{"id":13832,"date":"2017-06-29T15:44:28","date_gmt":"2017-06-29T18:44:28","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=13832"},"modified":"2017-08-27T11:22:33","modified_gmt":"2017-08-27T14:22:33","slug":"drops-da-setima-arte-31","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/drops-da-setima-arte-31\/","title":{"rendered":"Drops da S\u00e9tima Arte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Guilherme Preger <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Degrad\u00e9<\/strong><strong>. Palestina\/Fran\u00e7a\/Canad\u00e1. 2015. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13834\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Capa.jpg\" alt=\"\" width=\"306\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Capa.jpg 306w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Capa-204x300.jpg 204w\" sizes=\"auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Degrad\u00e9 (2015)<\/em> \u00e9 um filme \u201c<em>made in Palestine<\/em>\u201d. A informa\u00e7\u00e3o que vem numa das cartelas de abertura \u00e9 crucial. S\u00e3o poucos ou raros os filmes que chegam da Palestina no Ocidente. S\u00f3 este fato j\u00e1 justifica uma visita ao filme. Veremos que a quest\u00e3o da visibilidade \u00e9 um dos elementos mais importantes de sua proposta est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais virtudes do filme dos diretores irm\u00e3os Arab e Tarzan Nasser (pseud\u00f4nimos de Mohammed Abunasser and Ahmed Abunasser) \u00e9 evitar o car\u00e1ter de den\u00fancia ou mesmo a posi\u00e7\u00e3o de vitimismo nessa visibilidade. Embora as condi\u00e7\u00f5es da ocupa\u00e7\u00e3o israelense sejam efetivamente trabalhadas no filme, elas ser\u00e3o tratadas \u201cmetonimicamente\u201d, isto \u00e9, de forma deslocada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do filme se passa inteiramente dentro de um sal\u00e3o de beleza feminino e \u00e9 protagonizado quase que exclusivamente por mulheres. A dona do sal\u00e3o \u00e9 uma russa que diz que d\u00e1 na mesma morar na R\u00fassia ou na Faixa de Gaza. Ela \u00e9 ajudada apenas por uma jovem palestina. Ambas atendem uma mo\u00e7a jovem e uma mulher mais velha, enquanto outras mulheres aguardam a vez de atendimento sentadas nas poltronas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio poderia perfeitamente se passar no Brasil devido ao car\u00e1ter perif\u00e9rico e prec\u00e1rio do estabelecimento. As mulheres tamb\u00e9m poderiam perfeitamente se passar por brasileiras, dada a tez morena da pele, certa mal\u00edcia de comportamento e at\u00e9 mesmo por causa do vestu\u00e1rio. As mulheres vestem-se casualmente, com jeans e algumas de camiseta. Em particular, a jovem cabeleireira ajudante, sempre ao celular, se comporta n\u00e3o muito diferentemente de qualquer mo\u00e7a brasileira das periferias urbanas. Apenas uma das mulheres que aguardam sua vez, a mais religiosa, usa v\u00e9u escondendo o cabelo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_13835\" aria-describedby=\"caption-attachment-13835\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13835 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-1.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-1-300x125.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13835\" class=\"wp-caption-text\">Cena do filme &#8220;Degrad\u00e9&#8221; \/ Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de representarem para as c\u00e2meras sem o v\u00e9u cobrindo os cabelos \u00e9 um elemento fundamental na est\u00e9tica de <em>Degrad\u00e9<\/em>. O sal\u00e3o cabeleireiro \u00e9 um espa\u00e7o de intimidade feminina. As mulheres fazem os cabelos, as unhas, se depilam e at\u00e9 mesmo tomam banho, pois h\u00e1 uma sala de banho no andar superior. Tamb\u00e9m conversam sobre suas vidas amorosas e at\u00e9 mesmo sobre sua sexualidade. Uma das mulheres diz