{"id":14814,"date":"2018-06-26T12:03:12","date_gmt":"2018-06-26T15:03:12","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=14814"},"modified":"2018-06-30T18:55:04","modified_gmt":"2018-06-30T21:55:04","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-58","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-58\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 relevante considerar que o trabalho de um artista ganha sentido mais vigoroso quando aparece conectado \u00e0s quest\u00f5es de seu tempo. Na verdade, estamos a falar aqui da percep\u00e7\u00e3o que a arte evoca quando, imbu\u00eddos da consci\u00eancia de seu lugar no mundo, aqueles que labutam com a cultura conseguem comunicar o conte\u00fado de seu of\u00edcio de modo a refletir aspectos comuns a toda uma coletividade. De toda sorte, falar ao mundo n\u00e3o pode ser uma mera atitude ret\u00f3rica, um jogo de cena a representar algo apenas em sua superf\u00edcie e apar\u00eancia. Requer propriedade para al\u00e9m de um discurso que reflita a viv\u00eancia de quem o profere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas dizer as coisas todas relatadas acima \u00e9 apenas um indicativo para chegar a um ponto desejado, ou seja, abrir caminho para apresentar um projeto art\u00edstico que se converte em m\u00fasica da melhor qualidade. \u00c9 dessa forma que a trajet\u00f3ria de uma banda como <strong>OQuadro<\/strong> pode ser referenciada. Para quem ainda n\u00e3o conhece, importa mencionar que estamos diante de um grupo com mais de 20 anos de estrada marcados, sobretudo, pelas vias do rap. E n\u00e3o \u00e9 apenas isso. Esse rap praticado pelo grupo surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo dentro de um cont\u00ednuo processo de di\u00e1logo com outros ritmos, principalmente os de influ\u00eancia africana e latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jun\u00e7\u00e3o de Jef Rodriguez, Ric\u00f4, Victor Santana, Freeza, Jahgga, Rans, Dalua e Mangaio foi capaz de produzir um todo org\u00e2nico que hoje melhor define os caminhos do grupo. Com dois discos na bagagem, os baianos de OQuadro parecem ter encontrado um equil\u00edbrio que, na verdade, demonstra ser um misto de independ\u00eancia, maturidade e engajamento. Some-se a isso o fato de que suas produ\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de expressarem o resultado de um cuidadoso e coletivo processo de cria\u00e7\u00e3o, derivam de um amplo di\u00e1logo com parceiros valiosos na estrada musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista que agora segue, <strong>Jef Rodriguez<\/strong>, <strong>Victor Santana <\/strong>e <strong>Ric\u00f4<\/strong> falam um pouco sobre os percursos da banda em meio a uma jornada que mescla ra\u00edzes, pesquisa musical, identidade e vis\u00f5es de mundo. Tamb\u00e9m por aqui o foco est\u00e1 nos desdobramentos trazidos pelo segundo disco do grupo, <em>N\u00eago Roque<\/em>, lan\u00e7ado em 2017. O \u00e1lbum, que j\u00e1 foi alvo de uma <a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/gramofone-56\/\"><strong>mat\u00e9ria<\/strong><\/a> aqui na revista, representa todo um momento de escolhas, influ\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es dos m\u00fasicos em torno daquilo que hoje melhor define sua trajet\u00f3ria. Por essas e outras vias, nada mais apropriado do que conferir aten\u00e7\u00e3o \u00e0s falas de tais artistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14910\" aria-describedby=\"caption-attachment-14910\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-1-divulga\u00e7\u00e3o.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14910 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-1-divulga\u00e7\u00e3o.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-1-divulga\u00e7\u00e3o.jpeg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-1-divulga\u00e7\u00e3o-300x169.