{"id":14507,"date":"2018-02-01T11:18:47","date_gmt":"2018-02-01T14:18:47","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=14507"},"modified":"2018-02-07T16:01:48","modified_gmt":"2018-02-07T19:01:48","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-56","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-56\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavras parecem domar o tempo com a ast\u00facia de suas investidas. Talvez por tal raz\u00e3o n\u00e3o sejam menos importantes que a sina dos seus criadores. Elas, as palavras, ousam mais do que representar o mundo de quem as profere, imersas que est\u00e3o nas profundezas do humano. Revelam-se a complexa ponte entre o \u00edntimo e aquilo que est\u00e1 exposto cotidianamente nas travessias mundanas, bem ali na face desnuda da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem engendra o verbo tem a consci\u00eancia de que sua express\u00e3o criadora n\u00e3o se encerra dentro de um \u00fanico dom\u00ednio exclusivamente pessoal. Pelo contr\u00e1rio, intenta o encontro com o outro, trajeto comunicativo que, podemos desconfiar, n\u00e3o cessa jamais. Desse modo, levar a cabo uma obra \u00e9 crer que na outra ponta outros sujeitos poder\u00e3o consolidar sua perman\u00eancia, conferindo-lhe uma gama de sentidos multifacetados. Por certo, um escritor fica exultante quando seus leitores mant\u00eam vivo o seu legado dadas as mais distintas possibilidades de viv\u00eancia, interpreta\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o do conte\u00fado concebido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como n\u00e3o se passa impunemente pela vida, com a literatura ocorre o mesmo. \u00c9 salutar pensar um autor como algu\u00e9m que mergulha nas quest\u00f5es de seu tempo e delas retira elementos construtivos para seu of\u00edcio. Quem se depara com a obra de um escritor como <strong>Itamar Vieira Junior<\/strong>, percebe um criador de olhares atentos aos fen\u00f4menos que constituem e demarcam sua condi\u00e7\u00e3o de estar no mundo. Mas eis que tal caracter\u00edstica tanto se baseia num fluxo de criticidade quanto no de uma viv\u00eancia que permeia uma perspectiva de frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Assim, vemos um Itamar a construir sua obra com os requintes da lucidez, mas tamb\u00e9m sem negligenciar as possibilidades de cria\u00e7\u00e3o inerentes a um vi\u00e9s de assun\u00e7\u00e3o das coisas intang\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dois livros de contos na sua trajet\u00f3ria, <em>Dias<\/em> (Caramur\u00ea, 2012) e <em>A Ora\u00e7\u00e3o do Carrasco<\/em> (Mondrongo, 2017), al\u00e9m do romance <em>Para\u00edso <\/em>(C\u00e2mara Brasileira do Livro, 2008), Itamar Vieira Junior pode ser considerado um dos nomes relevantes do atual cen\u00e1rio liter\u00e1rio brasileiro. Grande parte disso se justifica em raz\u00e3o de que sua escrita madura e bem constru\u00edda assinala um valioso lugar de reflex\u00e3o, sobretudo quando se trata de atentar para o territ\u00f3rio das alteridades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doutor em Estudos \u00c9tnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia, Itamar revela-se um escritor profundamente envolvido com as tem\u00e1ticas que denunciam a invisibilidade do povo negro. Na entrevista que agora segue, o escritor toca em certos lugares de inc\u00f4modo social, reflete sobre a representa\u00e7\u00e3o do racismo na literatura, o papel dos novos escritores, al\u00e9m de lan\u00e7ar luz sobre o panorama editorial brasileiro contempor\u00e2neo. O resultado do di\u00e1logo mostra-nos n\u00e3o somente um intelectual a expor seus consistentes pontos de vista, mas um indiv\u00edduo intensamente marcado pela necessidade de mergulhar fundo na dimens\u00e3o humanista da exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_14568\" aria-describedby=\"caption-attachment-14568\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/In-i.