{"id":15915,"date":"2018-12-16T12:29:40","date_gmt":"2018-12-16T15:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=15915"},"modified":"2018-12-17T21:47:52","modified_gmt":"2018-12-18T00:47:52","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-61","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-61\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p><em>Por S\u00e9rgio Tavares<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma propor\u00e7\u00e3o que uma boa escrita carece de t\u00e9cnica e imagina\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso que o escritor tenha sensibilidade para capturar e decifrar o esp\u00edrito do seu tempo. Em seu mais recente livro de contos, a mineira <strong>Elt\u00e2nia Andr\u00e9<\/strong> processa os c\u00f3digos que representam, cada vez mais, a sociedade contempor\u00e2nea, em especial a brasileira. \u201cDuelos\u201d trazem narrativas que se constroem a partir de disparos de viol\u00eancia, crimes de \u00f3dio, agruras urbanas, desmazelos e injusti\u00e7as sociais. S\u00e3o retratos muitos claros e contundentes do nosso cotidiano, que revelam o quanto perdemos o senso de absurdo e a capacidade de rea\u00e7\u00e3o, por exemplo, diante de mortes de crian\u00e7as pelas chamadas balas perdidas. \u201cH\u00e1 mais homic\u00eddios no Brasil do que \u200bnos anos do conflito no Vietn\u00e3 e atualmente\u00a0na guerra da S\u00edria, \u200bmas, em nosso pa\u00eds, esse passivo recai, em sua imensa\u00a0maioria, \u200bsobre as popula\u00e7\u00f5es desassistidas da periferia\u201d, lamenta a autora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista exclusiva \u00e0 Diversos Afins, Elt\u00e2nia conta sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o de seu livro, ao mesmo tempo que reflete sobre o Brasil de hoje, repartido por conturba\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edtico-partid\u00e1rias, e sobre o real poder da literatura em se oferecer como um instrumento de recondu\u00e7\u00e3o coletiva. \u201cMelhor seria se os livros fossem objetos \u00edntimos \u200bhabitando o imagin\u00e1rio do\u00a0nosso povo, mas tantos ainda precisam do b\u00e1sico e do urgente: sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o, escola, dignidade\u201d, alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Morando em Portugal h\u00e1 cerca de dois anos, a escritora ainda tra\u00e7a um paralelo entre a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria feita no Brasil e na Europa, constituindo um painel de pequenos detalhes que espelham a realidade atual do mercado do livro no Brasil e a sua pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com a escrita e a publica\u00e7\u00e3o. \u201cSeria bom se meus livros tivessem distribui\u00e7\u00e3o e fossem mais lidos, mas n\u00e3o houve nenhuma abertura. N\u00e3o gosto do sil\u00eancio\u00a0que se instala sobre os pedidos que lotam as caixas das (chamadas grandes) editoras, acho cruel e desrespeitoso\u200b a indiferen\u00e7a ou as cartinhas com negativas\u00a0\u200bautom\u00e1ticas e burocr\u00e1ticas\u201d, declara a autora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15920\" aria-describedby=\"caption-attachment-15920\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-I.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15920 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-I.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-I.jpg 375w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-I-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15920\" class=\"wp-caption-text\">Elt\u00e2nia Andr\u00e9 \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Seus livros anteriores s\u00e3o marcados pela explora\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio da mem\u00f3ria, no esteio de uma escrita com tend\u00eancia po\u00e9tica. \u201cDuelos\u201d, por outro lado, trata de uma realidade atual, regida por temas agudos e contundentes que ilustram o caos da sociedade brasileira. O que motivou tal mudan\u00e7a?