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14910\" class=\"wp-caption-text\">OQuadro \/ Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; <em>N\u00eago Roque<\/em> \u00e9 um trabalho que mant\u00e9m aceso todo um potencial discursivo que j\u00e1 se tornou uma marca forte de OQuadro. Suas letras s\u00e3o janelas de lucidez abertas para o mundo. O olhar que n\u00e3o acomoda coisas \u00e9 o que faz permanecer vivos os caminhos da banda? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JEF RODRIGUEZ \u2013 <\/strong>Sim. Existe um filtro, um processo seletivo na confec\u00e7\u00e3o das letras e das m\u00fasicas que v\u00eam marcando nossa caminhada at\u00e9 ent\u00e3o. N\u00e3o queremos que essa sele\u00e7\u00e3o pare\u00e7a um limite, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma escolha. A pretens\u00e3o \u00e9 ampliar ainda mais esse raio tem\u00e1tico para al\u00e9m das quest\u00f5es sociais. Afinal, existem muitas coisas a serem ditas. Mas existe um fio condutor, um n\u00edvel de relev\u00e2ncia que n\u00e3o queremos perder de vista, tanto na forma quanto no conte\u00fado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Uma das caracter\u00edsticas principais da banda \u00e9 o modo como as cria\u00e7\u00f5es s\u00e3o pensadas e executadas coletivamente. Isso \u00e9 percept\u00edvel, sobretudo no novo \u00e1lbum. Qual \u00e9 o maior desafio de se chegar a um resultado org\u00e2nico quando h\u00e1 uma pluralidade de mentes convivendo? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VICTOR SANTANA \u2013 <\/strong>Na verdade, n\u00e3o tem muito desafio. Podemos at\u00e9 demorar para chegar no resultado que seja bom para todo mundo, que todos concordem, mas \u00e9 f\u00e1cil. Uns chegam com um rif, um arranjo de guitarra, baixo, teclado, bateria ou percuss\u00e3o e isso vai se juntando a letras ou \u00e0 ideia de algum refr\u00e3o j\u00e1 cantado; outros chegam com um tema ou ideia de letra. Vai se juntando tudo. Todo mundo muito atento \u00e0 musicalidade tanto moderna quanto do pr\u00f3prio grupo. E chega a um resultado f\u00e1cil. O maior desafio \u00e9 compor. O rif pronto, o beat pronto, a letra pronta, \u00e9 s\u00f3 juntar. Agradar a todos tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil. Esse disco novo foi f\u00e1cil de ser feito. A gente ficou s\u00f3 dez dias juntos, sendo que compomos dezessete m\u00fasicas nesse per\u00edodo. Nunca t\u00ednhamos ficado reunidos antes para poder criar essas m\u00fasicas. Compomos tudo quase que do zero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O novo disco traz um mergulho numa perspectiva, digamos assim, mais voltada para o experimental. De que modo a escolha dos arranjos refletiu essa aposta criativa?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RIC\u00d4 \u2013 <\/strong>Acho que OQuadro sempre foi experimental. Teve um momento em que criamos at\u00e9 um subt\u00edtulo pra gente, que era o \u201cclube de m\u00fasica experimental\u201d, pois j\u00e1 flert\u00e1vamos com muitas outras coisas em termos de sonoridades, refer\u00eancias de artes pl\u00e1sticas, cinema etc. Ent\u00e3o, est\u00e1vamos sempre antenados com muita coisa, com estilos musicais que n\u00e3o fossem apenas o rap, at\u00e9 pra poder fazer um rap diferente. Ao mesmo tempo, tudo flu\u00eda muito natural e espont\u00e2neo. \u00c0s vezes, eu chegava com uma base pronta, da\u00ed outro complementava. Nesse \u00faltimo disco, acabei chegando com mais for\u00e7a no sentido de preparar bem as coisas antes, de vir com arranjos mais prontos, mas apontando pra quest\u00e3o da tecnologia que a gente n\u00e3o teve no primeiro. Na verdade, a gente j\u00e1 queria ter, mas, por algum motivo, escolhas e recursos, naquele momento ficamos mais no artesanal. Depois decidimos flertar mesmo com o eletr\u00f4nico de forma mais sincera do que acreditamos, ter essas texturas, buscar essa coisa dos sintetizadores, das frequ\u00eancias ultra graves, enfim, e usar o rock como atitude mais do que distor\u00e7\u00e3o. Tem distor\u00e7\u00e3o no disco, mas tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00e1rias frequ\u00eancias que pra gente s\u00e3o rock. E a postura, o nome do disco, s\u00e3o v\u00e1rias coisas que levam pra essa transgress\u00e3o. Ao mesmo tempo, eu mirei