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14568 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/In-i.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/In-i.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/In-i-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14568\" class=\"wp-caption-text\">Itamar Vieira Junior \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; H\u00e1 tantos grilh\u00f5es na condi\u00e7\u00e3o humana e certamente aqueles que se referem \u00e0 opress\u00e3o do homem pelo homem s\u00e3o dos mais cru\u00e9is. Em &#8220;A Ora\u00e7\u00e3o do Carrasco&#8221; voc\u00ea traz um deles \u00e0 tona, qual seja a marca hist\u00f3rica do racismo, fantasma que nos ronda incessantemente. Diante de um contexto de tal natureza, como voc\u00ea concebe a literatura enquanto instrumento de exposi\u00e7\u00e3o e debate desse tipo de inc\u00f4moda tem\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>A literatura como express\u00e3o art\u00edstica acomoda, involuntariamente, a narrativa da experi\u00eancia humana. Atravessando os s\u00e9culos &#8211; de Dom Quixote ao romance contempor\u00e2neo &#8211; ela sempre trouxe como sua raz\u00e3o de existir o descortinar de nossa condi\u00e7\u00e3o. Hannah Arendt em sua obra \u201cA condi\u00e7\u00e3o humana\u201d diz que a pol\u00edtica \u00e9 um dos tr\u00eas pilares da vita activa do homem. Tanto o trabalho quanto a obra \u2013 os outros dois pilares \u2013 s\u00e3o executados pelo homem em sua solid\u00e3o, a partir das acep\u00e7\u00f5es que Arendt apresenta sobre trabalho e obra. Mas a pol\u00edtica s\u00f3 se d\u00e1 atrav\u00e9s do homem e entre os homens. Ou seja, somos seres essencialmente pol\u00edticos e a literatura carrega, invariavelmente, a exposi\u00e7\u00e3o do que um escritor \u00e9 e pensa sobre o mundo a sua volta. Sem a pol\u00edtica ser\u00edamos amebas vagando no mar do nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos lembrar que a literatura abriga a diversidade do pensamento humano. Que h\u00e1 obras como &#8220;Escola de cad\u00e1veres&#8221;, de Louis-Ferdinand C\u00e9line, ou &#8220;O presidente negro&#8221;, de Monteiro Lobato, com um teor racista inquestion\u00e1vel. E que muitas outras, da mesma forma, v\u00e3o se debru\u00e7ar sobre as nossas mais primevas quest\u00f5es existenciais, dentre elas o preconceito baseado na diferen\u00e7a de origem ou de cor. &#8220;Amada&#8221;, de Toni Morrison, ou &#8220;Um defeito de cor&#8221;, de Ana Maria Gon\u00e7alves, por exemplo, abordam o racismo pelo vi\u00e9s hist\u00f3rico e social do colonialismo. \u00c9 inc\u00f4modo perceber que s\u00e3o obras que tratam o preconceito numa perspectiva hist\u00f3rica e que, ao se confrontar essas narrativas com o mundo contempor\u00e2neo, percebe-se que as mudan\u00e7as s\u00e3o sutis e as formas de discrimina\u00e7\u00e3o resistem apesar dos avan\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 algo inc\u00f4modo na literatura contempor\u00e2nea &#8211; e digo especialmente sobre a literatura produzida no Brasil. Como \u00e9 uma atividade de uma classe privilegiada, ou pelo menos os autores que est\u00e3o em evid\u00eancia fazem parte dessa classe, os temas s\u00e3o majoritariamente afeitos aos dramas da classe m\u00e9dia branca. Proporcionalmente, h\u00e1 um n\u00famero menor de obras com personagens que representem a imensa diversidade da nossa sociedade. O racismo tamb\u00e9m existe no pr\u00f3prio fazer liter\u00e1rio, n\u00e3o poderia ser diferente. Isso revela que h\u00e1 algo brutal em nossa hist\u00f3ria se repetindo, quando vemos persistir a discrimina\u00e7\u00e3o ao senegal\u00eas ou haitiano que chega ao Brasil contempor\u00e2neo. Ou quando as rela\u00e7\u00f5es entre patroas e dom\u00e9sticas nos fazem lembrar as rela\u00e7\u00f5es de subalternidade mais vis do Brasil escravocrata. Ou quando abrimos um livro e n\u00e3o encontramos representa\u00e7\u00f5es de nossa diversidade. Esse inc\u00f4modo \u00e9 que me fez conceber &#8220;A ora\u00e7\u00e3o&#8221; como