{"id":16126,"date":"2019-03-10T12:42:09","date_gmt":"2019-03-10T15:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/?p=16126"},"modified":"2019-05-19T11:38:58","modified_gmt":"2019-05-19T14:38:58","slug":"aperitivo-da-palavra-ii-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/aperitivo-da-palavra-ii-9\/","title":{"rendered":"Aperitivo da Palavra II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACERCA DO LIVRO <\/strong><strong><em>CURSIVO MENOR<\/em><\/strong><strong> DE ANT\u00d3NIO VERA*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Maria L\u00facia Lepecki\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/livro-capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16130\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/livro-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/livro-capa.jpg 320w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/livro-capa-213x300.jpg 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um caso raro de acontecer. Eu considero ser um privil\u00e9gio meu estar aqui a apresentar uma pessoa que durante cinquenta anos escreveu para si mesmo, para a gaveta, e eventualmente, de vez em quando, para aqueles que, como o que est\u00e1 l\u00e1 ao fundo [o editor], o quiseram publicar, n\u00e3o \u00e9 verdade? \u00c9 uma vida dedicada a uma f\u00e9. O autor acredita na poesia, acredita na palavra. Eu me sinto de facto comovida de poder estar aqui com ele hoje e gostaria de vos explicar com palavras muito simples, e n\u00e3o vou ser longa, o que \u00e9 a poesia l\u00edrica. A poesia l\u00edrica \u00e9 aquela poesia que mais de perto nos fala ao cora\u00e7\u00e3o. Aquela que n\u00f3s gostamos de recitar, aquela de que nos lembramos quando estamos a conversar com os amigos: olha, os sonetos de Cam\u00f5es; olha um poema da Nat\u00e9rcia Freire\u2026 \u00c9 aquele que se nos entranha por dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia l\u00edrica \u00e9 uma esp\u00e9cie de conversa de uma pessoa com o mundo, \u00e9 uma conversa quase secreta. Disse um te\u00f3rico canadiano da literatura, Northrop Frye, que a poesia l\u00edrica \u00e9 feita do eu para o eu, mas ela \u00e9 feita tamb\u00e9m para ser dita ao outro, porque \u00e9 evidente que ela \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o. Disse o te\u00f3rico Northrop Frye que, quando lemos a poesia l\u00edrica \u00e9 como se fosse um ato de indiscri\u00e7\u00e3o, \u00e9 como se a gente \u201ctresouvisse\u201d a privacidade absoluta do outro e \u00e9 como se esse outro generosamente nos deixasse entrar naquilo que n\u00f3s costumamos chamar, e bem, de \u201calma\u201d; entramos na alma do outro pela poesia l\u00edrica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa que a poesia l\u00edrica tem de muito bonito e que nos faz gostar dela, \u00e9 o aspeto ritualizado: ela tem um ritual, um jeito de dizer as palavras, um jeito de organizar as ideias que faz com que tudo fique musical e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ela \u00e9 chamada de \u201cl\u00edrica\u201d. \u00c9 porque no in\u00edcio ela era acompanhada pela lira, acompanhava-se ao som da lira. Aquilo fazia uma jun\u00e7\u00e3o da palavra com a pura melopeia que acompanhava essa palavra. O nosso amigo Ant\u00f3nio Vera nos seus cinquenta anos de escrita secreta acompanhado pela esposa, com certeza que era a sua musa, j\u00e1 se sabe. N\u00e3o \u00e9 verdade, ou talvez at\u00e9 tocasse mesmo lira. \u00c0s vezes, no conv\u00edvio de um casal, fazem-se muitas coisas ao longo da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso amigo Ant\u00f3nio