{"id":15009,"date":"2018-07-29T11:38:41","date_gmt":"2018-07-29T14:38:41","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=15009"},"modified":"2018-10-24T16:25:55","modified_gmt":"2018-10-24T19:25:55","slug":"gramofone-61","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/gramofone-61\/","title":{"rendered":"Gramofone"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por P\u00e9rola Mathias <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MICROARQUITETURAS \u2013 RAFAEL MACEDO &amp; PULANDO O VITR\u00d4<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Microarquiteturas-capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15011\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Microarquiteturas-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Microarquiteturas-capa.jpg 350w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Microarquiteturas-capa-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Microarquiteturas-capa-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVou repetir quando for necess\u00e1rio \/ deixo as vanguardas pra todos voc\u00eas\u201d \u00e9 uma das frases po\u00e9ticas e provocativas que permeiam o disco \u201cmicroarquiteturas\u201d, dos mineiros Rafael Macedo e Pulando o Vitr\u00f4, lan\u00e7ado no \u00faltimo m\u00eas de junho pela gravadora Roncinante, do poeta e m\u00fasico carioca Sylvio Fraga. \u00a0O verso que abre a faixa <em>Moeda<\/em> \u00e9 revelador em muitos sentidos e sintetiza um pouco do que parece ser esse disco no contexto da m\u00fasica atual: ao mesmo tempo em que n\u00e3o d\u00e1 a m\u00ednima para qualquer tipo de receita mercadol\u00f3gica ou f\u00f3rmula popular, tamb\u00e9m n\u00e3o busca o hermetismo acad\u00eamico. Promove um tr\u00e2nsito entre linguagens e sonoridades, ritmos e tradi\u00e7\u00f5es, respeitando apenas a cria\u00e7\u00e3o, a inven\u00e7\u00e3o e uma quest\u00e3o muito pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cmicroarquiteturas\u201d \u00e9 um disco que come\u00e7ou a ser gestado h\u00e1 mais de dez anos. Teve como mat\u00e9ria prima principalmente as harmonias e melodias criadas no viol\u00e3o e nas letras, sobre as quais Rafael Macedo trabalhou e acrescentou os demais instrumentos e as vozes. Seus principais parceiros no disco s\u00e3o Bernardo Caldeira e Rafael Pimenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco \u00e9 composto de 11 faixas que t\u00eam formatos e dura\u00e7\u00f5es bem diferentes, que v\u00e3o dos 2 minutos aos 9 minutos. Suas m\u00fasicas, \u00e0s vezes, parecem mais pe\u00e7as do que can\u00e7\u00f5es. Noutras s\u00e3o mais can\u00e7\u00f5es do que pe\u00e7as. As camadas de vozes, o texto po\u00e9tico, os recortes de notici\u00e1rios e as refer\u00eancias expl\u00edcitas a m\u00fasicas conhecidas de tempos, lugares e ritmos diferentes parecem construir uma narrativa quebrada, t\u00edpica dos nossos tempos. Por\u00e9m, a fluidez das harmonias cria uma unidade dentro desta constru\u00e7\u00e3o pautada por uma soma de detalhes m\u00ednimos \u2013 ou, nas palavras de Rafael, \u201cesfor\u00e7os ao redor do m\u00ednimo\u201d. Assim o m\u00fasico justifica o nome do projeto: \u201co t\u00edtulo tem a ver com essa coisa de ir e vir, de ouvir v\u00e1rias vezes a mesma coisa ir se modificando, de decidir se um prato de bateria deve ser colcheia ou semicolcheia porque o clarinete tocar\u00e1 um segundo depois; de decidir se o contrabaixo toca mais \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita do captador para que a sonoridade ideal seja alcan\u00e7ada. Acredito que por ali esteja o \u2018micro\u2019. J\u00e1 as \u2018arquiteturas\u2019 s\u00e3o o resultado, de algum modo, da soma de tudo isso, da estrutura final, onde morar\u00e3o os ouvidos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15012\" aria-describedby=\"caption-attachment-15012\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-1-Foto-1-Luiza-Palhares.