um painel, n\u00e3o de simples hist\u00f3rias distintas, mas capaz de apresentar um encadeamento de narrativas que nos lembrasse de que a hist\u00f3ria se repete. N\u00e3o \u00e9 por acaso que \u201cAlma\u201d abre o livro e \u00e9 imposs\u00edvel pensar sua hist\u00f3ria desconexa das hist\u00f3rias de \u201cFoi\u201d e \u201cDominique\u201d do conto \u201cMeu mar (F\u00e9)\u201d, ou de Doramar. A imigra\u00e7\u00e3o empreendida pelos ancestrais de Alma se repete da mesma \u00c1frica para o Brasil do nosso tempo. Esses imigrantes est\u00e3o fadados a uma hist\u00f3ria de subservi\u00eancia n\u00e3o muito diferente dos imigrantes do s\u00e9culo XVII, XVIII. O papel de submiss\u00e3o dado pelo mundo a Alma se repete com Doramar, uma empregada dom\u00e9stica que vive nos dias atuais, ou com &#8220;Foi&#8221;, a imigrante que vive deslocada em um pa\u00eds que n\u00e3o consegue acolher a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; No conto &#8220;Alma&#8221;, apesar das agruras vividas pela protagonista, notamos que paira nela um \u00edmpeto que a encoraja a crer numa perspectiva de que algum dia sua exist\u00eancia cumprir\u00e1 um sentido, digamos assim, mais pleno de liberdade. H\u00e1 na narrativa a presen\u00e7a viva dos contrastes entre o pensamento colonizador e o colonizado. Diria que essa constru\u00e7\u00e3o textual evoca uma necess\u00e1ria provoca\u00e7\u00e3o, sobretudo para o que ainda testemunhamos em sociedade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>Acho que o sentido a que voc\u00ea se refere \u00e9 uma premissa humana. Ou talvez seja uma premissa dos seres sencientes, se estendermos o desejo de liberdade aos animais. H\u00e1 muitos anos trabalho com as hist\u00f3rias de comunidades negras rurais que est\u00e3o passando por processos de regulariza\u00e7\u00e3o das terras que habitam. Em um desses lugares, encontrei a hist\u00f3ria de uma mulher escravizada que caminhou de Salvador at\u00e9 o Sert\u00e3o Baiano &#8211; quatrocentos quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Ela se tornou matriarca e fundadora de um agrupamento humano que resiste por quase duzentos anos. S\u00f3 se sabe isso sobre ela. N\u00e3o h\u00e1 registros al\u00e9m da hist\u00f3ria oral. Uma narrativa fabulosa, a princ\u00edpio, e a fic\u00e7\u00e3o entra para preencher o que n\u00e3o se sabe sobre essa mulher: as motiva\u00e7\u00f5es de sua peregrina\u00e7\u00e3o e o que encontrou pelo caminho. O que faria uma mulher cativa caminhar por um ambiente hostil, desconhecido, com poss\u00edveis perigos? A revis\u00e3o da hist\u00f3ria social de nosso lugar indica as circunst\u00e2ncias dessa migra\u00e7\u00e3o. E a minha experi\u00eancia humana, aquilo que nos une, incluindo a personagem Alma, permite emular esse sentimento supostamente universal de n\u00e3o estar subjugado e ser livre. \u00c9 uma narrativa em primeira pessoa que opta pelo fluxo de consci\u00eancia. Alma \u00e9 a voz que narra personagens, epis\u00f3dios hist\u00f3ricos e a\u00e7\u00f5es que marcaram sua trajet\u00f3ria. Essa foi a forma que encontrei de trazer \u00e0 literatura a contund\u00eancia da oralidade, do que pode ser narrado por gera\u00e7\u00f5es, resistindo e se transformando, quando as circunst\u00e2ncias sociais e econ\u00f4micas n\u00e3o permitem que haja registros documentais. A oralidade \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o que antecede \u00e0 escrita. Transmutada, \u00e9 capaz de denunciar os inc\u00f4modos que a humanidade, em seu processo civilizat\u00f3rio, n\u00e3o conseguiu transpor. Recentemente, fotografias de um mercado de escravos na L\u00edbia se propagaram nas redes sociais. Em pleno s\u00e9culo XXI nos deparamos com imagens que poderiam ser quadros de Rugendas representando a afli\u00e7\u00e3o de algo que talvez julg\u00e1ssemos ter acabado. Pelo contr\u00e1rio, os fantasmas continuam a nos atormentar. Escrever sobre uma mulher que precisou interromper o ciclo de viol\u00eancia que sofria, devolvendo a