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Aconteceu naturalmente. Quando percebi, a viol\u00eancia estava posta em v\u00e1rios contos. O que fiz foi ceder \u00e0 tem\u00e1tica e seguir produzindo\u00a0com o t\u00edtulo, \u201cDuelos\u201d, eleito. \u200bA\u00a0severidade da vida e a realidade que \u200bnos circundam\u00a0me guiaram na busca de personagens e hist\u00f3rias, por\u00e9m tentei atrav\u00e9s da linguagem levar um pouco de ternura, n\u00e3o sabendo se havia possibilidade do\u00a0paradoxo\u00a0\u200bou se seria poss\u00edvel suavizar a brutalidade. Mesmo assim arrisquei. Quanto \u00e0 mem\u00f3ria de longo prazo, ela tamb\u00e9m est\u00e1 presente em v\u00e1rios contos, com sutileza, talvez.\u00a0Os contos est\u00e3o circundados pelo horror ancestral, mas tamb\u00e9m pelo crescimento da viol\u00eancia urbana\u200b, circunst\u00e2ncias\u00a0que recheiam gr\u00e1ficos: h\u00e1 mais homic\u00eddios no Brasil do que \u200bnos anos do conflito no Vietn\u00e3 e atualmente\u00a0na guerra da S\u00edria, \u200bmas, em nosso pa\u00eds, esse passivo recai, em sua imensa\u00a0maioria, \u200bsobre as popula\u00e7\u00f5es desassistidas da periferia, sobretudo\u00a0jovens negros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; \u201cUma das mil e uma noites\u201d, conto que abre a colet\u00e2nea, acompanha uma cena chocante em que um jovem gay \u00e9 espancado por conta de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. At\u00e9 que ponto, voc\u00ea acredita, a literatura \u00e9 capaz de transcender seu valor art\u00edstico e servir como instrumento de alerta social?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0O narrador d\u200besse conto \u00e9 surpreendido pelo desejo de salvar a personagem, mas ele n\u00e3o tem o ant\u00eddoto para salvar o homem do veneno da estupidez.\u00a0Assim,\u00a0instala-se\u00a0no texto\u00a0a\u00a0ang\u00fastia\u00a0que paralisa a hist\u00f3ria\u00a0e\u00a0que faz a\u00a0\u00a0narra\u00e7\u00e3o se dilatar\u00a0em m\u00faltiplas\u00a0vias, exigindo do leitor a sa\u00edda brusca do cen\u00e1rio\u00a0de horror\u00a0e deixando, imediatamente,\u00a0o convite\u00a0para a pausa reflexiva. \u00c9 a ang\u00fastia da autora tamb\u00e9m, \u200bpois\u00a0tenho em mim tantas d\u00favidas\u00a0e, por outro lado, tanta f\u00e9 na arte. Mas, sim,\u00a0a\u00a0literatura\u00a0\u00e9\u00a0um dos instrumentos de alerta social, mas\u00a0suspeito que n\u00e3o seja apenas isso. H\u00e1 uma\u00a0pot\u00eancia,\u00a0que eu particularmente sinto, de que a literatura\u00a0me\u00a0permite estar em contato com\u00a0o sil\u00eancio para ouvir outras vozes, sem reservas, sem receios \u2013 personagens e mundos m\u00faltiplos. Paro\u00a0para ouvi-los, contemplo-os\u00a0e, em alguns casos,\u00a0torno-me\u00a0\u00edntima deles, outras vezes\u00a0me\u00a0torno outra(s) e assim fico mais pr\u00f3xima de mim. A literatura produz empatia, produz proximidade, arrisco a dizer que possa produzir novos sentidos; somos atravessados pelas palavras e num determinado momento essa for\u00e7a produz mudan\u00e7as. Tudo isso pode mobilizar individualmente ou coletivamente o universo social, mesmo que nos pare\u00e7a impercept\u00edvel. Melhor seria se os livros fossem objetos \u00edntimos \u200bhabitando o imagin\u00e1rio do\u00a0nosso povo, mas tantos ainda precisam do b\u00e1sico e do urgente: sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o, escola, dignidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Numa outra chave narrativa, alguns contos tratam de mecanismos de viol\u00eancia, que n\u00e3o se fortificam na brutalidade, mas que n\u00e3o deixam de ser viol\u00eancia, a exemplo do descaso p\u00fablico com a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a aposentadoria p\u00fablica. De maneira geral, s\u00e3o temas poucos explorados pela literatura brasileira. Voc\u00ea acredita que falta, aos escritores contempor\u00e2neos brasileiros, um olhar mais penetrante para esses problemas cotidianos, que parecem menores, mas n\u00e3o s\u00e3o?