Vera tem no meu entender uma grande no\u00e7\u00e3o daquilo que faz a subst\u00e2ncia da poesia ocidental e da l\u00edrica ocidental. Essa no\u00e7\u00e3o \u00e9, em primeiro lugar, a da musicalidade. Ele tem m\u00fasica nos poemas, ele trabalha muito bem nas retomadas dos mesmos sons dentro do mesmo verso ou entre versos. Ele trabalha muito bem no ritmo, como \u00e9 que ele quer que o leitor leia, com que pausas, com que for\u00e7as, com que subtilezas de voz. Ele precisa disso, ele sabe fazer isso e, sabendo disso e precisando disso, ele se enquadra de pleno direito na tradi\u00e7\u00e3o da poesia em que n\u00f3s vivemos. Ali\u00e1s, ele se enquadra tamb\u00e9m porque revisita formas da poesia. Ele faz, por exemplo, uma linda cantiga de amor, neste livro, como faz tamb\u00e9m sonetos, que s\u00e3o formas particularmente dif\u00edceis. O Couto Viana** e o Nogueira*** dir\u00e3o: \u201cmas o soneto \u00e9 uma forma exigente\u201d, o soneto pede uma disciplina mental muito grande para voc\u00ea construir uma ideia e chegar \u00e0quilo que se chama \u201cchave de ouro\u201d e, portanto, n\u00e3o \u00e9 qualquer um que faz um soneto. Ant\u00f3nio Vera tem preciosos sonetos e, daqui a pouco, lerei um deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queria falar ainda um bocadinho, que eu n\u00e3o quero tomar muito tempo. N\u00f3s temos que pedir ao Papai Noel para trazer ao Fernando**** umas cadeiras de presente para o Natal para os pr\u00f3ximos lan\u00e7amentos, para podermos explicar melhor as obras liter\u00e1rias. Temos que explicar depressa [pois] com o pessoal de p\u00e9, n\u00e3o d\u00e1. Mas eu queria dizer uma coisa para voc\u00eas que \u00e9 o seguinte: eu, no come\u00e7o, disse que o l\u00edrico \u00e9 aquele que se encanta perante a variedade do mundo. O mundo \u00e9 variado, o mundo \u00e9 diferente, o mundo \u00e9 bonito, o mundo nunca \u00e9 igual. O mundo \u00e9 sempre uma provoca\u00e7\u00e3o e o l\u00edrico sabe disso, e ele dialoga com o mundo e dialoga atrav\u00e9s de determinados temas que s\u00e3o tamb\u00e9m revisitados em toda a tradi\u00e7\u00e3o cultural europeia e talvez mesmo universal, e que s\u00e3o os temas revisitados tamb\u00e9m pelo Ant\u00f3nio Vera. Por exemplo, um tema fundamental \u00e9 o tema do tempo. O tempo passa. Ele tem imensas poesias sobre o tempo que passa. E aquele tempo que passa e que ele retrata nos poemas \u00e9 um tempo que simultaneamente d\u00e1 a vida, porque evidentemente n\u00f3s vivemos no tempo, mas traz a morte tamb\u00e9m. Porque o tempo \u00e9 aquilo que n\u00f3s vamos caminhando atrav\u00e9s de, n\u00e3o \u00e9 verdade? E vamos chegar ao outro lado. Ent\u00e3o nesse tipo de tem\u00e1tica voc\u00eas encontrar\u00e3o laivos de melancolia muito bonita, uma melancolia por vezes muito discreta, muito subtil; ele \u00e9 muito discreto, ele n\u00e3o \u00e9 um homem do dizer com muitas palavras, ele n\u00e3o \u00e9 um homem de muitos adjetivos, ele \u00e9 um homem do pudor do sentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um outo tema que ele tem, \u00e9 o tema da morte e outro tema \u00e9 o tema da natureza. S\u00e3o todos tr\u00eas temas privilegiados na nossa tradi\u00e7\u00e3o. Quando ele trabalha esses temas, obcessivamente ele fala uma vez naquilo, depois ele torna a falar, depois no poema seguinte toca noutro assunto, depois retorna ao primeiro, vai revisitando a mesma preocupa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o humana. O que \u00e9 que ele est\u00e1 fazendo? Ele est\u00e1 fazendo aquilo que todo o poeta faz e que se n\u00e3o se faz isso n\u00e3o