muito, junto com o coletivo, a ideia de tentar um pop com conceito, intelig\u00eancia. D\u00e1 pra fazer coisas sem precisar ser apelativo, fazer a galera, do mesmo jeito, entender e cantar melhor. Tivemos mais cuidado com as frases tamb\u00e9m no sentido de n\u00e3o ter muitos excessos, mas sim falar o que \u00e9 preciso ser dito, pois \u00e0s vezes falamos muito e n\u00e3o dizemos muita coisa, como vemos por a\u00ed. A gente tentou ficar focado na escrita e numa linguagem bem simples para que todo mundo pudesse entender o que est\u00e1vamos falando. O primeiro disco tinha coisas assim, mas era muito mais complexo, mais denso, outras viv\u00eancias tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, os arranjos refletiram justamente essa nova fase de outros contatos, outras experi\u00eancias com outras m\u00fasicas e pessoas. Eu, aqui mesmo no Rio, com Marcelo Yuka, vi que outros horizontes se abriram pra mim. Comecei a produzir coisas com ele e isso me deu uma abertura muito maior de m\u00fasica, melodia. O pr\u00f3prio Yuka me orientou muito pra gente, no trabalho com a banda, ir no caminho da melodia, das harmonias, da m\u00fasica, enfim, e n\u00e3o se preocupar se \u00e9 rap ou se n\u00e3o \u00e9, sabe? Acho que vem muito da\u00ed.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; \u00c9 percept\u00edvel nesse segundo disco da banda uma amplia\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os que remetem \u00e0 matriz africana. Num tempo em que a tem\u00e1tica identit\u00e1ria do povo negro vem sendo ressignificada e intensamente debatida, o que \u00e9 relevante destacar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JEF RODRIGUEZ \u2013 <\/strong>Em rela\u00e7\u00e3o aos ritmos, posso dizer que sempre esteve presente desde o primeiro \u00e1lbum em 2012. Em <em>N\u00eago Roque<\/em> isso se reacendeu numa perspectiva mais contempor\u00e2nea pelo acr\u00e9scimo de elementos eletr\u00f4nicos, al\u00e9m da conex\u00e3o com outras c\u00e9lulas que agora tivemos a oportunidade de expandir. Mas o que gostar\u00edamos de destacar como refer\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 matriz africana \u00e9 a quest\u00e3o humana. Existe um genoc\u00eddio da juventude negra acontecendo nas periferias do Brasil e do mundo. Quest\u00f5es hist\u00f3ricas que ainda n\u00e3o foram resolvidas e parecem distantes de uma resolu\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel. Estamos tocando no assunto de maneira direta sem medo de soar clich\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14912\" aria-describedby=\"caption-attachment-14912\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-no-Circo-Voador-no-Rio-de-Janeiro-Foto-Roncca-interna-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14912 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-no-Circo-Voador-no-Rio-de-Janeiro-Foto-Roncca-interna-2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-no-Circo-Voador-no-Rio-de-Janeiro-Foto-Roncca-interna-2.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-no-Circo-Voador-no-Rio-de-Janeiro-Foto-Roncca-interna-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14912\" class=\"wp-caption-text\">OQuadro em show no Circo Voador, no Rio de Janeiro \/ Foto: Roncca<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O rap tem algum compromisso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VICTOR SANTANA \u2013 <\/strong>O rap j\u00e1 teve algum compromisso consigo mesmo. Na verdade, o rap come\u00e7a ali no Bronx, em Nova Iorque, sendo a voz daquele povo esquecido. Num lugar que era um super gueto, quase uma zona de guerra, com assassinatos e muitos inc\u00eandios. Se n\u00e3o me engano, em um ano aconteceram mais de doze mil inc\u00eandios no Bronx. Sabe o que \u00e9 isso? Um bairro inteiro queimando, v\u00e1rios focos e essas pessoas pobres l\u00e1 se lascando. Ent\u00e3o, o rap come\u00e7a primeiro como uma festa daquelas pessoas e, na sequ\u00eancia, torna-se um jeito de se falar sobre o assunto, j\u00e1 que eles tinham discotecagens e tamb\u00e9m o microfone na m\u00e3o. Faziam