viol\u00eancia \u00e0queles que a subjugavam, reflete essa provoca\u00e7\u00e3o. Desmistifica, inclusive, que essa subservi\u00eancia foi pac\u00edfica. No Arquivo P\u00fablico do Estado da Bahia h\u00e1 importantes refer\u00eancias sobre crimes cometidos por trabalhadores escravizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; H\u00e1 toda uma literatura dedicada \u00e0s quest\u00f5es da negritude e que, no entanto, permanece ainda desconhecida por muita gente. Destacaria aqui, sobretudo, obras que se enquadram na perspectiva p\u00f3s-colonial, cujos autores nos falam de mundos com suas narrativas e ambienta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, com o vigor que demonstra que n\u00e3o podemos olhar a \u00c1frica de modo homogeneizante. Na sua vis\u00e3o, que universos s\u00e3o esses que precisam ser vistos e lidos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>Os universos aut\u00f3ctones e da di\u00e1spora. Porque n\u00e3o basta ler a vasta literatura produzida no continente africano, \u00e9 preciso compreender o seu legado para o mundo, principalmente para o continente americano e, mais recentemente, para a Europa Ocidental. A literatura pode ser um caminho para alcan\u00e7ar a hist\u00f3ria e o pensamento humanos a partir da perspectiva de nossa diversidade \u00e9tnica. Tanto a literatura p\u00f3s-colonial com seus mais diversos temas, desde o nefasto poder do colonialismo que vislumbramos na obra de Chinua Achebe e Chimamanda Adichie Ngozi at\u00e9 o tr\u00e1gico apartheid, tema recorrente nos romances de Coetzee e Nadine Gordimer, quanto a literatura diasp\u00f3rica que pulsa de norte a sul do continente americano, s\u00e3o narrativas que confrontam o passado com o presente e nos despertam para a crise e o fracasso, em termos, de nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Principalmente quando permitimos que as diferen\u00e7as se tornem os mobilizadores das rela\u00e7\u00f5es de poder que estabelecemos com nosso entorno. Nesse contexto a fic\u00e7\u00e3o pode comunicar a universalidade da experi\u00eancia humana pela simples possibilidade de nos envolver numa trama de afetos onde somos convidados a todo o momento a ler o mundo a partir da perspectiva das personagens. Sem d\u00favidas \u00e9 um interessante exerc\u00edcio de se transferir para o lugar do outro e conhecer suas viv\u00eancias e experi\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Nesse conjunto de representa\u00e7\u00f5es de mundos que precisam vir \u00e0 tona atrav\u00e9s de uma arte como a liter\u00e1ria, surge um componente de alta relev\u00e2ncia, que \u00e9 o das afirma\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias. Como tais sujeitos podem vir a se tornar efetivamente seres de a\u00e7\u00e3o no quesito que amplia uma via marcantemente humanista?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>A identidade \u00e9 e sempre ser\u00e1 relevante em contextos onde seja preciso real\u00e7ar a alteridade. J\u00e1 estive em comunidades negras rurais em que o racismo n\u00e3o era um problema aparente em suas vidas, a n\u00e3o ser quando precisavam resolver algum problema na cidade. N\u00e3o fazia sentido um debate entre eles sobre a negritude, a n\u00e3o ser quando precisaram se confrontar com o Estado ou com outros grupos. Eu prefiro n\u00e3o tratar a identidade como um constructo fixo e imut\u00e1vel. Gosto mais do conceito de identifica\u00e7\u00e3o que coaduna com a perspectiva do devir humano. N\u00e3o somos seres imut\u00e1veis. Somos devires porque existe um movimento vital no homem, no mundo e no homem atrav\u00e9s do mundo. Esse movimento \u00e9 fonte de transforma\u00e7\u00f5es constantes. A identifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 baseada na diferen\u00e7a, e afirmar essa diferen\u00e7a como leg\u00edtima e parte da diversidade humana \u00e9 o que mobiliza as performances identit\u00e1rias. Nenhum ser humano \u00e9 composto de uma \u00fanica identifica\u00e7\u00e3o, n\u00f3s somos muitas