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15012 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-1-Foto-1-Luiza-Palhares.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-1-Foto-1-Luiza-Palhares.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-1-Foto-1-Luiza-Palhares-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15012\" class=\"wp-caption-text\">Rafael Macedo &amp; Pulando o Vitr\u00f4 \/ Foto : Luiza Palhares<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo \u00e9 a faixa <em>de L\u00e1<\/em>, a \u00fanica inteiramente instrumental do disco, que come\u00e7ou a ser composta em 1999, segundo conta Rafael. A composi\u00e7\u00e3o que inicialmente tinha 02:40 foi finalizada com 8 minutos na vers\u00e3o gravada. \u00c9 uma faixa que vai \u201cde uma textura homof\u00f4nica a uma explora\u00e7\u00e3o de texturas polif\u00f4nicas e heterof\u00f4nicas\u201d. Aqui a voz n\u00e3o chega a pronunciar nenhuma palavra, apenas emite sons. Segundo o pr\u00f3prio Rafael descreve, ela \u00e9 um exemplo de sua rela\u00e7\u00e3o com a ideia de \u201ctexto\u201d num sentido amplo: \u201cn\u00e3o h\u00e1 qualquer nota ou qualquer \u2018passagem\u2019 instrumental criada sem o desejo de discurso, sem algum tipo de necessidade de narrativa, ainda que inspirada pelo absurdo, como <em>Del\u00edrio<\/em>. Para mim, tudo, instrumentos, vozes e letras s\u00e3o texto, s\u00e3o linguagem e querem comunicar algo em comum ou dialogal entre si, cada inst\u00e2ncia a seu modo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Del\u00edrios<\/em> explora ainda um ponto fundamental: o sil\u00eancio. Ele permeia da percuss\u00e3o inicial at\u00e9 o final da m\u00fasica, que termina com uma s\u00e9rie de respira\u00e7\u00f5es fundas e pausadas. As letras das demais faixas do disco v\u00e3o construindo, junto com as melodias, uma esp\u00e9cie de micro po\u00e9ticas do cotidiano em seus versos. Como em <em>Outro retrato<\/em>, em que Rafael canta cenas do dia a dia \u2013 \u201ceu s\u00f3 quero ver tu me dizer \/ de algum lugar melhor \/ j\u00e1 cansei de ser pe\u00e3o \/ quase todo dia vou na padaria ali \/ tomo uma branquinha\u201d \u2013 e no fim vem a voz feminina do disco, que \u00e9 da atriz e poeta Brisa Marques, que sussurra: \u201cSe for algo, prefiro a voz do imponder\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 <em>Canto Troncho <\/em>come\u00e7a com a narra\u00e7\u00e3o de um notici\u00e1rio que \u00e9 atravessado pela m\u00fasica, enquanto a verborragia dos acontecimentos continua soando. Depois, a voz \u00e9 cortada e a melodia segue at\u00e9 que o canto entre &#8211; \u201cesse canto troncho n\u00e3o inventa o que voc\u00ea quer ser\u201d -, e depois ele volta a ser cortado pelas not\u00edcias que correm junto da m\u00fasica. No fim, a voz de Brisa entra pedindo \u201cCalma! Calma! Nosso programa acaba daqui a pouco. Ele \u00e9 sempre do mesmo tamanho: \u00e9 o seu desejo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15013\" aria-describedby=\"caption-attachment-15013\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-Foto-2-Luiza-Palhares.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15013 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-Foto-2-Luiza-Palhares.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-Foto-2-Luiza-Palhares.