se \u00e9 poeta. Ele est\u00e1 a estabelecer um lugar da sua reflex\u00e3o sobre as coisas, ele pensa sobre as coisas, ele vai refletindo e quando n\u00f3s refletimos sobre as coisas, \u00e9 evidente que n\u00f3s n\u00e3o pensamos nelas uma vez s\u00f3. Para a nossa medida precisamos voltar ao mesmo lugar, tornar a pensar, ver como \u00e9 que \u00e9, contar de novo. E quando ele estabelece esse espa\u00e7o de reflex\u00e3o e o revisita, ele ent\u00e3o inocula na sua poesia aquilo que eu gostaria de chamar, Ant\u00f3nio Vera, de dimens\u00e3o filos\u00f3fica. \u00c9 a dimens\u00e3o do pensamento que se constr\u00f3i sistematicamente, retornando aos mesmos temas e tentando ver at\u00e9 que ponto aqueles temas pesam ou n\u00e3o pesam dentro do imagin\u00e1rio do ser e dos seus livros. Eu vou dar para voc\u00eas alguns exemplos, vou ler para voc\u00eas alguns poemas do Ant\u00f3nio Vera:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>4<\/em><\/p>\n<p><em>da talha benta da senhorinha morta, <\/em><br \/>\n<em>vazio o bojo de pedra, polido. <\/em><br \/>\n<em>o rosto deitado da senhorinha morta, <\/em><br \/>\n<em>cobre-o um len\u00e7o de linho.<\/em><\/p>\n<p><em>quem foi o rosto copiado em cera e l\u00edrio <\/em><br \/>\n<em>da senhorinha morta?<\/em><\/p>\n<p><em>responde (o que responde?) o bojo polido, <\/em><br \/>\n<em>o bojo da talha benta da senhorinha morta, <\/em><br \/>\n<em>com uma l\u00e1grima de vidro:<\/em><br \/>\n<em>conta de um ter\u00e7o rezado \u00e0 senhorinha morta, <\/em><br \/>\n<em>em tempo ido.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>17<\/em><\/p>\n<p><em>crepita um vento fraco <\/em><br \/>\n<em>na crista l\u00facida da onda. <\/em><br \/>\n<em>colada \u00e0 sombra do barco<\/em><br \/>\n<em>desliza na \u00e1gua minha sombra. <\/em><br \/>\n<em>plan\u00edcie, verde v\u00e1rzea, <\/em><br \/>\n<em>m\u00f3vel e falso espelho de deus, <\/em><br \/>\n<em>ret\u00e9m a quilha, gela a \u00e1gua! <\/em><br \/>\n<em>que vento, quilha, mar e sombra <\/em><br \/>\n<em>sou eu.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>38<\/em><\/p>\n<p><em>verde o reflexo na folha iluminada. <\/em><br \/>\n<em>sobre ele adeja a minha nostalgia.<\/em><\/p>\n<p><em>agora lembro aquele antigo dia <\/em><br \/>\n<em>feito de som e \u00e1gua.<\/em><\/p>\n<p><em>e um quase nada <\/em><br \/>\n<em>daquela cor <\/em><br \/>\n<em>aflora aqui a relembrar a minha vida <\/em><br \/>\n<em>que se esbate no ar <\/em><br \/>\n<em>como o vapor da madrugada.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>68<\/em><\/p>\n<p><em>a solid\u00e3o alonga pelo rio, <\/em><br \/>\n<em>direita \u00e0 barra, seu ventre de metal. <\/em><br \/>\n<em>presa a estibordo, a dor, que vai partir, <\/em><br \/>\n<em>tenta ficar soldada \u00e0quele pontal. <\/em><br \/>\n<em>manh\u00e3 nascente, \u00e9 noite noutro rio.<\/em><\/p>\n<p><em>passos nus, vacilantes, de um arrais, <\/em><br \/>\n<em>timbram o sil\u00eancio de um som mole e cavo, <\/em><br \/>\n<em>e um grito de sereia p\u00f5e um travo <\/em><br \/>\n<em>de acre certeza num manar de ais.<\/em><br \/>\n<em>os sinais amarelos das vigias <\/em><br \/>\n<em>abriram rumo sobre o rio plano, <\/em><br \/>\n<em>enquanto em n\u00f3s se abre um oceano, <\/em><br \/>\n<em>em que naufragam terras e alegrias.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele tem esp\u00edrito de humor tamb\u00e9m. De vez em quando os poemas dele s\u00e3o poemas de esp\u00edrito de humor:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>75<\/em><\/p>\n<p><em>\u00e0 mulher que mais amei <\/em><br \/>\n<em>levou-me o vento um recado:<\/em><br \/>\n<em>\u2014 perdoaste?