que seu marido perdeu o apetite sexual e ela est\u00e1 ali para se embelezar e tornar-se mais sexualmente desej\u00e1vel, segundo suas palavras. A mo\u00e7a sendo atendida est\u00e1 se embelezando para um poss\u00edvel casamento (que ela rejeita), enquanto a ajudante do sal\u00e3o n\u00e3o sai do celular, angustiada com o namorado que est\u00e1 do lado de fora do sal\u00e3o, carregando uma arma. H\u00e1 tamb\u00e9m uma mulher, negra, que \u00e9 divorciada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o de intimidade feminina do sal\u00e3o \u00e9, na verdade, um espa\u00e7o fechado sem homens. Os homens est\u00e3o do lado de fora, armados at\u00e9 os dentes, prontos para um conflito, n\u00e3o se sabe exatamente com quem. Um deles (vivido pelo pr\u00f3prio diretor) \u00e9 o namorado ou o apaixonado pela jovem ajudante do sal\u00e3o, que aparentemente o rejeita por sua participa\u00e7\u00e3o na guerrilha ou na mil\u00edcia. Ele passeia armado e conduz uma leoa sequestrada do zool\u00f3gico e que teve, supostamente, seus dentes arrancados pelos guerrilheiros\/milicianos. A ajudante do sal\u00e3o tenta equacionar, sem sucesso, um equil\u00edbrio entre seus deveres profissionais e sua agita\u00e7\u00e3o amorosa pelo homem que a persegue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o filme figura uma demarca\u00e7\u00e3o r\u00edgida de espa\u00e7os: o ambiente do sal\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o feminino de intimidade, como extens\u00e3o do espa\u00e7o dom\u00e9stico, por\u00e9m mais livre, pois as mulheres podem comentar sua vida \u00edntima e amorosa, suas frustra\u00e7\u00f5es ou alegrias, umas com as outras. Do lado de fora, \u00e9 o espa\u00e7o masculino da guerra, do confronto, do poder e da domina\u00e7\u00e3o. Entre os dois, h\u00e1 a janela do sal\u00e3o e as conversas de celulares. Os celulares s\u00e3o usados abundantemente para as conex\u00f5es entre esses mundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reparti\u00e7\u00e3o entre o mundo p\u00fablico masculino e o mundo privado feminino \u00e9 uma divis\u00e3o conhecida nas sociedades isl\u00e2micas; no entanto, o filme desconstr\u00f3i essa ordena\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica de poderes introduzindo outras perspectivas. Se a c\u00e2mera cinematogr\u00e1fica confinada ao sal\u00e3o de beleza pode ser uma met\u00e1fora da clausura feminina ao mundo dom\u00e9stico e da suposta falta de liberdade das mulheres mu\u00e7ulmanas no Oriente M\u00e9dio, no entanto, a pr\u00f3pria esfera masculina do poder, nos territ\u00f3rios palestinos, est\u00e1 enclausurada entre os muros da ocupa\u00e7\u00e3o e da segrega\u00e7\u00e3o. O confinamento do foco cinematogr\u00e1fico ao espa\u00e7o interior do sal\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto uma met\u00e1fora, mas uma meton\u00edmia, um deslocamento do isolamento murado e restringido da Faixa de Gaza, e da restri\u00e7\u00e3o ao ir e vir, tema de v\u00e1rias conversas entre as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sal\u00e3o de beleza \u00e9 antes um espa\u00e7o de liberdade feminino do que de reclus\u00e3o. Num certo sentido, as mulheres est\u00e3o mais livres l\u00e1 dentro do que os homens do lado de fora, com seus conflitos de territ\u00f3rio. Mas h\u00e1 um aspecto ainda mais sutil nessa assimetria de perspectiva: a presen\u00e7a da c\u00e2mera no interior do sal\u00e3o abre uma brecha na visibilidade proibida da intimidade feminina: as personagens mulheres s\u00e3o filmadas sem o len\u00e7o, com seus cabelos gloriosamente livres e \u00e0 mostra. A proibi\u00e7\u00e3o das mulheres exibirem publicamente seus cabelos \u00e9 reiterada no filme e ser\u00e1 um elemento dram\u00e1tico no final da hist\u00f3ria. Portanto, h\u00e1 uma ambiguidade est\u00e9tica na exibi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica desses cabelos femininos. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas que <em>Degrad\u00e9<\/em> desafia uma restri\u00e7\u00e3o de ordem imag\u00e9tica ao dar visibilidade ao proibido. O \u201ccontrole do imagin\u00e1rio\u201d \u00e9 antes colocado em jogo. O jogo de esconder e exibir os cabelos e a narrativa ficcional que nos apresenta as divis\u00f5es de territ\u00f3rios s\u00e3o um \u00fanico e mesmo jogo encenado pela montagem cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed porque o t\u00edtulo do filme seja <em>Degrad\u00e9<\/em>, o nome que se d\u00e1 a um corte de cabelo em camadas. Inicialmente um corte de cabelo militar masculino, tornou-se moda entre as mulheres que lhes deram outra conota\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria ao embelezamento. Degrad\u00e9 \u00e9 uma ressignifica\u00e7\u00e3o do conte\u00fado militar e masculino do corte, traduzido para o mundo feminino e tamb\u00e9m indica o deslocamento de uma realidade que \u00e9 mais complexa do que divis\u00f5es estritas de sexo, poder e pol\u00edtica. Pois a exibi\u00e7\u00e3o dos cabelos femininos pelas c\u00e2meras, para o espectador, por um filme \u201cfeito na Palestina\u201d, relativiza a proibi\u00e7\u00e3o do tabu e revela, num jogo de apar\u00eancias, as camadas intermedi\u00e1rias de visibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_13836\" aria-describedby=\"caption-attachment-13836\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13836 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-2.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Imagem-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-13836\" class=\"wp-caption-text\">Cena do filme &#8220;Degrad\u00e9&#8221; \/ Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u201c<em>degrad\u00e9<\/em>\u201d tamb\u00e9m sugere aquilo que \u00e9 \u201cdegradado\u201d e a degrada\u00e7\u00e3o se intensifica no filme com o decorrer da narrativa e a presen\u00e7a dos \u201cru\u00eddos\u201d e do \u201ccaos\u201d do mundo de \u201cl\u00e1 fora\u201d para o interior do sal\u00e3o. Pois o mundo do exterior tamb\u00e9m \u00e9 o mundo do confinamento e da segrega\u00e7\u00e3o. A condi\u00e7\u00e3o de desespero da situa\u00e7\u00e3o palestina se degrada pelas divis\u00f5es pol\u00edticas internas entre os grupos que disputam o poder. Numa das cenas mais interessantes do filme, \u00e9 proposta uma invers\u00e3o de perspectivas: uma das mulheres do sal\u00e3o come\u00e7a a imaginar o que seria se as mulheres palestinas tomassem o poder dos homens. Ela come\u00e7a a distribuir os cargos de um novo governo entre as demais mulheres presentes. Essa tomada imagin\u00e1ria de poder \u00e9 interrompida pelo aumento de tens\u00e3o exterior que acaba invadindo o espa\u00e7o interior do sal\u00e3o. A luz \u00e9 cortada, n\u00e3o h\u00e1 gasolina para o gerador, os barulhos de bombas e tiros de fora impedem qualquer paz interna. As pr\u00f3prias mulheres come\u00e7am a brigar entre si. A entropia de um mundo fechado come\u00e7a a tomar todas as rela\u00e7\u00f5es e os ru\u00eddos crescentes impedem as conversas e o compartilhamento das intimidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, a situa\u00e7\u00e3o de confinamento de <em>Degrad\u00e9<\/em> \u00e9 semelhante a de outro filme recente, o eg\u00edpcio <em>Clash<\/em>, filme que se passa inteiramente no interior de uma cambur\u00e3o policial, com detidos das manifesta\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a queda de Hosni Mubarak. Simetricamente, o filme eg\u00edpcio focaliza apenas homens dentro do espa\u00e7o estreito e interior da viatura. Como no filme palestino, tamb\u00e9m sabemos pouco ou nada do que se passa no exterior. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o de fora \u00e9 trazida para dentro com toda sua carga de tens\u00e3o e viol\u00eancia. <em>Clash<\/em> \u00e9 um filme mais bem \u201cfechado\u201d e \u201credondo\u201d do que <em>Degrad\u00e9<\/em>. Neste, temos um excesso de personagens, algumas sem fun\u00e7\u00e3o essencial na trama. O resultado \u00e9 a impossibilidade de se aprofundar em seus dramas, de modo que, em alguns casos, temos personagens rasas, tais como a mo\u00e7a que est\u00e1 gr\u00e1vida e sente as dores do parto no interior do sal\u00e3o, exatamente quando um conflito acontece do lado de fora. Apesar disso, a quest\u00e3o do jogo de apar\u00eancias, dos cabelos que n\u00e3o podem ser mostrados aos homens, mas que s\u00e3o ostensivamente exibidos pela c\u00e2mera, bem como a abordagem de temas sobre desejo e sexualidade feminina e a cr\u00edtica ao mundo violento e corrompido dos homens d\u00e1 ao filme palestino uma sutileza ausente no filme eg\u00edpcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 sintom\u00e1tico que esses dois filmes recentes apresentem os dramas do Oriente M\u00e9dio sob a perspectiva do confinamento do espa\u00e7o. Devemos mesmo expandir esta percep\u00e7\u00e3o e olhar essas obras como artefatos est\u00e9ticos da periferia capitalista, aquela que outrora se chamava de Terceiro Mundo. Mesmo que a situa\u00e7\u00e3o da Palestina seja fruto de uma ocupa\u00e7\u00e3o neocolonial, a sensa\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia \u201csem sa\u00edda\u201d \u00e9 a t\u00f4nica da viv\u00eancia de muitos povos e uma das raz\u00f5es do desespero dos deslocamentos imigrat\u00f3rios. E poder\u00edamos igualmente imaginar este filme tendo como ambiente uma comunidade perif\u00e9rica carioca, em meio ao conflito entre traficantes, milicianos e policiais. \u00c9 exatamente dessas situa\u00e7\u00f5es de clausura existencial que os imigrantes procuram escapar. Embora termine tragicamente, <em>Degrad\u00e9<\/em>, por sua vez, \u00e9 um filme que abre suas objetivas para ampliar a vis\u00e3o est\u00e9tica dos espectadores. Nas telas, suas protagonistas femininas n\u00e3o s\u00e3o apenas v\u00edtimas, mas sujeitos capazes de fazer a vida continuar, com suas lutas, mas tamb\u00e9m com experi\u00eancias de libido, afeto e solidariedade. Como diria a te\u00f3rica Donna Haraway, \u00e9 preciso \u201clutar na barriga do monstro\u201d. O filme dos irm\u00e3os Nasser joga uma luz nessa barriga e expande as fronteiras da obscuridade produzida pelos muros da segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Xh4gsewUHiA\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Guilherme Preger<\/em><\/strong><em>, carioca, \u00e9 engenheiro e escritor. \u00c9 autor de Capoeiragem (7Letras\/2003) e Extrema L\u00edrica (Ed. Oito e Meio\/2014), e um dos organizadores do coletivo liter\u00e1rio Clube da Leitura no Rio de Janeiro, tendo participado como autor e editor das tr\u00eas colet\u00e2neas lan\u00e7adas pelo grupo. Atualmente, \u00e9 doutorando em Teoria Liter\u00e1ria da UERJ, onde realiza pesquisa sobre a aproxima\u00e7\u00e3o entre Literatura e Ci\u00eancia. Escreve sobre cinema desde 1995, quando recebeu um pr\u00eamio de cr\u00edtica liter\u00e1ria do Grupo Esta\u00e7\u00e3o e do Jornal do Brasil num ensaio sobre o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme palestino \u201cDegrad\u00e9\u201d sob o olhar atento de Guilherme Preger<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3340,2535],"tags":[115,3352,13,1204,758,189],"class_list":["post-13832","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-119a-leva","category-drops-da-setima-arte","tag-cinema","tag-degrade","tag-drops-da-setima-arte","tag-guilherme-preger","tag-palestina","tag-resenha"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13832"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13838,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13832\/revisions\/13838"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}