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Rafael-Macedo-Pulando-o-Vitr\u00f4-Foto-2-Luiza-Palhares-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15013\" class=\"wp-caption-text\">Rafael Macedo &amp; Pulando o Vitr\u00f4 \/ Foto: Luiza Palhares<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuem s\u00f3 come sonho morre amargo\u201d, de <em>Vivi<\/em>, \u00e9 outro verso marcante do disco. J\u00e1 a faixa <em>essa n\u00e3o \u00e9 <\/em>(assim mesmo em caixa baixa, como frisa Macedo) come\u00e7a com a voz de Brisa recitando o verso \u201cCapa: um biombo entre o mundo e o livro\u201d e termina com \u201cHomem: um biombo entre o som e o sentido\u201d. Esta \u00e9 uma das m\u00fasicas permeadas por cita\u00e7\u00f5es. Para o ouvido leigo, de cara identificamos <em>Lua de S\u00e3o Jorge<\/em>, que acaba por desembocar em <em>Alegria, alegria<\/em>. \u00c9 uma trama complexa de refer\u00eancias, colagens e experimentalismos que se referenciam tamb\u00e9m a compositores distantes da m\u00fasica popular, como Messiaen. Essas refer\u00eancias soam como \u201csamples org\u00e2nicos\u201d, unindo diferentes linguagens exploradas ao longo do disco. O pr\u00f3prio Rafael descreve essa teia criada: \u201c\u00e9, em resumo, a can\u00e7\u00e3o que n\u00e3o quer ser can\u00e7\u00e3o, sendo; e que n\u00e3o quer &#8211; sabendo que n\u00e3o pode &#8211; ser \u00fanica (com colagens de cl\u00e1ssicos da MPB e da m\u00fasica pop norte-americana ou de Debussy, Sch\u00f6nberg, uma &#8220;pontinha&#8221; de Gershwin e Wagner), sendo, de algum modo, ela pr\u00f3pria. \u00c9 um resumo da ang\u00fastia e da alegria e desejo de compor e criar por aqui, no espantoso s\u00e9culo XXI\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do Pulando o Vitr\u00f4, formado por Bernardo Caldeira, Rafael Pimenta e Yuri Vellasco, o time de m\u00fasicos que acompanha \u201cmicroarquiteturas\u201d \u00e9 formado por Alexandre Silva (clarinetes); Francisco C\u00e9sar (bandoneon, sax e ta\u00e7a); Jo\u00e3o Paulo Buchecha (trombone); Jo\u00e3o Paulo Drumond (percuss\u00e3o) e Jo\u00e3o Paulo Prazeres (saxofones). No disco participam ainda Alexandre Andr\u00e9s (flauta); Leonora Weissmann (voz); Micael Pancr\u00e1cio (guitarra flamenca) e Ricardo Passos (voz); al\u00e9m da voz de Brisa Marques, que participa do disco e dos shows. Brisa e Rafael t\u00eam trabalhado juntos em experimenta\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas desde 2012, quando ele participou da Mostra Cantautores em Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No show pensado para o disco, h\u00e1 tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de Leandro C\u00e9sar, pesquisador da linguagem da performance. O show do disco promete inserir no palco uma l\u00f3gica teatral e uma apresenta\u00e7\u00e3o mais concentrada, sem falas ou pausas, mesclando cena e som. Por enquanto, os shows est\u00e3o acontecendo apenas em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JbthJv4vUJI\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>P\u00e9rola Mathias<\/em><\/strong><em> \u00e9 doutoranda em sociologia, pesquisadora e cr\u00edtica musical. Editora da revista Polivox e do site Poro Aberto.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e9rola Mathias visita \u201cmicroarquiteturas\u201d, disco de Rafael Macedo &#038; Pulando o Vitr\u00f4  <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3532,2536],"tags":[359,14,3539,3500,3540,3538],"class_list":["post-15009","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-126a-leva","category-gramofone","tag-disco","tag-gramofone","tag-microarquiteturas","tag-perola-mathias","tag-pulando-o-vitro","tag-rafael-macedo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15009"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15014,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15009\/revisions\/15014"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}