rimas falando sobre a coisa. A\u00ed come\u00e7a o rap. Surge um compromisso de resgate das origens com artistas como Afrika Bambaataa, que come\u00e7a a falar mais sobre \u00c1frica atrav\u00e9s da Zulu Nation. No Brasil, j\u00e1 se come\u00e7a ali a falar sobre Zumbi, nosso her\u00f3i nacional negro. Inicia a\u00ed esse car\u00e1ter pol\u00edtico. Um compromisso que fala sobre n\u00f3s, pretos, o modo como vivemos e tal. Esse compromisso vem com certas regras. Todo mundo quer trabalhar, ganhar dinheiro, viver disso. No Brasil, tem uma m\u00e1xima de que as coisas que fazem sucesso n\u00e3o d\u00e3o certo, pois entraram na m\u00eddia. Nos Estados Unidos, o pessoal quer fazer sucesso e ganhar dinheiro. O compromisso passa a ser a quest\u00e3o de se ter dinheiro e poder sustentar a fam\u00edlia. S\u00e3o v\u00e1rios compromissos e eles s\u00e3o: sobreviver, ganhar dinheiro, fazer a coisa pelo certo e protestar sobre coisas ruins que acontecem ao negro (a politiza\u00e7\u00e3o, o crime policial). O compromisso talvez seja o jornalismo em torno dessas coisas ruins e boas que acontecem no gueto contra o povo negro, chamar aten\u00e7\u00e3o sobre estere\u00f3tipos. \u00c9 abrir os olhos da popula\u00e7\u00e3o sobre as mazelas que existem. Agora, compromisso em manter-se pobre, em n\u00e3o fazer sucesso, n\u00e3o \u00e9 compromisso. Os Racionais MC\u2019s, por exemplo, tiveram como pauta nunca aparecer na Rede Globo e at\u00e9 hoje eles n\u00e3o apareceram l\u00e1 enquanto Racionais MC\u2019s, nunca tiveram m\u00fasica na novela, nem se apresentaram no Caldeir\u00e3o do Huck e no Faust\u00e3o. Muita gente entrou nessa coisa de imitar os Racionais, dizendo que quem entra na Globo \u00e9 vendido, \u00e9 ruim, mau, playboy etc. Ent\u00e3o, confunde-se muito a coisa toda. O Edi Rock, que \u00e9 um dos integrantes dos Racionais, foi ao Faust\u00e3o mostrar um trabalho solo certa vez, teve at\u00e9 uma reportagem e tal. Isso n\u00e3o impede deles serem amigos e estarem juntos apresentando o trabalho do grupo. Voc\u00ea v\u00ea que Criolo vai \u00e0 Globo, Gabriel Pensador tamb\u00e9m (contempor\u00e2neo dos Racionais MC\u2019s), e nem por isso tira o m\u00e9rito do conte\u00fado de contesta\u00e7\u00e3o. Enfim, o compromisso \u00e9 consigo mesmo, fazer seu trabalho, ganhar seu dinheiro e falar sobre as coisas que incomodam. O rap tem algum compromisso, claro, mas \u00e9 mais uma condi\u00e7\u00e3o hedonista coletiva, se \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel dizer assim (risos), do que um conjunto de regras que te impedem. N\u00e3o, elas n\u00e3o te impedem, te motivam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Como fazer arte num pa\u00eds que parece cada vez mais desintegrado politicamente? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JEF RODRIGUEZ \u2013 <\/strong>Penso que essa desintegra\u00e7\u00e3o sempre existiu, a novidade em rela\u00e7\u00e3o a isso \u00e9 a consci\u00eancia da mesma. Em momentos de crise econ\u00f4mica, o primeiro corte que o cidad\u00e3o brasileiro faz \u00e9 no consumo de cultura. N\u00e3o fomos educados a entender as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas\/culturais como elemento fundamental no processo educativo, no exerc\u00edcio intelectual, na constru\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias para um jovem em forma\u00e7\u00e3o. A retirada das disciplinas como sociologia e filosofia da grade curricular obrigat\u00f3ria s\u00f3 confirma o tipo de cidad\u00e3o que se espera formar no modelo educacional vigente. No caso espec\u00edfico do OQuadro, fazer a m\u00fasica que fazemos e como a fazemos j\u00e1 \u00e9 uma luta pol\u00edtica por natureza. Por n\u00e3o ser um rap convencional, por ser do sul da Bahia, por n\u00e3o fazer parte de nenhum grupo de amigos do meio. \u00c9 um caminho \u00e1rduo, mas o resultado tem sido sincero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Voc\u00eas t\u00eam ideia de qual lugar ocupam no cen\u00e1rio contempor\u00e2neo da m\u00fasica independente? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RIC\u00d4 \u2013 <\/strong>Acho que a gente ocupa um espa\u00e7o interessante na m\u00fasica, e flerta com muita coisa moderna que vemos n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas no mundo mesmo, sendo modesto. Pelo que j\u00e1 andamos pelo mundo, em alguns festivais, pequenos e grandes, est\u00e1vamos sempre sendo colocados num lance mais moderno, experimental. E sempre as pessoas descrevem nosso trabalho, pelo menos no olhar de fora, como uma coisa de vanguarda. Uns acham que \u00e9 um rock de vanguarda; outros acham que \u00e9 um rap de vanguarda. Isso \u00e9 bom porque mostra v\u00e1rias facetas nossas. No Brasil, tem muita gente interessante, mas, misturando o som do jeito que fazemos, na base do rap com v\u00e1rias outras coisas, n\u00e3o h\u00e1 muitos artistas. Infelizmente, o reconhecimento ainda n\u00e3o aparece em n\u00fameros, palp\u00e1vel, em termos de p\u00fablico Brasil afora tamb\u00e9m. Temos a consci\u00eancia da import\u00e2ncia daquilo que estamos fazendo. N\u00e3o sei se agora, mas, de repente, num futuro pr\u00f3ximo seremos mais reconhecidos, enfim. Mas \u00e9 isso, estamos trabalhando e seguindo esse mesmo objetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; As plataformas digitais modificaram profundamente o comportamento da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. Para os artistas independentes, isso representou a necessidade de uma consolida\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os pr\u00f3prios, dando-lhes certa autonomia na produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fados. Como prosseguir nesses verdadeiros lugares de resist\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VICTOR SANTANA \u2013 <\/strong>As gravadoras perderam o poder, inclusive sobre os artistas. O trabalho para o artista fica mais pessoal mesmo. Na verdade, tem que procurar divulgar seu trabalho usando as plataformas digitais, que s\u00e3o uma facilidade para uns e extremamente dif\u00edceis para outros. Acho que voc\u00ea tem que ter assunto para ser atual ou uma relev\u00e2ncia art\u00edstica muito peculiar, algo que chame aten\u00e7\u00e3o de todo mundo. Na \u00e9poca das gravadoras, eles meio que empurravam isso, pagavam o tal do jab\u00e1, botavam para tocar nas r\u00e1dios, no Faust\u00e3o etc. Ainda tem isso dos produtores que pegam a grana e pagam r\u00e1dios para fazerem divulga\u00e7\u00e3o, mas, em termos de plataforma digital, ou voc\u00ea tem um conte\u00fado muito foda ou tem que estar ligado nas tend\u00eancias e tal. Tem uma coisa que acontece, uma pauta justa, muito s\u00e9ria, que \u00e9 a dos m\u00fasicos LGBT, e esses m\u00fasicos, hoje em dia, est\u00e3o em ascens\u00e3o, n\u00e3o necessariamente pela qualidade extrema do seu som, mas pela pauta, pelo assunto. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, o cara n\u00e3o \u00e9 um bom m\u00fasico, cantor ou rapper, mas a pauta est\u00e1 em voga. Tem a coisa do feminismo mesmo, que \u00e9 necess\u00e1ria, mas t\u00e1 acontecendo uma, n\u00e3o sei se posso dizer, supervaloriza\u00e7\u00e3o, algo que est\u00e1 al\u00e9m da qualidade art\u00edstica. Os youtubers, por exemplo, t\u00eam textos engra\u00e7ados, pessoas que falam coisas legais, de acordo com certa juventude, e a\u00ed j\u00e1 funcionam, ganham dinheiro logo no pr\u00f3prio Youtube. Um super v\u00eddeo de um rapper da moda j\u00e1 faz dinheiro logo no Youtube antes mesmo do artista sair pra fazer show. Ent\u00e3o, as pessoas est\u00e3o se preocupando com esses conte\u00fados e, de repente, esquecendo o conte\u00fado real de sua arte. Para quem est\u00e1 preocupado s\u00f3 com a arte \u00e9 dif\u00edcil se adequar a umas coisas assim, apenas pela \u201cmodinha\u201d. \u00c9 uma faca de dois gumes. Por um lado, \u00e9 independ\u00eancia; por outro, \u00e9 estar atento \u00e0s novas plataformas. N\u00e3o d\u00e1 para ter certeza sobre nada. Voc\u00ea pode fazer um clipe bobo e virar uma coisa assistida por quinhentos milh\u00f5es de pessoas. Ao mesmo tempo, outras pessoas nem atingem essa visualiza\u00e7\u00e3o, sendo que fazem um trabalho com a qualidade bem boa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14911\" aria-describedby=\"caption-attachment-14911\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-na-Concha-Ac\u00fastica-de-Salvador-Foto-Andr\u00e9-Fofano.