identifica\u00e7\u00f5es sobrepostas, e algumas delas certamente se relacionar\u00e3o com a de algu\u00e9m a sua volta. Somos mulheres, homens, homossexuais, negros, \u00edndios, ateus, cat\u00f3licos, candomblecistas, e na trilha de nossa exist\u00eancia atrav\u00e9s do mundo nos reconheceremos. Agora, imagine que na trilha da vida, sem os artif\u00edcios que dispomos para o conhecimento, isso possa levar bastante tempo. \u00c0s vezes um longo tempo se pensarmos que nossos problemas s\u00e3o urgentes. Imagine tamb\u00e9m o poder da literatura, da m\u00fasica &#8211; e enfatizo o hip hop, o funk, o samba, ritmos que t\u00eam um forte apelo popular &#8211; da televis\u00e3o, do cinema, das s\u00e9ries estrangeiras, que chegam com uma velocidade incr\u00edvel na era da informa\u00e7\u00e3o. A arte pode ser um valioso instrumento, n\u00e3o o \u00fanico, mas certamente o que nos envolve com mais afeto e \u00e9 capaz de comunicar nossa humanidade com grandes chances de \u00eaxito. J\u00e1 que falamos de literatura, imagine o poder de \u201cStella Manhattan\u201d, de Silviano Santiago, para comunicar a exist\u00eancia queer, ou \u201cA pianista\u201d, de Elfriede Jelinek, sobre a viol\u00eancia que cerca a exist\u00eancia da mulher. Ou o maravilhoso <em>The Underground Railroad<\/em>, de Colson Whitehead, que acabo de ler, para expor as agruras do racismo no continente americano. S\u00e3o obras ficcionais capazes de gerar empatia por nos permitir interagir no campo da imagina\u00e7\u00e3o com essas personagens. Ningu\u00e9m sai delas indiferente ou ileso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; \u00c9 insuficiente considerar o papel da literatura por um vi\u00e9s de mera frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>Gosto muito do Milan Kundera ensa\u00edsta, al\u00e9m de ser um ficcionista excepcional, justamente porque seus ensaios est\u00e3o despidos de um vi\u00e9s anal\u00edtico e acad\u00eamico. Precisamos dos artigos e pesquisas acad\u00eamicas para o conhecimento. Mas seu alcance \u00e9 limitado.\u00a0 Diferente dos ensaios de Kundera que primam por uma abordagem est\u00e9tica e humanista da literatura. Em &#8220;A cortina&#8221;, Kundera apresenta a literatura (romance) como a arte do conhecimento que existe e sobrevive por se debru\u00e7ar sobre a experi\u00eancia humana. Parte dessa exist\u00eancia e sobreviv\u00eancia deve-se \u00e0 frui\u00e7\u00e3o, uma caracter\u00edstica que diferencia a arte liter\u00e1ria de outros g\u00eaneros de escrita. A frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica abre um leque de possibilidades que permitem interpreta\u00e7\u00f5es e reinterpreta\u00e7\u00f5es sobre um mesmo texto. O leitor \u00e9 pe\u00e7a-chave nessa engrenagem por ser afetado, na experi\u00eancia pessoal e intransfer\u00edvel da leitura, de maneira distinta. Por ser frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, sem nenhum dem\u00e9rito, \u00e9 que a literatura tem seu alcance expandido e se torna um instrumento de conhecimento do mundo-tempo que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Diria que a sua escrita reflete um processo consciente e permanente de engajamento com as quest\u00f5es de seu tempo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>Acho inevit\u00e1vel que quem se debru\u00e7a sobre qualquer atividade intelectual, sem a arrog\u00e2ncia ou o peso que o termo intelectual possa evocar, est\u00e1 refletindo de alguma forma sobre seu tempo. Desde os prim\u00f3rdios tem sido assim. N\u00e3o escrevemos para n\u00f3s mesmos e muito menos sem a esperan\u00e7a de que o que escrevemos altere qualquer coisa. Escrevemos porque desejamos comunicar algo. Desejamos provocar emo\u00e7\u00f5es. A comunica\u00e7\u00e3o parece ser um atributo muito caro \u00e0 esp\u00e9cie humana, desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria com a arte rupestre at\u00e9 a era da informa\u00e7\u00e3o e a revolu\u00e7\u00e3o digital. O que n\u00e3o cessou durante nossa hist\u00f3ria