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Talvez esses temas estejam\u00a0\u200bdilu\u00eddos na literatura contempor\u00e2nea, impl\u00edcito na realidade das personagens, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel testemunharmos nosso tempo sem observarmos esses fen\u00f4menos que trituram nossas v\u00edsceras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 outro tema recorrente. Mulheres abusadas, oprimidas, inferiorizadas. Tra\u00e7ando um paralelo com a literatura, e levando em conta o \u00faltimo pr\u00eamio S\u00e3o Paulo de Literatura, que elegeu tr\u00eas escritoras campe\u00e3s, como analisa a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado liter\u00e1rio? Percebe que ainda h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es por parte das editoras, dos leitores, comparado aos espa\u00e7os permitidos aos homens?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0\u200bComemorei o\u00a0resultado do Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo, tr\u00eas mulheres vencedoras, mas gostaria que um dia fato\u200bs como esse n\u00e3o necessitasse\u200bm de comemora\u00e7\u00f5es ou fossem alvo de \u200buma vis\u00e3o pitoresca, entre\u00a0cr\u00edticas e\u00a0deboches, porque se pensarmos na quantidade de vezes que somente homens venceram pr\u00eamios\u200b, isso ocorreu sem nenhum\u00a0destaque ou suspeita.\u00a0Gostaria que um dia n\u00f3s tiv\u00e9ssemos \u200bnaturalmente esse\u00a0espa\u00e7o; a escrita como processo, como exerc\u00edcio e resultado de esfor\u00e7o combinado com talento. H\u00e1 tanto tempo as mulheres escrevem, o que deveria importar? A for\u00e7a da escrita\u200b, n\u00e3o a hierarquiza\u00e7\u00e3o ou os r\u00f3tulos. Seria mesmo bom se assim fosse!\u00a0O mercado liter\u00e1rio nunca foi imparcial, n\u00e3o s\u00f3 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres,\u00a0nem mesmo justo com as escolhas das obras, \u200bpois\u00a0nem sempre a qualidade \u00e9 o farol. Claro, percebo que h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es e h\u00e1 tratamentos desiguais. Mas n\u00e3o vamos nos calar. O Mulherio das Letras, que surgiu sob a batuta da escritora Maria Val\u00e9ria Rezende, tem mais de 6.600 mulheres. Um n\u00famero expressivo, n\u00e3o acha?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 O conto \u201cMatan\u00e7a de passarinhos\u201d, que integra seu novo livro, originalmente faz parte da colet\u00e2nea \u201cPerdidas \u2013 Hist\u00f3rias para crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam vez\u201d, que reuniu textos de autores em protesto aos casos repetidos de crian\u00e7as mortas por balas perdidas em comunidades carentes do Rio de Janeiro, no ano passado. Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o desse conto, e de qual maneira ele serviu de norte para a ideia central de \u201cDuelos\u201d?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Na verdade, eu j\u00e1 estava\u00a0quase terminando\u00a0o \u201cDuelos\u201d\u200b, quando Alexandre Staut me convidou para participar da antologia\u00a0\u201cPerdidas \u2013 Hist\u00f3rias para crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam vez\u201d. Mas \u00e9 sempre dif\u00edcil enfrentar essa guerra em que as nossas crian\u00e7as s\u00e3o alvo,\u00a0ao inv\u00e9s de receberem prote\u00e7\u00e3o e direitos, \u200bcomo os que est\u00e3o inseridos no ECA (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente). A realidade \u00e9\u00a0\u200brude, meu amigo:\u00a0Maria Eduarda tinha 13 anos,\u00a0cursava o s\u00e9timo ano do Ensino Fundamental e estava participando de uma aula de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, numa Escola da Zona Norte do Rio de Janeiro, no momento em que foi beber \u00e1gua e recebeu em seu corpo os disparos de fuzis. Muitas outras crian\u00e7as e adolescentes foram v\u00edtimas de hist\u00f3rias tr\u00e1gicas.