusivamente voltado para a crian\u00e7a. N\u00e3o temos que limitar o vocabul\u00e1rio, embora \u00e0s vezes seja necess\u00e1rio dosar o teor de complexidade da linguagem para n\u00e3o obscurecer nem afastar. Por isso \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil escrever, s\u00e3o v\u00e1rias preocupa\u00e7\u00f5es e detalhes que se deve ter em mente. Eu queria escrever um texto que pudesse me fazer lembrar da adolescente que eu fui diante das perplexidades que fizeram parte da minha vida em um tempo marcado pelas mudan\u00e7as geogr\u00e1ficas e emocionais. Acho que consegui! Gostei bastante do resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 \u00c9 muito interessante voc\u00ea abordar esse contraste de gera\u00e7\u00e3o, pois tamb\u00e9m sou de uma \u00e9poca na qual o que fazia a cabe\u00e7a dos adolescentes eram coisas como \u201cConfiss\u00f5es de adolescente\u201d, \u201cArma\u00e7\u00e3o ilimitada\u201d, entre outros. De uns tempos para c\u00e1, tudo se transformou de uma maneira radical. Os jovens preferem a distopia ao inv\u00e9s da utopia; o universo sobrenatural, fantasioso, ao inv\u00e9s dos problemas ordin\u00e1rios. E \u00e9 exatamente nisso que seu livro toca: nas pequenas descobertas, nas mudan\u00e7as, na confus\u00e3o de sentimentos. Como ent\u00e3o trabalhar com esses temas t\u00e3o reais, para um p\u00fablico-leitor que prefere o escapismo das hist\u00f3rias de vampiros, de um mundo p\u00f3s-apocal\u00edptico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Eu n\u00e3o posso me limitar \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do tempo e de um suposto p\u00fablico-leitor como se este fosse uma entidade. Eu simplesmente escrevo. \u00c9 claro que me preocupo em ter leitores. Mas n\u00e3o posso criar pensando em que tipo de leitor eu terei, pois n\u00e3o se faz boa literatura assim. Do contr\u00e1rio, eu repetiria f\u00f3rmulas. Nada contra quem repita f\u00f3rmulas. Mas eu n\u00e3o trabalho assim. Acho que todo bom livro encontra naturalmente seus leitores. Veja um exemplo. Meu primeiro romance, \u201cEsquecer-te de mim\u201d, publicado em 2011 pela Babel. A editora sumiu e fez os livros sumirem. Isso depois de eu ter tido um \u00f3timo lan\u00e7amento e excelentes resenhas. O tempo passou. E n\u00e3o \u00e9 que agora recebo v\u00e1rias mensagens de leitores que acharam meu romance na Estante Virtual, compraram e me escreveram lindos recados! Um deles me dizia para eu nunca parar de escrever. Ora, quer alegria maior do que essa? Acho que a roda gira; ah, gira sim! Mas \u00e9 preciso ter calma, paci\u00eancia. Os leitores que eu quero n\u00e3o vir\u00e3o at\u00e9 mim como m\u00e1gica. Eles vir\u00e3o um a um, e se acercar\u00e3o de mim e da minha escrita. Tenho certeza disso. J\u00e1 est\u00e3o vindo. S\u00e3o leituras intensas, de gente que mergulha na palavra. \u00c9 dessa gente que minha escrita se alimenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Falando em leitores, h\u00e1 um outro p\u00fablico bem exigente, para o qual sua escrita se direciona, que \u00e9 o infantil. S\u00e3o quatro livros, num per\u00edodo de quatro anos. O \u00faltimo, \u201cA Repolheira\u201d, conta, inclusive, com ilustra\u00e7\u00f5es da artista espanhola Raquel D\u00edaz Reguera.\u00a0 De onde nasceu a ideia de escrever para crian\u00e7as, e como guiar o processo de cria\u00e7\u00e3o de modo que o texto se harmonize com a imagem, garantindo relev\u00e2ncia \u00e0s palavras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> O primeiro infantil surgiu de uma urg\u00eancia e de um sonho. Eu cursava o Publishing Management na FGV. Precisava de um trabalho final. A \u00fanica ideia era escrever &#8211; e tentar publicar &#8211; um livro. Eu j\u00e1 estava no processo de escrita do meu primeiro romance, mas n\u00e3o daria tempo de finaliz\u00e1-lo. A solu\u00e7\u00e3o me ocorreu depois de uma noite em que eu sonhei com a