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14911 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-na-Concha-Ac\u00fastica-de-Salvador-Foto-Andr\u00e9-Fofano.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-na-Concha-Ac\u00fastica-de-Salvador-Foto-Andr\u00e9-Fofano.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/OQuadro-em-show-na-Concha-Ac\u00fastica-de-Salvador-Foto-Andr\u00e9-Fofano-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14911\" class=\"wp-caption-text\">OQuadro em show na Concha Ac\u00fastica de Salvador \/ Foto: Andr\u00e9 Fofano<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Desde o primeiro disco, voc\u00eas sempre se aproximaram de parceiros importantes, principalmente no processo de produ\u00e7\u00e3o. Que tipo de buscas marcam esses di\u00e1logos com outros artistas? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VICTOR SANTANA \u2013 <\/strong>No primeiro disco, a gente procurou Buguinha Dub porque era um cara mais acess\u00edvel e que tinha trabalhado com bandas que eram refer\u00eancia pra gente, como Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Mundo Livre S\/A. Tinha a proposta do dub, que \u00e9 um estilo de som jamaicano, psicod\u00e9lico e tal, que nem ficou t\u00e3o presente assim no disco como eu, por exemplo, imaginava, mas ficou o peso do dub com os baixos e bateria pra frente, fortes. Gravamos ele num est\u00fadio que era bom e que atendia a nossas necessidades atrav\u00e9s do projeto da Vivo. Por acaso, foi o est\u00fadio de Guilherme Arantes e a gente n\u00e3o contava com esse artista l\u00e1, mas a\u00ed ele apareceu e participou do disco. Ainda nesse \u00e1lbum, tivemos Lurdez da Luz, que \u00e9 uma rapper de S\u00e3o Paulo, e que trouxe ideias para fazer um refr\u00e3o ou parte de m\u00fasica. No primeiro disco, n\u00e3o houve uma busca, as coisas foram acontecendo naturalmente. A mix foi de Buguinha Dub e a master de Gustavo Lenza, que foi quem trabalhou com Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi, no <em>Afrociberdelia<\/em>, um disco de bastante refer\u00eancia pra gente. Para o <em>N\u00eago Roque<\/em> chamamos Basa para produzir porque ele \u00e9 o produtor de um grande disco de rap do Brasil, que \u00e9 o <em>Babylon By Gus<\/em>, de Black Alien. J\u00e1 t\u00ednhamos trabalhado juntos com esse produtor num evento em Itacar\u00e9, o Conex\u00e3o Vivo. A gente pensa qual artista pode contribuir com o trabalho. Nunca \u00e9 pelo nome, mas pelo que pode ser aproveitado. \u00c9 dizer \u201cnessa m\u00fasica caberia uma rima de Snoopy Dogg\u201d sem que se tivesse acesso a Snoopy Dogg naquele momento. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Indee Styla, que se tornou nossa amiga, com os caras do Attoxx\u00e1, que tamb\u00e9m estiveram junto conosco. A gente pensou em nomes pra atingir certas necessidades nossas. Poderia ter sido Pablo Vittar para um agudo, Baco e Vandall numa m\u00fasica y, porque o beat \u00e9 um trap que combina com esses dois caras. Poderia ter sido Pitty em <em>N\u00eago Roque<\/em> para fazer o refr\u00e3o, ou seja, uma mulher que d\u00e1 uma outra t\u00f4nica, BNeg\u00e3o, ou Yuka falando alguma coisa. E a gente sempre pensando na m\u00fasica e n\u00e3o no artista. Com quem temos acesso, obviamente entra com mais facilidade. Pensamos em muita gente pra produzir at\u00e9 chegar em Rafa Dias, que era quem estava mais pr\u00f3ximo da gente e entendia nosso conceito muito mais facilmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; De que modo uma banda que se originou em Ilh\u00e9us, no interior da Bahia, hoje, tendo alcan\u00e7ado alguma proje\u00e7\u00e3o, olha para suas ra\u00edzes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JEF RODRIGUEZ \u2013 <\/strong>Ilh\u00e9us \u00e9 e sempre ser\u00e1 o ber\u00e7o d\u2019OQuadro, temos um cord\u00e3o