\u00a0\u201cMatan\u00e7a de passarinhos\u201d\u00a0foi escrito com muita tristeza, e confesso que gostaria que fosse totalmente ficcional e distante da realidade, mas \u00e9 uma fotografia do Brasil, infelizmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 H\u00e1 uma frase muito emblem\u00e1tica no conto \u201cPoesia que ningu\u00e9m l\u00ea\u201d, que diz: \u201cOs versos inacabados estar\u00e3o sobre as contas a pagar na segunda gaveta do criado\u201d. \u00c9 uma imagem muito representativa da rela\u00e7\u00e3o entre vida comum e a literatura; do quanto escrever, no Brasil, pode ser comparado a uma obsess\u00e3o diante da aus\u00eancia de qualquer recompensa associada, sobretudo a financeira. Por que,\u00a0ent\u00e3o, seguir escrevendo? E, principalmente contos, que \u00e9 um g\u00eanero\u00a0mal visto\u00a0pelo mercado?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Tamb\u00e9m insisto em me questionar. N\u00e3o \u00e9 mesmo f\u00e1cil enfrentar as contas na gaveta e o poema que insiste em sobrepor\u200b-se \u00e0\u00a0matem\u00e1tica e \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es di\u00e1rias.\u00a0A maioria de n\u00f3s precisa se dedicar a outro trabalho para sustentar tamb\u00e9m a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Mas o que mais me incomoda \u00e9 ter que ser a caixeira\u200b-viajante, mascate\u00a0da minha obra, isso \u00e9 bastante desconfort\u00e1vel. Escrevi o\u00a0artigo\u00a0\u201cPor que escrevemos\u201d, \u200bque\u00a0foi publicado\u00a0em dezembro de 2017, na revista\u00a0Caliban,\u00a0de Lisboa, para tentar encontrar algumas pistas para es\u200bsa interroga\u00e7\u00e3o que me assalta frequentemente. N\u00e3o encontrei uma resposta justa, mas n\u00e3o consigo parar de escrever (algumas vezes penso que deveria). Encontrei esse modo de comunica\u00e7\u00e3o comigo mesma e com o mundo que teima em n\u00e3o cessar.\u00a0\u00a0Quanto ao g\u00eanero do conto, eu n\u00e3o me importo com o tratamento do mercado, tenho muitos contos ainda para produzir, e quer saber: dane-se a ditadura do mercado, o conto \u00e9 soberbo e valente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15921\" aria-describedby=\"caption-attachment-15921\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-II.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15921 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-II.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-II.jpg 375w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Eltania-Int-II-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15921\" class=\"wp-caption-text\">Elt\u00e2nia Andr\u00e9 \/ Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Seus livros foram publicados por editoras de m\u00e9dio e de pequeno porte. Isso se deve a uma escolha sua, pensando em ter mais ger\u00eancia sobre a prepara\u00e7\u00e3o de suas obras, ou chegou a tentar contato com editoras de maior circula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o obteve \u00eaxito? Qual sua rela\u00e7\u00e3o com o mercado do livro?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Ainda n\u00e3o tentei encaminhar meus livros para editoras de maior circula\u00e7\u00e3o, desacredito que serei avaliada. Seria bom se meus livros tivessem distribui\u00e7\u00e3o e fossem mais lidos, mas n\u00e3o houve nenhuma abertura. Sou orgulhosa, n\u00e3o gosto do sil\u00eancio\u00a0que se instala sobre os pedidos que lotam as caixas das editoras, acho cruel e desrespeitosa\u200b a indiferen\u00e7a ou as cartinhas com negativas\u00a0\u200bautom\u00e1ticas e burocr\u00e1ticas (n\u00e3o creio que leiam os textos sem que haja indica\u00e7\u00f5es). Admiro o trabalho das pequenas editoras, como a Patu\u00e1, que publicou meu romance \u201cPara Fugir dos Vivos\u201d e \u201cDuelos\u201d. Reconhe\u00e7o que vem apresentando ao mercado livros excelentes, com primoroso trabalho est\u00e9tico e, al\u00e9m disso, h\u00e1 a abertura do di\u00e1logo com os editores.