hist\u00f3ria inteira de \u201cA barca dos feiosos\u201d. Eu s\u00f3 fiz sentar e redigir. Foi um livro feito \u00e0s pressas, por isso penso em edit\u00e1-lo novamente. Cada infantil tem seu processo, cada hist\u00f3ria me acontece de uma forma diferente e inusitada. \u201cNina e a lamparina\u201d surgiu de outra urg\u00eancia: eu precisava falar de um problema familiar: o medo do escuro da minha filha menor. Foi muito importante ter abordado o tema que, embora pare\u00e7a lugar comum, pode ser abordado de diversas formas. Tive grandes alegrias com este livro. A maior delas foi quando descobri que uma escola de Goi\u00e1s trabalhou com a hist\u00f3ria em uma mat\u00e9ria de empreendedorismo! Eles focaram no conceito de coragem: se a gente acende o archote interior, capaz de iluminar nossos passos na escurid\u00e3o, a claridade se agiganta e j\u00e1 n\u00e3o estamos mais no breu. Podemos fazer o que quisermos quando vemos nossos p\u00e9s tocando o ch\u00e3o. Depois veio \u201cA mans\u00e3o\u201d. Surgiu de uma viagem \u00e0 Patag\u00f4nia. Eu fiquei muito impactada com aquelas paisagens e fiquei imaginando o que poderia roubar aquela paz&#8230; Criar um conflito dentro de um cen\u00e1rio perfeito foi minha ideia. Fui aben\u00e7oada por uma Lua gigante, quando desc\u00edamos a montanha de neve. Foi uma das cenas mais lindas da minha vida. Quis transformar tudo isso em livro. \u201cA Repolheira\u201d nasceu tamb\u00e9m de uma imagem. A personagem do t\u00edtulo &#8220;me procurou&#8221;. N\u00e3o sei explicar estas aproxima\u00e7\u00f5es criativas. Mas o fato \u00e9 que a imagem me veio e com ela toda a hist\u00f3ria. Escrevi em papel, a l\u00e1pis, pois estava de f\u00e9rias e n\u00e3o tinha levado o computador. H\u00e1 ainda v\u00e1rias hist\u00f3rias in\u00e9ditas, uma delas \u201cA coruja e o mondrongo\u201d, de que gosto muito tamb\u00e9m. No caso de \u201cA Repolheira\u201d, a escolha mais do que feliz da ilustradora foi um achado do Facebook. Eu mandei a hist\u00f3ria para a Raquel e ela adorou. A editora abra\u00e7ou a ideia, a hist\u00f3ria e a ilustradora. N\u00e3o consigo imaginar \u201cA Repolheira\u201d (que faz uma brincadeira com A Borralheira) de outra forma. Mas acho que em todos os casos eu tive bons ilustradores. Esse casamento \u00e9 fundamental. Acho que o autor tem um papel importante no sentido de ajudar a sinalizar um tra\u00e7o que combine com a hist\u00f3ria. Eu gosto de sugerir porque curto muito desenhos. Ali\u00e1s, comecei desenhando antes de escrever. Mas depois abandonei por falta absoluta de talento. Minha filha hoje desenha maravilhosamente bem. Eu me vinguei nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_13611\" aria-describedby=\"caption-attachment-13611\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-2-M.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13611 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-2-M.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-2-M.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-2-M-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13611\" class=\"wp-caption-text\">Claudia Nina \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Fico imaginando que suas filhas, que est\u00e3o na mesma faixa et\u00e1ria que a de Clarice, a protagonista de \u201cAmor de longe\u201d, tamb\u00e9m foram fortes influ\u00eancias para o livro. Anteriormente, voc\u00ea mencionou um exerc\u00edcio de intertextualidade, por\u00e9m, como visto na dedicat\u00f3ria, a realidade \u00e9 tamb\u00e9m uma grande fonte de inspira\u00e7\u00e3o. A prop\u00f3sito, seu romance anterior \u201cPaisagem de porcelana\u201d, tamb\u00e9m toma emprestado muito de sua viv\u00eancia na Holanda, para dar escopo ao seu enredo. At\u00e9 que ponto, ent\u00e3o, seu processo de escrita depende da observa\u00e7\u00e3o do real, de escavar o terreno das mem\u00f3rias para que possa erguer os pilares da fic\u00e7\u00e3o? E, voltando \u00e0 dedicat\u00f3ria, pode falar um pouco sobre esses amigos que a receberam em Porto Alegre e, como declara, fizeram sua adolesc\u00eancia um tempo m\u00e1gico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Sempre me lembro de uma frase da Clarice Lispector que dizia que, mesmo se ela falasse sobre a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, ou qualquer outro assunto distante do eu, ainda assim, ao final, ela perceberia que se delatou. Acho que nunca me afasto o suficiente de mim em nada do que escrevo&#8230; Por\u00e9m, acredito que um dos elementos mais importantes da fic\u00e7\u00e3o seja o tempo. Sem o filtro do tempo escrever\u00edamos imersos em uma emo\u00e7\u00e3o excessiva, dar\u00edamos voltas ao redor de n\u00f3s como um escorpi\u00e3o encalacrado mordendo o pr\u00f3prio rabo. Precisamos da dist\u00e2ncia espacial e temporal a fim de que o vivido seja filtrado pela percep\u00e7\u00e3o de que nem tudo pode ou deve ser escrito. Em &#8220;Paisagem de porcelana&#8221;, recupero parte de uma experi\u00eancia que vivi na Holanda, em fins dos anos 1990. Precisei de longos 16 anos at\u00e9 fazer a roda girar a ponto de surtar: torci o giro da fic\u00e7\u00e3o para fazer com que a personagem experimentasse situa\u00e7\u00f5es muito mais complexas e agudas do que as que eu vivi. O tempo tamb\u00e9m foi igualmente importante para que a emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o atrapalhasse. A personagem precisaria olhar os estragos de olhos l\u00facidos e sem autopiedade. Em &#8220;Amor de longe&#8221;, que de alguma forma dialoga com &#8220;Paisagem&#8230;&#8221;, pois tamb\u00e9m trabalha a quest\u00e3o da paisagem e da transforma\u00e7\u00e3o da personagem no esp\u00edrito dos cen\u00e1rios, eu igualmente me afastei do vivido (foram 30 anos) a fim de que pudesse resgatar a viv\u00eancia de forma criativa: a fic\u00e7\u00e3o precisa ter as r\u00e9deas do texto e n\u00e3o o contr\u00e1rio; a vida n\u00e3o pode comandar; \u00e9 preciso desobedecer ao vivido. Novamente: nem tudo se pode ou deve contar&#8230; Quanto \u00e0s minhas filhas, elas n\u00e3o participaram tanto da escrita deste livro porque hoje elas est\u00e3o com 11 e 12 anos. Eu demorei dois anos e meio para escrever, elas ainda eram pequenas. Acredito que o tempo de Clarice delas esteja come\u00e7ando a partir de agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Outra rela\u00e7\u00e3o muito forte entre \u201cPaisagem de porcelana\u201d e \u201cAmor de longe\u201d \u00e9 a soberania do olhar feminino; um aspecto, por sinal, muito sens\u00edvel em sua literatura. Recentemente, entrou em pauta uma discuss\u00e3o sobre a representa\u00e7\u00e3o da mulher na literatura contempor\u00e2nea; a maneira pela qual \u00e9 retratada nos textos, a capacidade de uma autora tornar essa voz mais cr\u00edvel, pertinente. O quanto concorda com essas coloca\u00e7\u00f5es? E at\u00e9 que ponto a condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e o fator moral t\u00eam relev\u00e2ncia em sua escrita?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> O g\u00eanero faz toda a diferen\u00e7a e tem toda a relev\u00e2ncia, pois a dor de Helena (protagonista de \u201cPaisagem de porcelana\u201d) \u00e9 uma dor declinada no feminino. N\u00e3o que n\u00e3o seja universal a ideia da subjuga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isso. Mas, da forma como eu retrato, ou seja, uma v\u00edtima massacrada por um amor, acredito que seja uma capacidade muito pr\u00f3pria da mulher o de se deixar esfarelar. E isso n\u00e3o pode ser nenhum dem\u00e9rito da obra. Agora, \u00e9 preciso que se ressalte outro aspecto que n\u00e3o tem a ver com o que estou falando: a linguagem. Eu n\u00e3o escrevo &#8220;como mulher&#8221;. Isso n\u00e3o. Ali\u00e1s, a ideia de aproximar o delicado do feminino \u00e9 pobre demais; ali\u00e1s, a ideia de que um texto com o t\u00edtulo &#8220;Paisagem de porcelana&#8221; seja obrigatoriamente delicado \u00e9 tamb\u00e9m um embuste. Meu texto \u00e9 muitas vezes cruel. Vivian Wyler dizia que eu escrevo com &#8220;raiva&#8221;. Se um homem cismar de me etiquetar como &#8220;feminino-delicado&#8221; antes de me ler &#8211; como se isso fosse um erro &#8211; eu perco leitores. Penso que os homens poderiam abrir mais a rodinha e tentar conhecer mais de perto os livros das autoras que ainda n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o conhecidas, mas que est\u00e3o a\u00ed construindo nosso contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Esse \u00e9 um assunto muito inquietante, portanto quero refleti-lo na hist\u00f3ria da personagem Helena. Como apontou, ela \u00e9 ref\u00e9m de um amor que a condiciona a uma s\u00e9rie de abusos psicol\u00f3gicos e f\u00edsicos, contra os quais parece n\u00e3o ter for\u00e7a para lutar. H\u00e1 poucos dias, tivemos um caso de repercuss\u00e3o nacional, que foi o ass\u00e9dio sexual cometido por um ator de novela contra uma figurinista. Isso exp\u00f5e o machismo ainda reinante na sociedade brasileira, que certamente influencia no espa\u00e7o dado \u00e0s mulheres, repercutindo no mercado liter\u00e1rio. Como analisa essa quest\u00e3o? H\u00e1 machismo na literatura? E voc\u00ea, na sua carreira de jornalista e escritora, passou por algum momento de ass\u00e9dio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Ouso dizer que h\u00e1 machismo sim, embora os homens n\u00e3o aceitem este assunto. N\u00e3o me diga que os homens leem com o mesmo entusiasmo os livros de mulheres e os livros de seus amigos homens porque isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Muitos &#8211; n\u00e3o estou generalizando &#8211; sequer abrem um livro de mulher, caso o t\u00edtulo soe, digamos, &#8220;feminino&#8221; demais. Parece um absurdo dizer isso&#8230; Mas \u00e9 absurdo mesmo. Eu sempre digo uma coisa: quando um homem escreve delicada e poeticamente, mesmo em prosa, como \u00e9 o caso de um Jo\u00e3o Anzanello Carrascoza, por exemplo, isso \u00e9 lindo e maravilhoso. O autor \u00e9 celebrado &#8211; eu acendo uma vela para Carrascoza, pois ele \u00e9 um dos meus favoritos, justamente por ele ter a coragem de escrever do jeito que sente. Por\u00e9m, quando uma mulher escreve no mesmo diapas\u00e3o, ela corre o risco de ser rotulada como lacrimejante ou mulherzinha demais&#8230; Isso \u00e9 fato! Quem disser que n\u00e3o \u00e9 verdade \u00e9 porque tem culpa. A outra parte da sua pergunta \u00e9 quanto o ass\u00e9dio. Quase todas as mulheres do mundo j\u00e1 sofreram algum tipo de ass\u00e9dio em suas carreiras. Eu j\u00e1 sofri na minha vida como jornalista. Mas encarei de frente, dizendo um redondo e sonoro &#8220;n\u00e3o&#8221;. Mesmo colocando o emprego em risco, o que, lamentavelmente, sempre ocorre quando n\u00e3o se aceita o jogo do dominador. O problema \u00e9 quando o &#8220;n\u00e3o&#8221; bate e volta. E quando a v\u00edtima precisa desesperadamente do emprego e teme perd\u00ea-lo. Uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o triste. Precisamos nos fortalecer de fato. Gosto muito do feminismo. Estou nesta luta e quero cada vez mais fazer parte dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Mas acho que vale uma observa\u00e7\u00e3o &#8211; ou, melhor, uma reflex\u00e3o. Hoje, as principais ag\u00eancias liter\u00e1rias do Brasil s\u00e3o comandadas por mulheres. A maioria dos selos liter\u00e1rios tem mulheres no cargo de editor principal. Muito se culpa do leitor, o \u00faltimo a ter contato com a obra e, por conseguinte, com a autora. N\u00e3o seria, ent\u00e3o, uma quest\u00e3o de analisar tamb\u00e9m o mercado por dentro? O quanto as editoras e as ag\u00eancias est\u00e3o fazendo para projetar as mulheres na literatura?