{"id":1594,"date":"2012-06-04T16:29:47","date_gmt":"2012-06-04T19:29:47","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=1594"},"modified":"2018-10-17T15:49:55","modified_gmt":"2018-10-17T18:49:55","slug":"pequena-sabatina-ao-artista-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/pequena-sabatina-ao-artista-3\/","title":{"rendered":"Pequena Sabatina ao Artista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Fabr\u00edcio Brand\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Navegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso<\/em>, apregoavam sabiamente os versos de Fernando Pessoa. E pedindo a devida licen\u00e7a ao poeta lusitano, eis que nos \u00e9 poss\u00edvel manipular a frase para indicar algo que parece ser imperativo em nossa contempor\u00e2nea idade: realizar \u00e9 preciso. No entanto, \u00e9 mister de qualquer autor que se preze a perspectiva da a\u00e7\u00e3o acompanhada por crit\u00e9rios que signifiquem um compromisso consistente com a qualidade. Indo mais al\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel um subverter do arremate \u201cviver n\u00e3o \u00e9 preciso\u201d, transformando-o numa apreens\u00e3o ampla do existir, fazendo com que cada palavra expelida em texto seja a necess\u00e1ria afirma\u00e7\u00e3o do sopro vital. Qual motivo perene de se estar no mundo, o exerc\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o mostra-se assim, envolto na percep\u00e7\u00e3o de que o todo circundante, com toda a sua sorte de abstra\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, \u00e9 instrumento inalien\u00e1vel nas m\u00e3os de um escritor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazendo uso apurado de recursos que derivam de um olhar sens\u00edvel da exist\u00eancia, o poeta <span style=\"color: #0000ff;\"><a href=\"http:\/\/jivmcavaleirodefogo.blogspot.com.br\/ \"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Jos\u00e9 In\u00e1cio Vieira de Melo<\/strong><\/span><\/a><\/span>\u00a0 re\u00fane muitos dos atributos relatados at\u00e9 aqui. Alagoano de nascimento, o autor elegeu a Bahia como morada e muito de sua obra est\u00e1 impregnado daquilo que podemos chamar de mem\u00f3ria dos lugares. Em sua express\u00e3o po\u00e9tica, Jos\u00e9 In\u00e1cio deixa coabitarem pacificamente paisagens f\u00edsicas e humanas, fazendo com que a reafirma\u00e7\u00e3o da vida pontue de modo bastante especial a trajet\u00f3ria de seus versos. Vestido com a armadura de suas letras, eis que o poeta busca, na simplicidade buc\u00f3lica de suas imagens, um caminho sublime para a cria\u00e7\u00e3o. O autor de livros como <em>Decifra\u00e7\u00e3o de Abismos, A Terceira Romaria<\/em>, <em>A Inf\u00e2ncia do Centauro<\/em> e <em>Roseiral <\/em>agora est\u00e1 prestes a nos abrir as cancelas po\u00e9ticas de <em>Pedra S\u00f3<\/em>, seu mais recente fruto liter\u00e1rio, e que ser\u00e1 lan\u00e7ado em setembro pr\u00f3ximo pela Escrituras Editora. E foi para falar um pouco sobre sua nova cria\u00e7\u00e3o e outros tantos assuntos intimamente ligados ao of\u00edcio das palavras que o poeta gentilmente acolheu a Diversos Afins para uma valiosa conversa. Adentrando a soleira dos seus dom\u00ednios feitos de versos, o cavaleiro de fogo Jos\u00e9 In\u00e1cio Vieira de Melo, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecido, desfila suas ideias tendo nos olhos o brilho necess\u00e1rio do encantamento pela vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1596\" aria-describedby=\"caption-attachment-1596\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1596\" title=\"Jos\u00e9 In\u00e1cio menor\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor.jpg 347w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor-208x300.jpg 208w\" sizes=\"auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1596\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 In\u00e1cio Vieira de Melo por Ricardo Prado<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O