\u00a0 \u200bAfinal, justi\u00e7a seja feita, s\u00e3o esses laboriosos pequenos editores que nos d\u00e3o vez e voz num cen\u00e1rio t\u00e3o viciado, e j\u00e1 algum tempo temos visto autores dessas casas serem contemplados com pr\u00eamios nacionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Voc\u00ea \u00e9 natural de Minas Gerais, mas j\u00e1 morou em S\u00e3o Paulo e agora est\u00e1 radicada em Portugal. O quanto a exist\u00eancia por essas cidades trouxe de enriquecedor para a captura de temas e o desenvolvimento de sua escrita?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0<\/strong><strong>\u2013<\/strong>\u00a0Nasci\u00a0e vivi durante 24 anos em Cataguases, e foi\u00a0convivendo\u00a0com meu irm\u00e3o\u00a0(que se encantou com a poesia, publicou\u00a0um livro\u00a0artesanal\u00a0e,\u00a0meses depois, morreu\u200b precocemente, aos 19 anos,\u00a0v\u00edtima de um acidente)\u00a0que o desejo ins\u00f3lito de ser futuramente uma escritora foi despertado\u00a0e ficou\u00a0hibernado\u00a0por anos.\u00a0Em 1990, decido\u00a0viver em\u00a0Belo Horizonte\u00a0e l\u00e1 permane\u00e7o por uns 15 anos. De 2004 at\u00e9 2009, permane\u00e7o\u00a0em Barbacena,\u00a0para estudar Psicologia. Em 2007, come\u00e7o a escrever e publico,\u00a0apressadamente e de forma independente,\u00a0meu primeiro livro\u00a0de contos,\u00a0\u200b\u201dMeu nome agora \u00e9 Jaque\u201d. Depois de minha formatura e de meu casamento, parto para\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0e l\u00e1 fico por muitos anos. A escrita passa a fazer parte de minha rotina e finalizo os livros\u00a0\u201cManh\u00e3s Adiadas\u201d, contos,\u00a0selecionado pelo PROAC e publicado pela Editora Dobra, em 2012;\u00a0\u201cPara fugir dos Vivos\u201d, romance, publicado pela editora Patu\u00e1, em 2015;\u00a0e \u201cDiolindas\u201d, romance escrito em parceria com Ronaldo Cagiano, que saiu pela Editora\u00a0Penalux, em\u00a02016.\u00a0Em janeiro de 2017, saio do Brasil, passo a viver em\u00a0Lisboa\u00a0e continuo a escrever e revisar \u201cDuelos\u201d, que, em agosto deste ano, \u00e9 lan\u00e7ado pela Patu\u00e1.\u00a0Sair do territ\u00f3rio natal foi o primeiro\u00a0e\u00a0fundamental\u00a0passo\u00a0para minha forma\u00e7\u00e3o \u200be experi\u00eancia\u00a0existencial, pois o deslocamento nunca \u00e9 apenas geogr\u00e1fico. \u00c9 um tr\u00e2nsito filos\u00f3fico, \u00e9 tornar-se outro, \u00e9 a met\u00e1fora da\u00a0err\u00e2ncia\u00a0no sentido de desviar-se do caminho original, espalhar-se em outras dire\u00e7\u00f5es e, ao mesmo tempo, carregar em si e na mem\u00f3ria\u00a0o que fomos na representa\u00e7\u00e3o do passado com todas as suas complexidades. S\u00f3 consegui come\u00e7ar a escrever depois de muitos rompimentos: com o mercado, com Deus; com valores\u00a0que\u00a0introjetei\u00a0da cultura e do senso comum.\u00a0A literatura exigiu um enfrentamento comigo mesma.\u00a0O deslocamento f\u00edsico\u00a0acaba refletindo no subjetivo e tudo isso implica na linguagem, na vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Falando em Portugal, do tempo em que voc\u00ea reside na terra-m\u00e3e, qual a sua impress\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o dos portugueses com a literatura? Especificamente, no que diz respeito ao interesse pela leitura e por eventos associados ao contexto liter\u00e1rio, levando em conta tamb\u00e9m a maneira que enxergam a literatura brasileira?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Como disse acima, cheguei a Portugal em\u00a0janeiro\u00a0de 2017. Desde o in\u00edcio, comecei a ler autores portugueses; muitos dos quais n\u00e3o temos acesso no Brasil.\u00a0\u00a0Durante um per\u00edodo li com intensidade escritoras portuguesas\u00a0\u200bde uma prosa visceral, entre as quais Maria Velho da Costa,\u00a0H\u00e9lia\u00a0Correia,\u00a0Agustina Bessa-Luis,\u00a0Gisela Ramos Rosa, Maria Jo\u00e3o Cantinho,\u00a0Teolinda Gers\u00e3o, L\u00eddia Jorge, Maria Teresa Horta, Maria Gabriela Llansol, In\u00eas Louren\u00e7o,\u00a0Maria do Ros\u00e1rio Pedreira, Sophia de M. B.