{"id":15309,"date":"2018-10-21T11:11:50","date_gmt":"2018-10-21T14:11:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=15309"},"modified":"2018-10-24T16:17:23","modified_gmt":"2018-10-24T19:17:23","slug":"janela-poetica-v-59","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/janela-poetica-v-59\/","title":{"rendered":"Janela Po\u00e9tica V"},"content":{"rendered":"<p><em>V\u00edtor Teves<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15311\" aria-describedby=\"caption-attachment-15311\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Ana-M-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15311 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Ana-M-1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Ana-M-1.jpg 450w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Ana-M-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Ana-M-1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15311\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Ana Matsusaki<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/span><span style=\"color: #ffffff;\">..<\/span><strong>\u2026N\u00c3O CORRESPONDIDOS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O oleiro cansado j\u00e1 n\u00e3o molda a forma. As<br \/>\nenrugadas m\u00e3os pousam sobre a mesa os<br \/>\nporos da pele do desejo. Calado espera, o<br \/>\nVelho sonhador, pelos tempos que lenta-<br \/>\nmente passam. N\u00e3o mais outra tentativa!<\/p>\n<p>A. A informe sensa\u00e7\u00e3o desaparece, lenta-<br \/>\nM. mente, em fios de sangue. Parado, j\u00e1<br \/>\nO. n\u00e3o desloca o grosso gr\u00e3o de areia da<br \/>\nR. argamassa in\u00fatil \u00e0 mesa. Oca, a forma<br \/>\nE. n\u00e3o mais nasceu perfeita. Vive hoje<\/p>\n<p>S. entre a espera e a imobilidade eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>POEMA FEITO COM FITA-COLA E ESFEROVITE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 falta de rica mat\u00e9ria-prima, a m\u00e3o<br \/>\nque desenha j\u00e1 n\u00e3o escava a forma<br \/>\npura. O rosto e o corpo mutilados<br \/>\nunem-se em fita-cola e esferovite.<\/p>\n<p>Reinventada a carne moribunda<br \/>\ncom mingadas e fracas palavras,<br \/>\na fealdade intensa do monstro,<br \/>\nabre lentamente a grande boca.<\/p>\n<p>O cr\u00e2nio feito em metal reusado,<br \/>\nabrindo e fechando, propaga o som<br \/>\ndesarticulado na plan\u00edcie plana.<\/p>\n<p>Pousada <em>Huma<\/em> perna sobre a folha<br \/>\no corpo articulado cospe farpas<br \/>\npontiagudas e <em>Bhabha<\/em> a quem o v\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>DON\u2019T FUCK WITH ME FELLAS!<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>THIS AIN\u2019T MY FIST<\/em> poem!<br \/>\nDizia o poeta, baixinho, gordo,<br \/>\ncom a cara irritada, vermelha,<br \/>\ncomo se fosse um peixe retirado<br \/>\ndo mar e que respirava a custo.<br \/>\nRealmente, quem lhe dera ter<br \/>\na boa inten\u00e7\u00e3o de se misturar<br \/>\ncom os melhores dos melhores?<\/p>\n<p>Aprender era o que dizia<br \/>\nquerer, um querer sincero,<br \/>\nsem qualquer macua ou vil<br \/>\nmal\u00edcia. Mas, bem sabemos,<br \/>\na sinceridade pouco acrescenta<br \/>\n\u00e0 grande e nobre literatura.<\/p>\n<p>E, assim irritado, uma esp\u00e9cie<br \/>\nde Joan Crawford arrancando<br \/>\na roupa dos cabides a meio da<br \/>\nnoite e batendo na filha pequena,<br \/>\nera ele atirando farpas afiadas<br \/>\na todos os seus colegas \u00e0 mesa.<\/p>\n<p>Tudo porque n\u00e3o conseguia<br \/>\nver que por detr\u00e1s da sua<br \/>\npequenez existia um ego<br \/>\nmaior que o \u00faltimo modelo<br \/>\nde bal\u00e3o quente, um que<br \/>\ndizia insistentemente:<br \/>\nEu Eu Eu Eu Eu e Eu.<\/p>\n<p>No fundo, todos gostavam<br \/>\ndos seus pequenos poemas,<br \/>\ncheios de ironia e s\u00edntese,<br \/>\nmas n\u00e3o suportavam aquele<br \/>\nseco olhar fotogr\u00e1fico que<br \/>\nregistava todo e qualquer<br \/>\narroto liter\u00e1rio dos literatos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O MEU NOVO NAMORADO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><em>Everthing is contained<\/em><br style=\"font-size: 10.72px;\" \/><span style=\"font-size: 10.72px;\">Herman Bas<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Egon passeando pela Steplansplatz olhava a catedral<br \/>\ne imaginava-se na pele de uma pequena rola que, em<br \/>\ntardes quentes, caminhava, lentamente, como se fosse<br \/>\num rato ou uma barata, no ziguezagueado do telhado.