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Mas o machismo n\u00e3o \u00e9 uma prerrogativa dos homens. Muitas mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o machistas. Acredito que os espa\u00e7os precisam ser ventilados como um todo. Vejamos os pr\u00eamios liter\u00e1rios, as festas, os eventos&#8230; Ser\u00e1 que existe paridade entre o n\u00famero de homens e de mulheres? N\u00e3o creio. Por que motivo isso ocorre \u00e9 um mist\u00e9rio. N\u00e3o entendo. E n\u00e3o acho que as editoras de um modo geral estejam trabalhando para que as mulheres na literatura tenham mais proje\u00e7\u00e3o. Acho que ainda n\u00e3o tomaram frente do assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Aproveitando que mencionou os eventos liter\u00e1rios, h\u00e1 cerca de um m\u00eas voc\u00ea integrou a delega\u00e7\u00e3o de autores brasileiros que participaram do Printemps Litt\u00e9raire Br\u00e9silien, festival liter\u00e1rio que, em sua quarta edi\u00e7\u00e3o, passou pela Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Espanha e Portugal. Da impress\u00e3o das mesas, qual o interesse do estrangeiro pela nossa literatura? E como acontecimentos dessa natureza podem trazer benef\u00edcios para o mercado liter\u00e1rio brasileiro de maneira geral?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> \u00c9 um trabalho lento, de ativismo, como gosta de dizer o professor Leonardo Tonus, idealizador e organizador do Printemps. H\u00e1 que se ter paci\u00eancia e persist\u00eancia. Nada se faz do dia para noite. Eu vejo alguns autores subirem do dia para a noite, mas logo depois, ao longo dos anos, desaparecerem. Geralmente por n\u00e3o conseguirem continuar escrevendo t\u00e3o bem como prometiam. Prefiro uma caminhada que se faz lenta, mas progressivamente. Os eventos ajudam a espalhar nossa colheita que \u00e9 a nossa voz, a nossa palavra. E, no confronto com o outro, de diferentes dic\u00e7\u00f5es, nossa escrita cresce, transforma-se. Tenho gostado cada vez mais desta movimenta\u00e7\u00e3o. Ano passado, estive na Feira Internacional da Guatemala. Foi surpreendente. Um resumo de \u201cA Repolheira\u201d foi lido em espanhol, enquanto eu mesma fiz a leitura, em portugu\u00eas, de Paisagem de porcelana. Tivemos uma audi\u00eancia pequena, por\u00e9m atenta, que, tenho certeza, saiu de alguma forma tocada por n\u00f3s, pelo diferente que apresentamos, pois o conhecimento de literatura brasileira contempor\u00e2nea deles \u00e9 m\u00ednimo. Mas este m\u00ednimo \u00e9 uma semente de conhecimento que precisa ser espalhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A ascens\u00e3o repentina de jovens autores \u00e9 algo que tamb\u00e9m me incomoda. Muito menos pela literatura que estes privilegiados podem oferecer, mas por um time de outros autores bem melhores que acaba \u00e0 sombra desse &#8220;sucesso&#8221;, justamente por n\u00e3o ter o holofote sobre suas cabe\u00e7as. Numa resposta l\u00e1 atr\u00e1s, voc\u00ea mencionou a falta de espa\u00e7o para a literatura nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, absolvendo o trabalho feito pelo Rascunho. Voc\u00ea escreve para o Rascunho e tamb\u00e9m assina uma coluna na revista Sele\u00e7\u00f5es sobre livros. O que tem visto na literatura feita hoje que lhe agrada e o que lhe desagrada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Muita coisa me agrada. Tenho curtido demais os autores contempor\u00e2neos, e \u00e9 uma alegria quando encontro um autor, ainda desconhecido, mas bom. O que ocorre muitas vezes \u00e9 a edi\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. Explico: na pressa em ser publicado (o que \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel), muitos autores publicam de qualquer jeito um texto que poderia ser editado. A figura do editor de verdade est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o. H\u00e1 poucos que realmente trabalham o texto. A maioria apenas publica. O autor acha que est\u00e1 \u00f3timo, j\u00e1 est\u00e1 pronto, que