\u00a0Adrensen, Maria Judite de Carvalho e Ana Margarida de Carvalho. A literatura portuguesa \u00e9 riqu\u00edssima, e ainda \u200bh\u00e1 um f\u00e9rtil terreno ficcional e po\u00e9tico a se explorar.\u00a0 Percebo que a Clarice Lispector foi eleita como um c\u00e2none da literatura brasileira. Encontramos nas livrarias de Portugal os nossos cl\u00e1ssicos e alguns contempor\u00e2neos, mas poderia haver um interesse maior j\u00e1 que falamos a mesma l\u00edngua\u200b. Percebo que o acesso \u00e0 literatura brasileira, em Portugal, ainda \u00e9 pontual. A m\u00fasica brasileira, sim, \u00e9 muito apreciada pelos portugueses\u200b e tem hist\u00f3rica difus\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Seu marido, o escritor Ronaldo Cagiano, acaba de lan\u00e7ar seu segundo livro por uma editora portuguesa. Como funciona essa rela\u00e7\u00e3o de autores brasileiros com selos de livros em Portugal? \u00c9 mais f\u00e1cil, para um escritor brasileiro, lan\u00e7ar um livro em Portugal que no Brasil?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Mais f\u00e1cil no Brasil. N\u00e3o acredito que haja uma boa abertura para os autores brasileiros, as editoras portuguesas n\u00e3o est\u00e3o de bra\u00e7os abertos para a literatura do Brasil\u200b, h\u00e1 resist\u00eancia ou desinteresse, que n\u00e3o \u00e9 de hoje, uma esp\u00e9cie de mecanismo de defesa contra a bibliografia brasileira, que \u00e9 enorme. H\u00e1 algumas pequenas editoras que t\u00eam publicado brasileiros, sobretudo na poesia, mas s\u00e3o poucas. Caso o livro tenha tido uma boa repercuss\u00e3o no mercado nacional, a possibilidade \u00e9 maior.\u00a0Em editoras de m\u00e9dio e de grande porte \u00e9 conveniente que o autor tenha contrato com algum agente liter\u00e1rio\u200b, pois na Europa s\u00e3o esses profissionais que induzem os editores a public\u00e1-los, diferente do Brasil, onde ainda funciona o contato autor-editor. A figura do agente liter\u00e1rio no Brasil \u00e9 quase dispens\u00e1vel para os autores novatos ou ainda n\u00e3o reconhecidos pelo mercado; funciona bem para os j\u00e1 estabelecidos. Por outro lado, a publica\u00e7\u00e3o de portugueses no Brasil tem sido facilitada, porque h\u00e1 incentivos, como a DJLAB (Dire\u00e7\u00e3o Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas), que apoiam e incentivam a publica\u00e7\u00e3o no Brasil de obras de autores portugueses e de pa\u00edses africanos da mesma l\u00edngua.\u00a0H\u00e1 tamb\u00e9m o nosso franco interesse pela literatura portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Na condi\u00e7\u00e3o de autora, e tamb\u00e9m de leitora, o que mais lhe impactou na maneira de tratar o escritor e o livro no continente europeu?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Ainda me sinto prematura para responder esta quest\u00e3o. Mas notei pequenos detalhes, por exemplo, quando ocorrem os lan\u00e7amentos\u200b, os livros s\u00e3o analisados e apresentados para o p\u00fablico e para o autor. \u00c9 um momento de muito respeito e de celebra\u00e7\u00e3o da literatura. N\u00e3o \u00e9 apenas um encontro para aut\u00f3grafos.\u00a0\u200bEssa \u00e9 uma pr\u00e1tica tradicional, em que um livro n\u00e3o \u00e9 apenas um acontecimento social, mas uma oportunidade de se conhecer autor e obra e, para tanto, antecede-se uma mesa, com algum convidado apresentando a obra do autor em lan\u00e7amento. Nas Feiras do Livro, os autores p\u00f5em-se dispon\u00edveis e pr\u00f3ximos dos leitores, \u00e9 f\u00e1cil o acesso. Outra observa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que frequento muito as bibliotecas, est\u00e3o espalhadas pelas freguesias, e \u00e9 muito bom v\u00ea-las sempre cheias, principalmente de estudantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 De volta aos debates que estimulam seus contos, recentemente tivemos uma elei\u00e7\u00e3o para presidente do Brasil, na qual muitos artistas abriram seus votos via rede social. Voc\u00ea acha que \u00e9 dever do escritor se manifestar publicamente, defendendo uma bandeira ideol\u00f3gica, ou a pol\u00edtica pertence mais ao cidad\u00e3o que ao artista?