tra\u00e7o essencial de sua poesia \u00e9 marcado por um universo feito de imagens, atravessando paisagens humanas e estabelecendo uma \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com um sert\u00e3o de mem\u00f3rias. O que dizer dessa g\u00eanese de palavras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JOS\u00c9 IN\u00c1CIO VIEIRA DE MELO \u2013<\/strong> O que dizer? As palavras me escolheram ou eu as escolhi? A paisagem po\u00e9tica da minha poesia tanto \u00e9 uma paisagem que observo como tamb\u00e9m \u00e9 a paisagem na qual estou inserido. O meu Sert\u00e3o \u00e9 o Tao do Ser de um ser t\u00e3o perplexo e deslumbrado com a exist\u00eancia. Sinto que a minha cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0s minhas origens geogr\u00e1ficas e humanas, embora saiba que esses fatores n\u00e3o s\u00e3o determinantes. A minha poesia \u00e9 feita fundamentalmente a partir do que vivi e do que vivo. Vivencio a poesia de cada momento. Como diz a minha poeta de cabeceira, Cec\u00edlia Meireles: \u201cEu canto porque o instante existe\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A por\u00e7\u00e3o existencialista de seus versos ganha uma dimens\u00e3o toda especial num livro como <em>Roseiral<\/em>, obra que exala o vigor de mist\u00e9rios humanos. Em que medida as palavras denunciam o espanto de se estar vivo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> As palavras, dentro da poesia que fa\u00e7o, n\u00e3o buscam outra coisa que n\u00e3o seja dar express\u00e3o ao meu sentimento. E o meu sentimento de perplexidade \u00e9 enorme, \u00e9 absurdo e n\u00e3o suporta amarras. No livro <em>Roseiral <\/em>fui tomado por uma revolta que desconhecia. Agi com uma carnalidade instintiva, portanto os impulsos da minha escrita sobrepuseram, muitas vezes, qualquer tentativa de conten\u00e7\u00e3o de linguagem e ou de um formalismo comportado. Ent\u00e3o, as palavras buscam denunciar, em sua potencialidade, todo espanto do meu ser diante da imensid\u00e3o do Cosmo. \u00c9 como est\u00e1 l\u00e1 no <em>Roseiral<\/em>, no poema \u201cRosa viva\u201d: \u201cMinhas palavras ardem a forjar\/ estas flores que canto por prazer\/ e que d\u00e3o febre e fazem delirar\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; A capacidade de transcend\u00eancia \u00e9 o grande trunfo de um poeta?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> H\u00e1 muitos poetas que nem sequer acreditam em transcend\u00eancia, como \u00e9 o caso do meu amigo Luis Antonio Cajazeira Ramos. Para o grande poeta, autor do magn\u00edfico livro <em>Mais que sempre<\/em>, essa conversa de transcend\u00eancia \u00e9 papo furado. Agora, \u00e9 imposs\u00edvel de se imaginar o poeta Jorge de Lima sem os del\u00edrios de f\u00e9, sem o fervor da transcend\u00eancia po\u00e9tica e sem as epifanias. Pois bem, sou da estirpe de Jorge de Lima. A transcend\u00eancia \u00e9 a minha gl\u00f3ria. Por conta do sentimento do sagrado e do sublime \u00e9 que me afino tanto com poetas como Gerardo Mello Mour\u00e3o, Santo Souza e Francisco Carvalho, assim como com outros bem mais jovens, como a Mariana Ianelli e o Alexandre Bonafim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Mesmo agu\u00e7adas doses de lucidez e racionalidade poderiam n\u00e3o ser suficientes para afastar os efeitos, se \u00e9 que seja poss\u00edvel considerar assim, m\u00edsticos das palavras. Voc\u00ea cr\u00ea numa perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o humana atrav\u00e9s da literatura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> A palavra tem efeito m\u00edstico para quem \u00e9 m\u00edstico, para quem tem espiritualidade. Como Novalis, acredito que \u201ca poesia \u00e9 a religi\u00e3o original da humanidade\u201d. Todos n\u00f3s estamos em constante processo de transforma\u00e7\u00e3o, portanto tudo contribui para a nova conforma\u00e7\u00e3o do ser em processo. A literatura amplia os horizontes, traz novas possibilidades, \u00e9 