<\/em><br \/>\n<em>\u2014 perdoei!<\/em><br \/>\n<em>\u00f3 vento, muito obrigado!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E agora \u00e9 a revisita\u00e7\u00e3o, noutro poema, da poesia medieval da cantiga de amigo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>94<\/em><\/p>\n<p><em>ai flores, ai flores do rosmaninho, <\/em><br \/>\n<em>se sabeis novas de outro olor amigo, <\/em><br \/>\n<em>trazei-mo de volta, de s\u00e2ndalo ou trigo, <\/em><br \/>\n<em>trazei-mo de volta, que de respirar vivo, <\/em><br \/>\n<em>que de amigos vivo, <\/em><br \/>\n<em>que de respirar vivo.<\/em><\/p>\n<p><em>trazei-mo de volta, fazei-mo vizinho, <\/em><br \/>\n<em>trazei-me um amigo, que n\u00e3o um cativo, <\/em><br \/>\n<em>livre como o vento, vivaz como um vinho, <\/em><br \/>\n<em>que de amigos vivo, <\/em><br \/>\n<em>que de respirar vivo.<\/em><\/p>\n<p><em>ai flores, ai flores do rosmaninho, <\/em><br \/>\n<em>partiram as barcas, eu fiquei sozinho, <\/em><br \/>\n<em>salsugens, madeiras de pinho e de azinho <\/em><br \/>\n<em>zarparam pelos ares, foram-se os amigos, <\/em><br \/>\n<em>fiquei no azul, suspenso, sozinho&#8230; <\/em><br \/>\n<em>trazei-mos de volta, <\/em><br \/>\n<em>que de amigos vivo, <\/em><br \/>\n<em>que de respirar vivo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">* Texto que serviu de apresenta\u00e7\u00e3o da obra quando do seu lan\u00e7amento em Lisboa a 17 de dezembro de 1998, na Livraria Colibri da Universidade Nova de Lisboa.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">** Refer\u00eancia a Ant\u00f3nio Manuel Couto Viana (1923-2010), not\u00e1vel poeta portugu\u00eas, dramaturgo, ensa\u00edsta, ator e encenador.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">*** Refer\u00eancia ir\u00f3nica a um dos apelidos de Fernando Pessoa: Fernando Ant\u00f3nio Nogueira Pessoa.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">**** Refer\u00eancia a Fernando M\u00e3o de Ferro, primeiro editor deste livro.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ONZE POEMAS DE ANT\u00d3NIO VERA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[sem t\u00edtulo]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>da talha benta da senhorinha morta,<br \/>\nvazio o bojo de pedra, polido.<br \/>\no rosto deitado da senhorinha morta,<br \/>\ncobre-o um len\u00e7o de linho.<\/p>\n<p>quem foi o rosto copiado em cera e l\u00edrio<br \/>\nda senhorinha morta?<\/p>\n<p>responde (o que responde?) o bojo polido,<br \/>\no bojo da talha benta da senhorinha morta,<br \/>\ncom uma l\u00e1grima de vidro:<br \/>\nconta de um ter\u00e7o rezado \u00e0 senhorinha morta,<br \/>\nem tempo ido.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>cursivo menor,<\/em> 2000, p\u00e1g. 20.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[sem t\u00edtulo]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>a morte \u00e9 um planeta inabitado,<br \/>\ndonde partiram quantos ali foram<br \/>\nou voluntariamente ou enganados,<br \/>\nbuscando alojamento, paz, alfombra,<br \/>\ndescanso para a alma, ou magoados<br \/>\npor n\u00e3o haver onde esconder a sombra.<\/p>\n<p>tal planeta l\u00e1 para oeste fica,<br \/>\nbem para tr\u00e1s do sol posto, onde se expande<br \/>\no raio verde, com o fim do dia,<\/p>\n<p>sarc\u00e1stica mans\u00e3o dos desenganos<br \/>\ndum mundo atafulhado s\u00f3 de vida,<br \/>\nmas que \u00e0 vida responde s\u00f3 com vida<br \/>\ne aos desenganos s\u00f3 com desenganos;<\/p>\n<p>onde o tempo-mat\u00e9ria se desfaz<br \/>\ncom presteza contr\u00e1ria \u00e0 da luz<br \/>\ne os calend\u00e1rios giram s\u00f3 pra tr\u00e1s<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>palavras com rosto<\/em>, 2000, p\u00e1g. 75.