{"id":15020,"date":"2018-07-29T11:43:35","date_gmt":"2018-07-29T14:43:35","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=15020"},"modified":"2018-10-24T16:25:30","modified_gmt":"2018-10-24T19:25:30","slug":"aperitivopalavra-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivopalavra-7\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra"},"content":{"rendered":"<p><strong>EU ME APRESENTO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Jorge Elias Neto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/CAPA-ORNINTORRINCO-int-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15087\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/CAPA-ORNINTORRINCO-int-1.jpg\" alt=\"\" width=\"310\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/CAPA-ORNINTORRINCO-int-1.jpg 310w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/CAPA-ORNINTORRINCO-int-1-186x300.jpg 186w\" sizes=\"auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 que se entender ou n\u00e3o o ornitorrinco do pau oco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, por exemplo, vivo em busca de algum autoentendimento.\u00a0 S\u00f3 recentemente, relendo uma defini\u00e7\u00e3o do <em>Brevi\u00e1rio da decomposi\u00e7\u00e3o<\/em>, de Emil Cioran, \u00e9 que me descobri um pessimista entusiasmado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, antes de uma defini\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, quem ler esta colet\u00e2nea de meus tr\u00eas primeiros livros j\u00e1 publicados, em que inclu\u00ed poemas in\u00e9ditos, ter\u00e1 primeiro uma impress\u00e3o de estranhamento e de curiosidade: o porqu\u00ea de meu nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora ainda prefira que o leitor procure ler o poema que leva meu nome \u2013 sempre considerei a obra mais relevante do que o autor \u2013, sinto-me impelido a prosear um pouco, talvez deixar algum rastro sobre quem somos n\u00f3s, os ornitorrincos do pau oco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 chegado o tempo em que o sil\u00eancio e a contempla\u00e7\u00e3o passaram a fazer parte do comportamento de um transgressor. \u00c9 o que conclama a balb\u00fardia multimidi\u00e1tica de nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, nada mais ef\u00eamero que o conceito num\u00e9rico dos dias: um ou dois d\u00edgitos n\u00e3o preenchem o vazio do homem p\u00f3s-moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os \u201cvencedores\u201d prop\u00f5em: Falemos do caos bin\u00e1rio, j\u00e1 que se tornou \u201cfeio\u201d falar do Sol e da Lua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O choque. O homem e o tempo, com seus instantes vendidos em m\u00f3dulos. Uma overdose de est\u00edmulos de dura\u00e7\u00e3o ef\u00eamera. Eis a droga que carece ser discutida, esta que alimenta o corpo fluido e seus receptores cerebrais carentes de imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 a\u00ed que me insiro e busco me justificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem sou? Algo indecifr\u00e1vel, como meu coirm\u00e3o, objeto de estranhamento? Mam\u00edfero, ave?\u00a0 Ov\u00edparo, viv\u00edparo? Tudo! Menos \u00fatil e justific\u00e1vel, embora ele ainda desperte alguma curiosidade cient\u00edfica. O que n\u00e3o parece ser bem o meu caso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ornitorrinco do pau oco destoa, e pode, muito em breve, perder de vez muito do lastro dos tempos, desgarrar-se do verde, de sua ess\u00eancia \u201cTerra\u201d. Impregnar-se definitivamente do urbano, perder-se no cinza e embriagar-se com seu-eu-deus-pessoal-bonito no selfie (sou eu lindo na foto, i.e.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito algo sobre o ornitorrinco, h\u00e1 de se falar do \u201cpau oco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa express\u00e3o \u201croubei\u201d das esculturas que me encantaram na inf\u00e2ncia, em minhas visitas aos museus de Ouro Preto e Mariana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos sabemos das hist\u00f3rias de ouro e diamantes dentro de esculturas de santos entalhados em madeira em contrabando que ocorria nas Minas Gerais, nos idos dos s\u00e9culos XVI-XVIII. Nas costas da imagem (ou em seus p\u00e9s), de forma camuflada, uma pequena abertura permitia a oculta\u00e7\u00e3o do metal nobre e das pedras preciosas que movimentavam o Velho Mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a\u00ed que eu me insiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos um momento neoantropof\u00e1gico na poesia.