uma fonte de conhecimento. E o conhecimento \u00e9 caminho de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Que aspectos voc\u00ea considera como sendo os mais importantes na constru\u00e7\u00e3o de um debate sobre a poesia contempor\u00e2nea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> A poesia contempor\u00e2nea \u00e9 a que est\u00e1 sendo feita a todo instante, portanto \u00e9 algo que est\u00e1 em constante processo de transforma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o adquire uma conforma\u00e7\u00e3o com limites bem delineados, visto que a cada dia surgem novos poetas. Se a inten\u00e7\u00e3o do debate \u00e9 fazer uma an\u00e1lise cr\u00edtica atribuindo valora\u00e7\u00e3o, h\u00e1 de se fazer um recorte, pegando a produ\u00e7\u00e3o de um determinado per\u00edodo, na qual j\u00e1 seja poss\u00edvel identificar alguns aspectos est\u00e9ticos consolidados. A partir da constata\u00e7\u00e3o, levantar quest\u00f5es, fazer compara\u00e7\u00f5es e aproxima\u00e7\u00f5es com o que veio antes, com o que j\u00e1 est\u00e1 estabelecido, ou seja, com os c\u00e2nones. Confesso que estou muito mais propenso a criar circunst\u00e2ncias para a divulga\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dos poetas que est\u00e3o surgindo, atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o de livros e da participa\u00e7\u00e3o dos poetas em projetos que promovam a leitura dessa produ\u00e7\u00e3o. O tempo \u00e9 o grande definidor daquilo que ter\u00e1 uma perman\u00eancia maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Atualmente, a m\u00faltipla apropria\u00e7\u00e3o do verso livre parece causar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de que fazer poesia \u00e9 algo f\u00e1cil. Nesse sentido, a cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica n\u00e3o anda um tanto banalizada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> N\u00e3o me alio aos puristas. Quanto mais pessoas existirem praticando seus versos, melhor. N\u00e3o estou defendendo quantidade, prezo pela qualidade. Mas fico muito contente quando vejo algu\u00e9m al\u00e7ar voo no seu del\u00edrio e escrever um poema, por mais ing\u00eanuo que seja. Na verdade, o que me desagrada mesmo s\u00e3o os pretensiosos \u2013 aqueles que se arvoram de grandes poetas e que passam a ditar seus conceitos min\u00fasculos e a determinar o que \u00e9 bom e o que \u00e9 ruim, a partir de seu gosto pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verso livre \u00e9 o mais acess\u00edvel, pois qualquer um pode escrever uma estrofe composta de linhas irregulares e dizer que \u00e9 um poema. Que maravilha! Sabemos, por\u00e9m, que fazer poesia com versos livres \u00e9 bastante complicado, pois requer muita habilidade por parte do poeta, visto que cada verso tem sua medida e que, ainda assim, \u00e9 preciso construir um ritmo que reja a pe\u00e7a como um todo. De vez em quando, leio alguns poetas que se vangloriam de s\u00f3 fazer e apreciar poesia medida e rimada. E ainda t\u00eam a petul\u00e2ncia de afirmar que se n\u00e3o tiver esses atributos t\u00e9cnicos, n\u00e3o \u00e9 poesia. Uma afirma\u00e7\u00e3o dessa natureza, para mim demonstra uma grande limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que bom que as pessoas estejam cada vez mais escrevendo versos, publicando-os em seus blogs ou em colet\u00e2neas. Agora, se o sujeito, realmente, est\u00e1 interessado em seguir pelo pedregoso caminho da arte, e, como diria Jorge de Lima, for um assinalado, ou ainda no dizer de Ruy Espinheira Filho, for um fatalizado, perceber\u00e1 que a coisa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o! E investir\u00e1 a maior parte de sua vida em leituras e no exerc\u00edcio constante da escrita. Ou ent\u00e3o, os que buscam facilidades, logo desistir\u00e3o ou continuar\u00e3o, por algum tempo, escrevendo algo que n\u00e3o repercutir\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem leva a poesia