foi a nossa urgente necessidade de nos comunicarmos. Tenho uma vis\u00e3o muito dessacralizada do ato de escrever e, mesmo nutrindo um profundo interesse pela literatura e por quem a faz, n\u00e3o creio que seja diferente, na ess\u00eancia, das muitas formas de comunica\u00e7\u00e3o que o homem elaborou ao longo de sua hist\u00f3ria. Sei tamb\u00e9m que nem todo escritor ter\u00e1 algo relevante para comunicar, mas ainda assim sua obra ser\u00e1 acolhida ou n\u00e3o a partir dos valores que os leitores e estudiosos ir\u00e3o lhe atribuir. Acho que quem se debru\u00e7a sobre a escrita, ou qualquer constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica que tenha a possibilidade de resistir ao tempo, deseja no fundo comunicar e provocar a reflex\u00e3o, seja da mais \u00edntima quest\u00e3o humana aos problemas mais complexos de nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Uns superficialmente, outros detidos de forma mais profunda sobre essa experi\u00eancia. N\u00e3o vejo a minha escrita dissociada da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia. Pretendo-a consciente, talvez por isso engajada. Mas h\u00e1 arte inconsciente e que n\u00e3o seja engajada em seus pr\u00f3prios par\u00e2metros? Essa \u00e9 uma quest\u00e3o, n\u00e3o tenho a resposta. Atribu\u00ed a mim, como creio que fizeram os meus pares do passado e do presente, a inten\u00e7\u00e3o de dar um testemunho pessoal sobre o meu tempo. Um testemunho pequeno, m\u00ednimo, da hist\u00f3ria em face \u00e0 nossa grande diversidade enquanto esp\u00e9cie. O que seria minha vida, e a de qualquer escritor, dentro do grande tempo da hist\u00f3ria humana? Talvez possamos narrar um \u00e1timo dessa longa jornada. Fiz essa escolha por circunst\u00e2ncias que n\u00e3o seria capaz de explicar. Ao mesmo tempo pode parecer uma presun\u00e7\u00e3o considerar que somos capazes de aprisionar em uma narrativa uma vers\u00e3o de nosso tempo. Pode parecer soberba assumirmos esse lugar de narrar uma hist\u00f3ria. \u00c9 e sempre ser\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o delicada, ainda que estejamos autorizados por nossas convic\u00e7\u00f5es a escrever.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14570\" aria-describedby=\"caption-attachment-14570\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/int-ii.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14570 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/int-ii.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/int-ii.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/int-ii-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14570\" class=\"wp-caption-text\">Itamar Vieira Junior \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O grande afluxo de novos escritores parece instaurar um outro momento para a literatura brasileira. Nesse percurso, as plataformas digitais assumem um papel fundamental como viabilizadoras de espa\u00e7os dotados de consider\u00e1vel autonomia criativa. As produ\u00e7\u00f5es n\u00e3o cessam e se avolumam num ritmo at\u00e9 certo ponto fren\u00e9tico, algo que pode comprometer a qualidade do que \u00e9 escrito, pois, em alguns casos, o desejo urgente de ser publicado ignora todo um processo de matura\u00e7\u00e3o e profundidade necess\u00e1rios a uma obra. S\u00e3o tempos de pressa estes em que vivemos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>S\u00e3o tempos urgentes, n\u00e3o s\u00f3 para a escrita. Talvez seja cedo para esbo\u00e7ar uma reflex\u00e3o sobre o que est\u00e1 ocorrendo. A princ\u00edpio vejo a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 publica\u00e7\u00e3o como um avan\u00e7o por permitir que obras que n\u00e3o seriam acolhidas pelas grandes editoras cheguem ao p\u00fablico, ainda que essa circula\u00e7\u00e3o seja restrita. S\u00e3o livros que, gra\u00e7as \u00e0s plataformas digitais e \u00e0s pequenas editoras, t\u00eam tornado poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o de uma bibliografia que \u00e9 