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>roleta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>uma fonte, dois c\u00e2ntaros:<br \/>\nem um deles, veneno;<br \/>\nde um s\u00f3 tu beber\u00e1s.<\/p>\n<p>a tua sede aperta.<\/p>\n<p>algu\u00e9m te diz \u201c\u00e9s livre\u201d;<br \/>\nalgu\u00e9m te diz \u201c\u00e9s cego\u201d.<\/p>\n<p>a tua sede \u00e9 muda.<\/p>\n<p>acerta ou desacerta,<br \/>\nmas beber\u00e1s com pressa.<\/p>\n<p>e, certo, ser\u00e1s livre,<br \/>\nnesse momento eterno,<br \/>\nque tu decidir\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>as pestanas de Afrodite<\/em>, 2001, p\u00e1g. 29.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>torre do bugio, pau de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00e0 beira de um tejo azul,<br \/>\ngrosso pau de \u00e1gua solu\u00e7a<br \/>\nverdes folhas enla\u00e7adas<br \/>\nem forma de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>chora a tepidez dos tr\u00f3picos,<br \/>\nchora por chica da silva<br \/>\nque lhe afagava o formato<br \/>\nde pau-brasil em ere\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>e os quindins de sinh\u00e1-mo\u00e7a,<br \/>\nao passar por ele as m\u00e3os,<br \/>\nduas mil l\u00e9guas pra l\u00e1<br \/>\ndum meridiano a oeste<br \/>\ndeste que o ata por c\u00e1.<\/p>\n<p>ai! porque as m\u00e3os de sinh\u00e1,<br \/>\npalmas de leite de coco,<br \/>\nlevam-no ao bugio mirar<br \/>\ncomo se ele fosse um sinal:<\/p>\n<p>a torre sendo um pau de \u00e1gua,<br \/>\nprantado \u00e0 barra do tejo,<br \/>\npelas \u00e1guas enla\u00e7ado\u2026<br \/>\ne as dobras das ondas fossem<\/p>\n<p>as lamas das m\u00e3os de i\u00e1-i\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>escrito na margem<\/em>, 2003, p\u00e1g. 43.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esta apagada e vil tristeza<\/strong><br \/>\n(agosto, 2003)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>entre a piedade e o desalento<br \/>\nrevejo monte e vale:<br \/>\nqueimado quase tudo<br \/>\nsujos rios<br \/>\npobres<br \/>\ndesempregados<br \/>\ntraficantes<br \/>\nb\u00eabados de poder<br \/>\ne de arrog\u00e2ncia<br \/>\nou de mau vinho.<\/p>\n<p>e indigno-me sozinho<br \/>\ncomigo e o nosso mal:<br \/>\nterem-nos roubado<br \/>\no gesto e a sanha<br \/>\no n\u00famero e a vontade<br \/>\nas luzes do saber<br \/>\nsequer a manha<br \/>\nde dar sentido e nome<br \/>\na Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>sons que falam<\/em>, 2004, p\u00e1g. 100.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Flor de sangue<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>caem sonhos no po\u00e7o onde cai sangue<br \/>\narterial, contigo misturado,<br \/>\ncomo um pastor no meio do seu gado<br \/>\nsegue o expirar da tarde estreme e langue.<\/p>\n<p>e no po\u00e7o flutua a flor do mangue<br \/>\nque no l\u00edquido vive \u2013 \u00e9 o seu fado \u2013<br \/>\ne no l\u00edquido morre: lado a lado,<br \/>\nvida e morte excessivas, for\u00e7a exangue.<\/p>\n<p>\u00e9 nesse espa\u00e7o rubro, em quatro quartos,<br \/>\nque a terna flor, vivendo as esta\u00e7\u00f5es,<br \/>\nd\u00e1 sustento a n\u00f3s dois, tornados plasma,<\/p>\n<p>a circular no corpo, em sonhos fartos<br \/>\nde posse, de avidez de sensa\u00e7\u00f5es,<br \/>\n\u00e9brios da fina dor que entusiasma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>de amor e desengano<\/em>, 2005, p\u00e1g. 108.