a s\u00e9rio, est\u00e1 sempre a ler poesia, est\u00e1 sempre a buscar seu caminho, na tentativa de encontrar e de aperfei\u00e7oar sua dic\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, seu ritmo, seu verso. Sabe que \u00e9 um compromisso para toda a exist\u00eancia. E tamb\u00e9m tem consci\u00eancia de que pouco, ou nada, ter\u00e1 de recompensa. Quem faz poesia pensando em ter um grande reconhecimento est\u00e1 fadado a sofrer decep\u00e7\u00f5es por toda a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Talvez seja muito cedo ainda para se falar na consolida\u00e7\u00e3o de uma nova gera\u00e7\u00e3o de poetas, mas, na sua opini\u00e3o, o que ser\u00e1 fundamentalmente necess\u00e1rio para que isso ocorra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> Realmente, \u00e9 muito cedo. O que ser\u00e1 fundamentalmente necess\u00e1rio? Que os poetas continuem fazendo poemas, publicando seus livros e que o tempo passe&#8230; Com o passar da peneira do tempo, inevitavelmente, essa nova gera\u00e7\u00e3o que voc\u00ea menciona se configurar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Voc\u00ea tem um engajamento muito intenso no que se refere \u00e0 articula\u00e7\u00e3o de eventos, nos quais est\u00e3o envolvidos, sobretudo, novos autores. Como \u00e9 que se d\u00e1 essa aproxima\u00e7\u00e3o com tais escritores e quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas que, a seu ver, pontuam com mais \u00eanfase as letras destes criadores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> \u00c9 que vejo muita gente reclamando, lamuriando-se, choramingando. No entanto, s\u00e3o poucas as pessoas que t\u00eam a coragem de fazer alguma coisa. E aqueles tantos que choramingam e reclamam s\u00e3o os primeiros a encontrar defeito nas atividades que s\u00e3o realizadas. Eu sempre me coloquei no lugar de fazer as coisas. De buscar alternativas. Os projetos que realizo n\u00e3o contemplam, sobretudo, jovens. D\u00e3o oportunidades a poetas de todas as faixas e vertentes. Desde 2001 que venho coordenando eventos e, na medida do poss\u00edvel, tento contemplar a diversidade da poesia baiana. \u00c9 claro que sempre h\u00e1 os insatisfeitos, que s\u00e3o aqueles que acham que deveriam ser sempre convocados, por se atribuir um valor que efetivamente n\u00e3o t\u00eam. Outros nunca ser\u00e3o sequer mencionados, porque n\u00e3o vou me envolver com delinquentes nem muito menos com canalhas, elementos que com certeza vivem apenas em fun\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o. Esses, para mim, n\u00e3o existem. E pronto! E ponto! Que fa\u00e7am seus eventos, que arrebanhem multid\u00f5es para a sua pretensa alta poesia. Eu n\u00e3o dou a m\u00ednima. H\u00e1 meia d\u00fazia de desesperados que vivem tentando achincalhar as coisas que fa\u00e7o. Berram, ciscam, bufam, gemem, ganem e eu continuo na minha caminhada. O engra\u00e7ado \u00e9 que toda vez que esses pobres diabos tentam me prejudicar, imediatamente acontece algo muito bom para mim. \u00c9 sintom\u00e1tico. De modo que me d\u00e3o sorte. S\u00e3o um amuleto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas voltando a responder a sua pergunta, os projetos que coordeno, na sua maioria s\u00e3o voltados para a poesia brasileira contempor\u00e2nea, com destaque para a poesia baiana. E repito, n\u00e3o s\u00e3o voltados principalmente para novos autores, mas para os poetas em geral. J\u00e1 coordenei projetos em Salvador, Marac\u00e1s, Planaltino e Jequi\u00e9. Levei poetas baianos da gera\u00e7\u00e3o sessenta, como Florisvaldo Mattos, Myriam Fraga, Antonio Brasileiro, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Paranhos, Ild\u00e1sio Tavares, Ruy Espinheira Filho, e da gera\u00e7\u00e3o oitenta, como Roberval Pereyr, Luis Antonio Cajazeira Ramos, Aleilton Fonseca, Douglas de Almeida e Walter Cesar. E v\u00e1rios poetas de outros estados, apenas para citar alguns: Mariana Ianelli (SP), Salgado Maranh\u00e3o (MA), Marize