\u00a0 Pelo menos vejo isso como uma das tend\u00eancias em muitos dos poetas atuais. Na mir\u00edade de cores, na heterogeneidade da produ\u00e7\u00e3o atual, v\u00ea-se um esfacelamento do corpo, do que resta do corpo, j\u00e1 que a alma j\u00e1 foi esmigalhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O final do s\u00e9culo XIX trouxe a proposi\u00e7\u00e3o da morte de Deus, trouxe o materialismo dial\u00e9tico. O homem oitocentista adentrou-se no novo s\u00e9culo deslumbrado com a tecnologia e o conhecimento evolucionista. Tivemos o leninismo-stalinismo e vimos que o homem, vestido com a ideologia, transformou a proposta da utopia nas distopias descritas por Orwell e Huxley. Viveu a insanidade nazista e, com o distanciamento hist\u00f3rico, p\u00f4de entender que o homem errado no lugar certo pode gerar a insanidade coletiva. Tudo trouxe a descren\u00e7a, a desilus\u00e3o e abriu espa\u00e7o para o deus mercado, o oportunista da vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E onde entra o ornitorrinco e o \u201cpau oco\u201d nisso tudo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que o poeta \u00e9 a \u201cantena da sociedade\u201d \u2015 dito gasto, mas definitivo, de Ezra Pound \u2015, o poeta-ornitorrinco carrega consigo todo o estranhamento do que o circunda e, impregnado do que \u201cn\u00e3o tem serventia\u201d, por n\u00e3o optar pelo instante em detrimento do ef\u00eamero, corre o risco de se tornar uma curiosidade em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pude, busquei me desconstruir, entender minha irrelev\u00e2ncia relativa nesta vida. Enfim, vi-me um ornitorrinco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que tem de especial o ornitorrinco? O olhar. E a necessidade&#8230; A necessidade de abrir o peito, com for\u00e7a, como t\u00e3o bem ilustrou o poeta e grande artista Felipe Stefani, na ilustra\u00e7\u00e3o que acompanha este livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrir o peito e oferecer o que mais precioso ele traz guardado em seu arcabou\u00e7o de ossos e carne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 que o poeta \u00e9 um estorvo, ele abre seu peito e joga na cara de quem quer que seja, como seu \u00faltimo ato de vida, rasgando sua \u00faltima pele \u2013 a palavra \u2014, mesmo que inutilmente, a \u201clinguagem-ouro de enganar trouxa\u201d que o alimentou enquanto vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis a\u00ed o ornitorrinco do pau oco, queiram ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O ORNITORRINCO DO PAU OCO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em><strong>j\u00b4\u00e9tais le bruit d\u00b4absence<\/strong><\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fui pelo n\u00e3o ido das manh\u00e3s<br \/>\nem voo de cera e contempla\u00e7\u00e3o<br \/>\nperseguindo desv\u00e3os no Mundo<\/p>\n<p>fui ao sumidouro dos p\u00e9s<br \/>\ndescendo pirambeiras<br \/>\nem abissais loucuras<\/p>\n<p>fui o an\u00f4nimo<br \/>\ninacabado de v\u00e9spera<\/p>\n<p>fui inumano<\/p>\n<p>fui testemunha<br \/>\nde corpo ausente<br \/>\ndas pratic\u00e2ncias e despudores<\/p>\n<p>fui matraca indignada<br \/>\nfui mendicante<\/p>\n<p>fui a farpa<br \/>\narrancada da espada<\/p>\n<p>fui consolo adocicado<br \/>\npara l\u00ednguas \u00e1speras<\/p>\n<p>fui perene e dilatado<br \/>\nfui objeto<\/p>\n<p>fui p\u00e3o e circo<br \/>\ndo apocalipse<\/p>\n<p>fui pudico e privado<br \/>\nfui rasgado<br \/>\ne brocha<\/p>\n<p>fui tardio<br \/>\nsem salva-vidas<\/p>\n<p>fui obsceno<br \/>\ncosseno e outras perip\u00e9cias<\/p>\n<p>fui o de dentro<br \/>\nsorriso do redemoinho<\/p>\n<p>fui o g\u00eanesis<br \/>\nda com\u00e9dia humana<\/p>\n<p>fui o esteta do insolv\u00edvel<\/p>\n<p>fui o engate<br \/>\no torvelinho<\/p>\n<p>Fui o poeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N\u00c3O ME CALO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Morda\u00e7a<br \/>\nse rasga com os dentes,<br \/>\ne, se me cortam a l\u00edngua,<br \/>\nreinvento<br \/>\na linguagem-uivo<br \/>\n\u0336 corda vocal \u00e9 el\u00e1stico<br \/>\nde boleadeira \u0336<br \/>\nque atira longe o eco<br \/>\ndo desatino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ANACR\u00d4NICO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meu \u00e9 este desperd\u00edcio,<br \/>\nolhar que n\u00e3o se enquadra,<br \/>\nsil\u00eancio que espia na luz apagada,<br \/>\no medo de n\u00e3o estar vazio<br \/>\nquando se acercar a luz do nada.<\/p>\n<p>Meu \u00e9 este dizer do tempo,<br \/>\ndiscurso interrompido,<br \/>\nlampejo, lamento,<br \/>\nsaber in\u00fatil<br \/>\no saco e a porra.<\/p>\n<p>Meu n\u00e3o \u00e9 o in\u00edcio,<br \/>\nmas o gargalo,<br \/>\no rente, o arrebol sorvido,<br \/>\neste escuro \u2013 noite que se ressente do frio,<br \/>\na fresta que observa,<br \/>\no liberto, o estio,<br \/>\nornamento dos dentes,<br \/>\npavor, pavio.<\/p>\n<p>Meu \u00e9 o fim<br \/>\njustificando a queda,<br \/>\no dedo \u2012 semente das unhas,<br \/>\no arvoredo brotando no intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Meu \u00e9 o absurdo,<br \/>\no privil\u00e9gio das horas,<br \/>\no beijo contado,<br \/>\no assobio, o assombro,<br \/>\no firmamento in\u00fatil.