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Lacrimensor<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>chora-me ainda hoje<br \/>\na minha morte breve<br \/>\npara eu saber<br \/>\nse ainda me memoras<\/p>\n<p>medir-te as l\u00e1grimas<br \/>\nno rosto<br \/>\nbeb\u00ea-las a correrem<br \/>\nplo teu corpo<\/p>\n<p>tocar a minha vida e morte<br \/>\nem trasladado gozo<\/p>\n<p>e evaporada a alma<br \/>\ndessas l\u00e1grimas<br \/>\ntom\u00e1-la dos teus olhos<br \/>\nt\u00e3o bem vivos<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in<em> estrofes elementares<\/em>, 2007, p\u00e1g. 102.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esconjurando o inverno<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>desde a raiz da minha vida<br \/>\numa seiva de f\u00e9 e de certeza<br \/>\nme sobe ao cora\u00e7\u00e3o<br \/>\ne a tenho presa<br \/>\nno estame desta flor<br \/>\nque a ti entrego<\/p>\n<p>p\u00f5em-na entre os teus seios<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/span>esses meus amores<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/span>como os teus olhos<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/span>boca<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/span>quanto \u00e9s<\/p>\n<p>porque dessa uni\u00e3o<br \/>\nnos nascer\u00e1 um filho<br \/>\nprimaveril e doce<br \/>\na esconjurar invernos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>amor sempre e a seguir<\/em>, 2009, p\u00e1g. 31.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Portugu\u00eas meu amor e l\u00edngua minha<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>minha l\u00edngua-m\u00e3e<br \/>\nconfusa e linda<br \/>\nrelampejas de luz<br \/>\ne crias trevas<\/p>\n<p>onde flutua a tua omnisci\u00eancia<br \/>\nque \u00e9 dos nossos sonhos<\/p>\n<p>o mar onde nos levas<br \/>\na descobrir o mundo<br \/>\no mundo avassalado<br \/>\npor capit\u00e3es do lucro<br \/>\ne da gan\u00e2ncia<\/p>\n<p>esfarrapada e bela<br \/>\nvelha e jovem<br \/>\nque outros irm\u00e3os te vistam<br \/>\ne alimentem<br \/>\nonde eu falhei vestir-te<br \/>\nde rainha<\/p>\n<p>e te pe\u00e7o perd\u00e3o<br \/>\npor esta minha torpe<br \/>\ninsan\u00e1vel e tola<br \/>\ninconfid\u00eancia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>folha a folha os dias<\/em>, 2010, p\u00e1g. 73.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os p\u00f3los sens\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>cora\u00e7\u00e3o foi-me guitarra<br \/>\nquando cora\u00e7\u00e3o havia<br \/>\ne o c\u00e9u enchia e vazava<br \/>\nde meu amor e alegria<\/p>\n<p>por isso eu pra ele olhava<br \/>\ne a melodia nascia<\/p>\n<p>e havia uma pedra rara<br \/>\nque dentro de mim ca\u00eda<br \/>\ne com ela me arrastava<br \/>\na dias sem sol de luto<br \/>\nonde ningu\u00e9m habitava<br \/>\nsen\u00e3o a m\u00e1goa sem fruto<\/p>\n<p>mas sempre havia a guitarra<\/p>\n<p>pra quem a tocava havia<br \/>\ndois mundos que se fechavam<br \/>\nmas que alternados se abriam<br \/>\nagora sonho o meu nada<br \/>\ncordas guitarra partidas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>o frio das met\u00e1foras<\/em>, 2011, p\u00e1g. 84.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Veleiro<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>qual a vela<br \/>\nsalgada de um veleiro<br \/>\nenfuno e vou direto aos horizontes<br \/>\nsem escolher nenhum<\/p>\n<p>eles que me escolham<br \/>\nextinto o raio verde da mem\u00f3ria<br \/>\na estrela da manh\u00e3<br \/>\ne a sua hist\u00f3ria<\/p>\n<p>tanto que o vento sopra<br \/>\nsopra hinos<br \/>\ntodos sacros de adeus<\/p>\n<p>n\u00e3o voltarei<\/p>\n<p>voltar \u00e9 renegar o tempo ido<br \/>\ne isso eu n\u00e3o farei<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">in <em>apostila<\/em> (2015, edi\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma), p\u00e1g. 55.