ainda um pequeno panorama da nossa diversidade enquanto sociedade. Sobre isso n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: obras de qualidade t\u00eam encontrado espa\u00e7o no segmento das pequenas editoras. Basta observar as \u00faltimas premia\u00e7\u00f5es. Em contrapartida, vivemos um tempo de exposi\u00e7\u00e3o de ideias e imagens de forma instant\u00e2nea nas redes sociais. Somos a imagem que projetamos para essas janelas de comunica\u00e7\u00e3o. H\u00e1, sem d\u00favidas, uma glamoriza\u00e7\u00e3o da atividade do escritor e isso faz com que qualquer um, tendo habilidade ou n\u00e3o, se proponha a exerc\u00ea-la. Mas isso n\u00e3o chega a preocupar porque se forem muito ruins n\u00e3o resistir\u00e3o ao crivo das primeiras cr\u00edticas de leitores e especialistas. O que persiste \u00e9 que estamos num pa\u00eds com baixos \u00edndices de leitura comparado a outras na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento. Dentre os poss\u00edveis leitores h\u00e1 ainda um grande caminho a percorrer. \u00c9 preciso construir uma pol\u00edtica p\u00fablica que fomente a forma\u00e7\u00e3o de leitores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Somos um pa\u00eds de leitores subestimados?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>Somos um pa\u00eds em que a educa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o presente momento, n\u00e3o foi encarada como um propulsor de desenvolvimento humano. F\u00f4ssemos um pa\u00eds que levasse a s\u00e9rio a educa\u00e7\u00e3o, ter\u00edamos certamente mais leitores. Segundo pesquisa do Instituto Pr\u00f3-Livro, quase metade da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o h\u00e1bito de ler. Um ter\u00e7o nunca comprou um livro. Mas quase todos carregam um smartphone, correto? Est\u00e3o conectados \u00e0s redes sociais e \u00e0 internet. E como disp\u00f5em do tempo e da tecnologia? Certamente essas &#8220;escolhas&#8221; explicam em parte nosso retrocesso em quest\u00f5es de direitos humanos e nossos persistentes problemas sociais. Uma popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o educada tem menos chance de participar e colaborar ativamente das inst\u00e2ncias de decis\u00f5es. Tem menos chance de refletir criticamente sobre o mundo e seu tempo. Pode ser facilmente manipulada. Vamos lembrar, para n\u00e3o perdermos o h\u00e1bito de falar de literatura, de &#8220;O conto da aia&#8221;, de Margaret Atwood, e &#8220;Fahrenheit 451&#8221;, de Ray Bradbury. Onde foram parar os livros na Rep\u00fablica de Gilead? Para onde a supress\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de conhecimento pode levar a humanidade? Al\u00e9m dos nossos problemas estruturais de educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um particular desinteresse do poder p\u00fablico em investir em pol\u00edticas de forma\u00e7\u00e3o de leitores. Num pa\u00eds com mais de 200 milh\u00f5es de habitantes, onde quase metade da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o h\u00e1bito de ler, o que poder\u00edamos ser se compartilh\u00e1ssemos leitura, interesse e conhecimento de forma democr\u00e1tica?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que voc\u00ea n\u00e3o endossa nesse estado de coisas ao qual chamamos de p\u00f3s-modernidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>Sou um espectador, com participa\u00e7\u00e3o m\u00ednima na vida ativa de meu pa\u00eds. Pior, sou um espectador desatento, alterno horas de pretensa aten\u00e7\u00e3o e horas de devaneios. N\u00e3o \u00e9 um lamento, digo isso conformado. Sou um leitor em primeiro lugar. Para cada mil livros que leio deverei contribuir de forma t\u00edmida com um que escrevo. E observo nosso tempo com muita confus\u00e3o e poucas conclus\u00f5es. Reflito diariamente, mas sem exigir de mim mesmo uma defini\u00e7\u00e3o sobre as coisas. Sabe como vejo o mundo? Como observo nossa jornada atrav\u00e9s da hist\u00f3ria? Como se lesse algo que acabo de escrever e que vou