n\u00e3o tem para onde crescer. E sai se repetindo, dando voltas ao redor de suas limita\u00e7\u00f5es. Tenho procurado escrever livremente meus textos cr\u00edticos, quase como se fossem cr\u00f4nicas liter\u00e1rias para expressar minhas impress\u00f5es de leitura. Tanto no Rascunho como na Sele\u00e7\u00f5es, tenho espa\u00e7o para isso, o que tem sido estimulante. Agora voc\u00ea me fala sobre aqueles que est\u00e3o sob os holofotes. Bom para eles. Ou n\u00e3o. Espero que saibam continuar trabalhando para que permane\u00e7am sendo cultuados. O que nem sempre ocorre. O que eu penso \u00e9 que a gente deve seguir sempre. Escrever e escrever, pensar, participar. O que for nosso, ser\u00e1 nosso. Eu tenho muito isso em mente. O espa\u00e7o do outro &#8211; merecendo ele ou n\u00e3o, segundo meus crit\u00e9rios &#8211; \u00e9 do outro. O que \u00e9 meu ainda n\u00e3o tem nome, mas \u00e9 o que desejo: o que \u00e9 para mim, o meu espa\u00e7o conquistado e merecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_13612\" aria-describedby=\"caption-attachment-13612\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13612 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-1.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Nina-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13612\" class=\"wp-caption-text\">Claudia Nina \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Voc\u00ea tocou na quest\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es de baixa qualidade, que vai ao encontro de um assunto que gosto de trazer \u00e0 baila em minhas conversas com autores. Tamb\u00e9m escrevo sobre livros e acompanho bem de perto o cen\u00e1rio da literatura contempor\u00e2nea brasileira. O que vejo \u00e9 uma avalanche de novos livros, muitas estreias, mas uma grande soma de textos que poderiam ser mais lapidados; ou, melhor ainda, que sequer fossem publicados, sendo o papel do editor aconselhar o jovem autor a ter paci\u00eancia, trabalhar melhor a obra, amadurecer. Isso me remete a uma quest\u00e3o pontual: o aumento das editoras. Muito se fala do quanto \u00e9 importante para a democratiza\u00e7\u00e3o da literatura, no entanto pode ser tamb\u00e9m uma forma de jogar no mercado justamente livros sem o devido cuidado de edi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acha? Qual sua opini\u00e3o sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Tenho uma opini\u00e3o simples quanto a isso. Penso que muitos escritores \u00e1vidos em se tornarem escritores se esquecem de que precisam ler. Formar uma bagagem de leitura (o que n\u00e3o tem a ver com a idade, pois muitos jovens s\u00e3o mais leitores do que escritores mais velhos) \u00e9 fundamental antes de come\u00e7ar. Parece \u00f3bvio, e \u00e9. Muitos se lan\u00e7am nas oficinas de escrita (n\u00e3o sou contra nada), mas se esquecem do trabalho individual de carpintaria liter\u00e1ria que passa, muito antes, pela leitura. E n\u00e3o s\u00f3 dos cl\u00e1ssicos. Acho importante que se conhe\u00e7a o que nossos pares est\u00e3o fazendo na contemporaneidade &#8211; que caminhos percorrem, quais s\u00e3o suas escolhas lingu\u00edsticas, os temas, as recusas. Do contr\u00e1rio, continuar\u00e3o achando que inventaram a roda e que escrevem muito bem, quando n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Voc\u00ea consegue tra\u00e7ar um paralelo entre esse desmerecimento da leitura e a chegada das plataformas virtuais; a possibilidade de qualquer um escrever o que bem entender, sem qualquer crit\u00e9rio, e se autopublicar? Ou \u00e9 um processo mais complexo, que passa invariavelmente pela educa\u00e7\u00e3o? Fazendo uma ponte com o p\u00fablico do seu novo livro, sou (e acredito que voc\u00ea tamb\u00e9m) de uma \u00e9poca em que os escritores eram figuras quase sagradas, mestres das letras, seres inalcan\u00e7\u00e1veis, j\u00e1 velhos ou falecidos. Hoje temos autores t\u00e3o ou