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>BIOGRAFIA BREVE DO POETA ANT\u00d3NIO VERA <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_16132\" aria-describedby=\"caption-attachment-16132\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ant\u00f3nio-Vera-interna.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-16132 size-full\" src=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ant\u00f3nio-Vera-interna.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ant\u00f3nio-Vera-interna.jpg 347w, https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Ant\u00f3nio-Vera-interna-208x300.jpg 208w\" sizes=\"auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-16132\" class=\"wp-caption-text\">Antonio Vera \/ Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[Jos\u00e9] <strong>Ant\u00f3nio Vera<\/strong> [de Azevedo] nasceu em Lisboa, na freguesia das Merc\u00eas, a 22 de junho de 1923, e faleceu na mesma cidade a 26 de dezembro de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhou desde muito novo: foi empregado no com\u00e9rcio, agente de seguros, funcion\u00e1rio da Contabilidade P\u00fablica. De 1958 a 1987 trabalhou nos Servi\u00e7os da Emigra\u00e7\u00e3o como representante do governo portugu\u00eas para os assuntos da emigra\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses de acolhimento e, j\u00e1 no final da sua carreira, como t\u00e9cnico superior, veio a aposentar-se da ex-Secretaria de Estado da Emigra\u00e7\u00e3o e das Comunidades Portuguesas. Ao servi\u00e7o da Emigra\u00e7\u00e3o fez in\u00fameras viagens, tanto por Portugal como pelo estrangeiro, entre os quais se contam a maioria dos pa\u00edses americanos, v\u00e1rios da Europa, assim como no Ir\u00e3, tendo-lhe sido necess\u00e1rio dominar fluentemente o Franc\u00eas, o Ingl\u00eas, o Castelhano e o Italiano. Completou diversos cursos, entre os quais o Curso Complementar dos Liceus (sec\u00e7\u00e3o de Letras), o Curso Complementar de Com\u00e9rcio, o Curso do British Council, o da Alliance Fran\u00e7aise e o Instituto de Estudos Sociais, tendo\u2011lhe sido conferido o diploma de Pol\u00edtica Social pelo Instituto Superior de Ci\u00eancias do Trabalho e da Empresa. Tamb\u00e9m frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, onde n\u00e3o concluiu estudos devido ao facto de n\u00e3o lhe ser permitido faltar ao trabalho para frequentar as aulas e por n\u00e3o existir ensino noturno. Entre 1947 e 1951 colaborou em v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, nomeadamente na <em>T\u00e1vola Redonda<\/em>, fundada por Ant\u00f3nio Manuel Couto Viana e David Mour\u00e3o-Ferreira, nas revistas <em>Seara Nova<\/em> e <em>Atl\u00e2ntico<\/em>, e fez parte dos amigos da <em>\u00c1rvore<\/em>. Exemplos de alguns textos publicados nas revistas citadas acima: <em>Seara Nova<\/em>: 13\/9\/47; 1\/11\/47; 24\/2\/49; <em>T\u00e1vola Redonda<\/em>: 5.\u00ba e 7.\u00ba fasc\u00edculos; <em>Atl\u00e2ntico<\/em>: n.\u00ba 5; e revista de Outono de 1951. Foi citado como um dos seus amigos no n\u00famero da revista <em>\u00c1rvore<\/em> \u2013 Primavera e Ver\u00e3o de 1952.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inscreveu-se como s\u00f3cio na Sociedade Portuguesa de Autores sob o n.