<\/p>\n<p>Meu \u00e9 o desafio,<br \/>\no preto e o branco<br \/>\ne este zelo<br \/>\npelas coisas perdidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A BOCA DO INEF\u00c1VEL<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cobre-te melhor<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;.<\/span>a seda rasgada,<br \/>\ncontornando teu corpo,<br \/>\nnas fendas do meu desejo.<br \/>\nE esse cheiro das madrugadas<br \/>\nem que me masturbo<br \/>\nde tanta ins\u00f4nia.<br \/>\nOs momentos perdidos,<br \/>\nem um sonho mau,<br \/>\ntornam justo esse pesar<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>por amanhecer,<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>e ter que partir<br \/>\nnessa rotina que me afasta de ti,<br \/>\nobscena mulher de l\u00edngua \u00e1spera,<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;<\/span>imensa,<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>onde derramo<br \/>\nminhas noites de macho,<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span>perdido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>SAUD\u00c1VEL<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Humores, farrapos,<br \/>\ncacha\u00e7a.<br \/>\nRumores, gargalos,<br \/>\ncaba\u00e7os.<br \/>\nBatuques, bagulhos,<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. ..<\/span>Carca\u00e7a.<br \/>\nE eu debru\u00e7ado<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/span>no ocaso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BACURAU<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando acordei<br \/>\no p\u00e1ssaro noturno<br \/>\npermanecia sob a vidra\u00e7a.<\/p>\n<p>O orvalho,<br \/>\nas penas mortas,<br \/>\no desatino da solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Fazia frio,<br \/>\ne meu pensamento<br \/>\ncaminhava perdido.<\/p>\n<p>Testemunhar o que \u00e9 casa,<br \/>\no que \u00e9 morte.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta a f\u00faria<br \/>\nenterrar-se at\u00e9 \u00e0 noite.<br \/>\nSaber rasgar as roupas,<br \/>\nfazer curativos<br \/>\nn\u00e3o devolve o ar roubado.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 o p\u00e1ssaro<br \/>\ne o descuido das formigas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>SUPERORNITORRINCO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acabou o sal<br \/>\n\u2015 desperdi\u00e7ado \u2015<br \/>\nentre os s\u00f3s,<\/p>\n<p>e cada entranha<br \/>\nbuscava o sustento<br \/>\ne a solid\u00e3o<br \/>\nnos escombros<br \/>\n\u2015 como um consolo<br \/>\nna estranheza.<\/p>\n<p>eu, ornitorrinco,<br \/>\nrid\u00edculo e \u00e9brio,<br \/>\nreduzido<br \/>\ne semelhante ao consolo<br \/>\ndos demais \u00e9brios,<br \/>\nressentia-me<br \/>\nda esperan\u00e7a<br \/>\ne claudicava de medo.<\/p>\n<p>n\u00e3o tinha lar,<br \/>\nn\u00e3o tinha sossego,<br \/>\nexpirava,<br \/>\ne o que me sustinha:<br \/>\n\u2015 o desterro.<\/p>\n<p>uma marca guardada,<br \/>\numa flor<br \/>\ne o desejo.<\/p>\n<p>chegara o dia<br \/>\nem que o temor me abra\u00e7ara<br \/>\ncom as trevas<br \/>\ne o pavor<br \/>\nda extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>troquei olhares,<br \/>\nent\u00e3o,<br \/>\ncom os perdidos no calabou\u00e7o<\/p>\n<p>e percebi o sol<br \/>\nque irrigava a terra<br \/>\ne o verde<br \/>\nque me brotava<br \/>\nentre os dedos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Jorge Elias Neto<\/em><\/strong><em> (1964) \u00e9 capixaba, m\u00e9dico \u201celetricista do cora\u00e7\u00e3o\u201d e poeta. Livros: Verdes versos (Vit\u00f3ria: Flor&amp;Cultura, 2007), Rascunhos do absurdo (Vit\u00f3ria: Flor&amp;Cultura, 2010), Os ossos da baleia (Vit\u00f3ria: Secult\u2013ES, 2013), Glacial (S\u00e3o Paulo: Patu\u00e1, 2014), Breve dicion\u00e1rio (po\u00e9tico) do boxe (S\u00e3o Paulo: Patu\u00e1, 2015), Cabotagem (Ilh\u00e9us: Mondrongo, 2016) e Brevi\u00e1rio dos olhos (Vit\u00f3ria: Edi\u00e7\u00e3o do autor, 2017).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poeta Jorge Elias Neto e os percursos de seu novo livro<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15083,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3532,2533],"tags":[11,154,3554,3555,159],"class_list":["post-15020","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-126a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-aperitivo-da-palavra","tag-jorge-elias-neto","tag-ornitorrinco","tag-pau-oco","tag-poemas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15020"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15020\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15121,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15020\/revisions\/15121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}