mais jovens que os pr\u00f3prios leitores. N\u00e3o seria um momento de se (re)pensar o que realmente \u00e9 literatura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> N\u00e3o sou nost\u00e1lgica. E gosto muito do contempor\u00e2neo. Acho que n\u00e3o precisamos repensar o que seja literatura. Literatura \u00e9 o que fica, o que permanece. Tudo aquilo que n\u00e3o sobrevive a si mesmo n\u00e3o \u00e9 liter\u00e1rio; \u00e9 apenas um risco. Um riscado no c\u00e9u. Passa e depois ningu\u00e9m ouve falar. Quanto aos novos espa\u00e7os &#8211; n\u00e3o t\u00e3o novos assim &#8211; que sejam bem-vindos. Que mais pessoas escrevam, leiam e falem de literatura. Outro dia, um blogueiro me procurou. Ele faz um trabalho bem bonito, mas estava todo cheio de receio por n\u00e3o ser jornalista. Mas aquele rapaz bem jovem ainda se interessou pelo meu livro, quis saber sobre ele, escreveu sobre ele e multiplicou a minha palavra. Quantas pessoas ele conseguiu alcan\u00e7ar, quantos futuros leitores que come\u00e7am lendo os blogs e depois v\u00e3o partir para leituras maiores? N\u00e3o tenho nenhum preconceito, pelo contr\u00e1rio. O que eu sempre digo: n\u00e3o temos outra alternativa a n\u00e3o ser termos esperan\u00e7a. E mais: adoro a ideia de o escritor n\u00e3o ser mais sagrado. Sagrada \u00e9 a vida sobre a qual falamos, escrevemos e pensamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 A Claudia Nina, na idade da personagem Clarice, consegue olhar para a Claudia Nina de hoje e se convencer de que valeu a pena se dedicar \u00e0 escrita?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CLAUDIA NINA &#8211;<\/strong> Linda pergunta. Acho que a Clarice gostaria de me conhecer, pois compartilhamos os mesmos sonhos de amor \u00e0s paisagens e \u00e0 palavra. N\u00f3s nos intertocamos, assim como Macab\u00e9a e Rodrigo SM em \u201cA hora da estrela\u201d. Somos muitas vezes uma s\u00f3, multiplicadas em nossos espelhos, fechadas em nossos quartos ou dedilhando nossos textos. A Claudia Nina de hoje ainda \u00e9 a Clarice na medida em que o tempo \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o dos rel\u00f3gios. Ao escrever Amor de longe, percebi que as paix\u00f5es que me moviam aos 14 anos s\u00e3o as mesmas que me movem hoje: tenho sede de mundo, de literatura, de conhecer pessoas e cen\u00e1rios. E tamb\u00e9m uma certa inoc\u00eancia em acreditar que a vida \u00e9 linda e que tudo vai sempre dar certo. Um dia. E um dia n\u00e3o \u00e9 nunca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/anovacritica.wordpress.com\/\"><strong><em>S\u00e9rgio Tavares<\/em><\/strong><\/a><em> nasceu em 1978. \u00c9 autor de \u201cQueda da pr\u00f3pria altura\u201d, finalista do 2\u00ba Pr\u00eamio Bras\u00edlia de Literatura, e \u201cCavala\u201d, vencedor do Pr\u00eamio Sesc de Literatura. Alguns de seus contos foram traduzidos para o ingl\u00eas, o italiano, o japon\u00eas e o espanhol. Participa da edi\u00e7\u00e3o seis da Machado de Assis Magazine, lan\u00e7ada no Sal\u00e3o do Livro de Paris.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num di\u00e1logo que perpassa os la\u00e7os liter\u00e1rios contempor\u00e2neos, S\u00e9rgio Tavares entrevista a escritora Claudia Nina<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13617,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3305,16,2539],"tags":[3311,63,8,1023],"class_list":["post-13606","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-118a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-claudia-nina","tag-entrevista","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-sergio-tavares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13606"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13606\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13618,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13606\/revisions\/13618"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}