modificando, entendendo de uma nova forma, percebendo as movimenta\u00e7\u00f5es de palavras e sentidos numa frase, num par\u00e1grafo. Mesmo depois de ter revisado doze vezes e receber o livro da editora, se n\u00e3o quiser sofrer, n\u00e3o o lerei para n\u00e3o querer reescrever depois de impresso. \u00c9 como leio tradu\u00e7\u00f5es ou um livro qualquer: come\u00e7o a arrumar as senten\u00e7as como se fossem minhas. Quando percebo minhas divaga\u00e7\u00f5es retorno para meu papel de leitor novamente. Observo essa fluidez e velocidade pr\u00f3prias de nosso tempo com espanto. As transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o vertiginosas e na vertigem perdemos momentaneamente o autocontrole. \u00c9 como um livro novo que faz voc\u00ea ler e subverter todas as coisas que aprendeu at\u00e9 aqui sobre escrita e leitura. Mas penso que esse estranhamento deve ter existido durante toda a jornada humana com intensidades diferentes. Quando leio Lima Barreto, penso nas inquieta\u00e7\u00f5es de seu tempo, que transparecem em sua obra, e o que remanesce at\u00e9 o nosso tempo de tudo que ele possa ter refletido ou n\u00e3o. Estar no presente, engolido pelo caleidosc\u00f3pio da hist\u00f3ria e do tempo, n\u00e3o garante o distanciamento necess\u00e1rio \u00e0 reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Quando poderemos dizer que um autor obteve sucesso com seu of\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ITAMAR VIEIRA JUNIOR &#8211; <\/strong>Quando um \u00fanico leitor vier at\u00e9 ele para dizer que um par\u00e1grafo do que escreveu lhe provocou alguma reflex\u00e3o. Isso \u00e9 o que espera quem publica, quem compartilha pensamentos e escritas com o p\u00fablico. Quando publicamos algo, por qualquer meio, n\u00e3o sabemos em que m\u00e3os ir\u00e1 parar. Mas se algu\u00e9m que lhe desconhece escreve um e-mail ou indica a leitura de seu trabalho \u00e9 porque algo pode ter ocorrido na experi\u00eancia entre narrativa e leitor. A vida de uma obra s\u00f3 se ilumina nesse espa\u00e7o \u201centre\u201d. Uma obra n\u00e3o tem vida ao ser escrita ou enquanto est\u00e1 na imagina\u00e7\u00e3o de um \u00fanico homem ou mulher. Ela ganha vida a partir do contato. \u00c9 um espa\u00e7o m\u00e1gico onde a paix\u00e3o pela experi\u00eancia humana ir\u00e1 ocorrer. Imagino o que diria se encontrasse os escritores que me incendiaram de paix\u00e3o pela leitura e escrita. O que diria sobre suas obras que n\u00e3o me abandonam mesmo passado tanto tempo. Como elas contribu\u00edram para o que sou. Sei tamb\u00e9m que vir\u00e3o muitos autores, talvez alguns ainda por nascer, que me trar\u00e3o essa mesma paix\u00e3o. Um autor s\u00f3 obt\u00e9m \u00eaxito com seu of\u00edcio quando consegue iluminar esse espa\u00e7o entre a obra e o leitor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/strong><em> edita a Revista Diversos Afins, al\u00e9m de buscar abrigo em livros, discos, filmes e no ato apaixonado de tocar bateria. Atualmente, \u00e9 mestrando em Letras pela UESC, cuja linha de pesquisa re\u00fane Literatura e Cultura.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Privilegiando as distintas nuances do of\u00edcio liter\u00e1rio, uma entrevista com o escritor Itamar Vieira Junior<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14566,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3450,16,2539],"tags":[63,137,3385,8],"class_list":["post-14507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-123a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-entrevista","tag-fabricio-brandao","tag-itamar-vieira-junior","tag-pequena-sabatina-ao-artista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14507"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14507\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14572,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14507\/revisions\/14572"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14566"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}