Castro (RN), Alexandre Bonafim (MG), Astrid Cabral (AM), Antonio-Mariano Lima (PB), Neide Archanjo (SP), Raimundo Gadelha (PB), Helena Ortiz (RS), Wilmar Silva (MG), Igor Fagundes (RJ), etc&#8230; Como v\u00ea, s\u00e3o muitos e, dos que citei, apenas tr\u00eas podem ser considerados jovens poetas, a Mariana Ianelli, o Igor Fagundes e o Alexandre Bonafim, mas cada qual tem ao menos quatro livros publicados. Citei esses nomes apenas para comprovar que tamb\u00e9m destaquei os poetas j\u00e1 reconhecidos e com uma obra j\u00e1 sedimentada. Com isso n\u00e3o quero passar a imagem de que n\u00e3o valorizo a produ\u00e7\u00e3o dos jovens. Sempre busquei dar o mesmo espa\u00e7o para todos. Claro que alguns se destacam mais. Isso vai da for\u00e7a da poesia de cada um e da sua desenvoltura com o p\u00fablico. Mas se abri espa\u00e7o para autores que j\u00e1 t\u00eam um certo reconhecimento e que j\u00e1 obtiveram importantes premia\u00e7\u00f5es, tentei e tento mostrar ainda mais os poetas mais jovens. A diferen\u00e7a \u00e9 que em rela\u00e7\u00e3o aos mais jovens, al\u00e9m de projetos, organizei colet\u00e2neas envolvendo-os. Em 2004 organizei uma colet\u00e2nea com 15 poetas da minha gera\u00e7\u00e3o, que hoje j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais t\u00e3o jovens, refiro-me <em>ao Concerto l\u00edrico a quinze vozes<\/em>. E hoje, parece-me que a maioria j\u00e1 est\u00e1 bem situada na literatura baiana, alguns at\u00e9 com certa repercuss\u00e3o em n\u00edvel nacional. Creio que, de modo geral, acertei nas minhas escolhas. Mais recentemente, em 2011, organizei a colet\u00e2nea <em>Sangue Novo<\/em>, que re\u00fane 21 jovens poetas \u2013 esses sim, bem jovens \u2013 todos nascidos a partir de 1980. Nesses trabalhos busquei apenas promover o encontro de vozes que andavam muito dispersas, na tentativa de promover um di\u00e1logo da poesia que anda sendo feita na Bahia. Repare, n\u00e3o me refiro a um di\u00e1logo sobre a poesia, mas da poesia propriamente dita. Alguns poetas, j\u00e1 conhecia pessoalmente, outros mandaram seus primeiros livros para mim. Boa parte, encontrei em blogs e nas redes sociais. A meu ver, o que mais aproxima esses jovens poetas, em geral, \u00e9 um acentuado lirismo e o di\u00e1logo com outras linguagens art\u00edsticas, sobretudo com a m\u00fasica pop e com o cinema. Na maioria, s\u00e3o estudantes ou professores de Letras ou de outros cursos das ci\u00eancias humanas. Poucos cultivam o verso medido, embora alguns tenham pleno dom\u00ednio das t\u00e9cnicas de metrifica\u00e7\u00e3o. Enfim, s\u00e3o poetas de uma \u00e9poca de fragmenta\u00e7\u00e3o de identidade, em que se fala de uma aldeia global, onde os encontros s\u00e3o virtuais e os grandes acontecimentos mundiais s\u00e3o assistidos em tempo real. Sem d\u00favida, esses adventos tecnol\u00f3gicos interferem na cria\u00e7\u00e3o de qualquer artista, n\u00e3o apenas desses novos autores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; O que definitivamente voc\u00ea n\u00e3o endossa na dita p\u00f3s-modernidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> N\u00e3o endosso essa nomenclatura \u201cp\u00f3s-modernidade\u201d. Agrada-me o termo \u201ccontemporaneidade\u201d. Mas, no fim das contas, n\u00e3o muda nada. No mais, quem sou para endossar ou n\u00e3o alguma coisa nesses tempos p\u00f3s-modernos? Vivo muito \u00e0 margem de tudo, embora esteja quase sempre conectado. As minhas atividades, boa parte delas, acontecem em casa mesmo, digitando nas teclas de um PC ou de um notebook. Quando n\u00e3o estou em casa, vou para a minha ro\u00e7a, a Pedra S\u00f3, um lugar onde n\u00e3o tem sequer energia el\u00e9trica nem \u00e1gua encanada, onde fico completamente isolado de toda essa parafern\u00e1lia tecnol\u00f3gica. E como \u00e9 bom, depois de um dia no campo, lidando com gado, andando a cavalo, poder chegar em casa, deitar numa rede e ler um bom livro, tendo a certeza de que nenhum telefone vai