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0A arte acaba exigindo um embate com\u00a0o mundo e sabemos que a pol\u00edtica interfere diretamente na vida das pessoas. Na verdade, a literatura tamb\u00e9m \u00e9 um ato pol\u00edtico. N\u00e3o estou falando de pol\u00edtica partid\u00e1ria. Quanto aos autores, admiro os que est\u00e3o ao lado dos direitos humanos, da igualdade social, da diversidade, admiro os que lutam, os que se exp\u00f5em.\u00a0E estranho os que se isentam ou aqueles que escolhem ficar ao lado contr\u00e1rio, como o do fascismo. Cidad\u00e3o e artista, em sua ess\u00eancia, s\u00e3o os mesmos, n\u00e3o h\u00e1 como separar um do outro. Respeito, entretanto, o modo que cada um encontra para se manifestar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Dos dramas tratados em seu livro, como o poder da leitura pode incidir de maneira a p\u00f4r um fim?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0N\u00e3o h\u00e1 como p\u00f4r um fim, \u200besse ideal seria uma utopia. H\u00e1 retrocesso\u200bs que avacalham com a\u00a0\u200bciviliza\u00e7\u00e3o e a\u00a0humanidade \u2013 j\u00e1 era tempo de igualdade e paz, mas a irracionalidade do homem n\u00e3o deixa. No Brasil, o desafio \u00e9 enorme e h\u00e1 um longo caminho pela frente. Muitos dos dramas podem ser tratados com adequadas pol\u00edticas p\u00fablicas,\u200b como por exemplo\u00a0\u200ba viol\u00eancia urbana. E o acesso ao conhecimento e aos livros s\u00e3o ferramentas poderosas.\u00a0\u00a0Mas diante do golpe de 2016 e o resultado da elei\u00e7\u00e3o deste ano, como ser otimista?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA \u2013 Qual o maior duelo em ser um escritor no Brasil? \u00c9 poss\u00edvel sair vencedor, de alguma forma?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ELT\u00c2NIA ANDR\u00c9\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0Os meus s\u00e3o v\u00e1rios, e todos passam pela ang\u00fastia. Primeiro e constante \u00e9 luta solit\u00e1ria com o que borbulha desordenadamente dentro e o que respinga na folha branca, depois burilar, lapidar \u2013 sempre fica um resto que n\u00e3o sabemos bem se ter\u00e1 fim, mas tudo bem, ele \u00e9 amea\u00e7ador, mas produtivo. Desse duelo pessoal, passamos a ansiedade p\u00f3s-criativa: encontrar editora, prazos que se prorrogam, lan\u00e7amento, expectativas quanto \u00e0 receptividade e um mont\u00e3o de eteceteras. N\u00e3o h\u00e1 vencedores muito antes de Auschwitz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>S\u00e9rgio Tavares<\/em><\/strong><em> nasceu em 1978. \u00c9 autor de \u201cQueda da pr\u00f3pria altura\u201d, finalista do 2\u00ba Pr\u00eamio Bras\u00edlia de Literatura, e \u201cCavala\u201d, vencedor do Pr\u00eamio Sesc de Literatura. Alguns de seus contos foram traduzidos para o ingl\u00eas, o italiano, o japon\u00eas e o espanhol. Participa da edi\u00e7\u00e3o seis da Machado de Assis Magazine, lan\u00e7ada no Sal\u00e3o do Livro de Paris.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tendo como alvo principal a literatura e seus desafios, S\u00e9rgio Tavares entrevista a escritora Elt\u00e2nia Andr\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3582,16,2539],"tags":[3584,63,8,1023],"class_list":["post-15915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-128a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-eltania-andre","tag-entrevista","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-sergio-tavares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15915"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15923,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15915\/revisions\/15923"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}