<br \/>\nNada disso tem a ver com o meu novo namorado,<br \/>\nsentado aqui no sof\u00e1, perdido em pensamentos que<br \/>\nn\u00e3o consigo ler. \u00c9 quando me debru\u00e7o sobre o rosto<br \/>\nque me vem \u00e0 retina os olhos de Egon, a sua pele<br \/>\ndesbotada a pincel e come\u00e7o a imagina-lo entre<br \/>\nas pombas de Steplansplatz. Aqui no sof\u00e1, vejo o<br \/>\nmeu novo namorado, calado, de perna cruzada e<br \/>\nimagino-o, por momentos, ser ele o pr\u00f3prio Egon<br \/>\naqui sentado entre a confus\u00e3o do meu est\u00fadio.<br \/>\nComo a um bolo, vou sobrepondo homens como<br \/>\nas camadas de tinta, imagens e aprendizagem,<br \/>\nporque para o meu ca\u00f3tico pincel nada tem entre<br \/>\nsi fronteira definida. Por isso, arrasto o meu pincel<br \/>\nem zonas de luz e me demoro na escurid\u00e3o da sala.<br \/>\nPintando no sil\u00eancio o pensamento daquele que,<br \/>\nagora, amo, dou por mim, sem querer, a fazer do<br \/>\nlume da lareira a chama sobre as suas suspensas<br \/>\ne grandes m\u00e3os, como se alguma luz divina me<br \/>\npudesse dizer em epifania: Este \u00e9 o verdadeiro<br \/>\nAmor. Eu limito-me a pintar esta que \u00e9 a minha<br \/>\nVida e espero pelo eminente colapso de tudo,<br \/>\ndos meus olhos, do meu corpo e desta chama.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DO IMPULSO OU DA DELICADESA, COM S.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O poeta altermoderno n\u00e3o pode errar a palavra,<br \/>\nnem alterar a sintaxe da frase, abolir a v\u00edrgula.<br \/>\nDeve, como conv\u00e9m \u00e0 m\u00e1quina, passar por todos<br \/>\nos estados de<em> forma\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito<\/em>: andar, apenas,<br \/>\ncronometrado com o c\u00e2none vigente, ler o bardo<br \/>\nA e o bardo C, ser formado em literaturas, l\u00ednguas,<br \/>\nQu\u00edmica, ter licenciatura, mestrado, doutoramento,<br \/>\nP\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em vegetarismo.<br \/>\nDeve comer figos em vez de cenouras, dizer adv\u00e9r-<br \/>\nbios e usar sempre o <em>N\u00f3s<\/em>. Dever\u00e1 amar a cidade,<\/p>\n<p>apenas a cidade, e citar dez poetas estrangeiros<br \/>\nnos seus poemas, saber dez ou vinte r\u00f3tulos de<br \/>\nbolachas, m\u00fasicas estranhas e ter voz de trov\u00e3o.<\/p>\n<p>E, se isso n\u00e3o chegar, dever\u00e1 tentar dizer o mes-<br \/>\nmo em todos as l\u00ednguas, mas com delicadeza. Se<br \/>\nusar o <em>Eu<\/em>, sem que ningu\u00e9m o veja, que seja um<br \/>\neu colado, fict\u00edcio e nunca autobiogr\u00e1fico. Deve,<br \/>\nsobretudo, escrever para satisfa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Ao anticorpo s\u00f3 lhe resta escrever palavras com<br \/>\ndelicadeza e, se poss\u00edvel, numa delicadesa m\u00ednima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>V\u00edtor Teves<\/em><\/strong><em> naceu em 1983 em Ponta Delgada, A\u00e7ores. \u00c9 licenciado em Hist\u00f3ria da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, sendo atualmente\u00a0aluno no Mestrado de Estudos Culturais e Interartes na mesma Faculdade. Publicou poemas em diferentes revistas (Trama #1,#2, Apneia #2,#3) e s\u00edtios de poesia (Bacana; Enfermaria 6; Gazeta de Poesia in\u00e9dita). Reuniu os seus primeiros poemas em \u201cDentes Tortos\u201d, edi\u00e7\u00e3o de autor que comporta poemas de 2007 a 2017. Al\u00e9m de participar regularmente com a editora Enfermaria 6 e escrever poesia, desenha e pinta. <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O peculiar estilo po\u00e9tico de V\u00edtor Teves<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15310,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3559,9],"tags":[3570,3303,107,159,3571,385,3569],"class_list":["post-15309","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-127a-leva","category-janelas-poeticas","tag-dentes-tortos","tag-enfermaria-6","tag-janela-poetica","tag-poemas","tag-porto","tag-portugal","tag-vitor-teves"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15309"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15315,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15309\/revisions\/15315"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}