tocar nem ningu\u00e9m vai aparecer para atrapalhar. Nada de televis\u00e3o, nada de r\u00e1dio, apenas o canto dos p\u00e1ssaros. Sem contar que a brisa do Sert\u00e3o traz um sentimento t\u00e3o profundo e m\u00e1gico que a gente fica sem saber o que diabo \u00e9 p\u00f3s-modernidade. E quando chega a noite, ah meu irm\u00e3o, aparece uma ro\u00e7a de estrelas no c\u00e9u que n\u00e3o h\u00e1 conceito que possa abranger a sua imensid\u00e3o&#8230; E se \u00e9 noite de lua cheia, a epifania \u00e9 certa. Pois bem, a p\u00f3s-modernidade tende a desmistificar todo esse meu discurso arcaico por um processo de desconstru\u00e7\u00e3o e bla bla bl\u00e1. A \u00fanica coisa que pretendo sempre endossar \u00e9 o rumo dos meus passos e os matizes de minha poesia. O que sei eu da p\u00f3s-modernidade?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; <em>Pedra S\u00f3<\/em>, seu mais recente livro, est\u00e1 prestes a ser lan\u00e7ado. Quais percursos demarcam de modo especial esse seu novo rebento liter\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> O <em>Pedra S\u00f3<\/em> \u00e9 o meu livro mais autobiogr\u00e1fico. Revestido de tons \u00e9picos, flertando com a linguagem b\u00edblica, traz um longo poema dividido em 27 partes, que est\u00e1 no cap\u00edtulo de abertura e que nomeia o livro. Como j\u00e1 ficou claro na resposta anterior, Pedra S\u00f3 \u00e9 o nome de uma fazenda, onde tenho o privil\u00e9gio de passar uma parte de meu tempo. \u00c9 a partir desse lugar, a Fazenda Pedra S\u00f3, no Sert\u00e3o da Bahia, que invento um entrelugar, de mesmo nome, para dar evas\u00e3o aos meus del\u00edrios po\u00e9ticos. Ent\u00e3o, frequento os lugares mais rec\u00f4nditos e in\u00f3spitos da minha mem\u00f3ria, buscando o barro fundamental \u2013 a poesia primeva \u2013 para fazer a liga\u00e7\u00e3o do meu ser com a arte e criar meus poemas. Quem leu meus livros sabe que a tem\u00e1tica campesina sempre esteve presente na minha produ\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica tamb\u00e9m tem dado muita \u00eanfase neste aspecto. No livro anterior, <em>Roseiral<\/em>, \u00e9 que dei uma acentuada no erotismo e nos matizes surreais. Pois bem, agora fa\u00e7o um movimento de retorno \u00e0s origens sert\u00e2nicas com uma intensidade que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia experimentado, \u00e9 assim no \u201cPedra S\u00f3\u201d e tamb\u00e9m no segundo cap\u00edtulo, intitulado \u201cAboio Livre\u201d. O terceiro cap\u00edtulo \u00e9 o \u201cToada do Tempo\u201d, em que uso com mais frequ\u00eancia o verso medido e que situa o poeta dentro do tempo, medindo sua finitude e, paradoxalmente, percebendo-se atemporal. A quarta se\u00e7\u00e3o, chamada \u201cPartituras\u201d, \u00e9 onde aparecem as cantigas e os c\u00e2nticos de louvor. E, por derradeiro, o cap\u00edtulo \u201cPar\u00e1bolas\u201d, em que acentuo o surrealismo, tentando criar uma esfera fant\u00e1stica, impregnada de misticismo, que encerra o livro. Esses s\u00e3o, em linhas gerais, os caminhos da <em>Pedra S\u00f3<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DA &#8211; Para al\u00e9m do poeta, o que busca o homem Jos\u00e9 In\u00e1cio Vieira de Melo em sua teima com as palavras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JIVM \u2013<\/strong> N\u00e3o h\u00e1, em mim, uma separa\u00e7\u00e3o entre o homem e o poeta. N\u00e3o estou poeta. Eu sou poeta 25 horas por dia. O bom da jornada \u00e9 caminhar&#8230; N\u00e3o sei se para o bem ou se para o mal, n\u00e3o sou um ser pragm\u00e1tico. E sinto que as finalidades limitam muito as experi\u00eancias. A minha teima com as palavras \u00e9, em todas inst\u00e2ncias, por necessidade de express\u00e3o. Se n\u00e3o estiver em contato com os signos, reordenando-os para encontrar novos significados, para despertar emo\u00e7\u00f5es, a exist\u00eancia fica sem sentido. Ent\u00e3o o que busco s\u00e3o os caminhos&#8230; E eles sempre surgem. E a minha teima \u00e9 caminhar \u2013 um passo depois do outro, sempre, sempre \u2013, contemplando a paisagem, inventando paisagens, sendo a paisagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1597\" aria-describedby=\"caption-attachment-1597\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1597\" title=\"Jos\u00e9 In\u00e1cio menor 2\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor-2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor-2.jpg 500w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Jos\u00e9-In\u00e1cio-menor-2-300x238.