\u00ba 4824. Conviva e amigo dos poetas Daniel Filipe e Raul de Carvalho, confraternizou tamb\u00e9m com Jos\u00e9 Os\u00f3rio de Oliveira e Jos\u00e9 Terra. Mas, por dever de of\u00edcio e cont\u00ednuas viagens, n\u00e3o lhe foi poss\u00edvel manter contactos estreitos com estes amigos e outros cultivadores das letras portuguesas. De 1972 a 1974 foi o principal compilador e redator de uma revista informativa editada pelo ent\u00e3o Secretariado Nacional da Emigra\u00e7\u00e3o, o <em>Correio do Secretariado<\/em>, e de uma revista para jovens filhos de emigrantes, o <em>Boletim da Amizade<\/em>. Em fins de novembro de 1975, numa viagem de servi\u00e7o no navio <em>Eug\u00e9nio C<\/em>, que fez escala por G\u00e9nova, e em consequ\u00eancia de uma atribulada mudan\u00e7a de camarote, perdeu uma volumosa colet\u00e2nea de poesias que tencionava publicar no ano seguinte. Ao empenho extremadamente dedicado de sua filha, Maria Jos\u00e9 de Azevedo, se deve a publica\u00e7\u00e3o da sua obra po\u00e9tica, a qual compreende onze volumes: dez publicados em vida e um volume p\u00f3stumo. Ant\u00f3nio Vera \u00e9 tamb\u00e9m contista e publicou um grande n\u00famero de artigos ao longo de toda a sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da bibliografia ativa do autor contam-se os seguintes volumes: <em>cursivo menor<\/em> (1998); <em>palavas com rosto<\/em> (2000); <em>as pestanas de Afrodite<\/em> (2001); <em>escrito na margem<\/em> (2003); <em>sons que falam<\/em> (2004); <em>de amor e desengano<\/em> (2005); <em>estrofes elementares<\/em> (2007); <em>amor sempre e a seguir<\/em> (2009); <em>folha a folha os dias<\/em> (2010); <em>o frio das met\u00e1foras<\/em> (2011); <em>apostila<\/em> (2015, edi\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma). Est\u00e1 em perspetiva a publica\u00e7\u00e3o da obra do autor nos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Maria L\u00facia Torres Lepecki<\/em><\/strong><em> nasceu em Arax\u00e1, Minas Gerais, em 1940. Licenciou-se e doutorou-se em Filologia Rom\u00e2nica pela Universidade de Minas Gerais. Foi docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1970 (Professora catedr\u00e1tica em 1981). Membro do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lus\u00f3fonas e Europeias), membro da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escritores (1975-1977), vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Lusitanistas (1984-1986), conferencista e professora visitante em v\u00e1rias universidades (Salamanca, Oxford, Budapeste, Vars\u00f3via, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brown). Investigadora, cr\u00edtica liter\u00e1ria, ensa\u00edsta e infatig\u00e1vel divulgadora das literaturas e culturas de express\u00e3o portuguesa. <\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria L\u00facia Lepecki nos apresenta o poeta portugu\u00eas Ant\u00f3nio Vera <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16127,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3603,2533],"tags":[3617,11,914,3618,17,385],"class_list":["post-16126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-129a-leva","category-aperitivo-da-palavra","tag-antonio-vera","tag-aperitivo-da-palavra","tag-ensaio","tag-maria-lucia-lepecki","tag-poesia","tag-portugal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16126"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16206,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16126\/revisions\/16206"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diversosafins.com.br\/diversos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}