umbilical com v\u00ednculo eterno. Mas n\u00e3o me identifico com a cidade enquanto institui\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o foi feita para pessoas como n\u00f3s. Vivemos a\u00ed tempos de um amor n\u00e3o correspondido. Testemunhamos desde sempre gest\u00f5es que se apropriam de uma cidade que \u00e9 projetada pela cultura, mas n\u00e3o devolvem a esse setor o m\u00ednimo de investimento que possa fomentar o nascimento de novos Jorges. Quem faz arte em Ilh\u00e9us, faz por amor, sem contar com incentivos ou iniciativas que projetem trabalhos autorais com o m\u00ednimo de dignidade. Pelo contr\u00e1rio, desenvolvem em n\u00f3s um complexo de vira-lata, onde sentimos a obriga\u00e7\u00e3o de ser menor diante de qualquer manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica que venha da capital ou de outro estado, o que \u00e9 um exerc\u00edcio pr\u00e1tico de autoestima baixa, de autodestrui\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, prefiro olhar para Ilh\u00e9us pelos v\u00ednculos com nossa fam\u00edlia e amigos que nos incentivam sempre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Hoje, com mais de 20 anos de estrada, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a banda atingiu uma maturidade musical desejada? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RIC\u00d4 \u2013 <\/strong>Acho que a gente atingiu uma maturidade enquanto tamb\u00e9m pessoas, seres humanos, e nas quest\u00f5es das viv\u00eancias, tanto pessoais quanto profissionais, pois a gente fica em lugares diferentes, vivendo coisas diferentes, e quando junta isso tudo, vem essa maturidade tamb\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o com outras pessoas, outros m\u00fasicos e artistas. Isso influi totalmente na produ\u00e7\u00e3o do som, do disco. Ent\u00e3o, <em>N\u00eago Roque <\/em>mesmo teve muita coisa das viv\u00eancias que eu tive aqui no Rio com outros artistas, outras experi\u00eancias de som, de imagem, de tudo, assim como a galera tamb\u00e9m teve. Quando nos juntamos, est\u00e1vamos cheios de refer\u00eancias. Nesse disco, conseguimos expressar melhor o que quer\u00edamos, coisas tecnol\u00f3gicas. Ent\u00e3o, tivemos todo o acesso poss\u00edvel pra construir isso. N\u00e3o tivemos tanta limita\u00e7\u00e3o pra conseguir as coisas, pois contamos com pessoas trabalhando conosco para que consegu\u00edssemos tirar o som da melhor maneira. Constru\u00edmos coisas do jeito que a gente pensava, com bem mais facilidade, experimentalismo, direcionamento. Ent\u00e3o, esse \u00e9 um disco com certeza bem maduro. Claro que a arte sempre te d\u00e1 a possibilidade de fazer mais, depois voc\u00ea reflete sobre o que poderia ter feito, mas t\u00eam sempre ene possibilidades, pois a gente n\u00e3o termina um disco, a gente desiste dele, sen\u00e3o a coisa vai se transformando e n\u00e3o tem fim. Partindo desse princ\u00edpio, foi uma desist\u00eancia madura (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/strong><em> edita a Revista Diversos Afins, al\u00e9m de buscar abrigo em livros, discos, filmes e no ato apaixonado de tocar bateria. Atualmente, \u00e9 mestrando em Letras pela UESC, cuja linha de pesquisa re\u00fane Literatura e Cultura.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os novos caminhos da banda OQuadro numa entrevista exclusiva<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14908,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3508,16,2539],"tags":[63,137,364,358,360,65],"class_list":["post-14814","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-125a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-entrevista","tag-fabricio-brandao","tag-ilheus","tag-oquadro","tag-rap","tag-sabatina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14814","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14814"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14814\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14914,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14814\/revisions\/14914"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}