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1597\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 In\u00e1cio Vieira de Melo por Ricardo Prado<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; TR\u00caS POEMAS DE \u201cPEDRA S\u00d3\u201d &#8211;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Escrituras<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu chego no sil\u00eancio que acende<br \/>\nas quatro ferraduras do tempo<br \/>\ne encontro a inesgot\u00e1vel jazida,<br \/>\ncatedral do rubi que me habita.<\/p>\n<p>Na madrugada, sonho com os rumos,<br \/>\ngesto que inventa o cristal das palavras,<br \/>\nsurpreendendo as pedras com a chuva<br \/>\na derramar a escritura sagrada.<\/p>\n<p>Agora, apenas ando com os p\u00e1ssaros<br \/>\na escutar as belezas desta terra<br \/>\ne sustento as par\u00e1bolas salv\u00edficas<br \/>\ncom esta medula que me carrega.<\/p>\n<p>Escuta, dos confins do longo dia,<br \/>\na noite a chegar \u2013 cortina de versos<br \/>\nque revelam as estrelas de abril<br \/>\naos meus olhos pasmos de tanto ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A pupila de Narciso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vestido com a gra\u00e7a da Lua,<br \/>\num cisne no lago do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Padece o poeta aos peda\u00e7os<br \/>\nno espelho l\u00edmpido das \u00e1guas.<\/p>\n<p>Narciso que cintila perdido,<br \/>\nbuscando no rosto uma casta.<\/p>\n<p>At\u00e9 que na espuma dos tempos<br \/>\nsalva a legi\u00e3o de afogados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aurora<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A liberdade do crep\u00fasculo tremula.<br \/>\nEscuto o alarido dos p\u00e1ssaros do Sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Debru\u00e7o-me no ninho do Cosmo.<br \/>\nMinhas m\u00e3os trabalham no vazio.<\/p>\n<p>Minhas m\u00e3os trabalham na imensid\u00e3o.<br \/>\nLonga batalha em busca da beleza.<\/p>\n<p>Da boca dos p\u00e1ssaros, os viol\u00f5es do Sol.<br \/>\nRezo benditos e grito os nomes da Terra.<\/p>\n<p>Contemplo a mansid\u00e3o do sil\u00eancio que voa.<br \/>\nAs minhas sand\u00e1lias s\u00e3o feitas de aurora.<\/p>\n<p>De meus dedos esplendem labirintos.<br \/>\nMeu caminho \u00e9 o strip-tease da solid\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prestes a lan\u00e7ar seu mais novo rebento liter\u00e1rio, o poeta Jos\u00e9 In\u00e1cio Vieira de Melo fala sobre sua encantada rela\u00e7\u00e3o com as palavras<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1595,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[290,16,2539],"tags":[329,328,325,327,63,332,324,326,8,334,333,330,331,323],"class_list":["post-1594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-68a-leva","category-destaques","category-pequena-sabatina-ao-artista","tag-a-infancia-do-centauro","tag-a-terceira-romaria","tag-cavaleiro-de-fogo","tag-decifracao-de-abismos","tag-entrevista","tag-fernando-pessoa","tag-jose-inacio-viera-de-melo","tag-pedra-so","tag-pequena-sabatina-ao-artista","tag-poesia-contemporanea","tag-pos-modernidade","tag-roseiral","tag-sertao-de-memorias","tag-transcendencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1594"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15163,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1594\/revisions\/15163"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}